Notas iniciais
Olá, pessoas! Eu sei, já faz muito tempo, quatro meses... Sei que desculpa ou justificativa alguma adianta depois de tanto tempo. Mas, ainda assim, eu gostaria que soubessem que passei por uma série de problemas familiares, além de não ter tempo devido aos estudos e ao trabalho. Peço desculpas, mesmo assim e tentarei não demorar tanto nos próximos capítulos. Quanto a esse, está enorme e eu espero que gostem. Eu aviso, de antemão, que teremos cenas +18 em algum momento dele, por isso, tentem ler sozinhos Hahahaha Também peço que escutem a música Cherry, da Lana Del Rey quando chegar a hora (vocês saberão quando for e por favor, escutem mesmo! Escrever esse capítulo com essa música foi uma experiência incrível!). Aliás, eu meio que tô achando que essa música é muito a Fleur e a Hermione dessa fanfic Hahahaha Ah, esse capítulo é, em especial, a Maaari. Uma grande amiga (e escritora) que sempre me apóia em minhas crises de bloqueio autoral e, também, sempre é sincera em suas opiniões... Você pediu e a Fleur desse capítulo é sua! hahahahaha Bem, espero que gostem... Boa leitura e nos vemos lá embaixo!

A comida estava deliciosa como qualquer outra refeição posta na mesa da Mansão Delacour, em Paris. Porém, entre taças de vinho e aromas de pratos saborosos, Fleur podia sentir o peso do assunto evitado enquanto mastigava e se deliciava com a culinária da família. Também não havia como fugir dos olhares ansiosos que eram desviados sempre que Fleur interceptava-os, fossem os da mãe ou da avó.

As duas mulheres mais fortes da Família Delacour estavam inquietas diante da iminente volta de Fleur para a Grã-Bretanha. Desde a chegada a Paris, na noite anterior, a herança fora um assunto que tentara ser abordado e que Fleur, desconfortável, evitara. Claro que a chef sabia que era a herdeira de todos os negócios que envolviam a Cuisine Delacour, porém, não sabia como dizer à avó e à mãe que o La Petite Mort exigia tanto dela quanto a própria família.

A francesa não queria abandonar o dinner e, muito menos, Bill e Cedric que tão atenciosamente a acolheram. Também tinha um compromisso que não poderia ser adiado com Molly Weasley — já que a matriarca ruiva parecia ser tão insistente quanto a sua própria avó — e, sobretudo, havia Hermione.

Fleur sabia que Hermione provavelmente deixaria tudo na Inglaterra para segui-la até a França, mas, também sabia que a morena tinha muito a perder. Hermione tinha uma carreira em ascensão e era muito mais fácil que Fleur permanecesse com ela, nem que fosse por alguns anos até a advogada se firmar, antes de pensar em voltar a França.

O seu coração estava dividido, mas, assim como fizera há alguns anos, ela sentia que o seu caminho seria trilhado na Inglaterra e não na França.

Entretanto, por mais decidida que estivesse com a sua escolha, a situação não era fácil de ser administrada. Os olhares melancólicos e esperançosos dos familiares enchiam o coração de Fleur de tristeza. Ela poderia ficar, mas, isso não queria dizer que queria.

Fleur depositou os talheres em seu prato de forma desajeitada, provocando um som desajeitado que chamou a atenção dos ocupantes à mesa. Ao seu lado, Hermione percebeu o seu nervosismo — como se tornara comum depois de toda aquela vivência que dividiram — e depositou a mão sobre a coxa pálida, por debaixo da mesa. Fleur sorriu pequeno para o gesto, respirando fundo e levantando-se, os olhares ainda ansiosos sobre ela. A francesa respirou fundo antes de dizer calmamente:

— Eu sei que todos vocês esperam algo de mim, mas, não sei se posso fornecer o que querem.

Bon! Achei que nunca fôssemos tocar nesse assunto! — Éponine vociferou aliviada, depositando os próprios talheres e tomando um longo gole de vinho de sua taça. Fleur sorriu para o comportamento da avó, sempre tão extrovertida e exagerada, a matriarca sorriu de volta, um sorriso de quem parecia conhecer muito da neta.

Por outro lado, Apoline estava com os lábios crispados e as mãos sobre o colo, enquanto Raoul estava com a mão sobre as da mulher, fornecendo-lhe o apoio que ele também parecia precisar. Gabrielle estava calada, os olhos fixos no prato que mal tocara enquanto Lorena permanecia forte por Phillipe que parecia esforçar-se para manter os olhos distantes da prima.

Fleur sentia o peso de sua decisão antes mesmo de proferi-la. Ela sabia que, provavelmente, magoaria toda a sua família mais uma vez, contudo, os anos solitários vividos na Inglaterra apenas lhe ensinaram que ela não poderia, de forma, privar-se do que era e do que queria pelos outros. Era a sua família quem a queria, mas, Fleur sentia que o que ainda procurava estava na Inglaterra, mais precisamente, ao lado de Hermione.

A advogada também não sabia a respeito de sua decisão, Hermione não a pressionara naquele aspecto assim como não a pressionara durante toda a relação. A morena a queria feliz, independente do lugar e estava disposta a segui-la, para onde fosse. O que as tornava iguais, porque Fleur já não imaginava sua vida sem ela.

— Eu sei que, desde que pisei em Paris e desde que Othon foi devidamente desmascarado e colocado na cadeira, vocês esperavam e ansiavam que eu ficasse e assumisse tudo relacionado a Cuisine Delacour... Mas, isso jamais passou pela minha cabeça, nem antes e nem agora. — As palavras eram trêmulas e foram fortalecendo-se à medida que Fleur também se fortalecia, ela sentia muitos olhares sobre si, mas, o único que importava, aquele de Hermione, era o que mais mexia com ela. Ao seu lado, Hermione parecia confusa e ansiosa para a sua decisão. Fleur suspirou, a sua morena era curiosa por si só. — Eu passei vários anos fora e não sei mais se conheço o negócio de minha infância...

Cuisine Delacour jamais deveria ter passado pelas mãos de Othon, você é digna dele, mais do que qualquer um nessa mesa. — Apoline deu voz aos pensamentos de toda a família à mesa, até mesmo Hermione concordou com ela, acenando com a cabeça. Fleur agitou a própria, em negação e fechou os olhos, segurando as lágrimas que ela não sabia da onde vinham, mas, sentia do que eram feitas.

O Cuisine Delacour era o seu lar quando criança, o sonho que despertara a sua paixão pela gastronomia e a casa das suas lembranças mais felizes, das sensoriais que envolviam os diversos aromas e sabores presentes no restaurante às emocionais, que envolviam a voz da avó orientando-a em uma receita qualquer e as suas escapadelas à cozinha, sozinha, sendo devidamente encoberta pelos funcionários que também faziam parte do seu conceito de família.

E, mesmo certa de que o seu futuro estava no La Petite Mort — o dinner que não era seu, mas que, tornara-se seu — era difícil abrir mão de um sonho quando ele estava prestes a tornar-se realidade.

Porém, Fleur Delacour não mais era a herdeira de uma tradicional e gastronômica família. Fleur era somente a chef de um pequenino restaurante, em uma cidade turística na costa britânica. Fleur era, agora, muito mais do que fora quando deixara a França... Era uma mulher, divorciada e apaixonada pelas cozinhas e não pelos negócios. E, não somente por isso, mas, pela vida e, sobretudo, por aquilo que lhe fora entregue sem ser planejado.

A França sempre seria a sua casa, mas, a Inglaterra era o seu lar. E ela precisava voltar à terra que a acolhera de braços e coração abertos.

Quando os olhos azuis cerúleos voltaram a se abrir, eles marejavam e estavam repletos de uma tristeza decidida. Fleur tinha as mãos trêmulas e sentiu-se ser amparada pelas mãos de Hermione que envolveram uma delas. Em seguida, a morena se levantou e a abraçou pela cintura, beijou-lhe o ombro e sussurrou calmamente em seu ouvido:

— O que você decidir, eu estarei contigo.

Fleur virou-se para o rosto moreno, mais novo do que o seu e, ainda assim, mais sábio do que ela jamais seria. A francesa sorriu, sentindo-se mais forte à medida que um sorriso também brotava nos lábios da morena e, voltando toda a sua atenção para a família, continuou:

— Eu não sou capaz de assumir o negócio da minha infância agora que eu sou adulta. Eu continuo amando o que construímos e, principalmente, amando vocês. Mas, eu mudei... Tanto que não acho que meu lugar seja aqui. Eu construí uma vida na Inglaterra, eu tenho um restaurante que precisa dos meus cuidados e, por mais que eu tenha tanta coisa lá, eu ainda preciso de vocês e, principalmente, ainda cabe cada um de vocês na vida que hoje eu vivo.

— Fleur, chérie, nós...! — Apoline tinha os olhos tão marejados quanto os da filha e a voz tão trêmula como as mãos dela, mas, não pode terminar de falar porque a matriarca da família, intensa como todas as outras vezes em que interrompera alguém, falou:

— Não cabe a nós determinarmos qual o seu lugar no mundo. Quando você fugiu da França, deixando muitos machucados em cada um de nós, não tivemos a capacidade de procurá-la para entendermos o seu lado... Acreditamos na palavra de um sem caráter que, vergonhosamente, ainda carrega nosso sobrenome. Por isso, eu entendo que você tenha encontrado o seu lugar e que ele não seja aqui, conosco. Eu entendo, mas, isso não quer dizer que eu não ficarei triste com a sua decisão.

As palavras soavam mais como uma sentença, nenhum Delacour parecia ser capaz de contrariar o que a mais velha da família dissera. Éponine Delacour carregava muita sabedoria escondida em suas interrupções cortantes e bem humoradas. E por mais que, naquele momento, Apoline e Gabrielle chorassem silenciosas, Lorena consolasse um Phillipe atônito e Raoul entregava-se a incredulidade, eles atendiam. Ainda eram uma família, independente dos quilômetros e países que os separavam.

