Notas iniciais
Boa noite, pessoal... Como vocês estão? Mais uma vez, mil desculpas pela demora em atualizar LPM... Mas chegamos a um momento bem complicado da história e eu ando preferindo adiar os acontecimentos HAHAHAHAHAHAHA Enfim, estou aqui com mais um capítulo... O título foi intrigante, certo? E bem, prometo deixar as coisas ainda mais confusas com o que indicarei para a leitura... Vamos de Damien Rice dessa vez, ok? Esse capítulo é um preenchimento, mas ele tem muitos detalhes e dicas do que vai acontecer nos próximos. A presença de cada personagem indica a importância dele nos futuros acontecimentos... Formulem suas teorias! Hahahahaha Um agradecimento especial a duas leitoras especiais: itzadri e CaroolTime, pelas recomendações lindas que me fizeram chorar *-* Muito obrigada pelo carinho, por sempre comentarem e, ainda por cima, por recomendarem de maneira tão singela e especial uma história que eu escrevo com tanto amor. Muito obrigada mesmo! Um beijo a cada uma! Espero que gostem, boa leitura!Time

Hermione queria evitar aquela sensação de leveza e o sorriso bobo em seus lábios, mas falhou miseravelmente em ambas as tentativas.

Quando se levantara naquela amanhã, sentiu, imediatamente, o calor que emanava do corpo adormecido de Fleur. A francesa estava deitada de bruços, os cabelos loiros espalhados, no jogo de cama verde bebê de Hermione. As costas continham resquícios delicados da noite anterior, filetes avermelhados resultantes das unhas de Hermione. A morena corou quando seus olhos encontraram as marcas, não estava acostumada a ser selvagem na cama.

Os olhos castanhos desceram ainda mais e encontraram apenas o lençol que envolvia a porção inferior do corpo de Fleur. Hermione sorriu, de forma apaixonada, quando se lembrou de como aquelas pernas a envolveram quando chegou a sua vez de proporcionar prazer à francesa... As lembranças da noite anterior ainda faziam seu corpo se arrepiar e injetavam uma dose extra de felicidade ao seu corpo leve e desinibido.

Se aquilo não era uma espécie de amor... Então, Hermione não saberia defini-lo.

Foi com bastante esforço que Hermione levantou-se daquela cama, deixando um beijo em cada arranhão presente nas costas de Fleur e preparou-se para o dia que teria. Na cozinha, a ideia do bilhete pareceu excelente, mas agora... Hermione achava que Fleur poderia ter rido da sua cara ao encontrá-lo.

A morena chacoalhou a cabeça, os pensamentos e sensações de Fleur escaparam de sua mente apenas por alguns segundos. Hermione insistiu e tentou se concentrar no visor do elevador que, lentamente, passava o número dos andares diante de seus olhos. Ela trocou o peso do corpo do pé esquerdo para o direito, apertou a alça de sua pasta de couro e saiu do elevador no instante em que o número 4 ocupava o visor e as portas se abriram.

Distraída, Hermione apanhou as chaves do escritório e virou à esquerda em um extenso corredor branco de portas negras. Chegara em frente à porta correspondente ao seu escritório quando escutou passos atrás de si, instintivamente, a morena virou-se.

Caminhando rapidamente pelo corredor, vinha Astoria e, um pouco mais atrás, com a expressão entediada, Pansy Parkinson. Hermione agitou a cabeça e piscou os olhos, inquieta por estar presa àquele universo onde sua ex conhecia sua maior inimiga dentro dos tribunais.

Astoria tinha as bochechas avermelhadas, mas fora isso, sua postura e aparência estavam impecáveis. Assim que ela se aproximou o bastante, Hermione recuou um passo, a expressão da outra morena se contorceu e ela, inquieta, disse:

– Eu liguei para você ontem à noite.

