Nikita



Ela e Carla estavam na cozinha, enquanto Seymour brincava com Mia e Ben. Nikita estranhava o silêncio de Carla.

— O que foi? O gatou comeu a sua língua? — Brincou com a amiga, que estava séria.

— Nikita … esse 'negócio' de amor existe mesmo?

— Por que está me perguntado isso? — Se aproximou da amiga. — Você está com medo. — Ela concluiu.

Carla apenas assentiu.

— Claro que existe. É assim mesmo, normal sentir medo.

— Nikita … tenho pensado muito, a minha vida se resume ao trabalho, claro que gosto de dar aulas na academia.

— E são boas.

Carla sorriu.

— Obrigada. Mas, estou me sentindo vazia. — Puxou uma cadeira e sentou, enquanto a amiga continuava enxugando os pratos. — Eu quero ter uma família. Quero ter um motivo para voltar para casa, ter alguém me esperando. Ter alguém para cuidar de mim. E ter alguém para cuidar.

— Agora tem um bebê para cuidar. — Se referindo ao seu primo.

— Nikita não brinca … O que eu faço?

A amiga parou o que estava fazendo e sentou-se ao lado dela.

— Carla, o amor existe, sim. Só não é fácil amar. — Ela sorriu. — Não é porque não deu certo para mim, que não vai dar para você. — Suspirou.

— Você ainda pensa nele?

Nikita revirou os olhos.

— Ai Carla, porque está desenterrando os mortos?

— Não respondeu a minha pergunta.

Nikita olhou em volta e sussurrou.

— Por mais que eu não queira, as vezes me pegando pensando nele, ou sonhando até, e só me faz odiá-lo mais.

Carla tinha vontade de contar, várias vezes pensou em fazer isso, mas achava melhor deixar as coisas do jeito que estavam, como havia prometido ao Michael.

— Ele me deu um vislumbre do que era o amor, do que era uma família, do que era ser feliz. Me fez sonhar com algo que eu não poderia ter, me deu esperança e arrancou tudo de mim da forma mais dolorosa possível. Foi embora sem nunca me dizer o porquê. Eu o odeio por isso, porque ele só estava brincando comigo — Ela enxugou uma lágrima. — Claro que a culpa não é ele, é minha. Eu que comecei, sabia o mundo em que eu vivia, mas achei que podia, me entreguei … e me odeio por isso.

— Me desculpe por te fazer lembrar.

— Não, está tudo bem. O que eu te digo é o seguinte, ter uma casa e ter um marido, não quer dizer que tenha uma família ou um lar. Mas, no seu caso e do Birkoff é diferente. Se você quer, lute por isso. Não é fácil. É o que eu faço, luto pelos meus filhos, entende? E vale a pena. E o Birkoff é uma boa pessoa. E me parece que é reciproco o que sentem. Tenho certeza que vale a pena.

— Como eu já te disse antes, o que eu sinto por ele é diferente, nunca senti por ninguém, não sei se consigo.

— Você é uma boa amiga, vai ser uma boa esposa ou uma boa mãe, se quiser. Deveria parar de pensar em ser só uma boa amante!

— Hum, mas já é um começo! — Elas riram.

— Você merece ser feliz.

— Obrigada.





No início da noite, Nikita preparava os filhos para dormirem, porém estavam agitados e cama era a última coisa que queriam.

— Ben é para escovar os dentes e não brincar.

— Mãe, eu já sou homem, sei escovar meus dentes. — Respondeu do banheiro.

Ela terminava de trançar os cabelos de Mia, como as vezes fazia nos seus.

— Querida, vista o pijama que vou ver o seu irmão.

— Ok.

Ela começou a se vestir enquanto a mãe foi até o banheiro.

Mia ouviu o som de um carro se aproximando da casa e ela foi até a janela confirmar.

— Mãe, mãe … mãe.

— O que foi?

— Ele chegou.

Nikita percebeu o medo em sua voz.

— Volker? Não era para chegar hoje …

Ela foi até a janela e confirmou. Ele havia chegado antes do previsto e como Nikita o conhecia, Volker não estava nada bem, parecia muito irritado.

— Vai ficar tudo bem. Tranque a porta e dê o remédio ao seu irmão e vão dormir.

Eles assentiram.

— Eu cuido dele.

Assim a menina fez, trancou a porta do quarto quando a mãe saiu.

Nikita desceu as escadas e foi ao encontro dele.

— Volker? Como foi a viagem?

— Nikita, desde quando se importa comigo ou com meus negócios?

— Só estou recepcionando meu marido após alguns dias de viagem.

Volker a olhou bem nos olhos, aproximou-se dela, a segurou pelos cabelos e prensando-a contra a parede.

— Me solte. — Ela levou sua mão ao pescoço dele, apertando com força. — Sabe que eu não vou te matar, mas terá que explicar aos seus amigos o que são essas marcas no seu pescoço.

— Houve um tempo que você era bem mais submissa.

— Eu cansei de apanhar …

— São eles não são?

— Deixe-os fora disso. Estou tentando ter uma família normal.

Ele a soltou e ela o soltou em seguida.

— Isso vai acabar, Nikita.

— Acabar?

— Sua ousadia, vai acabar em breve.

Ele saiu.

— Helmut, do que está falando?

Ele não respondeu e foi para seu escritório.

— Seu desgraçado, o que você vai fazer?

Nikita tremia, tomou um pouco de água e tentou aparentar calma, foi até o quarto dos filhos e os colocou para dormir. E depois sentou-se numa poltrona próximo a cama deles. Sabia que Volker estava tramando algo, há um tempo notara e seu coração lhe dizia. Ela precisava descobrir o que era. Nikita passou a noite acordada, tentando uma forma de descobrir.



Michael



Enquanto isso em Paris, uma coisa muito triste aconteceu na família dele.

No aeroporto.

— Uma pena você ter que ir, logo agora que nos conhecemos.

— Collet, será apenas por alguns dias. Depois … pode dar certo.

— Tudo bem. Quando voltar pode me ligar.

Michael assentiu e se despediram com um beijo.

— 'Bon voyage.'

— 'Merci'

Notas finais
gosto nem de pensar, esse homem sussurrando em francês no meu ouvido ... (kakakaka)