Fleur não era capaz de olhar para tudo que acontecia à mesa, o sofrimento de seus familiares doía mais do que os anos que passara, em silêncio, sozinha na Inglaterra. A francesa tinha certeza que cada um entendia as suas razões, mas, nada podia impedi-los de sentirem a sua falta.

Por isso, desviando os olhos das lágrimas e silêncios que tanto a machucavam, Fleur alcançou uma carta de próprio punho, no interior do bolso de seu blazer e depositou-a delicadamente sobre a mesa, os seus dedos pousaram-se sobre o papel de pergaminho e ela suspirou. As palavras pareceram faltar, assim como a voz, mas, Hermione a sustentou como uma rocha, firme e sólida. E, bebendo da força dela, Fleur disse de olhos baixos e coração aberto:

— Essa carta é para todos lerem. São meras sugestões do que pode ser feito em relação ao Cuisine Delacour e, também, contém um convite para me visitarem, quando puderem e quando quiserem, em Ottery St. Catchpole... Eu vou, e-eu v-vou me preparar para irmos ao aeroporto.

Fleur saiu rápido da sala de refeições e Hermione viu-se sem saber, se deveria ir atrás dela ou apoiar a família que, surpreendentemente, aprendera a chamar de sua. Os seus olhos aflitos entregaram a divisão em suas emoções e foi Apoline, em meio ao choro, que lhe sorriu e aconselhou:

— Vá, ela precisa de você mais do que nós.

E Hermione correu à sala de estar e, encontrando-a vazia para, depois, subir as escadas aos saltos.

Fleur estava sentada na cama, cercada pelas malas trazidas da Inglaterra e suspirando pesadamente, enquanto lágrimas manchavam as suas maçãs do rosto. A morena adiantou-se, sentando-se no chão do quarto e envolvendo as mãos da francesa entre as suas, beijando cada uma delas. Em seguida, colheu cada lágrima entre os seus dedos delicados e esticou-se para beijar cada uma das bochechas chorosas. Sentiu a pele de Fleur mexer-se sob os seus lábios e encontrou um sorriso triste nos lábios dela. Os minutos em silêncio entre elas tranqüilizaram as emoções à flor da pele, Hermione beijou a testa de Fleur e a francesa, rouca, sussurrou:

— É hora de voltar para casa.

Hermione sorriu e acenou para Fleur, depois, levantou-se e alcançou as malas, carregando-as para fora do quarto.

A francesa a contemplou durante todo o tempo e sorriu para a ideia boba em sua mente... Ela só seria capaz de contemplar Hermione, carregando malas, se fosse embora, de fato, junto com ela.

O aeroporto Charles de Gaulle estava movimentado, como era o esperado em um começo de semana. A maioria dos passageiros caminhava sozinha pelo saguão do aeroporto e era exatamente por isso que a Família Delacour destoava de tudo que estava acontecendo naquele início de tarde de uma segunda-feira.

Hermione e Fleur caminhavam lado a lado, com os demais as cercando. Raoul levava a bagagem da filha enquanto Phillipe — após muita insistência e convencimento — carregava as malas da morena. A aura de despedida pairava sobre o grupo, mas, as duas sorriam. Era difícil se despedir da Família Delacour, ainda mais depois de tudo pelo que passaram, mas, era a hora. Fleur desconfiava que nenhum deles entendia a sua necessidade de voltar.

Quando tudo, na França, explodira diante de seus olhos, a Inglaterra foi tudo que restara... A Inglaterra, o La Petite Mort e Bill. E Fleur ainda sentia-se em débito com cada um deles, além de precisar ir para onde quer que Hermione fosse.

Mademoiselle Granger, eu posso requisitar a sua companhia por alguns segundos? — A voz esganiçada de Éponine Delacour fez com que, tanto a morena quanto Fleur, olhassem para ela, curiosas. Era uma pergunta, mas, o tom denotava a ordem nas entrelinhas da solicitação. Hermione nada pode fazer a não ser se adiantar até a idosa. Éponine não se fez de rogada e apoiou-se no braço da morena, direcionando a caminhada para longe dos demais, apenas o bastante para que tivessem um pouco de privacidade.

As atenções conscientes da morena estavam todas sobre a frágil e determinada senhora que caminhava ao seu lado, contudo, o inconsciente de Hermione percebia que um par de olhos cerúleos a acompanhava. Por cima do ombro, a britânica procurou e encontrou os olhos que não se desligavam dos seus, mesmo insegura, sorriu a Fleur que correspondeu.

O tipo de sorriso que Hermione lutava para manter. Mesmo que tivesse que enfrentar outros tantos homens como Othon e outras tantas famílias como os Delacour.

— Já percebi que vocês não conseguem se desligar uma da outra, nem mesmo diante de um afastamento momentâneo. — Éponine comentou cheia de intenções, fazendo com que Hermione a olhasse de imediato. A expressão idosa, anteriormente séria, dissolveu-se em um sorriso satisfeito ao constatar que a advogada ruborizara. As duas pararam de caminhar e Éponine riu com diversão. — Fique tranqüila, isso não é uma crítica... Eu estou muito feliz pelas duas. Fleur, mesmo distante, não poderia estar em melhores mãos...

Hermione não era de perder a fala, muito menos, quando era elogiada. Mas, naquele momento, ela realmente não sabia o que dizer. Até tentou falar algo, abrindo a boca uma ou duas vezes, porém, o que queria dizer não chegou a sua garganta. Tudo que conseguia pensar era que o que fazia por Fleur era pouco, Hermione queria que ela tivesse muito mais... Se a chef pedisse o mundo, a morena sabia que daria um jeito de conseguir.

Jamais pensara daquela forma, tampouco tivera tanto amor em sua cabeça, obscurecendo a sua razão e entregando-a a sua emoção.

— Eu não sei o que nos aguarda na Inglaterra ou, até mesmo, aqui, na França... Mas, eu estou disposta a estar com ela, pelo tempo que for. — Hermione encontrou as palavras dentro do seu coração e, ao fazê-lo, elas jorraram de sua boca sem que pudesse pesar a intensidade de cada uma delas. Ainda assim, Éponine pareceu muito satisfeita com a resposta obtida. A idosa deu dois tapinhas carinhosas no dorso da mão morena e sussurrou:

— E acha que eu não sei? Esses olhos podem ter dificuldade para enxergar aspectos físicos da vida, mas, enxergam outros muito mais importantes. Eu consigo ver que você está disposta a tudo por ela e é justamente isso que me deixa tranqüila. Ela nunca esteve tão segura conosco como está com você.

As palavras eram boas de serem ouvidas, contudo, Hermione sentiu o discreto peso da amargura nelas. Algo lhe dizia que Éponine e os demais Delacour jamais seriam capazes de se perdoarem por tudo que culminou na ascensão de Othon e na partida de Fleur. Othon estava preso por fraudes financeiras até o final de seus dias, as ações do Cuisine Delacour voltaram a prosperar e Fleur estava de volta à convivência familiar... Mesmo assim, parecia pouco perto do que os Delacour gostariam de ter.

O que eles queriam era que todos aqueles anos de silêncio e dor não existissem. Eles queriam que tudo não tivesse existido e isso era impossível.

E Hermione sabia disso porque já tentara, várias vezes, apagar o que os próprios pais fizeram com ela mesma. E não havia esquecimento capaz de desaparecer com as palavras de ódio, as atitudes de fúria e as partidas em dor... Infelizmente, tudo isso a compunha e o mesmo valia para os Delacour.

Mesmo que incomodasse, eles eram feitos de tudo que Othon causara à família.

— Eu sinto muito por tudo que aconteceu... E prometo que, enquanto eu estiver com Fleur, ela não precisará se preocupar com muito que não seja as coisas que a fazem feliz. — Hermione disse as palavras de forma severa, o mesmo tom que usara nos tribunais para fazer valer aquilo que defendia. Eram as palavras de uma pessoa disposta a lutar, independente da batalha. Eram promessas cheias de coragem e determinação.

O amor que sentia por Fleur a mudara e, a ponderação deixara de ser uma característica de Hermione quando falava sobre os seus sentimentos. Ao falar do que sentia, a morena exacerbava porque assim o sentimento parecia grande e, essencialmente, real.

Éponine sorriu orgulhosa para as palavras da morena e esticou-se nas pontas dos pés cansados — ao mesmo tempo em que Hermione se abaixava — para beijar a testa morena. A idosa cheirava a flores silvestres e, principalmente, a lar. Hermione não sabia como, mas, se viu presa ao abraço apertado de Éponine. Quando as duas se afastaram, as mãos enrugadas da senhora direcionaram o rosto de Hermione para onde o restante da família se encontrava e, nesse instante, o castanho encontrou o cerúleo.

Fleur sorria com os olhos cintilando, existiam lágrimas inquietas em seus orbes azuis que ela, vorazmente, contia. Hermione sorriu de volta, um sorriso intenso e avassalador. Éponine soltou-se de seu braço e bateu-lhe nas costas, duas vezes, antes de sussurrar sabiamente no ouvido da britânica:

— E se chegar o dia em que uma das duas falhar no que prometeram uma à outra, lembre-se de hoje. Lembre-se do sorriso de Fleur e na forma como os olhos dela brilham ao ver você... Eu tenho certeza que se relembrar do que vê agora, tudo voltará a fazer sentido. Você reencontrará o que quer que tiver perdido no caminho.

Hermione sabia por que, nos olhos de Fleur, ela encontrou o que calava suas palavras e atribulava os seus pensamentos. Ela encontrou o amor.

Fleur, a alguns passos de distância, lutava bravamente com a emoção que a tomara por completo. A sua avó voltava para junto deles, com Hermione a caminhar pacientemente ao seu lado, era evidente que as duas estavam demorando mais do que o necessário... Contudo, isso não a incomodava. Ver quem amava tão próxima de sua avó era avassalador porque aquela era a certeza de que Éponine aprovava Hermione e, principalmente, a aceitava.

