Enquanto isso, na mansão do Volker estava um reboliço, ele gritava com todos. Onde estava Nikita e seus filhos?

— Seus incompetentes? Como ela saiu?

— Não vimos nada, senhor. — Disse um dos seguranças.

— Descubra, veja novamente todos os vídeos.

— Madeline? O que aconteceu aqui?

— Senhor, estava tudo como de costume, apenas Ben estava doente e ela disse que ia se recolher mais cedo com as crianças, foi a última vez que eu os vi.

— Walter, onde ele está?

— Ainda não chegou.

— Dê um jeito e só apareça aqui quando o encontrar.

— Sim Sr. Volker. — Madeline saiu apressada procurando o motorista.



Um tempo depois, Walter, chegou sem entender nada do que estava acontecendo.

— Sr. Volker?

— Finalmente, Walter! Para onde levou a minha mulher e os meus filhos?

— Para nenhum lugar, ontem levei apenas Mia para a escola e quando voltamos não saímos mais, no final do meu expediente eu fui para casa.

— Tem certeza? Você é mais de que um motorista para ela, e sei que para você também.

— Concordo senhor, mas não estou mentindo. Eu não sei o que aconteceu, e nem onde eles estão.

— Então descubra, ela não pode ter saído daqui sem um carro.

— Vou agora senhor.

O motorista deixou o homem nervoso a sós.

— Você não tem ideia do que fez Nikita, não tem! Nem imagina o que vou fazer com você assim que te encontrar. — Murmurava enquanto caminhava ao seu escritório.



Nikita e Michael



O sábado estava lindo e ensolarado, Michael levantou cedo, pois não conseguiu dormir. Tanta coisa acontecendo, ele nem acreditava. Ligou para sua irmã, para saber como ela estava e conversaram por longos minutos. Depois, foi até a padaria, comprou pães, biscoitos, leite, café, chá, frutas, iogurtes, balas e chocolates. Não sabia do que as crianças gostavam ou do que podiam comer, por isso variou nas opções.





Já passava das 10 da manhã, quando Ben e Mia acordaram, estavam com fome.

— Mia onde está a mamãe?

— Deve estar no outro quarto, vamos ver.

Foram até lá e abriram a porta devagarzinho.

Nikita estava dormindo, tão linda e serena.

— Ela parece um anjo. — Falou Ben, acariciando seus cabelos.

— Sim, mas vamos deixá-la dormir.

— Será que o Michael acordou?

— Não sei. O que você acha dele?

— É muito sério, mas legal. Acho engraçado o jeito que ele fala.

— Sim. — A irmã riu. — Mas é bonitinho. Você viu como ele e a mamãe se olham?

— Sim, de um jeito estranho. Como nunca conhecemos ele antes?

— Não sei, a mamãe nunca falou dele.

— Vamos perguntar?

A irmã concordou e eles foram até o Michael.

Ele estava na sala, sentado no sofá e mexendo no laptop.

— Bom dia, Michael. – Disseram em uníssono.

— Bom dia. — Respondeu com um sorriso carinhoso.

— O que está fazendo? — Indagou o menino curioso.

— Estou trabalhado …

— Não queremos atrapalhar. — Falou a meiga menina.

— Não estão, só estou de olho em algumas coisas. Estão com fome?

— Morrendo, eu comeria até um boi! — Brincou Ben.

Michael riu.

— Um boi? Acho que não cabe na geladeira, mas eu dou um jeito. Vão escovar os dentes que eu vou colocar o café de vocês.

Eles assentiram, e após tomarem café, ficaram brincando e conversando com o Michael.





Nikita finalmente acordou, abriu os olhos nem acreditando que não estava mais naquela casa. Ainda processava na mente e no coração, ter se esbarrado com o Michael depois de tantos anos. E isso a fizera perder o sono, praticamente ficou acordada pensando nele e se odiando por isso, não podia ser fraca e mais uma vez por tudo a perder, seus filhos e mantê-los seguros eram sua prioridade. Quando deu por si e olhou o relógio deu um pulo da cama, as crianças deveriam estar morrendo de fome. Foi até o quarto ao lado e elas não estavam.

— Onde se meteram?

Procurou no banheiro e não, caminhou até a sala e chegando lá ficou boquiaberta com a cena que viu, recostou-se na parede procurando apoio. Mia e Ben conversavam com Michael como se fossem velhos amigos.

