La Petite Mort

11 Veredictos - Parte I


Notas iniciais
Boa noite, pessoal... Como está o feriado de vocês? Antes de comentar a respeito do capítulo, gostaria de pedir desculpas a respeito da demora. Como eu já comentei antes, meu TCC está indo de mal a pior e esses últimos dias só trouxeram ainda mais tragédias ao meu projeto. Estava desanimada, irritada e estressada. Escrever nem passou pela minha cabeça durante esse tempo. Por isso, perdoem minha demora. Outra coisa, gostaria de agradecer pelos comentários e, especialmente, à leitora Thata Snape pela recomendação linda *-* Muito obrigada por suas palavras, chérie! Espero continuar a fazer jus a tudo que você elogiou! Quanto a esse capítulo, ele traz duas situações que, creio eu, vão surpreender vocês. Espero que gostem, boa leitura!

Hermione tinha o notebook aberto em cima de uma das mesas mais afastadas do “La Petite Mort”, seus olhos estavam protegidos por óculos de leitura e percorriam a tela do aparelho enquanto ela digitava os principais pontos a serem abordados na audiência do dia seguinte. A morena estava nervosa, os dias passados haviam sido loucos e ela não se sentia preparada para o que teria que enfrentar.

A advogada não poderia falhar naquela situação, muito de Fleur estava em suas mãos e Hermione não queria ser a responsável por fazê-la perder tudo que ela conquistara. O pensamento preso na francesa imediatamente a desconectou, a morena ergueu os olhos à procura de Fleur, encontrando-a conversando com os últimos clientes do dia. Os demais funcionários já tinham ido embora e a chefe ficara encarregada de fechar o caixa e as portas do dinner.

Hermione percebeu, com um sorriso tímido, que estava tornando-se rotineiro aterrissar no dinner nas últimas horas de expediente. Fleur fechava o estabelecimento enquanto ela trabalhava e, depois... Depois, as duas deixavam que a noite as levasse para o destino que fosse. Aquela familiaridade de ter alguém para quem voltar e, principalmente, a sensação de dividir o seu cotidiano com uma pessoa, fazia com que Hermione se perdesse, ainda mais, na situação que se instalara entre ela e Fleur.

A advogada, ligeiramente temerosa, admitiu silenciosamente e somente para si que era praticamente impossível não se apaixonar por Fleur Delacour. Naqueles dias em que a conheceu melhor, enxergou essências que jamais imaginava pertencer a ela. Fleur era uma mulher sedutora, complicada e inteligente. Características que, aparentemente, atraíam muito Hermione Granger.

A morena cedeu e permitiu-se ser beijada, mas seus reais sentimentos, aqueles que apertavam seu peito, ainda não tinham sido colocados à prova. E Hermione sabia que ainda não era hora de se entregar e se afogar naquela imensidão azul que a olhava e a engolia... Ainda existia um pouco de razão dentro de si e essa puxava o freio de mão e não permitia que ela acelerasse. E Hermione preferia assim. As etapas que estava percorrendo a faziam gostar, cada vez mais, de Fleur.

– A sua ansiedade deve estar muito incontrolável para você não ter percebido que, finalmente, estamos sozinhas. — A voz suave e melodiosa de Fleur interrompeu a torrente de pensamentos que ocupavam a mente de Hermione, a morena nem precisou erguer os olhos para saber que a francesa sorria. A advogada digitou algumas palavras enquanto Fleur puxava uma cadeira e sentava-se ao seu lado na mesa. — E, pelo visto, está muito concentrada para não compreender que eu não estou mais tão ocupada...

Hermione sorriu antes de apertar mais algumas teclas e fechar o notebook. Seus olhos castanhos encontraram os olhos azuis que estavam brilhantes e claros naquela noite, a advogada encostou-se esgotada na cadeira. Sua cabeça doía e ela levou os dedos indicadores às têmporas, massageando-as enquanto respondia com um sorriso cansado:

– Na verdade, desconfio que minha ansiedade e a minha concentração estejam transfiguradas em cansaço.

