La Petite Mort
17 O passado e seus fardos - Parte I
Notas iniciais
Fleur Delacour sabia que o que estava fazendo não era certo e, muito menos, era justo. Também sabia que estava mentindo e magoando Hermione, mas todas essas certezas não a impediam de esconder o seu passado. Por mais que ele estivesse assombrando sua vida naquele momento, Fleur só conseguia pensar em evitá-lo o máximo que pudesse.
O passado ainda doía, mesmo depois de todos aqueles anos.
O passado, aquele tempo que ela recusava-se a chamar de seu, era um período do qual ela se esforçara anos para esquecer. Fleur não gostava da vida simples e pacata, mas aprendeu a considerá-la depois que Bill apareceu em sua vida... O ruivo podia até não ser o seu parceiro amoroso, mas ele fora um porto seguro durante toda a turbulência que a aprisionou quando deixou a França.
Bill ensinara muitas coisas a ela e, talvez, senão fosse por ele, ela jamais seria capaz de assumir um sentimento como aquele que vivenciava com Hermione. Fleur mentia e omitia para protegê-la, Hermione não merecia conhecer aquele pedaço da sua vida do qual era se envergonhava... A avareza, a arrogância, a mesquinharia... Hermione merecia o melhor dela, somente o melhor.
Por isso, Fleur fazia o máximo para tentar aparentar ser a mesma mulher de Ottery St. Catchpole, aquela pela qual Hermione se apaixonara e não essa frágil menina que estava com medo do passado que sombreava suas costas.
Fleur se levantou cedo naquele dia. A francesa sentou-se na cama e o lençol escorregou por sua pele nua, ela mudou de posição e se sentou com as pernas fora da cama, os pés tocaram o chão frio, despertando-a. Fleur apoiou os cotovelos nos joelhos, agarrando os fios loiros bagunçados, procurando não se deixar levar pela pressão sufocante.
Tentando arrumar força e coragem para enfrentar mais aquele dia antes de voltarem para seu refúgio à beira mar.
Fleur escutou os rangidos e sentiu os movimentos do colchão, atrás de si. Em seguida, sentiu que os dedos frios de Hermione dedilhavam sua coluna vertebral. A francesa não pode deixar de arrepiar-se com a delicadeza do toque que, ao mesmo tempo, trazia um ar todo sedutor naquele despertar, na manhã fria e chuvosa de Londres.
Hermione estava sentada, massageando seus ombros com uma das mãos, enquanto a outra segurava o lençol, que escapara de Fleur, na altura dos seios. Fleur esticou-se e aprisionou a mão fria entre as suas, escutou a risada rouca e preguiçosa de Hermione, a morena suspirou e, aproximando-se, beijou o pálido ombro e murmurou:
– Bom dia.
– Bonjour, mon cher.– Fleur respondeu com um sorriso preguiçoso, se movimentou mais uma vez, virando-se para encontrar Hermione. A morena tinha os olhos castanhos um pouco nublados pelo sono, os cabelos estavam revoltos, mas ainda estavam sensuais o bastante para cobrirem seus ombros e perderem-se no espaço entre o lençol e seu corpo escondido. Fleur arrastou-se para Hermione, envolvendo o corpo e a cintura dela com as longas pernas pálidas, sentando-se no colo da morena. Hermione arqueou a sobrancelha para ela e, sorrindo, disse:
– Apesar de você soar incrivelmente sexy quando fala francês, querida... Eu ainda acho que preciso de mais uma noite de sono para me recuperar de ontem à noite.
– Eu fico sexy falando francês? — Fleur perguntou curiosa, o sorriso lascivo brincou em seus lábios finos, enquanto ela se aproximava e, por fim, envolvia os lábios de Hermione em um delicado (e longo) beijo de bom dia. A morena não deixou barato e separou-se dela, mordendo-lhe a boca. Fleur continuava sorrindo, concentrando-se no momento e esquecendo, brevemente, de toda a pressão que a sufocava. — É bom saber disso...
