Lado a Lado
26 Juntos somos mais fortes
Notas iniciais

(Jessie J – Who You Are♪)
Emma ainda estava de pé estática na sala de seu apartamento, com porta aberta olhando para sua mãe que ainda estava do lado de fora. A loira não conseguia formar um pensamento coerente, não no seu estado atual. Emma estava em pânico com presença de Mary ali, e no que aquela situação viria a significar. Swan ainda não estava pronta para inúmeras perguntas que sua mãe lhe faria, e todos os julgamentos que surgiram com cada resposta. A verdade era ela que não queria sua mãe ali agora, só queria se concentrar em Regina e em sua saúde delicada, com Mary Margareth por perto isso definitivamente não seria possível.
— Emma Swan se bem me lembro, eu lhe eduquei muito bem. E deixar sua mãe em pé do lado fora não é nada educado ou cordial da sua parte. — Mary disse chamando atenção da filha.
— Me desculpe mãe... — Emma respondeu gaguejando. — Quer dizer... Eu só estou surpresa porque não a esperava nenhuma visita hoje.
Sem opção ela deu um passo para lado, e abriu espaço para que mãe pudesse entrar.
— Entre e poderemos conversar com mais privacidade, mamãe.
— Muito bem, é assim que se recebe sua mãe. — Mary disse animada enquanto entrava.
A mulher deu um beijo na bochecha da filha a cumprimentando e depois aguardou que a mesma fechasse a porta. Com seu jeito intrometido e espalhafatoso, Mary Margareth não esperou um convite e se sentou no sofá mais próximo e começou a tagarelar suas desculpas, para justificar aquela visita fora de hora. Ela sabia bem que filha iria querer explicações, e preferiu se adiantar.
— Antes que você comece com mil perguntas, eu vim à cidade para um congresso de pedagogia para dar uma palestra. E como tinham intervalos longos entre uma palestra e outra resolvi fazer uma vista a minha filha.
— Você deveria ter me ligado mãe. — Emma praticamente bufou.
— Eu tentei lhe ligar, mas como ninguém atendia pensei que talvez você e Killian estivessem... Você sabe. — Mary justificou tentando usar uma expressão de duplo sentindo.
E quando Emma entendeu quase teve um treco, ao pensar que sua mãe estava sugerindo que ela e Killian poderiam estar transando.
— Mãe, por favor... — Ela reclamou.
— Emma eu sei que você não é nenhuma criança. E você e seu namorado fazem sexo, é algo normal. — Mary afirmou tranquilamente.
— Mary Margaret! — Emma exclamou. — Pare de dizer essas coisas, isso é constrangedor.
— Emma não queira bancar a santa comigo, sei bem que você perdeu a virgindade aos 16 anos, com o Neal naquele acampamento de verão.
De todas as confissões no mundo aquela era que a Emma menos queria ouvir, tinha que dar um jeito de fazer sua mãe embora logo ou o estrago fosse grande.
— Ok, Ok... Mamãe chega desse assunto. Não quero discutir minha vida sexual com a senhora. Só me diga quanto tempo ficara, pois eu estou muito ocupada com... — Antes que Emma pudesse terminar a frase um pequeno furacão invadiu a sala.
— Ma, Ma... — Ben gritava correndo em direção a Emma.
— Ei que correria é essa? — Emma perguntou assim que garoto se agarrou as suas pernas. A loira se sentou no sofá e o colocou em seu colo.
— A Anna. — Ben resmungou meio choroso.
Mary assistia a cena meio intrigada, o garoto e sua filha pareciam ter bastante intimidade. Ela sabia que Killian tinha filhos, mas nunca os tinha visto e ficou se perguntando se aquele garotinho seria filho de seu genro ou não. No caso ex-genro, mas disso ela ainda não tinha conhecimento.
— O que sua irmã aprontou dessa vez? — Emma continuou a conversa com menino. E o jeito amoroso da fotografa não passou despercebido por sua mãe.
— Ela não quer me deixa ver Thor. Só porque é um filme de ação, mas eu já tenho sete anos e tenho idade para ver filmes que tenham lutas. — Ben revelou com cara de choro.
— Não precisa chorar ok. Eu vou falar com ela e você poderá ver seu filme no quarto de hospedes. — Emma disse enquanto acariciava o rosto do garotinho.
Ben pareceu satisfeito com a solução, ele ainda não havia notado que Emma não estava sozinha. Quando ele percebeu a presença de Mary Margaret ficou intrigado.
— Ma, eu estou atrapalhando? — Ben perguntou olhando na direção de Mary.
A loira olhou para onde o pequeno olhava e se viu em uma situação delicada. Sua mãe ainda não conhecia os filhos de Killian, e aquele definitivamente não era o momento para conhecê-los.
