Lado a Lado
25 Não se pode agradar a todos
Notas iniciais

(Photograph — Ed Sheeran♪)
Cora olhava a filha ainda com receio, e nenhuma palavra ainda havia sido dita. O silencio constrangedor fez com Regina tomasse uma atitude, afinal alguém tinha que iniciar aquela conversa, que fosse ela então.
— Mamãe se quer dizer algo, diga eu sou toda, ouvidos. — Ela incentivou a Cora. — Eu... Eu... — Cora tentava dizer algo, mas as palavras se perdiam.
A jovem Mills viu uma Cora completamente diferente. Sua mãe sempre fora imponente, destemida e não demonstrava medo em nenhuma situação, mas a mulher a sua frente agora se mostrava relutante e sem saber como começar uma simples conversa.
— Seja o que for apenas diga mamãe, eu não vou brigar com senhora. Esse é recomeço lembra. — Regina a lembrou.
Cora deu um suspiro profundo, como se estivesse prendendo a respiração por longos minutos.
— Me desculpe querida, é que só não sei por onde começar. Tem tantas coisas para lhe dizer, mas acho que principal delas é que me perdoe, nosso passado foi complicado eu sei...
— Eu te perdoei Cora Mills. — Regina a interrompeu. — Seja pelo quer que queira ser perdoa. Não precisamos mais perde tempo lamento o passado mamãe, temos um futuro inteiro pela. E há tantas coisas que ainda quero planejar com senhora.
Cora tinha os olhos marejados, não esperava que sua filha aceitasse de volta tão rapidamente em sua vida. E muito menos que perdoasse, mas não faria de rogada, apenas aproveitaria a segunda chance que vida lhe dera com filha naquele momento. Já Regina pensava em sua doença e nas coisas que ela poderia lhe privar e brigar ou afastar sua mãe aquela altura seria egoísmo. Ela tinha recebido tanto mesmo estando em situação tão delicada, mas era hora de dar algo troca, e melhor coisa que poderia era dar amor àqueles que a amavam e cuidavam dela. E sua mãe fazia parte daquele todo.
— Eu errei tanto com você Regina. — A velha Mills se lamentou. — Deveria ter lhe apoiado mais em suas decisões, e não ter tentando controlar sua vida. Era difícil admitir aquilo tudo, mas Cora sabia que recomeços eram assim. E nada que fosse fácil teria o mesmo valor.
— Mãe, eu já lhe disse que não me importo com o passado. E eu te perdoei por tudo, eu só quero recomeçar.
— Ainda sim eu preciso falar Regina, Killian nunca foi o homem que desejei para sua vida. Só que você o amava e ele te fez feliz, por algum tempo mais fez. E ele te deu filhos maravilhosos, netos aos quais eu amo demais. E por isso sempre serei grata a ele. — Cora fez uma pausa e se aproximou mais da filha. — Quando você foi diagnosticada pela primeira vez, eu deveria ter insistido mais. Eu deveria ter ficado ao seu lado, e não deixado que me afastasse filha.
— Eu não vou te afastar agora mãe. E você está aqui hoje, temos uma segunda chance. Não podemos apagar as coisas que se passaram, mas posso criar um futuro novo. Anna e Ben te amam e também. — Regina desabafou tudo estava guardado em seu coração.
Todas as, magoas e tristezas ficaram de lado, quando Cora Mills finalmente tomou coragem e abraçou a filha. Pela primeira vez na vida a velha Mills se sentiu em casa, se sentiu plena e em paz. Regina se sentiu como se voltasse a sua infância, onde sua mãe lhe contava historias e cantarolava musicas antigas para que ela dormisse. E por ironia da vida foi o que Cora fez, cantou. Um canto de felicidade, um canto de amor. Amor de mãe.
***
Emma estava entre duas opções naquele momento. Uma era de ignorar a chamada de sua mãe e retornar mais tarde com uma desculpa qualquer, ou atender e começar uma conversa que ela ainda não estava para pronta para ter com Mary. Optou pela primeira e certamente inventaria uma desculpa para não prolongar a conversa.
