Notas iniciais
Boa madrugada, pessoas! Como vocês estão? Mais uma vez, peço desculpas pelo horário e, principalmente, pela demora da atualização. Espero que todos os acontecimentos desse capítulo compensem a minha demora *-* Bem, gostaria de indicar algumas músicas para a leitura do capítulo. Por favor, escutem "La Vie En Rose" e "Hymne a L'Amour" da Edith Piaf e "Scars" do James Bay. Espero que gostem, nos vemos lá embaixo! OBS: O título desse capítulo faz referência aos pratos da entrada em um restaurante renomado. Ele faz parte da trilogia de capítulos de Fleur e Hermione na França.

Hermione já tinha vindo à França com os pais, entretanto, voltar ao país, acompanhada por Fleur era uma situação completamente diferente. Em primeiro lugar, a morena não estava ali para diversão, estava de volta à França porque precisava proteger Fleur de sua família e, principalmente, de Othon. E, em segundo e último lugar, a companhia de Fleur era muito mais satisfatória do que a de seus pais.

Fleur conseguira dormir no tempo de vôo, de uma hora e meia, entre Londres e Paris. Aliás, Hermione surpreendera-se ao saber que voltariam a Paris, afinal, Fleur já comentara que vivera na cidade, mas, seus últimos dias no país tinham sido no litoral. Ela explicou pacientemente que, devido aos negócios da Cuisine Delacour e, sobretudo, devido à idade avançada da matriarca da família, a maioria dos Delacour vivia na capital e estava empregado no negócio da família.

A morena não conseguia assimilar a ideia de uma grande família viver a partir de um grande negócio, afinal, a sua família consistia apenas de seus pais, sem avós, tios ou primos. E mesmo somente sendo os dois, Hermione não suportava vê-los mais do que o necessário nas festas como Natal ou Ano Novo, sua relação com os pais somente piorara desde que se assumiu lésbica para eles.

Mas, o foco não eram seus problemas familiares e sim, Fleur. A francesa estava ressonando baixinho, com a cabeça apoiada no ombro de Hermione, as mãos se entrelaçaram durante o sono de Fleur e Hermione sorriu para essa observação. Era incrível saber que, mesmo durante o sono, Fleur procurava por ela.

O avião já pousara na pista e, agora, taxiava. Hermione ajeitou-se, com cuidado, na poltrona. Em seguida, afagou delicadamente a bochecha de Fleur. A francesa franziu o nariz e aconchegou-se ainda mais próxima ao seu corpo, Hermione sorriu e aproximou-se dela, tirou uma mecha de seu rosto e sussurrou baixinho:

— Já chegamos, Fleur... Você precisa acordar.

— Eu realmente não gostaria de ter que acordar, ainda mais, com você por perto. — Fleur respondeu com um sorriso preguiçoso, ainda de olhos fechados. Hermione sorriu para a preguiça dela e os olhos azuis cerúleos abriram-se ao escutar seu sorriso. Fleur piscou e suspirou. — Olá, mon amour.

— Olá, dorminhoca. — Hermione suspirou a resposta, antes de beijar a testa de Fleur carinhosamente. A francesa fechou os olhos para o carinho latente da morena e seu coração acelerou simplesmente pela proximidade entre elas. Fleur nunca se sentira tão ligada a alguém como se sentia a Hermione, era como se a conexão entre elas transcendesse o físico, afinal, não eram somente as mãos que se entrelaçavam e sim, os corações. — Eu também não gostaria de sair desse avião, mas, tem um mundo lá fora que nós duas precisamos enfrentar, juntas.

Hermione Granger jamais saberia o efeito que suas palavras, transparecendo devoção e proteção, significavam para Fleur Delacour.

A francesa era a filha mais velha e a herdeira de uma família gigantesca e estava acostumada a sempre assumir o papel protetor ou de mais forte. Para uma pessoa como ela, não era considerado um aspecto saudável de sua personalidade depender de outras pessoas ou, sequer, assumir que precisava de alguém. Um Delacour deveria ser independente, forte e orgulhoso. Uma herdeira deveria ser exemplar, bela e perfeita.

E essa criação provocara a sua atitude inicial em relação a Hermione.

A londrina era independente, gentil e, principalmente, tão forte quanto ela. Porém, no momento em que Hermione tornou-se sua advogada, Fleur tornara-se o elo mais fraco da relação. E, a partir do instante em que Fleur amou e permitiu-se ser amada por Hermione, as duas voltaram ao equilíbrio. Porém, aquela proteção que a morena despejava sobre si não era fruto de sua profissão e sim, de seu sentimento. E, por isso, Fleur permitia que ela a protegesse porque, durante todo esse tempo longe de sua família, tudo que Fleur procurava era proteção.

E, do lado de Hermione, ela se sentia plena e segura.

A forma como Fleur sentia a proteção de Hermione era avassaladora. Estava presente no entrelaçamento de suas mãos e na forma como a morena caminhava à frente, expondo-se a um perigo improvável, enquanto a guiava pela multidão que deixava o avião. Em cada toque, em cada atitude, Fleur sentia o calor da proteção de Hermione e a força da coragem dela por lhe proteger. Com ela, Fleur sentia que podia enfrentar qualquer coisa, até mesmo o seu passado.

O casal caminhou pela pista até chegar ao portão de embarque, ninguém olhou mais de uma vez para elas e, mesmo se olhassem, Fleur tinha certeza que Hermione os afugentaria com um olhar mais agressivo. As duas pararam apenas para apanharem suas bagagens, pequenas malas que evidenciavam que elas não pertenciam àquela cidade.

O lar das duas estava na Inglaterra.

Enquanto esperavam, Fleur olhou de lado para Hermione e sorriu grande. A morena franziu a testa para ela assim que pegou sua expressão, mas, não pode deixar de também sorrir. Hermione apertou a mão que segurava, de forma carinhosa, e perguntou:

— O que foi?

— Estou feliz de estar em Paris, na verdade, eu estou feliz por estar em Paris com você. — Fleur respondeu apaixonada, sentindo-se imediatamente boba. As bochechas pálidas coraram e os olhos de Hermione, sempre tão intensos, brilharam ainda mais. A francesa riu para os próprios pés e apertou a mão de Hermione. — Eu não deveria ter dito isso, soou muito bobo!

— Claro que não, a única coisa que eu quero é que você seja feliz... E é bom saber que a minha companhia ajuda a tornar a situação mais agradável. Por mais que ela não seja. — Hermione, como sempre, fora realista. Fleur gostava desse aspecto dela, a morena equilibrava a intensidade dos seus sonhos com esses pés no chão e essa mente centrada. Hermione visualizou suas bagagens e as apanhou, colocando-a no carrinho. — Um dia, voltaremos a Paris. Sem passado para nos cercar ou um presente conturbado para nos atrapalhar. Um dia, nós voltaremos para construir boas lembranças e eu não imagino construí-las de outra forma que não seja com você.

Fleur parou de caminhar por breves segundos e Hermione também parou de empurrar o carrinho, a morena tinha um discreto sorriso, do tipo que entregava muito com pouco. A francesa aproximou-se sorrateira e beijou os lábios de Hermione que a retribuiu intensa, segurando-a pela cintura. Fleur manteve os braços em volta do pescoço de Hermione e confessou:

— Jamais pensei que eu faria o tipo de romântica com demonstrações públicas de afeto e juras de amor...

