La Petite Mort
12 Veredictos - Parte II
Notas iniciais
Alguns dias se passaram e não houve qualquer mudança na situação desconfortável que se instalara entre os Weasleys, Hermione, Harry e Fleur.
A matriarca Weasley, surpreendentemente, resolvera ficar em silêncio e parecia estar descansando de todo o estresse emocional da primeira audiência e do primeiro embate com Fleur Delacour. Porém, Ottery St. Catchpole era uma cidade pequena, e a notícia de que a batalha judicial das duas culminara na quebra do clã Weasley era a última notícia mal dita pelas ávidas rodas de fofoca do povoado. Tanto Fleur quanto Molly eram vítimas de olhares curiosos e afoitos quando resolviam dar às caras pelas ruas da cidade.
Esses olhares pareciam inflamar o orgulho de Molly, mas Fleur, contrariando seu temperamento obstinado e impaciente, estava mantendo-se fora dos holofotes. A francesa começava a trabalhar no dinner pela manhã e só saía tarde da noite, inclusive, assumira a função de fechar o local. E Fleur sabia que o seu isolamento da cidade não era somente por causa da curiosidade impertinente dos moradores do povoado e, também, por causa da situação que se instalara entre ela e Hermione desde que, subitamente, explodira e dissera seus sentimentos em voz alta, tornando-os reais.
As duas não se falavam desde o acontecido no estacionamento do fórum. Fleur não ligara porque estava envergonhada demais e temerosa o bastante, porque sabia que exagerara e reagira de forma insegura. E Hermione parecia ser o tipo de mulher forte que não tolerava aquele tipo de comportamento.
As horas e dias distantes de toda a intensidade e irracionalidade que permeavam a relação das duas fez com que Fleur abrisse os olhos e, principalmente, pensasse sobre certas situações que antes, só sentia.
Fleur já admitira para si que estava apaixonada por Hermione. Aliás, mais do que isso... Seu carinho, sua admiração e sua preocupação em relação àquela morena estavam muito além de qualquer paixonite, Fleur sabia que as coisas estão mudando dentro de si em uma velocidade assustadora.
Aquela negação silenciosa enxergada nos olhos castanhos de Hermione a assombrava, assim como aquela dúvida que ocupou o semblante sempre seguro. Fleur envolveu-se sabendo de toda a bagagem emocional que a morena carregava, mas não sabia que aquela bagagem poderia, de fato, esmagá-la.
Fleur sabia que errara ao não deixá-la explicar... Mas a insegurança a sufocou, a sensação de perda falou por ela. Fleur já não tinha mais forças diante de uma perda e ela, naquele trágico momento do estacionamento, preferiu despejar uma mentira para não enfrentar uma derradeira verdade: Estava apaixonada por Hermione Granger, tinha um medo absurdo de perdê-la e não sabia o que faria quando ela deixasse Ottery St. Catchpole e, consequentemente, sua vida.
E, do outro lado matrimonial, Bill permanecia distante de sua família. Aparentemente, Molly instalara um voto de silêncio entre os ruivos porque o primogênito não conseguia entrar em contato com o pai, muito menos, com os seus irmãos. Bill sentiu-se incompreendido, seus pais não seriam capazes de compreendê-lo se ele não dissesse quem era de verdade... O ruivo, então, lembrava-se dos sacrifícios assumidos por Fleur para que ele, hoje, fosse feliz naquela estranha relação que possuía com Cedric e sentia-se culpado, ao extremo.
Fleur deixara muita coisa de lado para que ele fosse feliz e Bill gostaria de deixar algo que iluminasse a vida dela, precisava retribuir. Fleur merecia isso.
A mesma mãe que lhe ensinara a generosidade e gratidão, agora, era a mesma que queria impedi-lo de realizar um ato que representasse, de fato, esses ensinamentos passados a ele. Bill estava com o coração na mão, mas não poderia abandonar Fleur quando ela foi a única que lhe ofereceu a mão no passado... Mesmo que os dois estivessem separados, ainda havia o amor que os unia. Bill amava Fleur e não negaria isso.
Bill caminhava entre as prateleiras de um dos mercados do povoado, com uma lista de reposições a serem feitas para o “La Petite Mort”. O ruivo achara estranho quando Fleur resolveu, no final do expediente, arrumar o estoque. Na verdade, ele sabia que, provavelmente, alguma coisa acontecera com ela e ela estava evitando pensar no fato... E Bill não a pressionaria caso ela não quisesse falar, já a pressionara demais nos últimos tempos. Fleur merecia um tempo.
