La Petite Mort

10 Desejo, sentenças e certezas


Notas iniciais
Boa tarde, pessoal... Como vocês estão? Espero que todo mundo esteja aproveitando esse Carnaval da melhor forma possível *-* Perdoem a minha demora. Tive alguns problemas com meu TCC e não tive tempo de escrever e, confesso que também não estava muito animada para continuar a história. Achei que, depois do capítulo anterior, eu teria um feedback maior, mas eu estava enganada :/ Mas, como eu disse, eu gosto de escrever essa história e a continuarei enquanto puder. No mais, boa leitura!

Fleur estava sentada no tapete da sala de estar do Shell Cotage, suas costas estavam de encontro ao sofá e ela tinha a cabeça inclinada sobre o estofado, os olhos fechados e a respiração calma. A mão direita de Hermione percorria seus longos cabelos loiros e a morena tinha um sorriso de lado nos lábios enquanto observava a postura da francesa.

Já fazia algum tempo que as duas estavam daquela forma, em silêncio e apenas aproveitando a companhia uma da outra. Hermione não tinha noção de quantos minutos ou horas tinham passado desde que elas tinham se beijado, mas a noite já estacionara no céu de Ottery St. Catchpole, instalando um clima outonal ainda mais frio na cidade. A única solução foi acender a lareira e aproveitar a companhia uma da outra dentro do chalé.

Fleur ronronou ao sentir unhas arranharem o seu couro cabeludo, um arrepio gostoso percorreu toda a sua espinha e ela estremeceu embriagada pelo carinho. Hermione riu diante da reação involuntária da francesa aos seus carinhos, Fleur escutou a risada baixa e contida e abriu os olhos, arqueando a sobrancelha direita de forma perfeita para Hermione. Os olhos azuis, astutos e curiosos, perguntaram:

– Posso saber o que é tão engraçado?

– Você me lembrou o meu gato ronronando desse jeito. — Hermione respondeu com o ar risonho, os olhos castanhos quentes e brilhando pela diversão, as mãos ainda afagando os cabelos loiros. Fleur franziu a testa, bastante contrariada e em movimentos rápidos e agressivos, sentou-se ao lado de Hermione no sofá. As mãos brancas agarraram a cintura de Hermione que soltou um guincho de surpresa, Fleur se aproximou com um sorriso sensual nos lábios e perguntou próxima ao rosto da advogada:

– Você realmente me comparou com um animal?

– Eu lhe comparei a um gato. Especificamente, o meu gato. — Hermione argumentou racional, com um biquinho nos lábios, Fleur não resistiu e roubou um beijo dela, provocando risadas na morena. Hermione não a deixou se afastar e mordeu-lhe o lábio inferior, mantendo-a no lugar. As duas se beijaram novamente, mas não se afastaram. — Considere-se satisfeita porque estou falando de um gato e não de um animal qualquer.

– Eu adoro a sua lógica e racionalidade, chérie... — Fleur comentou com a voz rouca, as mãos apertando a cintura de Hermione e subindo pelo seu abdômen, aproximando-se perigosamente de seus seios. A morena respirou com dificuldade ao sentir os toques marcarem sua pele em brasa, Fleur ergueu a blusa da morena e arranhou a pele do abdômen, Hermione recuou, mordendo os lábios. — Mas eu vou mostrar para você que sou muito melhor e, principalmente, muito mais carinhosa que qualquer gato.

Hermione fechou os olhos, Fleur sorriu para a entrega da morena e afastou os cabelos castanhos, encontrando o caminho livre para o pescoço da outra. A francesa aproximou-se lentamente e, de forma delicada, aplicou vários beijos na região. Hermione, novamente, levou as mãos aos longos cabelos loiros e passou a acariciá-los na mesma freqüência com a qual Fleur beijava a sua pele.

Fleur sentiu os arrepios tomarem a superfície de seu corpo, aquela sensação nova esquentava o seu interior e a francesa não conseguia parar de sorrir enquanto seus beijos trilhavam um caminho rumo à orelha de Hermione. As curvas que preenchiam as mãos afoitas de Fleur eram totalmente novas ao seu tato, assim como a maciez da pele e também, a voz feminina que ofegava e gemia em resposta a cada carícia... Tudo era novo e, também, irresistível e inebriante. Fleur estava cada vez mais faminta, o inédito estava seduzindo-a.

Hermione enlaçou a cintura de Fleur com as pernas e puxou-a para perto, a francesa afastou-se do pescoço moreno e olhou surpresa para a advogada. Fora pega desprevenida pelo movimento abrupto e estava ainda mais excitada enquanto sentia o aperto prender-lhe e acabar com a pouca distância que ainda existia entre elas. Hermione abriu um sorriso de lado e segurou o rosto de Fleur com as duas mãos, puxando-a lentamente para perto. Entre beijos, a morena murmurou:

– Você está provando o seu ponto muito bem. Só que...

