La Jaconde
4 4 - Dama em negro
Notas iniciais
As palavras do misterioso homem faziam com que Mona despertasse de seu sono, como se alguém a tivesse tirado de um transe.
-O que? – Perguntava a frágil garota, sentando-se sobre a grama recoberta pelo orvalho da manhã, sem ao menos espantar-se com a presença do homem à sua frente. – O que faço aqui?
- Há dias atrás, a morte do ilustre Dr. Alonzo... hoje descobriram seu corpo pendurado à sua janela. O branco então, torna-se negro. Logo, estará ciente disto, o quanto antes, melhor, jovem dama.
Após dizer tais palavras, o homem se levantava e partia, deixando por sobre o rio, um pequeno retalho de pura seda, num branco de aparência pura. Mona tomava o lenço molhado em mãos, repetindo a frase à fim de compreendê-la, sem sucesso.
-O branco então, torna-se negro.
...
Ao entardecer, um belíssimo jovem de cabelos negros e pele alva andava pela vila, um recém-chegado, “carne fresca” diziam aquelas senhoras que não poupavam os sussurros por sobre este mesmo rapaz, que parecia não notar ninguém mais à sua frente, à não ser Mona, que estava à caminhar trajando seu longo vestido negro.
O rapaz chamava-se Namazio, era um antigo morador da vila, que havia partido ao ter seus pais mortos por um incêndio quando pequeno; A única lembrança que carregava consigo sobre tal noite, era uma cicatriz na lateral direita de seu rosto, a qual constantemente chamava a atenção dos que a viam.
Namazio fitava Mona por um longo tempo, parado a uma significante distância da moça, pigarreando para chamar sua atenção.
- Olá.
A troca de olhares foi demasiadamente demorada, Mona tão parecia presa nos olhos azuis como cristal de Namazio, quanto este mesmo parecia fascinado pelos olhos escuros como a noite da garota à sua frente. Após algum tempo, Mona resolvia quebrar o silêncio tão constrangedor.
-Em... Que posso ajudar-lhe?
- Gostaria de saber onde se localiza a biblioteca desta cidade... Há tempos não volto à este lugar, já esqueci-me de praticamente tudo.
Tudo aquilo era dito pelo rapaz, que tinha um sorriso doce e gentil no rosto, Namazio não tinha intenções algumas por sobre Mona, porém, a Dama em branco já não era mais tão inocente.
...
Por entre as estantes da biblioteca, beijos “apaixonados” e carícias eram trocados por entre o belo rapaz e a misteriosa moça, enquanto, por entre as sessões escondidas e escuras, estava aquele que tudo via, aquele que tudo sabia; O misterioso homem em negro, fitava o casal com o típico sorriso macabro em face, dizendo para si mesmo, as palavras que lhe resumiam a consumação da paixão e desejo de tais jovens.
-E o branco se torna negro. E este é... O terceiro pecado.
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