Lado a Lado
1 Capítulo 1
Notas iniciais
— Regina –
Estou dentro do meu carro e não faço ideia de para onde ir. Há tanto tempo não fico sozinha, não que eu não me sinta assim às vezes, apenas que para evitar esse sentimento de ser só no mundo sempre tento estar próximo de algo, de alguém. Ocupando minha mente com estudo, trabalho em arrumar minhas coisas de formas metódicas isso sempre fora uma boa distração das coisas que me rondavam.
Dentre elas evitar a todo custo lembrar a perda de uma das pessoas mais amáveis que admirei na vida, meu pai. Um acidente de carro o levou para sempre. Ele era a peça mais importante de minha família, família essa que agora é constituída apenas por mim, meu irmão Killian e minha mãe Cora, que de todos foi a que mais sentiu a perda, viu o amor de sua vida ser colhida como uma rosa ainda não desabrochada é assim que ela descreve a perda de Henry Mills.
Hoje o dia começou de um jeito e esta de uma forma bem oposta à manhã para mim. Queria que essa lógica de que para melhorar as coisas elas precisam piorar até tudo ser restabelecido, mas há muito deixo meus pés ficados ao chão.
Impossível impedir que as lágrimas caíssem em lembrar as coisas que me fizeram estar assim, até mesmo pensar em coisas de um passado não tão distante. Há alguns meses mais ou menos meu ex-namorado Robin recebeu a notícia de que estava com problemas de saúde e ficamos devastados, mas eu disse que eu estaria ao lado dele para o que der e vier. Passado algum tempo ele me deu a notícia que teria de ir embora e morar no país dos pais dele.
Os pais dele eram muitos ricos, de família influente no país dele, beirava a realeza e ele tinha vindo apenas para fazer estagio aqui em uma das empresas do pai e eu descobri da pior maneira que na verdade ele nunca teve a intenção de morar aqui, ao contrário disso ele era noivo e estava com data pré-marcada para se casar. E você me pergunta e a doença dele? Bom a única doença que Robin possui é a compulsão por mentir, pois nem doente ele estava e como eu descobri? Um dia tive que cobrir uma reportagem sobre o casamento do ano de uma poderosa família de um país ao norte da Europa e pra minha surpresa quem estava lá sentado de mãos dadas com uma morena? Isso mesmo o meu namorado.
Pra piorar tudo ele fingiu que nem me conhecia. Naquela hora tive que escolher entre ser uma profissional e não perder o emprego que tanto batalhei para ter ou dar de mulher traída e enganada e acabar com a raça dele, e adivinhem? Optei por seguir a linha dele e iniciei a entrevista, ele respondeu a tudo com um sorriso nos lábios e pior era ver que ele realmente era apaixonado por ela, pois eu já mais vira um daqueles olhares dele direcionado a mim. Dei graças aos céus quando a entrevista acabou e sai de lá o mais rápido que pude e fui para minha casa, precisava chorar de um banho de um café forte e entender que infelizmente existem pessoas como Robin no mundo. Depois de chorar e comer todos os doces que vi na minha frente peguei no sono e acordei com o barulho da campainha e para minha e acredito que para a surpresa de qualquer um, adivinhem quem estava na minha porta? Se você disse Robin acertou. Ele é tão filho da puta que me tratou como se nada tivesse acontecido, disse que era pra eu saber quem ele era, afinal sou alguém relacionado a mídia e que ele não podia fazer nada que quando ele me conheceu a vida dele já estava planejada há muito tempo. Eu o mandei para o inferno naturalmente, pois não tenho sangue de barata e ele não me pediu desculpas nenhuma vez e quando perguntei o que ele queria ele disse que queria uma despedida. Não resisti e desci a mão na cara dele, ele apenas sorriu e tentou me beijar e eu chutei no meio das pernas dele e comecei a gritar para alguém me ouvir.
Ele então se transformou e disse que se eu contasse essa história a alguém ele acabaria com minha vida. Ainda lembro bem as palavras dele:
— Você é tão idiota Regina Mills. Você deveria estar feliz que algo de interessante aconteceu nessa sua vida. Vive nesse seu mundinho achando que algum dia vai ser alguma jornalista de verdade, só um tolo para sonhar como você, acha que com reportagens medíocres vai sair do lugar – Nesse momento eu já não conseguia reagir, as palavras dele eram duras de mais – Impressionante! – Ela fala e dá uma gargalhada – Quando teve a chance de estar com uma celebridade de verdade se quer reconheceu, você é uma patética estupida mesmo – Ele sorriu passando a mal no rosto dele e depois deu alguns passos até ficar bem próximo de mim. Então ele apertou meu maxilar e sussurrou bem próximo aos meus lábios – Se você contar a alguém o que houve entre nós eu acabo com essa sua vida miserável, entendeu? – E eu fiquei estática sem saber o que dizer ou reagir e então ele deu um berro – Você entendeu? – Eu apenas balancei a cabeça confirmando que sim e então ele piscou me mandou um beijo e saiu porta a fora.
