La Jaconde
3 3 - Primeiro culpado
Notas iniciais
Semanas haviam se passado dês de a morte do jovem Giovanni, o homem sem face havia sumido repentinamente, como fumaça ao ser tomada pela brisa, fazendo com que todos os moradores da vila se perguntassem constantemente o que havia ocorrido com tal misterioso homem.
Enquanto os questionamentos se passavam pela cabeça dos demais moradores, Dr. Alonzo tinha aquela única palavra em mente “Assassinato”. O médico sentia-se culpado, tremia por demasiado, suava frio, já não saía de sua enorme residência há três dias, o homem rechonchudo perdia-se em seus pensamentos, na imagem do rapaz dos cabelos de fogo morto, de sua pele fria e seu corpo inerte.
Eram exatamente duas horas e meia da madrugada, quando Dr. Alonzo levantou-se de sua cama e caminhou, como um morto-vivo até seu banheiro, ligando sua torneira e deixando a água gelada escorrer da torneira dourada da pia a enchendo, enquanto fitava seu espelho, sua face gorda e pálida, suas olheiras; marcas de noites mal-dormidas. Sua expressão mudara completamente ao ouvir voz tão conhecida, uma risada que o fazia apertar aqueles seus dedos que mais pareciam salsichas gordas, na pia.
-Sabes o que deve fazer, Doutor... sabes que é o maior culpado por tudo isto, sabes que não é merecedor de ter o coração pulsante e os pulmões repletos de ar.
-Mas o quê...
-Shhh...quem se pronuncia sou eu, apenas eu. Deixe sua insanidade conduzi-lo, afinal, não seria justo uma única exceção neste mundo de insanos.
Como se houvesse sofrido uma hipnose, o médico deixava o banheiro, vestindo-se formalmente e posicionando, em seguida, uma de suas poltronas aveludadas de seu quarto próximo à janela deste mesmo cômodo , amarrando no varão de suas cortinas uma espessa corda, uma das pontas seguraria seu corpo, a outra, selaria seu destino... Estava feito.
...
Dias depois, o famoso doutor fora encontrado, o estado de putrefação de seu corpo era avançado. Coincidência ou não, neste mesmo dia, o homem sem face foi visto pela primeira vez após semanas caminhando pelas ruas da vila, seu destino, não era a multidão espantada que se encontrava em frente à casa de Alonzo, mas sim, a pequena casa onde vivia Mona. Sem rodeios desnecessários, o homem adentrava a casa da inocente moça, que encontrava-se em sono profundo, tomando-a nos braços e a levando até a margem do rio, o rio onde Mona havia presenciado seu primeiro pecado.
-Não é merecedor de ter o coração pulsante e os pulmões repletos de ar... – Dizia tal homem -... Não seja a única exceção neste mundo de insanos.
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