– Assim você me ofende, mademoiselle... Sou assim, tão complicada? — Fleur brincou com um sorriso, inclinando o corpo ainda mais sobre a outra. Hermione sentiu o cheiro de lavanda embriagar os seus sentidos, mais uma vez. A francesa alcançou os seus dedos e os removeu de suas têmporas, substituindo-os pelos próprios. Os dedos frios de Fleur massagearam sua pele em movimentos circulares, Hermione respirou fundo e, de olhos fechados, respondeu:

– Você é feita de complicações, Miss Delacour.

A risada de Fleur tomou o silencioso dinner, Hermione permitiu que esse som a levasse a um local mais leve e onde aquela incômoda dor não a incomodasse. A francesa a olhava fixamente enquanto massageava as laterais de sua fronte e Hermione não conseguia tirar os olhos dela, aproximou-se lentamente e aplicou um selinho na boca de lábios finos. Fleur sorriu com os lábios juntos aos seus e resmungou:

– Acho que a senhorita gosta de uma boa complicação.

– Na verdade, nos últimos dias, eu tenho gostado de qualquer coisa que envolva eu e você, sozinhas... — O tom de voz rouco e sedutor fez com que Fleur mordesse o lábio inferior de Hermione e a puxasse para si. A morena apoiou-se no assento de madeira da cadeira, a mão direita entre as pernas abertas de Fleur e a mão esquerda puxando o rosto pálido para si. Fleur respirou fundo e, finalmente, acabou com a distância entre elas.

O beijo, apesar da posição comprometedora em que as duas se encontravam, não possuía a urgência e o desespero dos beijos que as duas já tinham trocado anteriormente. As duas mãos de Fleur seguravam o rosto de Hermione enquanto ela beijava os lábios rosados de forma lenta e quase que admiradora. A morena sentia o sabor de Fleur em seu paladar, deliciando-se com os toques de vinho impressos na língua da francesa.

Fleur inclinou-se na cadeira e Hermione precisou levantar e inclinar-se para manter-se colada a ela. O ar estava faltando as duas, mas nenhuma delas queria se afastar. À procura de ar, Fleur desviou os beijos para o queixo moreno e, arranhando os dentes pela pele clara de Hermione, murmurou:

– Acho que alguém se esqueceu da dor e do cansaço.

– Você realmente parou de me beijar para dizer isso? — Hermione afastou-se por inteiro, franzindo a testa e olhando inquisitiva para Fleur. A francesa cruzou as pernas e sorriu, inclinando a cabeça e tentando transparecer um pouco da inocência, esta não estava presente na escuridão desejosa de seus olhos azuis. A morena colocou as mãos na cintura e ajeitou a postura, Fleur colocou-se em pé. A francesa riu da careta emburrada de Hermione e afagou-lhe a bochecha, justificando-se:

– A menos que uma de nós duas tenha aprendido a viver sem oxigênio, meu afastamento é extremamente justificável.

– E eu espero que você tenha respirado tudo que tinha para respirar, Delacour. — Hermione atacou com um sorriso de lado, o rubor chegando as suas bochechas no mesmo momento em que Fleur prensou seu corpo à mesa e colocou-se entre suas pernas, beijando-a voraz.

Hermione ria entre os beijos e arranhava a nuca de Fleur. A francesa suspirava de forma pesada enquanto a mordia e invadia sua boca, as duas pareciam presas uma a outra até que, infelizmente, o celular de Hermione tocou, separando-as mais uma vez.

A morena apanhou o aparelho na mesa com a mão direita enquanto a esquerda brincava com a barra do dólmã de Fleur. A francesa observou, atentamente, quando Hermione desbloqueou o celular e franziu a testa para o que visualizou na tela. Fleur procurou dar um pouco de privacidade para a morena, mas sua curiosidade aflorou ainda mais quando Hermione, totalmente fora do clima em que estavam anteriormente, disse:

– Bem, depois dessa interrupção, talvez seja melhor que eu vá para casa e termine de me preparar para amanhã.