A francesa não se lembrava de ter sentido tamanha felicidade em sua vida, não como agora.

— Você fica adoravelmente boba quando olha para ela, sis. — A voz de Gabrielle trouxe Fleur para a realidade terrena, derrubando-a de suas nuvens.

Entretanto, a mais velha não parecia incomodada com isso e virou-se de sorriso aberto para recepcionar a irmã que, como era freqüente naqueles dias, vinha acompanhada de Viktor Krum. O búlgaro não mais tinha as feições fechadas e também sorria depois de trocar um olhar significativo com Gabrielle. Fleur franziu as sobrancelhas para os dois e respondeu irônica:

— Como se você estivesse diferente de mim ultimamente, Gabby.

Gabrielle corou levemente, escondendo o rosto tímido no peito de Viktor que a abraçou apertado, rindo roucamente. Fleur contemplou os dois e ela mesma não pode deixar de sorrir, os dois formavam um belo casal e pareciam tanto ou mais apaixonados do que ela mesma e Hermione. Na verdade, parecia que o Cupido mirara com cautela nos Delacour.

O amor parecia ser a palavra de ordem naquela família.

Ainda assim, mesmo depois de tanto tempo distante e, justamente, por dever tanto a Gabrielle depois disso, Fleur se sentia no direito de ter “a” conversa com Viktor Krum. Era o seu papel como irmã mais velha e, também, ela adoraria envergonhar Gabrielle pela última vez antes de voltar para a Inglaterra. Com esse pensamento em mente e uma séria expressão, Fleur pigarreou para que o casal se separasse e solicitou imperativa:

— Viktor, uma palavrinha, por favor?

A leveza desapareceu das feições do búlgaro e Fleur pode jurar que o viu engolir em seco — nesse momento, a chef teve que sufocar uma risada porque realmente deveria parecer séria — antes de beijar Gabrielle nos lábios e acompanhá-la por alguns passos, distanciando-se do grupo. Fleur fez uma pausa dramática, apenas para testar os nervos do rapaz, antes de dizer calmamente:

— Eu passei muito tempo fora e sem falar com Gabby, mas, quero que saiba que ela ainda tem uma irmã mais velha, Viktor.

— C-claro que sim! Eu jamais me esquecerei disso, Fleur. — Viktor respondeu de imediato, tentando soar respeitoso enquanto disfarçava o nervosismo. O sotaque dele estava mais acentuado e, internamente, Fleur se regojizou com isso. Aquele era um sinal de que ele prezava, e muito, o bem-estar de sua irmã caçula. — E prometo que farei de tudo ao meu alcance para que Gabrielle seja a garota mais feliz da França, mesmo na sua ausência.

— Não espere recompensar a minha ausência. Eu quero que ela sinta saudades para que vá me visitar na Inglaterra... — Fleur respondeu ainda séria, sentindo a necessidade de assegurar a felicidade da irmã ainda que Viktor Krum aparentasse ser um rapaz de bom caráter. Além dele, Fleur enxergou a caçula observando-os atenta e nervosa, apertando as mãos. Não pode deixar de sorrir diante daquilo, Gabrielle era uma mulher feita, mas, ansiosa como estava... Bem podia ser confundida com a criança que ela ajudara a criar. Fleur voltou os olhos para Viktor e eles estavam límpidos e serenos, ela sorriu e o rapaz relaxou as feições. — Assim como você, Viktor.

O búlgaro sorriu pequeno antes de a alegria tomar conta de toda a sua expressão, ele assentiu com a cabeça antes de se adiantar, meio desajeitado, para abraçar Fleur com pressa. Os dois se separaram e a chef já tinha uma risada nos lábios enquanto afagava-lhe os braços musculosos. Viktor Krum parecia ser um homem duro, contudo, no fundo, essa era só uma impressão. Fleur conseguia ver, quando ele sorria daquela forma com os olhos escuros brilhando, o que fizera Gabrielle se apaixonar por ele.

Viktor era diferente dos demais assim como Hermione.

Gabrielle os alcançou, olhando desconfiada de um para o outro e demorando-se na irmã, pronta para ralhar com ela se fosse necessário. Contudo, o sorriso nos lábios de Fleur a desarmaram completamente e coube a Gabrielle apenas abraçar a cintura de Viktor e perguntar corada:

— O que você disse a ele, Fleur?

— Nada demais. Apenas me assegurei que ele soubesse, muito bem, o que tem em mãos. — Fleur respondeu com certa malícia, piscando para a irmã caçula. Gabrielle, imediatamente, franziu a expressão e bufou indignada. Viktor riu e beijou-lhe os cabelos loiros. Nesse instante, Hermione também se aproximou acompanhada por Phillipe e Lorena. O casal recém-chegado observou a interação das irmãs com divertimento enquanto Hermione tentava entender o que acontecia. Por fim, Gabrielle sorriu maldosa e sibilou:

— Talvez, eu também devesse ter uma conversa do tipo com Hermione.

— Ah, me poupe, Gabby! Você nem tem idade para isso! — Fleur respondeu aos risos, alcançando o corpo de Hermione e trazendo-a para perto, beijando-a na bochecha. A morena corou, mas, acabou rindo, sendo acompanhada dos demais. Os sons das risadas trouxeram leveza à despedida e Gabrielle estava pronta para uma réplica quando a campainha do sistema de sim do aeroporto chamou a atenção de todos.

Era a hora de, efetivamente, se despedirem.

Fleur despediu-se de Gabrielle e Krum, depois, demorou-se nos braços dos pais antes de chegar à avó. Éponine lhe sorriu antes de beijar-lhe a testa e, por fim, ela abraçou Phillipe e Lorena. O rapaz estava emocionado, segurando as lágrimas e tentando manter-se forte. Fleur segurou o rosto dele entre suas mãos e, com um sorriso tranqüilizador, disse:

— Cabeça erguida, cher cousin! Agora, mais do que nunca, você precisará de muita força para reerguer o que o seu irmão destruiu!

Phillipe compreendeu, tarde demais, o que as palavras de Fleur significavam. E mesmo que não tivesse compreendido, ele teria entendido ao olhar para ela que sorria radiante enquanto o olhava com divertimento...

Aquela partida não significava o fim do que haviam retomado e sim, algo mais. Fleur abrira mão do seu lugar no Cuisine Delacour por um amor maior do que aquele que sentia pela gastronomia. Porém, não era o fim de tudo e sim, o começo.

Assim como Fleur começara do zero na Inglaterra, anos atrás, era a hora dele, Gabrielle e de todos os Delacour começarem sem ela.

Tanto para ele quanto para Fleur, aquela despedida não era um fim e sim, um recomeço. Na carta de Fleur, o Cuisine Delacour recomeçava e na despedida dela, os Delacour se fortaleciam... Mais do que nunca.

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As nuvens cinzentas que flutuavam acima de Londres eram assustadoras, escureciam a cidade e derramavam a chuva sobre os prédios. Por isso, o vôo demorou mais do que o esperado, inclusive, enfrentando uma pequena turbulência antes de pousar, com segurança, na pista molhada.

Era uma diferença e tanto. A França, tão próxima ao inverno quanto à própria Inglaterra, permanecia com o sol tímido em seu céu nublado enquanto ali, a chuva caía sem pena alguma e os ventos castigavam os ombros daqueles que estavam acostumados ao tempo ameno das terras francesas. Hermione sempre fora adoradora da chuva e do clima fechado de Londres, mas, se viu sentindo falta do que vivenciara em Paris e em seus arredores.

Talvez, as nuvens pesadas e a chuva fria não combinassem mais com o seu emocional e por isso a sensação de que algo estava fora do lugar, mesmo estando em casa.

Hermione girou a maçaneta da porta de seu apartamento e praticamente se jogou para dentro. O imóvel pequeno destoava completamente com as peças da Mansão Delacour, e, aquela diferença não passara despercebida de seus sentimentos, estava sentindo mais saudade do que deveria dos Delacour e de suas posses. Não era difícil se acostumar com o luxo, afinal.

Fleur, por outro lado, parecia sentir-se em casa em qualquer lugar. A francesa se adiantou, removendo o cachecol ensopado pela chuva, assim como suéter no mesmo estado. Ela usava uma camiseta branca por baixo que estava molhada — e transparente — nos lugares certos, revelando o sutiã preto que usava. A morena fechou e apertou as pálpebras diante dessa constatação, ao mesmo tempo em que a certeza de estarem sozinhas a atingia por inteiro, escutava Fleur se movimentar pelo apartamento e, virando-se para a porta, demorou mais do que o necessário para trancá-la. Ainda de costas, escutou Fleur comentar distraída:

— Acha que compensa enfrentarmos essa chuva para chegarmos em Ottery St. Catchpole ainda hoje?

— Essa chuva está pior do que as que costumam castigar Londres, provavelmente, a pegaríamos na estrada e não sei se seria seguro... Poderíamos esperar até amanhã. — Hermione respondeu com a voz perdendo a segura conforme, novamente, ela era atingida pela beleza de Fleur. A francesa estava olhando para ela, com os longos fios loiros molhados e a pele perolada cintilando pela umidade da chuva. Era difícil manter a racionalidade diante de uma visão como aquela. Fleur inclinou a cabeça, curiosa em relação ao silêncio dela. A morena pigarreou desconfortável, enquanto arrastava a mala para a sala. — Isso se você quiser, é claro.

— Eu não vejo problema em passarmos a tarde e a noite aqui, na realidade, eu vejo como uma vantagem. — Fleur assegurou com a voz neutra enquanto o brilho escuro e malicioso em seus olhos azuis não passou batido da observação de Hermione. A advogada engoliu em seco, sentindo o rosto esquentar e corar diante da série de pensamentos que sucederam as palavras de francesa.

Toda aquela semana, juntas e distantes de tudo que as cercava na Inglaterra não aplacara a porção irracional do que tinham. A gana de possuir uma a outra ainda estava ali, pesando entre elas, sufocando-as.

