La Petite Mort

15 Sobre amar e, somente, amar


Notas iniciais
Boa tarde! Como vocês estão? Espero que todos estejam muito bem, eu mesma estou muito feliz! Por que? Bem, eu estava perdendo um pouco do meu amor por "La Petite Mort", mas digamos que ele voltou nesse capítulo Hahahahaha Então, espero que eu consiga agradá-los, acho que tem muita coisa nele que vai satisfazer muitos leitores! Ele tá na categoria do que eu considero "açucarado" em minhas fanfics... E foi escrito com overdoses musicais de Angus & Julia Stone (Principalmente "All of Me", "Big Jet Plane", "For You", "Just a Boy" e "Love Will Take You") e, também, com a trilha sonora de "Les Rencontres d'après minuit" ("You and The Night", em inglês) pela banda francesa M83 que eu em muito recomendo para vocês escutarem enquanto lêem! Aliás, espero que minhas sugestões musicais não estejam enchendo o saco de ninguém, ok? *-* Bem, é isso... Boa leitura!

Fleur não tinha experiência alguma com mulheres, por isso, todos os seus atos eram reflexos do que ela gostaria que fosse feito em seu corpo para que ela atingisse o seu ápice de prazer. Entretanto, conforme tocava porções nuas e até então, desconhecidas, de Hermione... Descobria que dar prazer era tão ou mais intenso quanto ser preenchido por ele, tudo que ela fazia na morena ecoava no âmago de sua própria essência.

Fleur descobriu que a sensação de estar no controle e de ser responsável pelo prazer de outra pessoa a seduzia e, principalmente, despertava uma sensação da qual ela não estava familiarizada.

As pontas de seus dedos pálidos estavam ligeiramente trêmulas enquanto dedilhavam o abdômen de Hermione, Fleur não sabia explicar como as duas chegaram à cama e nem em que momento suas blusas foram arrancadas de seus corpos, assim como suas calças... Desde o que acontecera na cozinha, Fleur não tinha consciência do tempo ou de qualquer outro aspecto que não fosse o corpo de Hermione.

Hermione, por sua vez, observava os movimentos de Fleur enquanto mordia os lábios. Ela não estava acostumada a ser submissa na cama, mas Fleur estava tirando-lhe dos eixos... A francesa a tocava e a observava com tanto desejo e tanta insegurança que, aqueles dois limites sensitivos, tornavam-se extremamente sensuais e eróticos. A lentidão dos toques estava arrepiando e despertando cada zona erógena de seu corpo, e, quando Fleur se aproximou de seu ventre, Hermione sentiu o exalar quente da respiração dela e arqueou a cintura de encontro aos lábios dela.

Fleur abriu um sorriso antes de beijá-la acima do umbigo e morder a região, em seguida. A francesa ergueu os olhos e, levou os dedos até os lábios mordidos, acariciou o lábio inferior da morena e ainda trajando o sorriso misterioso e faminto, ordenou rouca:

– Não ouse machucar esses lábios.

Hermione libertou os lábios de sua mordida e beijou as pontas dos dedos de Fleur, a atenção da francesa foi imediatamente para a boca de Hermione tocando sua pele. A morena ainda foi mais audaciosa e, delicadamente, chupou a ponta do dedo indicador, olhando-a firmemente nos olhos. Fleur sentiu seu coração acelerar e sua mão esquerda apertou a cintura de Hermione, às cegas e imersa em seu desejo, escalou o corpo da morena e a beijou, sôfrega.

A morena riu quando os lábios desesperados colidiram com os seus. Fleur apertou e subiu, lentamente, as mãos pelas laterais do corpo de Hermione. A morena enlaçou o corpo de Fleur com as pernas, prendendo-a no local e impedindo que qualquer distância as atrapalhasse. Fleur ofegou antes de abandonar os lábios inchados e trilhar um caminho de mordidas a partir do queixo de Hermione até sua clavícula. Ali, sugou fortemente e Hermione debateu-se embaixo de si, arranhando suas costas. Para mantê-la submissa, Fleur levou a mão direita ao sexo dela.

