Lagos Artificiais

24 Vinte e quatro: Parting


Notas iniciais
Olá amores, senti saudades!!!! Desculpe a demora com a atualização, mas estava doente. Graças a Deus estou melhor. Queria um capítulo mais emocionante, não saiu como eu queria, mas não podia deixar de postar agora.

Nikita



— O que vai fazer, Nikita?

— Só tenho uma coisa a fazer, fugir.

— O que?

— Eu vou fugir com eles e preciso que você me ajude.

Carla ficou durante um tempo muda, não conseguia proferir nenhuma palavra, assimilando o que a amiga lhe disse.

— É isso Carla, eu tenho que ir.

Ela assentiu.

— Eu sei. … Temos que fazer isso direito ou nem quero pensar nas consequências.

Nikita concordou com a amiga, elas precisavam ser frias e planejar tudo muito bem.





— Eu preciso de passaportes falsos, se não, não consigo sair do país.

— Nikita, lembra do Mick Schtoppel?

— Ele é um vigarista de quinta!

— Era, não é mais. Aprimorou os serviços. Mas, precisamos de dinheiro, muito, para os três passaportes e documentos falsos. Ele pode conseguir uma nova identidade para você e as crianças.

— Vou ter que usar as jóias que minha mãe deixou para mim.

— Mas, o Volker vai descobrir.

— Ele pode descobrir, mas vai demorar um pouco. E nesse tempo já estarei longe daqui. Vou precisar que o Birkoff me ajude.

— Eu falo com o Birkoff, mas através de qual advogado?

— Eu conheço um que odeia o Volker, ele pode me conseguir a herança sigilosamente.

— Me dê o telefone e endereço que eu trato disso. Precisamos de telefones descartáveis e não podemos nos encontrar, com certeza serei seguida.

— Obrigada Carla.

— Vou sentir sua falta. — Desabou em chorar.

— Eu também.

— Você é minha única família … eu te amo, irmã. — Declarou Carla.

Elas se abraçaram bem apertado e demoradamente.



Michael



Ele conhecia sua irmã. Sabia como ela estava arrasada. Após o funeral os familiares e amigos estavam lhe prestando condolências. A tirou dali por um tempo, a levou até um parquinho que brincavam quando crianças. Sentaram-se no balanço.

Claudia estava com a cabeça apoiada no ombro do irmão e ficaram assim por um bom tempo, em silencio.

— Aqui não mudou muito. — Ela quebrou o silencio.

— Não. Parece que foi ontem que brincávamos aqui.

Claudia sorriu.

— Sim. — Pausou. — Michael, vai ficar na cidade?

— Só por alguns dias, tenho que encarregar alguém da filial.

Claudia assentiu.

— Por que foge daqui?

— Porque preciso ficar longe, se ficar não sei o que posso fazer, e teria consequências … talvez, ruins.

— Queria conhecê-la.

— Quem?

Claudia riu.

— A mulher por quem se apaixonou.

— Você ia gostar muito dela, são muito parecidas, na alegria, determinação, força e vontade de viver.

— Ainda gosta dela?

— Sim. Não consegui esquecê-la.

— Por que não ficaram juntos? Ela não correspondia?

— Não por isso. Porque ela é algo que eu não posso ter. Me atrevi em me aproximar e a coloquei em perigo.

Claudia pegou a mão do irmão e apertou com força.

— Michael, eu acredito no poder do amor. Nesses tempos pode ser difícil encontrar alguém para amar e que nos ame, mas quando encontramos é a força mais poderosa que tem.

— Eu sei. Esse é o amor que sinto por ela, que nem pude lhe contar o quão forte é. E apesar dos anos e da distancia nada mudou, mas fico feliz apenas por saber que ela está bem.

— Michael, você é um homem como poucos. É um bom homem, merece ser feliz.

Ele beijou a irmã ternamente.

— Eu sou feliz, tenho você. …

Os olhos de Claudia marejaram.

— Michael … não faça como eu, não deixe para se arrepender quando for tarde demais.

— Como?

— Eu e o Pierre, por exemplo. Ele é o homem da minha vida. Queríamos ter filhos. Ele queria eu sei, mas eu tinha medo. E agora? Como vou ter filhos com ele? Entende o ponto?

— Sim.

Ele lhe beijou a testa.

— Se ela é sua felicidade, lute por ela. Faça o que for preciso, não o que for mais fácil. E também eu quero sobrinhos.

Ele riu.

— Não ria, você será um ótimo pai.

— Eu não tenho jeito com crianças.

— Você só não sabe, mas eu sei. Sei como cuidou e cuida de mim. …

— Eu te amo, irmãzinha.

Aquele era seu irmão, sempre deixando seus sentimentos mais profundos guardados só para ele.

— Eu também te amo. — Disse Claudia, voltando a apoiar a cabeça em seu ombro.



… …. ….

Alguns dias depois.



Nikita



Ela precisava deixar a casa o quanto antes. Já tinha planejado sua fuga na noite de sexta, Volker não estaria em casa e a maior parte da segurança estaria com ele. Teria que fugir durante a noite.