— Você é francesa, Delacour... Se tem alguém que sabe amar, esse alguém é você. O que, aliás, me faz uma das mulheres mais sortudas do mundo. — Hermione rebateu satisfeita e provocando risos em Fleur, a francesa, dessa vez, abraçou-a apertado e assim gostaria de permanecer se elas não estivessem no meio do terminal do Aeroporto de Paris. — E ainda digo que não são todos que merecem ver o que nós duas temos... É melhor irmos caminhando.

Fleur concordou e tornou a se aproximar de Hermione. Ela iria para qualquer lugar que Hermione fosse e tinha a plena e absoluta certeza que a morena também iria com ela para onde quer que fossem.

Hermione esperava que os Delacour fossem ricos, mas, não estava preparada para a imponente construção que se erguia diante de seus olhos. Uma elegante mansão francesa, de telhados escuros e portão de ferro, localizada no 4ème arrondissement, bairro localizado no Marais. Essa era uma região das famílias abastadas emergentes, até onde Hermione sabia. Fleur, aparentemente, notou sua expressão confusa e comentou:

— Essa mansão é dos meus pais, enorme para somente três pessoas e os empregados. O resto da família vive em 16ème.

— Tudo bem, mas, isso ainda não tira a imponência de sua casa, Miss Delacour. — Hermione comentou em um misto de surpresa e brincadeira. Fleur corou porque, mesmo sendo de uma família abastada, ela não tinha lá orgulho de vir da onde vinha. Hermione a empurrou com o ombro enquanto caminhavam pela estradinha de cimento, cercada por um gramado verde esmeralda, até a porta da mansão. — Acho que tirei a sorte grande!

— Pare com isso, você sabe muito bem que eu não quero ver e nem estar relacionada a todo esse dinheiro! — Fleur respondeu risonha, ainda que seus olhos azuis tivessem sido sombreados por uma tristeza latente. Hermione, mesmo no entardecer de Paris, percebeu e logo respondeu:

— Eu estava brincando, na verdade, eu prefiro muito mais a chef teimosa e rude que eu conheci em Ottery St, Catchpole.

— Fico feliz, porque é justamente essa que eu tenho para lhe oferecer, chérie. — Dessa vez, os olhos de Fleur brilhavam e ela piscou charmosa para Hermione. Foi a vez de a morena encolher os ombros e desviar os olhos, envergonhada. A risada rouca de Fleur, verdadeiramente feliz e espontânea, foi a sua melhor recompensa.

Hermione estava esforçando-se para não pensar em Othon Delacour e nem no que ele tinha feito a Fleur e estava, também, se desdobrando em uma Hermione mais espontânea para que a francesa se sentisse segura em sua companhia. A morena não queria que Fleur pensasse no primo enquanto não fosse necessário, também não queria que ela ficasse tensa sem ter enfrentado sua família.

Fleur merecia uma folga, mesmo que ela durasse apenas o tempo em que as duas estivessem sozinhas. Os próximos dias seriam batalhas intermináveis e furiosas.

As duas, finalmente, chegaram em frente à porta. Fleur mal colocava sua mala no chão quando a porta abriu-se de forma súbita e inesperada. No portal, um homem loiro, com os cabelos elegantemente penteados para trás, estava parado. Ele vestia-se de terno, camisa e um lenço amarrado no pescoço, funcionando como gravata. Tinha feições duras e charmosas, um sorriso saudoso brincava em seus lábios e seus olhos, azuis cerúleos, brilhavam de felicidade.

Ma Fleur! — Ele dissera antes de avançar e abraçar Fleur fortemente de encontro ao seu peito. O homem era um pouco mais alto que Fleur, de forma que a francesa aninhou-se em seu peito enquanto, relutante, também o envolvia em seus braços. Hermione observou a cena em silêncio.

Era evidente que aquele homem era pai de Fleur. Diferentemente de Apolline, tão semelhante fisicamente a Fleur, ele era extremamente igual a filha em aspectos que estavam além da visão. Pelo pouco que Hermione pudera ver, ele tinha a mesma gentileza silenciosa e a mesma obstinação cautelosa que Fleur tinha. O brilho sonhador nos olhos era o mesmo e a cor do azul de Fleur vinha daquele homem. O azul cerúleo, apaziguador e calmo, era reflexo daquele homem.

Hermione também enxergou as discretas lágrimas que mancharam a pele límpida de Fleur, assim como escutou os suspiros pesados dela em meio aquele silencioso reencontro. A morena viu-se, de certa forma, sentindo tudo que Fleur sentia... Desde o medo até o alívio. Doía voltar para casa, mas, talvez, no caso de Fleur, doía muito mais ficar longe.

— Ok, parem com o drama. Não é para tanto, rei e rainha do drama! — A voz jovial e conhecida chegou aos ouvidos de Hermione e ela, imediatamente, ergueu os olhos. Gabrielle Delacour e seus cabelos platinados, olhos brincalhões e sorriso brilhante a observava do lado do pai. A caçula Delacour acenou e riu para a expressão séria de Hermione. — Olá, garota! É bom ter você na minha casa, mesmo eu não sabendo o seu nome direito até hoje!

A voz de Gabrielle finalmente despertou Fleur dos braços do pai. Ela separou-se dele com um sorriso culposo e deu um passo para trás, puxando Hermione para perto do si. O homem, que limpava as lágrimas de seus olhos, fez uma pequena e educada reverência. Fleur riu para o comportamento cavalheiresco do pai e disse:

Papa, essa é Hermione Granger, uma grande amiga da Inglaterra.

— É um prazer conhecê-la, Mademoiselle Granger... Sou Raoul Delacour, pai dessa bela flor ao seu lado. — Raoul se apresentou com um sorriso, estendendo a mão para Hermione. Ele falava cheio de sotaque, muito mais evidente do que os discretos deslizes de Fleur. A morena sorriu educadamente e estendeu a mão para apertar a dele, entretanto, Raoul voltou a se inclinar e lhe beijou o dorso de sua mão. Hermione corou envergonha e Fleur riu próxima ao seu ouvido. — Pardon pelo meu inglês, não costumo falar frequentemente. A bilíngüe de casa é Gabrielle.

— Essa, a propósito, sou eu. É bom conhecer a petite amie de Fleur. — Gabrielle adiantou-se cheia de si, ficando frente a frente com Hermione. A morena não deixou de perceber o tom jocoso que Gabrielle usara para referir-se a ela, afinal, a caçula já sabia o que Fleur tentava amenizar para o pai. Fleur revirou os olhos para a irmã e Raoul fez menção de apanhar as bagagens das duas quando Hermione disse:

— Por favor, Mr. Delacour... É Fleur quem volta para casa e é ela quem merece todos os mimos.

— Já gostei dessa sua amiga, ma princesse... — Raoul comentou brincalhão e arrancando risadas de Fleur e Hermione, foi a vez de Gabrielle revirar os olhos. O quarteto entrou na mansão e se ela era assustadoramente elegante por fora, o interior era ainda mais primoroso.

