Lagos Artificiais
27 Vinte e sete
Enquanto isso, na mansão do Volker estava um reboliço, ele gritava com todos. Onde estava Nikita e seus filhos?
— Seus incompetentes? Como ela saiu?
— Não vimos nada, senhor. — Disse um dos seguranças.
— Descubra, veja novamente todos os vídeos.
— Madeline? O que aconteceu aqui?
— Senhor, estava tudo como de costume, apenas Ben estava doente e ela disse que ia se recolher mais cedo com as crianças, foi a última vez que eu os vi.
— Walter, onde ele está?
— Ainda não chegou.
— Dê um jeito e só apareça aqui quando o encontrar.
— Sim Sr. Volker. — Madeline saiu apressada procurando o motorista.
Um tempo depois, Walter, chegou sem entender nada do que estava acontecendo.
— Sr. Volker?
— Finalmente, Walter! Para onde levou a minha mulher e os meus filhos?
— Para nenhum lugar, ontem levei apenas Mia para a escola e quando voltamos não saímos mais, no final do meu expediente eu fui para casa.
— Tem certeza? Você é mais de que um motorista para ela, e sei que para você também.
— Concordo senhor, mas não estou mentindo. Eu não sei o que aconteceu, e nem onde eles estão.
— Então descubra, ela não pode ter saído daqui sem um carro.
— Vou agora senhor.
O motorista deixou o homem nervoso a sós.
— Você não tem ideia do que fez Nikita, não tem! Nem imagina o que vou fazer com você assim que te encontrar. — Murmurava enquanto caminhava ao seu escritório.
Nikita e Michael
O sábado estava lindo e ensolarado, Michael levantou cedo, pois não conseguiu dormir. Tanta coisa acontecendo, ele nem acreditava. Ligou para sua irmã, para saber como ela estava e conversaram por longos minutos. Depois, foi até a padaria, comprou pães, biscoitos, leite, café, chá, frutas, iogurtes, balas e chocolates. Não sabia do que as crianças gostavam ou do que podiam comer, por isso variou nas opções.
…
Já passava das 10 da manhã, quando Ben e Mia acordaram, estavam com fome.
— Mia onde está a mamãe?
— Deve estar no outro quarto, vamos ver.
Foram até lá e abriram a porta devagarzinho.
Nikita estava dormindo, tão linda e serena.
— Ela parece um anjo. — Falou Ben, acariciando seus cabelos.
— Sim, mas vamos deixá-la dormir.
— Será que o Michael acordou?
— Não sei. O que você acha dele?
— É muito sério, mas legal. Acho engraçado o jeito que ele fala.
— Sim. — A irmã riu. — Mas é bonitinho. Você viu como ele e a mamãe se olham?
— Sim, de um jeito estranho. Como nunca conhecemos ele antes?
— Não sei, a mamãe nunca falou dele.
— Vamos perguntar?
A irmã concordou e eles foram até o Michael.
Ele estava na sala, sentado no sofá e mexendo no laptop.
— Bom dia, Michael. – Disseram em uníssono.
— Bom dia. — Respondeu com um sorriso carinhoso.
— O que está fazendo? — Indagou o menino curioso.
— Estou trabalhado …
— Não queremos atrapalhar. — Falou a meiga menina.
— Não estão, só estou de olho em algumas coisas. Estão com fome?
— Morrendo, eu comeria até um boi! — Brincou Ben.
Michael riu.
— Um boi? Acho que não cabe na geladeira, mas eu dou um jeito. Vão escovar os dentes que eu vou colocar o café de vocês.
Eles assentiram, e após tomarem café, ficaram brincando e conversando com o Michael.
…
Nikita finalmente acordou, abriu os olhos nem acreditando que não estava mais naquela casa. Ainda processava na mente e no coração, ter se esbarrado com o Michael depois de tantos anos. E isso a fizera perder o sono, praticamente ficou acordada pensando nele e se odiando por isso, não podia ser fraca e mais uma vez por tudo a perder, seus filhos e mantê-los seguros eram sua prioridade. Quando deu por si e olhou o relógio deu um pulo da cama, as crianças deveriam estar morrendo de fome. Foi até o quarto ao lado e elas não estavam.
— Onde se meteram?