– Eu reclamando do meu estado físico e você só escutando os elogios a seu respeito... Você é egocêntrica, Delacour. — Hermione respondeu de forma irônica e sôfrega, pois Fleur tinha afastado seus cabelos e, naquele momento, mordiscava a pele de seu pescoço. Fleur lambeu o seu ponto de pulso e o chupou, Hermione ofegou e a puxou para perto, sentindo a nudez dela através do tecido do lençol.
Fleur trilhou um percurso de beijos e mordidas do pescoço até a orelha de Hermione, os sons dos gemidos e da respiração pesada da francesa já estavam fazendo Hermione procurar mais da pele e do corpo dela. Fleur ajeitou-se no colo da morena e mordeu-lhe o lóbulo da orelha antes de murmurar rouca e ofegante:
– Je veux juste te faire l’amour, ma petite... [Eu só quero fazer amor contigo, minha pequena...]
Hermione engoliu em seco, mesmo não sabendo o que significava aquela frase. Mas, levando em conta o corpo quente de Fleur junto ao seu e a forma como ela, desesperadamente, removeu o lençol que as separava, a morena entendeu perfeitamente o que aquilo poderia significar. Hermione apertou as coxas de Fleur e arranhou-as em seguida, a francesa jogou a cabeça para trás, apertando o laço de pernas em suas costas. A morena, delicada e firme, puxou-lhe os cabelos loiros e, quando os olhos azuis escuros de Fleur encontraram os seus, rosnou cheia de desejo:
– Você vai se arrepender por ter falado dessa forma.
Fleur sorriu atrevida para ela, tão perdida no desejo dos olhos castanhos que sequer percebeu quando Hermione impulsionou os corpos e a jogou de encontro ao colchão. A morena apoiou ambas as mãos no travesseiro, Fleur, imediatamente, massageou seus dois seios. Hermione abaixou-se lentamente e beijou-a de forma lânguida e sôfrega, escorregando a mão direita entre os corpos e massageando, delicadamente, o ponto mais sensível do corpo de Fleur.
A francesa suspirou de forma profunda e fechou os olhos, mordendo o lábio inferior e as mãos perdendo-se no lençol ao seu redor. Hermione sorriu para o resultado de suas mãos no corpo da francesa, a morena desceu os lábios aos seios e beijou ambos antes de envolver um deles com a boca e, logo em seguida, o outro. Os gemidos de Fleur, angustiados e pedintes, atiçavam ainda mais seus lábios e suas mãos.
As primeiras gotas do líquido de Fleur envolveram seus dedos e Hermione afastou-se, procurando os olhos da loira. Afastou os cabelos loiros da testa suada e beijou-a, Fleur abriu os olhos instantaneamente e a troca entre elas envolveu sentimento, vontade e desejo. A francesa acenou e a morena, delicadamente, penetrou-a.
Fleur mordeu os lábios, guinchou baixinho e arqueou o corpo. As estocadas de Hermione a preencheram, injetando a elétrica onda de prazer através de seu corpo. A francesa conseguiu abrir os olhos por breves instantes e encontrou os olhos castanhos a observando de forma intensa e apaixonada. Fleur forçou-se a ficar de olhos abertos e puxou Hermione para perto, beijando-a enquanto os seus quadris iam de encontro à mão de Hermione.
Estava prestes a se entregar, mais uma vez, a La petite mort, quando Hermione afastou-se dela. Fleur procurou protestar, mas a torrente de beijos em seu abdômen a fez se calar. Hermione chegou até sua púbis e a olhou antes de afastar os cabelos do rosto também suado e beijá-la. A língua da morena envolveu seus pontos mais sensíveis e saboreou cada gota da sua essência.
Fleur sentiu seu ventre pesar e, depois, expandir-se. Seus dedos embrenharam-se nos cabelos castanhos, puxando-os de forma agressiva enquanto seu corpo contorcia-se diante do intenso prazer que nublou sua mente e a fez esquecer-se da ligação e do que acontecera na França há anos...
Fleur só conseguia sentir Hermione e o que ela lhe entregava. O amor.
Hermione afastou-se de seu corpo, mas beijou todo o caminho de volta aos lábios finos entreabertos. A morena injetou-lhe o ar quando seus pulmões ardiam, ofegantes. A advogada sorriu de encontro aos lábios ansiosos de Fleur e, suspirou, quando ambas se afastaram e se olharam.