Hermione observou do papel de parede ao carpete, dos móveis em madeira rústica até as peças de arte, de estátuas a quadros. Mas, o que mais lhe chamou a atenção foi uma porta aberta, na qual vislumbrou uma estante repleta de livros.

Raoul caminhava à frente e deixou a bagagem da filha ao pé da escada, Hermione colocou a sua ao lado e virou-se para o homem. Ele segurava as duas mãos da filha mais velha e, severo, bronqueou:

— Pouca bagagem para quem volta para casa.

— Sem drama, papa! Fleur mal chegou! — Gabrielle resmungou enquanto passava pelos dois e acenava para um corredor. Logo, uma governanta apareceu e ela sussurrou algumas instruções no ouvido dela antes de voltar-se a virar para o grupo e abrir um sorriso maldoso. — Vamos apenas aproveitar esse pouco tempo sem Apolline Delacour em nossas vidas.

— Você não deveria falar assim de sua mãe, Gabby. — Raoul sussurrou discreto e Fleur riu. Gabrielle nunca foi a filha recatada e obediente que Apolline pedira aos céus e, pelo visto, ela continuara a mesma de sempre. A caçula piscou para a irmã mais velha e disse irônica:

— Como se o senhor não pensasse o mesmo que eu.

Raoul coçou o queixo, pensativo e depois, com certa relutância, sorriu. Gabrielle abraçou o pai e enganchou o braço ao do pai, guiando-os para o interior da casa. Fleur e Hermione trocaram um olhar e a morena corou para a forma como a francesa a olhou. Fleur, então, aproximou-se e voltou a entrelaçar os seus dedos. Somente então as duas seguiram Raoul e Gabrielle.

# # # # #

Harry Potter estava sentado no banco de pedra em frente ao Shell Cotage. Os olhos verdes observavam as ondas entregarem-se preguiçosamente à areia da praia e seus ouvidos escutavam o som gutural do mar. Sua visão e sua audição permaneciam ligadas a terra, mas, sua mente e seu coração estavam presos em uma questão sem resolução

De um lado estava Cho Chang, com toda a possibilidade de um recomeço desafiador e repleto de mistério e, do outro estava Gina Weasley.

Harry também sabia que a sua decisão estava tomada antes mesmo da conversa com Hermione. O moreno sabia que precisava ser sincero com o seu coração, na verdade, ele não conseguia fugir desse tipo de sinceridade... E o seu coração não deixara de chamar por Gina em momento algum. Nem mesmo quando ela gritou com ele, muito menos, quando Harry decidira dar uma chance para Cho.

No mundo de Harry Potter, nenhuma garota poderia competir com Gina Weasley.

Aquela ruiva mostrara, de forma agressiva e intensa, que existia um lugar para ele naquele mundo. Em meio a noitadas em bares, copos de cerveja e corpos de várias mulheres, Gina mostrara que o simples era o mais certo. E o que era o simples? O simples continha o carinho, a companhia, o apoio e o amor. Componentes que Harry não tinha experimentado até conhecê-la. Gina podia ser explosiva com certas emoções, mas, assim como ela feria com o que sentia, ela também curava.

E ela curou Harry.

Gina dragou Harry da escuridão e mostrou um mundo iluminado a ele. Agora que o moreno sabia da história da garota, ele compreendia que ela mesma abandonara a sua escuridão para entregar algo melhor para ele. Gina desfizera-se de seu passado naqueles dias em Londres, ela se esquecera da própria dor, dos próprios sentimentos infantis e agonizantes e entregara o que tinha de melhor para Harry.

E ele, quando tivera a oportunidade de fazer o mesmo — não quando ficou do lado de sua amiga naquela imensa briga familiar e sim, quando Gina tentou afastar-se dele ao ficar com outro homem -, Harry simplesmente deixou que ela fosse embora quando tudo que ela queria era um pedido para ficar.

Pior do que isso, Harry a deixou ir e ainda a tirou de sua vida.

O mais doloroso de tudo era de que os erros de Harry não feriram apenas ele mesmo ou Gina e, também, Cho. A asiática não tinha nada a ver com a história e, talvez, não teria se envolvido se ele não tivesse chegado nela.

Em meio a tantos erros, mal entendidos e palavras não ditas, Harry sentia que o seu tempo se esgotava e que o que sentia não daria em nada. O tempo parecia ter passado e a hora certa de resolver-se parecia ter se perdido...

— Pela sua expressão, acho que estava certa a respeito de sua ligação. — A voz de Cho Chang tirou Harry de seus devaneios, ele olhou para ela e seus olhos entregaram todo o seu arrependimento. Cho sorriu para ele, um sorriso compreensivo e triste, o sorriso de alguém que perderia algo que acostumara a ter. Harry suspirou e acenou com a cabeça para o banco frio, Cho sentou-se ao seu lado e o moreno riu roucamente, antes de dizer tristonho:

— Hermione sempre disse que eu nunca fui muito bom em esconder o que sinto.

— Ela não está errada, você realmente não sabe esconder o que sente. — Cho respondeu com carinho, ainda existia certo encantamento em seus olhos negros. Harry Potter era charmoso em toda a sua falta de jeito com as mulheres e em todos os seus esforços para agradá-las, existia certo cavalheirismo pueril na forma como ele tratava uma mulher e isso, infelizmente, era apaixonante. — No pouco tempo que ficamos juntos, eu pude ver claramente que não era a sua primeira opção.

— Eu peço desculpas por ter feito você pensar isso, você não deveria ser a segunda opção de ninguém. — Harry apressou-se a responder envergonhado, o arrependimento presente em seu tom de voz e levando lágrimas discretas aos olhos de Cho. Lágrimas que ela não derramou, contendo com um respirar profundo e um sorriso tristonho, enquanto brincava:

— Não vai nem negar que realmente vai terminar comigo?

— Desculpa, eu... — Harry não conseguiu terminar a sua resposta porque não encontrava justificativas que julgasse plausíveis para diminuir a dor que Cho parecia carregar. A asiática abaixara o rosto, impedindo que Harry a olhasse nos olhos e o moreno, derrotado por suas próprias fraquezas, perdeu-se em seus pensamentos. Ele não sabia o que fazer. — Eu não sei como lidar com isso...

— Não precisa se justificar, eu sabia que você seria um problema desde a primeira vez em que conversamos. — Cho interrompeu Harry com o tom de voz leve, quase gentil. Ela ergueu o rosto e virou-se para Harry, o rapaz estava surpreso e chocado, não esperava uma atitude daquela de Cho. — Sempre soube que seus olhos e seu coração estavam com Gina. Como eu disse, não precisei de muito para perceber isso. Seu olhar, quando ela nos pegou no dinner, entregou muito mais do que você quis entregar. Seus olhos me disseram que você a amava, ainda que não tivesse admitido para si essa verdade.

Harry se calou. O moreno respirou profundamente e soltou o ar, lentamente. O ar quente mesclou-se ao ar litorâneo frio e o som das ondas era a única coisa que perturbava o silêncio entre ele e Cho. A asiática estava calada e observava as ondas, como ele. Harry agradeceu silenciosamente pelo silêncio que Cho lhe dava, era muito mais do que ele merecia. E Cho merecia explicações, satisfações porque ela era uma das melhores pessoas que ele conhecera ainda que as circunstâncias não fossem as melhores.

