Lado a Lado

7 Porque você não é minha.


Notas iniciais
Tudo que tenho a dizer esta intenso, preparem o lenço. Boa leitura!

Regina e o filho caminhavam pela rua principal do bairro onde moravam, era dia das bruxas e isso significava rodar toda vizinhança batendo de porta em porta com famosa frase: “Doces ou Travessuras!?”. Regina segurava uma pequena vassoura e na cabeça um chapéu de bruxa, era uma fantasia simples apenas para entrar no clima com as crianças. Anna tinha escolhido uma fantasia de Elvis e Ben uma de coelho que tinha um enorme chapéu em volta da cintura e segundo ele era o coelho do mágico.

— Mãe, estive pensando no que me disse sobre Emma. Para ver o lado bom dela. – Anna falava com mãe enquanto caminhavam.

— Então... a que conclusão chegou? – Regina questionou a filha.

— Eu acho que você tem razão. Ela sabe muito sobre roupas e tudo. Conhece todas as músicas de rock and roll... Sabe, parece até uma garota da minha idade.

— Como uma irmã mais velha. – A morena completou para a filha.

— É mais ou menos isso. E ela conhece todas as lanchonetes legais da cidade.

— Aposto que sim.

— Conhecendo ela assim, até que ela parece legal. – Anna parou de andar por momento e olhou para mãe. — Mas não conte a ela que te contei. Eu...

— Filha, tudo bem. Será o nosso segredo. – Anna sorriu e agradeceu a mãe.

— Obrigado mamãe. – Era hora de voltar a pegar os doces; Regina estava mais tranquila. Se Anna estava em paz com Emma significava paz para todos.

— Bem, espera! – Anna gritou e saiu correndo atrás do irmão, sendo seguida por Regina logo depois.

(...)

Emma tinha ido buscar as crianças na escola e era hora de leva-los para casa, ou seja, hora de ver Regina novamente. A loira andava evitando vê-la desde o beijo em seu estúdio e de ter aceitado o pedido de casamento de Killian, mas era inevitável, mais cedo ou mais tarde teria que encarar Regina de frente. E o momento chegara novamente. A fotógrafa dirigia distraída pensando na forma que agiria, enquanto Anna a observava do banco do carona. Emma passava o batom pelos lábios.

No rádio começava a tocar “Ain’t No Moutain High Enough” e Anna observava meio curiosa o fato de Emma estar retocando o batom àquela hora da manhã. Ben lia seu gibi no banco de trás entretido até ver a madrasta passar o batom para Anna. A garota sorriu, pegou o batom, abriu e olhou para frente abaixando o espelho do retrovisor do banco do carona para poder passar o batom sobre aos lábios, enquanto fazia o gesto começou a cantarolar a canção que tocava no radio.

“Ain't no mountain high. Ain't no valley low. Ain't no river wide enough baby”

Ben deixou de olhar seu gibi e olhou para frente, estranhou de ver a irmã sorrindo e fazendo algo junto com Emma sem brigas. Emma começou a contar junto a Anna como se fizessem aquilo todas as manhãs.

If you need me call me.

No matter where you are.

No matter how far (don't worry baby) just call my name.

I'll be there in a hurry. you don't have to worry”

Não havia problemas, só sorrisos e Ben se deixou levar pela música. No fim estavam todos cantando o refrão juntos.

Ain't no mountain high enough.

Ain't no valley low enough.

Ain't no river wide enough.

To keep me from getting to you baby”

Eles seguiram a viagem assim até a casa de Regina. Ben saiu correndo assim que o carro parou, Emma e Anna não conseguiram segurar o menino. Abriram a porta ao som de gargalhadas que logo chamaram a atenção de Regina.

— Ben, calma, já é forte o suficiente para toda essa farra. – Emma disse e o menino não deu a menor atenção correu em direção a mãe para um daqueles abraços saudosos que ele adorava dar em Regina.

— Oi filho! – Regina falava recebendo o Ben que pulava em seus braços abraçou forte e lhe deu um beijo sobre a bochecha.

— Teve um bom dia?

— Tive sim mamãe.

— Então você é um garoto sortudo, adivinha por quê? Vai assistir a um DVD essa noite. Eu vou sair e a babá ficara aqui.

— Oba, legal! – Ben pegou o DVD com suas mãozinhas ligeiras e saiu correndo pela casa comemorando o fato de que iria assistir O Rei Leão a noite e comer muitas porcarias. Anna veio logo depois perto da mãe e Regina lhe olhou intrigada.

