Lado a Lado
6 Capítulo 6
Notas iniciais
— Regina –
— Bom dia Régis! – Meu adorável irmão me cumprimenta adentrando a cozinha e me dando um carinhoso beijo em meu rosto.
— Bom dia, maninho! Está com fome? Fiz panquecas, sucos, ovos e bacon para você.
— Uol, alguém esta de bom humor hoje – Ele diz se sentando em um dos bancos que tem na bancada da microcozinha de meu apartamento – Por acaso saiu no jornal que Robin sofreu um atentado? – Pergunta ele rindo e fecho a cara para ele na mesma hora.
— Infelizmente não tive essa sorte ainda – Respondo colocando o prato de panquecas na bancada e me sentando ao lado dele.
— Então? – Ele me pergunta enquanto estou devorando uma panqueca coberta de melado, que suja minha boca e vejo Kil arquear a sobrancelha em me ver comer assim. E dou de ombros.
— Então o que? – Pergunto já pegando outra panqueca e dessa vez encho com cobertura de chocolate.
— Por que esta tão animada hoje? – Me pergunta tomando um pouco de suco – Aliás, há quanto tempo você estava presa e não nos contou? – Pergunta rindo da minha cara e da forma que estou comendo.
— Engraçadinho – Retruco mostrando a língua a ele – Nada de mais, só acordei bem hoje.
— Muito madura – Ele diz negando com a cabeça e nos encaramos e logo caímos na risada.
— Então – O que pretende fazer hoje?
— Vou visitar um amigo – ele me responde como quem não quer nada.
— Um amigo? – Pergunto sorrindo e o encarando e ele fica meio sem graça.
— Sim, apenas amigo. Nos conhecemos no aeroporto quando estava chegando aqui em Nova Iorque e combinamos de ir a uma exposição de artes.
— Ou seja, um encontro. – Digo maliciosa ele revira os olhos.
— Não. – Diz se levantando – Apenas dois recém-amigos indo a uma exposição de artes, já que ambos compartilham do mesmo gosto e interesse profissional – Ele fala me dando um beijo na testa – Ou seja, apenas interesses em comum.
— Vê se descobre outros interesses em comum – Grito ainda da cozinha, já que ele tinha saído. Logo volto ao meu relacionamento sério com aquele café da manhã que estava divino.
—Lado A Lado –
Após meu delicioso café da manhã vou para meu quarto tomar um banho e me arrumar para ir trabalhar. Tomo um banho demorado, como de costume. Adoro a sensação da água quente descendo pelo meu corpo como um abraço bem quentinho. Deslizo preguiçosamente o sabonete líquido pelo meu corpo e no mesmo instante me lembro de uma conversa que tive há uns dois dias com Emma. Alias Emma e eu temos nos visto de vez em quando. Mentira, isso seria um grande eufemismo, pois desde que marcamos de tomar café no parque eu ela temos nos visto todos os dias, nessas últimas semanas. Sempre na hora do almoço.
Aproveito que o jornal é próximo a praça em que ela se apresenta e sempre vou almoçar com ela. Geralmente compramos alguma coisa e comemos lá na praça mesmo. Eu já até convidei Emma a ir a alguns restaurantes algumas vezes, mas ela diz que gosta de comer sem restrições, que isso a faz se sentir livre. Bom eu não acho ruim, pois a nossa conversa sempre flui e mal sinto o tempo passar.
– Merda! – Eu como uma ótima desastrada que sou derrubo xampu em meus pés. Essa droga doe de mais. Sorrio novamente me lembrar de Emma. A primeira vez que a vi sem maquiagem, eu praticamente paralisei em sua frente. Ela é tão linda. Suas expressões mostram uma pessoa determinada, um olhar penetrante e ao mesmo com traços tão delicados, tão femininos. Me senti uma louca paralisada olhando para ela, quando percebi suas bochechas corarem um pouco, mas é inevitável olhar Emma e não se paralisar.
Bom, enfim desligo meu chuveiro e vou até meu guarda roupa escolher algo confortável para trabalhar. Geralmente, opto pelo conforto e praticidade do que a beleza.
