Lagos Artificiais

23 Vinte e três


Nikita



Ela não dormiu a noite, a resposta para a sua pergunta provavelmente estava no escritório do seu marido, ela precisava entrar lá.

Ben acordou e levantou-se e foi até sua mãe.

— Está chorando? — Passou os dedos carinhosamente no rosto dela.

O toque aqueceu seu coração, pegou a pequena mão e a beijou demorada e carinhosamente.

— Não, acho que vou ficar resfriada, mas não é nada demais, não precisa se preocupar.

Ele assentiu.

— Vamos tirar essa roupa? Tomar banho e se arrumar para a escola?

— Posso tomar banho sozinho?

— Claro, já é um homem, né?

Eles riram.

Ben foi tomar banho e Nikita chamou a filha para se arrumar também.





— Madeleine?

— Sim?

— Onde está Helmut?

— Ele já foi para a empresa. — Respondeu a governanta.

— Eu quero fazer uma surpresa para ele. Temos lagosta em casa?

— Não.

— Preciso que providencie pessoalmente para mim, porque da última vez que a Simone fez o pedido … sei lá, o Volker não gostou.

— Tudo bem, eu cuido disso.

Nikita não confiava nela, nem um pouco, precisava que ela saísse da casa.

Nesse momento as crianças chegaram.

— Vamos tomar café? — Falou a governanta sorridente para as crianças.

— Mamãe, não vai levar a gente para a escola? — Perguntou Mia.

— Hoje, não. Vá tomar café, ok?

Assim a menina seguiu com Madeline e Ben e Nikita foi verificar a mochila deles se estava pronta para a escola.





— Bom dia 'sugar'. — Disse o motorista sorridente ao Nikita se aproximar.

— Bom dia Walter.

— Está tudo bem?

Ela meneou a cabeça negando, deixando Walter preocupado.

— Preciso de um favor.

— É só pedir.

— Pedi para Madeleine fazer umas compras para a casa, mas preciso que você dê um jeito que ela fique fora o máximo que puder. Que ela pegue o caminho mais longo, sei lá, passe por um engarrafamento.

— Entendi. Ou pedir ao motorista novato que a leve.

— Mas, ela não pode desconfiar.

— Não se preocupe, ele é da minha inteira confiança.

Ela assentiu e as crianças chegaram.

— Vão com Walter e se comportem.

Beijou os filhos.

— Não se preocupe eu cuido deles direitinho.

— Eu confio em você, só não confio nesses traquinas!

Eles riram e Walter pegou as crianças pela mão e as conduziu até o carro, fazendo as crianças rirem com algumas piadas.





Depois que a governanta saiu, Nikita foi até o escritório, que estava trancado. Ela arrombou a porta com um grampo de cabelo. Passou procurar, mas não encontrou nada que pudesse afetá-la. Não sabia mais onde ou o que procurar.

— O cofre. — Lembrou-se.

Nikita tirou um quadro da parede, revelando o cofre, mas não sabia o código para abri-lo. Tentou algumas combinações, mas foi em vão. Sentou-se na cadeira dele, um pouco aflita, mas precisava pensar no que seria a senha.

Ficou olhando e analisando o seu marido.

— O que poderia ser? … Dinheiro e poder, claro, mas como isso me ajuda? Pensa Nikita … Pensa.

Uma das poucas fotos que ele tinha na mesa do escritório, era de um evento onde ele ficou muito conhecido, quando ganhou seu primeiro milhão e apareceu num evento beneficente.

— Tente isso.

Ela deu uma pesquisada no seu celular e digitou a data. E sim, abriu, o maldito cofre abriu.

Lá tinha dinheiro e documentos. Os pegou e sentou-se na cadeira e passou a lê-los procurando algo.

Entre os documentos, tinha duas pastas, as separou, abriu uma delas que estavam em suíço-francês e quando entendeu do que se tratava, sentiu-se como que caindo em um abismo. Leu a outra pasta, e um desespero irracional tomou conta dela. Nikita não podia deixar isso acontecer, pois sabia que morreria.



Michael



Ele não pensou que seria tão difícil retornar aquela cidade. Tudo o que viveu ali veio a tona.

O tempo amenizou a dor, mas aumentou a saudade. E nunca apagou as lembranças.

Estava ali por sua irmã, Claudia precisava dele mais do que nunca. Acabara de perder o esposo. Mesmo anos vivendo em Paris, a família achou melhor sepultá-lo em sua cidade natal.

