Acordei, já não estou mais dentro do labirinto. Para falar-lhe a verdade não sei aonde estou. É um lugar lindo, a margem de um rio, tudo aqui é extremamente tranquilo. Estou deitada sobre uma rede tecida cuidadosamente, com um frescor de rosas, mas algo incomoda-me.

-Desculpe-me por ter feito você ficar aqui fora, Kiara.

Lá estava o dono da voz que eu ouvira antes de entregar-me ao cansaço.

-Elliot!

Sentei-me na rede para dividi-la com ele, que aceitou o espaço e sentou.

-Mas, Elliot, como você achou-me?

-Você estava bem perto daqui e chorava desesperadamente, não podia deixar de ajudar.

-Você sabia que era eu?

Ele sorriu para mim.

-Apenas quando vi sua trança.

Elliot não estava com cara de querer dar muitas explicações, por isso, preferi permanecer calada.

-Suas pernas devem estar doloridas.

Agora que eu havia dado-me conta do que está incomodando-me, as minhas pernas.

-Um pouco.

-Você parece triste.

-Pareço?

-Sim, seu rosto não está tão iluminado quanto antes.

-São alguns problemas.

Nunca gostei de contar os meus problemas, sempre preferi falar sobre coisas mais alegres. Acho que Elliot percebeu isso, pois preferiu mudar de assunto.

-Bom, bem-vinda ao meu lar!

-Você mora aqui?

-Sim.

-Puxa, é lindo!

-Obrigado. Confesso que foi um pouco difícil de encontrá-lo, mas quando finalmente o achamos... Foi como encontrar o paraíso.

Naquele momento uma mulher apareceu, provavelmente a mãe de Elliot, ela é muito diferente. Tem as orelhas bem pontudas, os cabelos muito longos e ela é albina.

-Você é a Kiara, não é mesmo?

-Sim.

Ela fez um cumprimento estranho que eu não conhecia, Elliot disse-me bem baixo que é uma maneira do povo dele se cumprimentar e eu tentei fazê-lo, mas confesso que minha tentativa foi em vão.

-Sou Cristal, a mãe de Elliot.

Eu sorri para ela, Cristal por outro lado não fez questão de retribuir. Uma flecha, que por sinal, igual á que o Ricco havia achado, passou bem perto do rosto de Cristal e atingiu em cheio uma árvore há muitos metros de distância dela. Uma pequenina garota e um rapazinho bem parecido com ela, surgiram por trás de uma árvore, sorridentes.

-Eu disse-lhe, Luna, que iria conseguir!

-Ah, Demetri, mas você usou a nossa mãe como ponto de apoio.

-Não usei nada!

Elliot falou novamente bem baixo.

-São os meus irmãos, esses são gêmeos, a Luna e o Demetri, eles sempre andam com suas flechas.

Era muito bom ver a inocência das crianças, seus sorrisos sinceros e suas palavras ingênuas. Os dois vieram até mim e fizeram o cumprimento do povo deles, dessa vez eu apenas fiz o cumprimento do meu povoado.

-Olha, ela não é igual a nós! -- A pequenina Luna dizia enquanto brincava com os meus cabelos.

-Deixem a garota em paz! -- Um homem muito parecido com as crianças tentava livrar meus cabelos de Luna e Demetri.

Quando ele finalmente conseguiu, virou-se para mim.

-Sou Zafir, pai de Elliot.

-Muito prazer senhor, sou Kiara.

Cristal apareceu com uma caneca.

-Beba isso, irá fazer-lhe bem.

A caneca estava extremamente quente, dei um pequeno gole para tentar descobrir do que era feito, mas era um sabor muito diferente. Elliot mais uma vez percebendo minha dúvida, já começou a explicar do que o chá era feito.

-É canela com uma fruta rara que tem aqui perto.

Eu sorri para ele, realmente o sabor daquela fruta era muito bom, mas eu nunca a havia provado.

-Esse chá cura algumas dores -- Agora Elliot olhava fixamente para o rio á nossa frente -- Logo suas pernas irão melhorar.

De repente Elliot colocou-se em alerta, levantou-se da rede, pegou uma espada que estava á nossa frente e ficou parado, parado feito uma pedra.

-Elliot?

Ele apenas pediu silêncio para todos. Em alguns segundos o silêncio havia tomado conta do lugar.

-Bom dia, senhores.

Naquele momento um homem extremamente alto aproximou-se ferozmente de nós, ele estava com sua armadura pronta para o ataque. O homem tentou atacar Elliot, entrei em pânico. Zafir puxou-me junto com a Luna e a Cristal e levou-nos rapidamente para dentro da casa deles.

-Fiquem aqui, haja o que houver, não saiam daqui!

Cristal segurava Luna em seu colo e empurrou-me para subir umas escadas que estavam á nossa frente.

-Cristal, nós temos que ajudá-los!

-Não -- Era incrível como ela conseguia ficar calma -- Você ouviu o quê o Zafir disse, iremos permanecer aqui!

-Cristal...

-Obedeça-me!

As escadas pareciam não ter fim, mas quando finalmente chegamos, percebi o porque que devia de ser tão alto. O lugar era uma cabine, onde dava para ver tudo o que passava-se em baixo da casa. As pessoas que agora lutavam já haviam aumentado. Com Elliot havia cerca de cinquenta pessoas a mais e com o outro homem que havia tentado atacá-lo havia mais pessoas ainda, porém, todos lutavam bravamente. Cristal segurava em suas mãos um enorme arco-e-flecha e ela deu um igual para Luna, as duas miraram e lançaram certeiramente em um dos homens já muito cansados. Eu seguia Elliot com meus olhos, ele tinha muita agilidade e coragem. Quando muitos viraram poucos, Cristal virou-se para mim.

-Não é bom para ninguém ter de olhar isso, não é mesmo? Desculpe-me, mas não posso deixar você passar por isso.

Antes que eu tentasse falar algo, ela pegou um incenso muito forte que estava dentro de uma jarra e colocou na minha frente. O cheiro foi penetrando entre o meu nariz, aquilo foi deixando-me cada vez mais tonta, por um momento não sabia mais o que estava passando-se e a última coisa que vi, foi Elliot levando um golpe na barriga, então o cheiro tomou conta de mim e fez-me cair no chão sem ter conciência sobre nada de mim.

Notas finais
Gostaram?