Hermione suspirou e apertou o encosto do seu sofá, tudo que conseguia pensar era em jogar Fleur ali e esquecer-se da chuva, da volta a Ottery St. Catchpole... Mas, ela ainda tinha coisas a fazer. Precisava descobrir onde Harry se metera e por que ele não respondia as suas ligações. Por isso, tentando manter-se o mais racional que podia, perto de Fleur e de todos os seus encantos, a morena alcançou o telefone fixo e discou o número do escritório.

A chamada prosseguiu até que a linha caísse e, quando tentou o número celular, a linha encontrava-se fora de área. Hermione não sabia se deveria estar preocupada, mas, já fazia alguns dias desde a última mensagem de Harry. E a morena tinha experiência o suficiente para crer que, quando Harry desaparecia, boa coisa não significava.

Uma vez, ela o encontrou em uma delegacia porque ele havia atentado o pudor de algumas senhoras, quando bêbado, depois de uma festa na faculdade.

Hermione cogitava ligar para a polícia quando sentiu o calor de Fleur aproximar-se de seu corpo e, por fim, escaldá-la, quando uma das mãos da francesa envolveu a sua cintura enquanto a outra afastava os fios castanhos rebeldes de seu pescoço. Um beijo úmido foi aplicado em sua nuca e Fleur ofegou de encontro a sua pele, antes de perguntar rouca:

— Com o que está preocupada?

Os beijos continuavam, removendo a razão da cabeça de Hermione e colocando a sua preocupação em relação a Harry em algum ponto obscuro de sua mente. Fleur sabia ser bastante distrativa quando se empenhava e a morena não via como não se perder com tanto calor sufocando-a. Hermione respirou profundamente e se viu aconchegando-se nos braços da chef que a acolheu ser ressalvas, a morena suspirou e respondeu ofegante:

— Harry parece ter desaparecido do mapa...

— Ele não disse que estava bem na última mensagem? — Fleur perguntou confusa, virando o corpo de Hermione em seus braços, beijando-lhe a testa franzida e, em seguida, a bochecha direita. Existia uma discreta mudança na natureza dos seus carinhos, eles não mais reinvindicavam e sim, tranqüilizavam. Fleur afagou-lhe a cintura, sorrindo gentil. — Não precisa se preocupar.

— Harry não costuma ser cuidadoso com o próprio bem-estar, quando ele diz que está bem, é o meu dever desconfiar. — Hermione respondeu determinada, de tal forma que Fleur não foi capaz de voltar a insistir em palavras de consolo. Dessa forma, a francesa suspirou e sorriu pequeno para a morena, as feições de Hermione abrandaram e ela deixou que a curiosidade, em relação ao que se passava na cabeça de Fleur, tomasse o seu humor.

O silêncio preencheu o espaço entre elas, contudo, mesmo a ausência de sons — fora os de suas respirações — era preenchida de outras tantas coisas. Hermione estava repleta de curiosidade e um discreto rubor preenchia as suas bochechas diante da atenção que Fleur dedicava a ela. A morena não estava acostumada a ser tão desejada a ponto de ser tão observada, tampouco, sabia como reagir diante do olhar da francesa.

Era uma mistura de desejo com adoração, como se algo infernal estivesse tomando o lugar de algo tão celestial... Era difícil de explicar e mesmo para alguém tão familiriazada com as palavras, como Hermione, ela se via privada delas.

Fleur, por sua vez, preferia que todo o seu corpo falasse pelas suas emoções. Eram os seus olhos que contemplavam Hermione como se ela fosse algo fantástico em uma existência tão terreno e eram as suas mãos que seguravam a cintura dela, trazendo-a para perto, para respirar o mesmo ar que ela e para sentir o seu calor... Fleur afastou os cabelos castanhos úmidos do pescoço moreno e o beijou, com os lábios abertos, umedecendo toda a pele arrepiada.

Nesse momento, o desejo superou a adoração e Hermione tremeu embalada nos braços pálidos e amparou-se na camisa molhada de Fleur. Totalmente entregue ao que lhe era dado, Hermione teve a impressão que jamais seria capaz de se preparar para o que a francesa tinha para si. A cada vez que o corpo de Fleur se encaixava com o seu, parecia muito mais intenso do que anteriormente. A cada nova intimidade, parecia que estava mais sensível do que jamais esteve à mulher alguma em sua vida...

Momentos como aquele deveriam terminar. Hermione não sabia como sobrevivera a todos aqueles dias na França, sempre sendo interrompida — ainda que inconscientemente — pelos Delacour. Foram dias em que Fleur lhe fora negada e tudo que ela queria, agora, era possuir a francesa em toda a sua totalidade.

De repente, a sua preocupação em relação ao bem-estar de Harry foi soterrada por toda aquela loucura que Fleur, mais uma vez, lhe oferecia...

Os dentes de Fleur tocaram a pele morena na região de pulso do pescoço e subiram, atingindo o contorno da mandíbula, mordiscando a curva desse osso antes de rumarem para os lábios. Hermione a esperava, impaciente... E ficou dessa forma porque, nesse exato momento, o telefone de seu apartamento tocou.

E tão próximas a ele, foi impossível ignorar. As duas se separaram atrapalhadas, Fleur parecia ter levado um choque porque se afastou uns bons metros na pequena sala, rumando para a cozinha, em seguida. Hermione pegou o aparelho, enquanto sentia todo o corpo queimar. Em seguida, o frio a preencheu, arrepiando-a e ela sentiu falta do corpo de Fleur junto ao seu. Frustrada e chateada, ela finalmente atendeu à chamada:

— Hermione Granger falando.

Finalmente! Eu estava me perguntando se já devia mandar a sua mudança para França! — Até então, Hermione estava bastante preocupada com Harry. Mas, isso fora antes de ter seu corpo incendiado por Fleur. Agora, tudo que a morena sentia era irritação. Ela soltou um sonoro muxoxo, a linha do outro lado estava calada, mas, Hermione podia escutar a respiração do melhor amigo. — Eu interrompi alguma coisa?

— Não, claro que não. Desembuche, Potter. — Hermione respondeu grosseira, levando a mão à testa apenas para constar que, mesmo molhada pela chuva, transpirava. Ela engoliu em seco enquanto escutava sons irreconhecíveis do outro lado da linha, em seguida, tudo voltou a ficar em silêncio e Hermione escutou a risada sufocada de Harry, isso provocou um discreto apertar do aparelho em seu ouvido. Harry fingiu um acesso de tosse e respondeu malicioso:

Já que eu não interrompi nada...!

— Eu fico feliz em saber que você está bem, mas, eu juro que vou desligar se você não parar com a gracinha! — Hermione vociferou furiosa, jogando o corpo trêmulo de excitação no sofá. Os sentidos da morena estavam sensíveis e ela escutou o som de água corrente vindo do banheiro, Fleur estava lavando o rosto ou, quem sabe, esfriando o corpo... A morena resolveu pausar seus pensamentos quando eles estavam imaginando as gotas de água na pele perolada. Ela engoliu em seco, escutando a risada aberta de Harry em seus ouvidos. — Fico feliz que esteja achando graça em algo. Mas, eu tenho mais o que fazer e vou deslig...!

E-eu... Desculpe, Mione! É que eu nunca a escutei tão frustrada em minha vida... — Harry se apressou na desculpa, contudo, as suas palavras morreram em mais uma risada. Hermione revirou os olhos e os seus ouvidos apreenderam mais um som, o de passos. Fleur voltara do banheiro, de cabelos preços e camiseta trocada. As duas trocaram um olhar significativo, existia rubor em ambos os rostos e desejo em ambos os olhares. Ainda assim, Fleur sentou ao seu lado, segurando e afagando a mão morena. Totalmente passiva. Harry pigarreou, na linha, atraindo a atenção de Hermione. — Falando sério, estou em Ottery St. Catchpole. Não sei se você planeja voltar tão cedo com Fleur, mas, podemos planejar de nos encontrarmos por aqui. O que acha?

— Eu acho que você deveria estar aqui cuidando do escritório na minha ausência. No mínimo, deveria ter me avisado que viajaria. — Hermione sibilou desaprovadora e, de certa forma, implicante. Se Harry tinha um timing péssimo, ela o faria pagar por aquilo. Mesmo não enxergando o rosto do rapaz, teve certeza de que ele abaixou a cabeça, envergonhado, diante de sua bronca, pelo silêncio tenso na linha. O seu polegar acariciou o dorso da mão de Fleur e ela, imperceptivelmente, sorriu para o gesto. Não era muito, mas, era proximidade da mesma forma. — De qualquer forma, nós podemos nos encontrar amanhã. Eu vou aproveitar e checar quão largado ficou nosso escritório, já que passarei a noite em Londres com Fleur.

Aproveite e cheque outras coisas, em Fleur, de preferência! — Harry respondeu entre risadas, fazendo com que o rosto de Hermione quase chegasse à ebulição. Ela sequer teve tempo de xingá-lo porque, no instante seguinte, a linha estava muda.

Hermione colocou o aparelho de volta ao lugar e fechou os olhos, abaixando a cabeça e apoiando-a nos joelhos. Estava tensa e, principalmente, frustrada. Ela daria qualquer coisa para não ter escutado aquele telefonema.

Enquanto avaliava as probabilidades nulas de voltar para onde ela e Fleur tinham sido interrompidas, os dedos da francesa chegaram sorrateiros à nuca da morena, massageando e aliviando parte de sua tensão. Hermione inclinou o rosto, apoiando-os nas mãos. Um sorriso de lado em seus lábios pedia desculpa pelo que acontecera e o brilho em seus olhos entregava o desejo que, antes, ocupava todo o seu corpo. Fleur lhe retribuiu o sorriso e beijou-lhe a bochecha, delicada. A morena suspirou diante do carinho e disse:

— Eu terei que ir ao escritório. Harry se apaixonou e parece ter voltado a ter quinze anos de idade.