– Só que...? — Fleur questionou curiosa, aproximando-se e beijando Hermione de forma mais demorada, prendendo o lábio inferior dela entre os seus. Quando se afastou para olhar Hermione, a morena tinha os olhos fechados e a respiração ainda mais fora de ritmo, Fleur sorriu e aproximou-se de novo, beijando-a com volúpia enquanto enlaçava a cintura e a erguia em direção ao seu corpo. Hermione agarrou-se aos seus ombros, ofegando e retribuindo os beijos entre os gemidos que saíam involuntários de sua garganta. — Acho que você estava me explicando alguma coisa, certo, mon cher?

Hermione mordeu o lábio inferior, estava completamente entorpecida pelo seu desejo que estava tomando toda a sua razão. Apesar de Fleur ser envolvente e extremamente sedutora, a morena não era de deixar o controle escapar de suas mãos. Fleur, novamente, voltou-se para seu pescoço e passou a mordê-lo. Hermione puxou os cabelos loiros de forma mais agressiva, forçando Fleur a olhar para ela e, com um sorriso sedutor nos lábios, murmurou rouca:

– Ninguém me interrompe sem que sofra as devidas conseqüências, Delacour.

– Sempre tem uma primeira vez para tudo. — Fleur respondeu em tom de desafio, um sorriso de lado e ligeiramente maldoso brincava em seus lábios. Os olhos castanhos semicerraram-se quando encontraram os olhos azuis, duvidando de tal ameaça velada por palavras teimosas. Hermione apertou as pernas ao redor da cintura de Fleur e girou o seu corpo, de forma que, sem a menor chance de reação por parte da francesa, ficou por cima. Hermione sentou-se sobre a cintura de Fleur e as mãos da francesa alcançaram seus quadris, a morena inclinou o corpo e foi ela quem arranhou o abdômen de Fleur. A francesa arqueou o corpo, os arrepios subindo por sua pele e cegando a sua razão enquanto escutava Hermione perguntar sedutora:

– Você realmente quer jogar esse jogo contra mim?

Fleur mal tinha compreendido as palavras de Hermione, quando sentiu as mãos da morena deslizarem pelo seu tronco. A francesa podia sentir as pontas dos dedos de Hermione reconhecendo cada pedaço daquela parte de seu corpo, Fleur arqueou a espinha dorsal, seus olhos estavam nublados pelo desejo e Hermione sorria vitoriosa acima dela. A morena aproximou-se quando seus dedos encontraram as costelas de Fleur, a francesa inclinou o corpo para frente procurando beijá-la, mas foi delicadamente afastada. Hermione sorriu maldosa quando escutou o grunhido sôfrego de Fleur, voltou a deslizar por sobre o corpo pálido, sua respiração quente extremamente próxima ao tecido da blusa de Fleur, transpondo a barreira de tecido e queimando sobre a pele da francesa...

Quando chegou à região em que suas mãos se encontravam, Hermione aproximou a boca e mordeu o local, levemente, por cima da blusa. Fleur agarrou seus cabelos e puxou-a bruscamente para cima, chegando até mesmo a machucá-la. Hermione choramingou pela dor, mãos afoitas agarraram seu pescoço, mantendo-a no lugar e olhos azuis a devoraram. O rosto corado de Fleur entrou em foco na sua visão, assim como a expressão frustrada da francesa ao amaldiçoar:

Putain brune!

Hermione sorriu de lado e arqueou a sobrancelha, retirando as mãos de Fleur de seu pescoço e afastando-se novamente. Sabia o bastante de francês para deduzir quão indignada Fleur estava com aquela situação em que era dominada. Hermione progrediu com a sua dominância, sentada sobre o corpo da francesa e imobilizando-a com uma mão em cada ombro, murmurou:

– Você vai ter que fazer muito mais do que isso para ganhar algo, Fleur.

A francesa guinchou impaciente e fechou os olhos. As batidas descontroladas de seu coração eram a única coisa que ela conseguia escutar. Sua respiração estava tão descompassada que, mesmo de olhos fechados, conseguia sentir seu corpo totalmente fora de eixo. E, também, conseguia sentir cada parte de seu corpo que encontrava o corpo de Hermione e esses locais estavam quentes, arrepiados e sôfregos. Uma delicada camada de suor formara-se sobre a sua pele.

Ela jamais experimentara tal atração antes.

Fleur abriu os olhos, as mãos de Hermione não estavam mais em seus ombros. Dessa vez, a morena tinha um sorriso quase que angelical nos lábios, mas que não escondia a fome que habitava seus olhos castanhos, enquanto acenava para ela se aproximar com o indicador de sua mão direita. Aquela visão fez Fleur morder os lábios, totalmente domada, ela ergueu o corpo rapidamente e ficou sentada, Hermione ajeitou-se em seu colo e enlaçou seu pescoço. A morena a beijou com volúpia, mal a deixando respirar e, assim que terminou de morder seu lábio, disse autoritária:

– Lembre quem é a mais experiente antes de tentar me seduzir.

