Lagos Artificiais

5 Cinco: The Dance


Nikita e Michael



Durante uma viagem de negócios do Volker, Nikita mandou que Greta dispensasse todos os empregados. A casa estava vigiada apenas pela parte externa. Greta preparou o jantar, pôs a mesa com vinho e saiu deixando Nikita sozinha, conforme pediu.

Alguns minutos depois Michael chegou.

— Sra Volker, me chamou?

— Nikita, meu nome é Nikita.

— Prefiro manter a formalidade.

— Quer que faça uma reclamação para o meu marido?

— Há necessidade?

— Se desobedecer ordens … sim. Nikita, me chame assim, tenha como uma ordem.

Ele a encarava.

— Nikita … por que me chamou?

— Sente-se. Quero companhia.

Ele aproximou-se dela.

— Não compreendo. — Sussurrou, bem próximo a ela.

— Sente-se, vamos jantar.

Ele riu.

O coração dela falhou uma batida, nunca o vira sorrir antes, para ela, nem sarcasticamente.

— Se é o que quer …

Nikita assentiu.

Michael entrou no jogo, veria o que ela queria. Ele a conduziu até a mesa, puxou a cadeira, surpreendendo-a, e ela sentou. Ele ajeitou a cadeira.

Michael serviu o jantar, para os dois.

— Vinho?

Nikita apenas assentiu. Aquilo não estava saindo como ela planejara.

Ele serviu um pouco de vinho para ela, em seguida sentou-se, ficando de frente a ela. Serviu-se também.

Eles comeram e tomaram vinho, sem trocar nenhuma palavra. Mas olhares? Foram inevitáveis. Ela estava mais linda do que já era, cabelos presos, brincos pequenos, uma gargantilha, tinha relógio e alguns anéis, num vestido vermelho de alças finas, decotado, parte dos seios firmes expostos. Levemente maquiada, um batom vermelho do mesmo tom do vestido e um perfume suave. Um que ainda não tinha usado, não na presença dele. Se ela queria enlouquecê-lo, conseguira, mas ela não sabia do seu autocontrole.

Ela da mesma forma, não conseguia desviar o olhar dele, parecia que tinha se vestido para a ocasião, mas sabia que não, foi apenas para o trabalho, ela não tinha comentado com ninguém, talvez nem para si mesma, sobre aquele jantar.

Após o término, ela levantou-se, e colocou uma música, (ouça também: “Just One Last Dance”) ele apenas a seguiu com o olhar. Começou a movimentar o corpo no ritmo, como se ele não estivesse ali. Nikita virou-se, e aproximou-se dele.

— Quer me seduzir? — Sussurrou Michael intrigado.

— Uma dança. — Ela sussurrou em resposta. — Só isso que quero, uma dança …

Ele aceitou o convide, aceitou a mão estendida, mas ele quem conduzia. Foram até o centro da sala, onde tinha mais espaço.

Colocou uma mão em sua cintura e segurou uma das mãos dela. A outra ela repousou em seu ombro, ele a trouxe para junto de si, se entreolharam e começaram a dançar. Estavam próximos. Sentiam o calor corporal do outro, aumentando gradativamente o seu próprio calor.

Ele tentou controlar, mas não pode, pegou-se acariciando as costas dela, entre a cintura e o início do bumbum.

— Você é bom. — Se referiu a como ele dançava.

— O que quer, Nikita?

— Pensei que fosse mais esperto.

O surpreendeu com um beijo, ele não se afastou, mas não retribuiu.

— Você … quero você, Michael. — Colocou a mão na nuca dele e o beijou novamente, mais profundo. Michael não resistiu e retribuiu o beijo, na mesma intensidade. A trouxe mais para junto de si. Separaram-se do beijo, Nikita lhe mordeu o lábio. Se olharam por alguns segundos. Irresistivelmente, provaram de suas bocas mais uma vez.

Repentinamente o celular de Michael toca, trazendo-os para a realidade. Ele separou-se dela, afastando-se, foi até a mesa e atendeu a ligação.

— Eu tenho que ir.

— Tudo bem.

— Boa noite. — Ele se despediu, saindo em seguida.

— Boa noite.

Nikita se encostou na mesa, perdida em pensamentos, sensações e sentimentos. Notou como sua calcinha estava molhada, estava excitada. Nunca antes lhe acontecera. Levou as mãos no rosto.

— Nikita, o que vai fazer? — Se questionava.

Pegou uma das taças e tomou um longo gole de vinho.