– Achei que nosso encontro em seu condomínio tivesse deixado claro que nós não temos mais nada. — Hermione respondeu de forma fria, apertando as chaves em sua mão e mantendo os olhos castanhos em contato com os escuros de Astoria. A outra pareceu instantaneamente afetada pelas palavras de Hermione, abriu a boca uma vez antes de respirar fundo e, calma como um predador prestes a atacar a sua presa, disse:

– Deixou claro o que você quer e não o que eu quero.

Hermione franziu as sobrancelhas, incrédula para as palavras mesquinhas e mimadas de Astoria. Naquele momento, não sabia o que tinha visto nela para passar tanto tempo se submetendo às condições dela, de permanecerem em segredo, de jamais se assumirem, de agüentar e aceitar as explicações dela quando era traída... Inevitavelmente, Hermione riu. Não de Astoria, mas de si mesma.

Astoria, por sua vez, assumiu as dores e sua expressão assumiu um ar ofendido. Pansy, que estava calada e impassível até então, deu um pequeno e discreto sorriso surpreso. Hermione parou de rir e recuperou o fôlego, as chaves em sua mão não eram mais apertadas, a morena deixou a maleta no chão próximo a porta e respondeu severa:

– Não se humilhe ainda mais, por favor, Astoria.

Foi com pena que Hermione olhou para o rosto de Astoria e encontrou os três cortes, encobertos por maquiagem. A outra soluçou e engoliu o choro, jamais admitiria que a pena era o pior que esperava de Hermione, ajeitou a postura orgulhosa e, desdenhosa, murmurou:

– Aquela francesinha jamais será capaz de lhe dar prazer como eu lhe dei! Ela jamais vai fazer você ter um orgasmo decente e muito menos lhe fará pedir por mais...!

– Ok, já chega, Greengrass! Eu concordei em acompanhar você até aqui, mas tínhamos combinado que manteríamos o orgulho, lembra-se? — Pansy grunhiu impaciente, colocando-se entre Hermione e Astoria, empurrando a mais nova e apanhando-a pelo braço, em seguida. Entretanto, Astoria parecia determinada a continuar a discussão, ela puxou abruptamente o braço da mão de Pansy, esta revirou os olhos, e disparou:

– De qualquer forma, você vai se arrepender, Hermione!

– Ah, vou? Por quê? — Hermione tinha saído do sério. De alguma forma, Astoria não tinha direito de questionar sua decisão depois de Fleur provar, de forma tão intensa, que gostava dela. A advogada deu um passo a frente e Pansy saiu do caminho, observando tudo de forma divertida enquanto encostava-se na parede do corredor e Astoria se encolhia diante da fúria de Hermione. — Por que eu iria me arrepender? Eu já não tinha mais nada com você quando viajei. E você não tem o direito de exigir nada de mim! Depois desses anos todos, mantendo as aparências para lhe proteger da sua família preconceituosa, foi você quem me coroou com uma traição! Eu tive todos os motivos do mundo para trair você... Carência, insegurança, medo, saudade... E mesmo assim, eu não traí! Mantive-me fiel, confiei em você enquanto você fodia com Draco Malfoy por toda a Londres!

A explosão de Hermione fez Astoria, finalmente, chorar. A mais nova deu um passo a frente e tentou alcançar as mãos de Hermione, mas essa a repeliu de forma agressiva, dando-lhe as costas. O choro de Astoria agora se fazia audível e ela soluçava, sem parar. Pansy saiu de sua postura de espectadora e aproximou-se de Astoria, empurrando-a rudemente para a direção do elevador. Porém, Astoria fazia um esforço para ficar.

Pansy soltou-a bruscamente, mas Astoria olhou para ela e, inevitavelmente, a outra morena cedeu e voltou a ficar quieta em seu canto. Astoria limpou as lágrimas e voltou a assumir a postura austera e elegante com a qual estava habituada, Hermione não olhou para ela de forma completa, mas seu rosto estava discretamente virado para esquerda, de forma que podia observar Astoria com o canto dos olhos. A mulher suspirou e o mais fria que seu descontrole emocional permitia, disse:

– Eu amo você.

