Lagos Artificiais
21 Vinte e um
Nikita
A campainha tocou.
— Deixa que eu atendo! — A menina gritou e saiu correndo em direção a porta.
Levantou os pés para poder alcançar a maçaneta e sorriu ao abri-la.
— Oi, tia Carla.
— Oi, minha princesa! — Abaixou, beijando a pequena e a pegou no colo.
Elas entraram. Carla observou como a casa estava 'estranha'
— Onde estão todos aqueles seguranças, que ficam nos encarando, empatando a gente até de peidar?
A menina gargalhou.
— A mamãe dispensou todo mundo para termos privacidade no almoço.
— Hum … Isso é bom, … mas, significa que é a Nikita que vai cozinhar? — Brincou Carla.
— Eu ouvi isso! — Gritou Nikita ao longe.
— Ouviu o que? Só estou perguntando se você está bem!
— Não se preocupe, eu o Ben cuidamos de tudo. — Explicou Mia.
— É por isso que eu te amo. — Beijou a menina e a colocou no chão. — E por falar no nanico, onde ele está?
— Aqui, tia.
Foi ao encontro dela, correndo de braços abertos. Carla o abraçou, tirando-o do chão.
— Hum, deixa eu te ver direito. — O colocou no chão, passou a mão nos cabelos dele bagunçando-os, e Ben colocou-os novamente no lugar.
— Parece que cresceu? Ou estou precisando de óculos?
— Não, os sapatos dele que são altos. — Falou a irmã antes do menino.
— Não tia, eu cresci mesmo, três centímetros.
— É mesmo! E está mais bonito também. Me conta … (pegou as crianças pelas mãos e os levou até o sofá) não está na escola debaixo das escadas ou atrás dos armários beijando as gatinha, né?
— Não. — Falou o menino com cara de nojo e espanto. — Eu vou para a escola estudar! — Se defendeu.
— Acho bom mesmo, estou muito nova para ser avó!
Ben e Mia não aguentaram e riram alto.
— E quero saber também, se a Nikita já teve “a conversa” com vocês.
Nikita se aproximava e revirava os olhos, meneando a cabeça em descrença.
— Aquela de onde vem os bebês?
— Já. — Responderam juntos.
— Mas ela não inventou aquela estória de cegonha e blá blá blá, não, né?
— Não. A mamãe falou a verdade. — Explicou Mia.
— Isso é bom, um ponto para você Nikita. — Piscou para a amiga que se aproximava deles. — Me economiza dessa.
Eles sentaram.
— Se eu deixar por sua conta, eu que vou ser avó antes do tempo! — Brincou. — Sem falar que eles já viram centenas de vezes o vídeo do nascimento.
— Sim, mas como eles foram parar lá?
— Carla, por favor!
— Eu gosto de deixá-la irritada. — Sussurrou para as crianças, que riram. — Tenho algumas coisas para vocês, espero que gostem. — Entregou os presentes para eles.
Que foram abrindo imediatamente.
— Eba, estava mesmo querendo esse jogo. — Falou Ben empolgado. — Obrigado.
— Ai tia, eu amei esse livro de histórias. — Ela começou a folhear. — Tem de princesas?
— Tem todo tipo de história de princesas …
— Obrigada, eu amei.
— E para mim? — Perguntou Nikita.
— Só o prazer da minha companhia.
— Eu já imaginava.
— Ai Nikita, você está “velha” para ganhar presentes! — Riu da careta da amiga.
— Melhor eu ir ver o almoço. — Saiu resmungando.
— Ok. Me digam o Seymour já chegou?
— Não. — Respondeu Ben.
— Ainda bem. Como estou? — Falou passando as mãos nos cabelos.
— Linda. — Disse Mia. — Vocês estão namorando?
— Quem me dera.
— Então você gosta dele?
— Está dando para notar?
— Está. — Afirmou a garotinha sapeca.
— Ai! — Suspirou Carla. — Será que ele gosta de mim? — Perguntou franzindo o senho e pegando um espelho em sua bolsa.
— Acho que sim. Vocês já se beijaram?
— Mia, isso não é conversa para crianças. — Interrompeu Nikita, com uma bandeja na mão.
— Mãe chata, aff! — Resmungou Carla.
— Vamos mudar de assunto. — Serviu para Carla um drinque, apesar de achar imprudente, se ela sem beber já estava assim, e para as crianças suco.
— Ainda não, mas quando acontecer eu te conto. — Sussurrou Carla.
— Promete?
Carla meneou a cabeça afirmativamente.
— Acho melhor trocar esse batom, Mia me empresta um dos seus?
— Claro, vou pegar. — Correu.
— O que é Carla? Está muito velha para o Birkoff? — Devolveu para a amiga.
— Velha? Agradeça ao Ben estar aqui, se não eu ia te dizer o que era velha … — Bufou. — É só estratégia, Nikita, só isso.
— Se você diz …
— Mia, é melhor um gloss, por favor. — Pediu.
— Mulheres! — Resmungou Ben baixinho tentando jogar.
…
Carla não podia negar que estava ansiosa e impaciente, achou que o Birkoff não iria mais, até que se ouviu a campainha tocar. Ben foi atender e era ele.
Ele cumprimentos a todos, tímida e educadamente. Fazendo Carla sorrir.
— Quer beber algo? — Ofereceu Nikita.
— Não, estou bem.
— Já decidiu se ficará na cidade? — Carla estava curiosa.
— Sim. Vou ficar. Aqui as oportunidades para emprego são maiores.
— Ótimo.
— Que bom tio Birkoff que você vai ficar. — Ben ficou animado.
— É.
— O dia que você chegou foi um dia triste, mas gostei muito de te conhecer.
— Eu também, princesa. — Falou acariciando o nariz dela com a ponta do indicador, fazendo Mia rir.
— O almoço está pronto.
Nikita os chamou e foram para a mesa.
— Tio Birkoff sente aqui. — Ben puxou a cadeira.
— E tia Carla pode ficar aqui. — Disse Mia mostrando o lugar ao lado de Birkoff.
Eles sentaram no outro lado e Nikita na cabeceira.
— Já conhece a cidade, Seymour? — Questionou Carla.
— Não sou de sair muito.
— Se quiser posso te mostrar alguns lugares interessantes, algumas boates …
— Duvido que o Birkoff goste desse tipo de agitação. — Disse Nikita.
— Então, poderia ser teatro … ou cinema?
— Cinema seria bom, Carla.
Ela assentiu.
Está combinado, vamos qualquer dia desses.
Assim, almoço correu tranquilo e descontraído.
… x … x … x …
Em Paris, à noite.
Pierre dirigia tranquilo voltando para casa, e o sinal fechou. Ele parou o carro e coincidentemente seu celular tocou. Atendeu.
— Oi amor.
— Oi. Vai demorar? — Perguntou Claudia.
— Não, já estou chegando.
— Tudo bem o jantar está pronto e estou te esperando.
— Obrigado. Eu te amo.
— Também te amo.
Ele desligou o celular e ficou esperando o sinal abrir. Quando de repente foi atingido em cheio por outro veículo desgovernado, Pierre tombou sobre o volante, sem sentidos.
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