Lado a Lado
9 Seu abraço é meu conforto
Notas iniciais
Para Regina beijar Emma era como bálsamo que acalentava sua alma, mas também era dor. A morena tinha medo de se entregar à tudo que estava sentindo pela loira e sofrer, ela não queria arriscar. Para Regina o que ela estava vivendo com sua doença já era doloroso demais e pensar que Emma nunca seria dela piorava tudo.
— Eu sei que você quer me odiar todos os dias, eu sei que me acha incapaz de cuidar dos seus filhos Mills. Só que eu sou capaz de tudo por você, eu mudaria minha vida inteira por você Regina, eu sou capaz de amar mesmo com medo de perder como estou agora, mas você precisa me deixar ficar. – Emma disse abraçada a morena.
— Emma, o Ben ela está na varanda ainda. Não complique mais as coisas por favor. – Regina respondeu querendo adiar aquela conversa. Mesmo relutante Emma a soltou.
— Eu não consigo mais te soltar, não sabendo o que você tem agora. Eu quero cuidar de você.
— Não quero sua pena Swan. – Regina rebateu atordoada pelas palavras da loira. Emma avançou sobre ela desesperada para provar que o que ela sentia não era pena.
— Que inferno mulher, isso não é pena. É amor Regina, estou completamente apaixonada por você, é tão difícil de entender isso? Eu neguei isso para mim mesma durante todos esses meses que vivemos brigando, mas essa é a verdade: Eu te amo, Regina Mills.
Não houve protestos dessa vez Regina aceitou aquele abraço, se deixou as lágrimas, caírem livremente.
— Eu queria que tudo fosse diferente. Você merece mais Emma, merece alguém que não tenha um fardo tão grande para carregar, alguém que lhe dê a certeza de um futuro e Killian pode te dar isso. – Regina murmurava ainda agarrada a fotografa. Emma levou a mão ao rosto de Mills e fez com que ela lhe olhasse face a face.
— Não queira dar uma de mãe comigo Regina e decidir minha vida por mim. Eu não posso ser feliz com uma pessoa que não amo, não é justo nem comigo nem com Killian. Eu vou estar com você dia a dia, vamos lutar juntas e passar por tudo. Só não desiste antes de dar uma chance para o que estamos sentindo. Porque eu sei que aqui dentro – a loira colocou a mão sobre o peito de Regina e o coração dela acelerou — você sente algo Mills, seus beijos me disseram isso.
— Não, você tem parar de me dizer todas essas coisas Emma. – Regina implorou.
— Então me diz olhando nos meus olhos que não sente nada Regina. Diga que não me ama e vou embora. Eu caso com Killian e seguimos a vida, anda diz. – Emma dizia alterada e apertando Regina em seus braços. Regina abaixou a cabeça e mais lagrimas vieram.
— Eu não posso dizer isso Swan. Eu não posso.
— Por que não pode? Diz, anda eu quero ouvir.
— Porque eu amo você Emma. Amo com tudo que sou, amo como nunca imaginei que pudesse amar alguém em toda minha vida.
— Então me deixa ficar, me dê uma chance. – Dessa vez a loira implorou.
As palavras se perderam e Emma a puxou para abraço firme e apertado como se quisesse proteger Regina de todas as coisas ruins do mundo. E era isso que a fotografa queria, proteger aquela mulher frágil que estava diante dela, mas também queria ama-la todos os dias e acreditar que ela faria o mesmo por ela.
— Mamãe, está tudo bem? – Ben interrompeu o momento. Com calma Regina saiu do abraço de Emma e tentou se recompor.
— Está tudo bem sim meu anjo.
— Ben, sua mãe só teve uma tonteira e eu a segurei até que estivesse melhor e pudesse entrar. – Emma completou não querendo gerar mais perguntas desnecessárias do garoto.
— Emma então eu acho que devíamos levar minha mãe para dentro e coloca-la na cama.
— Boa ideia Ben. Deixa que faço isso, está bem?
Regina olhou para a loira com cara feia, mas não podia começar uma discussão ali e no fim queria mesmo descansar, o dia tinha sido exaustivo demais. Ben correu para abrir a porta e ajudou Emma a levar Regina para o quarto. Regina deu algumas instruções ao menino e ele ficou mais tranquilo sabendo que mãe não estaria sozinha.
— Mamãe não seja levada e obedeça a Emma. – Ben recomendava a mãe antes de sair do quarto arrancando um sorriso de Regina.
— Tudo bem meu amor, mamãe ira obedecer à senhorita Swan.
O menino deu um sorriso e saiu deixando ambas sozinhas. Emma tirou os sapatos de Regina e depois a cobriu com uma colcha grande com todo carinho possível. Por mais que quisesse ficar queria dar espaço a morena, no fundo Emma sabia que Regina precisava pensar e até mesmo a própria Emma ainda precisava digerir sobre a doença de Regina. Mas o pior era pensar em terminar com Killian, sem ter que magoa-lo. Depois de certificar que Regina estava confortável, a fotografa começou a se afastar da cama para deixar o quarto, mas uma mão segurando seu braço lhe impedindo de dar mais passo.
— Emma, espera. – Regina pede bem baixinho.
— Você quer alguma coisa, esta se sentindo bem? – A fotografa perguntou preocupada. — Fica... – A morena disse com voz falha. — Não vai Swan, fica comigo pelo menos até eu dormir.
Emma abriu um sorriso enorme e começou a tirar seus sapatos e deitou na cama ao lado de Regina, a trazendo para seus braços. Regina apoiou a cabeça no peito da fotografa e por ali ficou.
— Eu fico sim sua teimosa. Pode dormir tranquila que vou cuidar de você. Não só hoje, mas para sempre. – Emma declarou beijando Regina na testa.
A mais velha deixou se levar pelo calor do corpo da mais nova e acabou adormecendo. Emma sentia a paz invadir seu coração com Regina ali junto dela e mais uma vez seus sentimentos por Regina se demonstravam fortes e concretos. Emma não tinha a menor dúvida que a amasse, mas a melhor parte era que Regina a correspondia da mesma forma e na mesma intensidade. Algo assim valia todos os riscos, todas as perdas e todos os medos, porque o amor cura tudo.
Em meio aquela redoma de sentimentos e sensações ambas as mulheres não perceberam que alguém as tinha observado da janela no andar de cima da casa. Alguém tinha visto as discutindo, mas também aos beijos e afagos, alguém que sorria ao presenciar a cena. Uma garota teimosa e turrona, mas o que elas nunca imaginariam é que essa garota fosse Anna. E quem visse o sorriso nos lábios da menina diante daquela situação não diria ser de raiva ou espanto, mas sim de pura felicidade. Anna não sabia o porquê, mas ideia de ver sua mãe e Emma juntas lhe agradara muito mais do que seu pai e Emma.
— Parece que papai perdeu essa. – Anna disse da porta enquanto observava Emma e Regina deitadas sobre a cama em sono tranquilo.
Da soleira da porta, ela sabia que muitas mudanças viriam, mas estava tranquila com isso. Sua família iria mudar, mas ainda permaneceria junta e isso era o que importava na lógica da garota.
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