Lado a Lado
10 Promessas são para sempre
Notas iniciais
[Regina]
Os dias que vieram depois foram de altos e baixos, ainda não me sentia completamente segura para contar as crianças sobre minha doença e os meus planos de contar a Killian acabaram sendo adiados, pois ele tinha viajado a negócios e só voltaria dentro de uma semana, porém eu tinha Emma. Ela passou a estar lá em todos os momentos cuidando de mim, me dando amor, carinho e apoio.
— Pare ser tão teimosa, eu posso te levar até o hospital e te buscar depois, mesmo você não me deixando ficar com você na hora que toma a medicação. – Emma dizia querendo tentar me convencer do contrário.
— Emma já conversamos sobre isso. Eu fico com humor péssimo, não quero descontar em você.
— Eu sei, mas eu não acho justo! Eu quero esta lá. Eu disse que estaria, não disse? Fosse como fosse, eu não importo se você vai me xingar ou bater Regina, apenas não quero que esteja sozinha.
Era estranho ouvir as palavras de uma mulher que há pouco tempo me dizia que coisas que me irritavam e agora ela estava aqui cuidando de mim, me dando forças para não desistir. Era bom ter Emma, mas também era ruim. E o medo de perdê-la ou de fazê-la sofrer me deixava completamente aflita.
— Tudo bem, mas vai apenas me buscar Emma, não aceito mais discussões.
— Tudo bem rainha do gelo você manda. – Emma falava me tirando risadas.
E era bom sorrir, era bom ter ela ali por perto sempre. E eu preciso dela cada dia mais.
[Emma]
Cada dia ao lado de Regina era uma nova batalha. Sua teimosia e seu jeito mandão me deixavam na corda bamba, sei que era difícil para ela admitir que precisasse de ajuda. Regina era tipo de mulher que resolvia tudo sozinha com as mãos presas nas costas com maior facilidade do mundo e invadir o espaço dela era última coisa que queria naquele momento.
— Então como se sente hoje? – Perguntei assim que ela entrou no carro.
— Péssima Swan. Meu estomago dá voltas e estou completamente enjoada. – Regina me respondeu com carinha de cansada.
— Vou te levar para casa e te fazer um chá. Seu estomago ficara melhor e você pode descansar enquanto eu fico com crianças.
— Swan, você sabe que isso vai gerar perguntas. Para eles nós ainda nos odiamos e você estar na minha casa vai ser estranho. Não me leve a mal, mas as coisas ainda são complicadas.
Aquela resposta me pegou de surpresa, mas fazia sentido. Fazia uma semana que estávamos nos encontrando e conversando sobre tudo e embora Regina fugisse sempre do assunto, eu queria que ela soubesse que eu estaria lá independente de qualquer coisa.
— Eu sei que é complicado. Eu te disse que ia conversar com Kill e vou Regina, sabe que não estou te enrolando. Morena coloca na sua cabeça uma coisa: eu vim para ficar e não por aventura Regina. Você não é uma experiência e não estou explorando algo antes de casar. Eu te amo Mills. – Eu respondi querendo ser clara.
Regina desfez aquela cara e me deu um sorriso tão lindo que quis acredita que seria tudo fácil, mesmo tendo plena consciência que nada seria fácil para nós duas.
— Eu quero acreditar nisso Emma. Mas...
— Não existe mas aqui Regina, muito menos e se. Existe o real e o concreto. E o que sinto por você é real, é forte e vou lutar com tudo que tenho para ter você. Porque mesmo que tenha medo, mesmo que nega você me ama do seu jeito, mas ama. – Dei um longo suspiro tentando me acalmar.
— Você não vai desistir mesmo não é Emma Swan? – Regina disse me dando outro sorriso cansado.
— Nunca, Mills.
Soltei o cinto de segurança e me aproximei dela lhe trazendo do jeito que podia para meus braços para um abraço forte. Até que ouvia ela sussurrava algo bem baixo no meu ouvido. Era como se contasse um segredo que só eu pudesse ouvir.
— Eu te amo, Emma. – Meu coração se encheu de alegria, de medo e talvez de incerteza. Mas ela me amava e todo o resto ficava pequeno diante dos sentimentos que tínhamos uma para outra.
(...)
Anna e Ben estavam com babá enquanto aguardavam a mãe voltar para casa. Eles não sabiam ao certo onde Regina tinha ido, apenas que era algo importante.
— Ben você sabe o que significar namorar, não sabe? – Anna perguntou sondando o irmão. O garotinho olhou meio confuso, colocou o dedo sobre o queixo como se pensasse em uma resposta.
— É claro que sei Anna, é quando os adultos se gostam tanto que querem passar todo o tempo juntos. Eles passeiam juntos, fazem piqueniques no parque, andam de mãos dadas. Igual a papai e a mamãe faziam. – Ben respondeu dando um sorriso sapeca.
— É igual o papai e a mamãe. – Anna confirmou.
— Ah, mas tem a parte nojenta também.
— Que parte nojenta, moleque?
— Eles se beijam na boca e trocam cuspe. Eca! Eu nunca vou beijar uma menina na boca. – Ben disse fazendo cara de nojo. Anna começou a rir.
— Daqui alguns anos você vai mudar de ideia Ben. E onde aprendeu isso seu safado.
— Nunca. – Ben confirmou tendo certeza de sua decisão. — Eu sei espiar ué.