Hermione ofegou e imediatamente, parou. Fleur afastou-se dela e aplicou-lhe um selinho enquanto começava a tocar a região. O dedo indicador da francesa pressionou lentamente o clitóris de Hermione, como se o experimentasse, a morena respirou profundamente e aquela foi o sinal que Fleur precisava para continuar, os movimentos tornaram-se circulares e mais precisos e Hermione gemeu enquanto sentia os olhos azuis, viscerais e animalescos, a observarem. Fleur olhou para baixo e sorriu satisfeita e, um tanto impressionada, ao notar o discreto rebolado de Hermione de encontro à sua mão. Fleur sentia-se como se fosse o seu próprio corpo a ser tocado daquela forma, beijou a morena de forma lânguida e, próxima a ela, disse:

– Acho que descobri algo que muito me agrada, chérie.

Hermione grunhiu em afirmação, completamente intoxicada pelo cheiro de lavanda que a envolvia. Sentia cada terminação nervosa do seu corpo começar a ceder para o prazer e a névoa de desejo a envolvia, cegando-a completamente. Só tinha consciência daquele corpo que tanto ansiava e daquelas mãos que lhe davam prazer.

Fleur diminuíra a velocidade dos movimentos até pará-los. O ventre de Hermione contorceu-se, ansiando por mais e seu centro pulsava, sensível. A morena apoiou-se nos cotovelos, observando Fleur com a expressão frustrada e irritada, mantendo-a junto a si enquanto pressionava suas pernas ao redor dela. A francesa sorriu predatoriamente e a arranhou desde os tornozelos até a região das nádegas, apertando aquela região de forma afoita. A morena arrepiou-se e suas pernas cederam, libertando-a. Fleur levou as duas mãos atrás das próprias costas e, sensual, murmurou:

– Estou curiosa para sentir e descobrir o que vai ser quando nós não tivermos mais nada entre nós...

Hermione engoliu em seco, o coração acelerado batendo de encontro aos seus ouvidos enquanto observava, hipnotizada, Fleur retirar o sutiã e o largar ao lado da cama. Os seios médios e os bicos rosados atraíram sua atenção imediatamente e Hermione, saindo de seu torpor, avançou de encontro a eles. Fleur se afastou, fazendo um sinal negativo com o dedo indicador. Ela apanhou-lhe pelos punhos e a puxou bruscamente, as mãos deslizaram pelos seus braços e as unhas voltaram a arranhar sua pele enquanto sentia seu ponto de pulso ser sugado violentamente. Hermione ofegou e suas mãos arranharam o couro cabeludo de Fleur ao mesmo dento que seus dentes deslizavam pelo ombro pálido, distraída pela volúpia contida nos toques em seu corpo, sequer viu quando o próprio fecho do sutiã foi aberto, mas sentiu quando as mãos afoitas de Fleur abandonaram suas costas e envolveram seus seios, apertando-os com mãos trêmulas e gélidas, também sentiu os beijos em seu colo e a língua deslizando no vale entre seus seios.

Fleur voltou a encaixar entre as pernas de Hermione e a morena puxou os cabelos loiros. As mãos da francesa voltaram a descer por seu corpo, arrepiando-a, até enfim, alcançarem sua calcinha. Fleur brincou com o elástico da mesma antes de puxá-la bruscamente e rasgá-la. Hermione cortou o beijo para olhar surpresa para sua parceira, mas Fleur tinha o mesmo sorriso que a enlouquecia, a morena não perdeu tempo e também retirou a única peça que faltava. Mas antes mesmo que pudesse tocar o corpo completamente nu de Fleur, as atenções e mãos da francesa voltaram-se para a parte mais sensível de seu corpo.

Mais rápido. Mais forte. Mais intenso.