Fleur encostou sua testa a de Hermione e respirou fundo. Desviando-se da intensidade castanha, olhou para baixo, para seus corpos suados, ofegantes na mesma freqüência. Enxergou a mão de Hermione que, se antes estava tão visceral e decidida a lhe dar prazer, agora estava tocando-a de forma delicada, como se quisesse deixar sua impressão em cada pedaço de seu corpo. Fleur encontrou tantas coisas na nudez das duas que, ao olhar para Hermione, sibilou emocionada:
– Je t’aime, ma petite. [Eu te amo, minha pequena.]
Hermione sorriu para ela, os olhos dela, ainda intensos, tinham um brilho diferente, realizado... A morena apanhou e entrelaçou a mão de Fleur a sua, depois, deixou seu corpo cair sobre o da francesa que logo a apertou junto de si. Hermione suspirou, seus lábios de encontro à pele do pescoço de Fleur e, sonolenta, respondeu desengonçada:
– Eu também te amo, Fleur.
Ali estava e ambas disseram. O que as sufocava finalmente estava dito, estava tudo às claras.
O coração afoito de Hermione se deixou tranqüilizar por aquela simples expressão. Fleur, por sua vez, finalmente sentiu a verdade naquelas palavras, a qual procurava há muito tempo. Sim, elas se amavam e era certo.
Naquele momento, naquele quarto, naquele amanhecer chuvoso londrino... O passado não importava para nenhuma das duas.
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Harry sequer despediu-se de Cho quando deixou a casa dela no silêncio da fria manhã, os dois estavam aproveitando o começo de algo que ainda não haviam nomeado, devido a isso, existia paixão e, sobretudo, desejo. Ainda assim, o rapaz sabia que deixar Cho acordar sozinha não era algo cavalheiresco e, muito menos, educado, não era de seu feitio abandonar suas conquistas antes que o dia amanhecesse... Entretanto, muita coisa mudara dentro dele desde que fora pego no flagra com Cho no dinner e tivera que enfrentar toda a fúria de Bill Weasley.
Aliás, muito do que achava ser simples tornara-se confuso desde aquele dia. Sabia que merecia escutar o que escutara de Bill, mas ele não esperava que vislumbrar os olhos chorosos de Gina Weasley fosse incomodá-lo tanto.
Harry nunca conseguiu entender em que ponto ele e Gina estavam. Os dois tiveram alguns dias em Londres durante os estágios dela, nos quais ele ficou perdidamente apaixonado. Depois, Gina voltou a Ottery St. Catchpole e, Harry não soube mais dela, só mantinha um contato distante com Bill. Contato esse que motivou o ruivo a pedir ajuda a ele com toda essa confusão entre Fleur e a mãe. Por fim, Harry veio à cidadezinha para ajudar Hermione e acabou reencontrando Gina.
Reencontro cheio de tensão e surpresa, afinal, ele não reconheceu a Gina que encontrara em Ottery St. Catchpole. Harry não se recordava da amargura, do sarcasmo e, muito menos, da fúria latente que Gina representava em suas atitudes... Depois de uma série de desencontros, palavras não-ditas, discussões e, por fim, términos... Harry e Gina finalmente se afastaram.
E depois de tudo, Harry realmente esperava que não tivesse nada a ser dito ou feito entre eles, mas pelo visto, se enganara completamente. Algo dentro dele ficara incrivelmente incomodado e, de certa forma, magoado por ver Gina tão triste e decepcionada como ela parecia estar no último encontro deles no dinner.
Claro que o sarcasmo e a amargura ainda estavam lá, mas diferentemente das outras vezes, Harry enxergou algo desconhecido no olhar de Gina, algo que ele queria descobrir do que se tratava, mais do que gostaria de se afastar, de vez, dela e tentar algo com Cho Chang.
Harry sabia que estava com uma bomba em mãos, não podia destratar Cho porque ainda pensava em Gina e, muito menos, poderia decidir entre as duas quando, querendo ou não, nem sabia de quem gostava.
– Potter!
