Lado a Lado
8 Me deixa ficar.
Notas iniciais
Era domingo e dia estava para lá de quente, mas como todo domingo era dia de Anna jogar mais uma partida de futebol pelo time da escola, consequentemente todos iam para Central Park apoiar a garota torcendo e apoiando a menina como podiam. Para Regina eram momentos preciosos, onde podia relaxar e apenas ser mãe sem problemas ou brigas para se enfrentar. Só que agora elas tinham um membro novo a mais na torcida e ela se chamava Emma Swan e isso ainda eram novidades tanto para Regina quanto para as crianças. Anna corria de lado para outro no campo tocando a bola e ajudando as amigas de time e era observada por seu pai e pelo treinador que gritava instruções da lateral do campo.
— Anda Anna toca para mim. – Uma menina dizia do meio do campo.
— Presta atenção no jogo e pare de me dar ordens. – Anna rebatia enquanto finaliza o passe.
— Ela não tem espírito agressivo não é? – Killian falava zombando do treinador que a poucos minutos dizia que Anna era mole demais e não era agressiva no ataque.
— Que isso Jones, não leve tudo a sério. – O treinador se defendeu.
— Defende. Vamos lá Anna! – Killian continuava gritando para filha.
— Isso ai. – O treinador elogiava.
— Bela defensa Anna. – Regina gritou da arquibancada e não percebeu a chegada de Emma que vinha justamente sentar ao seu lado.
— Oi Mills. – Emma a cumprimentou.
— Oi Swan. – Regina respondeu sem tirar os olhos do jogo e ao mesmo tempo olhando Ben que estava no parquinho ao lado brincando com outras crianças menores.
— Está se sentindo bem Regina? – Emma a questionou, preocupada com aparência cansada da morena.
— Estou. – Responde. — Eu estou me sentindo ótima.
— Está com uma cara de cansada.
— Ah eu odeio quando dizem isso, é um modo educado de se dizer que você está péssima.
— Eu não quis dizer isso Mills.
— Eu só estou pensando em algumas coisas Emma, relaxa.
Elas tentavam disfarçar o nervosismo de estar na presença uma da outra depois de todos os acontecimentos que tinham vivido, mas era impossível. Mais cedo ou mais tarde teriam que lidar com todas as sensações e sentimentos indefinidos que começavam a sentir. Emma andava com uma curiosidade que não estava só a corroendo por dentro, mas a estava deixando louca e possessa com sentimento que ela não queria admitir para si mesma.
— Anda tão ocupada assim é?
Regina olhou para Emma como se dissesse “eu não acredito que está pensando o que penso que está.” Emma entendeu aquele olhar e soltou a pergunta que sua mente não parava de fazer.
— Está saindo com alguém Regina?
Regina soltou uma gargalhada que só deixou a loira mais tensa esperando pela resposta. Mas contagiada por aquele sorriso Emma acabou sorrindo também.
— Ah! Não, eu adoraria estar cansada por essa razão, mas eu tenho me encontrado bastante com meu antigo chefe. Eu estou tentando decidir se volto ou não para o trabalho.
— Verdade? – Emma continuou a conversa querendo tirar mais respostas de Regina.
— É Swan.
— Nossa que ótimo! – A morena olhou para Emma e viu que ela estava sendo sarcástica.
— Emma se não te conhecesse bem diria que está de deboche e levemente com ciúmes.
— Não fala besteira Rainha do Gelo.
— Então anda me dando apelidos, sua irresponsável?
— Só alguns. – Emma respondeu dando um sorrisinho de canto.
Por um momento Regina voltou a olhar Ben apreensiva com algo que menino fazia e não deu mais atenção a conversa com Emma. O garoto tinha se pendurado na parte de fora do escorregador e segurava na grade apenas com uma mão e na outra usava uma espada que fingia estar lutando com amiguinho que estava mais à frente.
— Ben. – A morena chamou atenção e Emma olhou na direção que Regina olhava. — Cuidado, cuidado, cuidado. – Regina murmurava baixinho, rezando que menino saísse de onde estava.
— Eu vou vencer você. Eu vou ganhar! – Amigo de Ben dizia durante a brincadeira.
— Não vai não Max.
— Ben, Ben cuidado, cuidado querido. – Regina voltava a repetir. E Emma tentava não a deixar nervosa, olhando também para o menino e prestes a se levantar a qualquer momento na direção onde Ben estava.
— Você é um homem morto Capitão Hook. – Ben gritou.
— Eu vou ganhar. – Max respondeu e bateu com espada em de brinquedo em Ben.