Quando ouvi a porta batendo atrás de mim desabei onde eu estava mesmo e desatei a chorar, chorei tudo que me sufocava até mesmo as palavras que eu queria ter dito para aquele maldito. Não sei por quanto tempo fiquei daquele jeito, mas me levantei e pensei que jamais deixaria alguém me fazer de idiota novamente e que eu ainda provaria que eu não sou medíocre.
Após essa turbulência com Robin eu me dediquei a cada dia em ser alguém em minha profissão se meu sonho era ser uma grande jornalista eu tinha que batalhar por isso. Com meu empenho e por sempre ser a primeira a chegar ao meu setor no jornal e a última a sair eu sabia de quase tudo que acontecia e com isso consegui cada vez mais reportagens para cobrir. Há algumas semanas meu chefe chamou a mim e Suzane que era do mesmo setor que eu e a qual tínhamos uma rixa, devido nossas reportagens ser as melhores e com isso meu chefe anunciou que uma pessoa do departamento de uma das revistas sairia e que teria uma vaga para uma de nós sermos a colunista da revista e isso me deixou em êxtase com a possibilidade de ser a colunista fixa.
Para isso teríamos que escrever uma história completamente diferente das que já escrevemos e de que vem se lendo nos jornais atualmente. Eu consegui uma reportagem sobre um abrigo de crianças em que eles eram totalmente independentes e meu foco era sobre que para fazer o bem não precisa nada a não ser o querer. Enquanto isso Suzane escreveu sobre um florista que tinha uma floricultura que preservava sementes raras, não deixa de ser interessante, entretanto eu realmente achei que minha reportagem era mais sólida, menos superficial entende? São pessoas com problemas reais, que precisam de um auxilio de imediato. Mas adivinhem qual proposta fora aceita? Se você disse Suzane acertou mais uma vez.
— Regina Mills, você está louca? – Me pergunto parando o carro em frente a um parque, eu mal tinha percebido que estava dirigindo e menos ainda como vim parar aqui – Está contando sua própria história em voz alta para você mesmo. – Digo mais uma vez em voz alta – É oficial você enlouqueceu – Digo rindo por não parar de falar em voz alta e então desço do carro e decido caminhar pelo parque.
Caminhei algum tempo e de longe eu vi uma dessas pessoas que fazer essas coisas de malabares na rua e o jeito como a pessoa era habilidosa me chamou a atenção, então decido me sentar no banco e observa-la. Fiquei quase uns 15 minutos assistindo o tal artista vestido de palhaço fazer seus malabares. Depois de certo tempo ele direciona seu olhar a mim e percebe que eu estou olhando e logo ele desvia o olhar e vai mecher em algo dentro da capa de seu violão e pega algo que não vi o que era lá de dentro, sem ao menos perceber como ou quando vejo o palhaço se aproximando e penso em sair correndo imediatamente.
Com tantos loucos pelo mundo me assaltar seria o mínimo que faria comigo, no entanto eu noto que não era um palhaço e sim uma palhaça e seus olhos tinha tristeza e pude notar uma lágrima desenhada no canto de seus olhos, denunciando toda sua sensibilidade. Pensei várias vezes em me levantar, mas em ver aqueles olhos verdes tão tristes me fez sentir a tristeza dela, misturar-se a minha e isso me tocou de alguma forma e de repente para minha total surpresa ela se ajoelha em frente a mim e me estende as mãos segurando uma rosa.
Fiquei tão sem ação que mal pude acreditar que ela estava fazendo aquilo que só consegui pergunta se era para mim. Peguei a flor, uma rosa vermelha, a que eu mais acho linda. Mas por ser uma flor me fez lembrar floricultura e remeteu meus pensamentos em Suzane e consequentemente as palavras de Robin me dizendo que eu nunca passaria disso e involuntariamente uma lágrima teimosa me escapou dos olhos e mais uma vez para minha surpresa naquele dia, ela limpou minha lágrima e há tanto tempo eu não recebo um gesto de carinho, um carinho tão delicado que eu não me aguentei mais e me pus a chorar, me encostando-se ao braço dela sem pensar.
Ficamos ali por um tempo ela não me disse uma única palavra e quando disse que iria embora ela penas ficava me olhando com olhos de curiosidade, mas não fez menção alguma de que falaria ou teria uma reação, então achei melhor ir embora e assim o fiz.
Quando entrei em meu carro e coloquei a rosa no banco de carona eu sorri, como há muito tempo não fazia e como se naquele pequeno gesto disfarçado em flor tivesse me renovado as forças eu decidi ir para casa e começar a lutar novamente.
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