— E você Anna, está usando maquiagem?

— Não... É.. É que a Emma me deu... – A garota respondeu gaguejando com medo de tomar uma bronca da mãe.

Regina olhou para loira com olhar severo como se esperasse uma explicação e Emma se sentiu intimidada pela mulher a sua frente.

— Ela só colocou um pouquinho no carro de brincadeira. – A fotografa se defendia

— Bom, não se vê muito essa cor a tarde, a não ser em moças de ruas... – Regina argumentou com seu jeito debochado e irônico. Emma olhou para lado como se dissesse “Essa mulher é o cão, meu Deus!”

— Anna vai lavar o rosto porque eu e você vamos sair em dez minutos.

— Tenho aula noturna? – Anna perguntou curiosa.

Regina tirou do bolso dois ingressos e entregou nas mãos da filha. Quando Anna viu o que era faltou pouco pular de alegria.

— Meu Deus! Pearl Jam! Mãe você é demais! – Gritou e abraçou a Regina.

— É isso... Afinal só se vive uma vez.

Emma olhava a cena sem acreditar. Afinal aquela ideia tinha sido dela e agora Regina iria usar.

— Minha mãe não é mesmo demais? – Anna disse a Emma e saiu da sala indo se arrumar. Enquanto Regina era só sorriso e Emma tinha cara de poucos amigos.

— Foi uma ótima ideia Swan, obrigado.

Emma não tinha resposta, apenas se sentia mal e traída naquele instante. E a rainha do gelo tinha uma cara que demonstrava divertimento com aquela situação toda. Como sempre sem pensar a loira avançou e Regina não teve nem tempo de pensar, quando se deu conta elas trocavam um beijo detento e furioso no meio da sala de Regina. As mãos estavam em todos os lugares e não havia gentileza como das outras vezes. Emma estava com raiva muita raiva, línguas se buscavam, gemidos eram dados. Emma abandonou a boca e foi para pescoço da morena mordicando e chupando por ali.

— Não! Emma para, por favor. – Regina implorava.

— Eu não posso e não quero parar. Estou cansada da sua arrogância e do modo como me trata Regina, só assim você desce do seu salto. Nos meus braços você treme igual uma gatinha manhosa. – Emma dizia entre um chupão e outro.

— Você me irrita como ninguém Swan, mas temos que parar ou vamos nos arrepender depois. – Regina suspirou sentindo Emma invadir sua blusa com mãos macias e depois descer por sua cintura, dando fortes apertos por ali.

— Você quer mesmo parar Mills?

— Eu não quero, mas temos...

— Por que? – Emma insistiu na resposta.

– Porque você vai casar com ele Swan. Você é dele e não minha. Eu ainda sinto o cheiro dele quando você me pega assim. Eu não posso lidar com isso, não posso. – Regina diz por fim com lágrimas nos olhos.

Emma a largou e ela saiu daquele abraço limpando os lábios. A fotógrafa se lembra de Killian e todo resto sua cabeça virou uma confusão total, ela apenas se virou sem olhar para Regina pegou o casaco e foi saindo.

— Divirta-se com Anna. – Emma disse batendo a porta.

Regina caiu sobre sofá de deixando-se afundar naquele choro que a tempo estava guardando. Emma Swan estava invadindo sua vida, conquistando seus filhos e aos poucos ia tomando tudo para si. E pior ainda... ela estava invadindo seu coração, conquistando a morena pouco a pouco e a incerteza de tudo estava a matando também a cada dia porque Emma não era dela, Emma Swan era de Killian Jones e mudar isso acarretaria em corações quebrados. Mas a pergunta era: será que ela conseguiria lidar com tudo isso depois? O fato era que Regina não tinha a menor ideia.

(...)

Regina tinha voltando ao hospital para primeira consulta após seu diagnóstico, ela saberia agora como seria seu tratamento e quais eram as recomendações de sua oncologista.

— Quimioterapia, há uma dose diária guardada aqui. É um kit portátil. – Meredith explicava à Regina, lhe entregando a caixinha que continha sua medicação. — Segure Regina. – A morena pegou a caixa vendo o peso.

— É, parece bem leve.

— Sim é leve e útil. Você pode levar a qualquer lugar, jogar tênis, caminhar. Pode levar até escondido debaixo da roupa. Regina abaixou a cabeça demonstrando certa dúvida ainda.

