Lady Annabetth

2 It's not easy


Notas iniciais
Hei! Por favor, quem ler a fic, comente, eu gosto muito. beijos

Trombei com Mercedes no corredor, ela parecia muito mais espantada que eu que nem tinha parado pra pensar direito se ele poderia estar dilacerado. Ela se recuperou e voltou a correr, a até o fim do corredor, eu corri atrás dela, ouvindo atrás de mim os passos apressados das curandeiras que falavam alguma coisa umas com as outras em alemão.

Mercedes empurrou a porta em uma força, que todos os presentes lá dentro olharam, inclusive minha mãe a quem eu pude ver que tinha os olhos inchados, e era acudida pela minha tia Rosalie. Será que ele morreu? Um nervosismo correu por dentro de mim e eu comecei a chorar, não parei até chegar ao seu lado na cama, o que foi um caos, pois alguns dos curandeiros bloqueavam a passagem e outros dos meus irmãos também. Então eu o vi, seus cabelos curtos castanhos, e seus olhos verdes, estava perfeitamente bem. Só havia uma grande ferida na sua perna, o que talvez o impossibilitasse de andar por alguns meses, mas nada preocupante.

— Papai. — disse, acalmando a mim mesma.

— Annabetth. — ele disse me percebendo ali.

— Como você está? — me ajoelhei ao seu lado.

— Estou bem. — o olhei na dúvida. — Estou muito bem. Sou um rei, Anna. Sua mãe que não me parece bem.

— Ela deve estar abalada, não seja um animal.

— Annabetth.

— Eu ouço os dois brigando todas as tardes e manhãs, ouço também os barulhos dos seus tapas no rosto dela.

— Cale-se. — ele disse calmo.

— Não é fácil. — ele me olhou não entendendo. — Ouvir tudo isso e não contar para Hideo ou William. Que a poderiam proteger do senhor.

— CALE-SE, ANNABETTH. — me assustei com seu berro, aliás, todos se assustaram, me levantei, limpei-me e fui em direção a minha mãe.

— Mamãe. — ela levantou seu rosto, inchado como estava na vez em que ela chorou pelo seu irmão, morto em batalha. — Ele está bem. Vai sobreviver.

— Eu sei. Eu sei. — ela dizia, limpando suas lágrimas. — Fui domada pela emoção, pelo nervosismo. — ela respirou fundo. — O que vão pensar — ela respirou novamente — os súditos ao ver sua rainha chorar assim, logo após o rei entrar ferido.

— Que és uma boa esposa e boa rainha. Sabe chorar quando necessário. — Rosalie, sua irmã e minha tia, a aconselhava.

— Vossa Alteza. — um dos curandeiros apareceu ali ao lado. — Vossa Majestade, ficará bem, aconselho que ele fique em repouso o máximo do tempo possível, e quando for andar use algo para se apoiar ou tenha homens ao seu lado.

— Obrigada, Merlin. — reconheci o nome de algum livro velho.

— Com licença. — ele a reverenciou e saiu levando toda sua equipe junto, deixando naquele quarto só a família real. Mercedes, Hideo, Tenássia e William estavam aqui.

— Mãe. — Tenássia chegou perto da minha mãe, com seu vestido verde-musgo, o qual eu já tentei roubar. — Hideo terá de assumir o reino por pelo menos três dias. Ele não pode se levantar desta cama e nem sair desse quarto. Doerá. — ela havia estudado por alguns anos a arte da cura, e agora esbanjava conhecimento pra todos que quisessem.

— Fale com Hideo sobre isso, Tenássia. Estou abalada demais. — ela tonteou-se, e minha tia a segurou.

— Gwen. — Mercedes berrou chamando a ama de minha mãe. — Prepare chá, e o banho da minha mãe. Depois a deite no segundo quarto, a cama de meu pai precisa ser limpa, chame alguém para ajudá-la.

— Sim, senhora. — Gwen saiu apressada, minha tia levou minha mãe pro banheiro.

— Vamos sair daqui, meninas. — William levava a mim e Mercedes pra fora do quarto. — Evitem transitar aqui dentro. Papai está muito indisposto pra ouvir seus delírios adolescentes.

— Não temos delírio algum, William. — ele fuzilou-me com o olhar. Engraçado, como sempre Mercedes não desafiou William, como ela fazia com todos os outros irmãos. — Você é o louco da história. Vamos, Mercedes.

— Serei louco quando tocar em você.

— Não a ameace. — Mercedes berrou e ele entrou pro quarto novamente, e continuamos a caminhar, não entendi sua histeria, mas não perguntei, a abandonei em meu quarto e ela seguiu pro seu.

...

— Milady. — Vitor abriu a porta.

— Vitor. — sorri. — Sobreviveu a neve?

— Você ainda me deve por isso. — ele vestia uma linda roupa vermelha, e tinha uma espada em sua cintura.

— Pagarei. — sorri com o canto da boca, e ele se sentou ao meu lado vendo os papéis espalhados pela mesa. — Para que tudo isto? — ele pegou alguns deles.

— Estou planejando nosso casamento. — bufei em lembrar do quanto faltava. — Minha mãe está em crises e não pode me ajudar.

— Peça ajuda a Tenássia.

— Ela chegaria aqui e falaria sobre as probabilidades de o vestido me dar algum tipo de alergia. — ele riu. — Então não, obrigada.

— E qual é a probabilidade de eu e você, termos um passeio pelos arredores do castelo? — ele se posicionou perto de mim.

Lembrei da família do homem que foi morto pela manhã.

— Você poderia me levar a família daquele homem. — disse, calçando os sapatos.

— Nem pensar. Devem querer sua cabeça.