Porém, agora estava ali, empurrando um carrinho enquanto sua mulher se enfurnava na cozinha, tentando esquecer o que a estivesse preocupando. Bill deixara Cedric avisado sobre suas preocupações e o moreno estava encarregado de lhe avisar caso Fleur saísse do controle e precisasse de apoio. Em momentos como aquele Bill sentia-se como um pai para Fleur e, considerando a história familiar da francesa, ele sabia que ela não negaria um pouco de preocupação paternal.
– Olha só quem está aqui, mamãe! — Bill ergueu os olhos da lista quando escutou a voz de sua irmã, Gina. A ruiva tinha um sorriso irônico nos lábios e o cotovelo apoiado no carrinho, os olhos estavam frios e Bill não se deixou intimidar pela carranca que se formou na face da caçula. Molly, ao seu lado, deixou o que carregava dentro do carrinho e virou-se, fria, para o filho mais velho. — Veja só senão é Bill, o traidor.
– Por favor, eu não quero mais um escândalo! Se vocês duas querem me ofender, façam isso sem platéia. — Bill resmungou uma resposta de mal grado, procurando passar por elas com o carrinho. Porém, Gina deu um pulo para lado, bloqueando seu trajeto, as mãos apoiadas nas beiradas do carrinho. Bill franziu a testa para irmã que grunhiu:
– Não lhe ofenderíamos se você não nos desse motivo. O que diabos aquela francesa estúpida colocou em sua cabeça para que você perdesse tanto a noção das coisas?
– Você ainda é minha irmã e ao contrário de você, eu prezo por isso, Gina. Não me obrigue a ser rude com você! — Bill contra-atacou com a voz levemente enrouquecida pela fúria que ele tentava conter. Ao seu redor, os demais clientes do supermercado começavam a perceber a tensão instalada entre os dois irmãos. Molly pigarreou e os dois filhos olharam para ela, a senhora tinha os braços apoiados na cintura e fria, disse:
– Você não preza coisa alguma, William! Caso contrário, não teria entregado aquela maldita carta à advogadazinha de quinta que defende a sua futura ex- esposa! Aliás, se você realmente nos quisesse bem, não tinha se afiliado àquela francesa rude e gananciosa!
– Eu não vou deixar que vocês insultem Fleur na minha frente! — Bill bradou algumas oitavas acima de seu tom de voz habitual, lentamente, o vermelhidão começava a tingir seu pescoço, orelhas e face. O ruivo largou o carrinho e sacudiu a cabeça, sentindo uma dor desconfortável incomodar a sua têmpora. — Ela não merece isso!
Gina e Molly Weasley entreolharam-se com rostos risonhos e sarcásticos, a visão das duas mulheres que amava rindo da honestidade de seus sentimentos fez Bill perder o controle. O empresário aproximou-se das duas com a postura tensionada e passos pesados, a fúria evidente em sua aproximação. Bill segurou as duas pelos antebraços, arrastando-as para longe dos espectadores da briga familiar.
Dentro de si, Bill sentia a verdade lutando para ser expelida. Seu coração estava acelerado e totalmente indignado por ter tão grande sentimento aprisionado. Bill temia pela reação de sua família e da cidade em que crescera, mas não agüentava mais negar algo que estava dentro dele, e que o fazia feliz, há tanto tempo. Não era justo com ele, com Cedric, com Fleur... Ele havia confundido o medo e o egoísmo com a tentativa de proteger todos os corações envolvidos naquela equação. As pessoas não deveriam pensar sobre Fleur daquela forma, não quando ela foi a única que o segurou durante tanto tempo... Totalmente entregue as suas emoções, disse frio:
– Eu não vou deixar que vocês insultem a única pessoa que soube me apoiar quando eu a traí com Cedric e me descobri gay.
Mal Bill tinha soltado a bomba e já se arrependera. O ruivo observou os rostos de sua mãe e irmã perderem o ar risonho e assumirem o choque, as duas arregalaram os olhos castanhos iguais e abriram a boca, surpresas. Bill tinha lágrimas nos olhos quando as olhou pela última vez e respirou pesado. Ignorando as compras que fizera, o rapaz saiu desolado pela porta do supermercado e correu pelas ruas da cidade até afastar-se do supermercado.