— Eu continuo sem saber o que falar. Estou envergonhado, triste, confuso... — Harry começou calmamente, tentando-se manter sereno ainda que quisesse explodir. O moreno tinha muito dentro de si e a maioria do que possuía gravitava para Gina porque eram coisas que ela deixara nele. Cho desviou os olhos negros do mar, estava atenta observando o nervosismo de Harry. — A minha única certeza é a de que eu preciso terminar com você. Eu não estou sendo sincero e você não merece uma pessoa pela metade, Cho.

Cho acenou afirmativamente com a cabeça e sorriu para Harry, o sorriso dela foi uma discreta brisa quente em toda aquela frieza em que ele se envolvera. A asiática se levantou e Harry repetiu o seu gesto, Cho o abraçou e sussurrou junto ao seu peito:

— Eu realmente espero que ela perdoe você e, caso isso não aconteça, saiba que tem uma pessoa disposta a reconstruir a metade de você que falta.

Harry riu roucamente para Cho e beijou o topo da cabeça dela, os dois se afastaram relutantes e a asiática ainda depositou um rápido beijo nos lábios do moreno e, sem relutar ou olhar por cima do ombro, ela voltou a caminhar pela orla do litoral de Ottery St. Catchpole.

Harry observou-a chegar à calçada, totalmente forte e firme, da mesma forma que ela chegara para conversar com ele. Algo na postura resoluta de Cho o deixou mais tranqüilo quanto a sua decisão. Ele não tinha medo de não ser perdoado e sim, de ficar sozinho. Harry passara a vida sem alguém e, agora que Hermione encontrara Fleur, a sorte não estava ao seu favor. Cho não merecia ser o plano B de alguém, mas, estava disposta a sê-lo se ele a escolhesse.

O moreno gostaria de pensar nas coisas como ela pensava, o preto e branco, sem todos aqueles tons cinzentos que manchavam a sua história com Gina.

Harry entrou no Shell Cotage e voltou a arrumar suas malas. Estava atento a todos os seus pertences, mas, sabia que o principal ficaria em Ottery St. Catchpole. Ele deixaria seu coração nas mãos de Gina e voltaria a Londres... E somente ela poderia decidir seu futuro.

# # # # #

— Por favor, me diga que você vai cozinhar nosso jantar... — Gabrielle suplicou com uma voz infantil enquanto caminhava à frente de Fleur e Hermione, em direção a cozinha. Tanto a morena, como a loira, riram do drama da mais nova. Hermione abaixou a cabeça e, discretamente, contemplou o espaço que separava sua mão da de Fleur. O seu coração apertou discretamente e ela suspirou.

Fleur e Hermione não tinham conversado a respeito da postura que adotariam diante da família Delacour, mas, pelo pouco tempo que estava na mansão, a britânica sabia muito bem como agiriam. Aos olhos de todos, seriam apenas boas amigas. Hermione estava descontente com o papel que tinha que representar porque já o havia representado mais de uma vez quando estava com Astoria, porém, tentava entender o que a relação delas representava para Fleur naquele momento.

A situação era delicada, não somente pela provável futura presença de Othon, mas, também, pela relação atribulada entre Fleur e sua família. Hermione não estivera nos momentos mais tensos com Apoline Delacour, contudo, tivera que lidar com Fleur após o confronto com a mãe e não fora nada fácil. E ainda tinha a matriarca, Éponine Delacour, que a britânica não conhecia e já tinha opinião mal formada por causa do que ela fizera a herança e a Fleur.

Hermione entendia todos os motivos que Fleur provavelmente usaria para justificar a distância entre elas, entretanto, essa compreensão não queria dizer que ela não sentia... A morena sentia saudade da cumplicidade que possuíam no avião, assim como sentia falta do carinho, estava carente dos olhos de Fleur e do sorriso dela junto ao seu. Hermione só queria que Fleur voltasse a ser o que era: a francesa explosiva, a mulher indescritível e, principalmente, a pessoa pela qual se apaixonara.

— Eu pretendo cozinhar para vocês, quero que maman veja que eu não perdi o jeito depois de todo esse tempo fora... — Fleur respondeu à irmã com um sorriso e Gabrielle praticamente dançou a sua frente, bastante entusiasmada. A francesa olhou de esguelha para Hermione que mantinha a cabeça baixa e que, recentemente, colocada as mãos nos bolsos da calça que usava. Fleur sentiu as próprias mãos formigarem porque tudo o que mais queria era envolver as pequenas mãos da morena entre as suas. A francesa suspirou e fechou os olhos por mais de um segundo, buscando aliviar o aperto em seu peito e a saudade na ponta de seus dedos. — Isso é, se Agnès permitir.

Hermione finalmente saiu de seu torpor e ergueu os olhos ao escutar outro nome na conversa. O trio já havia chegado à cozinha e Fleur abraçava uma senhora grisalha com cerca de cinqüenta anos de idade. As duas riam e se apertavam, a britânica, mais uma vez, sentiu seu rosto refletir o sorriso grande e satisfeito presente nos lábios de Fleur. Gabrielle revirava os olhos e as outras duas francesas começaram a conversar em seu idioma materno.

Para a britânica, sempre era apaixonante escutar Fleur falar em francês. Claro que existia um pouco de fetiche em ver a loira pronunciar as palavras desconhecidas com tanta habilidade, assim como existia o charme natural, vindo do idioma e, também, da própria Fleur. Mas, Hermione achava que tinha algo mais, quando Fleur falava francês, parecia que ela entregava outra parte de si... Uma parte que ficara esquecida no passado cruel que ela abandonara na França. Era como se Fleur, finalmente, voltasse para casa.

Gabrielle pigarreou para Agnès e Fleur, só que as duas estavam tão entretidas naquele reencontro que sequer notaram a caçula Delacour. Hermione continuou a sorrir porque Fleur gesticulava e sorria, provavelmente narrando todos os anos que passara na Inglaterra. Gabrielle tossiu, dessa vez e, finalmente, todos os olhos da cozinha estavam em si. A caçula jogou os cabelos e sorriu, de forma irônica, antes de perguntar:

— Não está se esquecendo de nada, Fleur?

A mais velha olhou para Hermione que, discretamente, corara. A morena não gostava de ser o centro das atenções e, naquele momento, era exatamente isso. Agnès olhava para a desconhecida, curiosa e intrigada e Fleur... Fleur olhava para Hermione com os olhos intensos, tristonhos e punitivos. O aperto no coração da francesa voltou a se fazer presente e ela, sem jeito, aproximou-se de Hermione e a abraçou pelos ombros, trazendo-a para perto de Agnès. O toque entre os corpos das duas foi intenso, enviando arrepios e febre pelo corpo de cada uma, foi a vez de Fleur corar antes de dizer em inglês:

— Essa é Hermione Granger, uma grande amiga da Inglaterra, Agnès.

Amiga? — Gabrielle perguntou baixo, sarcástica, antes de rir silenciosamente. Fleur olhou de forma agressiva para a irmã e Hermione, procurando desviar a atenção da senhora, logo se adiantou e estendeu a mão. Agnès franziu a testa para sua atitude, confusa. Mas, depois de alguns segundos de observação, ela se adiantou e aplicou dois beijos, um em cada bochecha de Hermione, e disse repleta de sotaque:

Bienvenue, enfant! Aqui na França não apertamos as mãos e sim, damos beijinhos!

