Lagos Artificiais
20 Vinte
Nikita
Música alta, pulos e gritos, bagunça, risos.
Esse era o cenário de Nikita com os filhos. Ela era a melhor mãe do mundo, segundo eles, e ela fazia de tudo o que podia para deixá-los felizes.
— Mãe? — Falou Ben, quase sem ar.
— Não consegue respirar?
Ele meneou a cabeça em negação.
— Mia pegue água e o remédio dele.
Falou colocando o menino sentado numa poltrona do quarto.
— Respire devagar … Já vai passar, amor.
Ele tomou o remédio e foi melhorando.
— Me desculpe, me empolguei demais, e exageramos.
— Tudo bem mãe, eu gostei.
— Você é um fofo.
Colou sua testa na dele, acariciando seus cabelos negros.
— E você vem cá. — Trouxe a pequena loirinha para junto de si. — Ele já está bom. — Nikita limpou as lágrias dela que escorriam.
Mia assentiu, mais aliviada.
Brigavam o tempo todo, mas ela não aguentava ver o irmãozinho doente.
E Nikita tinha muitos cuidados com Ben, que não podia fazer muito esforço e dava os remédios sempre na hora certa.
Nikita ficava com pena dele, as vezes, quando queria tomar banho de chuva ou jogar bola com os coleguinhas, mas ele não podia porque sempre tinha essas crises respiratórias. Mas Nikita o fazia ter uma vida normal, a mais normal que ele pudesse.
…
— Mamãe, pode ver o quanto eu cresci?
— Sim.
Ela o levou até a parede onde periodicamente marcava o quanto ele cresceu. Pegou a caneta.
— Ben, não roube, não vale levantar os pés. — Falou a menina rindo.
— Não estou roubando, eu cresci. — Ben defendeu-se.
Nikita riscou a parede.
— Vamos ver, é cresceu, 3 centímetros.
Ele sorriu alegre.
— Você pode colocar os saltos da mamãe para ficar do meu tamanho!
— Pare com isso Mia. — Repreendeu-a Nikita. — Não ligue para ela, Ben.
— A mamãe diz que as pessoas não são iguais …
— Isso mesmo, eu te amo do jeito que você é.
Ele sempre ficava triste por ser o menorzinho de sua sala.
— Já terminaram a lição de casa? — A mãe mudou o assunto.
— Já! — Responderam em uníssono.
— Quero ver.
Ela sentou-se no chão, próximo a mesa.
— Hum …
Ela verificou se estava correto. Ben pegou uma lista que Nikita estava fazendo.
— O que é isso, mãe?
— Carla e Birkoff vem almoçar aqui no final de semana e estou vendo o que vou cozinhar.
Ela foi interrompida pelo celular que tocou e foi atender.
Ben de olhos arregalados foi até a irmã.
— Mia, veja isso.
— Lasanha. — Ela leu.
— A lasanha da mamãe é horrível
— Shii Ben, ela não pode saber.
— O que é horrível? — Indagou Nikita desligando o telefone.
Os irmãos se entreolharam.
— Essa lista mãe, vamos te ajudar com o cardápio. — Mia tentando salvar o almoço.
— Ok.
— Pegue outra folha. — Falou com o irmão.
Ele pegou e sentaram em volta da mãe.
— Bolo de carne. — Ben sugeriu.
Nikita anotou.
— Salada de batas e macarrão com queijo.
— Hum? Isso não parece combinar. — Disse Nikita torcendo a boca.
— Mãe vai por mim. — A menina ficou de pé e colocou a mão no ombro de Nikita. — Eles vão gostar.
— Se vocês dizem, tudo bem. Vou fazer.
Ben e Mia se entreolhara aliviados.
— E vai ter o que para beber? — Perguntou o menino.
E ficaram decidindo os detalhes do que Nikita ia cozinhar e servir.
Michael
Era madrugada e ele perdera o sono. Ao seu lado dormia Collet tranquila. Tinha sido uma boa noite e Collet lhe mostrara ser uma companhia agradável.
Mas, o que lhe incomodava era o fato de não esquecer a única mulher que amou na vida, na verdade ainda amava. Não conseguia esquecê-la e era inevitável não pensar como ela estava.
Levantou-se, vagarosamente para não acordar a mulher ao lado e foi até o banheiro, tomou um banho e tentou pensar em outra coisa.
Não adiantou.
Foi até seu notebook observar duas fotos dela, que mantinha escondido. Momentos raros que ela saia em público com o marido.
— Nikita …
Ela continuava linda e parecia estar feliz. Era isso que desejava para ela no íntimo.
Passou o dedo carinhosamente no rosto dela e não conteve uma lágrima que escorrera de seus olhos.
Fale com o autor