E enquanto Hermione tentava respirar, um dedo a penetrou e ela foi invadida por uma intensa onda de prazer. A morena ofegou e agarrou-se ainda mais ao corpo de Fleur. A francesa sentiu as paredes de Hermione se apertarem de encontro aos seus dedos e aquela sensação lhe tirou do eixo. O gemido de Hermione foi calado pela língua de Fleur que invadiu sua boca, a francesa a beijava de forma enlouquecida enquanto acelerava o ritmo dos movimentos, mais um dedo a penetrou e Hermione apertou os ombros da loira e mordeu o lábio inferior de Fleur, mantendo-a perto enquanto ofegava e arranhava-lhe a nuca. Fleur investia de encontro ao corpo de Hermione, cada vez mais forte, cada vez mais segura do que fazia.

Os gemidos de Hermione eram desconhecidos aos seus ouvidos e, ainda assim, familiares. Eles eram combustíveis para as investidas da francesa que estava cada vez mais faminta pelo ápice de Hermione.

A nudez das duas colidiu no exato momento em que Hermione era atingida por um orgasmo tão intenso que a fez fechar os olhos e arquear o corpo, enquanto o seu ventre contraía-se e a descarga elétrica a envolvia até despertá-la do próprio transe.

La petite mort...

Fleur diminuiu a velocidade e a intensidade dos movimentos até a névoa de prazer dissolver-se entre elas, retirou os dedos de dentro de Hermione, observando, satisfeita, o líquido da morena entre eles. A respiração de Hermione continuava descompassada, assim como os olhos dela permaneciam fechados.

A francesa afastava-se quando Hermione a puxou para perto, a morena estava de olhos abertos e brilhantes, segurou a mão que até então lhe proporcionara prazer e entrelaçou-a com a sua, em seguida, levou-as aos lábios e as beijou, delicadamente. Fleur sorriu e afastou alguns revoltos fios castanhos do rosto suado, Hermione ainda respirava com dificuldade e mal conseguia manter os olhos abertos. A francesa deixou-se ceder ao cansaço físico e, entorpecida, deitou sobre os seios da morena, Hermione remexeu os cabelos loiros e Fleur desenhou padrões aleatórios no abdômen da morena enquanto o silêncio preenchia o ambiente entre elas.

A francesa sentia seu corpo sensível, mas também se sentia saciada, a dualidade do seu próprio a surpreendeu e ela percebeu que não ficaria frustrada se Hermione não quisesse retribuir. A expressão de prazer de Hermione ocupava sua memória e ela simplesmente não conseguia tirar as mãos do corpo moreno, assim como não conseguia esquecer tudo que proporcionara ao tocar nele. Logo, seus dedos pararam os círculos e foram substituídos por sua boca, Fleur trilhou um caminho de beijos até chegar ao rosto de Hermione.

Os olhos castanhos, límpidos e realizados a recepcionaram. Hermione deixou que Fleur voltasse a posicionar-se entre suas pernas e, daquela vez, não havia malícia quando as mãos da morena envolveram o pescoço branco da francesa e massagearam-lhe a nuca. Fleur fechou os olhos, surpreendendo-se quando uma lágrima escorreu no canto dos seus olhos, sentiu o polegar de Hermione apanhá-la e fazer um discreto carinho em sua bochecha, a morena suspirou e perguntou insegura:

– Tudo bem contigo?

– Eu não podia estar melhor. — Fleur respondeu ligeiramente acanhada, abandonando o corpo da morena e deitando-se ao lado dela, olhando para o teto à procura de respostas que justificassem a intensidade de tudo que sentira nos últimos minutos.

Foi a vez de Hermione aconchegar-se em seus braços, a morena buscou retomar o contato físico que se fazia tão necessário naquele momento, ela virou o corpo de lado e seu rosto encaixou-se na curva do pescoço de Fleur que a recepcionou, envolvendo o corpo menor que o seu e o apertando de encontro a si. Hermione sorriu satisfeita e passou um braço sobre o abdômen de Fleur, cutucando-a na cintura ao perguntar:

– Por que do choro? Fizemos algo errado?