O menino se desequilibrou com golpe e acabou caindo de cima do escorredor indo direto ao chão. Foi tudo rápido demais e só se ouvia o grito dele ao cair. Regina se levantou correndo da arquibancada em desespero sendo seguida por Emma logo atrás.
— Ben, Ben.
Quando Killian olhou na direção de Regina e a viu correndo sentiu um arrepio na espinha, algo estava errado e foi na mesma direção. Ambos chegaram quase que ao mesmo tempo perto do menino que já gritava de dor se contorcendo no chão.
— Ai, ai, mamãe.
— Querido, consegue mexer a perna? – Regina perguntava ao filho enquanto olhava o corte na perna do menino.
— Consigo.
— Não está doendo?
— Só um pouquinho mamãe.
— Você está bem? – Killian se certificava que menino não tinha machucado mais nada e afagava os cabelos do filho para lhe passar confiança.
— Estou papai. Será que eu ainda posso ir para festa do Max amanhã? – Ben perguntou preocupado caso tivesse que ficar de cama. Regina e Killian se entre olharam percebendo que não tinha sido nada greve e respiraram aliviados.
— É possível, mas temos que limpar isso e mostrar para médico e temos que ir para emergência.
Emma observava a cena desejando poder ajudar de alguma forma, ela queria estar ali para apoiar. E por um momento ela percebeu que queria estar ali para apoiar Regina e não Killian tentou afastar isso de sua cabeça enquanto pegava as coisas do menino e seguiam para hospital.
(...)
O atendimento a Ben tinha sido rápido e enquanto ele era atendido com Killian o acompanhando, Regina preenchia a papelada na recepção do hospital. Quando ela acabava tudo Killian apareceu atrás dela e colocou a mão em seu ombro.
— Ele levou cinco pontos.
— E ele está bem?
— Está. Está sim Regina.
— Não estava chorando? – A morena perguntava nervosa querendo terminar logo de preencher os papéis e ir ficar com o filho.
— Não Regina, ele foi muito valente.
— Posso ver meu filho agora, por favor. – Regina disse se dirigindo a recepcionista enquanto lhe entregava os papéis que acabara de assinar.
— Faltaram os dados do plano de saúde senhora.
— Regina deixa que eu cuido disso. – Killian interviu.
— Obrigado. – Regina o agradeceu, pegou sua bolsa em cima do balcão para sair e ver Ben.
— Ele está no quarto 152 Regina. – Killian informou e ela seguiu em disparada em direção ao quarto.
(...)
No quarto Ben estava deitado sobre a cama com um curativo na perna e óculos que simulava ser de raio-x. Ele sorria e nem parecia que tinha se machucado e levado alguns pontos, a surpresa era quem tinha ficado com ele. Emma Swan fazia companhia ao garoto e o acalmava enquanto Regina nem Killian voltavam.
— Não vejo nenhum osso quebrado. – Ben dizia a fotografa sorrindo.
— Porque não quebrou nenhum. – Emma respondeu a ele, tirando os óculos do garoto e lhe entregando uma caixinha de achocolatado. Ela colocou os óculos e fez o menino sorrir com gesto.
— Estou muito orgulhosa de você Ben. Foi muito valente hoje.
— É que não doeu muito. Além disso, vai ser legal mostrar para os meus amigos.
— Sei seu levado.
— Pode me fazer um favor Emma?
— Talvez, depende do favor.
— Pedir ao papai que me dê um pombo branco de natal.
— Eu vou ver.
— Por favor, todo mágico precisa de pombo branco. Um de verdade precisa.
— Olha... ainda falta muito para natal e eu acho melhor perguntarmos para sua mãe, está bem?
Ben se virou para colocar a caixinha vazia sobre a badeja e acabou mexendo a perna machucada o que lhe causou certa dor e fez levar as mãozinhas a perna tentando fazer a dor passar. Ele logo começou a reclamar.
— Ai, ai.
— Está doendo? – Emma pergunta já desesperada.
— Está. – o menino respondeu.
— Então deita e respirava fundo. – Emma o instruiu e Ben obedeceu, respirando devagarzinho.
— Vai cantar para mim? – Ben perguntou pegando Emma desprevenida. — Mamãe sempre canta para mim quando me machuco.
— Tá... Eu... Nossa, você me pegou desprevenida. – Emma disse com sinceridade dando um sorriso sem graça e pegando a mão do garotinho junto as suas fazendo um leve carinho.
Mesmo sem saber o que cantar a loira começou a cantarolar “If i needed you” uma música que sua mãe amava e que cantava para ela quando criança...