— Oi, mamãe. – Emma disse assim atendeu o aparelho.
— Olá para você também Emma Swan, isso são modos de atender sua mãe. — Mary respondeu do outro lado da linha com voz bem irritada.
— Olá mamãe, como vai? Desculpe-me é que não estou em um bom momento.
Mary acabou ficando preocupada e Emma se arrependeu de ter inventado aquela desculpa para a mãe.
— Aconteceu alguma coisa filha? Você e Killian brigaram? — Mary começou a encher Emma de perguntas.
— Não mamãe, eu apenas estou cheia de trabalho e sem tempo algum.
— Se for isso então se acalme, e não trabalhe demais. Dê atenção ao seu namorado, Killian é um bom homem. E você sabe como está difícil encontrar um bom partido nos dias de hoje.
Swan queria jogar o celular longe, não aguentava quando sua mãe começava com aquele assunto. E às vezes acreditava que ela elogiava Killian demais, se não soubesse o quanto seus pais se amavam, ia jurar que sua mãe nutria sentimentos românticos por Killian Jones.
— Mãe, por favor, não comece com esse assunto. — Emma pediu sem paciência. — Eu estou no meio de um trabalho, será que pode me dizer o motivo dessa ligação? Assim encerramos o assunto e lhe retorno quando tiver em casa.
Mary Margaret percebeu pelo tom de voz da filha que algo estava errado, mas conhecendo o temperamento de Emma tinha certeza que não descobriria nada por telefone. O melhor era não pressiona-la então mudou de tática.
— Querida eu só queria saber como você está, já que tem quase um mês que não liga para mim ou seu pai. — Mary respondeu calmamente. — Não é nada demais. E daqui alguns dias, eu terei que passar por Nova York talvez lhe faça uma visita.
Emma torcia para que aquela visita não acontecesse afinal sua vida ainda estava uma tremenda bagunça. E, seus pais não tinham a menor ideia de que Killian Jones não era mais seu namorado. E o fato mais importante que ela agora tinha uma namorada, que era a ex-mulher de Jones. Por mais que soubesse que teria que lidar com aquela situação uma hora ou outra, Emma ainda não queria pensar nisso. A saúde de Regina era mais importante que qualquer outra coisa, e ter sua mãe de volta a sua vida naquele momento não era nada bom.
— Mãe eu só lhe peço não chegue de surpresa, porque sabe bem que odeio isso. Se for vir me avise. — Emma disse sem saída. Não podia proibir sua mãe de visita-la, mas podia adiar o máximo que pudesse. Ao menos até conversar com Regina sobre seus pais.
— Tudo bem querida, mão lhe farei surpresas e ligarei caso eu resolva lhe fazer uma visitinha. — Mary disse em tom de despedida. — Agora não vou lhe atrapalhar mais. Mande um beijo para meu genro, eu te amo filha.
— Mando sim. Eu também amo você mamãe. Até logo. — Emma respondeu e encerrou a ligação. Sabendo que as coisas iriam se complicar.
— Eu preciso de um banho, café e conversar com a Paige. — Swan murmurou para si mesmo enquanto botava o celular no bolso e voltava a caminhar pelo corredor do hospital.
***
Califórnia — Los Angeles
(Espelhos D’água — Patricia Marx ♪)
Killian ainda estava meio perdido com a atitude de Zelena, e a única coisa que conseguia pensar naquele momento é que aquela mulher era realmente louca.
— Mais o que podia esperar ela tinha esquecido a própria filha em taxi. —Jones murmurou baixinho consigo mesmo. Ele acabou chegando à conclusão que certamente aquele tipo atitudes meio louca, deveria fazer parte da personalidade da ruiva.
— Você disse algo? — Zelena o questionou chamando sua atenção.