– Não, você não ama. — Hermione argumentou incomodada, apanhando sua maleta no chão e colocando a chave na fechadura. Ela a girou e empurrou a porta de seu escritório. Podia sentir os olhos de Astoria fuzilando-a. — Amar exige entrega e sinceridade. E você é incapaz de fazer essas duas coisas.

Hermione não esperou uma resposta de Astoria e entrou em seu escritório, trancando a porta instantaneamente enquanto escutava Pansy bronquear a amiga e os passos das duas se afastarem pelo corredor. Quando o silêncio finalmente preencheu o ambiente e Hermione sentou-se em sua mesa, ela suspirou e fechou os olhos.

Não se surpreendeu por ver Astoria ali, mas ficou extremamente assustada por perceber que já não sentia mais nada por ela.

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– Espero que você volte mais vezes e, principalmente, que traga Cedric! — Gina comentou com um sorriso travesso nos lábios e o braço direito entrelaçado ao de Bill. Os dois irmãos caminhavam pelas ruas de pedra de Ottery St. Catchpole e aproveitavam a fria manhã de outono.

A risada rouca de Bill misturou-se aos sons das ondas que se quebravam nos rochedos do litoral, o ruivo respirou fundo e, alegremente, percebeu que tudo parecia mais puro agora que ele não estava sufocado por seus segredos e sua vergonha. O ruivo pousou sua mão grande a magra sobre a mão de Gina apoiada em seu braço e, risonho, respondeu:

– Como posso negar? Primeiro, uma intimação de Molly Weasley e, agora, uma sua... Fica impossível ir contra as duas mulheres da família.

– Acho que eu e mamãe nos fizemos entender quando deixamos claro que vocês, os homens Weasley, deveriam obediência cega a nós! — Gina comentou divertida enquanto era observada com atenção por Bill. Ele via os olhos dela brilharem, extasiados e até um pouco elétricos, mas Bill a conhecia bem demais para saber que aquela felicidade que ela demonstrava não lhe tocava o interior completamente.

Existia uma sombra modorrenta e pesada pairando nos olhos castanhos de Gina. Os momentos de silêncio de Gina estavam mais prolongados do que Bill se lembrava e, também, preenchidos com suspiros pessimistas. Alguma coisa estava ocorrendo com a caçula Weasley e Bill, depois de tanto tempo, não sabia como furar aquele bloqueio emocional que ela erguera ao redor de si.

Ali, naquelas calçadas de pedra da pequena cidadezinha litorânea, Bill percebeu como falhara como irmão mais velho... Gina estava enfrentando todas as batalhas de sua vida da forma mais solitária possível e ainda havia nela a necessidade de consertar os erros dos outros, como naquele almoço que acabara de acontecer.

Que Gina não escutasse, mas ela era mais parecida com Fleur do que gostaria de ser.

Os irmãos viraram a esquina e deram de cara com a praça da cidade, o “La Petite Mort” estava do outro lado e as cortinas ainda estavam fechadas. Bill atravessou a rua e ele e Gina caminharam através da praça, a ruiva continuava a olhar para os próprios pés e Bill, preocupado, perguntou:

– Tem algo que queira me contar?

– Não é nada que eu não possa e nem precise resolver sozinha... — Gina respondeu de forma misteriosa, um sorriso triste brincando em seus lábios e entristecendo o próprio Bill que torceu os lábios, insatisfeito. A ruiva riu da atitude dele e suspirou. — Sério, B... Não precisa ficar preocupado. É tudo culpa minha.

– Mas isso não quer dizer que você tenha que resolver tudo sozinha... Você passou muito tempo solitária, irmãzinha. — Bill bronqueou ligeiramente indignado, ele ainda era o irmão mais velho, afinal. Gina parou de caminhar e olhou surpresa para ele, depois riu de sua testa franzida e de sua expressão emburrada. Bill ficou ainda mais indignado e Gina o empurrou e disse:

– Pare com o drama, ninguém vai morrer aqui.