— Não me diga não, príncipe de Kira. — me agarrei a ele. — Diga sim e posso te recompensar. Hoje.

— Não resisto a você, Anna. — sorri vitoriosa. Botei uma capa por cima do vestido exuberante que vestia essa tarde, e fomos em direção a saída do castelo.

— Aonde vão? — Tobias nos parou.

— A um passeio. — respondi continuando a andar.

— Aonde? — ele disse botando a mão na espada. — Se posso saber.

— Nos arredores.

— Nem louca, Annabetth. — um guarda abria as portas pra mim, quando ele o parou. — Querem sua cabeça lá.

— Eu avisei. — Vitor murmurou.

— Ninguém vai pegar uma espada e me matar. Até porque duvido que eles tenham espadas lá.

— Vitor, diga a sua noiva que sua mãe não autorizou sua saída.

— Ela não me escuta.

Arqueei a sobrancelha.

— Pois bem, — ele disse sorrindo. — Vou junto.

— O que? Porque? Não, fique. — o guarda voltou a abrir a porta.

— Ou eu vou, e todos vamos, ou eu não vou e chamo reforços para prendê-la em seu quarto até amanhã pela manhã.

— Você é insuportável, Tobias. — ele deixou o guarda abrir a porta e saímos os três em direção aos cavalos.

— Peça a carruagem. — Tobias mandava o homem buscar.

— Não. — o impedi. — Vamos á cavalo, quero ser normal e não chamar atenção, já que querem a minha cabeça. — me aproximei do meu cavalo. — Oi. — disse com a voz manhosa, enquanto arrumavam a sela.

— Você é impossível, Annabetth. — Vitor dizia de cima de seu cavalo. Montei no meu e saímos atrás de Tobias, que insistiu que eu levantasse o capuz da capa, e cobrisse-me por completo. Entramos na cidade sem nem ser vistos, alguns se esconderam por ver a espada com o selo real de Tobias e Vitor, principalmente dele, tinham medo de Kira e sua maldade.

— Quando conhecerei seus pais, Vitor? — lembrei que nunca conheci a famosa rainha de Kira, muito menos o rei.

— Quando for necessário, Milady. — ele disse ríspido, cortando o assunto. Nunca falamos muito deles.

— Planejam ir aonde? — Tobias perguntou.

— Quero visitar a casa da família do homem que foi morto por você essa manhã. — ele virou-se e respirou fundo.

— Lady Annabetth, eu nunca poderia pisar naquela casa, muito menos Vitor.

— Eu posso, e pelo que eu sei tenho pernas. Leve-me até lá.

— Seu pai não gostaria que eu fizesse isso...

— Me leve lá, agora. — aumentei meu tom de voz, atraindo olhares, ele cedeu e começou a galopar saindo da rua principal, indo para um local mais afastado, onde havia apenas pedra sob pedra criando paredes e um teto, e uma tábua de madeira como porta, e duas meninas brincando do lado de fora. Suas filhas.

— É ali. — ele apontou, e eu me posicionei na frente, galopando até lá, enquanto as meninas corriam apressadas pra dentro da casa, se é que podia chamar assim. Prendi o cavalo e me dirigi para lá, bati na tábua. Tobias e Vitor ficariam cuidando dos cavalos, mas no fundo eu sabia que eles estariam por perto.

Uma mulher abriu a porta e me olhou espantada, logo voltou a consciência.

— Vossa Alteza. — ela me reverenciou. — A que devo, a-a-... a honra?

— Gostaria de falar com você. Se a senhora quiser, é claro.

— Sim, sim. Entre. — adentrei a casa e vi o extremo da pobreza em que ela vivia, sua pequena cozinha, e algumas coisas estranhas, deveriam ser de algodão. Uma grande pedra, substituía uma cama. Me manti em pé.

— Gostaria de saber como você e as crianças vão viver sem seu marido. Se tem condições.

— Nunca tive condições, Milady. E terei muito menos agora. — ela lacrimejou se jogando no chão. — Eu desistirei. Darei a menor para uma mulher que não pode gerar filhos, e a maior eu darei para um bordel. Já eu, me matarei. Elas serão mais felizes sem os pais inúteis. — ela chorava.

— Não, não pode fazer isso. Essas crianças precisam da mãe.

— Precisavam do pai, ele as dava comida e mantas no frio. Agora elas precisam de dinheiro e nada mais. — ela elevou o tom, e olhei pelo espaço vago na parede vendo Tobias com a mão na espada, fiz um sinal para que a soltasse.

— Mas não podem ter o pai. E agora tem a você. Só a você. — me sentei ao seu lado no chão.

— O que está fazendo? Sujará seu traje.

— Não ligo.

— É claro, tem vários. — ela disse em tom de sarcasmo.

— Sim, tenho. Porque sou sua princesa e peço mais respeito. — cansei da audácia dela.

— Perdão.

— Eu tenho uma oferta pra você. Para as crianças. — ela me olhou esperançosa. — A maior será criada do castelo, uma das criadas das minhas irmãs, a menor será sustentada por ela, que terá uma ótima recompensa que dará para as duas. Você, pode trabalhar no castelo, como eu certamente não sei, mas sei que pode. Ou pode ir para o bordel mais próximo.

— Eu aceito. Aceito. Por favor, as dê um futuro melhor.

— As darei. — sorri. — As leve amanhã para o castelo, destrua isso aqui. — me levantei. — Até mais, Lucy.

— Até mais, Vossa Alteza. E muitíssimo obrigada. — caminhei em direção a Vitor e Tobias que me fizeram milhões de perguntas, as quais só parei de responder quando fui dormir.

Notas finais
beijo, beijo