Michael

Estava em seu apartamento, em sua cama, mas dormir decididamente não lhe seria possível. Não conseguia tirar Nikita, sua voz, sua boca, seus olhos, seu perfume, seu beijo de sua cabeça. Se o seu telefone não tocasse naquela hora, não sabia o que teria acontecido, aliás sabia, teria dormido com a esposa do seu patrão, um homem perigoso, respeitado pela sociedade, mas Michael sabia dos seus negócios escusos. A teria possuído ali mesmo, na sala de jantar, em cima da mesa. Ainda sentia seu corpo excitado, querendo tê-la por completo. Fechava os olhos a via, abria seus olhos a via também. Aquilo era perturbador.



Nikita e Michael



Nikita entrou na Biblioteca, a procura de algum livro interessante. Michael percebendo que ela estava sozinha lá, entrou discretamente.

— Michael?

— Precisamos conversar.

— Claro.

Ela aproximou-se dele, e a tensão era evidente, de ambas as partes. Nikita tocou suavemente o rosto dele. Ele fechou os olhos com o toque.

— Não podemos continuar com isso. — Michael estava sério.

— Por quê? — Ela olhava fixamente em seus olhos.

— O que fizemos foi errado.

— Eu sei. … Mas, não negue o que sente, por favor.

— Não vou negar, eu fiquei perturbado, devemos parar por aqui.

— Michael … não. O que temos é real, vamos levar como pudermos …

— Não, esqueça tudo isso. Não me procure mais.

Ele saiu deixando a sozinha. Os olhos de Nikita encheram-se de lágrimas. A primeira vez na vida que se sentia assim, viva, apaixonada, e tinha que conter toda aquela paixão que sentia. Sabia que Michael estava certo, se Volker descobrisse, seria a morte de um dos dois ou de ambos.



Nikita



Carla ouviu alguém bater a sua porta e foi atender.

— Nikita?

— Desculpe vir sem avisar.

— Que nada, pode entrar e fique à vontade.

Ela deu espaço e Nikita entrou.

— Te ver aqui me deixa preocupada, o que aconteceu?

— Nada demais, só quero conversar, você tem um tempo?

— Claro, vamos para a sala. Parece que precisa beber algo?

— Aceito, Carla.

Apesar de ainda ser cedo, Carla preparou um gim com gelo para elas.

— Agora me conta tudo, mulher o que aconteceu?

— Você tem razão Carla.

— Isso eu sei, sempre estou certa. (Ambas riram) Mas, em que mesmo?

— Sobre o Michael, meus sentimentos em relação a ele.

— E como chegou a essa conclusão?

— Confesso, não foi fácil … Primeiro por admitir para mim, após tentar entender o que ele fazia comigo. E algo aconteceu ontem …

— O que? O que você fez?

— Bem, dispensei todos os empregados e os seguranças ficaram só no exterior da casa.

— Interessante, o que fizeram sozinhos?

— Pedi que jantasse comigo.

— Pediu?

— Não, mandei.

Carla riu.

— Depois dançamos.

— Queria seduzi-lo?

— Tentei, acabei traída por meus sentimentos, me entreguei.

— Vocês transaram?

— Não, mas foi por pouco, o maldito celular dele tocou bem na hora.

— Nossa, você quer me matar mulher?!

— Mas, nos beijamos, ele me enlouquece, me deixou excitada.

— Como foi o beijo?

— Ai Carla eu queria esquecer esse maldito beijo.

— Por que ele não retribuiu?

— Antes fosse, ele me pegou como se eu fosse a única mulher do mundo, me deu um beijo que me deixou sem forças, pensei que ia morrer.

— Uau!

— Ai Carla, aquele desgraçado sente algo, por mim.

— E como foi hoje?

— Ele foi racional, fez o certo.

— Terminou?

Nikita assentiu.

— De certa forma, disse que não podemos continuar, e blá, blá, blá ...

— E me parece que não concorda?

— Não sei se consigo, é mais forte do que eu. Isso me torna o que, Carla, me diz?

— Humana, só isso. Eu te disse, não tem como viver aprisionada. Um dia ia acontecer.

— Pois, não gostei de me apaixonar, só está me fazendo sofrer, preferia minha vida sem emoção de antes.

— Duvido muito, mas eu te digo, se for para ficarem juntos, vocês ficarão. Não dá para fugir do destino.

— Não tenho medo do destino, tenho medo do Volker.

— Eu sei, mas estou aqui para você, sempre que precisar.

Ela abraçou a amiga, que acabou chorando em seu ombro.

— O que vai fazer?

— Tenho que esquecê-lo. Só isso.

— Hum …

Carla pensou um pouco, como ajudar a amiga.

— Vamos viajar, Nikki?

— Viajar? — Ela enxugou as lágrimas.

— Vamos para a casa da praia da minha avó. A época está perfeita. E vai te ajudar.

— Tenho que ver com o Volker …

— Faça isso, acho que ele vai deixar.