Eles brincavam no laptop de Michael, um jogo que o Ben mostrou a ele. Riam e conversavam.

— Quantos anos vocês tem?

— Tenho cinco – falou Mia mostrando a mãozinha. — e sou a mais velha.

— Mas só três minutos, porque ela me empurrou para nascer primeiro!

Os três acabaram rindo e nesse momento Nikita os interrompeu.

— Deixem o Michael em paz, ele deve estar muito ocupado.

— Na verdade não, estou gostando de conversar com eles. — Ele a encarava, mas ela desviava o olhar.

— Vão tirar esse pijama.

Eles correram para o quarto.

— Tem café pronto na cozinha e fique à vontade, faça de conta que não estou aqui.

Ela assentiu e agradeceu, mas seria difícil agir como se ele não estivesse ali.

Enquanto isso ele não conseguia pensar em outra coisa.

— Gêmeos? — Michael murmurava. — Isso explica muita coisa, ou tudo.



… x … x … x … … x … x … x … … x … x … x … … x … x … x …



Carla desceu as escadas correndo para ver quem batia a sua porta, quase derrubando-a.

— Volker? — Falou após abrir a porta.

Ele entrou abruptamente.

— Entre e fique à vontade. — Ironizou.

— Onde ela está?

— Ela quem?

— Nikita.

— Nikita?

— Não se faça de desentendida, onde ela está?

— Eu não sei, não vejo a Nikita desde quinta, o que está acontecendo?

— Ela não está em casa.

— Não?- Falou Carla preocupada.

Volker estava furioso.

— Vou ligar para ela. — Pegou o celular e fez a ligação. — Só caixa postal …

— Acha que não tentei localizá-la?

— Deveria chamar a polícia, já pensou que pode ter acontecido alguma coisa?

— Disso eu tenho certeza. E você está metida nisso até o pescoço.

— Quem pensa que é para invadir a minha casa e me ofender? Eu já disse, que não sei dela. Já verificou os hospitais? Ben estava doente, ela pode tê-lo levado à emergência.

— Já fiz isso e não.

— Ok. Se não acredita, entre e vá procurá-la. Ela pode estar debaixo da minha cama, ou no meu closet, ou quem sabe na minha gaveta de calcinhas!

Volker a encarou bem nos olhos.

— Não tenho tempo para suas gracinhas e eu vou encontrá-la e as duas vãos e arrepender disso e muito.

Saiu bufando e batendo a porta. Carla recostou-se na parede.

— Espero que estejam bem. — Sussurrou preocupada.



Michael e Nikita



Na hora de ir dormir, as crianças se despediram de Michael e Nikita os colocou na cama contando histórias. Michael tomou um banho e se ajeitou no sofá, mas sabia que não conseguiria dormir. Precisava conversar com Nikita urgente, ter certeza do que sentia e desconfiava com relação a Mia e Ben.

Ele ficou esperando ela sair do quarto das crianças.

— Nikita?

— O que houve?

— Precisamos conversar.

— Michael, eu agradeço tudo o que tem feito por mim e por eles, mas não temos nada para conversar.

— Será? Acho que precisamos conversar sobre esse assunto mesmo, Mia e Ben.

— Por quê? O que tem eles?

— Vamos para a sala. …

— Já te disse, não temos nada para conversar, o que quer que seja diga aqui mesmo.

— Tudo bem, quero saber: eles são meus filhos?

Ela já esperava por isso, era visível como eles tinham uma ligação.

— Nikita? Preciso saber.

— Não. — Fechou a porta do quarto para as crianças não acordarem e ouvirem. — Não são, e por favor, nunca mais repita isso, com licença.

Saiu deixando Michael sozinho e com o coração sangrando.

— Não?

Voltou para a sala tentando assimilar o que ela havia dito, ou tirado dele.

Nesse meio tempo, Nikita foi para o quarto e não conteve as lágrimas, desabou num choro intenso.

O que ela poderia fazer?

Ele já a tinha feito sofrer uma vez e não permitiria uma outra, principalmente fazer seus filhos sofrerem. O que ele queria? Não sabia e nem queria saber, mas para ela só importava o que era melhor para seus filhos e nesse momento era ficar longe do Volker.