Notas iniciais
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Acordo com um mosquito rodeando meu corpo.

Levanto-me de minha cama, visto meu roupão e preparo meu café. Nada diferente de minha rotina ordinária. Ah sim, a única diferença, é que o corpo nu em minha cama não é o da mesma mulher da semana passada, mas isso são detalhes irrelevantes.

São oito e meia, elas geralmente acordam as nove.

Vou até a varanda tomando pequenos goles de meu café. Fixo meu olhar na silhueta de Paris. A torre Eiffel não é muito longe de meu apartamento, mas isso é proposital. A mulherada ama uma paisagem assim.

Eu tenho um estranho costumo de encarar o horizonte para afastar pensamentos estressantes de minha cabeça. Pode parecer bobagem para um cara como eu, mas acho importante valorizar pequenas ações que acabam servindo para algo bom. Hoje é um daqueles dias em que procuro ver o máximo de detalhes que consigo, hoje é o primeiro dia de filmagem do próximo filme que estrelarei. E o pior de tudo isso é que a produção é um saco. O diretor é o tipo de cara que já passou dos cinquenta, mas insiste em tentar ser moderno. A roteirista é uma mulher apaixonada por teatro musical e colocou um numero musical no filme. E por fim temos a protagonista, um pé no meu saco, ela é extremamente gostosa, mas tão ignorante que acho que ela é lésbica ou uma daquelas pessoas religiosas que tem medo de sexo.

-Bom dia Monsieur! – uma voz feminina surge por de trás de mim.

-Bom dia Abiga... — Ela contorce a cara em desaprovação. – Agne... Angeli...

-Amélia! – ela me corrige dando um tapa em minha bunda.

Ela se joga em meus ombros passando a mão lentamente por todo meu abdômen. Odeio esse tipo, aquele que você passa a noite e na manha seguinte acha que possuímos química e fica em cima de mim.

-Bom, Amélia. – digo afastando ela em vestido cor nude de meu corpo. – Essa noite foi épica... Mas o papai aqui precisa trabalhar então o que você acha de dar um fora e eu e ligo essa noite? – Termino minha frase puxando-a para dentro do apartamento em direção à porta.

-Mas... Alain...

-Tenha um bom dia! – abro a porta e dou um beijo na boca dela. – Eu te ligo docinho! – Fecho a porta dou suspiro aliviado e murmuro para mim mesmo. – E a ligação nunca será feita!

Estou a um passo de meu sofá quando meu telefone toca. Atendo com desgosto, porque afinal, são dez para as nove da manhã!

-Mousieur Blanche, onde você está? Combinamos as nove e você não esta aqui ainda! – É Maurice, o diretor.

-Estou a caminho. – indago num bocejo.

-Eu juro que se você não fosse um dos melhores atores de toda a Franca, você, Alain Blanche, estaria na rua!

-Também amo você Maurice! – desligo o telefone com um sorriso irônico.

...

-Bom dia Janet! – pisco para a garota da cantina do estúdio. Transei com ela faz umas semanas já.

-Bonjour Alain! – Ela responde com um olhar apaixonado. Nojento.

Caminho até o cenário onde ocorre a primeira cena de “A Cor Do Amor”. O cenário é basicamente um bar, onde o meu personagem conhece Mirelle, mais conhecida como Rose, àquela moça ignorante.

-Atrasado como sempre. – Rose caminha em minha direção segurando o roteiro. Ela faz uma cara pensativa e continua a falar – Deixe-me adivinhar... Ela era pegajosa ou o sexo foi tão bom que durou até às quatro da manhã e você acordou atrasado?

Envolvo-a com um de meus braços e falo com uma voz feminina:

-Oh Alain! Você é o melhor. Quero você pra sempre! – Digo emitindo gemidos e depois rindo da cara de desgosto de Rose.

Ela gentilmente tira meu braço de volta dela e caminha de volta para o cenário:

-Muita informação.

-Um dia você será uma delas! – indago convencido.

Ela simula um vômito falso e se posiciona no cenário.

-Muito bem senhoras – Maurice entra e senta-se em sua cadeira de diretor – Entrem figurantes e... Alain! Você veio!

-Não perderia por nada! – respondo com falsa disposição e entro no cenário.

Sento-me no balcão do bar e troco rapidamente um dialogo com Rose:

-Minha casa para ensaiar hoje à noite?

-Nem morta.

Ela pode ser pretenciosa, mas não deixa de ser mulher, com peitos e... Enfim, não desperdiçaria as chances de entras nas calças de Rose Esme. Principalmente agora que passaremos horas filmando.

-Você vai sim. – Murmuro um pouco antes do diretor gritar:

-Ação!