— E os efeitos colaterais?

— Em uns dias sentira tontura, náuseas. E em outros dias se sentira perfeitamente bem.

— E os meus cabelos vão cair. – Regina continuava perguntando à médica. Ela queria sanar todas as suas duvidas para se manter forte diante do que enfrentava.

— Talvez sim, talvez não. Isso vária muito de pessoa para pessoa.

— Então vamos fazer.

— Ótimo. Assim que se deve falar Regina.

— Então quando começamos?

— Eu estou livre amanhã à noite.

— Amanhã à noite não vai dar. Eu faço espaguete à bolonhesa para o jantar e o Ben adora essa comida. – A médica suspirou demonstrando frustração e Regina viu que não tinha saída. — Está bem amanhã à noite está ótimo. Combinado.

(...)

Na casa do pai, Ben olhava pela janela sentindo a falta da mãe e pensando no estava fazendo, estava ansioso, pois ela tinha prometido ligar naquele horário para ele. Sem que ele esperasse o telefone finalmente tocou e o garotinho atendeu correndo.

— Alô.

Oi querido tudo bem? – Regina dizia sorridente do outro lado da linha.

— Mamãe, eu estava esperando você ligar. — Regina sorriu ouvir a voz de seu pequeno era um alento àquele instante.

Estava sozinha no hospital tomando a medicação, achou melhor que ninguém soubesse por enquanto e não queria que filho a visse num leito de hospital. Não ainda, era cedo demais para fazer aqueles que ela amava sofrerem.

— Você não vai acreditar mamãe.

No que?

— Eu sou telepático.

Você quis dizer telepata. – Regina corrigiu o filho rindo.

— Foi o que eu disse. Eu descobri isso hoje, posso ler pensamentos.

Não me diga meu monstrinho.

— E eu tentei com o papai e a Emma e adivinha o que?

O que?

— Acertei todas às vezes o que eles estavam pensando.

Que coisa incrível!

— Quer que eu leia os seus, mamãe? – Ben disse empolgado.

Claro! – Regina exclamou.

— Pense com força em alguma coisa.

Estou pensando.

— Feche os olhos. – O garotinho pediu do outro lado da linha. E Regina atendeu ao pedido.

Está bem.

— Concentração.

Me concentrei filho.

— Você está pensando em mim. – Ben gritou sorrindo.

Nossa que incrível e o que mais?

— E queria estar aqui com seus filhos e não aí onde esta.

Isso é evidente.

— Mãe onde você está? – O garoto a questionou curioso.

Eu estou na cama com febre, estou verde e tossindo muito.

— Eu sabia só assim para me mandar vir ficar com papai, mas devia estar aqui e fazer espaguete para mim. Ai não ia ter que comer essa comida horrível do papai.

Nisso você tem razão filho.

— Viu sou palepatetico.

Telepata.

— Foi o que eu disse. Mamãe quando eu vou ver você? – O menino disse preocupado.

Amanhã depois da escola.

— Eu queria ver você hoje. – Ben suspirou.

Bom, então teremos que nos encontrar nos sonhos em algum lugar especial dos nossos sonhos, deixa eu ver para onde ainda não fomos... que tal Disneylândia?

— Ah! Da última vez as filas eram grandes.

Então que tal a praia? Seria bom.

— Isso mamãe e num dia de verão.

Com aquelas ondas gigantescas.

— Não esquece as pranchas de surf mãe, é legal.

É legal sim. É Legal, mas não se esqueça de usa o protetor solar está ouvindo?

Mas é sonho mãe... não preciso de protetor.

Ah é, esqueci...

A essa altura a morena começou a chorar imaginando se ainda faria aquelas coisas simples com o filho. Coisas como ir à praia e vê-lo brinca sobre as ondas e na areia. Era difícil pensar nisso.

— Mãe ainda está aí? – Ben chamou atenção dela.

Estou filho.

Logo Killian gritou o menino.

— Ben, hora do jantar!

— Mamãe eu vou desligar, vejo você de noite.

Está bem, eu vejo você nos meus sonhos.

— Tchau mamãe, eu amo você.

Também te amo querido.

Regina finalmente desligou e se deixou levar por lagrimas mais uma vez.

(...)

Emma andava de lado para outro tentando achar inspiração para terminar um trabalho, mas tudo que conseguia fazer era pensar em Regina Mills.