— Não, não... — Killian negou meio nervoso. Não queria que ela achasse que ele a estava julgando precipitadamente.
— Me desculpe pela minha euforia, é que nunca passei uma noite longe de Jessie desde que ela nasceu. — Zelena tentou explicar.
— Tudo bem Senhorita Mcalister. Eu lhe entendo acredite, tenho filhos e quando tinha a idade da baixinha minha esposa agia da mesma forma.
— Sem formalidades Killian me chame de Zelena. Então acho que me entende um pouco, já que é casado e tem filhos.
— Divorciado na verdade. — Jones respondeu com sorriso que deixou Zelena encantada.
— Bem acho que isso é uma boa coisa, assim podemos sentar e tomar o café da manhã sem ache que uma esposa furiosa possa aparecer. — A ruiva brincou.
— Acho que sim Zelena, podemos tomar o café sem grandes surpresas. A não ser que você resolva sair correndo e esqueça Jessie no banheiro.
A piada feita pelo moreno foi bem recebida por Zelena, e ela acabou rindo. Eles se se sentaram à mesa mais próxima e pediram o café da manhã variado. A conversa fluiu de forma agradável e natural entre eles, e ambos foram se conhecendo um pouco mais. Killian descobriu que Zelena era terapeuta infantil e mãe solteira. Que Jessie tinha sido fruto de relacionamento relâmpago, e o pai não se interessaram muito pela menina. Zelena descobriu que Killian era um advogado focado no trabalho, divorciado e pai de uma menina e menino e saindo recentemente de relação que não deu certo.
— A baixinha é uma criança incrível. E se o pai não se interessou pelo seu crescimento ele saindo perdendo Zelena. — Killian comentou enquanto beberica o café.
— E você deve ser um pai incrível Jones. Jessie já te adora e ela não costuma se dar bem com estranhos de cara.
—Eu tento fazer o meu melhor, mas sou humano e comento erro às vezes. — Killian lamentou.
— Todos nós cometemos Killian. — Zel tentou argumentar. —É errando que aprendemos a não falhar mais.
Killian deu um sorriso sem graça e começou a pensar nos filhos e como estariam naquele momento. Esperava que quando voltasse para casa pudesse ser um pai mais presente, e alguém melhor para os filhos. Conviver com a pequena Jessie tinha o feito repensar bastante o seu papel de pai.
— Zelena queria lhe pedir que me deixasse continuar fazendo parte da vida de Jessie. — Jones pediu meio inseguro com medo da reação de Zelena. — Eu não quero perder o contato, quero estar lá caso ela precise um dia.
— Você pode visita-la, eu lhe passo meus contatos. E bem quando nós estabelecermos poderá vê-la sempre que quiser. — Ela sugeriu.
— Está mesmo falando serio Zelena Mcalister?
— Sim eu estou Killian Jones. Eu ainda preciso resolver algumas coisas aqui, mas logo terei uma residencia fixa e tudo será mais fácil.
O moreno ficou radiante com ideia, ele queria mesmo continuar fazendo parte da vida da garotinha, e saber que poderia visita-la sempre era um bom começo.
— É claro que eu aceito. — Killian respondeu empolgado. Jessie se agitou na cadeirinha dando sorrisos e balbuciando coisas incompressíveis, como se entendesse o que aquilo significa. A pequena estava mesmo feliz, assim como sua mãe por agora ter Killian Jones em suas vidas. Zelena não entendia bem, mas se deixou levar por momento e depois seria por conta da vida. O que ela não tinha ideia era que a vida tem maneiras peculiares de nos mostrar a felicidade.
***
(Flaslight — Jessie J ♪)
Emma deixou o hospital as pressas, precisa conversa com alguém. E a primeira pessoa que sempre pensava em situações como aquela era Lily Paige sua melhor amiga. Quando chegou ao estacionamento a loira resolveu mandar uma mensagem de texto para Regina explicando que voltaria mais tarde. Assim a morena não ficaria preocupada ou pensaria bobagens. Meia hora depois Emma estava em frente à fundação que Lily trabalhava, e ao entrar não foi difícil encontra-la. Quando Paige deu de cara com Emma, e viu a expressão facial da amiga sabia que algo estava errado.