– Assim que eu descobrir o motivo dessa lágrima, eu lhe falo... Mas não tem nada a ver com o que fizemos. Estou satisfeita e cansada. — Fleur respondeu risonha, afastando seu pescoço dos domínios de Hermione, a morena tinha uma expressão curiosa e pensativa no rosto, a francesa riu de forma divertida e beijou-lhe a testa. — Mas talvez, tenha algo a ver com o que eu estou sentindo, mon amour...

Hermione esperou pelo complemento da resposta, mas este não veio. Entretanto, contentou-se em observar os olhos azuis de Fleur que, naquele momento, pareciam ter tudo que ela precisava para ter sua curiosidade e seu coração saciados.

# # # # #

Bill acordou sem muita noção se dormira bem ou não. As únicas coisas das quais tinha certeza, eram do calor dos braços de Cedric envolvendo sua cintura e do peitoral dele de encontro as suas costas. O ruivo abrira os olhos, mas não se mexera, querendo prolongar, o máximo que podia, aquele contato físico. Cedric o tranqüilizava e o fazia enxergar as coisas de forma mais clara e, naquele dia, Bill precisava de muita clarividência.

O dia prometia ser difícil e, talvez, fosse por isso que ele permanecia deitado, mesmo que a sua cabeça já estivesse trabalhando a mil.

Sua família sabia do segredo que ele, por tanto tempo, tentara esconder. Bill não fazia o tipo que corria de suas obrigações ou que era covarde, mas admitia que aquela conversa o assustava com as diversas possibilidades de reações de seus pais e irmãos. Ele não sabia o que esperar, os Weasley eram imprevisíveis.

A tensão em seu corpo pareceu ter acordado Cedric, Bill sentiu quando o moreno remexeu-se as suas costas, algumas articulações estalaram e o moreno espreguiçou-se, ainda sonolento, depois, seus braços voltaram a englobar Bill. O ruivo aconchegou-se ao calor de Cedric e o moreno suspirou em suas costas, em seguida, deu um beijo no ombro pardo e sardento e disse sonolento:

– Bom dia, meu amor.

– Bom dia, querido. — Bill respondeu baixinho ao cumprimento, afagando o braço de Cedric em sua cintura por alguns minutos antes de se levantar e rumar para o banheiro. Antes de fechar a porta, Cedric já estava de pé e caminhava até a cozinha. Durante o banho, Bill sentiu o cheiro de café e respirou fundo.

Pelo menos, quando voltasse, ainda teria Cedric em sua vida.

Bill não se lembrava de ter se sentido tão nervoso diante de um encontro com os pais, nem mesmo quando esteve de mãos dadas com Fleur, ambos com alianças de compromisso, parados na calçada de pedra em frente ao sobrado e antes de tudo acontecer. Talvez, fosse porque naquela vez, o ruivo sentia que não decepcionaria os pais.

E, naquele momento, ele achava que decepcionaria o seu próprio eu caso não tivesse uma conversa sincera e sem amarras com toda a sua família. Ele precisava daquilo, Cedric também e Fleur... Nem se fala.

O peso do bem-estar dos outros envolvidos naquela equação ilógica fez seus ombros caírem, Bill colocou as mãos em ambos os bolsos da calça e escorou na cerca de madeira da frente do jardim. Observou o sobradinho enquanto procurava estabilizar sua respiração e acalmar seu coração agoniado e apertado em seu peito.

Subitamente, sentiu falta do apoio de Cedric.

E por mais que sentisse que, a qualquer momento, perderia o controle, Bill assumia que precisava enfrentar tudo aquilo sozinho.

Mas, jamais, sentira-se tão sozinho como naquele momento. Estava acostumado à presença exagerada e alta da Família Weasley, ao apoio exacerbado e à proteção intensa de Fleur e aos carinhos e compreensão absoluta de Cedric. Bill não agia bem quando estava sozinho e, naquele momento, engoliu em seco porque sequer sabia o que esperar de suas atitudes solitárias.

