Lady Of T...
2 O início intrigante
Notas iniciais
Amanhecia em Sheffield, a pálida iluminação da manhã nublada invadia o enorme e confortável aposento do jovem investigador Willian P. Baltmore.
Willian dormia em um estado de semi-inconciência, em sua cama de tamanho exacerbado, envolto por um espesso e felpudo cobertor, deixando a mostra apenas parte de suas costas magras mas ainda sim bem torneadas, de pele alva. Sua face estava mergulhada no travesseiro para impedir que a desfalecida luz da manhã chegasse a seus olhos, uma vez que Willian odiava qualquer tipo de iluminação, pois para ele o aconchegante silêncio das trevas era muito mais confortável que qualquer raio de sol.
Foi com batidas exasperadas a porta que Willian despertou de seu estado semi-inconsciente.
- Will... está aí?? – Era uma pergunta retórica, já que a voz parecia saber que Willian estava dentro daquele cômodo. – Vamos Willian, levante-se!!
Como resposta Willian apenas grunhiu de modo audível, enquanto virava seu rosto para o lado esquerdo, cerrando os olhos para diminuir o impacto da claridade em sua face.
- Vamos Will, acorde é uma emergência. – A voz bradava sem sucesso, enquanto Will apenas ficava estático em sua cama. A luz o imobilizara e apesar de Will poder levantar-se e fechar as pesadas e escuras cortinas de seu quarto, apenas ao pensar que poderia desenvolver essa ação sentia-se ainda mais paralisado e inválido.
Sentindo-se frustrado, a voz do lado de fora diz em tom de cansaço.
- Uma morte Will, é urgente...
Willian com um impulso ágil abre seus olhos e em um solavanco se levanta da cama, nu, para abrir a porta, e assim sem nada que cobrisse suas partes íntimas ele o faz.
Willian era um belo homem, alto e magro, possuía olhos acastanhados, perspicazes como os de uma raposa, sua pele era clara e seus cabelos castanhos eram constituídos de fios finos e lisos, cujo comprimento passava a linha do queixo em apenas alguns centímetros. O que o completava era sua boca, lábios finos e delicados de coloração vermelho intenso que a transformava em uma boca sedutora, contudo o homem que acabara de invadir o quarto de Willian parecia não prestar atenção no corpo do mesmo, aliás, parecia que não estava nem mesmo prestando atenção no fato de Will estar nu.
- Ora, ora, se não é Henry... – Willian ria da situação. – Isso é estranho Henry, você não costuma invadir minha casa desse jeito, muito menos meu quarto...
- Desculpe, Will, mas temos um caso... – Henry explicava o motivo da inesperada visita de modo sério, enquanto ajustava os óculos com a ponta dos dedos indicador e médio.
- Haha, não precisa desculpar-se. Sabe que pode vir a minha casa quando bem entender. – Foi com uma sonora gargalhada que Willian respondeu as desculpas de Henry e o mesmo agradeceu a amizade do outro com um discreto sorriso. – Mas então o que se trata??
- Um brutal assassinato, o homem foi encontrado essa manhã pelo dono de um estabelecimento que fica em frente ao Rio Sheaf... Mas o intrigante foi o modo como o corpo foi encontrado.
Ao ouvir isso Will arqueia uma sombrancelha, sentindo que deveria se aprofundar nesse caso.
- Entendo, bom Henry... vou tomar um banho e logo o encontrarei... poderia me esperar na sala? – Nesse momento um sorriso debochado brota dos lábios de Will. – A menos que queira me esperar aqui no quarto...
Henry apenas se vira e sai do quarto, deixando lá um Will completamente abobado que soltava gargalhadas extremamente altas, sendo possível escutar do corredor por onde caminhava para se dirigir as escadas que o levariam a sala.
Henry P. Gallway era um bonito rapaz, alto, de cabelos curtos, castanhos assim como os de Willian, seu corpo era um pouco mais robusto do que Will devido ao excesso de exercício físico que havia sido submetido desde quando pequeno, afinal além de tudo sua família, a família Gallway assim como a família de Will vinha de uma tradicional linhagem de investigadores ingleses e por isso Henry tinha que ser o melhor tanto fisicamente quanto intelectualmente. E pelo contato das famílias Gallway e Baltmore os dois jovens acabaram se tornando grandes amigos, freqüentando a mesma faculdade e por ironia do destino tornando-se colegas de trabalho.