A voz masculina soou mais alto que as passadas pesadas de Harry, o rapaz parou e virou-se em direção a voz. Para sua surpresa, Ronald Weasley caminhava rapidamente em sua direção. A expressão dele estava neutra, mas as orelhas estavam tingidas de vermelho. O ruivo parou a sua frente e os dois se encararam, Harry não sabia o que esperar dele ainda mais diante do que presenciara em Bill. O moreno resolveu ficar em silêncio e observou, chocado, Rony sorrir e perguntar:
– Você sumiu... Como anda a vida?
– Bem, é... — Harry gaguejou desconcertado, olhando ao redor, desviando os olhos verdes do olhar firme de Rony. O moreno logo percebeu que alguma coisa estava errada, pois escutou as juntas dos dedos da mão direita de Rony estalarem quando ele a fechou em punho. Harry engoliu em seco e estava prestes a continuar sua resposta, provavelmente, com uma mentira, quando Rony o interrompeu e disse grosseiro:
– Ok, ignore a pergunta, Potter. Não posso mais ser educado contigo e, por isso, vou ser direto: que merda você pensou estar fazendo ao magoar a minha irmã?!
– Calma aí! Não fui eu que a magoei primeiro! — Harry exclamou na defensiva, erguendo as mãos em frente ao seu corpo e dando um passo para trás. Rony ignorou e avançou em direção a ele. Harry grunhiu incomodado. Os olhos castanhos de Gina, lacrimejados e chorosos, começaram a se formar em sua mente. Algo dentro dele apertou e Harry ofegou. — E eu achei que tanto você como os gêmeos estivessem do meu lado!
– Isso foi quando achamos que Gina não sentia nada por você, da mesma forma como ela se sentia com o Corner e os outros! — Rony gritou furioso e, dessa vez, todo o seu rosto tingiu-se de vermelho. O ruivo apanhou a gola da camisa de Harry e o empurrou, até a parede da casa de Cho, as costas do moreno bateram dolorosamente nos tijolos avermelhados. Harry resmungou e tentou se soltar, sem sucesso. — Agora, quando a minha irmã caçula chega em casa chorando copiosamente por causa de um babaca que desistiu dela, eu totalmente mudo de lado e assumo a figura de irmão protetor! Quem você pensa que é, Potter?!
Harry desistiu de tentar se soltar de Rony no exato momento que as palavras dele fizeram sentido em sua mente bagunçada. Gina achava que ele tinha desistido dela? Mas, o que acontecera entre eles não fora, exatamente, o contrário? O moreno repassou todas as etapas do relacionamento deles em sua cabeça, em busca do exato momento em que, talvez, tenha desistido de Gina...
Sim, a imaturidade dela o incomodou, assim como o ar mimado que ela assumiu ao descobrir que Hermione trabalhava para Fleur... Existiam defeitos nela, os quais incomodavam Harry e, ainda assim, não permitiam que ele se afastasse dela.
Enquanto Harry encarava Rony, ele entendeu o verdadeiro motivo por Cho levantar tantas dúvidas dentro dele... Ela não era e jamais poderia ser Gina, as duas eram extremamente diferentes e ele percebeu que sentia muita falta do temperamento da ruiva. Porém, o moreno não respondeu à indagação de Rony, mas sentiu a força do punho dele em seu rosto.
Os óculos espatifaram-se e por pura sorte, nenhum caco de vidro perfurou Harry. O moreno deixou o corpo escorregar na parede até o chão enquanto, acima de si, Rony esbravejava furioso. Harry sequer o entendia porque, imerso na dor e na compreensão, chorava silenciosamente.
Em algum momento, Rony foi embora e Harry continuou chorando. Pensou em ligar para Hermione, mas tinha certeza que a amiga não estaria disposta àquela hora da manhã, ainda mais quando Fleur estava em Londres com ela. Por isso, o moreno suspirou, levantou-se e continuou a caminhar de volta para o chalé.
As pessoas olhavam para seu olho esquerdo que começava a inchar, assim como para os óculos quebrados em suas mãos. Ele mesmo olhava para os óculos de forma pensativa e comparativa...
Aquele par de óculos estava tão ou mais quebrado quanto ele e Gina.
