Lagos Artificiais
31 Trinta e um
Longe dali, na Prisão Estadual Feminina de Segurança Média:
— Abre a 40. — Disse a carcereira. — Anda molenga, você tem visitas.
— Visitas?
— Sua advogada.
— Advogada? — Resmungou Quinn levantando-se em seguida e seguindo a mulher sisuda pelo imenso corredor.
— Ah, é você. “Advogada”, é?
— Queria que dissesse o que?
Então aproximou-se da mulher e sentou-se enfrente a ela.
— Como você está? — Questionou Madeleine.
— O que acha? Tem alguma coisa para mim?
— Bem, vim te atualizar.
— O que aconteceu?
— Nikita fugiu de casa levando os filhos.
— Sério? O Volker deve estar louco.
— Sim. Essa pode ser sua chance.
— Sim, descubra também algo sobre Michael Samuelle, certeza que ele tem algo com isso.
— Será? Tem anos que não se tem notícias dele.
— Sim, faça isso, mas tome cuidado, ninguém pode saber da nossa ligação.
Madeleine meneou a cabeça.
— Você vai conseguir sua vingança. — Afirmou Madeleine, numa promessa de ajudar sua sobrinha.
— Sim, todos eles pagarão, Michael, Nikita e o Volker, principalmente, por me jogar aqui nesse inferno.
Enquanto isso na academia, Carla estava sentada na lanchonete, com o olhar perdido.
— Quer carona?
Ela desviou o olhar, em direção da voz conhecida, que fazia seu coração disparar.
— Sim. — Sorriu.
Se cumprimentaram com um terno beijo.
Birkoff sentou e pediu um suco para acompanhá-la.
— Também sinto falta deles. — Birkoff lhe acariciou a mão.
— Estou com um vazio no peito, uma dor terrível. — Seus olhos marejaram. — Muita saudade …
— Já falou com ela?
— Não. Não é seguro, só quando os 'documentos' estiverem prontos.
— Continue assim, todo cuidado é pouco, estamos sendo vigiados.
— Eu sei.
— Carla?
— Hm?!
— Lembre-se, você não está sozinha, o que precisar estou aqui, para você.
— Você é um fofo, obrigada. — Beijou-lhe os lábios. — Vamos, tenho uma coisa para te mostrar.
— O que?
— É uma coisa que só posso te mostrar na minha cama, vamos.
Um Birkoff corado levantou-se da mesa, seguindo-a.
Michael e Nikita
Depois do jantar, Michael, Nikita, Ben e Mia estavam a vontade na sala, brincando com jogos de dados, meninos x meninas. Com certeza, para os quatro, aquela semana era a de longe a melhor de suas vidas.
De repente, o celular de Michael tocou, um número desconhecido, ele pediu licença, levantou-se e foi atender. Nunca poderia imaginar receber uma ligação daquela pessoa, principalmente naquela circunstância. Nikita observou como seu semblante mudou, ficou sério e preocupado. Pressentiu que algo ruim aconteceria.
— Nikita?
— Sim, ela levantou-se.
— Precisamos conversar.
— Tudo bem, Mia e Ben, já está tarde, vão escovar os dentes, que já coloco vocês para dormir.
Sob protestos e resmungos, a crianças foram, após se despedirem de Michael.
— O que há de errado? — Ela questionou.
— Essa ligação que recebi, foi do seu marido.
— O que? Ele sabe que estou aqui?
— Acalme-se, não sei como ele descobriu que estou na cidade, mas ele quer me contratar para te encontrar.
— Sério? O que disse?
— Eu tive que aceitar.
— Michael?
Ele aproximou-se dela, tomando-a em seus braços.
— Nikita, nunca te entregaria, mas preciso aceitar, por dois motivos, não posso levantar suspeitas e precisamos saber como está sendo a sua busca.
— Você tem razão. — Lágrimas escorriam de seus olhos. — Acho que nunca vou me livrar desse pesadelo. O que vamos fazer?
— Confie em mim, vai ficar tudo bem. Eu pedi a ele apenas dois dias, e me encontrarei com ele. — Michael lhe enxugou as lágrimas. — Só te peço um dia que seja, quero me despedir das crianças.
— Tudo bem.
Eles se abraçaram, buscando apoio e consolo.
Michael segurou seu choro, sabia que aquele momento chegaria, mas não estava preparado. Separar-se da mulher que ama e das crianças que amou desde o primeiro momento que as viu.
Nikita, só de imaginar, sentia seu coração doer, acabou se envolvendo demais com ele, naqueles últimos dias, fazendo esquecer sua antiga dor, e essa nova separação era demais para ela.
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