— Agnès é nossa anjo da guarda, praticamente criou eu e Gabrielle. Está conosco há anos... — Fleur ainda abraçava e apertava Hermione junto de si, Agnès segurava a mão da britânica e sorria sem parar. A morena abrandou a sua expressão, abandonando toda a carência e saudade que insistia em sentir de Fleur, e cumprimentou gentil:

— É um prazer conhecê-la.

— O prazer é meu, chérie. — Agnès respondeu suavemente, soltando a mão de Hermione e voltando a atenção para a tábua de madeira em que cortava alguns legumes. A morena observou a senhora, curiosa e mexida com toda a atenção e carinho maternal que ela passava. Fleur a soltou, muito porque não conseguia agüentar a proximidade sem intensificar o contato e pouco pela curiosidade que a preencheu quando seu olfato reconheceu os aromas familiares e saudosos.

A chef movimentou-se levemente pela cozinha. Fleur prendeu os cabelos em um rabo de cavalo e, depois, lavou as mãos. Logo em seguida, aproximou-se das panelas quentes ao fogão e abriu cada uma delas. Agnès riu do comportamento da jovem e Gabrielle sussurrou risonha:

— Lá vamos nós... Aposto que o próximo passo é pedir para que eu busque uma garrafa de vinho na adega.

— Achei que esse amor dela pelo vinho tivesse começado na Inglaterra. — Hermione comentou divertida, Fleur já se adiantara e ajudava Agnès com o corte dos legumes. Os olhares das duas se cruzaram e Fleur sorriu para ela, exatamente o sorriso que Hermione procurava: o sorriso que chegava aos olhos cerúleos e os faziam tão límpidos quanto o céu em um dia de verão. Gabrielle tinha uma expressão maliciosa no rosto, mas, em segredo, admirava e muito aquela conexão que as duas possuíam. A caçula riu e respondeu:

— Ah Hermione... Você realmente não sabe onde se meteu. Fleur é uma perfeita bêbada desde que era jovem... O que já faz algum tempo.

— Eu posso estar cozinhando, mas, ainda escuto você, Gabrielle! — Fleur exclamou com uma expressão falsamente ameaçadora, provocando risos em Hermione e Agnès e apenas um dar de língua da caçula. Porém, logo as irmãs estavam sorrindo uma para outra. — E não sou tão velha assim, não há problema algum em passar dos trinta anos... Assim como não há problema algum em termos um pouco de vinho!

O tom animado de Fleur ao referir-se à bebida provocou gargalhadas em Gabrielle, a caçula fez um sinal de continência e desapareceu pelo corredor, rumo à adega. Hermione sentou-se, o mais discreta possível, em um baquinho de madeira no canto da cozinha. Agnès observou esse seu movimento e comentou saudosa:

— Fleur costumava sentar-se nesse banquinho antes de começar a se intrometer em minhas receitas.

— Eu esperava que Gabrielle fosse me pentelhar, mas, não você, Agnès! — Fleur disse exasperada, parando de cortar os legumes e olhando ofendida para a senhora. Agnès apenas agitou as mãos, rindo satisfeita e colocou os legumes em uma panela, o cheiro de cozimento ocupou a cozinha, deliciosamente saboroso. Hermione observou a interação das duas, embriagada pelos aromas maravilhosos que se originavam a partir daquela relação de carinho. Agnès voltou a olhar para as duas mais jovens e disse divertida:

— Não estou pentelhando. Estou deixando claro que você sempre foi curiosa a respeito da arte de cozinhar...

— Curiosa e admiradora, não dos famosos chefs que freqüentavam o Cuisine Delacour e sim, de você. — Fleur respondeu carinhosa para a senhora e Hermione percebeu quando os olhos Agnès encheram-se de lágrimas, ela estava emocionada. A morena trocou mais um breve olhar com Fleur e a francesa lhe piscou no exato momento que Gabrielle voltava a cozinha com o vinho e exclamava:

— Até que enfim!

Agnès olhou curiosa para a recém-chegada e Fleur, corada até a raiz dos cabelos, percorreu a distância que a separava da irmã e apanhou a garrafa de vinho, lendo o rótulo. A francesa sorriu para a escolha da irmã e saiu à procura do abridor de garrafas, Gabrielle estava a postos com as taças. Fleur abriu o vinho e serviu as três taças com porções iguais, entregou uma para Gabrielle e apanhou as outras duas, indo em direção a Hermione.

Fleur parou mais próximo do que deveria da morena, inconsciente de seu desejo e de sua saudade por aquele corpo moreno. Agnès estava concentrada em seus afazeres e Gabrielle estava ocupada em repor a sua porção que já consumira. Hermione apanhou a taça e seus dedos se tocaram no processo, sorrisos iguais brotaram nos lábios de cada uma. Fleur bebeu um gole de sua taça e fechou os olhos para saborear o vinho, em seguida, olhou diretamente para Hermione e sussurrou:

— Esse é a base de uvas Merlot de Bordeaux. Você vai perceber que ele é mais aveludado, sedoso e macio. E...

— Eu estou sonhando ou esse aroma parece ser chocolate? — Hermione interrompeu Fleur com a expressão eufórica, como de uma criança. A morena agitou o vinho e o inspirou, abrindo um sorriso quando percebeu que não estava errada. Fleur riu e sorriu para Hermione, acenando a cabeça, indicando que ela acertara. Hermione tomou um gole e suspirou, deliciada. — Devo admitir que eu gostei muito desse.

— Você tem um gosto peculiar e muito caro, Mademoiselle Granger. — Fleur sussurrou sedutora, por cima da taça, antes de tomar mais um gole. Hermione corou e respirou fundo, agitando a cabeça para tentar eliminar a dezena de pensamentos que vieram a sua mente e ecoaram em seu corpo a partir daquela fala de Fleur. A loira riu de sua reação e virou-se para a cozinha, Gabrielle as observava envergonhada e Hermione não conseguiu conter a risada.

A morena, motivada pela coragem e, também, pela carência, espalmou as costas de Fleur com sua mão esquerda e arranhou as costas da francesa por cima do tecido. Fleur inclinou em sua direção, satisfeita e esperando por mais, ela tomou mais um gole do vinho e disse:

— Eu prometo deixar você fazer o Blanquette de Vitela e o Quiche Lorraine em paz, se você me permitir fazer a sobremesa, Agnès!

— Ah não, eu só trouxe o vinho porque achei que ia ser recompensada! — Gabrielle reclamou irritadiça de seu lugar e Agnès contraiu as sobrancelhas para o comentário dela. Fleur riu roucamente e deslizou ainda mais para perto do contato de Hermione, a morena acariciava a base de suas costas com movimentos circulares do polegar. Fleur respondeu à irmã:

— E quem disse que você não vai ser recompensada? A não ser que você não goste mais da minha Tarte Tantin...

— Ok, você é a melhor irmã do mundo e eu realmente amo você! — Gabrielle exclamou sorridente, erguendo a taça em brinde e sendo correspondida pela irmã. As duas riam, acompanhadas por Hermione e Agnès.

E continuariam a rir se outra pessoa não tivesse entrado na cozinha.

