Notas iniciais
Espero que gostem (:

Levantei-me desesperadamente. Pronta para descer aquelas escadas e ajudar Elliot, ajudar Zafir e a todos que estavam enfreitando tudo aquilo, não sei o por quê que eles realmente estavam lutando, mas eu tinha que ajudar, não podia deixar Elliot morrer. Quando pensei nessa imagem meu coração doeu, não conseguia se quer pensar nisso.

Eis que quando reconheci onde estava percebi que mesmo que corresse muito, não saberia chegar até Elliot. Estava em casa, deitada na minha cama, não sabia o que havia acontecido.

Abri a janela do meu quarto e já estava quase amanhecendo, uma leve gároa tomava conta de meu vilarejo. Algumas bandeiras coloridas transpassavam pelas ruelas, hoje haveria alguma festa aqui, mas não conseguia lembrar-me de qual, para falar-lhe a verdade estava tão preocupada naquele momento com Elliot que não conseguia nem lembrar-me da coisa mais feliz que já havia vivido. Eu estou de pijama, meu pai deve ter me trocado quando trouxeram-me. Fui até a cozinha e lá estava o motivo para todo aquele sofrimento que invadia parte do meu peito, a carta que nos mandaram do Castelo Monter Viv. Troquei-me rapidamente e fui até a praça central. O canto dos passarinhos que voavam sobre a ponte e acompanhavam a luz do sol.

Senti uma mão sobre os meus ombros, por um momento achei que era Elliot, meu corpo sentiu um alívio imenso.

-Kiara, está tudo bem?

A voz rouca entregava que não era Elliot, meu coração apertou-se novamente, mas não tanto quanto antes, pois ouvir a voz de Ricco sempre soava como um alívio para mim. Tentei mentir para ele, mas ele conhecia-me muito bem para acreditar nas minhas tolas mentiras.

-Diga-me, o que está se passando com a minha amiga?

Contei tudo que havia acontecido no dia anterior, menos a parte do meu vilarejo estar sobre uma forte ameaça, ele ouvia tudo o que eu dizia atentamente.

Naquele momento meu pai tinha acabado de sair de casa, corri atrás dele.

-Pai!

-Filha.

-Como o senhor está?

-Estou bem.

-Pai, quem trouxe-me ontem?

-Foi uma mulher, como ela chamava-se mesmo...

-Cristal?

-Sim, era esse mesmo o nome. Ela contou-me o que aconteceu...

-E Elliot, ela falou alguma coisa dele? E Zafir?

-Sim, eu estou bem sim e Zafir... Vai recuperar-se.

Não tinha sido meu pai que falou aquilo, havia sido alguém cuja a voz tão suave foi capaz de aliviar meu coração. Virei-me para trás e lá estava Elliot são e salvo na minha frente. Eu o abraçei. Não o conhecia a muito tempo, mas algo nos ligava, sentia-me muito confortável perto dele, sentia uma sensação de proteção.

-Posso conversar com a senhorita?

Meu pai distânciou-se de nós enquanto começávamos a conversar.

-Ontem não era para ser daquela maneira, desculpe-me, Kiara.

-Está tudo bem, desde que não assuste-me dessa maneira.

Ele começou a rir.

-E você também. Quando eu te vi ajoelhada lá no labirinto, eu... Eu senti meu coração apertar-se até quase contorser-se. Desculpe-me por estar falando-lhe isso mas, eu conheço-lhe tem pouco tempo, só que sinto-me tão bem perto de ti, como se nós fossemos...

-Ligados.

Ele olhou um pouco incrédulo para mim, mas eu sabia exatamente disso, eu estava sentindo a mesma coisa.

-Elliot posso fazer-lhe uma pergunta?

-Sim.

-Porque houve aquela batalha?

Ele olhou para o céu, ainda estava garoando.

-Dizemos que o meu povoado está muito ameaçado.

-São Rulfoos?

-Foi o que disseram-lhe não? Os sábios do Castelo de Monter Viv disseram que seu povoado estava ameaçado pelos Rulfoos, certo?

-Mas como? Como você sabe?

-Foi a mesma coisa que mandaram para o meu povoado.

-Mas não é? Os Rulfoos não estão tentando invadir os nossos vilarejos?

-Ora, Kiara, pense, os Rulfoos já invadiram várias vezes o Labirinto de Callif e eles jamais conseguiram chegar a nenhum vilarejo ou povoado. Eles não tem nem sequer uma mera e pobre inteligência.

-Sim, mas então...

-Então, que os homens que tentaram invadir o meu povoado era uma pequena parte do exército do Castelo de Monter Viv.

O que Elliot falava havia sentido, afinal os Rulfoos não são seres inteligentes. E as fardas daqueles homens que havia visto no povoado de Elliot eram de detalhes muito belos para serem apenas de territórios perto dos nossos.

-Mas porque os sábios do Castelo querem tanto acabar com o meu... Quero dizer, nossos povoados?

-Posso ter certeza que o seu vilarejo cresce a cada minuto, Kiara, e posso lhe certificar, meu povoado produz as melhores frutas de todo o nosso território.

-Então, os sábios do Castelo de Monter Viv seriam...

-Egocêntricos? Exatamente. Extremamente egocêntricos, imagine, se qualquer um de nossos povoados revoltar-se contra o reino deles, eles estão perdidos! Estão totalmente vulneráveis.

-Mas são as vidas de várias pessoas em jogo, a sua moradia, eles seriam tão frios assim?

-Nunca os subestimem, Kiara.

Nos perdemos nos nossos pensamentos, até que Elliot abriu um largo sorriso.

-Queres dar um passeio?

Um passeio seria muito bom nesse momento, já que qualquer coisa que pudesse distrair-me seria bem-vinda. Apenas balancei a cabeça positivamente para ele.

-Venha comigo.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.