Escolho uma calça preta que fica bem colada, uma regata branca, jaqueta também preta e decido por uma bota de cano baixo e salto fino e alto, também preto. Definitivamente preto é minha cor. Sorrio ao me lembrar de Emma me dizendo que preto combina muito comigo. Deixo tudo organizado em cima da cama e vou secar meus cabelos.
Coloco meu sutiã e calcinha, seguida de minha regata e por fim minha calça. O que me deixou frustrada, pois estava quase levando um baile para conseguir subir ela em meu corpo. Depois de muito pular pelo quarto como uma louca finalmente consigo a proeza de subir minha calça, o que resulta em meu esgotamento físico. E você pensa que acabou? Depois de uma luta para subir, mais uma luta para fechar.
— Mas que diabos! – Digo dessa vez irritadíssima – É Regina Mills, você definitivamente deveria começar a fazer uns exercícios.
Depois desse episódio lamentável, termino de vestir, faço uma leve maquiagem, pego minha coisa e me direciona a saída de meu apartamento, fecho tudo e vou em direção ao meu carro.
— Hoje vai ser um bom dia para ser repórter. Hoje vai ser um bom dia para ser repórter. – Digo o mantra, de todos os dias antes de dar partida em meu carro em direção ao trabalho.
—Lado A Lado –
— Bom dia Reginha – Estou distraída checando uns emails em meu celular e quase esbarro com Clovis assim que saio do elevador. Clóvis é um dos meus companheiros de profissão, como de costume vem me cumprimentar saltitante parecendo uma borboleta, batendo as suas asinhas, no caso suas mãozinhas. Ele me entrega um copo de café, e sempre que ele faz isso é porque tem algo “sigiloso” rolando pela redação.
— Bom dia, Clovis! Qual o motivo de tanta felicidade? – Pergunto enquanto recebo os dois beijinhos no rosto acompanhado das extravagantes poses dele e logo pegando meu café de suas mãos.
— Ai Regininha,eu não sei se posso contar – Ele me diz mordendo os lábios – Mas, posso adiantar que será uma ótima oportunidade à quem conseguir – Ele sussurra próximo a mim, entrelaçando um de seus braços no meu.
— Okay – Respondo desentrelaçando nossos braços sutilmente do dele e começo a andar pela redação e logo percebo a movimentação de Clóvis atrás de mim indicando que ele esta me seguindo.
— Tudo bem. Acho que você merece saber – Diz ele eufórico me acompanhando e solto um risinho de lado ao terminar de dar um gole em meu café. Logo volto minha atenção a ele, esperando que ele falasse.
— Ouvi o Jackie da ilustração, comentando com a fotografa da coluna ‘Casos ao Acaso’ que o nosso querido magnata –chefe de reportagem pediu ao nosso chefinho uma reportagem específica e o nosso chefinho vai dar oportunidade a um de nossos reportes e se der certo, sinto cheiro de promoção vindo ai – Ele finaliza batendo as palminhas e nem preciso dizer que meu olhinhos estão brilhando ao terminar de ouvir tudo o que ele disse.
— Clóvis! – Exclamo exasperada – Você é um lindo sabia? – Digo dando um beijão em seu rosto feliz e mal espero pelo que ele mais tem a dizer, preciso chegar logo e ter essa reportagem em mão. Estou esperando por essa oportunidade há tanto tempo que mal posso me conter.
— De nada Regininha! – Escuto Clóvis gritando ao fundo com uma voz emburrada, apenas levanto uma de minha mão e dou um tchauzinho a ele mesmo de costa e continuo andando rebolando.
— Mais é destruidora mesmo em bixa!? – Escuto ele dizer e acabo gargalhando com o jeito de Clóvis.
—Lado A Lado –
— Senhor Jameson pode iniciar a reunião, Inácio era o último. – A Secretária particular avisa o senhor John Jonah Jameson, mais conhecido como JJJ, que ele já poderia iniciar a reunião.