— Onde foi incêndio dessa vez Swan? — Lily perguntou de forma irônica.
—Por enquanto só na minha cabeça, mas se o problema chegar à Nova York ai sim terá um incêndio difícil florestal na minha vida. – A fotografa respondeu tentando fazer uma piada, mesmo que a situação não tivesse a menor graça.
— Por Deus o problema deve ser grande então. — Paige concluiu.
— É gigante e atende por Mary Margaret.
Ouvir o nome da mãe de Emma aquela altura não era nada bom. Paige conhecia o histórico de comentários homofóbicos disfarçados de Mary, ela mesma tinha presenciado vários em inúmeras festas que Emma tinha dado ao qual a mulher esteve presente.
— Vamos até a minha sala e podemos conversar melhor Swan, me acompanhe. Já sozinhas, na sala de Lily Emma explicou a situação e seu medo de sua mãe aparecer inesperadamente, em um momento nada favorável de sua vida.
— Eu não posso ter minha mãe aqui agora, não com minha vida nessa completa bagunça. — Swan confessou se jogando na poltrona a sua frente. — Regina ainda está se recuperando do acidente, acabamos de nos entender com Kill e ainda tem a mãe dela voltando à vida dela.
—Pensa pelo lado bom loira, ao menos pelo que você me contou ela não é contra a relação de vocês. — Lily argumentou tentando animar à amiga. —Isso é um problema a menos, sobre a sua mãe ai é outra historia.
— Eu estou feliz com Cora ser um problema a menos, Regina vai precisa de paz e tranquilidade quando volta para aquele tratamento pesado.
— Emma o que quer que eu diga? Porque sinceramente eu não tenho ideia do que lhe dizer, mas também não quero lhe dizer que as coisas serão fáceis. E se quer um conselho não minta para Regina, conte a ela sobre sua mãe e a possibilidade gigantesca de Mary não aceitar a relação de vocês.
— Se você queria me apavorar, conseguiu Lily Paige.
A verdade era que Paige estava sendo realista, quando Emma queria achar a saída mais fácil. Só que naquela situação não havia saída fácil, ou ela enfrentava sua mãe ou tudo viraria uma bola de neve.
— Emma eu estou sendo realista, você conhece bem a mãe que tem e por isso está se sentindo dessa forma. As coisas não serão fáceis, mas pense que vale a pena lutar por aquilo que nos faz feliz. E Swan eu nunca em todos esses anos que lhe conheço a vi tão feliz.
— Falando dessa forma parece fácil Lily. — A fotografa disse cabisbaixa.
— Mais não é loira. Você precisa mostrar a sua mãe em primeiro lugar que está feliz. E os pais querem ver os filhos felizes Emma. Ela não precisa aceitar sua relação, mas ela tem respeitar, porque a vida é feita de decisões todas geram consequências. Às vezes boas outras nem tanto. E uma hora você tem que decidir Swan se quer ser feliz ou agradar aos outros. Mesmo que esses outros sejam seus pais. – Lily concluiu e deixou Emma pensativa. A verdade por trás daquelas palavras era a mais pura verdade. Não dava para agradar a todos, nem mesmo se fossem seus pais. No caso sua mãe já que David era bem mais flexível que Mary.
— Acho que eu preciso arrumar uma forma de contar a Regina então. —Swan disse se levantando da poltrona onde estava deitada.
— Esse é o primeiro passo Swan, e tenho certeza que a Rainha do gelo vai reagir bem. – Lily brincou.
— Ela não é mais Rainha do gelo há muito tempo Paige.
—Para mim sempre vai ser Swan, afinal não conheço o lado quente da Mills só você.