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A chuva já parara e discretos raios de sol ousaram ultrapassar a barreira de nuvens nubladas de Londres quando, finalmente, Hermione e Fleur resolveram se levantar. Primeiro, a francesa deslizou nua pelo quarto até o banheiro, voltando minutos depois com a pele quente e levemente úmida, cheirando à lavanda. Ela beijou os cabelos de Hermione e a despertou antes de ir para a cozinha.
Agora, cerca de quarenta minutos depois, as duas desfrutavam de uma quantidade verdadeira enorme de crepes franceses nos mais diversos recheios que incluíam desde chocolate e morango até queijo e outros sabores salgados. Hermione se deliciava com um crepe de morango quando Fleur passou perto dela e ela, rapidamente, puxou-a pela cintura. A francesa riu enquanto suas costas colidiam de encontro ao tórax de Hermione. A morena suspirou e beijou-lhe a nuca murmurando:
– Acho que sou a mulher mais feliz do mundo.
– Isso é o seu estômago falando, Hermione. — Fleur respondeu em tom sarcástico, mas suas bochechas estavam coradas e havia certo brilho orgulhoso em seus olhos... Ela sentia-se feliz por ser capaz de dar um pouco do que amava (além de todo o seu ser) para Hermione. Escutou a risada divertida da morena, assim como sentiu o corpo dela tremer pelas gargalhadas. Hermione desviou-se de seu corpo para apanhar outro pedaço de crepe e, levando-o à boca, a morena o mastigou deliciosamente e, assim que terminou, apertou a cintura de Fleur e respondeu:
– Creio que não é só o meu estômago que está satisfeitíssimo. Tem outra coisa muito mais satisfeita falando por mim.
– Achei que estivesse com fome, mademoiselle... — Fleur retrucou com um sorriso lascivo, virando-se lentamente no abraço de Hermione e enlaçando-lhe o pescoço quando seus olhares se encontraram. Hermione não tinha um sorriso muito diferente do seu ao lhe morder o queixo. — E também achei que estivesse menos faminta nesse aspecto.
Hermione acabou rindo diante do tom ligeiramente surpreso de Fleur e contentou-se, por fim, em beijá-la levemente nos lábios. Fleur sorriu de encontro aos lábios de Hermione e puxou levemente os cabelos castanhos, ambas separaram-se e estavam prestes a beijarem-se de novo quando a campainha tocou. ‘
Ambas separaram-se surpresas, mas foi Hermione quem, por fim, foi à porta.
A morena ficou extremamente confusa quando seus olhos foram lançados ao recém-chegado.
Havia uma garota jovem, de cabelos platinados e olhos extremamente azuis que a observavam com afinco.
Depois da surpresa, Hermione pode contemplar quão parecida ela era com Fleur. Entretanto, a morena estava presa entre a confusão e surpresa e se calara enquanto a jovem loira sorria grandemente para ela. Hermione escutou ruídos atrás de si quando a voz entusiasmada de Fleur perguntou:
– Quem é, chérie?
Mais ruídos e, por fim, passos. Até que os olhos azuis da recém-chegada arregalaram-se por breves instantes antes de ela dizer em tom brincalhão e repleto de sotaque francês:
– “Chérie”? Essa é nova! A Inglaterra realmente muda as pessoas, irmãzinha!
– Gabrielle?! — Fleur murmurou chocada e Hermione virou-se abruptamente para ela. A francesa estava tão branca e com os olhos tão arregalados que a morena realmente esperou que ela desabasse ali mesmo. Gabrielle sorriu e entrou no apartamento, empurrando as duas entre gargalhadas antes de parar no meio do caminho entre a sala e a cozinha e dizer em tom de conspiração:
– Estou sentindo cheiro de crepes franceses e antes que esse cheiro nuble minha racionalidade, gostaria de comunicar que você, Fleur Isabelle Delacour, está ferrada. Maman está vindo e você vai ter que se explicar pelas fotos, por todos esses anos sem comunicação e, aparentemente, por você ser adepta do l’amour entre femmes.
Fleur engoliu em seco e olhou para Hermione que, mesmo chocada, parecia bastante contrariada. A francesa suspirou derrotada.
Mais do que o passado a assombrando... Ela sentia todo o seu presente esvaindo-se, como areia, entre seus dedos.
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