— Eu entendo, acredito que todos nós regredimos um pouquinho quando se trata de paixão. — Fleur respondeu sabiamente, levantando-se e puxando Hermione consigo. A francesa ajeitou a camisa da britânica e sorriu sonhadora para o nada, talvez, para o tudo. A morena não da onde viera aquele sorriso, mas, ele carregou o seu consigo. — Mas, isso não é nosso caso.

— Ah é? Por quê? — Hermione perguntou risonha enquanto recebia um beijo atrás do outro em seu rosto. Fleur estava particularmente carinhosa naquele dia e não reclamaria disso, nem mesmo diante de ser tão amargamente interrompida. Os beijos cessaram, mas, os olhos azuis brilhavam apaixonados diante da resposta de Fleur:

— Porque nós não estamos somente apaixonadas.

Não era um “eu te amo” dito abertamente, mas, o sentido estava ali e, o mais importante, Hermione o entendera. Fleur ruborizou-se antes de afastar-se, rumando para os ganchos ao lado da porta. Ela apanhou um sobretudo seco de Hermione — ligeiramente grande para a morena — e entregou uma jaqueta sua — ligeiramente pequena em si — para Hermione. Ambas se vestiram e, mesmo não sendo peças oficialmente suas, pareciam pertencê-las da mesma forma que as próprias donas oficiais se pertenciam.

Elas sorriam uma para outra e deram as mãos antes de deixarem o apartamento trancado. No corredor, Fleur beijou a têmpora de Hermione e sussurrou:

— Eu vou fazer compras e cozinhar, nesta noite, nós duas merecemos.

Existia muita coisa implícita naquela fala de Fleur. Recentemente, poderia referir-se à interrupção de Harry e as outras, na França. Mais longe, em um passado não tão distante assim, poderia tratar-se de tudo que acontecera relacionado a Othon... E ainda mais distante, simplesmente, poderia referir-se a tudo pelo qual elas tinham passado.

Depois de tudo, elas mereciam.

Hermione não sabia o que, contudo, estava disposta a aceitar qualquer coisa desde que estivesse devidamente acompanhada por Fleur.

— Você tem certeza que não quer me esperar para voltarmos para casa? — Não era a primeira vez que Hermione perguntava aquilo desde que deixaram o apartamento. E Fleur tampouco se cansava de escutar a preocupação implícita na voz dela, muito menos, a palavra final que, mesmo soando tão simplória dentro daquela pergunta, tinha muito significado.

Hermione estava referindo-se a um local que, no momento, elas dividiam juntas. Aquilo enchia o coração de Fleur de uma energia quente e aconchegante, nem mesmo a França lhe proporcionara aquela sensação em sua volta, nem mesmo Londres... No fim, parecia que a casa de Fleur era uma pessoa e não, um local.

— Não, mon cher... Eu conheço Londres, esqueceu? Só irei fazer algumas compras e volto para casa, sem perigo algum. — Fleur elevou o tom de voz, afinal, as duas caminhavam por uma estação de metrô que era próxima ao escritório de Hermione e Harry e, também, de uma pequena mercearia.

As duas chegaram à superfície e a chuva tinha se convertido em uma delicada garota, ainda assim, molhava bastante aqueles que estavam a pé. Era final do dia e as ruas estavam mais movimentadas do que o normal. Hermione ainda estava chateada, tanto pela chuva quanto pela preocupação diante das palavras de Fleur, mas, isso não impediu a morena de se aproximar e roubar um beijo dos lábios da francesa, antes de despedir-se:

— Tudo bem, mas, me mande uma mensagem quando chegar em casa. Eu tentarei não demorar, tudo depende do quanto Harry foi irresponsável.

Hermione fez uma careta antes de sair da proteção da estação, correndo pela chuva em sua jaqueta. Fleur não teve tempo de se despedir e, mesmo se tivesse, não teria sido capaz porque um sorriso surpreso brincava em seus lábios. Jamais imaginaria que a morena, sempre tão retraída, fosse capaz de demonstrações de afeto como aquela.

Era surpreendente, mas, Fleur não reclamaria.

Ainda flutuando nas batidas aceleradas de seu coração que parecia nunca cansar-se de Hermione, Fleur também enfrentou a garota londrina por algumas quadras antes de encontrar a mercearia que, tratando-se de Londres, era uma de suas preferidas.

O estabelecimento próximo ao apartamento de Hermione, que frequentara anteriormente, não atenderia as suas necessidades daquele dia — e ela também queria fazer algo cotidiano, como dividir o metrô e despedir-se na estação, com Hermione — porque ela planejava algo especial. Claro que não seria algo grande, mas, exigia planejamento.

Por isso, Fleur optou por acompanhar Hermione até uma das mercearias que costumava freqüentar com Bill quando eles estavam de passagem por Londres (ainda na época da faculdade) e posteriormente, quando algum produto estava em falta entre os seus fornecedores de Ottery St. Catchpole e proximidades. Era um local enorme, com uma variedade absurda de produtos. Claramente, o objetivo dos proprietários era o lucro, diferentemente dos demais locais com os quais estava acostumada.

Naquele dia, Fleur preferiu optar por algo mais leve e diferente. Não que estivesse enjoada da culinária francesa que tanto amava e sim porque sentia a necessidade de mudar, de mostrar para Hermione um pouco mais de sua paixão pela gastronomia. A ida a França intensificara o seu amor pela arte de cozinhar e agora, ela queria juntar isso a outra coisa que amava... Por isso, ela apanhou uma cestinha de metal e transitou pelos corredores, em busca dos ingredientes necessários para a receita que tinha em mente.

Os poucos (e intensos) meses ao lado de Hermione ensinaram certas coisas a respeito do paladar dela a Fleur. Por isso, a chef sabia que a morena não abriria mão de carne, de algum tipo, no jantar — resquício de seus hábitos alimentares acostumados à culinária inglesa — e, mesmo seduzida pelas belas peças de peixes que viu, Fleur contentou-se com um filé mignon. Em seguida, ela foi até o estande dos temperos e apanhou pimenta, alecrim e tomilho. Nesse ponto das compras, Fleur estava deliciando-se com os aromas que chegavam ao seu olfato.

Mais do que cozinhar, ela gostava de sentir os alimentos rústicos em suas mãos. Fleur era apaixonada pela forma como conseguia transformá-los em sabor, aroma e textura. A gastronomia era o seu legado, era a sua forma de mostrar à terra que produzia aquilo que usava que era grata por tudo que tinha. Cozinhar definia quem era e, cozinhar para quem amava era o ápice da felicidade que podia alcançar.

Algo tão simples e, ainda assim, significativo. Comandar uma cozinhar profissional era desafiador e regojizador, porém, cozinhar para quem importava exigia sentimentos reais e inabaláveis e isso, Fleur tinha de sobra. De certa forma, cozinhar também era um ato de amor.

Fleur apressou o passo, chegando às hortaliças, legumes e frutas. Apanhou limão e alho. E não pode resistir aos pêssegos e às cerejas, talvez, pudesse ter tempo para preparar uma torta com eles... Caso não o tivesse, não se importaria de comê-los in natura. Tudo que precisava era de uma refeição leve para aquela única noite em Londres. A cestinha pesava em suas mãos, mas, ainda teve espaço a ser preenchido pelas lentilhas, o azeite, a mostarda dijon, o arroz integral, o açúcar mascavo... Era muita coisa e tudo tão divergente que alguns outros consumidores a observavam com curiosidade enquanto ela passava por eles.

Fleur ainda teve tempo para apanhar um vinho Châteauneuf-du-Pape antes de chegar ao caixa. Poderia até não cozinhar algo francês naquela noite, mas, não abria mão de um vinho de seu país, feito à base de uva Grenache e proveniente da região sudoeste da França. Era a bebida perfeita para harmonizar com o que tinha em mente.

Quando chegou ao caixa, a atendente — uma jovem de não mais que 25 anos — a observava surpresa. Fleur não sabia se era por causa de sua aparência (ela tinha plena noção de seu efeito em algumas pessoas) ou do conteúdo em sua cesta. Ruborizada, a atendente a cumprimentou e passou os produtos. Como era de se esperar, o valor foi alto e Fleur, sem pestanejar, o pagou.

— Miss Delacour? — A voz esganiçada de um homem idoso interrompeu os pensamentos de Fleur a respeito de como carregaria as sacolas. Ela se virou, tentando se lembrar do dono da voz e foi pega por um sorriso. O senhor que a chamara era mais baixo que ela, de cabelos brancos e expressão gentil. Muitos anos haviam se passado, mas, Fleur se lembrou dele instantaneamente.

A voz não lhe era familiar, mas, os olhos encantadores sim. Eram os mesmos olhos que encorajaram a seguir o seu sonho na Gastronomia, mesmo diante de todos os contratempos que tivera desde a sua vinda a Inglaterra. Fleur ajeitou as sacolas em seus braços e quando se aproximou para cumprimentá-lo, o senhor se adiantou, auxiliando-a. Ela sorriu agradecida e, finalmente, cumprimentou eufórica:

Maître Flitwick! Que surpresa encontrá-lo aqui!

— Eu que deveria dizer isso, Fleur! Apesar de que eu estou nesse local mais do que deveria, ainda mais porque ele pertence à família... — O pequeno professor respondeu animado, guiando-lhe para longe da confusão de caixas de atendimento e consumidores. A informação recebida pegou Fleur de surpresa e ela compreendeu o por que da qualidade dos produtos ser tão elevada naquela mercearia que mais se parecia com um grande supermercado. Filius Flitwick afagou-lhe o braço. — Bill está aqui com você?

— Não, nós nos separamos, na realidade... Mas, continuamos bons amigos! — Fleur apressou-se em justificar assim que viu a expressão do antigo professor manifestar os primeiros sinais de preocupação. Eram os mesmos sinais que ele dava quando via algum aluno fazer bobeira em sua aula sobre culinária mediterrânea. Aliás, o senhor permitiu-se olhar dentro dos pacotes e comentar risonho:

— Esses ingredientes não são os que eu esperava encontrar em seu restaurante, tampouco estão na quantidade ideal para alimentar muitas pessoas.