— Ben! – Anna exclamou chamando atenção do irmão. — Mas você sabe que existem diferentes de namoro, né? – A garota continuou a conversa.
Ben não entendia o motivo de tantas perguntas, mas gostou da ideia de conversar com irmã mais velha já que faziam isso muito pouco.
— Bom, eu acho que sim. Tipo às vezes os adultos namoram, mas não tem certeza se será para sempre. Porque quando é para sempre eles se casam.
— E tem isso também maninho, mas é outro tipo de diferença que quero dizer.
— Espera, já sei... igual a minha professora de ginástica, ela loira e namora um homem negro. São pessoas diferentes e que namoram. É isso que você quer dizer Anna? – O menino perguntou.
Anna a principio se sentiu insegura em continuar com assunto, porém ela queria saber como as coisas seriam para o irmão caso o que suspeitava se tornasse de fato real.
— É um bom exemplo de diferentes tipos de namoro Ben, mas existem outros tipos de namoro.
— Anna você está parecendo a mamãe quando quer dar uma noticia ruim. Ela enrola e enrola e nunca fala a verdade. – O menino olhou para irmã a acusando e riu.
— Tá bom você me pegou. Eu estou tentando lhe explicar que existem muitas formas de amor Ben. Então existem namoros de vários tipos. Não só diferente na cor da pele e namoro entre homem e mulher. – Ben analisou o rosto da irmã e procurou por respostas, mas ele se lembrou de algo que tinha visto na tv.
— Espera já sei o que você esta querendo me dizer. É tipo em Friends, a mãe do Ben namorava o Ross que é pai dele. Só que eles não se amavam mais e ela começou a namorar uma menina porque elas se apaixonaram. E o Ben passou a ter duas mães e um pai. E eu achei legal isso, era essa diferença que queria me explicar? – Ben questionou a irmã.
— É uma delas.
— Anna eu sou pequeno e não bobo, sei que também tem meninos gostam de meninos e meninas que gostam de meninas.
— E você acha isso errado? – Anna fez a pergunta que mais temia. E a resposta que recebeu a deixou surpresa.
— Mamãe diz que amar não é errado, então por que vou achar errado? Se as pessoas se amarem, elas tem ficar juntas.
Anna ficou sem reação, seu irmão tinha sete anos e uma percepção pura do mundo. Embora a garota não fosse experiente e nem nada do tipo, ela conhecia algumas coisas e sabia de todas as maldades do mundo. Saber que seu irmão pensava assim como ela a enchia de orgulho. Ela foi até ele e abraçou Ben apertado, o garotinho não reclamou e abraçou a irmã na mesma intensidade.
— Anna, por que está me perguntando todas essas coisas? – Ben disse quebrando o silencio. E Anna viu a oportunidade que tanto desejara.
— Não é nada demais, apenas queria conversar mais com você. Mas me diz uma coisa... e se a mamãe começasse a namorar você seria contra?
— Se ela gostar da pessoa e a pessoa a fizer feliz não. – O garoto respondeu de forma rápida.
— Mas e se a mamãe namorar uma garota?
— Vou ser igual ao Ben de Friends, vou ter duas mães e vai ser demais. – Outra resposta inesperada e um sorriso sapeca do garotinho. Por mais delicado que assunto fosse Anna resolveu arriscar e continuar com as perguntas.
— E o que você acharia se essa garota fosse a Emma?
— Não tem como né Anna. A Emma namora o papai, esqueceu isso? – Ben se lamentou.
E Anna resolveu dar por encerrado o assunto ela já sabia tudo o que queria e na pior das hipóteses seu irmão apenas teria mudar a forma de ver Emma, não como namorada de seu pai, mas como a namorada de sua mãe. Anna largou o irmão e Ben se deitou na cama enquanto a irmã deixava o quarto, mas foi impedida pela pequena voz infantil do menino.
— Anna. Eu ia achar demais.
— Ia achar demais o que Ben?
— Se mamãe e Emma fossem namoradas. – O menino respondeu sorrindo. E Anna sorriu de volta e saiu do quarto mais não antes de sussurra baixinho.
— Eu também Ben. Eu também.
(...)
Regina chegou em casa no final da tarde, estava exausta e mesmo com toda sua teimosia, Emma fez questão de leva-la até em sua casa.
— Swan, eu já disse que posso andar. – Regina reclamava.
— Sem protestos rainha do gelo, eu vou te carregar até seu quarto. – Emma rebateu e assim que desceu do carro levantou Regina em seus braços e a carregou no colo.
— Emma alguém pode ver e odeio que me chame assim.
— Eu estou pouco me lixando se alguém vai ver, sua saúde é mais importante do que as fofocas dos seus vizinhos. E eu sei que você odeia, mas te ver com carinha de zangada é fofo. – Não houve protestos, Regina estava tão cansada que apenas deitou a cabeça no ombro da fotografa e fechou os olhos.
— Não é fofo Swan. – Regina reclamou. Em troca Emma lhe beijou e testa e foi em direção a casa com amor de sua vida em seus braços.
— É fofo sim. Agora descanse meu amor.
Mais uma vez elas eram observadas por Anna, só que dessa vez havia um pequeno que espiava também. Ben olhou a cena ainda meio confuso, mas sorriu porque gostava que Emma cuidasse de sua mãe. Emma era da família e família cuida. Ao menos isso era o que fazia sentindo em sua lógica infantil.
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