A porta do sobradinho se abriu, através dela, a figura alta, de corpo bem desenhado saiu, resmungando alguns impropérios que, com certeza, sua mãe não era capaz de ouvir. Gina arrastava um pesado e imenso saco de lixo preto, Bill riu da situação tão familiar e, surpreendente, tão saudosa.

O ruivo deu alguns passos em direção à irmã e ela ergueu os olhos castanhos ao escutar os sons do solado dos sapatos sobre a pedra, a expressão franzida de Ginny imediatamente relaxou em um sorriso. A garota limpou as palmas das mãos no vestido surrado que usava e rompeu o que ainda restava da distância entre eles, abraçando o irmão apertado. Bill riu roucamente e girou o corpo, com a irmã em seus braços, Ginny apertou-lhe os ombros e afastou-se com um sorriso brilhante, ela ajeitou a gola de sua camisa e disse animada:

– Que bom que você veio!

– Nem eu estou acreditando que estou aqui. — Bill foi honesto em suas palavras, o sorriso brilhante vacilando e deixando claro quão amedrontado ele estava. Ginny inclinou a cabeça e fez um beicinho, preocupada. O ruivo apertou-lhe o ombro esquerdo com a mão direita e respirou fundo, Ginny segurou a mão dele e a afagou. — Sequer acredito que estou aqui, sozinho. Só eu sei o quanto estou lutando para não voltar e chamar Cedric.

– Cedric deve ser preparado para todo o drama Weasley... — Ginny comentou brincalhona, conseguindo relaxar, nem que fosse um pouco, a expressão do irmão que acabou rindo roucamente com o comentário. A ruiva ficou séria e apanhou a mão do irmão, entrelaçando-a na sua e, assim, puxando-o para a casa, caminhando lado a lado com ele. Bill sentiu-se, subitamente, trêmulo. Gina apertou sua mão e sorriu para ele, abraçando-lhe o braço. — Além do mais, você não está sozinho.

Bill assimilou as palavras da irmã e elas tomaram um gosto doce em sua mente e, principalmente, em seu coração. Uma onda de calor aconchegante preencheu o seu interior e ele, ainda trêmulo e nervoso, deixou-se ser conduzido para o interior da casa. No hall de entrada, Ginny tirou os sapatos, uma mania infantil que ela ainda mantinha e que fez Bill sorrir, e andou descalça à frente.

O cheiro que preenchia o andar debaixo da casa era uma mistura de assado e cozido de legumes, Bill o aspirou profundamente, sendo envolvido imediatamente por uma aura nostálgica ao se lembrar de como amava acordar e sentir o cheiro da comida da mãe. Entretanto, suas lembranças foram atribuladas pela voz, de sua própria mãe, soando estridente da cozinha:

– Ginny! Onde você está? Chame os meninos!

– Eu mal entrei em casa, mamãe! Esqueceu que você tinha me mandado dar um jeito no lixo? — Ginny respondeu entediada, revirando os olhos e provocando risadas contidas em Bill. Ela deu um último olhar de esguelha para o irmão e subiu as escadas em busca dos demais homens da família.

Bill ficou sem saber, parado no meio de uma casa que parecia tão sua, quanto não a era. Ele percorreu a sala de estar, tentando ficar longe dos olhos de sua mãe. No andar de cima, escutou uma breve discussão entre Ginny e os irmãos, seguidas de passos apressados pela escada. Bill respirou fundo e virou-se para enfrentar quem acabara de descer e fez uma cara igualmente surpresa quando se deparou com Charlie, seu irmão mais novo e viajante, o ruivo, de pele tostada pelo sol, resmungou:

– Oh merda...!

– O bom filho a casa retorna! — Fred disse divertido, com George ao seu lado, ambos com sorrisos idênticos e divertidos na sala. Bill engoliu em seco quando escutou mais passos apressados e a figura de sua mãe irrompeu na sala, de maneira tempestuosa. A expressão da matriarca da família estava uma incógnita, ela não disse nada e colocou as mãos na cintura, Bill, inseguro, disse:

– Bem, eu achei que deveria falar com vocês.