“If I needed you.
Would you come to me.
Would you come to me.
And ease my pain”
Ben foi logo se acalmando e se esquecendo da dor por fim deu sorriso e Emma percebeu que tudo já estava bem. O que ela não percebeu foi a chegada de Regina que assistia a cena vendo a outra mulher cuidar de seu filho tão bem. A morena sentiu uma dor enorme no peito pensando que talvez ela não pudesse mais fazer aquilo e que Emma fosse viver aquilo ao lado de Kiliian. As lágrimas vieram sem que Regina percebesse.
– Melhorou? – Emma perguntou a Ben e lhe beijou a testa.
– Aham. – garoto disse com sorriso tímido.
– Só um pouquinho. – Emma brincou e lhe beijou novamente. – Essa foi difícil para mim garoto.
Depois de ver tudo aquilo Regina não teve coragem de entrar no quarto seu filho. Ele não precisava dela ali no momento ele estava bem com Emma, ela então virou as costas e foi embora limpando as lágrimas que ainda teimavam em cair de seu rosto.
(...)
Em casa sozinha, depois de lamentar pelas coisas que perderia da vida dos filhos, a morena começava a sentir os efeitos da quimioterapia, fortes enjoos, náuseas e vomito. Ela colocava o almoço para fora no banheiro já sem forças tentando voltar a fazer as tarefas domésticas normalmente e pensando que teria que buscar o filho na festa do amiguinho em poucos minutos e precisava de forças para isso. Saiu do banheiro ainda cambaleando e começou a catar as roupas que tinha deixado no corredor, recolheu tudo colocou no cesto que estava ao lado e depois se levantou pegando o cesto. Quando deu alguns passos a frente viu novamente tudo rodar a sua frente se apoiou sobre a parede e jogou o cesto sobre a cadeira mais próxima, sentindo novamente a vontade de vomitar.
Baixou-se se sentindo exausta e sem forças, acreditando que não conseguiria dirigir para buscar Ben teria que tomar uma atitude que não lhe agradava, mas no momento não tinha outra saída, foi em direção ao telefone para ligar. Emma Swan seria sua salvação naquele momento, discou o número dela e esperou ser atendida.
— Alô. – Emma atendeu.
— Oi, é a Regina.
— Oi Mills.
— Olha, eu recebi um telefonema do trabalho e querem que eu conheça um editor esta tarde. E eu acho que não vou conseguir voltar a tempo para buscar o Ben na festa do Max... Você acha que... – Regina não conseguiu terminar, pois Emma foi rápida na resposta.
— Claro que eu vou busca-lo Regina.
— Ah, que bom. Ótimo.
— Eu vou adorar Mills.
— Ele também vai adorar Swan... Se você for busca-lo.
As palavras quase não saiam, pois as lágrimas e choro engasgado na garganta de Regina vinha à tona. Ela se sentia frustrada por não conseguir cumprir uma simples tarefa de ir buscar o filho, era horrível para mãe e para ela pior ainda. O medo de não estar mais ali na vida do filho começava a se fazer presente a cada dia.
— Qual horário? – Emma perguntava.
— 16:30hrs. – Regina continuava a falar tentando disfarçar a voz embargada.
— Endereço Mills?
— Número 22 da Willians Round.
— Ok. Pode deixar então.
— Ótimo.
— Até, mais tarde então Regina.
— Obrigado Swan.
— Não há de que. Tchau.
Regina encerrou a ligação se levantando e tentando voltar as suas tarefas, mas tudo que conseguiu foi explodir em acesso de raiva, jogando tudo que via pela frente no chão. E quando a raiva passo veio o choro e as lágrimas que ela segurava há poucos minutos, a morena se escorou sobre um móvel abaixou a cabeça e deixou levar por um choro compulsivo, sentindo péssima naquele momento.
(...)
Quando chegou a hora, Emma entrou no carro e partiu para buscar Ben na casa do amiguinho. A fotografa olhava os mapas meio perdida e não conseguia achar o endereço que Regina lhe dera.
— Será que eu acho esse número? – Emma perguntava a si mesma ao volante voltando a olhar o mapa e o papel que tinha anotado o endereço.
Por um descuido dela um caminhão passou em alta velocidade e ela tentou desviar e no processo acabou deixando o papel com endereço voar pela janela do carro. Emma sentiu uma idiota. Como iria achar a casa agora? Buscando por uma solução ela pegou seu celular.
— Já sei. Já sei o que eu vou fazer. – Discou alguns números e esperou ser atendida.
— Central telefônica, qual a cidade? – Uma atende respondeu do outro lado da linha.