— Bom não farei suspense como já devem ter ouvido pelos corredores da redação – Meu chefe diz olhando diretamente para Clóvis que leva uma das mãos a altura do coração fazendo uma pose e cara de inocente ofendido – Surgiu uma proposta de uma reportagem especifica e você sabem como funciona, a que obter destaque ganhará sua publicação. Tudo que precisam saber esta com senhorita Gabriela.
— É Isabella, senhor – A secretária do senhor Jameson, que por acaso já trabalha com ele há mais de 5 anos diz e ele a encara – Ou Gabriela mesmo – Ela diz encolhendo os ombros e ele nem dá importância.
— Então vão lá e façam o seu melhor! Reunião encerrada – Ele finaliza e já sai em disparada da sala de reuniões. Eu junto minhas coisas o mais rápido que posso e saio correndo atrás dele.
— Senhor Jameson? – Eu chamo ofegante, como pode esse homem correr tanto? – JJJ? Por favor! – Quase grito dessa vez e ele para bruscamente me encarando e dou apenas um sorrisinho. – Senhor eu queria saber, quer dizer... – Limpo a garganta tentando voltar ao meu tom de voz habitual e não demonstrar meu nervosismo – Gostaria de saber se os boatos que correm é verdade – Digo e ele coloca as mãos no bolso da calça e me encara com as sobrancelhas arqueadas.
— Terá que ser mais especifica que isso Senhorita Gills.
— Claro claro... – Me dou tapa de leve na cabeça – Refiro-me ao boato que através dessa reportagem haverá uma promoção para a coluna ‘Caso ao Acaso’?
— Acredito que a senhorita deveria parar de dar ouvidos ao senhor Clóvis.
— Por favor Senhor Jameson! Eu estou esperando por essa oportunidade há tanto tempo. Me dê apenas essa esperança. Eu trabalho há tanto tempo aqui e aguento o senhor me chamar de Gills, só queria uma oportunidade de sair do anonimato para essa redação, para assim, quem sabe conseguir fazer o mundo me ganhar e... – Comecei falar sem para, nem notei meu desabafo a meu chefe. Na verdade eu nem me lembrava mais que era ele na minha frente, só deu essa vontade louca de desabafar.
— Senhorita Gills, tudo bem. Haverá uma promoção sim, agora deixe-me trabalhar, oras – Diz ele me cortando impaciente – E não precisa chorar por isso.Eu hein – Diz ele saindo. E me deixando lá pensativa. Eu estava mesmo chorando? Levei minhas mãos ao rosto e constatei que sim. Céus! O que me deu hoje? Só pode ser TPM.
—Lado A Lado –
— Obrigada Em – Agradeço Emma que assim que me vê estacionar o carro vem correndo para abrir a porta para mim. Ela sempre ficava no mesmo lugar me esperando. Emma e eu tínhamos nos tornado tão.. Não sei definir bem o que, mas a presença dela tem sido essencial. Principalmente em dias desastrosos como o de hoje.
— O que houve? – Ela me pergunta assim que nos sentamos em um dos bancos da praça.
— Como sabe que houve algo? – Pergunto espantada. Como ela poderia saber?
— Seus olhos – Ela responde dando de ombros – Eu sempre sei como você esta pelos seus olhos.
— Ual – digo pensativa. Emma é definitivamente uma garota especial.
— E então? Vamos falar sobre ou apenas ver a paisagem? – Ela me pergunta como quem não quer nada. Eu adoro isso nela. Ela sabia dosar sua curiosidade com a casualidade. Nesse momento vemos uma garotinha cai sentada no chão e o pai dela sair correndo para acudir ela, no processo ele tropeça e cai, a garotinha então, solta uma deliciosa gargalhada e sem notarmos estávamos gargalhando da cena.
Ficamos um tempo ali olhando tudo. Estar na presença de Emma me acalmava. Mesmo nesses momentos nosso, em que não dizíamos nada. Eu me sentia muito em paz.
— Eu chorei em frente ao meu chefe hoje – Digo quebrando o silêncio – Hoje foi meu dia de pagar mico. – Finalizo rindo de lado e olho para Emma que esta com uma expressão indecifrável – O que foi?