No dia da fuga, Ben estava doente, uma febre alta, que ia e voltava.

— Amorzinho, tome esse remédio, você vai ficar bem, ok?

— Sim, mãe.

Por mais que seu coração doesse Nikita precisava ir aquela noite, ou seria tarde demais.

— Mia coloque essa mochila e leve essa sacola para mim, pode ser?

— Sim. Para onde vamos?

— Vamos tirar umas férias.

— Eu gosto de férias.

Nikita sorriu com a menina de olhos brilhantes a sua frente. Ela não podia permitir que nada e ninguém os separasse dela.

— Eu te amo, minha vida. — Beijou-lhe ternamente.

Ela enrolou Ben numa manta e o pegou no colo, estava sonolento, e levava poucas coisas.

— Nós vamos brincar de sair sem ninguém nos ver.

— Parece divertido. — Disse Mia.

— E não podemos falar, tá bom?

A garotinha assentiu. Nikita segurou em sua mão e saíram do quarto as escondidas. Pelo menos uma coisa boa aprendera com Michael, usar os pontos cegos da casa e sair sem ser vista.

Quando chegaram ao jardim. Nikita colocou carne com sonífero para os cachorros, que comeram e em pouco tempo caíram adormecidos ao chão.

— Vamos amor, preciso que corra.

Ela com Ben no colo e Mia correram, e foram para uma rua detrás da casa.

Nesse meio tempo, Carla estava impaciente, temendo que Nikita não tivesse conseguido sair. Seu coração se aliviou ao ver a amiga com os filhos.

— Graças a Deus. O que ele tem?

— Eu não sei, está com muita febre, mas tive que vir hoje.

— O coloque no carro, para não pegar friagem.

Nikita o colocou no banco de trás, adormecido. Carla ajudou a colocar as coisas no porta-malas.

— Ei minha princesa, venha aqui.

Carla abraçou a pequena loirinha, e não conteve as lágrimas.

— Sabe que eu te amo?

— Sim. Eu te amo também, você é melhor tia do mundo, a mais divertida que alguém poderia ter.

Se abraçaram bem apertado.

— Você é tão fofa. Promete que vai cuidar da sua mãe e do nanico para mim?

— Prometo!

— Se despeça do seu irmão por mim, diga que eu o amo. Eu nunca vou esquecer vocês.

— A gente não vai mais se ver?

— Não chora amor, assim fica muito difícil … Mas, eu espero que sim, pois vou morrer de saudades.

Carla enxugou as lágrimas da pequena e lhe beijou a testa.

— Agora vá amorzinho, entre no carro e coloque o cinto.

A menina fez isso, Carla fechou a porta.

— Tenha cuidado Nikita.

— Eu terei.

— Tem certeza que o Volker não vai te encontrar?

— Não, vou ficar na propriedade da minha avó, tem o nome de solteira dela, ele não vai encontrar. Depois que pegar os passaportes eu vou

— É melhor que eu não saiba, — Carla a interrompeu — apesar de partir meu coração.

Elas se abraçaram.

— Promete que nunca vai me esquecer?

— Nem que eu quisesse, Carla, você é alguém muito especial, não dá para esquecer.

Nesse momento as duas choravam.

— Sabe o quanto me dói lhe deixar sozinha?

— Sim, Nikki, queria tanto que pudessem ficar, mas não sou egoísta, quero a felicidade de vocês. Se puder um dia me manda um postal? Preciso saber que conseguiram e que estão bem.

— Farei isso. E tente se acertar com o Birkoff, vocês se amam e merecem ficar juntos.

A amiga assentiu.

— Agora vá, antes que alguém nos veja.

Elas se deram um último beijo e um abraço apertado, Nikita entrou no carro e Mia acenou para Carla, fazendo o coração dela partir em dois. Depois que o carro sumiu na rua, ela voltou para sua casa, determinada a nunca deixar o Volker descobrir a verdade.



Michael



Ele dirigia com o pensamento longe, tinha trabalhado até bem tarde. No rádio tocava The Love Thieves — Depeche Mode. Realmente cuidar de sua própria empresa não era fácil, principalmente se quisesse que tudo andasse corretamente. E ainda não se decidira, quem ficaria responsável pela filial. Não via a hora de chegar ao hotel e poder relaxar.

Um tempo depois, notou um carro parado no acostamento. Diminuiu a velocidade e tentou interpretar o que estava acontecendo, poderia ser uma quadrilha querendo assaltar algum motorista desavisado. Mas notou que era uma mulher, parou o carro, e premeditou ter mais cautela.

Ajudaria ou não? Seria um risco? Mas, decidiu ir até lá e ajudar.

— Boa noite.

Seu coração parecia ter parado, quando ela levantou a cabeça em sua direção e seus olhares se cruzaram.

— Nikita?

Ela estava tão surpresa quanto, enxugou as lágrimas para ver melhor.

— Michael?

Notas finais
Êeee, cantemos "Aleluia" a escritora parou de enrolar! kakaka Até o próximo