— Manhattan. – Emma respondeu.
— Qual número, senhora?
— O número da Helen House, por favor.
— Aguarde um momento, por favor, que irei transferi-la.
— Alô. Editora Helen House.
— Eu poderia falar com Regina Mills?
— Sinto muito, a senhora Mills não está.
— Ah, não ela tem um encontro com editor hoje e eu vim pegar o filho dela em um aniversário, só que perdi o endereço e eu só preciso falar com ela um minuto. Não vou demorar eu juro.
— Olha senhora, eu sou editora, chefe. E não vejo a senhora Mills desde que deixou a empresa, isso há onze anos.
— Ah, ok. Obrigado assim mesmo. – Emma foi pega de surpresa por aquela resposta. Regina tinha mentindo a respeito do trabalho e o que significava isso? Será que ela estava mesmo saindo com alguém e não quisera dizer nada? Emma começou a se fazer mil perguntas e como sempre ficara sem respostas.
— Balões. – A mulher dizia do outro lado da linha.
— O que? O que tem?
— Basta procurar uma casa com balões, nunca falha achara as crianças.
— Obrigado. – Emma agradeceu e desligou o telefone.
Ainda estava confusa com a mentira que Regina tinha lhe contado.
Depois de achar a casa e conseguir buscar Ben, Emma o levou para casa sem problemas e quando chegou lá ela encontrou Regina do lado de fora à espera deles. Ela estava abatida, mas ainda sim linda. Regina tomava um chá e lia sua correspondência. Quando percebeu o barulho do carro de Emma estacionando em frente a sua casa, ela se levantou retirando a colcha que a cobria e aguardou o filho vir ao seu encontro. Assim que Emma abriu a porta o menino desceu correndo com carinha toda suja de doces e vestido de índio com um balão nas mãos para braços calorosos de sua mãe.
— Olha só você... vem cá. – Regina disse assim que colocou os olhos no filho.
— Você está me vendo. Se divertiu muito? – Ela dizia enquanto ajeitava o cocar na cabeça do menino. Ela sorria achando engraçado ver o filho daquele jeito.
— Sim mamãe.
— Oi. – Regina cumprimentou Emma friamente.
— Oi Mills.
— Vamos lavar a camisa. – Regina se dirigiu ao filho e abraçando e levando para dentro de casa, ignorando Emma completamente.
— Como foi a festa do Max?
— Boa.
— Ele gostou do presente?
— Gostou.
— Gostou mesmo?
— Sim, gostou.
— Tinha o homem da cobra ou o mágico?
— O homem da cobra.
— O homem da cobra deve ter sido legal.
Enquanto a morena limpava o filho, ainda na varanda Emma se aproximou de onde ela estava e acabou vendo sua correspondência em cima do banco onde Regina estava sentada antes. Regina continuava a conversa com Ben sem perceber que Emma bisbilhotava suas cartas.
— E ela mordeu o Max? – Regina perguntava ao filho.
— Não mãe. – Ben responde rindo.
Emma pegou uma carta que já estava aberta e buscando respostas acabou lendo o conteúdo.
“Querida Regina mal posso esperar para vê-la. Sei que está ansiosa. Será maravilhoso, tudo sairá perfeitamente bem”
Charlie.”
A raiva e ciúmes se apossaram da fotografa em questão de segundos. Quem era Charlie e por que Regina tinha mentido para ela? Emma olhou na direção de Regina ainda distraída com filho e voltou a fuçar na correspondência dela, já tinha ultrapassado os limites agora iria ate o fim. Acabou achando as passagens de avião de ida e volta de Nova York para Los Angeles e ficou mais curiosa ainda, será que seria onde Regina encontraria o tal Charlie? Quando percebeu que morena voltava botou tudo no lugar. Emma desejava desesperadamente interrogar Regina, mas como faria isso e com que direito iria enchê-la de perguntas sem ser intrometida. Ela não tinha ideia, mas de uma certeza tinha não sairia dali sem respostas, nem que precisasse agarrar Regina e fazê-la responder na marra.
— Foi difícil achar o lugar com indicações que eu dei? – Regina veio já perguntando.
— Não. – Emma respondeu calmamente, tentando não demonstrar seu nervosismo.
— Tá... obrigada. – Regina agradeceu e Emma se virou para ir embora, mas algo a fez parar. Ela virou e disse de uma vez.
— Mills, eu sei o seu segredo. – Regina a olhou sem entender nada.
— Eu vi as passagens e a carta do seu novo chefe ou namorado. Eu sei que não está na editora em Nova York, eu telefonei para lá. Você vai pegar as crianças e se mudar para Los Angeles? Que inferno Regina, você não pode fugir assim.