– Você pode ser mais experiente, mas eu aprendo rápido. — Fleur murmurou débil, não conseguindo raciocinar outra coisa porque Hermione começara a remexer-se em seu colo, em lentos movimentos de vai e vem que só estavam deixando-a ainda mais inapta a pensar. Hermione sorria diante da batalha entre a entrega e a teimosia da francesa. Novamente, retirou as mãos de Fleur de si e mesmo diante da luta que se seguiu, segurou-as atrás das costas da loira, sem deixar de remexer seu corpo, aplicou um selinho nos lábios cheios e entreabertos e disse:

– Você pode até aprender, mas eu não vou deixar que você faça muita coisa.

Fleur grunhiu novamente, o suor brilhando em seu rosto enquanto ela tentava lutar para se soltar. Se somente as mãos de Hermione estivessem a segurando, Fleur conseguiria se soltar. Mas a luta estava extremamente injusta, pois Hermione brincava com os lábios em seu pescoço e com o balançar dos quadris de encontro a sua pelve. A francesa podia sentir o sorriso vitorioso dela em sua pele e estava embriagada pelo cheiro amadeirado e pelos toques que estavam derrotando-a.

Hermione adorava estar no controle, ainda mais com uma situação que era nova para ela. E, principalmente, a teimosia de Fleur a enlouquecia. Hermione sentia-se obrigada a dominá-la e colocá-la em um local onde ela não poderia fazer outra coisa a não ser render-se aos seus toques. Hermione acabara de morder o lóbulo da orelha de Fleur quando as duas escutaram um barulho extremamente alto do lado de fora.

A morena afastou-se lentamente e parou os movimentos. O barulho pareceu acordar a razão dentro de Hermione: Fleur era casada e aquela era, com certeza, a primeira vez dela com uma mulher. Lentamente, a morena se afastou de Fleur e olhou séria para a loira a sua frente. Fleur estava ofegante e existia uma camada de suor brilhando em sua pele, os olhos azuis entregaram a curiosidade e, de certa forma, a dúvida que pareciam coexistir dentro da confusão em que Fleur se encontrava.

Eram em momentos como aquele que Hermione achava as mulheres ainda mais bonitas. Fleur já era linda rotineiramente, mas naquele momento, a morena deixou-se levar ainda mais pela beleza de aspecto selvagem que se fazia presente na loira. O desejo, a ânsia e a fome tornavam Fleur ainda mais atraente. E por mais que o desejo de Hermione a impulsionasse, ela manteve-se firme.

A advogada libertou as mãos de Fleur e a viu fechar os olhos, respirando com dificuldade. Hermione limpou a testa da loira, afastou os cabelos suados do pescoço colocando-os sobre o ombro esquerdo de Fleur, depois, beijou o pescoço dela de forma delicada, sentiu a pele pálida tremer em seus lábios.

A sensibilidade de Fleur estava além do normal, não seria mentira dizer que ela estava à flor da pele.

Hermione retomou o controle de seu cérebro e pode escutar as vozes alteradas vindas do lado de fora. Levantou-se do colo de Fleur e a puxou pela mão, as duas caminharam através da sala com a francesa esbarrando em algumas coisas e provocando discretos sorrisos em Hermione. A morena reconhecia aquela incapacidade de se locomover com pernas bambas. Hermione apanhou os casacos das duas e elas foram em direção aos fundos do chalé. Chegaram à cozinha no exato momento em que a porta da frente se abria.

– Com certeza, é o Harry e pelos sons, ele não está sozinho e, muito menos, sóbrio. — Hermione anunciou séria, colocando o casaco sobre os ombros de Fleur que parecia ainda estar extremamente fora de órbita. — Eu acho que nenhuma de nós quer que ele nos veja nesse estado, não é?

Hermione evitava olhar para Fleur por muito tempo, concentrando-se em abotoar os botões do sobretudo da loira, pois as imagens do que as duas faziam antes da interrupção tomavam seus pensamentos e ruborizavam suas bochechas. A morena deu às costas a Fleur e passou a vestir sua jaqueta quando Harry, trôpego, invadiu a cozinha, acompanhado de um Rony Weasley tão alterado quanto ele.

Os dois rapazes ébrios olharam para as duas com expressões vazias e sorrisos soltos, Hermione abriu o melhor de seus falsos sorrisos e, educadamente, perguntou:

– A noite foi boa, Harry?

– A noite está sendo boa e está longe de acabar, Mione! — Harry exclamou animado, atravessando a cozinha aos tropeções e quase caindo em cima de Fleur, que estava próxima à geladeira. Hermione a socorreu, puxando-a para seu lado enquanto era observada atentamente pelo olhar bêbado de Rony. — Eu e Rony viemos apenas pegar meu dinheiro, vamos voltar ao pub. Querem nos acompanhar?