– Foi a ligação, mon cher? — Fleur perguntou da forma mais gentil que a sua angústia permitiu. Preocupava-se com Hermione, mesmo diante de tão pouco tempo dividido com ela. A francesa fez carinho na bochecha da advogada que corou ainda mais, Hermione desceu da mesa e lhe beijou os lábios delicadamente, antes de dizer:

– Problemas londrinos. Não se preocupe. Eu só preciso de uma boa noite de sono, amanhã estarei melhor.

– Quer que eu caminhe com você até o chalé? — Fleur perguntou ainda desconfiada da súbita mudança de comportamento da morena. Hermione acenou negativamente e guardou os pertences na bolsa, apanhou o sobretudo em outra cadeira e caminhou rapidamente entre as mesas do dinner. Fleur percebeu a pressa e, também, a ânsia que ela tinha de ficar sozinha. Porém, acompanhou-a em silêncio, o semblante entristecido.

Hermione chegou à porta e antes de sair, virou para a francesa e deu-lhe mais um beijo demorado nos lábios. Fleur o retribuiu e teve a ligeira impressão de que os lábios da morena estavam trêmulos, ela se afastou com os olhos brilhantes e, com um sorriso torto, disse:

– Boa noite, Fleur. Vejo você amanhã no tribunal.

Fleur apenas acenou e deixou que o ar frio a envolvesse quando Hermione abriu a porta e a deixou, desaparecendo nas correntes de vento e na neblina que, preguiçosamente, envolviam Ottery St. Catchpole.

# # # # #

Se Fleur já estava ansiosa pela audiência, a saída apressada de Hermione tornara tudo ainda mais intenso. A francesa sabia, de forma até um pouco inexplicável e sensitiva, de que a morena estava escondendo alguma coisa que a incomodava muito. Fleur já conseguia perceber quando Hermione começava a erguer barreiras em torno de si e aquele era um fato bastante freqüente quando a morena mencionava o seu passado.

Portanto, a conclusão a qual Fleur chegara era que aquele telefonema tinha alguma relação com o passado de Hermione.

Não tinha como deixar aquilo de lado, mesmo sabendo que tudo o que conquistara estaria em jogo dali a alguns minutos. Fleur sorriu discretamente enquanto observava as próprias mãos, já não era mistério, nem mesmo para ela própria, que sentia algo muito forte por Hermione. Algo que ela não sentira com Bill e que, agora, parecia manifestar-se de forma intensa e até mesmo, incontrolável.

Os franceses tinham uma forma peculiar de lidarem com esse hall de sentimentos, os quais Fleur sentia na própria pele atualmente. A francesa sentia o desejo arder em toda a sua essência e não, somente, o desejo pelo corpo de Hermione... Mas, também, o desejo por sua particularidade, seu interior e sua alma. Fleur queria embriagar-se no que Hermione Granger era. Fleur já sabia que estava apaixonada, mas desejava e, principalmente, ansiava por amar.

Sendo intensa como qualquer francês, Fleur sabia que aquilo que sentia por Bill era sim uma forma de amor, mas não aquele amor desejoso e, até mesmo, visceral que começava a manifestar-se dentro de seu peito. Estava apaixonada e, lentamente, começava a amar como nunca amara em sua vida. Da forma mais inoportuna e mais suspeita, o amor arrebentara o controle de sua vida e a transformada, tudo na figura de Hermione. E Fleur, que sempre se considerara até um pouco fria para uma francesa, vivia suspirando pelos cantos e sorrindo a todo instante simplesmente porque aquela britânica teimosa e até um pouco autoritária entrara em sua vida.

E o fato de Hermione, uma mulher, ser a dona de seus desejos não a incomodava. Fleur sabia que era aquilo que estivera escrito para ela, desde sempre, com ou sem Bill em sua vida. A chefe não se enxergava mais em outro lugar que não fosse próximo a Hermione.