Emma caminhou na gargalhada e jogou uma almofada na amiga. Lily sempre a fazia se sentir melhor, as conversas fáceis e momentos compartilhados há fazia alguém muito especial para Emma. E definitivamente ela era mais que uma simples amiga, Swan a considerava a irmã que nunca teve.
***
(You Give Me Something — James Morrison ♪)
Dois dias depois Regina teve alta e Emma quis preparar um ambiente tranquilo para retorno da namorada.
— Com calma meu amor, sem fazer muito esforço. — Emma pediu enquanto apoiava Regina nos braços.
— Swan eu não sou feita de cristal, pare com essa neurose. Eu posso andar e não vou quebrar se caminhar um pouco. — Regina reclamou.
A morena adorava todo cuidado que Emma tinha com ela, mas às vezes a loira exagerava.
— Eu só estou cuidando de você. — A fotografa se justificou abrindo a porta para que pudessem entrar.
—Nossa minha casa está inteira e arrumadinha. — Regina comentou assim que entrou em casa.
— Nós limpamos tudo, e mantemos tudo organizado. – Ben informou orgulhoso assim que viu a mãe.
— Que bom macaquinho, eu estou orgulhosa de vocês. Agora venha dar um abraço na mamãe.
O garotinho correu em sua direção e se jogou em seus braços.
— A Emma fez tudo direitinho mamãe, ela até deu bronca na gente como você faz.
— A senhorita Swan está ficando responsável. — Regina disse olhando para namorada.
—Eu sou responsável ok. — A loira se defendeu. — Agora coloque o pestinha no chão que vou te levar para quarto.
— Ei eu não sou pestinha. — O garotinho protestou. — Só às vezes.
Emma riu e pegou Regina no colo, que mesmo protestando acabou se deixando levar pelo momento. Anna assistia a cena do pé da escada feliz, sua mãe estava de volta e sua família uma vez mais completa.
Algumas horas depois Regina estava deitada a cama lendo um livro, mas inquietude de Emma a estava incomodando. Ela conhecia Emma o suficiente para saber que a loira queria lhe contar algo.
— Emma eu não aguento mais esse climão. Você tem algo para me contar? — Mills se pronunciou deixando o livro de lado.
A fotografa foi pega, de surpresa pela pergunta, mesmo sabendo que uma hora aquela conversa teria que acontecer. Esperava que fosse em um momento mais propicio mais viu que não teria alternativa naquele instante.
— Bem na verdade não... Quer dizer sim... — A loira gaguejava tentando começar responder da melhor forma.
—Emma pare de enrolar e vá direto ao ponto. — Regina pediu impaciente.
— Bem é que não sei uma forma de começar esse assunto Regina.
—Que tal pelo começo Swan.
— É sobre minha família. – Emma revelou finalmente.
Mills ficou confusa, não sabia muito a respeito da família de Emma, mas não entedia o que poderia ser de tão grave para deixar a namorada tão nervosa.
— Alguém está doente Emma? Se for saiba que eu estarei aqui para te apoiar.
A fotógrafa começou a andar de lado para outro, demonstrando estar ainda mais nervosa e deixando Regina mais angustiada.
— Não Regina, é que eles ainda não sabem sobre nós. Eu não tive tempo de contar com tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. E minha mãe me ligou hoje dizendo que quer vir me visitar.
— Amor eu já passei da fase de temer a sogra se isso que te aflige fique tranquila. — Regina tentou acalmar a namorada.
Emma acabou rindo da forma como Regina tinha falado.
— Não é tão simples assim morena. Minha mãe é um pouco complicada.
—Emma eu não sei como é o temperamento da sua mãe, mas seja como for isso não vai me afastar de você amor. Eu te amo e estou disposta a tudo para que para preservar nossa família.
As últimas palavras de Regina encheram o coração da loira de paz. “Nossa família” lhe soava bem e lhe fazia bem. Ela tinha uma família independente de tudo, pessoas as quais poderia contar fosse, para o que fosse então não havia o que temer.