Hermione engoliu em seco, procurando a melhor forma de responder à pergunta de Harry. Ela podia ver que o amigo não estava bem e que o que ele não precisava era de acordar no banco da praça de Ottery St. Catchpole após uma noite de bebedeira. Olhou dele para Fleur, a francesa tinha uma esperança desconhecida no olhar e ela, finalmente, retomara a postura elegante e segura de si que já lhe era conhecida. Hermione gaguejou uma resposta, mas foi Fleur quem abriu um sorriso brilhante e disse:

– Na verdade, Harry... Eu vim buscar Hermione para jantar comigo, Bill está ocupado com o balanço das finanças do dinner e eu detesto cozinhar e jantar sem companhia.

– Eu adoraria jantar com vocês duas. — Rony murmurou desejoso, olhando de uma para a outra com o olhar ganancioso. Hermione sufocou uma risada e Fleur revirou os olhos, cruzando os braços, a expressão transformando-se em desagrado. O discreto rubor róseo ainda estava presente nas bochechas alvas da francesa e quando os olhares de ambas se cruzaram, Fleur acenou para ela, com a expressão indecifrável, mas o olhar sereno. Hermione engoliu em seco e observou Harry socar Rony nos ombros e, com o máximo de compreensão que a sua embriaguez permitia, responder:

– Não estamos a fim de comer hoje, meninas... Obrigada pelo convite e bom jantar a vocês!

– Boa noite aos dois. — Hermione desejou aliviada, enquanto observava os dois caminharem aos tropeços pelo corredor até a porta de entrada. Harry teve dificuldades com o tapete do hall de entrada e Hermione foi socorrê-lo, sentindo os olhos azuis de Fleur em suas costas. Já no portal, a morena segurou Harry pelo braço e olhou severa para ele, deixando que sua repreensão se manifestasse. — Eu não vou dormir enquanto você não chegar, sabe disso. Portanto, ao menos, chegue inteiro.

– Não se preocupe comigo, aproveite a sua noite! — Harry murmurou risonho, dando uma piscadela cheia de significados, antes de correr para encontrar Rony na Orla. Hermione observou os dois com a expressão preocupada que, diante do caminhar trôpego de Harry, logo transformou em um sorriso leve nos lábios.

A morena escutou passos lentos e arrastados atrás de si para, em seguida, sentir as mãos de Fleur deslizarem pelas suas costas e os braços longos envolverem a sua cintura, o corpo da francesa colidiu delicadamente com o seu e ela murmurou em seu ouvido, a voz brincalhona:

– Apesar de você não merecer, acho que vou cozinhar aquele Bouillabasse para você.

Hermione riu envergonhada e foi empurrada com delicadeza para fora, Fleur apanhou as chaves do bolso de seu casaco e trancou a porta do chalé. A francesa ofereceu-lhe o braço e Hermione imediatamente enganchou-se nele, as duas trocaram um olhar caloroso antes de caminharem juntas para a Orla.

# # # # #

O pub estava barulhento, Harry conseguia escutar as conversas altas que tentavam sobrepor à música dos Beatles que tocava ao fundo. Tinha um sorriso nos lábios, mas sabia que aquela suposta alegria que estava sentindo era mais fruto da bebida que pulsava em sua corrente sanguínea do que uma suposta melhora emocional em relação à Gina.

Harry estava, literalmente, afogando as mágoas e deixando-se levar pela inebriante felicidade provocada pelo álcool.

Porém, ele não queria pensar muito naquilo, não naquele momento. Rony salvara seu dia ao chamá-lo para assistir ao jogo, ao menos, ele conseguira se distrair e conhecer gente nova, desligando-se de sua bagunça emocional e conectando-se à realidade... Então, quando Rony propôs que eles esticassem o dia e a noite em um pub, ele não deixara de acertar. Agora, os dois estavam apoiados no balcão do pub, acompanhados pelos irmãos gêmeos de Rony, os quatro conversavam animados a respeito do jogo enquanto observavam, discretamente, as mulheres que passavam por eles.

– Eu ainda não sei o que aquele cara faz no Chelsea. — Fred ou George, Harry ainda não sabia diferenciá-los, disse frustrado após beber um gole de sua cerveja e acompanhar uma garota com os olhos. O outro gêmeo concordou com ele, erguendo o copo para que os dois brindassem. Harry prestou atenção na conversa. — Ele simplesmente recuou o time todo depois do primeiro gol. Como se um gol fosse uma grande diferença no placar. Mereceu a virada do Arsenal!

– Acho que ele queria atrair o Arsenal para cima e tentar matar o jogo no contra ataque. — Rony observou o mais racional que a sua embriaguez podia permitir, os olhos azuis dele estavam desfocados. Harry não concordou com o que ele dissera, mas permaneceu calado, bebericando sua cerveja. O outro gêmeo bateu rudemente na madeira do bar e esbravejou:

– Para de ser burro, Rony! Ele não queria atrair o Arsenal para cima, ele recuou porque é um corno covarde!

