Lamentos de Um Bardo
5 Pergaminho Desgastado V
[...] O ar parecia abandonar o ambiente, fugia para um lugar onde pudesse existir um mínimo de pureza. O fétido cômodo parecia absorver a felicidade, ou o pouco que restava dela em meu peito.
- Horrenda feiticeira, porque insiste em me apunhalar de forma tão lenta e dolorosa? Por acaso diverte-se com a minha agonia? Devolva o meu sorriso...Em sua face tomada por feridas era visível um semblante horrendo: Ela sorria. Divertia-se e cortar as minhas asas. A dor era insuportável, os ratos pareciam perceber a minha angústia, fugiam até das suas aliadas trevas. Trevas... A fria aliada daqueles que não possuem mais esperança em seu peito, em sua mente, em sua alma.- Horrenda feiticeira, imploro perdão por minha existência. Nenhum mortal deve ser submetido á tamanha tortura, a crueldade é infinita, pare de arrancar o amor de meu coração. Devolva o meu sorriso...Ela atingira o seu objetivo. Minha alma havia se despedaçado, o amor em meu peito ja não existia, e meu coração sangrava. O mundo que criei em cima de cada pequena coisa desabou, a esperança se esvaiu.- Desisto, ó horrenda feiticeira. Tu em sua infinita crueldade venceu este pobre poeta. Me tirou o meu amor, a minha alma, a minha esperança, e o que eu mais prezava: O meu sorriso... Que as trevas se tornem minha aliada, pois eis que minha esperança acabou. Nesta gaiola este pássaro não cantará mais. [...]
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