— Minha mãe é bem tradicional do tipo conservadora, ela não aceita bem relações homoafetivas esse é o problema Regina. Eu e ela já tivemos grandes problemas por causa disso. Ela já constrangeu amigos queridos meus, com comentários idiotas e homofóbicos e acabei me afastando dela com passar dos anos. Evito suas visitas ao máximo e não quero te expor a isso, não agora que você precisa de paz. Além é claro de eu não ter contado a ela que terminei com Killian, e ela meio que venera ele.
Regina respirou fundo e deu a Emma um olhar compreensivo, como se quisesse lhe passar segurança.
— Amor vem cá. — Ela pediu dando um tapinha da cama. Emma atendeu ao seu pedido e sentou ao seu lado na cama. Mills se virou de frente para a namorada e lhe tomou o rosto entre as mãos, e lhe beijo os lábios de forma lenta e suave. Um beijo cheio de amor e carinho. — Emma eu estou pouco me lixado para o que sua mãe vá pensar sobre nós. — Regina confessou baixinho ainda com os lábios próximos aos de Emma. — Já renunciei a coisas demais na minha vida só para agradar aos outros, e não vou abrir mão da minha felicidade só porque pessoas ignorantes não aceitam que amor é só amor.
De repente as palavras de Lily Paige faziam ainda mais sentido para fotografa. E Regina parecia pensar da mesma forma. — E você é minha felicidade Swan. As únicas pessoas no mundo que me deixariam com receio de algo, são seus maiores fãs. — Regina se referia aos filhos. — O resto é apenas o resto meu amor. Emma queria chorar, ela não conseguia achar palavras para expressar o que sentia naquele momento, mas tinha certeza que era felicidade.
— Você não existe Mills. — Emma disse e envolveu a namorada em um abraço forte.
— Essa frase é minha Swan. — A morena protestou. — E não é só você que pode cuidar de mim, eu também posso cuidar de você mesmo que seja só às vezes Emma.
— Eu acho que sou sortuda então Mills.
— Sim você é muito sortuda por ter uma namorada linda. E que está disposta a brigar até com sogra por você. — Regina zombou.
— Nossa além de convencida é brava essa minha namorada hein.
—Muito brava. — A morena enfatizou. — E sua mãe não me conhece Swan. Se ela quiser guerra vai ter que se preparar.
Todas as preocupações da loira se dissiparam e clima ficou ameno, não havia mais o que temer. Se Regina estava disposta a enfrenta o mundo por ela, Emma estava disposta a ir além mesmo que isso significasse bater de frente com sua mãe e seus conceitos antiquados.
— Não queria ser a minha mãe então. — Emma disse começando a fazer cócegas Regina. A morena começou a gargalhar e aquele som era musica para a loira.
— Eu te amo. — Emma declarou.
—Eu te amo mais. — Regina respondeu.
Ambas esqueceram o motivo pelo qual a conversa se iniciara e logo estavam aos beijos matando a saudades dos dias que haviam, ficado longe.
***
Cerca de uma semana depois Regina voltou à quimioterapia, e efeitos colaterais voltaram rapidamente. Para facilitar as coisas Emma matinha Regina e as crianças em seu apartamento a maior parte da semana. Era mais pratico e o hospital ficava mais próximo, ou seja, Regina se cansava menos ao fazer trajetos menores. E foi em segunda feira de correrias no final da tarde que o que a fotografia mais temia aconteceu. Depois de botar Regina na cama e mandar as crianças para banho, a campainha começou a toca incestamente.
— Meu Deus! — Emma reclamava enquanto caminhava até a porta. Quem será o infeliz que está nesse desespero todo? Assim que abriu a porta todos os seus pesadelos da fotografa pareciam ter se tornado realidade.
— O que a senhora está fazendo aqui?
— É assim que recebe sua mãe Emma Swan? — Mary respondeu com outra pergunta e com o sorriso mais inocente do mundo.
Fale com o autor