Lagos Artificiais
26 Vinte e seis
Michael e Nikita
Ao chegarem no apartamento de Claudia, eles passaram a ajeitar as coisas para poderem ficarem acomodados.
— Pode deixar as crianças nesse quarto e você fica no outro.
— Obrigada.
— Vou ao supermercado, devem estar com fome.
Michael saiu e Nikita colocou Ben para descansar. Ela e Mia acabaram adormecendo junto com ele.
Um tempo depois, Michael voltou. Notou que estava muito silêncio. Foi procurá-los e os encontrou dormindo. Ele nem acreditava que era a mulher de sua vida que estava ali, bem diante dos seus olhos. Tudo que ele sentira antes, invadia seu coração, num misto de dor e alegria.
Achou melhor ir para a cozinha preparar algo para ela e os filhos comerem, ocupar sua cabeça com alguma coisa. Como já estava tarde, optou por fazer uma sopa de legumes.
…
Um tempo depois, Mia acordou e sua mãe e irmão continuavam dormindo ao seu lado, levantou-se sem fazer barulhos e foi conhecer o apartamento, ao chegar na sala, pode sentir um cheiro delicioso.
Silenciosamente foi até a cozinha, e aquele homem estava lá. Ficou observando ele por alguns instantes. Ele notara que não estava sozinho, mas também não falou nada por um tempo.
— Está muito cheiroso.
Michael ouviu aquela vozinha dengosa.
— Espero que o sabor esteja bom também.
Eles riram.
— Onde está sua mãe?
— Dormindo …
— Está quase pronto, você pode me ajudar?
— Sim.
— Por favor, segure os pratos e os talheres, quando eu forrar a mesa você os coloca, pode ser?
— Sim. Você mora sozinho aqui?
— Não. Esse apartamento não é meu, é da minha irmã, estou aqui pelo trabalho, depois voltarei para Paris.
— Paris? Cidade bonita.
— Você conhece?
— Já estive lá, mas nem lembro, eu era um bebê, mas gosto das fotos. Você gosta de lá?
Ele abaixou-se olhou bem nos olhinhos dela.
— Te confesso, que é bonito, mas preferia morar em outro lugar.
— Eu sei como é. — Ela colocou sua mãozinha no ombro dele. — A minha casa é grande e bonita, mas sou mais feliz quando não estou lá. Mas, não conta para minha mãe, por favor.
— Seu segredo está seguro comigo. — Michael odiou tanto aquele homem, o que será que eles passavam lá? — Mas, não se preocupe, sua mãe vai para um outro lugar, melhor.
Mia sorriu.
— Chame sua mãe e seu irmão, a sopa está pronta.
— Tudo bem.
A menina saiu num salto.
…
Quando acordou Ben já estava sem febre.
— Onde estamos, mãe?
— Na casa de um amigo, Ben, quero que o conheça, esse é o Michael.
— Olá Sr Michael.
— Ele não gosta que o chame de senhor, Ben. — Explicou a irmã.
Michael riu.
— Pode me chamar só de Michael. Você está bem?
— Agora estou.
— Vamos comer.
Eles se acomodaram na mesa e Nikita serviu os filhos. Nikita pegou a colher para dar sopa para o pequeno.
— Mãe, eu já sou um homem, posso tomar a sopa sozinho.
— Ok, tudo bem. — Ela deu a colher para lele, mas ele queria a de Mia e passaram a brigar.
— Eles são sempre assim, brigam o tempo todo. — Disse olhando para Michael.
— Michael, está muito bom. — Elogiou Mia.
— Sim, melhor sopa que já tomei na vida. — Concordou Ben.
— Obrigado.
Nikita nem tocou na sopa, seu olhar estava distante. Estava muito preocupada para comer.
— Mãe posso assisti TV? — Pediu
— Está tarde. — Falou olhando para o relógio.
— Por favor. — Insistiu Mia.
— Peçam ao Michael.
As crianças olharam para ele com uma carinha que ele nem podia resistir.
— Sim. O controle está na estante, se não funcionar me fale que troco as pilhas.
Elas pediram licença e saíram correndo, para ver quem chegava primeiro na televisão.
— Nikita?
— Sim?
— Você fez o certo.
— Espero que sim, Michael, se alguma coisa acontecer com eles, eu morro …
— Não vai. Tente comer um pouco, eu tiro a mesa.
Assim, ela tomou um pouco da sopa e Michael arrumou tudo.
Um tempo depois.
— Vamos, está muito tarde.
— Amanhã não tem escola, mãe. — Argumentou Mia.
— Vamos.
Resmungando, mas desligaram a televisão.
— Deem “boa noite” ao Michael.
Correram até ele, que estava sentado no sofá.
— Boa noite, Michael. — Despediu-se Ben abraçando-o bem apertado.
— Boa noite. — Ele retribuiu o abraço.
— Já chega Ben …
a irmã foi empurrando-o.
— Boa noite, Michael. — Deu-lhe um abraço e um beijo. — Durma com os anjinhos.
— Obrigado. Boa noite, para você também.
Se soltaram depois de um abraço apertado.
Nikita percebeu que aquilo não estava nos seus planos, pegou os filhos pelas mãozinhas.
— Boa noite, Michael e obrigada por tudo que tem feito.
— Não é nada, boa noite, Nikita.
Ela os conduziu até o quarto. Ele ficou observando as crianças, e seu peito doía. Como aquele menino poderia ter o sorriso de sua irmã, Claudia? Ou ele estava ficando louco, ou só poderia significar uma coisa.
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