— Não pequeno, eu estava apenas terminando de conversar e já ia lá ajudar você e sua irmã.
Mary não aguentou mais a curiosidade e resolveu se meter no assunto.
— Emma não vai me apresentar sua mãe para esse garotinho adorável?
A loira olhou para a mãe e fechou a cara, mas Mary pouco se importou e continuou sorrindo como se não se importasse. E Emma se viu sem saída, já que Ben era uma criança curiosa e certamente começaria a fazer perguntas.
— Esse é o Ben, Mary filho do Killian. Ben essa Mary Margaret minha mãe. — A fotografa apresentou ambos sem o menor entusiasmo.
O garotinho olhou a mulher, meio desconfiado e demorou alguns segundos para responder algo.
— Oi. – Ben disse meio tímido.
— Oi, Ben então você é o filho do Killian? — A mulher respondeu ao garoto e depois se virou para a filha.
— Sou sim. — O garotinho disse ainda tímido.
— Emma falando no Killian, onde está seu namorado? — Mary questionou a filha e seguiu falando sem parar. — Gostaria muito de vê-lo e saber das novidades.
— Emma não tem mais namorado, agora ela tem uma namorada. — Ben revelou interrompendo a conversa. — Ela namora a minha mãe a senhora não sabia?
A mulher olhou para o garoto e depois para própria filha sem entender bem o que aquela revelação significava. Mary achou que talvez fosse apenas uma brincadeira inocente feita por Ben, mas sentiu que algo estava errado assim que viu o pânico no rosto de Emma. Ela ainda estava esperava que Emma lhe desse uma boa explicação, queria esperar que o garoto deixasse a sala para perguntar a filha o que ela tinha acontecido. Só que a paciência, nunca fora muito o forte de Mary. E ela simplesmente não conseguiu esperar o garoto deixar a sala para começar o interrogatório.
— Emma o que o garoto quis dizer com: Emma não tem mais namorado? — A mulher mais velha perguntou se virando na direção da filha.
Emma sabia o que viria a seguir, e seria algo desagradável ao qual não queria que Ben presenciasse.
— Ben porque você não vai lá para quarto de hospedes e continua assistindo Thor. — Emma sugeriu ao garoto. Ignorando completamente a pergunta de sua mãe.
E mesmo sem entender se tinha feito algo errado o pequeno sentiu a tensão no ar.
— Eu disse algo que não devia Ma? — Ele perguntou enquanto descia do colo de Emma.
A loira sentiu um aperto no peito, seu pequeno temia algo mesmo sem saber o porquê.
— Não meu amor, você não fez nada de errado. Eu só preciso ter uma conversa de adulto com minha mãe e para isso precisamos ficar a sós. Você entende isso?
Ben apenas balançou a cabeça em concordância e não disse mais nada.
— Então, vai indo lá para quarto que daqui a pouco eu vou para lá assistir Thor com você. E vou levar pipoca e refrigerante.
— Oba. — O pequeno comemorou enquanto ia em direção ao corredor que dava acesso aos quartos.
Quando Ben sumiu de vista, Mary retomou as perguntas.
— Vai me contar o que está escondendo ou não Emma Swan?
A fotógrafa se virou para mãe com cara de poucos amigos. A verdade era que Swan não queria lhe dizer nada, e não tinha o porquê fazer aquilo. Ela era uma mulher adulta e dona de seus atos, sua mãe não podia mais questionar suas decisões e muito menos se meter em seus relacionamentos.
— Não a nada a ser dito mãe, Ben disse tudo e o resto não lhe diz respeito. — Emma foi direta em sua resposta.
— Emma. — Mary disse espantada pela forma como sua filha lhe respondera. — Isso não é jeito de me tratar, eu sou sua mãe e você me deve respeito.
— E é por eu lhe respeitar que não vou discutir minha vida pessoal com você mãe. Se começarmos esse assunto eu sei onde ele vai terminar, e tudo que eu não quero hoje é discutir com a senhora.
— Eu só estou preocupada com você minha filha. — Mary tentou argumentar usando um tom e voz mais suave. — Mães se preocupam com os filhos Emma, mesmo depois que eles crescem, é algo normal.
— Eu sei disso mãe, mas mães que amam seus filhos respeitam suas decisões. — Swan tentou explicar. — E ficam felizes quando seus filhos estão felizes. Meu relacionamento com Killian acabou, eu não estava feliz e ele também não. Eu estou com outra pessoa agora, e estou feliz e isso é tudo.
A explicação resumida de Emma não foi suficiente para Mary, ela queria saber o porquê do rompimento de dela e Killian e não sairia daquele apartamento sem saber de toda, a história.