— Ah não, senhor! Eu estou meio que de férias, não irei cozinhar para muita gente nessa noite... Na verdade, somente para uma pessoa. — E a mais importante, Fleur poderia acrescentar. Mas, isso não foi preciso porque estava tudo evidente no seu comportamento agitado, assim como no rubor em suas bochechas e no brilho que tornavam os seus olhos azuis eletrificados. Filius entendeu, imediatamente, o que ela queria dizer e acenou com a cabeça.

Fleur, então, caminhou para fora do estabelecimento, com o professor cavalheiro em seu encalço, com suas compras. Ele esperou que ela caminhasse para algum dos carros no estacionamento, mas, ela permaneceu parada sob a cobertura do local, olhando preocupada para os céus que pareciam prestes a desabar, novamente. Filius pigarreou e disse:

— Eu vejo que veio a pé... Se a senhorita quiser, posso pedir para entregar as suas compras, imediatamente, no local em que está hospedada.

— Ah não, monsieur, não há necessidade! — Fleur protestou envergonhada, tentando convencer o antigo professor a não se incomodar com ela. Contudo, foi tudo em vão porque Flitwick já chamara dois dos funcionários mais próximos e eles já tiravam as sacolas de suas mãos, ela se viu passando o endereço do prédio de Hermione sem perceber. Fleur, incapaz de voltar a protestar, contentou-se a olhar para o professor. Ele voltou a sorrir e disse:

— Não há incômodo algum, é um prazer, na verdade. Fiquei muito feliz de vê-la aqui, Miss Delacour. Espero que essa não seja a última vez.

E não seria, Fleur sabia disso. Por mais que as coisas não estivessem perfeitamente acertadas entre ela e Hermione, ela sabia que Londres sempre estaria ali para elas... Era a cidade natal da morena. Fleur não sabia se a cidade representaria, no futuro, um lar, mas, já tinha um local especial em seu coração porque fora ali que encontrara a sua casa.

A francesa se viu sorrindo e o pequeno professor voltou a lhe afagar o braço, chamando sua atenção. O seu coração batia forte e ela sabia que, se a audição de Flitwick fosse mais aguçada, talvez, ele pudesse ouvi-la. Mas, não era necessário algo do tipo porque os seus olhos estavam cerúleos e o rubor em sua pele naturalmente pálida era o bastante. Ela estava apaixonada e qualquer um perceberia, por isso, não surpreendeu quando o professor comentou:

— Eu acho que você precisa estar em casa, o quanto antes, para as suas compras. E, sobretudo, seja quem for que comerá da sua comida nessa noite, é sortudo e especial.

Dizendo isso, o professor se despediu dela e voltou a adentrar na mercearia. Fleur sorriu para a pequena estatura dele e, principalmente, para o sentimento que engrandecia o seu peito. Rapidamente, ela digitou uma mensagem para Hermione dizendo que já voltava para casa e saiu para a tarde chuvosa de Londres.

Enquanto caminhava, pensava que, um dia, já odiara a incessante chuva londrina e o clima cinzento da Inglaterra... Isso mudara quando estava com Bill e desaparecera agora que estava com Hermione. Mesmo o céu cinzento escondia algo atrás de suas nuvens e a chuva era um recomeço, sempre.

As gotas pingavam mais volumosas sobre si e Fleur sentia que elas lavavam a sua pele, seus cabelos, suas roupas... Tudo e qualquer coisa, menos, Hermione de si.

Hermione quase não conseguiu abrir a porta do escritório diante da quantidade absurda de correspondências no tapete de entrada. Ela revirou os olhos e abaixou-se para apanhá-las, com gestos mais bruscos do que o normal. A sua desaprovação diante dos atos de Harry era perceptível, assim como a frustração.

A morena tinha a absoluta certeza de que o reencontro dos dois não seria nada bonito.

O escritório estava, basicamente, do jeito que ela se lembrava com uma ou outra diferença. Uma delas eram as correspondências espremidas embaixo da porta e a outra, era a bagunça ainda maior na mesa de Harry. Aparentemente, o rapaz tentara trabalhar e se vira impossibilitado pelo que, Hermione sabia, ser uma ruiva específica residente de Ottery St. Catchpole. Ela esperava que os dois tivessem se acertado — ou terminado de vez — de forma que isso pudesse acabar com a ansiedade de seu melhor amigo.

Porque — ela jamais imaginou que fosse pensar isso, um dia — todos mereciam um final feliz no amor. Pelo menos, uma vez.

Inexplicavelmente, um sorriso discreto chegou aos lábios da morena. Nos últimos dias, qualquer referência a Fleur fazia com que agisse daquela forma. O que tinham antes da França era especial, mas, isso de agora era ainda mais saboroso... Era feito de liberdade e de tranqüilidade. Não havia muito que estivesse entre elas. O que existia fora transposto e o que havia em frente a elas era um futuro. Desconhecido e, ainda assim, extasiante.

Hermione tinha plena consciência do escritório ao seu redor, mas, jamais se sentira tão deslocada dentro dele. A sua vida fora feita de trabalhos, de casos jurídicos e tribunais e, daquela forma, fora levada de encontro a algo que não mais acreditava. Fleur lhe reensinara a amar e Hermione jamais se arrependeria de aceitar o caso dela.

Mais uma menção à francesa e mais um sorriso em seu rosto. Poderia parecer uma boba, agora, mas, não se importava.

— Eu achei que tivesse visto você entrar no prédio. — A voz de Astoria sobressaltou Hermione e a advogada se virou abruptamente, a expressão em choque e o corpo afastando-se um passo, em claro sinal de defesa. Astoria percebeu e houve um lampejo de dor em seus olhos, ela permaneceu do lado de fora, olhando para dentro, distante física e emocionalmente. Hermione esperou o choque passar e a frieza recompor suas feições para perguntar:

— O que você está fazendo aqui?

— Eu não sou uma espécie de perseguidora, foi pura coincidência... Eu estava a caminho de um compromisso e vi você do outro lado da rua. — Astoria respondeu calmamente e, em um ato de coragem, dando um passo para dentro do escritório.

Hermione revirou os olhos e deu às costas a ela, passando as correspondências em suas mãos e separando as importantes. O seu corpo não reagiu à presença da outra e tudo que passava em sua mente era referido a Fleur. O seu celular vibrou no bolso da jaqueta de Fleur, que cheirava à lavanda e a morena visualizou a mensagem que dizia que a dona de seus pensamentos estava bem e segura no apartamento. A simples mensagem abrandou a sua expressou e relaxou os seus ombros.

Agora, ela só tinha que dar o fora dali.

— Era ela, não era? — A voz quebrada de Astoria soou distante, mas, ainda assim, Hermione a escutou. As correspondências acabaram em suas mãos e ela não teve alternativa a não ser virar-se para outra mulher que a deixara miserável em outros tempos. Astoria vestira-se bem para o tal compromisso, um vestido preto justo e respeitoso, casado com um sobretudo da mesma cor, os cabelos escuros ondulados e uma maquiagem leve. Era a perfeita imagem de boa cidadã britânica. Ela deu um passo à frente, Hermione desviou os olhos dela. A tensão era palpável e não era boa. — Desculpe, é que eu não me lembro de ter visto você assim.

— Não é como se você tivesse verdadeiramente me visto alguma vez, Astoria. — As palavras saíram mais amargas do que soaram na cabeça de Hermione, claro que não existia qualquer sentimento mais profundo envolvido...

Mas, quando se recordava de tudo que passara, das noites solitárias enquanto Astoria levava a sua vida dupla com Draco Malfoy, das brigas quando exigia o mínimo dela e, essencialmente, do que culminara no fim das duas... O seu orgulho ferido rugia como um leão ameaçado. Hermione sabia que permitira tudo aquilo. Astoria era sedutora e ela permitira que ela entrasse e destruísse parte de sua vida. Era vergonhoso, ao mesmo tempo em que era doloroso.

Astoria manteve o silêncio que lhe fora, rudemente, ofertado. Ainda assim, a sua postura se abalara e foi preciso que ela se apoiasse na mesa de Harry para manter um pouco de dignidade. Hermione a observou, a amargura lentamente abandonando suas feições porque, afinal, ela conquistara Fleur e poderia sair dali para encontrá-la... Astoria jamais teria isso e, tampouco, poderia tirar isso dela.

Contudo, parecia que a coragem que guiara os passos de Astoria até ali dera lugar a determinação. Ela se recompôs, recuperando a sua postura naturalmente elegante enquanto ajeitava o vestido. O seu rosto assumiu uma expressão sedutora que não produziu sequer uma reação em Hermione, ela se aproximou e a advogada manteve-se estóica, feito pedra. Insistente, Astoria sibilou sedutora:

— Eu sei, mas, agora eu enxergo você. E, principalmente, eu desejo você. Se você disser que ainda me quer e deixar a sua francesinha de lado, eu faço o mesmo com Draco e nós poderemos ter tudo que você sempre quis.

Aquela proposta seria tentadora caso tivesse sido ditas há meses atrás... Agora, só conseguira despertar pena em Hermione. Não havia qualquer retribuição de sua parte. Olhos castanhos esperavam sua resposta e tudo que conseguia pensar era o par de olhos azuis que a olharam tão intensamente naquele mesmo dia.

Não havia comparação, Astoria jamais seria o que Fleur era.

Porém, a própria Astoria parecia pensar diferente. Ela se aproximou e roubou um beijo dos lábios de Hermione, beijo que nem precisamente começara porque, no instante seguinte, a advogada a empurrara e afastava-se dela. Lágrimas de rejeição brotaram nos olhos escuros de Astoria enquanto o asco, finalmente, transparecia nas feições bem controladas de Hermione. As duas se olharam em silêncio, mas, isso bastou para que Astoria desabasse. Hermione caminhou até a porta e, segurando-se na madeira, disparou:

— Saia daqui, agora! Eu não quero vê-la nunca mais!

