Uns dias depois …



Nikita

Nikita estava na lanchonete da academia, e não desviava o olhar de Michael. Ela observava como ele ficava sorridente e carinhoso flertando com algumas mulheres.

Carla voltou do banheiro e sentou na mesma mesa que a amiga, que nem percebera seu retorno.

— O que está rolando?

Fez Nikita despertar.

— O que?

— Nikita, não se faça de boba. — Apontou para o segurança.

— Nada.

— Nada? Quer me enganar ou se enganar? — Perguntou Carla sorridente.

— Como assim? Não sei do que está falando. — Nikita desconversou.

— Hum? Não? Tá, ok. Pensei que fosse sua amiga, confidente …

— Você é, Carla, e a única. Não fique assim, ok?

— Te perdoo, mas só se me contar a verdade.

— Não tem nada para contar … (Carla a encarou nos olhos) … Ok, eu não sei, ele me tira do sério. Só isso. Tão frio e autoritário, me parece pior que o Volker!

— Sei …

— “Sei”? O que quer dizer? — Nikita estava intrigada.

— Precisa ver sua cara olhando para ele.

— O que tem “a minha cara”?

— Está morrendo de ciúmes!

— Ciúmes? Não mesmo, estou com raiva, não tenho liberdade para nem respirar …

— Confessa: está apaixonada. — Carla a interrompeu.

— Apaixonada? Não, não estou.

— Tem certeza? Já se apaixonou alguma vez? Pelo seu marido que não, tenho certeza.

— Ai Carla, que diabos de pergunta é essa? — Ela olhou para o relógio. — Está tarde. Tenho que ir. Ok? Depois conversamos.

— Pode até tentar fugir, mas não vai conseguir …

Nikita revirou os olhos, elas se despediram e Nikita foi em direção a saída, passando bem próximo ao Michael, ignorando-o.

— Tenho que ir. — Ele despediu-se das duas mulheres com quem conversava e seguiu Nikita até o estacionamento.



À noite.

Michael



Ele tinha ido jantar com Veronica, uma das mulheres que flertava na academia. Depois foram até seu apartamento.

Veronica, virara para o lado e adormecera. Enquanto Michael acariciava seus longos cabelos negros.

Por mais que tentasse, seu coração o traia, e ele se pegava pensando em Nikita. Aqueles longos cabelos loiros, olhos azuis intrigantes e cheios de vida. Lábios carnudos de uma boca bem contornada, e um corpo que parecia ter sido esculpido pelo melhor artista, num momento de extrema inspiração …

Ele suspirou. Sabia que não era para ele, fechou os olhos, forçando o sono.



Nikita

Ela olhou para o lado, e Volker adormecera. Levantou-se com cuidado para não acordá-lo. Só queria tomar um banho e se livrar do cheiro dele em seu corpo. Ligou o chuveiro e deixou a água escorrer por um bom tempo. Como ansiava o dia que ele viajaria novamente. Sentiu seu corpo relaxar. Repentinamente lhe veio a lembrança de Michael em sua cabeça. Aquele homem realmente mexia com ela. Sua voz rouca e sussurrada, seus olhos, sua boca. Instintivamente, mordeu o lábio inferior quando começou a imaginar como ele seria sob o terno.

— Pare Nikita!

Repreendeu-se.

— Será que Carla tem razão? Não pode ser. Já não basta o que sofro. Assim não vou resistir.

Desligou o chuveiro, enrolou-se na toalha. Mas, não podia negar, seu corpo estava fervendo. Com certeza era desejo. Nunca antes se sentira assim. Quente. Lasciva.

— O que eu faço?