– Ainda bem que apareceu, maninho. Nem eu e nem Charlie queríamos perder a viagem! — Percy surgiu de trás dos gêmeos, com a expressão até aliviada por ver que o irmão estava ali. Charlie concordou com a cabeça e Bill acenou para os dois de forma desconcertada, estava com vergonha de todo o drama familiar que se instalara por causa de algo que deveria ser restrito a ele, aos pais e a Ginny.

Aliás, aquele era o problema dos Weasley, eles levavam o conceito “família” muito a sério.

Bill voltou a colocar as mãos nos bolsos e Ginny saiu de trás dos irmãos, postando-se protetoramente ao lado de seu irmão mais velho, todas as atitudes da mais nova foram acompanhados pelos olhos de Molly Weasley. Arthur e Rony chegaram logo depois e foram os únicos que nada disseram, o patriarca apenas ficou ao lado da esposa, olhando para Bill com a expressão também indecifrável enquanto Rony bocejava. Bill pigarreou e disse nervoso:

– Prometo não tomar o tempo de vocês, vamos conversar e, em seguida, irei embora.

Nenhum dos ruivos disse algo, mas Ginny foi a primeira a ir até a sala e se acomodar em um sofá surrado de dois lugares. Os demais também se fizeram confortáveis, os pais sentaram-se nas poltronas em frente a Bill, separados dele pela mesinha de centro. Percy se acomodou em uma poltrona e Charlie sentou-se no braço da mesma, enquanto os gêmeos e Rony sentavam-se no chão. Bill entrelaçou as mãos e apoiou os braços sobre os joelhos, Ginny apertou-lhe o ombro, encorajando-o e ele, nervoso, começou:

– Bem, como vocês provavelmente já saber...

– Pule a parte de que você trocou aquela ninfa francesa pelo sem sal do Diggory! — George interrompeu-o com um sorriso desdenhoso nos lábios e que, surpreendentemente, não continha maldade alguma. Bill olhou para ele, confuso e Fred, entre gargalhadas, brincou:

– Ainda bem que eu e George resolvemos trilhar nosso próprio caminho nessa família, imagine a decepção para Percy que o tinha como exemplo.

– Para mim, não mudou nada. Exceto que os cabelos compridos, piercings e guarda-roupa estranho da adolescência de Bill passaram a fazer muito mais sentido. — Percy comentou em um tom falsamente sério que provocou risos nos gêmeos e até mesmo em Ginny. Bill olhava de um de seus irmãos para os outros, completamente estupefato com a situação. Ele abriu a boca para responder, mas Rony foi mais rápido:

– E ainda bem que eu tive o Charlie. Já não levo jeito com mulheres, imagine se dependesse do Bill.

Bill estava boquiaberto enquanto as risadas preenchiam a sala. Até mesmo seu pai tinha um sorriso no canto dos lábios, entretanto, sua mãe permanecia séria e com a expressão indecifrável. Bill manteve contato com os olhos dela até voltar a abaixar a cabeça, covardemente. Sentiu os cabelos serem afagados por Ginny e agradeceu a irmã por todo o esforço em fazê-lo sentir-se confortável, mas ele, querendo ou não, precisava do apoio e do amor da mãe.

– Os meninos já sossegaram? Podemos almoçar? — Molly finalmente falou, a voz estava severa como sempre e teve o mesmo efeito nos filhos, cada um saiu da sala e passou por Bill, apertando o ombro ou até mesmo batendo na cabeça do irmão, no caso dos gêmeos, como forma de apoio. Ginny foi a última a sair do lado do irmão e quando o fez, olhou preocupada por cima dos ombros.

Bill encontrava-se sozinho com os pais. Ele pigarreou, mas parecia existir um bolo em sua garganta que o impedia de falar. O ruivo passou a mão trêmula pela testa e respirou com dificuldade, seu pai ficou em pé e, com um sorriso bondoso, disse:

– Eu vou cortando o assado. Posso reservar a porção mal passada para você, Bill?