— Por que você chorou? Te fizeram algo? Você esta bem?
— Ei calma ai – Digo pegando em uma de suas mãos, que estava tão quentinhas – Está tudo bem. Eu que me descontrolei. Acho que estou de TPM.
— Ahhh sim – Ela faz uma cara de alívio e fico encarando ela. Emma é simplesmente adorável.
— Pois é. Tudo isso porque vai ter mais uma promoção lá e eu quero tanto ganhar isso Emma – digo ela com uma voz cansada e suplica – Além de que se eu ganhasse com essa reportagem seria perfeito. É o tipo de matéria, que me motivou a ser jornalista.
— Não me diga que são sobre flores – ela brinca lembrando de minha última disputa por promoção, onde minha matéria perdeu para uma surpéflua matéria sobre flores. E acabo rindo com ela. Emma é uma boba, sempre me fazendo rir até com minhas desgraças.
— Infelizmente não terei essa sorte – Digo com ironia – Terei que falar sobre um grupo de ruas que tem um código, uma espécie de lei essas coisas e através disso cometem muito crimes. – Explico e vejo que Emma esta branca e paralisada nesse momento. – Emma você está bem? – A chamo mas ela não tem reação alguma. – Emma? Fala comigo, estou ficando preocupada.
— O que? Não... quer dizer sim, eu estou bem.
— Porque ficou assim do nada? Esta acontecendo alguma coisa com você? Me fala, porque eu tenho essa mania de falar só sobre mim e não perguntar e...
— Não se preocupe Rê. Apenas senti uma fisgada na cabeça e estava esperando passar.
— Tem certeza? Quer um remédio ou ir ao médico?
— Não! – Ela diz quase que gritando e a encaro – Eu estou bem, sério. Já passou.
Depois disso ficamos em silêncio novamente e passa algo por minha cabeça e a encaro. E ela me olha interrogativa. – Você não é uma daquelas pessoas que tem medo de agulha não é? – Ela fica muda e pensativa e sorrio – Não se preocupe querida. Quando a enfermeira te picar com a agulha eu prometo segurar suas mãos. – Digo pegando na mão dela e alisando e com isso nos encaramos profundamente e nem sei dizer quanto tempo ficamos assim. Senti Emma apertar mais minha mão, como se não quisesse soltar a olhei e ela estava com os olhos fechado apenas aproveitando meu carinho, aproveitei aquele silêncio e encostei minha cabeça em seu ombro e nos perdermos mais uma vez, em mais um de nossos momentos de paz.
— Ei, vamos com calmo ai – Emma diz ao me ver devorando os lanches naturais que eu havia trazido para nós ‘almoçarmos’ – Tem mais aqui – Ela diz sorrindo.
— Engraçadinha – digo mostrando a língua e ela solta uma gargalhada. – Não é porque eu os fiz, mas está realmente maravilhoso isso aqui.
— Tenho que concordar. Nunca comi nada parecido – Ela fala meio tímida e sorrio para ela.
— Puxa saco! – Digo a empurrando de lado e dando mais uma mordida em meu sanduiche – Eu simplesmente adoro sanduiche de atum e... – Na hora que digo isso , não sei explicar o que sinto, mas me veio uma sensação ruim e saio correndo dali e, simplesmente coloco tudo o que comi hoje para fora.
— Regina? Você está bem? – Emma me pergunta preocupada enquanto segurava meus cabelos e afagava minhas costas. Pensei em responder, mas logo aquele enjoo voltou e acabei botando tudo pra fora mais uma vez. Assim que terminei de por a alma pra fora Emma me conduziu de volta ao banquinho e me sentou. Me ofereceu uma água e sussurrou – Sente-se melhor linda?
— Definitivamente hoje é o dia do mico – digo a ela que solta a respiração alto.
— Acho melhor você ir ao hospital – ela me diz ainda com sua voz suave e nesse instante me levanto com tudo.
— Não há necessidade eu já estou... – Não termino minha frase e sinto um mal estar terrível e tudo apaga.
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