Ofegante, apoiou na parede de um dos antigos prédios de Ottery St. Cacthpole e apanhou o celular. Seu dedo trêmulo vacilou ao chegar ao contato de Fleur, ele rolou a tela e encontrou o contato de Cedric. Selecionou a opção verde que chamou duas vezes até ser atendida, escutou o riso divertido de Cedric, mas não esperou o cumprimento. Bill suspirou pesado e, com a voz quebrada, murmurou:
– Eu preciso de você, minha família sabe sobre nós.
– Estou a caminho, meu amor... Não surte sozinho, eu estou aqui contigo. – A voz rouca e preocupada de Cedric o tranqüilizou naquele momento, Bill retomou seu caminho para casa e esperou.
Sabia que precisava de Fleur também, mas não era capaz de pressioná-la de novo. Bill estava cansado de ser o fardo que ela carregava e protegia, Fleur também precisava se cuidar, ela também precisava ser feliz...
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“Você pode até não me atender, mas sabe que devemos terminar isso de uma forma ou de outra. Seja onde você estiver, volte.”
A mensagem de celular estava sendo exibida na tela há pelo menos quinze minutos. Hermione a recebera depois de ignorar algumas ligações daquele número específico de Londres. Essas incômodas novas tentativas de contato eram apenas mais um acréscimo na série de problemas que ela possuía.
A começar, Fleur.
Hermione sentia muita falta da francesa, mais do que era capaz de admitir. A reação de Fleur aos seus segredos não revelados e ao seu silêncio a impressionaram, Hermione jamais suspeitaria que tudo estivesse tão à flor da pele entre elas... Aliás, Hermione não suspeitava que tudo estivesse tão intenso dentro de si.
A morena não percebera quando ocorrera, mas estava apaixonada. Sabia disso. E, talvez, realmente, estivesse alguns níveis além dessa sensação.
Hermione não sabia quanto perdera o controle da situação, mas sabia que, naquele momento, as duas estavam distantes uma da outra por culpa exclusiva sua. E aquela culpa estava sufocando há dias, Hermione realmente sentia falta de Fleur e seria capaz de fazer qualquer coisa para ter a companhia da francesa de volta.
Mas como faria algo se ainda estava tão presa ao seu passado?
Era nesse ponto que os outros problemas que a assombravam voltavam... Hermione achara que, depois de todo aquele tempo e de todas as mulheres que passaram pela sua vida naquele ano, ela já estivesse pronta para seguir em frente... Mas ainda existia mágoa, ainda existia o medo.
Hermione tinha medo de voltar a se entregar a alguém e fora justamente isso que a impedira de contar seus segredos e destrinchar sua alma para Fleur. A morena parecia ainda não estar pronta para voltar a confiar em uma pessoa e entregar seu coração a ela. Aquela maldita relação destruíra tudo que Hermione sonhadoramente acreditava...
– O que tem de tão interessante em seu celular? — A voz de Harry veio de suas costas, Hermione sobressaltou-se e virou-se no sofá, encontrando o amigo caminhando para a sala com uma xícara de chá em mãos. O moreno franziu a testa para o comportamento dela, Hermione respirou fundo e massageou as têmporas antes de responder, cansada:
– Ela quer que eu volte a Londres e termine de resolver nossa situação.
– Mas não tem o que ser resolvido, vocês já se separaram... — Harry comentou com a expressão repleta de desagrado, Hermione observou o ódio que seu amigo sentia pela sua ex se manifestar com intensidade nos olhos verdes que se tornaram frios. Harry bebeu com gole do chá e olhou sério para ela. — Nós dois sabemos que ela só quer uma desculpa para reencontrar você e implorar seu perdão, de novo.
Hermione não era boba e percebeu o tom ligeiramente temeroso de Harry. E ela não o repreendia por ser tão desconfiado, afinal, depois de tantas idas e vindas de seu relacionamento anterior, ela compreendia a preocupação exacerbada que ele possuía em relação a sua ex. A própria Hermione ficava nervosa quando a vida trazia sua ex de volta ao jogo.
Porém, mais preocupante do que isso eram os efeitos que aquilo trouxera ao que tinha com Fleur. As palavras da francesa ainda estavam ecoando na cabeça de Hermione, a morena queria entregar-se a ela, queria que ela ficasse por perto e, principalmente, queria que aquele medo se dissipasse.
Ela queria ser capaz de confiar em Fleur e de experimentar, por completo, o que aquela relação podia lhe trazer.
– A não ser que você ainda tenha algo a resolver com ela... — Harry sugeriu com o tom de voz levemente decepcionado e um discreto revirar de olhos, Hermione apreendeu tudo pelo canto dos olhos e envolveu o próprio rosto em suas mãos, respirando fundo. Harry tomou mais um gole de chá e espreguiçou-se. — E, se for isso, eu ficarei muito bravo contigo... Mas não deixarei de lhe apoiar.