Por isso, devido a essas certezas que começavam a fazer sentido em sua cabeça e que disparavam seu coração, Fleur preocupava-se e, principalmente, ansiava por saber o que tanto abalara Hermione. A francesa não admitiria perdê-la, de forma alguma. E se a perdesse, não seria sem lutar. Sendo assim, Fleur estava disposta a lutar para saber o que mudara Hermione e assim o faria quando a audiência acabasse.

Imersa em seus pensamentos, Fleur não percebeu quando Molly Weasley chegou acompanhada de seu suposto advogado, Ernest Macmillan, um já conhecido e fiel cliente do “La Petite Mort”. Porém, assim que Fleur reconheceu o rapaz, sua expressão contorceu-se em frieza e fúria contida. Afinal, Ernest era um dos seus clientes mais queridos e que, agora, nada mais parecia ser além do que um espião de Molly Weasley.

A matriarca Weasley não trocou olhar algum com a nora, Fleur também não fez questão de demonstrar um respeito que não existia entre elas. A francesa permaneceu sentada a encarar as unhas da mão, a expressão desgostosa que fez Molly bufar, ofendida. Fleur ergueu os olhos, pronta para atacar, quando escutou o barulho de saltos, seguidos da voz imponente de Hermione:

– Bom dia a todos! Peço perdão pela minha demora.

– A senhorita está atrasada quinze minutos, mais alguns minutos, e a sua cliente ficaria completamente sem auxílio, Miss Granger. — Ernest comentou entediado, o ar pomposo exalava em sua figura, desde sua gravata perfeitamente alinhada até o seu terno e camisa bem passados. Fleur ficou em pé, aproximando-se de Hermione e parando ao lado dela. A morena trajava um terninho e calças grenás, com uma blusa social champagne por baixo, nos pés sapatos de salto médio na coloração preta. Fleur resistiu à tentação de morder os lábios e olhá-la de forma mais lasciva, a morena, por sua vez, olhou de Ernest para Molly e, desdenhosa, respondeu:

– Eu advogo em Londres, Macmillan. Acho que sou eu quem deveria dar esse tipo de conselho ao senhor.

Ernest corou violentamente e abaixou a cabeça, ofendido. Molly olhou assustada para Hermione que apenas lhe deu um sorrisinho de lado, em seguida, olhou para o seu advogado, esperando uma reação que não veio. Fleur abaixou a cabeça e sorriu orgulhosa, de forma discreta. O grupo, então, foi surpreendido pelo escrivão que os chamou para entrar na sala de audiência.

Na mesa quadrada de mogno, Hermione e Fleur sentaram do lado esquerdo ao juiz e Ernest e Molly sentaram ao lado direito. O quarteto trocou olhares nada amistosos, mas permaneceram em silêncio. O juiz deu duas batidas com o martelo e se pronunciou:

– Bom dia a todas as partes. Sou o Juiz Crouch e presidirei essa audiência. Molly Weasley contra Fleur Isabelle Delacour.

– Perdão, meritíssimo. — Hermione interrompeu com a voz profissional e séria. O juiz, que era um homem de idade avançada e bigode à escovinha, arqueou a sobrancelha para ela, surpreendido. Ele não estava acostumado que o interrompessem. Hermione retirou alguns papéis de dentro de sua pasta, sob os olhares atentos de sua cliente e seus oponentes. — Mas a minha cliente ainda é uma Weasley, portanto, trata-se de Fleur Isabelle Delacour Weasley.

– Obrigada pela correção, Miss Granger. — O juiz resmungou desconcertado, Hermione sorriu cheia de si para ele e olhou, de esguelha, para Fleur. A francesa tinha a expressão ligeiramente chocada e a morena, por debaixo da mesa, afagou-lhe a mão com carinho. Fleur suspirou e voltou os olhos, novamente, para o juiz. — Continuando... Essa é uma audiência de Molly Weasley contra Fleur Isabelle Delacour Weasley a respeito do dinner “La Petite Mort”, antigo “Molly’s Kitchen”. Primeiramente, peço ao representante da parte processante que se pronuncie, por favor.