Depois, Gina arrastou Bill pela praça sem dizer mais nenhuma palavra. O ruivo continuava indignado e, de certa forma, ofendido pelo descaso que a irmã fizera de seu apoio, mas a respeitou. Depois de tanto tempo distante de sua família, ele não se achava no direito de exigir que fosse aceito de braços abertos e sem qualquer represália.

Os dois chegaram ao “La Petite Mort” e Bill surpreendeu-se de encontrar a porta da frente encostada. Com uma expressão intrigada no rosto, Bill empurrou a porta e entrou no salão do dinner, Gina vinha logo atrás, tão confusa quanto ele. Bill ocupou-se em colocar a chave na fechadura e trancar a porta enquanto Gina passa por ele.

Mesmo de costas, Bill percebeu a mudança na irmã. O ar leve de Gina se perdera, dando lugar a uma tensão agressiva e palpável, o ruivo virou-se para encontrar a irmã e ela estava parada, imóvel, observando a cena a sua frente com os lábios crispados e os olhos lacrimejantes. Bill acompanhou o olhar dela e encontrou, a sua frente, Cho e Harry beijando-se.

A fúria protetora do irmão mais velho se apossou de Bill, naquele segundo, ele se esqueceu que Harry era seu amigo e amigo de Hermione. O ruivo pigarreou e o casal separou-se com selinhos e sorrisos nos lábios. Cho ainda sorria ao olhar para Bill e, depois, corar envergonhada. Harry estava com os olhos verdes arregalados e engolia em seco enquanto olhava de Bill para Gina.

Bill escutou Gina engolir o choro e suspirar de forma profunda, ela cruzou os braços e sorriu de forma amarga, olhando desdenhosa para o casal. O ruivo, sério, perguntou:

– O que vocês dois estão fazendo aqui?

– Fleur me encarregou de checar a dispensa e fazer uma lista de compras... — Cho respondeu nervosa, apanhando um papel dentro do bolso da calça e o agitando na mão direita, tentando provar seu ponto e afugentar a sua vergonha. As atitudes dela fizeram Gina gargalhar, de forma sarcástica, os olhos verdes de Harry lampejaram na direção dela, mas ela não se abateu. A ruiva suspirou, deu três tapinhas no ombro do irmão e disse:

– A menos que esse tipo de serviço exija companhia e contato físico, eu sugiro que você dê um jeito nos seus funcionários, mano.

Em seguida, Gina deu às costas ao casal e a Bill e caminhou até a saída. O ruivo sentiu seu coração apertar quando escutou o fungado sôfrego da irmã e também quando escutou os passos rápidos dela do lado de fora. Gina estava correndo e, de novo, estava quebrada.

Bill voltou-se para Cho e Harry e, com a fúria contida, grunhiu:

– Cho, se você já fez o que tinha que fazer, está dispensada e leve seu companheiro consigo. Eu me encarrego de avisar Fleur sobre a lista de compras.

Cho apenas acenou com a cabeça e apanhou a sua bolsa em uma das mesas antes de apanhar a mão de Harry e sair arrastando-o para fora. Entretanto, o rapaz deixou-se ficar para trás e começou a gaguejar:

– Bill, me desculpe... Eu posso...!

– Eu não quero que explicação alguma, Potter. Dê o fora do meu dinner e só volte aqui acompanhado de Hermione! — Bill rosnou ameaçador, olhando para Harry com desprezo. O moreno encolheu os ombros e abaixou a cabeça, depois, derrotado, saiu do “La Petite Mort”.

Bill bateu a porta com uma força desnecessária e passou a chave, sentando-se na cadeira mais próxima, envolvendo o rosto com as mãos e com a imagem de sua irmã, fragilizada e machucada, ainda presa aos seus pensamentos e embaçando um pouco da redoma de felicidade que o envolvera mais cedo. Gina não merecia isso, ainda mais depois do que passara.

Ali, Bill decidiu que, talvez, Harry Potter não fosse o homem ideal para a sua irmãzinha.