— Com que direito você lê a minha correspondência e fica bisbilhotando feito um detetive desonesta? – Regina disse completamente indignada pela atitude de Emma.
— Desonesta? Eu jamais faria isso se você fosse mais honesta com Killian. – Emma explodiu e usou o único argumento que Regina não queria ouvir naquele instante.
— Eu pensei que ficaria feliz com isso Swan. Vai se livrar da bruxa e dos dois pirralhos numa só tacada isso simplifica tudo e terá sua vida de volta.
— Por favor! Tem tantas editoras em Nova York. Você arranja um emprego aqui. – Emma argumentou já em desespero constando seu maior medo... Que Regina fosse embora para longe dela.
— Então eu devo rearrumar a minha vida para atender aos seus compromissos? E se você está tão preocupada, por que você não arranja outra profissão? Ou por que você e o Killian não se mudam para Los Angeles?
— Ah, então você tem o direito de rearrumar a vida de todo mundo sem consultar?
— Pais separados Swan. Acontece o tempo todo. Killian fica um mês com as crianças no verão e nos feriados, não é o ideal, mas dá-se um jeito.
— Não pode fazer isso Regina.
— Por que?
— Você não tem o direito de afasta-lo dos filhos.
— Tenho sim.
— Não, nós não podemos mais viver assim Regina. – Emma gritava.
— Nós? Não existe nós Swan. Se o Killian não gostar, ele que venha falar comigo. Isso não lhe diz respeito. Não é problema seu.
— E problema meu sim Regina Mills. – Emma suspirou e decidiu despejar tudo de uma vez. Seus olhos denunciavam as lágrimas que viriam e ela não estava disposta deixar Regina partir sem lutar. — Porque eu disse que iria me casar com aquele homem, mas eu não vou cometer mais esse erro. Porque eu não posso passar a vida junto com alguém que eu não ame, porque eu não amo o Killian. Eu gosto do Kill e os filhos são tudo para ele e quero ver ele bem, eu sei que seria terrível para ele se os filhos não ficassem perto dele. Eu não quero que ele se magoe mais do que eu já vou magoa-lo quando eu disser que estou completamente apaixonada por outra pessoa.
Regina ficou sem chão, sem saber o que dizer vendo Emma dizer tudo aquilo e com lagrimas nos olhos. A morena se sentou buscando se acalmar.
— Você só errou o segredo. – Regina resolveu se abrir com Emma. – Charlie Dram é uma colega minha da Helen House de Nova York. Ela foi trabalhar na costa oeste e eu vou ficar na casa dela enquanto tomar as injeções de proteínas que meu oncologista prescreveu. Elas só são vendidas em Los Angeles. – Regina disse finalmente acendendo um cigarro. O rosto de Emma mudou bruscamente.
— Oncologista? – A fotografa questionou Regina sem acreditar.
— É Swan... A vida dá voltas, você pode até fumar maconha se tiver câncer. – Emma não tinha respostas naquele momento, queria gritar, queria abraçar Regina e dizer que tudo ficaria bem, mas a verdade é que não sabia o que fazer.
— Você vai morrer? – Falou sem pensar.
— Não hoje. – Regina disse irônica.
Mais uma vez Emma se esqueceu de tudo e foi até Regina, a ergueu da cadeira e tomou em seus braços e beijando em seguida. E pela primeira vez a morena se rendeu no instante que seus lábios sentiram os de Emma, ela queria aquilo para que negar, não havia mais volta.
— Não Emma, pare. – A morena tentava forma um pensamento coerente enquanto Emma continuava a beija-la.
— Não, eu não vou parar. Estou cansada de voltar para casa e pensar em você até dormir, estou cansada de sonhar com você.
— Só que eu não vou poder lidar com isso amanhã, porque você ainda vai ser dele Emma e não minha. – Regina lamentou.
— Há tempos que eu não sou dele. Há tempos meus olhos te dizem isso Mills. E mais do nunca eu quero estar com você Regina Mills, eu preciso te amar de todas as formas possíveis. Deixe-me ficar e cuidar de você, não me mande embora. – A loira implorou e voltou a beijar Regina da forma mais sensível que podia beijar alguém.
A linha tinha sido cruzada e elas sabiam que dali em diante não podiam voltar atrás e não queriam voltar. Ainda tinham coisas para serem ditas e palavras não pronunciadas. Mas nos braços de Emma, Regina esquecia do mundo, e o depois não importava, só o agora valia a pena.
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