– Não! Não é nada disso, Harry! Eu só estou preocupada com Fleur... Eu mal a conheço, não sei como ela vai reagir quando eu mostrar que, por debaixo de toda a minha confiança e teimosia, eu tenho muito medo de me envolver. — Hermione respondeu exasperada, levantando-se abruptamente do sofá e colocando-se em pé, caminhando de um lado para o outro. Harry a observava atento, mas calado. — Eu tenho muito medo de não ser capaz de me entregar. Fleur merece uma pessoa que seja inteira dela.
– E você não pode ser isso, Hermione? Você a assumiu a causa dela, está a protegendo e, pelo que Bill me conta, está trazendo algo a mais na vida dela... Inconscientemente, você está sendo inteira, da sua forma, com ela. Isso que você tanto teme e esconde também faz parte de você e também é um lado que ela deve aprender a amar... — Harry respondeu de forma sábia e pragmática, enfatizando o verbo no final da frase. Hermione arregalou os olhos para ele porque se recusara a pensar em amor, na verdade, temia pensar nesse sentimento depois de todo aquele tempo. O moreno permanecia sentado, mas ele cresceu na discussão. Hermione suspirou e se jogou no sofá, novamente, colocou as mãos sobre o colo e perguntou perdida:
– O que eu devo fazer da minha vida, Harry?
– Seja corajosa como você é nos tribunais e seja sincera como você sempre é com quem ama, Mione. — Harry aconselhou com um sorriso de lado, afagando os cabelos castanhos da amiga. Hermione sorriu vencida para ele, algumas lágrimas teimosas brilhando no canto de seus olhos. O moreno deixou a xícara sobre a mesa de centro e abraçou a amiga, apertando-a em seus braços. — O mundo não vai parar e as pessoas não vão esperar que a gente conserte nossos corações para entregá-los a elas... E, talvez, elas os queiram quebrados, mesmo... Os querem quebrados para recomeçarem do zero com a gente.
Hermione escondeu o rosto no pescoço de Harry e o apertou de volta, era a sua forma silenciosa de agradecer. O moreno sorriu envolto pelo abraço da amiga e suspirou porque aquele conselho era tão para Hermione quanto para ele próprio.
O mundo não parava, pelo contrário, ele exigia que os feridos seguissem em frente. Cicatrizes eram verdadeiramente atrativas para alguns e a dor era inevitável. O sofrimento deveria ser apreendido e transformado... Os dois sabiam que segundas chances não vinham de graça, era a hora de reerguerem-se e lutar.
Era a hora de ter coragem, batalhar e esperar o veredicto.
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Fleur encontrava-se sozinha no “La Petite Mort”. O expediente já acabara e todos os funcionários haviam ido embora, porém, ela permanecia enclausurada no local. A chefe estava sentada em uma cadeira, observando as mesas sem toalhas em que outras cadeiras estavam apoiadas. Seu coração estava apertado, incomodando o seu interior e ela tentava afogar toda aquela angústia com um cigarro pela metade e uma taça de vinho na mão.
Uma música francesa permanecia tocando no ambiente, Fleur se recusara a desligar o som ambiente porque tinha medo do que o silêncio poderia fazer com seus nervos e suas emoções. A francesa apoiou o cotovelo esquerdo na mesa e levou o cigarro à boca, tragando-o longamente enquanto tentava não pensar em nada que não fosse a nicotina em sua corrente sanguínea.
Só que aquele químico, diferentemente das outras vezes, não estava a acalmando. Suas emoções, mesmo silenciosas, pareciam ainda mais inflamadas porque estas estavam queimando-a por dentro. Fleur soltou a fumaça pelo nariz e tomou mais um gole de vinho, deglutindo-o de olhos fechados.
Ainda estava enterrada em sua mente e presa aos batimentos de seu coração quando escutou a sineta da porta do dinner tilintar delicadamente. A corrente de ar frio acompanhou passos sorrateiros que ecoaram no chão do local. Fleur, de costas para a porta, abriu os olhos e anunciou cansada:
– Já fechamos.
– Eu sei, estive esperando o último cliente para entrar aqui. — Fleur reconheceu a voz, mas não o tom empregado nela. A francesa levantou-se e girou o corpo, encontrando Hermione corada e com um sorriso frágil nos lábios, a advogada deu de ombros e a olhou, envergonhada. — Ou, talvez, eu só estivesse nutrindo um pouco de coragem para enfrentar você depois de todo esse tempo.