Não foi preciso um segundo aviso, Astoria encontrava-se humilhada demais para tanto. Ela correu porta a fora, o seu choro chegando aos ouvidos insensíveis de Hermione. Assim que ela saíra, Hermione bateu a porta e até mesmo a esmurrou.

Aquilo não fora justo, nem com ela e muito menos, com Fleur.

Astoria saíra chorando daquela sala e não importava porque tudo que Hermione pensava era como Fleur reagiria quando soubesse daquilo. Ela precisava contar, depois de tudo pelo qual passaram, a honestidade era a palavra de ordem... Mas, como a francesa reagiria?

Hermione já considerava conhecê-la bem, mas, não podia prever a reação dela e, por isso, o seu coração parecia ter sufocado a sua garganta.

O medo secara a sua boca. A morena não sabia o que dizer.

# # # # #

O rosbife já estava fora do forno e a cozinha de Hermione cheirava a alecrim, tomilho e carne assada. Fleur terminava de fazer o arroz quando escutou a porta do apartamento se abrir, ansiosa, ela abandonou o fogão para encontrar com Hermione, quase trombando com ela na sala.

Rapidamente, a sua saudade se fez perceber, beijando os lábios da morena e apertando-a junto ao seu corpo. Hermione correspondeu com discreto incômodo, afastando-a levemente. Fleur franziu a expressão, procurando algo errado em si. Ela se arrumara para aquela volta, tomara um banho quente assim que terminara de cozinhar e sabia que não cheira aos condimentos que usara no filé mignon e era perfeitamente segura para ter certeza de que não queimara nada na cozinha.

Ainda assim, Hermione estava de cabeça baixa enquanto tirava a jaqueta e a jogava em cima do encosto do sofá. A morena levara as mãos ao rosto, massageando enquanto bufava. Ela estava nervosa, Fleur sabia assim como sabia que algo acontecera. Um arrepio percorreu a sua espinha ao se recordar que Hermione tinha ido ao escritório, um local que não somente ela conhecia.

— Você tem alguma coisa no fogo, na cozinha? — Hermione perguntou calmamente, finalmente, permitindo que Fleur enxergasse os seus olhos. O castanho estava inquieto e ligeiramente entristecido e a francesa não precisou de outras palavras para ir à cozinha e desligar o arroz, ela também voltou o rosbife para dentro do forno com a intenção de preservá-lo antes de voltar à sala.

Hermione estava parcialmente sentada e encostada ao encosto do sofá. Ela tinha as mãos sobre as coxas e Fleur jamais a vira tão nervosa, nem mesmo quando se conheceram. E essa foi mais uma evidência de que algo não acontecera como o planejado no escritório. Fleur cruzou os braços e parou em frente à morena, os olhos azuis semicerraram-se enquanto o seu cérebro dava voz a sua intuição.

Ela deveria saber que aquela crétin bitch não desistira de Hermione tão fácil!

A ideia de outra mulher requisitar Hermione enlouquecia Fleur. A morena não era propriedade de ninguém — ainda que a francesa se julgasse o bastante para exigi-la só para si — nenhuma outra mulher deveria ter o que ela tinha com Hermione.

Fleur sempre fora uma mulher possessiva, especialmente com aquilo que gostava e amava. Por isso, a hipótese de que uma ex de Hermione quisesse continuar insistindo em algo que se perdera, era enlouquecedor. Fleur não podia permitir, ela tinha que se fazer entender... Ela precisava que Hermione soubesse que estava ali e que dúvidas não tinham lugar para o que elas tinham.

— Eu não esperava que ela aparecesse ali...! — Hermione começou a dizer insegura, contudo, Fleur também não queria ouvi-la. Ela sabia que a morena não tinha culpa alguma no ocorrido, ainda assim, podia sentir o ciúme insuflando as suas veias. O seu corpo tremia, motivado pela ânsia e pela frustração. Tudo o que ela queria era alcançar Hermione e mostrar que ex alguma importava...

E, de fato, foi isso que Fleur fez.

Ela se aproximou enquanto Hermione ainda balbuciava uma explicação. As suas mãos tornaram-se garras ao segurarem o tecido da camisa da morena, naquele frenesi de loucura e ciúme, Fleur teve que se conter para não rasgá-la. Ao invés disso, os seus lábios encontraram o caminho da boca de Hermione e ela a beijou languidamente, querendo sugar toda e qualquer palavra que pudesse referir-se a outra.

As mãos de Hermione estavam trêmulas em sua cintura e Fleur fez as suas mais fortes, afastando-se ofegante do beijo, puxando a camisa de Hermione para fora do corpo moreno, revelando o torso que conhecia melhor do que qualquer mulher. Sôfrega, Fleur beijou o busto exposto, percorrendo um longo caminho molhado até alcançar o pescoço de Hermione, a morena ofegava e, tentando segurar-se em seu corpo, dizia com dificuldade:

— O que está acontecendo?

— Continue falando sobre o que ocorreu e, quem sabe assim, você descobrirá o que está acontecendo agora. — A voz de Fleur estava rouca, necessitada e, principalmente, predadora. Hermione engoliu em seco, totalmente confusa e Fleur mordeu-lhe o lóbulo da orelha dela, sugando-o em seguida. Tão próxima, escutou Hermione gemer e sentiu que as mãos dela apertaram a sua cintura, descontroladas. — Eu não estou ouvindo você me falar sobre o que houve.

Fleur não sabia que espécie de masoquismo a fazia querer escutar o que aquela outra mulher ousou fazer com Hermione. Mas, ela precisava saber. Ela tinha que saber o que fora feito para poder superar, de todas as formas. Naquela noite, com tanta frustração e tanta irracionalidade dentro dela, ela daria tudo que podia assim como requisitaria tudo de Hermione.

Não existiria espaço para meio-termos.

A francesa segurou os cabelos castanhos revoltos pela nuca e os puxou, bruscamente. O seu movimento fez com que Hermione ofegasse e arqueasse o pescoço, Fleur voltou a se aproveitar e, diante de tanta pele exposta, passou a sugá-la em seu ponto de pulso. Hermione agarrava-se ao seu corpo, apertando o tecido de sua camisa, tentando encontrar alguma forma de igualdade entre elas.

Outra coisa que não existiria naquela noite.

Fleur soltou os cabelos castanhos para segurar os pulsos morenos. Ela afastou e contemplou os lábios avermelhados e inchados, as pupilas dilatadas e o rubor que ocupava o rosto de Hermione. A morena tentou alcançá-la e foi, novamente, impedida. Fleur chupou o indicador direto de Hermione, olhando-a nos olhos e vendo-a lamber os lábios, desejosa. Depois disso, levou as mãos morenas ao encosto do sofá, firmando-as ali e sussurrando enquanto se abaixava, beijando o ventre de Hermione:

— As suas mãos ficam aqui enquanto eu escuto tudo que você quer me contar.

— E se eu não quiser mais contar? — Coragem... Fleur adorava esse aspecto da personalidade de Hermione e sorriu maldosamente para a pele morena abaixo do umbigo antes de mordê-la. O corpo que possuía retraiu-se, por prazer e surpresa e, lentamente, Fleur se levantou sem, antes, abrir os botões da calça que Hermione usava. Ela não a removeu, suas mãos deslizaram pelos braços morenos e suas unhas arranharam a pele que, instantaneamente, arrepiou-se até encontrarem e segurarem o pescoço moreno já muito marcado. Hermione lutava com a sua natureza dominadora e Fleur, satisfeita para o que via, sibilou maldosa:

— Eu não faria isso se fosse você.

Hermione balbuciou algumas palavras incompreensíveis, mas, voltou a se perder em suas sensações quando Fleur mostrou, mais uma vez, o que pretendia fazer com ela. As mãos pálidas voltaram a deslizarem pelo corpo sensível em sua posse, as unhas arranharam o colo, apenas o necessário para arrepiá-lo para, em seguida, envolver os pequenos seios da morena pela primeira vez naquela noite.

O tecido do sutiã era incapaz de esconder o desejo de Hermione, Fleur conseguiu sentir os bicos intumescidos quando os dedilhou e também viu o corpo moreno se arquear diante desse contato. As mãos que agarravam o encosto do sofá tentaram se manifestar mais ativamente, porém, Fleur as interceptou, aprisionando-as entre as suas. A francesa beijou o vale ofegante entre os seios e sussurrou de encontro à pele da britânica:

— Tem certeza que não vai falar? Pode ser ainda pior...

Não existiu resposta verbal, não uma compreensível, pelo menos. Os ofegares e suspiros perpetuavam o espaço entre elas. E se tornaram ainda mais audíveis quando as mãos habilidosas de Fleur levaram as mãos de Hermione para as suas costas, em seguida, a esquerda manteve a prisão dos punhos morenos enquanto a direita voltava a trafegar sinuosamente pelas curvas da advogada. E quando Hermione menos esperou, Fleur começou a devorá-la... Gananciosa e possessiva.

O tecido do sutiã foi rudemente afastado e Hermione mal tinha sentido a diferença de temperatura no seu seio direito quando ele foi envolvido pela boca quente de Fleur. A língua dela sugava e chupava enquanto o corpo da britânica respondia agressivamente aos estímulos... Ela tentou se desvencilhar da prisão de suas mãos, assim como tremeu excitada quando Fleur a manteve no lugar, grudando ainda mais os corpos, invadindo ainda mais o seu espaço pessoal.

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Mesmo naquela névoa sexual e entorpecedora, Fleur procurou os olhos de Hermione e encontrou o castanho quente, quase que se derretendo em tesão. A morena a olhava, corada e trêmula, com a pele brilhando devido à fina camada de suor que transpirava parte de sua excitação... Ela parecia inofensiva daquela forma e Fleur gostou do que viu.

Jamais se sentira tão poderosa.