– Ahm, na realidade, eu acho que ele recuou por necessidade. — Harry se meteu na conversa porque parecia que Rony e o irmão iam começar uma briga a qualquer momento. Os três ruivos olharam surpresos para ele, Harry encolheu os ombros. — Pelo que eu entendo sobre futebol, parecia que o técnico do Chelsea sabia que era inferior ao Arsenal. Logo, ele preferiu a opção mais racional e resolveu recuar. Ele não foi burro, mas sim, foi covarde.

– Você é a primeira pessoa que eu conheço que fica extremamente sábio depois de boas doses de cerveja. — Rony comentou em tom jocoso, arrancando risadas de todos. Harry tomou mais um gole de sua cerveja enquanto sentia que estava sendo observado, atentamente, pelos gêmeos, os dois se cutucaram e um deles perguntou curioso:

– Como você disse que era o seu sobrenome mesmo, Harry?

– Eu não disse, mas o sobrenome é Potter. — Harry respondeu confuso, tentando entender onde os gêmeos queriam chegar com aquela conversa, mas a bebida em seu cérebro estava tornando tudo mais difícil de ser compreendido. Os gêmeos arregalaram os olhos e olharam um para o outro antes de perguntarem juntos:

– Você é o Harry Potter de Cambridge? O meia atacante eleito três vezes melhor jogador da Liga Universitária?

Harry sentiu as bochechas esquentarem diante da menção a sua carreira de sucesso no futebol universitário, ele apenas acenou com a cabeça e encolheu-se em seu banco. Os dois gêmeos comemoraram animados e Rony olhou chocado para ele, antes de esmurrar-lhe o ombro e perguntar indignado:

– Por que você não me disse que foi um jogador de futebol?

– Porque isso já faz algum tempo e não importa tanto assim. — Harry respondeu entre risos enquanto os gêmeos jogavam amendoins nele. O jovem sabia que ficara conhecido pelos seus títulos em campeonatos universitários, mas nunca se importara muito com isso. Era apaixonado por futebol, mas amava a advocacia e não a trocaria por nada. Fred parou de jogar os amendoins na boca e disse entre risos:

– Rony é meio que seu fã.

– Nós todos éramos seus fãs e realmente não entendemos quando você não continuou a jogar. — Rony respondeu irritado, olhando furioso para os irmãos que apenas riram, as orelhas dele estavam vermelhas. Harry terminou sua cerveja e acenou para o barman lhe trazer mais uma antes de responder:

– Por mais que eu gostasse de futebol, eu precisava de estabilidade. Terminei o meu último campeonato universitário sem nenhum contrato ou proposta, resolvi seguir a carreira na advocacia.

– Mas você jogava muito, Potter! — George exclamou indignado e Harry apenas acenou com a cabeça, agradecendo. Rony estava prestes a lhe falar algo quando os olhos de Fred pararam na porta de entrada do pub, o ruivo apertou os punhos sobre a madeira do bar enquanto olhava fixamente para aquela região. Harry, que estava de costas para a porta, virou o corpo à procura do que mudara tão bruscamente o humor de Fred. E encontrou justamente o que não queria ver.

Gina Weasley acabara de entrar no pub e estava de mãos dadas com um rapaz. Ele era alto, tinha um porte relativamente atlético, cabelos escuros e uma expressão naturalmente arrogante. Harry semicerrou os olhos, procurando visualizá-los melhor, mas a sua miopia, aliada à quantia de álcool que ingerira, o deixavam quase que cego. Tão rápido quanto se virara para a entrada do pub, Harry voltou-se para os quatro e, fingindo-se de desentendido, perguntou:

– Os cabelos ruivos não enganam, aquela é a irmã de vocês?

– Não se faça de idiota, Potter. — Fred resmungou irritado, olhando para Harry com uma expressão de desagrado, a mesma que estava no rosto de George. Harry arregalou os olhos para a fúria incontida do gêmeo ruivo e olhou para Rony que bufou e desinteressado, disse:

– Gina e o idiota do Michael Corner. Realmente, nossa irmã precisa começar a trabalhar melhor em seus planos de vingança.

– Na realidade, nossa irmã precisa parar de ser tão mimada e infantil. Ela não pode sair com qualquer um só porque teve uma decepção amorosa, a fama dela não anda das melhores... — George acrescentou entediado antes de beber um longo gole de sua cerveja. Harry olhou para seu corpo de cerveja, sentindo-se melancólico e desanimado. Não era possível que fosse tão azarado a ponto de encontrar justamente quem ele não queria ver. O jovem advogado olhou para Rony, um pedido silencioso de socorro brilhava em seus olhos verdes. O ruivo deu uma piscadela para ele e continuou a beber sua cerveja tranquilamente.

Fred revirou os olhos para Gina e Michael que se beijavam e voltou a olhar para Rony e Harry no exato momento em que seu irmão mais novo dava um soco de apoio no ombro direito do moreno. Fred cutucou George e apontou desengonçado para os dois, os gêmeos trocaram um olhar de compreensão e George acrescentou:

– A propósito, Potter... Por mais que você tenha sido um idiota por não contar para nós que estava traçando nossa irmã, você ainda é melhor que o Corner.