Ernest retirou alguns papéis de dentro da pasta e os entregou ao juiz. Em seguida, ficou em pé e abriu os botões do terno. Hermione olhou fixamente para o seu adversário que retribuiu o olhar, ainda que de forma evasiva. O advogado pigarreou e começou:

– A minha cliente alega e comprova que Miss Delacour entrou no casamento, com seu filho, William Arthur Weasley, apenas para terminar justamente com o que ela solicita: a posse do dinner que pertenceu à família Weasley durante gerações. A mesma não possuía bens a serem considerados quando foi assinado o contrato de divisão de bens. Sendo assim, não consideramos justo que ela lucre em cima de algo que jamais foi dela.

– Protesto, meritíssimo! — Hermione pronunciou-se e ficou em pé, com as mãos espalmadas sobre a mesa de mogno, no momento em que Ernest preparava-se para continuar sue raciocínio. O advogado olhou irritado para a morena que sustentou o olhar, firme e inabalável. Fleur olhou encantada para Hermione e quase sorriu quando seu olhar cruzou com o de Molly e percebeu que a senhora estava assustada. O juiz, com a expressão entediada, pronunciou-se:

– Desenvolva seu argumento, Granger.

– William é o filho mais velho de Molly, portanto, a hereditariedade lhe assegura a herança que, nesse caso, é o dinner. Quando completou a maioridade, William tornou-se responsável pelo estabelecimento. O casamento dos dois tornou tudo que era dele pertencente a ela. — Hermione sentenciou séria, aprumando a postura e desabotoando o terno. Fleur acabou mordendo os lábios e respirando de forma profunda, aquela Hermione agressiva e instigante estava mexendo com ela. Hermione estendeu os papéis ao juiz que passou os olhos por eles. — E, até o que consta em meus documentos, os dois ainda estão casados. Sendo assim, o dinner pertence a minha cliente perante os olhos da lei britânica.

O sorriso vitorioso nos lábios de Hermione fez Fleur virar-se orgulhosa para Molly. Porém, a senhora tinha um sorriso maquiavélico quando Ernest tornou a se pronunciar:

– William comunicou a toda a família que ele e Miss Delacour vão se divorciar, eu possuo testemunhas caso não acredite na palavra de minha cliente. A divisão de bens será anulada, pois minha cliente pretende deserdar seu herdeiro. Portanto, o seu argumento não é válido nesse tribunal, cara colega.

Fleur voltou os olhos para Hermione, esperando encontrar uma expressão acuada e até mesmo chocada... Mas nada disso, encontrou um sorriso maquiavélico e, até mesmo, cruel. Hermione respirou fundo e ajeitou o terno, ao colocar as mãos na cintura, colocou mais um documento em cima da mesa e respondeu:

– Porém, eu possuo uma carta de William escrita em próprio punho. Datada de hoje, ele relata que está separando-se de minha cliente de comum acordo e sem qualquer ressentimento e que está disposto a entregar o dinner a ela, caso a família não aceite a decisão dele de dividir o estabelecimento com Miss Delacour. Portanto, caro colega Macmillan, eu acredito que você e sua cliente talvez queiram discutir uma conciliação, certo?

O silêncio que perpetuava na sala da audiência era composto, principalmente, pelo choque de todas as partes. O documento escrito por Bill colocava fim no impasse e concedia uma vantagem enorme para Fleur. A francesa abaixou a cabeça, segurando as lágrimas emocionadas de forma discreta. Bill, depois de tudo que acontecera entre eles, ainda era capaz de lutar por ela.

Hermione percebeu quando Fleur se emocionou e olhou de lado para a francesa que tinha a cabeça abaixada e a respiração pesada. A morena, contrariando a frieza que trajara desde que entrara naquela sala, colocou a mão sobre o ombro de Fleur que, rapidamente, reagiu ao toque e envolveu sua mão com a própria. Hermione, então, voltou a olhar para Ernest e Molly que tinham as expressões surpresas.

O Juiz Crouch tossiu para limpar a garganta e, rude, perguntou:

– A representante propôs um acordo, Macmillan. O que você e sua cliente dizem em relação a isso?