Procurou no banheiro e não, caminhou até a sala e chegando lá ficou boquiaberta com a cena que viu, recostou-se na parede procurando apoio. Mia e Ben conversavam com Michael como se fossem velhos amigos.
Eles brincavam no laptop de Michael, um jogo que o Ben mostrou a ele. Riam e conversavam.
— Quantos anos vocês tem?
— Tenho cinco – falou Mia mostrando a mãozinha. — e sou a mais velha.
— Mas só três minutos, porque ela me empurrou para nascer primeiro!
Os três acabaram rindo e nesse momento Nikita os interrompeu.
— Deixem o Michael em paz, ele deve estar muito ocupado.
— Na verdade não, estou gostando de conversar com eles. — Ele a encarava, mas ela desviava o olhar.
— Vão tirar esse pijama.
Eles correram para o quarto.
— Tem café pronto na cozinha e fique à vontade, faça de conta que não estou aqui.
Ela assentiu e agradeceu, mas seria difícil agir como se ele não estivesse ali.
Enquanto isso ele não conseguia pensar em outra coisa.
— Gêmeos? — Michael murmurava. — Isso explica muita coisa, ou tudo.
… x … x … x … … x … x … x … … x … x … x … … x … x … x …
Carla desceu as escadas correndo para ver quem batia a sua porta, quase derrubando-a.
— Volker? — Falou após abrir a porta.
Ele entrou abruptamente.
— Entre e fique à vontade. — Ironizou.
— Onde ela está?
— Ela quem?
— Nikita.
— Nikita?
— Não se faça de desentendida, onde ela está?
— Eu não sei, não vejo a Nikita desde quinta, o que está acontecendo?
— Ela não está em casa.
— Não?- Falou Carla preocupada.
Volker estava furioso.
— Vou ligar para ela. — Pegou o celular e fez a ligação. — Só caixa postal …
— Acha que não tentei localizá-la?
— Deveria chamar a polícia, já pensou que pode ter acontecido alguma coisa?
— Disso eu tenho certeza. E você está metida nisso até o pescoço.
— Quem pensa que é para invadir a minha casa e me ofender? Eu já disse, que não sei dela. Já verificou os hospitais? Ben estava doente, ela pode tê-lo levado à emergência.
— Já fiz isso e não.
— Ok. Se não acredita, entre e vá procurá-la. Ela pode estar debaixo da minha cama, ou no meu closet, ou quem sabe na minha gaveta de calcinhas!
Volker a encarou bem nos olhos.
— Não tenho tempo para suas gracinhas e eu vou encontrá-la e as duas vãos e arrepender disso e muito.
Saiu bufando e batendo a porta. Carla recostou-se na parede.
— Espero que estejam bem. — Sussurrou preocupada.
Michael e Nikita
Na hora de ir dormir, as crianças se despediram de Michael e Nikita os colocou na cama contando histórias. Michael tomou um banho e se ajeitou no sofá, mas sabia que não conseguiria dormir. Precisava conversar com Nikita urgente, ter certeza do que sentia e desconfiava com relação a Mia e Ben.
Ele ficou esperando ela sair do quarto das crianças.
— Nikita?
— O que houve?
— Precisamos conversar.
— Michael, eu agradeço tudo o que tem feito por mim e por eles, mas não temos nada para conversar.
— Será? Acho que precisamos conversar sobre esse assunto mesmo, Mia e Ben.
— Por quê? O que tem eles?
— Vamos para a sala. …
— Já te disse, não temos nada para conversar, o que quer que seja diga aqui mesmo.
— Tudo bem, quero saber: eles são meus filhos?
Ela já esperava por isso, era visível como eles tinham uma ligação.
— Nikita? Preciso saber.
— Não. — Fechou a porta do quarto para as crianças não acordarem e ouvirem. — Não são, e por favor, nunca mais repita isso, com licença.
Saiu deixando Michael sozinho e com o coração sangrando.
— Não?
Voltou para a sala tentando assimilar o que ela havia dito, ou tirado dele.
Nesse meio tempo, Nikita foi para o quarto e não conteve as lágrimas, desabou num choro intenso.
O que ela poderia fazer?
Ele já a tinha feito sofrer uma vez e não permitiria uma outra, principalmente fazer seus filhos sofrerem. O que ele queria? Não sabia e nem queria saber, mas para ela só importava o que era melhor para seus filhos e nesse momento era ficar longe do Volker.
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