Talvez, ainda teria que ficar ali mais tempo do que gostaria, tinha que resolver a situação da filial da empresa que sempre ficara a responsabilidade de Jean Pierre. Agora quem ocuparia seu lugar? Teria que promover alguém de sua confiança. Precisava ser muito racional.

Chegou ao hotel, já havia vendido seu apartamento, Claudia lhe ofereceu o dela que estava no momento desalugado, mas ele recusou. Tomou um banho e foi ao encontro de Claudia, que estava na casa dos familiares do marido para o sepultamento.



Nikita



Ela mal conseguia respirar e seu corpo inteiro tremia. Desceu as escadas ao celular.

— Carla eu preciso falar com você, é urgente. Está na academia?

— O que aconteceu? Está me deixando preocupada.

— Eu não posso falar por telefone.

— Tudo bem, venha para minha casa, eu peço para um professor me substituir.

— Obrigada, estou indo agora.

Ela desligou.

— Walter, preciso ir a casa de Carla, rápido.

— O que aconteceu? — Notou que ela chorava.

— Ai Walter, quem dera eu poder te contar, mas não posso.

— Eu entendo, fiquei calma, eu vou te levar lá. Vamos.





Carla andava de um lado para o outro esperando Nikita chegar, apesar de ter se passado apenas alguns minutos parecia uma eternidade. Assim que ouviu o som de um carro se aproximando da sua casa, correu e abriu a porta. Walter estava apoiado na amiga, ajudando ela caminhar.

— Nikita o que houve? Walter?

— Eu não sei. — Ele disse.

— Precisamos conversar. — Nikita disse enxugando as lágrimas.

Aquele suspense todo estava deixando Carla nervosa.

— Eu vou esperar no carro.

— Não Walter, espere na cozinha, tem uma torta do jeito que você gosta lá, eu falo com ela no meu quarto.

— Obrigado. — Agradeceu e as deixou a sós.

— Nikita, você está me matando desse jeito, o que é? — Subiam as escadas em direção ao quarto.

Entraram e Carla fechou a porta.

— Volker vai tirar os meus filhos de mim.

— O que?

— Vai mandá-los para a Suíça.

— Não?

Elas sentaram na cama, Carla tentando entender.

— Nikita me conte do começo, ele te disse isso?

— Não. Eu acabei de descobrir.

— Mas, isso não faz sentido. Por que ele faria isso?

— Eu não sei. Um louco, psicopata sem sentimentos precisa de motivos? Ou só para me fazer sofrer? Não sei. Só posso pensar ... que é vingança por começar a enfrentá-lo. E comecei a fazer isso depois que eles nasceram ... Se eu levasse um tiro não sentiria a dor que estou sentindo agora, só de pensar meu coração para.

— Não adianta tentar entender. ... Você tem certeza?

Nikita respirou fundo.

— Entrei no escritório dele e encontrei os documentos, ele não achando pouco, ainda quer deixá-los separados. Eu liguei para um dos colégios para confirmar.

— Mas eles não fizeram nenhum teste de aprovação ou aptidão sei lá.

— Foi isso que pensei, mas o maldito dinheiro sujo dele … eu liguei para o Internado que ele quer mandar a Mia e foi confirmado.

— Para quando está marcado?

— No próximo mês, eu acho, sei lá, não estava raciocinado direito.

— Mas, faz sentido. É o inicio do próximo semestre.

— Mas, ele não pode tirar duas crianças do país sem o consentimento da mãe.

— Você ainda duvida?

— Não …

— Carla, eu não vou morrer como a minha mãe, o Volker tirou tudo dela e ela morreu sozinha. E também não vou deixar o Volker separá-los.

— Eu sei, amiga. O que vai fazer, Nikita?

— Só tenho uma coisa a fazer, fugir.

— O que?

— Eu vou fugir com eles e preciso que você me ajude.

Notas finais
amores, para esclarecer, se eu for colocar todos os detalhes o capítulo fica imenso! O Birkoff, apesar de ser primo da Nikita, eles praticamente não se conheciam, se aproximaram quando ele veio com a família para o sepultamento da mãe de Nikita e ficaram próximos. Ele decidiu ficar na cidade, ok? Sei, sei, estou matando muito nessa fic ... e vou matar mais ainda, ok? kakakaka brks! até o próximo