Assim que finalizou o que começara, a francesa preocupou-se em abrir o fecho do sutiã, removendo-o quase que em fúria. Naquela noite, ela requisitaria cada pedaço daquele corpo moreno. Fleur libertou as mãos de Hermione e, instantaneamente, sentiu que elas apertaram a sua cintura e foram rápidas o bastante para puxarem a sua camisa. A francesa as parou a meio trajeto, afastando o rosto enquanto o fazia.

Hermione voltou a se inclinar, sôfrega e irracional, em busca de contato. E Fleur a negou, com um sorriso sedutor nos lábios inchados, depois, fez menção de beijá-la para, novamente, se afastar. Hermione enlouqueceu, os olhos castanhos dilatados a olharam pedintes e, mesmo tão envolvida quanto ela, Fleur resistiu. A francesa levou as mãos até a cintura morena e, como quem não quer nada, brincou com o cós da calça que a separava daquilo que estava ansiosa por tocar. Hermione engoliu em seco e Fleur lambeu os lábios ao dizer, sedutora:

— Você não me conta o que houve e nem fica quietinha... Desse jeito, nós não vamos a lugar algum.

As mãos de Fleur acariciavam a cintura de Hermione com ternura, porém, não era isso que o toque produzia. A morena revirou os olhos e decidiu agir, as suas pernas entrelaçaram a cintura de Fleur e ela abrira a boca para responder quando a mão da francesa, tão delicada anteriormente, se converteu em um instrumento de tortura... Fleur sorriu deliciada quando as palavras morreram nos lábios entreabertos de Hermione e a sua mão encontrou o centro dela.

Quente, úmido e convidativo.

Fleur sentiu a sua própria excitação escorrer entre as suas pernas ao mesmo tempo em que via Hermione se arquear diante daquele contato tão íntimo. As mãos morenas agarraram-se fortemente aos seus ombros e os seios chegaram até si, convidando-a a, mais uma vez, se perder neles.

E foi isso que ela fez enquanto sentia todo o prazer que proporcionava em seus dedos. Os seus ouvidos foram invadidos pelos sons da respiração descompassada da morena e dos gemidos quase que silenciosos que ela deixava escapar. O corpo de Hermione adquiriu um compasso próprio, procurando fundir-se ao seu. Fleur abriu os olhos para observar os quadris de Hermione colidindo em seus dedos e, quando os movimentos se aceleraram, ela diminui os seus.

A morena suspirou frustrada e a francesa sorriu deliciada antes de beijá-la devoradora. Hermione gemia baixinho entre seus beijos e Fleur mordia os seus lábios, palavras não eram trocadas, mas, ela podia ler o corpo de Hermione como ninguém... E ela estava ansiosa pelo que teria.

Tão ansiosa que Fleur decidiu negar isso, pelo menos, por enquanto.

Quando sua mão abandonou o centro de Hermione, pode escutar a frustração nos lábios que tanto beijara e que voltou a beijar. Um sorriso maligno desdenhava na boca francesa e a boca trêmula da Hermione mordeu-a, tentando puni-la. Fleur arqueou a sobrancelha para aquele gesto e as suas mãos arranharam mais violentamente quando chegaram ao cós da calça e puxaram-na, com a última peça junto, rapidamente.

Hermione ofegou ansiosa e Fleur parou a certa distância, o mais afastado que haviam estado desde que começaram toda aquela loucura.

Os cabelos escuros estavam desgrenhados, a boca dela estava inchada e, por toda pele morena, existiam arranhões e chupões. Mesmo à distância, Fleur conseguia perceber a excitação de Hermione nas pupilas dilatadas, na respiração ofegante, nos seios intumescidos e na forma como ela esfregava as pernas, buscando, desesperadamente, por contato na região que, com certeza, era a mais quente de seu corpo.

Fleur sorriu deliciada para o que via... As suas mãos escorregaram lentamente pelo seu próprio corpo, ela desabotoou a calça e a removeu. Em seguida, tirou a camisa e o sutiã. Os olhos castanhos a observavam atentamente, quase que em adoração e Hermione tentou alcançá-la. Mas, Fleur ergueu o dedo indicador e sinalizou que não antes de dizer, enquanto se aproximava:

— Já que não quer falar o que aconteceu, talvez, seja a hora de você falar outra coisa... Quem sabe, gritar.

E sem qualquer aviso, ela ajoelhou-se e mergulhou entre as pernas de Hermione. Fleur suspirou deliciada quando sentiu os lábios quentes nos seus e a umidade em sua língua. Diferentemente do que parecia, Hermione era doce e nos primeiros minutos, Fleur dedicou-se a saboreá-la.

Em seguida, com a ajuda de seus dedos, ela finalmente expôs o que tanto procurava. O clitóris estava sensível e inchado, pulsante. Com a ponta da língua, Fleur o tocou e Hermione estremeceu em sua boca, agarrando os seus cabelos e puxando-os. As pernas da morena também se fecharam ao redor de sua cabeça... Ela estava à beira do orgasmo e Fleur sorriu para isso.

Sorriu feito uma criatura demoníaca antes de envolver o clitóris de Hermione com sua boca e chupá-lo. Acima de si, Hermione cerrou os olhos, puxando os seus cabelos enquanto a mantinha no lugar. A morena suspirava pesado, impulsionava os quadris de encontro à boca de Fleur e pedia:

— Por favor, mais...!

Fleur sentia que o seu corpo respondia a tudo que escutava e sentia, estava suando agarrando-se às coxas de Hermione, arranhando-a para dispersar a própria vontade de se satisfazer. E, por mais que Hermione tivesse pedido por mais, ela não deu. Ela se afastou, lambendo a umidade da morena de seus lábios com satisfação... Levantou-se e ergueu o corpo até chegar aos lábios da outra, ali, entregou-lhe a própria satisfação e a beijou.

A morena gemeu em meio ao beijo, arranhando-lhe as costas enquanto a mão de Fleur, sorrateira, encontrou a entrada de sua vagina. Os dedos dedilharam o que ali encontraram e, inesperados, dois deles invadiram o interior de Hermione. Ela voltou a se arquear e Fleur teve que segurá-la enquanto bombeava, para dentro dela, todo o prazer que sentia.

O corpo da morena respondia a menor mudança de velocidade e intensidade e Fleur beijava cada porção de pele que encontrava, deliciando-se com o suor e sentindo a excitação dela chegar a si. As suas próprias pernas estavam bambas e sua visão turva, Hermione voltou-se a agarrar-se a ela, sôfrega e frágil, enquanto os quadris avançavam de encontro aos seus dedos. Fleur voltou a parar, mas, essa pausa não durou muito...

Ela precisava que Hermione se derramasse em sua boca e foi isso que aconteceu. O orgasmo chegou e entorpeceu a morena, fazendo-a sussurrar o nome de Fleur para o nada enquanto derramava-se em sua boca e Fleur sorveu cada gota como se fosse um néctar precioso, ao mesmo tempo em que o seu próprio corpo se entregava a la petite mort...

Os seus membros trêmulos dificultaram toda a situação. Ela tentou sustentar Hermione, mas, tudo que conseguiu, foi ampará-la enquanto tentava se manter em pé, o esforço era descomunal. A morena respirava pesado de encontro a sua clavícula e Fleur acariciava as partes internas de suas coxas, ainda sensíveis a qualquer estímulo. Hermione sorriu de encontro à pele perolada e Fleur sorriu, a morena beijou-lhe o colo e, depois, todo o pescoço antes de sussurrar em seu ouvido:

— Ainda não entendi o que aconteceu aqui.

— Eu acho que essa é a minha forma de dizer que, se uma mulher beijar você, eu lutarei para não lhe perder... Tanto que vou me empenhar o máximo que puder em seu próximo orgasmo. — Fleur respondeu ofegante, com um sorriso cansado em seus lábios brilhantes enquanto se afastava para olhar nos olhos de Hermione. A advogada, lentamente, colocou-se em pé e manteve as mãos nos ombros pálidos que, agora, estavam marcados por suas unhas. Hermione sorriu quando reconheceu o temor em suas mãos e respondeu:

— Eu acho que não ficarei tão arrependida da próxima vez que uma ex resolver aparecer e fazer alguma coisa.

— Tem certeza? — Fleur voltou a se aproximar e, por mais cansada que estivesse, o ciúme falou e ela tornou-se insaciável. Hermione parecia satisfeita com o que obtivera e a beijou, lânguida antes de inverter as posições em que estavam até então, prensando Fleur no sofá e sussurrar maliciosa:

— Só não se esqueça que, depois, é a minha vez.

Hermione pensou que, talvez, Fleur se sentisse ameaçada com essa frase. Mas, o que aconteceu foi o extremo oposto. A francesa sorriu repleta de luxúria e se sentou no encosto do sofá, em seguida, abriu as pernas de forma discreta, o bastante para que os olhos de Hermione enxergassem como estava excitada mesmo depois de tudo que ocorrera. Em seguida, ela pegou a mão direita da morena e a guiou para o próprio sexo, uma expressão de prazer desenhou-se em suas belas feições quando sentiu aquele adicional de calor junto a si. Ela abriu os olhos azuis, elétricos e perigosos, e respondeu:

— E o que você está esperando, agora?

A advogada, hipnotizada pela mulher que tinha em mãos, jogou o juízo às favas e não se arrependeu de, mais uma vez, perder-se naquele corpo.

# # # # #

Notas finais
E então? O que acharam? Foi um bom retorno? Eu sei que muitas coisas foram abordadas nesse capítulo, mas, era necessário... Qualquer dúvida sobre o que rolou, me perguntem nos comentários. E bem, sobre a cena +18 em questão, fiquei dois dias trabalhando nela e espero que tenham gostado. Os hots sempre são os momentos mais trabalhosos em minhas fanfics e sempre fico insegura com eles. E como pediram mais POVs da Fleur, pensei em fazer um justamente nesse aspecto (e puderam perceber que a nossa francesinha é meio dominadora, não? hahahaha). Espero que tenham gostado, deixem seus feedbacks nos comentários! Nos vemos no próximo, beijos! (@redfieldfer)