Lado a Lado
10 Capítulo 10
Notas iniciais
— Emma –
Vi Regina se afastar e ir em direção ao bando, juntamente com seus colegas de trabalho. E eu não sabia o que deveria fazer se eu simplesmente virava as costas e ia embora sem que eles notem minha ausência ou se ia até lá prevenir Regina de que o líder jamais estaria ali por descuido. Ele sempre sabia o que acontecia em “seu território” e de forma alguma aquilo era uma mera coincidência ou mesmo um acordo amigável. Se os anos em que convivi com o bando me ensinaram algo é que eles já devem ter avisado da reportagem e principalmente que seria uma mulher que cobriria e Regina é de longe a mulher mais bonita que já vi na vida então não, aquilo não era nenhuma sorte do acaso, longe disso esse encontro foi muito bem bolado.
Observei Regina chegar com aquele belo sorriso dela perto deles e eles conversarem com ela. Vi Regina ligar o gravador, obviamente eles devem ter dito que não queriam serem identificados. Cada segundo que passava meu coração se acelerava mais e mais. Decidir dá mais uns passos, eu precisa saber o que eles estavam falando para Regina. Fiquei confusa se iria por trás de Regina e deixaria eles me verem, ou se iria por trás deles e deixaria Regina me ver. Sem me decidir direito comecei a andar. Cada passo que eu dava parecia que meu coração deslocava de minha cavidade torácica em sentindo a minha garganta.
Assim que me aproximei o suficiente, a ponto de ouvir com clareza a conversa eu parei e os observei atenta a qualquer palavra dita, ou mesmo a qualquer movimento.
— Eu não entendi bem a sua proposta – Regina dizia agora olhando diretamente para o líder – Você se nega a deixar e filmar você, mas está disposta a me mostrar o esconderijo de vocês?
— Isso mesmo docinho – Ele disse forma debochada. Assim que ouvi sua voz me veio um frio na espinha, tantas coisas passavam por minha cabeça nesse momento. Tive que fazer uma força sobre humana para não chorar – Claro que você terá que ir sozinha – Ele disse dando um passo próximo a Regina e a vi recuar – Mas, não se preocupe que eu não sou injusto... – Ele fala de forma debochada e vira para os de mais – Não é mesmo pessoal? – Pergunta aos outros que estão sorrindo juntamente com ele – Eu não levarei nenhum de meus irmãos comigo. Será apenas eu e você. Então o que acha hein morena? – Dessa vez ele fala e percebo o movimento de dois do grupo indo em direção aos câmeras e os cercando e o líder indo em direção a Regina – E nem preciso dizer que se recusar ficarei muito magoado né, morena? – Ele diz fazendo um biquinho
— Olha eu agradeço muito, mas eu tenho outras reportagens para cobrir ainda hoje – Vejo Regina dizer de forma firme, mas sinto o medo em sua voz e em seu olhar.
— Entendo – Ele diz e recua dois passos atrás – Bom depois não reclama dessa oportunidade que foi lhe dado morena. – Ele diz ainda fazendo aquele maldito biquinho dele – Mas, eu acho que a culpa é minha... – Faz uma enorme pausa – Eu acho que não lhe dei um devido incentivo a me acompanhar não é? – Vi que Regina ia tentar falar e ele fez um sinal com a mão para ela se calar e o que acontece daí para frente foi tudo muito rápido. Ele colocou a mão para dentro de sua calça e saca uma arma, Regina arregala os olhos e levanta as mãos de imediatos. Os dois irmãos do grupo que havia cercado os câmeras, tiram uma faca e colocam em seus pescoço. E eu? Decido não pensar em mais nada e dou mais alguns passos à frente. E fico na vista de Regina e nas costa de Neal.
— Neal – O chamo e ele se vira de imediato para mim. Quando me vê ele tem duas reações, a primeira é me encarar como se eu fosse algum fantasma, depois abre um largo sorriso – Neal, por favor deixo-os livre!?
— Emma Swan – Ele fala pausadamente e sorrindo como um louco – Então você sobreviveu. – Dessa vez ele olha para o resto do bando – Viu? É por isso que eu sempre digo que quando começamos um “serviço” devemos ir até o final. Porque 10 anos depois ele pode aparecer em sua frente. Bom... – Ele fala e coça sua barba, agora, já grisalha – Pelo menos esses 10 anos te favoreceram né loirinha? – Ele ia falando fazendo poses para se aparecer para seu grupo, Neal adora esses tipos de teatro, de ser o centro das atenções, não é atoa que esta há mais tempo na liderança. Aproveito disse e vou aos poucos me aproximando de Regina. E ele continua se vangloriando para os irmãos que ovaciona tudo que ele fala.
– Não me pergunte nada agora. Eu preciso que quando eu mandar você correr. Você faça isso o mais longe possível, okay? – Digo assim que chego perto de Regina sem dar tempo de ela questionar nada.
— Emma você conhecem eles? O que ele quis dizer com você estar viva? – Ela perguntava tudo embolado para mim.
— Rê, eu te explico tudo. Mas agora vamos nos concentrar em te tirar daqui, okay? – Digo e logo escuto Neal batendo palmas.