Harry engasgou-se com um gole de sua cerveja e tossiu furiosamente, Rony começou a bater nas costas dele de forma desajeitada, tentando ajudar. Os gêmeos riram alto, atraindo a atenção de boa parte do bar para eles, inclusive, da própria Gina. O moreno recuperou o fôlego e tinha os olhos vermelhos pelo esforço, ele respirou fundo e disse:

– Desculpe, eu achei que vocês não gostariam de saber. Rony só está por dentro de tudo porque acabou tropeçando em toda essa confusão.

– Agora, realmente estamos ofendidos! Roniquinho sabe e nós não, isso é uma afronta a nossa inteligência comprovadamente superior! — Fred exclamou em tom jocoso, arrancando risos de George, um sorriso de lado de Harry e uma careta indignada de Rony. Harry olhou por cima dos ombros e seus olhos verdes cruzaram com os olhos castanhos de Gina, ele procurou ignorá-la e voltou para seus recentes amigos.

Dois podiam jogar aquele jogo que ela começou.

– Mas falando sério, Harry... Eu dou todo o meu apoio para que você vá até lá e espanque a cara de almofadinha do Michael! — George sugeriu com um sorriso maldoso e um olhar tão sério que não dava espaço para que essa fala fosse interpretada como brincadeira. Harry arregalou os olhos para ele, surpreso com a sugestão, mas permaneceu estático. Não era dado à violência.

O advogado virou em torno de seu próprio eixo e encontrou Gina beijando Michael. O aperto em seu peito o incomodou e a sua mente embriagada estava sugerindo-lhe coisas perigosas a serem feitas contra seu rival, entretanto, Harry lembrou-se que prometera voltar sã e salvo para o chalé.

Gina podia até não merecer a sua consideração, mas Hermione, a sua melhor amiga, merecia.

Por isso, o moreno desviou os olhos do casal que, agora, protagonizava uma cena clichê que incluía sorrisos e beijinhos roubados. Seus olhos verdes estavam pesados e ele carregava a mágoa dentro deles, observou as pessoas do pub até que seus olhos encontraram uma jovem oriental. Ela sorriu quando ele a encarou para, em seguida, abaixar a cabeça, corada. Harry chacoalhou a cabeça, confuso e sentiu Rony abraçá-lo pelos ombros e sussurrar em meio à música alta:

– Vai fundo, cara! Cho é linda e Gina é ciumenta. Sua noite vai terminar bem de qualquer forma, com qualquer uma das duas.

Harry olhou mais uma vez para Gina que continuava beijando Michael antes de virar o que restava de sua cerveja garganta abaixo e, sob aplausos de Rony e dos gêmeos, caminhar em direção à garota oriental, do outro lado do pub.

# # # # #

Hermione observava Fleur trabalhar no fogão. A francesa tinha os cabelos presos em um rabo de cavalo, as mangas da camisa arregaçadas até a altura dos cotovelos e um simples avental amarrado à cintura. Enquanto ela abria e fechava as panelas, misturava temperos e sentia o aroma do que fazia, uma melodia doce e clássica era sussurrada pelos seus lábios fechados. Ela tinha um sorriso nos lábios, muito semelhante ao que Hermione tinha.

A morena, de braços cruzados e com as costas apoiada em uma das mesas de metal próximas ao fogão, não conseguia tirar os olhos da francesa. Seus olhos castanhos acompanhavam cada movimento da outra, a astúcia brilhava em seus orbes, mas tudo que Hermione queria era observar aquela mulher, sem dar tempo algum para que sua razão se manifestasse.

Aquela mulher insistente que entrara na sua vida tirando tudo do lugar com sua teimosia e seu orgulho e que, agora, inexplicavelmente, colocava tudo no lugar e começava a erguer algo que Hermione achava ter derrubado há muitos meses.

Fleur era a mulher mais bonita que Hermione já tivera o prazer de conhecer e, também, era a mais instigante e curiosa. A morena, dotada de uma sede de conhecimento e curiosidade pelo novo, estava louca para desvendá-la por completo. E observá-la, em seu próprio meio, era um começo. A paixão de Fleur pela culinária estava em cada movimento que ela executava para confeccionar aquele prato. Hermione conseguia sentir o amor dela pela gastronomia ocupar e transbordar dentro daquela cozinha. E esse amor tornava Fleur ainda mais atraente.

– Você precisa olhar para mim desse jeito? — Fleur perguntou com o tom de voz baixo e, para a surpresa de Hermione, tímido. As bochechas da francesa estavam rosadas quando ela ergueu o rosto das panelas e olhou para Hermione que apenas deu de ombros, sorrindo de lado. Fleur revirou os olhos e apanhou um pouco de sal, despejando em uma das panelas. — Seria muito mais produtivo se você conversasse comigo e não me observasse o tempo todo.