Bill sorriu para o pai, mas não o respondeu. Arthur beijou o topo da cabeça do filho e afagou-lhe o ombro, o primogênito ruivo olhou para mãe e, inseguro, perguntou:

– A senhora não vai me dizer nada?

– Querido, não tenho nada para lhe dizer. — Molly sentenciou de forma rápida e objetiva, as palavras dela atingiram Bill e ele sentiu como se estivesse perdido um braço ou uma perna. Os olhos castanhos começaram a lacrimejar e ele voltou a abaixar a cabeça, envergonhado do seu choro. Escutou sua mãe se levantar e, em seguida, sentar-se ao seu lado. A senhora segurou as mãos do filho e as apertou entre as suas. Bill não conseguia assimilar mais nada, os atos e palavras de sua mãe o confundiam. — Exceto de que eu estou envergonhada de você por esconder isso durante todo esse tempo e, também, orgulhosa por ter nos enfrentado da forma que fez no mercado, naquele dia. Também tenho muito a dizer a Fleur, especialmente, agradecê-la por tudo que ela fez por nossa família e, principalmente, por você. Eu não tolerava a ideia de entregar nosso legado a uma desconhecida, principalmente, a uma francesa esnobe... Mas, Ginny me fez perceber que não estamos exagerando ao entregar parte do dinner a Fleur, ela é da família, afinal.

Bill ergueu a cabeça lentamente, conforme as palavras da mãe o atingiam e faziam sentido em sua cabeça. Quando seus olhos encontraram os de sua mãe, tão castanhos e iguais aos seus, ambos choravam. Bill gargalhou e colocou-se em pé, puxando a mãe consigo e a apertando em seus braços. Molly também riu alto e apertou o filho com saudade. Bill beijou-lhe o topo da cabeça e, afastando-se da mãe para olhá-la, perguntou:

– Isso quer dizer que nada mais de Weasley versus Delacour?

– Não, ela merece tudo que você quer dar a ela... E eu sempre serei grata a uma mulher que cuidou tão bem do meu filho. Só fico triste por Ernest que voltará a estaca zero de sua carreira de advogado. — Molly respondera com a expressão gentil e bondosa que combinava muito mais com ela do que o ar sério e fechado. Mas ela logo franziu a testa, insatisfeita e beliscou a bochecha do filho, Bill fez uma careta, sem entender. — E o senhorzinho tem que me apresentar meu futuro genro!

– Você conhece o Cedric, fomos criados juntos, praticamente! — Bill argumentou frustrado para a mãe que, apenas, ocupou-se em bater em seus ombros de forma punitiva. Ele voltou a abraçar a mãe e ela murmurou ao seu ouvido:

– Estou muito orgulhosa do homem que você se tornou.

Bill deixou-se envolver pelo amor materno, apenas por poucos minutos porque, logo em seguida, seus irmãos e seus pais se juntaram a eles em um imenso e desengonçado abraço em grupo.

O ruivo sentia-se de volta à infância, mas, também, sentia-se intensamente ligado ao seu presente. Naquele momento, percebeu a ingenuidade de suas atitudes... Fleur era exatamente como sua família e, quando ela não lhe dera as costas no passado, ele não precisava temer o futuro que teria ao se assumir para os pais e irmãos.

Naquele momento, Bill não achou que os Weasley exageravam no conceito a respeito do que compunha uma família. Na verdade, ele achou que aquilo que sentiam um para o outro não era capaz de ser conceituado.

Afinal, não se questiona os laços de sangue quando eles são fortalecidos pelo amor.

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Os raios de sol penetravam de forma discreta na cortina escura do quarto de Hermione, entretanto, não era a morena que se encontrava deitada de bruços, abraçada a um travesseiro, com os lençóis amarrotados e esparramados ao seu redor.