Willian entrara em sua banheira, a água estava fria e sua pele chegava a doer, mas ele não se incomodava, aliás o que o preocupava era o caso que enfrentaria, se até mesmo Henry o investigador mais direto e eficiente que conhecera disse o que se tratava em meio a rodeios era porque realmente seria complicado. Não dando espaço para mais pensamento, saiu da sua banheira secou-se escolheu uma roupa aleatória, uma camisa branca de algodão e um terno preto assim como a calça.
Willian caminhou até a sala e lá encontrou seu amigo bebendo chá com uma expressão serena na face, educadamente chamou-o para o dever.
- Desculpe Henry, mas o descanso acabou vamos trabalhar.
Ambos saíram apressados e adentraram o automóvel de Henry que esperava do lado de fora da propriedade. Com uma arrancada o rapaz tirou o veículo do seu estado inicial de inércia e no meio do trajeto gotas de chuva começaram a banhar a terra, e isso se estendeu torrencialmente pelo caminho.
Ao chegarem a cena do crime, Will observou pela janela do automóvel, o par de pés sem cor, sem vida, descobertos, ao contrário do corpo que estava jogado ao chão coberto por uma capa negra.
- Vamos Will... – Henry acabara de despertar seu amigo de seus devaneios, então Willian apanhou um guarda-chuva que estava no banco de trás do automóvel, e saiu.
Ao sentir as geladas gotas de chuva caindo em seu rosto Willian abriu seu guarda chuva, e caminhou em meio a alguns policiais que ali estavam para chegar ao seu destino, Henry caminhava a seu lado com a mesma expressão plácida e séria rotineira. Pararam em frente ao corpo, e um oficial raso, que vestia luvas retirou o tecido negro que cobria o cadáver, e Willian arregalou os olhos arrepiado com a cena, Henry, porém apenas levou a mão elegantemente a boca como se estivesse nauseado.
O corpo estava murcho, oco, contendo apenas os ossos e pele, por toda a extensão havia pequenas perfurações e segundo o oficial raso, de alguma maneira o assassino havia retirado os órgãos e o sangue sem maiores incisões.
Will sentira-se intrigado, e dentro de sua cabeça, ali em meio à chuva e frio iminentes tentava dentro de si, montar as peças deste fascinante e terrível quebra-cabeça.
- Willian Pearoock Baltmore?! O que faz aqui no meu caso?? – Uma voz grosseira e irritante interrompe Willian em sua linha de raciocínio.
- Bom dia Mr. Joseph. – Diz Willian com um sorriso sínico. – Desculpe, mas este caso não lhe pertence, e sim a toda divisão de investigação. Já que é nosso dever tirar das ruas os cretinos que fazem essa sujeira e proteger nossos compatriotas. – O sorriso de Will é substituído por uma tenebrosa expressão séria.
- Hum... vamos ver como se sai. – Willian virava de costas para se retirar quando... – Desgraça dos Baltmore.
Willian ia virar-se para bater no homem alto e corpulento, mas foi segurado por Henry que ajuizado como era percebeu a derrota inevitável de Will.
- Mr. Joseph, por favor não se meta , isso são assuntos de família que não concernem ao senhor. – Henry dizia com um Willian mais calmo a seu lado.
- Muito cuidado Mr. Gallway ou vai pegar a mesma doença de seu amigo se conviver com ele tanto assim...
- Não creio nisso Mr. Joseph, uma vez que a única doença que alguém pode pegar é sem sombra de dúvida alguma, sua intolerância ridícula e insana. – Disse enquanto sorria friamente. – E desse mal não corro perigo. Com licença.
Joseph tentou uma réplica, mas sem argumentos, apenas restou a ele calar-se, enquanto Henry e Willian iam em direção ao automóvel e adentravam-no.
- Obrigado por tudo Henry. – Dizia enquanto suspirava pesadamente com a cabeça baixa.
- Aquele velho não tem nada a ver com sua opção sexual... o único doente é ele. Não se preocupe. – Dizia enquanto ajeitava seus óculos. – E além do mais, você tem coisas mais importantes para se preocupar agora...
- Como? – Willian esperava uma resposta metódica de Henry, esperava que ele dissesse “a investigação”, ou qualquer outra coisa relacionada a trabalho. Mas a resposta fora surpreendentemente diferente.
- Meu casamento na qual você será o padrinho. – E com um sorriso ele completou. – Anne está grávida e chega amanhã. – Deixando um Will perplexo e arrancando o carro em direção a Mansão Baltmore aquele havia sido o término de uma fatídica manhã inglesa.
Notas finais
O próximo vai ficar melhor hehe XD
Por favor deixem reviews para a nanica aqui XD Críticas e elogios são bem vindas!
t+
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