Michael e Nikita



Ao chegarem no apartamento de Claudia, eles passaram a ajeitar as coisas para poderem ficarem acomodados.

— Pode deixar as crianças nesse quarto e você fica no outro.

— Obrigada.

— Vou ao supermercado, devem estar com fome.

Michael saiu e Nikita colocou Ben para descansar. Ela e Mia acabaram adormecendo junto com ele.

Um tempo depois, Michael voltou. Notou que estava muito silêncio. Foi procurá-los e os encontrou dormindo. Ele nem acreditava que era a mulher de sua vida que estava ali, bem diante dos seus olhos. Tudo que ele sentira antes, invadia seu coração, num misto de dor e alegria.

Achou melhor ir para a cozinha preparar algo para ela e os filhos comerem, ocupar sua cabeça com alguma coisa. Como já estava tarde, optou por fazer uma sopa de legumes.





Um tempo depois, Mia acordou e sua mãe e irmão continuavam dormindo ao seu lado, levantou-se sem fazer barulhos e foi conhecer o apartamento, ao chegar na sala, pode sentir um cheiro delicioso.

Silenciosamente foi até a cozinha, e aquele homem estava lá. Ficou observando ele por alguns instantes. Ele notara que não estava sozinho, mas também não falou nada por um tempo.

— Está muito cheiroso.

Michael ouviu aquela vozinha dengosa.

— Espero que o sabor esteja bom também.

Eles riram.

— Onde está sua mãe?

— Dormindo …

— Está quase pronto, você pode me ajudar?

— Sim.

— Por favor, segure os pratos e os talheres, quando eu forrar a mesa você os coloca, pode ser?

— Sim. Você mora sozinho aqui?

— Não. Esse apartamento não é meu, é da minha irmã, estou aqui pelo trabalho, depois voltarei para Paris.

— Paris? Cidade bonita.

— Você conhece?

— Já estive lá, mas nem lembro, eu era um bebê, mas gosto das fotos. Você gosta de lá?

Ele abaixou-se olhou bem nos olhinhos dela.

— Te confesso, que é bonito, mas preferia morar em outro lugar.

— Eu sei como é. — Ela colocou sua mãozinha no ombro dele. — A minha casa é grande e bonita, mas sou mais feliz quando não estou lá. Mas, não conta para minha mãe, por favor.

— Seu segredo está seguro comigo. — Michael odiou tanto aquele homem, o que será que eles passavam lá? — Mas, não se preocupe, sua mãe vai para um outro lugar, melhor.

Mia sorriu.

— Chame sua mãe e seu irmão, a sopa está pronta.

— Tudo bem.

A menina saiu num salto.





Quando acordou Ben já estava sem febre.

— Onde estamos, mãe?

— Na casa de um amigo, Ben, quero que o conheça, esse é o Michael.

— Olá Sr Michael.

— Ele não gosta que o chame de senhor, Ben. — Explicou a irmã.

Michael riu.

— Pode me chamar só de Michael. Você está bem?

— Agora estou.

— Vamos comer.

Eles se acomodaram na mesa e Nikita serviu os filhos. Nikita pegou a colher para dar sopa para o pequeno.

— Mãe, eu já sou um homem, posso tomar a sopa sozinho.

— Ok, tudo bem. — Ela deu a colher para lele, mas ele queria a de Mia e passaram a brigar.

— Eles são sempre assim, brigam o tempo todo. — Disse olhando para Michael.

— Michael, está muito bom. — Elogiou Mia.

— Sim, melhor sopa que já tomei na vida. — Concordou Ben.

— Obrigado.

Nikita nem tocou na sopa, seu olhar estava distante. Estava muito preocupada para comer.

— Mãe posso assisti TV? — Pediu

— Está tarde. — Falou olhando para o relógio.

— Por favor. — Insistiu Mia.

— Peçam ao Michael.

As crianças olharam para ele com uma carinha que ele nem podia resistir.

— Sim. O controle está na estante, se não funcionar me fale que troco as pilhas.

Elas pediram licença e saíram correndo, para ver quem chegava primeiro na televisão.

— Nikita?

— Sim?

— Você fez o certo.

— Espero que sim, Michael, se alguma coisa acontecer com eles, eu morro …

— Não vai. Tente comer um pouco, eu tiro a mesa.

Assim, ela tomou um pouco da sopa e Michael arrumou tudo.

Um tempo depois.

— Vamos, está muito tarde.

— Amanhã não tem escola, mãe. — Argumentou Mia.

— Vamos.

Resmungando, mas desligaram a televisão.

— Deem “boa noite” ao Michael.

Correram até ele, que estava sentado no sofá.

— Boa noite, Michael. — Despediu-se Ben abraçando-o bem apertado.

— Boa noite. — Ele retribuiu o abraço.

— Já chega Ben …

a irmã foi empurrando-o.

— Boa noite, Michael. — Deu-lhe um abraço e um beijo. — Durma com os anjinhos.

— Obrigado. Boa noite, para você também.

Se soltaram depois de um abraço apertado.

Nikita percebeu que aquilo não estava nos seus planos, pegou os filhos pelas mãozinhas.

— Boa noite, Michael e obrigada por tudo que tem feito.

— Não é nada, boa noite, Nikita.

Ela os conduziu até o quarto. Ele ficou observando as crianças, e seu peito doía. Como aquele menino poderia ter o sorriso de sua irmã, Claudia? Ou ele estava ficando louco, ou só poderia significar uma coisa.