— Como isso é tudo Emma? Eu quero saber o motivo desse rompimento. Você e Killian estavam praticamente noivos.
— Mamãe não torne as coisas difíceis, por favor. E eu não quero lhe faltar com respeito, mas a senhora está indo longe demais.
— Você é que não está sendo razoável Emma, e está sim me faltando com respeito me tratando dessa forma. E me escondendo coisas, e pelo que o garoto afirmou não é algo nada aceitável. — A mulher praticamente gritou.
Mary começava a perder a paciência e toda sua postura sempre calma. E a discussão que Emma queria evitar já parecia estar acontecendo.
— O que o Ben afirmou é verdade. Se for isso que tanto desejava saber. — Emma respondeu no mesmo tom de voz.
— Eu não acredito que você trocou um homem bom, honesto, bonito e bem sucedido por uma mulher Emma. Pior ainda pela ex dele. — Mary fez uma pausa, demonstrado toda sua indignação. — Imagino que ele deva ter se sentido traído, como você pode fazer isso com o Killian?
A mulher simplesmente não conseguia aceitar o fato de sua filha estar com uma mulher. E pior ainda sendo a ex-mulher de Killian Jones. Enquanto a fotógrafa não conseguia acreditar no acabara de ouvir da mãe, e por mais que soubesse que ela era uma mulher preconceituosa aquilo era demais.
— A senhora não sabe o que está falando mamãe. E si quer sabe como as coisas aconteceram terá que mudar esse seu discurso antiquado. Porque eu sei bem que o que está incomodando é o fato da sua filha estar com uma mulher. Porque isso fere o seu moralismo, e acaba com sua maldita ideia de casal modelo perante a sociedade.
— Você sabe que não é isso filha, eu não tenho nada contra, mas...
— Nem termine essa frase Mary Margaret, porque ela é típica de pessoas que tendem a disfarçar o seu preconceito, e isso eu não vou tolerar. — Emma interrompeu a mãe. — Meu relacionamento com Killian não acabou por ele ser uma pessoa ruim, e sim porque eu não amava.
Os ânimos começavam a se exaltar e aquela conversar parecia que não ia terminar de uma forma boa.
— E o que quer que eu fale Emma? Que estou feliz ao descobrir isso? Não foi isso o que sonhei para você filha. Eu queria que você se casasse e formasse uma família como todas as pessoas normais.
— Eu não posso acreditar que estou tendo essa conversa com senhora. — Emma se levantou do sofá e passou a mão pelos cabelos demonstrando o seu nervosismo. — Coloque uma coisa em sua cabeça, eu não sou você mãe. E a senhora não pode querer que, eu viva os seus sonhos, porque eu tenho os meus próprios sonhos. E quanto a me casar e ter uma família, o fato de namorar uma mulher não me impede de fazer isso.
— Emma isso é errado é contra as leis da natureza e as leis de Deus. — Mary repreendeu a filha.
— O que você julga ser certo Sr Nolan? — A voz de Regina interrompeu a discussão. — O que é conveniente para a sociedade e para senhora ou a felicidade da sua filha?
Regina apareceu totalmente de surpresa na sala. A verdade é que ela tinha sido acordada pela discussão acalorada, quando buscou por sinais de seus filhos e não encontrou nenhum dos dois no quarto, achou que talvez todos os gritos pudessem ser de Emma com ambos. E com medo que as crianças tivessem aprontado algo grave, resolveu se levantar e ir até a sala checar. De começo Regina ficou espantada, mas assim que percebeu que se tratava da mãe de sua namorada e toda discussão a envolvia quis ouvir parte da conversa. No fim a morena não aguentou ver Emma enfrentar as palavras duras e a atitude tão preconceituosa e idiota da mãe, ela tinha que dizer algo. Afinal a loira sempre esteve lá para ela em todos os momentos, e ela faria o mesmo por Swan. Era o seu lema não desistimos no primeiro tombo, e Regina não desistiria no primeiro embate com Mary Margaret Nolan.
— Primeiro quem é você? — Mary questionou a morena a olhando de cima a baixo.
— Eu sou a namorada da sua filha. A mulher em questão que está julgando sem ao menos conhecer. — Regina foi direta em sua reposta.
— Então é a responsável por fazer minha filha deixar Killian.
— Se quer dizer que sou a responsável por fazer Emma feliz Sr. Nolan sim eu sou culpada.