— Bravo! Bravo! – Ele dizia feito um louco – Você é realmente genial loirinha – Regina e eu apenas ficamos o encarando esperando ele parar de gargalhar e dizer algo que fizesse sentido – Você simula sua morte nos hospital e aparece 10 anos depois e ainda nos entregando a uma repórter? – Pergunta e gargalhar novamente.
— Emma não tem nada a ver com isso – Regina tenta me defender
— E ainda a repórter é sua namoradinha? – Mais gargalhadas – Vou adorar mostrar meu esconderijo as duas ao mesmo tempo – Diz ele piscando para nós duas.
— Se você encostar um dedo na gente você vai se arrepender – Regina é tomada pela raiva e ameaça Neal. O que eu já sei que foi um erro e a puxei pegando em sua e colocando ela trás de mim.
— Acho que sua namoradinha não te contou o suficiente sobre mim não é mesmo? Vou te fazer esse favor. Essa loirinha estúpida que foi vendida por um punhado de drogas pelo próprio tio dela morava com a gente da irmandade e ela seria uma de nós se não tivesse sido estúpida o suficiente para me enfrentar e pedir para sair do bando – Ele ia dizendo entre dentes e eu já não conseguia mais segurar minha lágrimas, Regina me encarava, mas eu não tinha coragem de olhar para ela, eu sentia muita raiva e vergoinha do que estava acontecendo naquele momento – Bom então eu deixei ela sair, não sem antes lhe dar um presentinho que lhe deixou no hospital, mas parece que essa loirinha sabe persuadir as pessoas, pois no hospital nos informaram que ela havia morrido – Ele termina de falar essas últimas palavras agora com raiva – Só que eu não cometerei o mesmo erro duas vezes. – Ele fala e aponta a arma para nós.
— Anda peguem-nas – ele ordena e logo eles nos pegam pelos braços. E saem nos arrastando pela praça, como estávamos em uma parte escondida ninguém via, e se viam já imaginavam do que se tratava por verem Neal fingiam que não viam.
— Lado A Lado –
Quando chegamos em uma parte longe o bastante da circulação das pessoas, Neal ordenou que eles ficassem ali de vigia. Andamos mais algum tempo e chegamos a uma espécie de cabana. Neal ordenou que os outros voltassem com o bando que ele cuidaria de mim e Regina e ficamos os três naquela cabana.
Neal nos colocou para dentro e nos sentou lado a lado no chão enquanto ficava andando e sorrindo, como se tivesse ganhado na loteria. Regina cada vez mais apertava minha mãos. E eu ainda não conseguia encara-la nos olhos, mas aperta de volta suas mãos.
— Emma – Ela me chamava e eu não conseguia responder, eu ficava estudando o local inteiro e em alguma possibilidade de sairmos de lá – Emma fala comigo, por favor! – Ele pediu chorando depois de um tempo.
— Bom loirinha, acho que esta na hora de ganhar minha prenda, que você ficou me devendo há 10 anos atrás – Ele fala isso e Regina se agarra em me meus braços firmemente, ele nota o ato e sorri – Não se preocupe, eu não deixarei você de fora. Poderá participar também morena. – E pisca para Regina ficando de costa.
Assim que ele se afasta o bastante, vejo-o tirando sua camiseta, depois enchendo um copo com água e não tenho dúvidas. E faço um sinal para Regina ficar quieta. Ela tenta segurar meu braço bem forte, ainda não sem encara-la sussurro:
– Isso é por ele – Coloco a mão em sua barriga e vejo descer uma lágrima de seus olhos limpo e finalizo – E por você – Ela concorda me soltando em seguida. Como eu já tinha observado o lugar, fui direto a um pedaço de madeira que tinha escorado na parede e sem para pra pensar em nada, a não ser em tirar Regina dali, com toda a minha força eu dei na cabeça de Neal que cai na hora, gritando levando as mãos à cabeça e me xingando. Voltei correndo peguei Regina pelo braço de sai correndo de lá sem pensar em nada.
— Corre! – Ordenei ela, queria que ela corresse na minha frente caso algo desse errado. Senti um enorme alívio assim que vi uns policiais vindo em nossa direção. Eles logo ampararam Regina.
Eu estava a quatro passo dela, quando pensei em dar mais um passo senti um impacto em minhas costa e um barulho seco e não tive mais forças para correr e cai. Enquanto caia ouvi mais barulhos como o primeiro, e assim que senti o chão olhei para o lado e vi Neal caindo e o sangue escorrendo. Fechei meus olhos por alguns segundo e senti um corpo sobre o meu, me agarrando só poderia ser ela, seu cheiro é inconfundível.
— Você esta bem? –Perguntei e sentia minha voz saindo falhada – O bebê está bem?
— Estamos todos bem e você também vai ficar bem! – Ela dizia com a voz embolada de choro e desespero.
— Cuida dele.... – Finalmente a encaro, sentindo uma enorme paz ao saber que eles estavam bem – Me perdoa... – Sussurro isso e tudo escurece. Ao longe escuto Regina gritando por mim e por ajuda. E então finalmente tudo some.
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