– Eu não sei se já lhe disseram isso, mas você fica irresistível enquanto cozinha, Miss Delacour. — Hermione sussurrou em tom de flerte, provocando um sorriso ainda maior em Fleur. A francesa mexeu o conteúdo da panela com uma colher de pau antes de deixá-la de lado, virando-se para Hermione. Fleur secou as mãos em um pano de prato e aproximou-se da morena que, imediatamente, envolveu sua cintura delicadamente, espalmando a base de suas costas. Fleur tremeu, ajeitou algumas mechas castanhas e apoiou os braços nos ombros de Hermione, olhou nos olhos da morena e respondeu:

– Não ouse flertar comigo na minha cozinha, mademoiselle Granger, ou...

– Ou...? — Hermione repetiu com a voz rouca, roubando um selinho longo de Fleur, a loira envolveu as mãos nos cabelos castanhos e retribuiu o beijo, mordiscando os lábios da outra assim que terminaram. Fleur sorriu ainda com a boca colada a dela e disse:

– Ou nenhuma de nós vai comer enquanto estivermos juntas, nesse local.

Antes que Hermione pudesse fazer qualquer movimento, Fleur afastara-se dela com as bochechas coradas e já lavava as mãos. A morena ficou um tanto quanto estática e sequer percebeu o que Fleur fazia, até que um prato foi colocado em suas mãos. O aroma estava irresistível, Fleur já provara e mastigava enquanto a observava, ansiosa.

Hermione apressou-se em provar e, assim que o ensopado tocou o seu paladar, ela teve que fechar os olhos e desconfiava que, pelo sorriso de Fleur, até gemera diante da delícia do prato. Os frutos do mar brincavam em seu paladar, banhados pelo azeite, temperados pelo alho e aromatizado pelas ervas... A morena já experimentara o Bouillabaisse diversas vezes, mas não se lembrava de ter experimentado um tão delicioso. Hermione engoliu os primeiros pedaços de peixes imersos em caldo rosé e, com a expressão falsamente indignada, interrogou:

– Tem algo que você não saiba cozinhar?

– Acho que só não sei aquilo que ainda não tentei. — Fleur respondeu charmosa, antes de comer mais uma colherada de seu prato e deixá-lo sobre a mesa de metal. A francesa apanhou duas taças de vidro no armário e desapareceu no salão do dinner, voltando minutos depois com uma garrafa de vinho. Hermione arregalou os olhos para ela e Fleur riu. — Eu não sou alcoólatra, chérie. Mas eu me recuso a degustar o Bouillabaisse sem um bom vinho rosé de Provença.

– Acredito que, se eu conviver mais algum tempo com você, vou acabar ficando gorda e bêbada. — Hermione comentou brincalhona, a risada musical de Fleur tornou a ecoar na cozinha. A francesa abriu a garrafa com agilidade e serviu as duas taças, entregando uma para Hermione, ela bebeu um gole da própria taça e apanhou o próprio prato. Deixou a taça em cima da pia, escorando-se nela para comer, Hermione estava em frente a ela, encostada na mesa de metal. Fleur deu mais uma colherada no prato e disse brincalhona:

– Impossível... Eu prometo cuidar para que você não engorde e nem beba demais.

Hermione corou quando aquelas simples palavras de Fleur chegaram aos seus ouvidos, os olhos azuis da francesa estavam, mais uma vez, desarmando-a. A morena voltou a olhar para o próprio prato e passou os próximos minutos em silêncio, apenas degustando o vinho e a refeição. Fleur, refém de suas emoções, também preferiu ficar calada e o silêncio entre elas não pesou, aliás, ele era cheio de sorrisos e suspiros inocentes que vinham delas.

As duas terminaram suas refeições e a garrafa de vinho. Hermione sentia-se sonolenta, mas sabia que não era por causa da bebida, pelo menos, não daquela vez. Fleur adiantava-se para lavar a louça quando Hermione a interceptou-a com um toque delicado na cintura, a francesa sentiu os pratos serem tirados de suas mãos e Hermione sorriu para ela antes de ir até a pia.

Fleur sorriu de volta. Ela não sabia que alguns minutos de silêncio pudessem representar tanta coisa.

– Você não precisa caminhar até minha casa, eu posso ligar para o Bill vir me acompanhar... — Fleur insistiu pela quarta vez enquanto trancava a porta da frente do restaurante, escutou Hermione bufar as suas costas e virou-se para encontrá-la emburrada. A morena revirou os olhos e disse teimosa:

– Você acabou de cozinhar para mim, isso é o mínimo que eu posso fazer como agradecimento.

– Eu cozinho por prazer, Hermione... Não foi nenhum esforço, considere mais como um presente. — Fleur insistiu gentil, já iniciando a sua caminhada pelas ruas estreitas de Ottery St. Catchpole. Alguns turistas que esticaram a estadia na cidade passaram por elas, nem Fleur e muito menos Hermione pareciam incomodadas com eles. Hermione apressou o passo e alcançou Fleur na esquina, segurou-a pelo braço e sob a iluminação laranjada e frágil de um poste, resmungou:

– Por favor, Fleur... Não vai ser problema algum passar mais algum tempo com você. Na verdade, eu estou insistindo porque quero mais alguns minutos do seu tempo.