Os cabelos loiros foram tirados do rosto com um gesto preguiçoso da mão esquerda, a mão direita tateou a cama em busca de alguma coisa e suspirou, um pouco frustrada, quando não a encontrou. Fleur sentou-se na cama, um sorriso ocupava seus lábios e ela segurou o lençol que a cobria de encontro aos seus seios. Olhou ao redor do pequeno quarto, ainda um pouco sonolenta e assustou-se ao perceber que já passavam das dez horas da manhã.

Fleur espreguiçou-se e levantou-se, coletou suas roupas que, surpreendentemente, estavam espalhadas pelo chão. No canto do quarto, abriu sua pequena mala e coletou uma calça jeans, coturnos de couro, um pesado moletom de lã verde e um cachecol escuro.

Quando entrou no banheiro e, enfim, deixou o lençol cair, o espelho refletiu cada um dos reflexos da noite anterior. Fleur sorriu para a marca arroxeada em sua clavícula e para os discretos arranhões em seu braço e surpreendeu-se com uma pequena marca de mordida na junção entre seu ombro e pescoço. A francesa dedilhou cada uma delas e fechou os olhos ao se recordar, de forma tão intensa, quando cada uma delas surgira.

Seu corpo estava relaxado, por mais que as marcas e, até mesmo, uma frágil dor a incomodasse. Fleur sentia-se revigorada, com esse pensamento, a francesa tomou um banho e se trocou.

Chegou à cozinha e, antes de abrir a geladeira para tomar um suco, deparou-se com um bilhete pregado à porta por ímãs. A letra bem desenhada escrevia:

“Bom dia... Desculpe não acordar ao seu lado, precisei levantar cedo para abrir o escritório e apanhar a correspondência desses dias em que fiquei fora. Temo que nosso macarrão estragou e, agora, estou pensando seriamente em levá-la para sair no almoço. Quanto a nossa noite, acho que a sensação de suas mãos ainda está comigo enquanto escrevo esse bilhete... Espero que tenha descansado bem, encontro-lhe mais tarde. Com carinho, Hermione.”

Tão cuidadoso e até mesmo impessoal. Bem característico de Hermione.

Fleur sorriu para o bilhete e o guardou dentro do bolso da calça. Tomou seu suco e então, lembrou-se de que Hermione não tinha nada em casa. Portanto, a francesa apanhou a carteira no interior da bolsa, saiu do apartamento e o trancou, guardando a chave no bolso.

Desceu as escadas enquanto seu celular ligava, não havia ligações perdidas e ela abriu um aplicativo, em busca de algum mercado próximo, encontrou um estabelecimento a menos de cinco quadras dali e resolveu fazer uma visita ao local. Saiu do edifício para a fria manhã de Londres, bateu o portão de ferro para fechá-lo e tomou à esquerda.

As ruas estavam tradicionalmente movimentadas e Fleur cumprimentava com um sorriso todos aqueles que lhe davam bom dia. Sua mente estava nas nuvens assim como seu coração estava acelerado. Não se lembrava de ter sido tão feliz assim e, talvez, fosse essa felicidade que a tenha distraído.

Fleur não notou o reflexo da lente de uma câmera fotográfica diretamente apontada para ela. Muito menos, escutou os sons de flashes e nem mesmo viu o sorriso nos lábios do fotógrafo que a observava do outro lado da rua.

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Notas finais
E aí, o que acharam do capítulo? Bem, essa primeira cena entre Hermione e Fleur demorou dias para ser escrita, portanto, espero que tenha agradado vocês! Bill e Cedric são meus bebês, não consigo escrever algo deles sem ser fofo! E alguém mais morreu com a fofura da Família Weasley? Hahahaha Eu não podia mais deixá-los tão fora do que eles realmente são... Aliás, Ginny é uma das minhas favoritas até agora. Alguém mais está comigo nessa? E sei que provavelmente sentem falta do Harry... Mas ele logo volta! *-* Agradeço aos comentários de cada um de vocês e espero por mais e, se quiserem, recomendações também são bem vindas! :D No mais, nos vemos na próxima ou em "You Belong With Me". Beijos, FerRedfield.