Apoline Delacour estava parada, majestosamente, no portal. A mulher olhou de Agnès para as filhas, Fleur já tinha se afastado de Hermione no instante que escutara os saltos da mãe pelo corredor. A morena engoliu em seco, mas, manteve-se séria e até mesmo deixou a taça de lado. Fleur ajeitou a postura e inclinou a cabeça, enquanto cumprimentava:

— Olá, maman.

— Seja bem-vinda, Fleur. O mesmo digo a você, Mademoiselle Granger — Apoline respondeu da mesma forma fria da qual Hermione se lembrava. A senhora olhou brevemente para a britânica que não cedeu, mantendo-se firme e estóica em seu canto. Apoline franziu a testa, o silêncio na cozinha era gutural e toda a descontração anterior se perdera. Gabrielle serviu-se da terceira taça, estranhamente calada. — Já pedi para acomodarem você e sua acompanhante em quartos separados, conversaremos depois do jantar sobre os compromissos de amanhã.

Apoline saiu da cozinha sem dizer mais nada, tão rápida quanto chegara. Os sons de seus saltos mal se calaram quando Gabrielle riu alto, provocando risos em Agnès e Fleur. A caçula tinha as bochechas vermelhas ao dizer, sarcástica:

— Ah, ela sabe... Com certeza, sabe.

— E eu sei que, por hoje, chega de vinho, Gabby! — Fleur disse disciplinadora, indo até a irmã e apanhando a taça de vinho da mão dela. A francesa jogou o conteúdo na pia, estava ofegante e sentia-se fria, como se a mãe houvesse congelado tudo de quente e sentimental que ela tinha dentro do peito.

Hermione, do outro lado da cozinha, observava as reações da francesa em silêncio. Mas, então, seus olhos se encontraram novamente... E Hermione roubou a frieza que se apossara dos olhos azuis e entregando a eles um dia quente de verão. Fleur sentiu o calor de volta em seu interior e percorrer suas veias, chegando ao seu coração.

Fleur sentiu Hermione.

# # # # #

Harry fechou o zíper da última mala e a colocou junto à escada. Olhou ao seu redor, se sentido antecipadamente saudoso em relação aquele chalé. Em meio às experiências desagradáveis, às palavras não-ditas e às decepções, ele não podia ignorar que, ainda assim, estava levando algumas situações e pessoas especiais para Londres.

Tinha certeza que magoara tanto Rony quanto Bill, mas, talvez, ainda existisse esperança para a sua amizade com Fred e George. E, quem sabe, o tempo amenizasse todo aquele mal estar entre ele e os Weasley... Alguma coisa relativamente boa deveria perdurar daqueles dias em Ottery St. Catchpole. O moreno voltou os olhos para suas malas e suspirou, virou-se para caminhar até a cozinha quando a campainha tocou.

Harry assumiu uma expressão confusa. Não esperava ninguém àquela hora, a única pessoa que poderia vir vê-lo estava na França. Ainda assim, o moreno voltou ao hall e chegou à porta, abriu-a de supetão e, talvez, pela rapidez de seu movimento, não estivesse devidamente preparado para quem o aguardava na soleira da porta.

Gina Weasley estava parada, encolhida em sua jaqueta de couro. A ruiva tinha as bochechas coradas e os fios bagunçados, resultantes de sua caminhada noturna pela orla, enfrentando os ventos litorâneos furiosos. Harry esboçou um sorriso, mas, a expressão enigmática de Gina o fraquejou. Em vez disso, Harry abriu espaço para que ela entrasse e Gina, sem dizer nada, entrou no chalé.

O cheiro de flores silvestres, saudoso e inesquecível, penetrou no olfato de Harry e, em questão de milésimos de segundo, atingiu seu cérebro e, por fim, seu coração. Tão rápido quanto o abrir da porta, Harry sentiu seu coração se acelerar e as palavras, que ele tanto ensaiara e imaginara morrerem em seus lábios.

Gina parecia segura, mas, estava trêmula. A ruiva sentia os olhos de Harry estudando-a e eles a desvendavam, exatamente como fizeram em Londres e exatamente como fizeram quando se reencontraram. Harry Potter tinha um poder avassalador sobre Gina e, talvez, era justamente isso que afastara a ruiva dele. Gina não estava acostumada a ter alguém dominando seus pensamentos ou seus sentimentos, estava habituada a ser livre, a curar-se sozinha, a carregar seus fardos sem a ajuda de ninguém.

Mas, Harry despertava nela uma necessidade de compartilhar, de ceder e de se deixar frágil para ser sustentada, fortificada e preenchida por outra pessoa. O moreno, em curtos meses em Londres e longos dias em Ottery St. Catchpole, bagunçara sua vida de novo. Deixara sua superfície frágil e pior, quebrara a sua armadura de vidro. Harry entrara, novamente, em sua vida quando ela achava ter se esquecido dele.

E Gina se irritara consigo mesma, julgara seus sentimentos e, pior... Colocara-os à prova. A ruiva colocara-os em confronto com a sua inimizade com Fleur, deixara que eles fossem contaminados pela imaturidade de seus sentimentos em relação à francesa. Sabia de seus erros, pesara-os na balança e sabia que, talvez, não existisse perdão. Entretanto, não poderia deixar de se sentir traída, nem de amargar a solidão ao ver Harry com Cho.

Gina nunca soubera falar sobre seus sentimentos e tudo piorara quando ela perdeu o futuro aparentemente brilhante que tinha pela frente. Algo dentro dela estalou ou saiu do lugar, algo se quebrou e se fragmentou em dezenas de pedaços, pedaços que remetiam à falta de esperança, a descrença e a frieza. Claro que ela vivia a vida de peito aberto, mas, ainda mantinha essa parte de si trancafiada, a parte pior e mais feia. A parte que continha cicatrizes das quais ela não se orgulhava e sim, envergonhava-se.

E Harry chegou, aceitando a sua melhor parte e renegando a sua pior parte ao não compreendê-la naquela fatídica briga na festa da cidade. Gina estava fora de controle, sabia disso, mas, tampouco, podia controlar-se. Sentiu-se abandonada por ele, por Bill... Porém, ela não conhecia, naquela época, o significado da solidão e da saudade, não como agora. Não quando perdera Harry.

Ela não sabia como viera parar ali, mas, tinha a impressão de que sabia o que a trouxera até o Shell Cotage.

— Você já vai embora? — Gina não se deu ao trabalho de cumprimentar porque seu coração chegou à garganta assim que viu as malas de Harry junto à escada. Mais uma vez, algo se espatifou em seu interior e ela, dolorosamente, desconfiou que fosse o seu coração. Harry sorriu cansado para a sua pergunta e disse:

— Boa noite para você também, Gina. E sim, volto a Londres amanhã, tenho alguns prazos que precisam ser cumpridos.

— Desculpa pela ignorância, eu... — Gina não terminou a frase, tinha medo de continuar a falar e não se desculpar apenas pela falta de cumprimento e sim, por todos os seus pecados cometidos em relação a Harry. A ruiva agitou a cabeça e tentou abrir um sorriso, saindo com uma careta. — Primeiro, Fleur e Hermione partem para França e, agora, você. Acho que há algo muito errado em Ottery St. Catchpole.