— Vai criar um buraco no chão assim, loira. – Lily chegou ao estúdio de Emma de surpresa como sempre.

— Meu Deus Lily! Você ainda vai me matar do coração chegando assim sorrateiramente toda vez.

— Você é que anda se assustando demais. Está devendo Swan? Ou estaria assim por causa da morena que tem tirado seu sono?

— Não Paige, só estou sem inspiração para terminar um trabalho.

— Eu vou fingir que acredito nisso. – Lily zombou.

— Eu a beijei de novo. – Emma soltou de repente e a amiga apenas sorriu.

Lily conhecia a fotografa a vida toda e sabia quando algo a incomodava.

— Espera. Teve mais de um beijo? Conte-me isso direito.

Emma se jogou no sofá se sentido completamente derrotada e decidiu se abrir de uma vez, afinal quem melhor que sua melhor amiga para entendê-la.

— Eu a beijei aqui no estúdio, eu não sei como começou só aconteceu, no minuto estávamos brigando e no outro quase...

— Quase o que Emma? Não espera vocês quase... Quase transaram? – Lily praticamente gritou.

— Não Lily! Não pense besteiras, foi um amasso quente e minha mão teve vontade própria, mas Regina como sempre não deixou as coisas irem além. E alguns dias atrás as coisas saíram do controle.

Paige ria da cara de Emma que estava indignada pelo ato.

— Você descobriu a parte quente da rainha do gelo foi?

— Eu juro que tento ter uma conversa séria com você, mas é impossível. Eu estou enlouquecendo e você querendo saber se toquei a vagina da mulher. – Mesmo não admitindo isso em voz em alta Emma sabia bem que Regina era mais que quente lá baixo, mas nunca diria isso a Lily Paige.

Por um momento Lily deixou as piadas de lado e resolveu agir de forma coerente com Emma.

— E o que quer que eu diga Emma? O óbvio ou que te mostre o caminho mais fácil porque acredite, não vai ser fácil.

— E o que está assim tão obvio? Eu não estou entendo nada do que você está falando Paige.

— Já ouviu dizer que a linha entre o amor e o ódio é tênue Swan? Você e a rainha do gelo vivem brigando e sempre terminam aos beijos. Tem algo a mais ai e não é só atração sexual. Existe sentimento, porque nunca vi alguém te tirar do sério assim, em nossos quase vinte anos de amizade.

Emma ponderou aquelas palavras junto com que ouvir de Regina na casa dela depois do ultimo beijo trocado. “Porque você é dele, porque você vai casar com ele.” Ela não queria aceitar o que começava a sentir. Se negava a isso.

— Eu gosto do Killian, Lily. Ele é bom homem e me ama.

— Eu não disse o contrário Swan. Jones é um cara legal, ele é seguro em todos os sentidos. Com ele você está no controle e sabe que as chances de se magoar são nulas, mas a rainha do gelo é diferente. Ela mexe com você, abala o seu mundo certinho e te desafia e isso te assusta, mas também te atrai. Você gosta do Kill, mas a rainha do gelo te faz sentir algo mais profundo, você só precisar saber se está disposta a descobrir o que é.

— Eu não quero magoar o Killian.

— O amor nem sempre é justo Emma, o amor é o precipício que nós nos jogamos sem saber onde vai dar e como vamos chegar ao fundo. Agora pense.

Lily saiu e deixou uma Emma pensativa para trás, pensando em Regina de forma diferente. E com se pergunta se poderia ela amar aquela mulher ou apenas deseja-la. Emma adormece no sofá com as palavras de Regina. “Porque você é dele e não é minha.”

Notas finais
As coisas estão começando a ficar as claras para ambas. E pelo que parece Regina já sabe que sente algo, e Emma se questionando a questão é como vão lidar com isso agora? Para deixar vocês bem curiosos toma spolier. - Não Emma para. - Regina pedia enquanto Emma continuava a beija-la. - Não eu, não vou parar. Estou cansada de voltar para casa e pensar em você ate dormir, estou cansada de sonhar com você. - Só que eu não vou poder lidar com isso amanhã, porque você ainda vai ser dele Emma. E não minha. - Regina lamentou. - Há tempos que eu não sou dele. Há tempos meus olhos te dizem isso. E mais que nunca hoje eu preciso amar você Regina Mills de todas as formas possíveis. - A loira falou de vez e voltou a beijar Regina da forma mais sensível que podia beijar alguém. Não esqueçam o famoso comentário. Postei e corri.