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Fleur fazia malabarismos com as sacolas do mercado enquanto tentava apanhar a chave dentro da bolsa, estava prestes a colocar tudo no chão quando escutou uma voz conhecida e risonha, dizer:

– Se eu me lembro bem, eu tinha deixado claro que ia levar a senhorita para almoçar...

Fleur virou-se em direção à voz e observou Hermione caminhar até ela com um sorriso discreto que provocou a curiosidade da francesa, aquele não era um tipo de sorriso que a morena carregava com freqüência. A chef franziu a testa e entregou algumas sacolas para a morena, Hermione a surpreendeu quando, próxima o bastante, alcançou sua nuca e a puxou para perto, beijando-lhe os lábios no corredor. Em seguida, a morena colocou uma mecha loira atrás da orelha pálida e sibilou:

– Bom dia.

Bonjour, mon cher. — Fleur respondeu, o sorriso brilhando em seus lábios finos e fazendo-a esquecer da preocupação anterior em relação ao comportamento de Hermione. A morena sorriu de volta e alcançou as chaves no bolso do blazer, abrindo a porta, em seguida.

As duas depositaram as sacolas sobre o balcão da cozinha e Fleur ocupou-se da tarefa de retirar os produtos dos pacotes. Retirou a farinha de trigo, em seguida, o leite e depois, os ovos. Entretida em sua tarefa, escutava os passos suaves de Hermione transitando para o quarto e, depois, voltando à cozinha.

Fleur estava prestes a retirar os morangos de dentro do pacote quando sentiu mãos pequenas envolverem sua cintura, dedilhando o osso de sua bacia e, depois, chegarem as suas mãos e tomarem a caixa de morangos, apanhando um. A francesa sorriu para os gestos e, também, para o arrepio delicado que tomou conta dos pelos de seu corpo, ela respirou fundo e murmurou risonha:

– Os morangos não estão limpos e você está estragando a receita que eu tinha pensado em fazer.

Hermione riu as suas costas e Fleur a sentiu afastar-se de seu corpo. A torneira foi aberta por breves minutos e, logo em seguida, fechada. A chef virou-se para sua companheira e Hermione estava encostada a pia, observando-a divertida enquanto mordia o morango. O suco escorreu pelo canto dos lábios da morena e Fleur pegou-se mordendo os lábios, a francesa avançou três passos e segurou o rosto de Hermione com as duas mãos, puxando-a para si.

Tomando-lhe os lábios, o suco, o morango... Tomando Hermione para si.

A morena, rapidamente, envolveu-lhe a cintura com ambas as mãos e retribuiu o beijo de forma delicada, lenta, quase que silenciosamente declarando todos os sentimentos que possuía naquele beijo. Fleur se afastou e arfou, retomou o ar e estava prestes a beijá-la novamente quando sentiu seu telefone vibrar e, logo em seguida, o escutou tocar no interior de seu bolso.

– Não atenda, por favor. — Hermione pediu ofegante, com os lábios sobre os de Fleur, olhando-a de forma intimidadora e imperativa. Fleur riu e mordiscou-lhe os lábios antes de afastar-se e dar-lhe às costas, olhando para o visor do aparelho.

O número a assustou e a mortificou. O código telefônico internacional era da França e ela reconhecia o número que lhe ligava. Apavorada, Fleur teclou a opção de ignorar a ligação e apoiou as palmas das mãos no balcão, fechou os olhos e procurou respirar fundo tentando esquecer-se que seu passado retornara e tentando, a todo custo, voltar àquele presente em que existia somente ela e Hermione.

Mas aquele momento se fora, seus ombros estavam cedendo ao peso do seu passado. Fleur segurou as lágrimas e tudo piorou quando ela sentiu Hermione, novamente, em suas costas. A morena lhe apertou a cintura e, suplicante e preocupada, perguntou:

– Devo me preocupar?

– Não é nada, chérie... Eu não reconheci o número, só fiquei assustada. — Fleur desconversou, virando-se nos braços de Hermione e colocando o melhor de seus sorrisos em seus lábios. A morena franziu a testa e a observou de forma ainda mais analítica, em seguida, ela apertou a cintura delgada da francesa e tornou a perguntar:

– Tem certeza?

