Lagos Artificiais
32 Trinta e dois
Notas iniciais
Nikita
Depois de tudo que Michael havia lhe contado, ela precisava entrar em contato com sua amiga. Precisava antecipar sua fuga, e estava rezando que os documentos estivessem prontos, pois ela não saberia o que fazer. Pegou o celular pré-pago, que tinha comprado antes quando planejara sua fuga, e ligou para a Carla, precisavam se encontrar.
…
Aquela noite foi péssima para ela, vários motivos a fez perder o sono. O medo que invadia sua alma, temendo os acontecimentos que viriam, ela não conseguia ter paz. E um outro mais perturbador ainda, separar-se mais uma vez de Michael. Os últimos dias fez com que todos os seus sentimentos em relação a ele voltassem com toda força, e por mais que quisesse negar, ainda amava aquele desgraçado.
Mas, ela precisava estar pronta para o dia seguinte, pois a partir dele, sua vida mudaria por completo.
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Carla arrumava sua bolsa, quando Birkoff enlaçou sua cintura, lhe beijando o rosto.
— Bom dia. — Disse com uma voz suave em seu ouvido.
— Bom dia. — Ela virou e beijou seus lábios.
— Eu vou te levar.
— Vamos. — Ela respirou fundo. — Está tudo pronto.
— Tenha cuidado. — Ele recomendou.
— Eu terei.
…
Carla foi até a igreja, entrou e estava vazia aquele horário, ficou sentada por algum tempo. Depois foi até o confessionário.
— Tenho dormido com o primo da minha melhor amiga … e é tão bom!
— Carla, por favor.
Elas riram.
— Nikita, como está?
— Estou com saudades.
— Eu também. — Carla tinha os olhos rasos d’água.
— Conseguiu os passaportes?
— Sim, o Mikki é um babaca, mas faz um excelente trabalho. Tenha cuidado Nikita, o Volker está louco atrás de vocês.
— Eu sei …
— Como estão Mia e Ben?
— Estão bem, estão com o Michael.
Ela ficou muda por alguns segundos.
— Michael? Eu ouvi direito? — Carla ainda digeria a informação. — O que? Como?
— História longa …
— Não me venha com isso de “longa história”, pode tratar me contar tudo!
— Ok, te conto tudo! Na noite em que fugimos, não sei se foi o destino ou só azar, o carro quebrou no meio do nada e por acaso nos encontramos, ele me ofereceu ajuda … e ele acabou me convencendo a ficar no apartamento de sua irmã. Ele, as crianças e eu, estamos lá.
Carla sentia um aperto no peito, um filme passar por sua cabeça.
— Vocês estão juntos?
— Não, claro que não, Carla. Só fiquei lá por falta de opção.
— Vocês conversaram?
— Não temos nada para conversar.
— Nikita? Claro que tem! Muita coisa aconteceu desde quando se separaram, ou você esqueceu?
— Até parece que não o conhece, ele não é um cara para se conversar.
Carla bufou, precisava contar.
— Nikita, sei que você o ama
— Não Carla. Pare! — Ela interrompe a amiga. Já estava em frangalhos e ouvir aquilo de Carla só pioraria a situação.
— Nikita sim, você o ama, e em todos esses anos você nunca o esqueceu. E eu sei também que tem raiva dele, e tem sofrido muito. Precisa saber a verdade. Eu tenho que te contar.
Carla já havia guardado esse segredo por anos, sendo consumida por dentro, agora ela não poderia ficar mais calada.
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