— Mãe pare de falar bobagens, Regina não é responsável por nada. — Emma interviu. — Eu sou adulta e respondo por meus atos. E já lhe disse que minha relação com Killian acabou simplesmente porque eu não o amava, nunca o amei de verdade, entenda isso. Eu não posso fazer com que a senhora aceite minha relação com Regina, mas terá que respeitar se ainda quiser fazer parte da minha vida.
Mary não reconhecia a filha, Emma parecia decida e disposta a qualquer coisa para defender o que tinha com aquela mulher. Por um momento Mary se lembrou de seu passado e de como enfrenta problemas semelhantes com os pais de David na época em que começaram a namorar. Ela era de origem humilde, e David de família rica e ela teve que lutar bastante para ser aceita. Ela refletia o peso do preconceito que um dia sofrerá e agora demonstrava com filha. Sentiu um nó na garganta e seu peito se apertar, queria pensar diferente. Só que sua criação e os valores lhe passados eram outros, aceitar aquela situação com outras pessoas parecia mais simples, mas quando acontecia consigo mesmo era que vinha o verdadeiro teste. Mary queria que sua filha fosse feliz, mas não entedia que ela já estava feliz. Independente do resto, independente de ser uma mulher. Mary Margaret precisava rever seus conceitos e convicções, mas ela era acomodada demais para dar o primeiro passo. Só que ela tinha se esquecido, que a vida sempre da um jeito de por tudo no seu devido lugar.
— Emma... — Mary Margaret tentou argumentar.
— Mary eu acho melhor você ir embora, já nós exaltamos demais por hoje.
Regina se aproximou de Emma e entrelaçou seus dedos aos dela e apertou firmemente, como se quisesse lhe mostrar que ela estava ao seu lado. De repente as náuseas de sempre voltaram e Mills cambaleou, mas foi amparada pela fotografa.
— Amor você está bem?
— Estou Emma, foi só uma tonteira. — A morena tentou tranquiliza-la.
A cena chamou atenção de Mary e por um mero segundo ela se sensibilizou. E ela não pode negar o olhar de ternura que Emma deu a Regina, e ela teve certeza que sua filha jamais tinha dado um olhar igual a Killian nas inúmeras vezes que a mulher presenciara os dois juntos.
— Ela está bem? — Mary perguntou meio sem jeito.
— Sim, ela só precisa descansar. — Swan respondeu seca. — Mary eu vou lhe pedir mais uma vez, agora não é uma boa hora para continuarmos esse assunto...
— Eu já entendi Emma e estou de saída. Conversaremos em outro momento.
— E eu estarei presente Sr. Nolan. — Regina fez questão de se impor sua presença.
Mary nada respondeu, apenas partiu em direção a porta e foi embora. Emma finalmente respirou aliviada e se permitiu chorar, Regina a abraçou forte tentando lhe mostrar que tudo ficaria bem.
— Vai ficar tudo Emma. Não importa o que sua mãe pense, eu não vou lhe deixar. — A morena disse a namorada. Em seguida lhe deu um beijo na testa.
— Era para eu estar cuidando de você Mills e não o contrario. — Emma respondeu com a voz embargada.
— Cuidaremos uma da outra então Swan. E assim ficamos quites. A fotógrafa lhe deu um sorriso fraco e voltou a se aconchegar nos braços de Regina. Elas tinham uma a outra e tinham as crianças e resto não importava.
***
No cantinho escondido no corredor, um garotinho assista a cena se sentindo culpado. Ben não conseguia entender o porquê a mãe de Emma tinha ficado tão brava ao descobrir que ela namorava sua mãe. Será que amar era errado? O pequeno estava confuso e voltou para quarto sem que ninguém o visse e chorou sozinho. Até que Anna o encontrou e lhe consolou mesmo sem saber o porquê do choro. Quando a noite chegou, Emma tratou de colocar todos juntinhos, e isso incluía as crianças.
— Hoje vocês dois vão dormir comigo e sua mãe. — Emma comunicou as crianças.
— Serio Ma? — O garoto perguntou animado com a ideia.
— Sim pequeno.
— Eu não sou um bebê para dormir com vocês. — Anna reclamou logo atrás.
— Para mim você sempre será um bebê. — Regina respondeu abraçando a filha por trás.
Anna relaxou nos braços da mãe e se rendeu a ideia de dormirem todos junto. O dia tinha sido difícil para aquela família que começava a se formar, mas eles “não desistiam no primeiro tombo”. E embora os eventos do dia doessem naquele momento Emma, Regina, Anna e Ben não desistiram uns dos outros porque eles eram uma família e família não abandona. E foi na noite de sono, envolvidos uns nos braços dos outros que tiveram ainda mais certeza disso, estariam juntos a qualquer preço. Fossem nos bons momentos ou nos ruins, porque se amavam de verdade e valia a pena lutar por isso.
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