– Sim, está tudo bem! — Fleur mentiu novamente, aplicando um beijo nos lábios de Hermione e sorrindo de forma estranha antes de voltar a desempacotar suas compras.

Hermione, insatisfeita, observou as atitudes da francesa em silêncio. Ela desconfiava que Fleur estava escondendo algo e ela mesma não lidava muito bem com segredos desde que Astoria passara por sua vida. Naquele momento, a semente da insegurança voltou a ser plantada no coração de Hermione Granger.

A advogada, em silêncio, voltou a ajudar Fleur. Porém, ela perdeu-se por vários momentos, analisando, procurando o erro... Exatamente da forma como fizera com Astoria.

As mãos de Fleur tremiam enquanto ela retirava os produtos e os enfileirava no balcão; nos minutos em que Hermione a observara, não teve o olhar retribuído; o sorriso desaparecera e ela parecia distante, presa em outro espaço e em outro tempo, nos quais Hermione seria incapaz de alcançá-la.

A familiaridade daquelas observações e das sensações sufocantes que tomaram Hermione a assustaram. O medo a preencheu por inteiro e ela não conseguiu manter-se próxima a Fleur, pelo menos, não naquele momento. A morena voltou-se para a pia e bebeu um copo de água, respirando fundo, tentando colocar suas ideias e suas emoções no lugar.

Mas a desconfiança estava ali, a insegurança também e ela, depois de uma noite inesquecível, encontrou-se presa a uma questão que exigia sua resposta. De um lado, seu coração acelerado, seu corpo trêmulo e a ânsia de ser amada e do outro, sua mente inquieta, a rigidez de sua postura e a decepção... Hermione convencia-se de que Fleur não era Astoria. A francesa sabia pouco, mas sabia o quão machucada estava e não seria capaz de machucá-la de novo...

Hermione acreditava nisso. Ou seria seu coração, mais uma vez, ignorando sinais claros para se jogar de cabeça?

A morena via-se presa em uma batalha sem previsão de término, ela abaixou a cabeça e sentiu a ponta dos dedos de Fleur massagearem sua nuca. A francesa beijou o local e, em seguida, envolveu sua cintura, apertando-se de encontro às suas costas. Hermione sentiu o coração de Fleur acelerado de encontro à pele de suas costas, a chef retirou seus cabelos revoltos de seu pescoço e beijou-lhe o local, Hermione arrepiou-se quando ela respirou próxima ao seu ouvido e murmurou:

– Eu prometo que não foi nada, Hermione... Está tudo bem. Eu só reagi de forma exagerada.

Hermione virou-se para Fleur, os olhos azuis cerúleos, sempre tão fáceis de ler, traziam o mistério dentro deles. O aperto ao redor de seu corpo era quente, possessivo e intimidador, da mesma forma que sempre fora desde que elas se tocaram pela primeira vez. A única coisa que sustentava as palavras de Fleur eram os batimentos acelerados do coração dela sentidos anteriormente.

A morena suspirou e, fechando os olhos, seguiu os seus instintos e se entregou. Hermione abriu um sorriso e beijou Fleur.

Fleur pode não ter percebido, mas foi naquele beijo que Hermione realmente se entregou. Foi naquele beijo que Hermione ignorou sua desconfiança e resolveu acreditar mais uma vez.

Não foi o primeiro beijo delas, muito menos a primeira noite. E sim, foi naquele beijo em que Hermione se entregou por inteiro, porque naquele momento, a morena ignorou todos os letreiros e avisos de sua mente.

Hermione se deixou ir, mesmo quando tudo lhe dizia para ficar.

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Notas finais
Estão ansiosos para saberem quem está tão desesperado atrás de Fleur? E por que ela quer, tanto, deixar a França para trás mesmo a amando de paixão? A resposta está no capítulo seguinte... E tem personagem novo chegando! Aguardem! Espero o feedback de vocês, beijos e até a próxima!