Fleur ficou calada, tendo forças somente para olhar para os próprios pés. A francesa sentia seu interior reagir de forma calorosa à presença de Hermione, naquele momento, compreendeu o real sentido da saudade porque, afinal, seu corpo parecia impulsionar-se em direção ao calor de Hermione, tão diferente do frio em que ela vivera naqueles últimos dias. Porém, Fleur não sabia o que esperar e o medo do desconhecido a manteve firme e de olhos ao chão.
Hermione, por sua vez, aproximou-se sorrateira e trêmula. A delicada música francesa que tocava tornava o silêncio entre elas menos sufocante. Quando próxima, a morena respirou fundo e o cheiro de lavanda entorpeceu seu cérebro, fazendo seu coração acelerar e seus olhos brilharem. Naquele momento, Hermione compreendeu que não conseguiria lutar contra aquilo. Mesmo com medo, mesmo ferida... Ela queria aquilo.
E foi a sua teimosia, sua ânsia por ter Fleur de volta que a fez segurar a mão da francesa. Seus dedos envolveram-se os dela, retirando-lhe o cigarro da mão e o amassando no cinzeiro. Hermione apanhou a taça e colocou-a em cima da mesa e deu mais um passo adiante, Fleur recuou e a base de suas costas encontrou o tampo da mesa. Hermione, trêmula, ergueu o rosto dela com um delicado toque no queixo.
Os olhos azuis pelos quais era tão apaixonada a olharam em silenciosa súplica, pedindo para que aquele frio entre elas se dissipasse. Hermione, então, ficou na ponta dos pés e sem dizer nada, beijou os lábios de Fleur de forma casta e contida. Por alguns segundos, Fleur manteve-se imóvel até que os braços pálidos e longos envolveram a cintura de Hermione, erguendo-a levemente do chão ao mesmo tempo em que a boca da francesa se entreabria e, mais uma vez, permitia que Hermione a explorasse e tirasse tudo dela.
As duas se entregaram ao beijo e selaram, ali, um pedido de desculpa mútuo. Hermione sentiu Fleur se afastar dela e tentou puxá-la pela nuca novamente, mas a francesa envolveu seu rosto nas mãos pálidas e com um sorriso discreto, cantou junto com a música:
– “Quoi que je fasse,où que je sois.. Rien ne t’efface, Je pense à toi, quoi que j’aprenne... Je ne sais pas, pourquoi je saigne et pas toi.” *
– Eu vou querer saber a tradução disso? — Hermione questionou com a expressão leve e um sorriso no rosto, Fleur balançou a cabeça de forma negativa e beijou os lábios da morena mais uma vez, abraçando-a em seguida.
Hermione apertou-se de encontro a Fleur e, como se tudo estivesse conspirando para que elas se acertassem, o seu telefone tocou. A morena saiu do abraço, mas as mãos de Fleur permaneceram em sua cintura quando a francesa sentou-se sobre o tampo da mesa e a puxou para perto. Hermione segurou o aparelho em suas mãos e observou o nome de quem a ligava, depois, o estendeu para Fleur e, ansiosa, disse:
– É Astoria, minha ex-namorada. Eu não tenho como lhe contar tudo agora, mas eu preciso voltar a Londres e dar um final nisso. Eu não vou conseguir se você não estiver comigo.
Fleur olhou surpresa para Hermione e colocou uma mecha castanha atrás da orelha da morena antes de se aproximar e, novamente, beijá-la nos lábios. Hermione retribuiu de forma ansiosa e, quando Fleur se afastou, olhou preocupada para a francesa. Fleur sorriu para ela e afagou-lhe a bochecha e confessou:
– Eu acho que estou presa a você.
Hermione suspirou de forma aliviada e sorriu antes de ser interceptada, novamente, por lábios afoitos. A morena riu entre o beijo e se surpreendeu quando Fleur inverteu as posições e a empurrou de encontro à mesa, Hermione sentou-se sobre ela e permitiu-se ser observada pelos olhos azuis intensos e selvagens. Fleur a beijou novamente e, próxima a ela, Hermione respondeu:
– E eu não vou a lugar algum.
O veredicto estava ali, a pena estava sancionada e nenhuma das duas pensava em um recurso.
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* Trecho da música “Pas Toi” de Jean-Jacques Goldman. Porém, eu prefiro a versão da cantora Tal.
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