Harry riu rouco, como se algo doesse e, de fato, doía. Seu coração estava apertado em seu peito e a cada segundo que olhava para Gina, maior era a sua vontade de ficar e, principalmente, de pedir para ela ficar. Entretanto, sua vida não podia parar daquela forma e ele não podia pedir algo do tipo a Gina, não depois de negar a ela o que ela, silenciosamente, sempre lhe pediu. Por isso, o moreno piscou algumas vezes e respondeu:

— Eu realmente preciso desocupar minha mesa ou Hermione volta e aí sim você nunca mais ouvirá falar de mim.

— Tudo bem, eu entendo que a sua vida está em Londres, mas... Espero que volte para cá, um dia. — Essas não eram as palavras que Gina gostaria de dizer, mas, elas pareceram certas para o momento. Depositar sua fé em um futuro provável e duvidoso, não prometendo o que, provavelmente, não poderia cumprir. Harry deu um passo em sua direção, motivado pela calmaria que Gina exalava. Mas, a ruiva se afastou dele, motivada pelo temor de se envolver. — Na verdade, espero que nos reencontremos e que eu esteja melhor quando isso acontecer.

Mais uma vez, essas não foram as palavras que Gina quis dizer, contudo, eram exatamente o que Harry precisava ouvir. O moreno abriu um sorriso triste para ela e seus olhos verdes piscaram, brilhantes pelas lágrimas que ele controlava porque alguém, naquela conversa, precisava ser forte. Gina cedeu, como sempre cedia a ele, dois filetes de lágrimas escorreram de seus olhos castanhos e ela soluçou, chorosa. Harry se aproximou dela e segurou o rosto dela entre suas mãos, sussurrando apaixonado:

— Você não precisa melhorar em nada, você é perfeita.

— Não, eu não sou... Não para você. — Gina respondeu melancólica, afastando-se dele e sorrindo carinhosamente para as mãos dele segurando as suas. As mãos se encaixavam, assim como o corpo magro dele junto ao seu. Harry apertou as mãos sardentas e Gina olhou nos olhos dele. Harry, mais uma vez, lhe entregava mais do que ela merecia. — Eu prometo melhorar. Perdoar os outros e me perdoar, essencialmente. E, quando isso acontecer, eu prometo que vou atrás de você. Eu não vou pedir para você ficar ou me esperar, eu não tenho esse direito quando não aceitei o que você queria me dar. Eu só... Só peço para não me esquecer, está bem?

Harry estava absorto demais para as palavras de Gina, tão perdido nelas que somente sentiu a proximidade da ruiva quando ela lhe beijou a bochecha. Depois, Gina sorriu um sorriso repleto de lágrimas e partiu.

Ela se foi e o perfume de flores silvestres ficou no Shell Cotage. Harry só teve forças para fechar a porta e sentar-se em um dos degraus da escada. Ele arrepiou os cabelos enquanto ofegava...

Gina disse que voltaria, mas, quando isso aconteceria? Estaria disposto a esperá-la?

Harry não precisou se perguntar mais uma vez para saber a resposta. Por mais que Gina fosse exatamente o que ele precisava naquele momento, ele esperaria por essa suposta melhora dela. Ele esperaria, por ela, o tempo que fosse.

Porque ele seria o plano A, B, C e até mesmo, o D de Gina.

O que aconteceu entre eles em Londres não foi um erro, o que aconteceu ali, em Ottery St. Catchpole foi uma compreensão e Gina dera a ele, mais uma vez, a esperança... A esperança de que o futuro poderia ser bem diferente. Harry agarrou-se a essa esperança e Gina, do lado de fora, agarrou-se à força e à necessidade de mudar.

Cada um deu ao outro o que tinha de melhor e, estritamente, tudo o que o outro precisava para acreditar no que eles tinham.

# # # # #

Pelo corredor, Edith Piaf cantava “La Vie En Rose”. Aparentemente, Raoul estava escutando a vitrola na sala de estar enquanto esperava o jantar e a julgar pelas risadas surpreendentes de Apoline, provavelmente, Gabrielle estava dançando animada com o pai. Ou, pelo menos, fora isso que Fleur descrevera para Hermione.

As duas encontravam-se sozinhas na cozinha. Agnès fora dispensada para ver os filhos assim que prepara o jantar. Ficara a cargo de Fleur servi-los à mesa, assim como ficou a cargo dela fazer a Tarte Tantin. E a Hermione coube o papel de ajudante.

Chérie... Você vai acabar com as maçãs desse jeito. — Fleur comentou com um sorriso solidário, afastando os olhos da massa que, até então, ligava. Hermione ergueu os olhos castanhos da tábua de madeira, ofendida. A francesa riu para ela e terminou de esticar a massa, colocando-a sobre um recipiente e levando à geladeira. Hermione voltou os olhos para a maçã que cortava, existiam alguns pedaços maiores que os olhos, mas nada digno do comentário do Fleur. A morena suspirou e argumentou:

— O que estiver mais feio pode ser colocado no recheio, oras.

— Gastronomia não é uma arte apenas do paladar, mas, sim, de todos os sentidos. Da visão ao tato... — E ao dizer isso, o corpo de Fleur se aproximou sorrateiramente por trás do corpo de Hermione. A morena abriu um sorriso quando sentiu a respiração de Fleur próxima a sua nuca e se surpreendeu quando ambos os braços dela serpentearam e envolveram a sua cintura. Hermione estremeceu quando as mãos de Fleur repousaram sobre as suas e ela passou a guiar seus movimentos. — Por isso, é preciso que cada porção do prato, do menor detalhe ao máximo sabor, esteja perfeita. Na culinária japonesa, existe um detalhe de que comemos primeiro com os olhos e, depois, com a boca... Por isso, não admito maçãs mutiladas em minha torta.

As últimas palavras foram sibiladas próximas ao ouvido de Hermione, a voz de Fleur evidenciava todo o desejo e a sedução envoltos naquele ato. A morena arrepiou e sorriu, nervosa, tanto para a possibilidade de serem descobertas, quanto pela proximidade dos corpos. Fleur a guiava nos cortes e porções geometricamente perfeitas de maçã começavam a tomar conta da tábua. Fleur sorria satisfeita para a valsa dançada em par pelas suas mãos juntas as de Hermione, completamente eufórica, ela beijou o pescoço de Hermione e sussurrou:

— Assim está bem melhor.

— O-obrigada. — Hermione gaguejou, avermelhando-se pela vergonha de estar tão entregue a Fleur. Em seus relacionamentos, a morena jamais se vira naquela posição, tão dependente de uma pessoa como ficava quando estava nos braços de Fleur. Era demais ter aquela rouquidão, aqueles toques delicados e aquele cheiro de lavanda entorpecendo a sua racionalidade. Instintivamente, Hermione deixou seu corpo repousar sobre a frente de Fleur e elas, silenciosamente, terminaram de fatiar a maçã.