– Nós precisamos pensar sobre, meritíssimo. — Ernest gaguejou desconfortável, olhando para Molly que acenou com a cabeça. O advogado olhou furioso para Hermione que não vacilou. — Pedimos um recesso de um mês para refletirmos sobre a proposta. Mas já adianto que um acordo não é a nossa primeira opção.

– Recesso concedido, senhores. Espero que nos reencontremos no mês que vem com tudo resolvido. Dispensados. — O juiz bateu mais uma vez com o martelo, parecendo extremamente aliviado, e os dois advogados passaram a recolher seus pertences.

Ernest e Molly desapareceram rapidamente, Hermione e Fleur caminharam lado a lado, de forma lenta, para fora do fórum. As duas chegaram ao estacionamento deserto do prédio, Hermione ficara em silêncio durante todo o trajeto, dividida pelo que estava sentindo por Fleur naquele momento e o que a mantivera acordada durante a noite.

A morena olhou para Fleur e, assim que chegaram ao carro da francesa, tomou coragem e segurou-a pela mão, dizendo:

– Me desculpe por ontem e pelo atraso, precisava resolver algumas coisas.

– Você me deve a explicação que esteja disposta a me dar, na hora que quiser, Hermione... — Fleur respondeu com um sorriso de lado. A morena percebeu que, mesmo tentando parecer despreocupada, o desconhecimento estava incomodando Fleur. A francesa apanhou uma mecha castanha e a colocou atrás da orelha de Hermione, beijando-lhe a testa. — No mais, ainda estou meio transtornada com essa carta de Bill e toda essa sua agressividade no tribunal.

– Agressividade? — Hermione repetiu confusa, franzindo a testa em uma expressão curiosa. Fleur sorriu felina para ela e aproximou-se mais, a morena esqueceu completamente que estava no meio do estacionamento do fórum com a sua cliente, quando sentiu o perfume de lavanda a envolver. A francesa abaixou o rosto, adentrando no pescoço moreno e passando os dentes pelo ponto de pulso enquanto sussurrava:

– Você fica extremamente sensuel quando rebate argumentos.

– Achei que você já tivesse percebido isso quando ousou argumentar comigo. — Hermione murmurou rouca antes de ser surpreendida por um movimento brusco de Fleur que terminou com suas costas prensadas na lataria do carro. A morena engoliu em seco quando enxergou os olhos azuis nublados pelo desejo. A ligação da noite anterior voltou a sua mente, era o seu passado a assombrando. — E acho que esse não é o lugar certo para fazermos o que você quer fazer.

O sorriso desapareceu do rosto de Fleur e ela, ressentida, se afastou. A francesa respirou profundamente e abaixou a cabeça, os olhos fechados buscavam o controle. Hermione a observou, confusa, e ergueu a mão para tocá-la quando Fleur, frustrada, finalmente falou:

– Você está diferente desde aquela ligação de ontem, chérie... E eu realmente achei que pudesse lidar com isso sem me preocupar, mas eu estou gostando mesmo de você e isso está me dando ideias a respeito de quem ligou para você. E eu não posso ficar contigo dessa forma, pelo menos, não hoje.

Fleur não deu chance para que Hermione respondesse. A francesa, surpreendida pela própria angústia que instalou em seu coração, quando Hermione a afastou pela segunda vez, entrou no carro e dirigiu para fora do estacionamento, totalmente perdida em suas próprias emoções.

Ela achava que estava apaixonada, mas agora... Não precisava pensar muito para deduzir que já amava Hermione há muito tempo.

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Notas finais
Problemas no paraíso... Certo? Acham que a Fleur exagerou ou ela está certa? Lembrem-se que as duas são pessoas que não lidam muito bem com sentimentos... Por isso, comentem e digam se eu extrapolei nas emoções. Aguardo feedback! Com carinho, FerRedfield PS: Estou com uma Fleurmione (AU também) nova, chama-se "You Belong With Me", vão dar uma olhadinha nela e comentem também. Beijos!