Fleur, tocada pelas palavras, inconscientemente, ergueu a mão e acariciou a bochecha de Hermione. Antes de se casar com Bill, estava acostumada aos flertes e seduções, sua beleza era um artifício que raramente passava despercebido. Porém, ela não estava acostumada com a sutileza e a delicadeza que Hermione dedicava a ela, tampouco, com a ferocidade e com a sensualidade que ela também lhe oferecia.

Era tudo muito novo e ela queria conhecer o que aquela mulher podia entregar a ela. Junto dela, Fleur sentia que estava muito além de sua beleza. Hermione a enfrentava, a escutava e, principalmente, a queria. E parecia querê-la intensamente, carnal ou não, Fleur sentia-se desejada. A francesa tinha uma expressão neutra, mas seus olhos, iluminados pela luz do lampião, brilhavam sentimentos e emoções que eram refletidas nos olhos castanhos de Hermione. A morena olhou para os dois lados da rua e constatando que as duas estavam sozinhas na noite, roubou um beijo. Fleur riu com os lábios sobre os dela e a beijou várias vezes, até que as duas decidiram se afastar e caminharem.

Entretanto, o braço de Hermione naturalmente envolveu a cintura de Fleur e as duas continuaram o trajeto em silêncio. Lá pela metade do caminho, Fleur sentiu as pontas dos dedos de Hermione acariciarem sua cintura em um freqüência ritmada pelo caminhar delas. E, permitindo-se transpor uma barreira de contato físico, Fleur abraçou os ombros da morena e a sentiu abrigar-se em seu pescoço.

A francesa sentia-se leve e, pelo menos daquela vez, o vinho nada tinha a ver com isso. Estava mais sóbria do que nunca, mais feliz do que nunca... E ela nem sabia por que. Hermione era diferente de tudo que ela desejara para si e, contudo, parecia que era exatamente o certo para aquele momento que ela passava. Se antes, Fleur acreditava que tinha perdido tudo que conquistara na Inglaterra, agora... Ela parecia estar reencontrando suas razões quando, de forma estranha e inusitada, se entregava as suas emoções.

Viraram mais uma esquina e Fleur observou o portão de madeira de sua casa. A janela da sala tinha as luzes acesas e ela não encontrou a bicicleta de Cedric em lugar algum. A francesa virou-se para Hermione e, corada e ofegante, disse:

– Muito obrigada por hoje.

– Eu que agradeço e peço desculpas por qualquer coisa... — Pelo tom avermelhado do rosto de Hermione, Fleur sabia que ela se referia ao que tinha acontecido entre elas no chalé. Ao relembrar as cenas, a francesa sentiu o calor imediatamente crescer abaixo de sua cintura. Fleur respirou fundo e agitou a cabeça e ainda envergonhada, acenou de forma desengonçada e adiantou-se para abrir o portão.

Quando terminara de abri-lo, mais uma vez naquele dia, a mão de Hermione tocou sua cintura. Fleur virou-se lentamente e seus lábios, imediatamente, foram envolvidos pelo de Hermione. Aquele beijo, diferentemente dos outros trocados em que Fleur sentia que algo, mais especificamente, sua racionalidade, lhe era tirado... Este lhe entregava algo.

Algo que Fleur não conseguia nomear.

Hermione afastou-se lentamente e encostou a testa a de Fleur. Ela respirou fundo e, com um sorriso, comentou risonha:

– Eu precisava lhe dar um beijo de boa noite.

Fleur mordeu o lábio inferior e afastou-se, um sorriso enorme brincava em seus lábios quando ela entrou no quintal da casa e desejou radiante:

Bonne nuit!

Hermione observou Fleur caminhar rapidamente pelo quintal, enquanto sentia os ventos do litoral castigarem suas costas. Quando Fleur desapareceu na escuridão da varanda, Hermione deu às costas a casa e passou a caminhar em direção a orla, caminhava de cabeça baixa, mas existia um sorriso em seus lábios.

Em um dia entendera perfeitamente que não deveria fazer planos quando se tratava de Fleur Delacour. Aquela mulher era tão inesperada quanto era bonita. Hermione seguira o conselho de Harry e estava permitindo-se entregar a algo que negara a si há muito tempo... E parecia certo, parecia correto.

Hermione passara tanto tempo fazendo o errado que aquela constatação a fez parar no meio da rua e respirar fundo.

Fleur, de forma inesperada e descontrolada, parecia ser a primeira mulher certa em sua vida depois de muito tempo.

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Notas finais
O final desse capítulo tem uma influência quase que gritante da música "Photograph" do Ed Sheeran, me desculpe Hahahahaha O que acharam desses momentos entre as duas? E eu acredito que todos estejam odiando a Gina, certo? Espero por comentários, muito obrigada a quem comenta e dá o feedback. Até a próxima, FerRedfield