Hermione ofegou quando Fleur se afastou e teve certeza de escutar a francesa rir baixinho para a sua reação. Fleur apanhou a massa e passou a trabalhá-la na forma, Hermione levou as fatias da maçã para a panela e juntou-as ao açúcar. A morena passou a mexê-las lentamente, atenta ao ponto do açúcar e, novamente, o corpo de Fleur aproximou-se do seu e os braços serpentearam a sua cintura. Dessa vez, a mão direita de Fleur envolveu a mesma mão da morena enquanto a mão esquerda repousava sobre a cintura de Hermione. A britânica sorriu satisfeita pelo novo contato e disse irônica:

— Eu acho que eu sei caramelizar as maçãs, Fleur.

— Mas, não sabe que não se deve mexer enquanto isso ocorre. — Fleur respondeu divertida para a careta desconcertada no rosto de Hermione, a francesa voltou a beijá-la na nuca. Entre elas, o instrumental de “Hymne a L’Amour” começava. Fleur suspirou próxima a pele de Hermione e a morena arrepiou-se, de novo. — “Tant qu'l'amour inond'ra mes matins, tant que mon corps frémira sous tes mains, peu m'importe les problèmes, on amour, puisque tu m'aimes.”

Hermione inclinou o rosto em direção a Fleur, apenas o necessário para indagar, silenciosamente, o significado das palavras cantadas pela francesa a partir da música. Fleur sorriu para a curiosidade de Hermione e voltou a beijá-la, dessa vez, no ombro direito. A música ecoava ao redor delas, mas, naquele momento, a única coisa que Hermione escutou foi a voz de Fleur, confessa e apaixonada:

— “Enquanto o amor inundar minhas manhãs, enquanto o meu corpo tremer em suas mãos pouco me importam os problemas, meu amor, já que você me ama...”

A morena sorriu para a cumplicidade daquele momento, era exatamente daquilo que sentira falta naquele dia. Hermione sentiu-se amada como nunca se sentira em sua vida, envolta nos braços de Fleur, ela se entregou a tudo que a francesa trazia. Do seu passado, passando pelo presente e sonhando com o seu futuro com ela. Aquelas palavras, sussurradas no silêncio de um local que Fleur amava tanto, soaram como uma promessa.

A promessa de que elas passariam por aquilo independente de quem entrasse em seus caminhos. Era a sentença de que o amor delas era mais forte do que qualquer um naquela casa e fora dela.

A música acabou quando os corpos se separaram, Fleur terminou a torta e a levou ao forno, deixando tudo no temporizador. As duas não queriam ir à sala de jantar porque, naqueles poucos minutos, a cozinha se tornara seu refúgio. O lugar mais perto de casa... O lugar onde elas eram quem deveriam ser.

E, tal qual a realidade puxando-as para a terra, Fleur paralisou-se no corredor, de frente para a porta de entrada da Mansão Delacour. Os olhos cerúleos, tão vivos, perderam-se na opacidade que se instalou neles ao contemplar olhos azuis como eles, mas, lascivos e maldosos. Hermione acompanhou o olhar de Fleur e encontrou uma figura masculina, elegante e pomposa. Feições quadradas e retas, nariz bem desenhado e perfil bonito. Vestia um elegante terno azul marinho, camisa branca e sapatos mocassins.

Os punhos de Hermione se fecharam e ela, instintivamente, deu um passo a frente de Fleur, pronta para protegê-la. O homem loiro, bonito como um anjo e cruel como um demônio, aproximou-se das duas, ele apanhou a mão de Fleur sem a devida permissão da loira e a beijou, dizendo:

Est la bienvenue, petit cousin.

Fleur estava em choque, mas, ainda conseguiu puxar a mão antes que os lábios dele, róseos e cheios, tocassem sua pele. Hermione a segurou pelo pulso, puxando-a para junto de si. O homem arqueou a sobrancelha, curioso pela interação das duas e pela expressão violenta que Hermione trazia em seu rosto. Othon fez uma pequena reverência e cumprimentou em um inglês quase sem sotaque:

— E você deve ser a Mademoiselle Granger, amiga de Fleur. Sou Othon Delacour, é um prazer conhecê-la.

Hermione estendeu a mão para ele e Othon a apertou, a morena contorceu-se com a proximidade dele, que cheirava a colônia cara e enjoativa. Entretanto, quando estavam prestes a se afastarem, puxou-o para perto, pode ver o rosto de Othon surpreender-se e sorrir, cheio de malícia.

— Eu tinha me esquecido que, aqui na França, vocês se cumprimentam com beijos no rosto. — Hermione aproximou-se da face dele como se fosse beijá-lo. Mas, em vez disso, ela desviou-se em direção a orelha do homem e rangeu os dentes. Sua mente não trabalhava direito porque ela estava envolvida pela fúria e pelo asco. Aquele homem praticamente acabara com a vida de Fleur e agora, voltava como se nada tivesse acontecido. Como se ele fosse o anjo e ela, a pecadora. — Eu sei muito bem o que você fez com ela e, acredite, se você se aproximar de Fleur... Não sentirá prazer por me conhecer, aproxime-se dela e eu acabo com você.

Othon pareceu ter levado um choque diante da ameaça, afastou-se assustado e, até mesmo, confuso. Apoline e Raoul observavam a cena, não percebendo nada de errado. Já Gabrielle tinha um sorriso vitorioso nos lábios e Fleur estava encolhida às costas de Hermione, apoiando-se na base das costas da morena. Hermione sentiu seu coração apertar-se por que conseguia sentir os tremores de Fleur mesmo por cima do tecido de sua blusa.

Othon retomou o sorriso lascivo e até mesmo lambeu os lábios depois que se recuperou. Em seguida, virou-se para os donos da casa e disse animado:

Grand-mére logo se reunirá conosco e, pelo cheiro, teremos a famosa torta de Fleur... Estava com saudades.

Fleur suspirou e, saindo de sua avalanche emocional, destinou o melhor de seus sorrisos manipulados ao primo. Todos se encaminharam para a sala de estar e Fleur correu para a cozinha, Gabrielle encarregou-se de manter todos naquele cômodo enquanto Hermione saía em direção à francesa.

A morena encontrou Fleur apoiada sobre a bancada da cozinha, aproximou-se em silêncio e envolveu os ombros da francesa. Fleur sobressaltou-se com o toque e Hermione, sentindo-se incapaz, sussurrou:

— Calma, sou eu, meu amor.

Fleur pareceu ceder a essas palavras e ao toque de Hermione. A morena beijou as duas escápulas de Fleur e enterrou seu rosto no meio das costas da francesa, respirando com dificuldade e sufocando as próprias lágrimas enquanto escutava Fleur, frágil, desabar.

Hermione banhou-se nas lágrimas de Fleur para tornar-se forte somente por ela.

# # # # #

Notas finais
Eu coloquei bastante fluffy justamente para prepará-los para esse final... Peço perdão se machuquei alguém com a chegada do Othon. Bem, não tive nenhum ator ou cantor ou modelo em mente quando projetei o Othon, até porque, eu não quis contaminar alguma pessoa real com a natureza horrível desse personagem fictício. Por isso, o imaginem como quiserem... Bem, o que acharam de todos os eventos desse capítulo? O que acharam de Hermione e Fleur? A dinâmica da Família Delacour era o que vocês imaginavam? E Harry e Gina? E o Othon? Deem seu feedback, eu sei que demoro a postar, mas, eu realmente gostaria da opinião de vocês... Bem, é isso. Nos vemos na próxima! Beijos (@RedfieldFer)