Nikita



A campainha tocou.

— Deixa que eu atendo! — A menina gritou e saiu correndo em direção a porta.

Levantou os pés para poder alcançar a maçaneta e sorriu ao abri-la.

— Oi, tia Carla.

— Oi, minha princesa! — Abaixou, beijando a pequena e a pegou no colo.

Elas entraram. Carla observou como a casa estava 'estranha'

— Onde estão todos aqueles seguranças, que ficam nos encarando, empatando a gente até de peidar?

A menina gargalhou.

— A mamãe dispensou todo mundo para termos privacidade no almoço.

— Hum … Isso é bom, … mas, significa que é a Nikita que vai cozinhar? — Brincou Carla.

— Eu ouvi isso! — Gritou Nikita ao longe.

— Ouviu o que? Só estou perguntando se você está bem!

— Não se preocupe, eu o Ben cuidamos de tudo. — Explicou Mia.

— É por isso que eu te amo. — Beijou a menina e a colocou no chão. — E por falar no nanico, onde ele está?

— Aqui, tia.

Foi ao encontro dela, correndo de braços abertos. Carla o abraçou, tirando-o do chão.

— Hum, deixa eu te ver direito. — O colocou no chão, passou a mão nos cabelos dele bagunçando-os, e Ben colocou-os novamente no lugar.

— Parece que cresceu? Ou estou precisando de óculos?

— Não, os sapatos dele que são altos. — Falou a irmã antes do menino.

— Não tia, eu cresci mesmo, três centímetros.

— É mesmo! E está mais bonito também. Me conta … (pegou as crianças pelas mãos e os levou até o sofá) não está na escola debaixo das escadas ou atrás dos armários beijando as gatinha, né?

— Não. — Falou o menino com cara de nojo e espanto. — Eu vou para a escola estudar! — Se defendeu.

— Acho bom mesmo, estou muito nova para ser avó!

Ben e Mia não aguentaram e riram alto.

— E quero saber também, se a Nikita já teve “a conversa” com vocês.

Nikita se aproximava e revirava os olhos, meneando a cabeça em descrença.

— Aquela de onde vem os bebês?

— Já. — Responderam juntos.

— Mas ela não inventou aquela estória de cegonha e blá blá blá, não, né?

— Não. A mamãe falou a verdade. — Explicou Mia.

— Isso é bom, um ponto para você Nikita. — Piscou para a amiga que se aproximava deles. — Me economiza dessa.

Eles sentaram.

— Se eu deixar por sua conta, eu que vou ser avó antes do tempo! — Brincou. — Sem falar que eles já viram centenas de vezes o vídeo do nascimento.

— Sim, mas como eles foram parar lá?

— Carla, por favor!

— Eu gosto de deixá-la irritada. — Sussurrou para as crianças, que riram. — Tenho algumas coisas para vocês, espero que gostem. — Entregou os presentes para eles.

Que foram abrindo imediatamente.

— Eba, estava mesmo querendo esse jogo. — Falou Ben empolgado. — Obrigado.

— Ai tia, eu amei esse livro de histórias. — Ela começou a folhear. — Tem de princesas?

— Tem todo tipo de história de princesas …

— Obrigada, eu amei.

— E para mim? — Perguntou Nikita.

— Só o prazer da minha companhia.

— Eu já imaginava.

— Ai Nikita, você está “velha” para ganhar presentes! — Riu da careta da amiga.

— Melhor eu ir ver o almoço. — Saiu resmungando.

— Ok. Me digam o Seymour já chegou?

— Não. — Respondeu Ben.

— Ainda bem. Como estou? — Falou passando as mãos nos cabelos.

— Linda. — Disse Mia. — Vocês estão namorando?

— Quem me dera.

— Então você gosta dele?

— Está dando para notar?

— Está. — Afirmou a garotinha sapeca.

— Ai! — Suspirou Carla. — Será que ele gosta de mim? — Perguntou franzindo o senho e pegando um espelho em sua bolsa.

— Acho que sim. Vocês já se beijaram?

— Mia, isso não é conversa para crianças. — Interrompeu Nikita, com uma bandeja na mão.

— Mãe chata, aff! — Resmungou Carla.

— Vamos mudar de assunto. — Serviu para Carla um drinque, apesar de achar imprudente, se ela sem beber já estava assim, e para as crianças suco.

— Ainda não, mas quando acontecer eu te conto. — Sussurrou Carla.

— Promete?

Carla meneou a cabeça afirmativamente.

— Acho melhor trocar esse batom, Mia me empresta um dos seus?

— Claro, vou pegar. — Correu.

— O que é Carla? Está muito velha para o Birkoff? — Devolveu para a amiga.

— Velha? Agradeça ao Ben estar aqui, se não eu ia te dizer o que era velha … — Bufou. — É só estratégia, Nikita, só isso.

— Se você diz …

— Mia, é melhor um gloss, por favor. — Pediu.

— Mulheres! — Resmungou Ben baixinho tentando jogar.





Carla não podia negar que estava ansiosa e impaciente, achou que o Birkoff não iria mais, até que se ouviu a campainha tocar. Ben foi atender e era ele.

Ele cumprimentos a todos, tímida e educadamente. Fazendo Carla sorrir.

— Quer beber algo? — Ofereceu Nikita.

— Não, estou bem.

— Já decidiu se ficará na cidade? — Carla estava curiosa.

— Sim. Vou ficar. Aqui as oportunidades para emprego são maiores.

— Ótimo.

— Que bom tio Birkoff que você vai ficar. — Ben ficou animado.

— É.

— O dia que você chegou foi um dia triste, mas gostei muito de te conhecer.

— Eu também, princesa. — Falou acariciando o nariz dela com a ponta do indicador, fazendo Mia rir.

— O almoço está pronto.

Nikita os chamou e foram para a mesa.

— Tio Birkoff sente aqui. — Ben puxou a cadeira.

— E tia Carla pode ficar aqui. — Disse Mia mostrando o lugar ao lado de Birkoff.

Eles sentaram no outro lado e Nikita na cabeceira.

— Já conhece a cidade, Seymour? — Questionou Carla.

— Não sou de sair muito.

— Se quiser posso te mostrar alguns lugares interessantes, algumas boates …

— Duvido que o Birkoff goste desse tipo de agitação. — Disse Nikita.

— Então, poderia ser teatro … ou cinema?

— Cinema seria bom, Carla.

Ela assentiu.

Está combinado, vamos qualquer dia desses.

Assim, almoço correu tranquilo e descontraído.



… x … x … x …



Em Paris, à noite.

Pierre dirigia tranquilo voltando para casa, e o sinal fechou. Ele parou o carro e coincidentemente seu celular tocou. Atendeu.

— Oi amor.

— Oi. Vai demorar? — Perguntou Claudia.

— Não, já estou chegando.

— Tudo bem o jantar está pronto e estou te esperando.

— Obrigado. Eu te amo.

— Também te amo.

Ele desligou o celular e ficou esperando o sinal abrir. Quando de repente foi atingido em cheio por outro veículo desgovernado, Pierre tombou sobre o volante, sem sentidos.