La Extranjera
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Notas iniciais
–Porque..?- perguntei novamente, impaciente.
–P-porque...você é só uma garotinha indefesa -resmungou,olhando para a parede atras de mim -e George me pediu pra ficar de olho em você..só pelo George -concluiu.
–Ah..serio? indefesa? mas,não precisa se preocupar porque eu sei cuidar muito bem de mim,Agora você pode voltar a atropelar garotas ''indefesas'' por ai e me deixar em paz? -disse cínica,frisando a palavra indefesa ao falar.
–Não, eu não vou te deixar..p-por-porque..ah..George.-tentou argumentar meio inseguro- Alias,se eu não tivesse te ''atropelado'' aquele dia quem iria te defender,donzela?- perguntou olhando a cicatriz em meu braço.
Me aproximei dele e fiquei na ponta dos pés até alcançar sua orelha.
–Eu não preciso de você.. -sussurrei,provocando-o.
–Não mesmo..? -disse me empurrando contra a parede e me apertando contra si com um sorriso torto,como fez o tal do Vinícius a alguns minutos — Prove — desafiou,olhando para...a minha boca? hã..?
Eu não queria fazer isso,mas..ele que pediu,certo?
Aproximei meu rosto do seu;o bastante para perceber algumas sardas em seu rosto,oque estranhamente realçava o tom verde de seus olhos. segurando seus ombros pude sentir o magnetismo que me atraia para ele e como nossos corpos...
OQUE? PARA DE PENSAR BESTEIRA,CRISTINA!
Dios mio..
Saindo do meu transe momentâneo dei uma linda joelhada em suas partes baixas. como resultado o ruivo se afastou de mim instantaneamente e pousou as mãos no local atingido.
–Meus filhos... — pode ouvir ele grunhir enquanto demonstrava a mais avançada respiração de mulheres que estão dando a luz.
–Quanto drama...sua sorte é que eu tive que cancelar as aulas de box antes de me mudar. — disse pegando a minha bolça que estava misteriosamente largada no meio da calçada.
–Quanta sorte a minha..-ironizou em um grunhido-porque você fez isso? -perguntou me olhando de uma forma estranha.
–Eu só provei que não preciso de uma babá — argumentei cruzando os braços -você pensou que eu ia fazer oque..? -perguntei levantando uma sobrancelha.
–Ah...nada -falou se recompondo-Uma coisa que eu descobri nesses três dias é que você é imprevisível. -concluiu dando uma olhada no meu rosto e desviando para os all stars.
–Tão imprevisível que duvido que você pudesse adivinhar que eu corro tanto..-disse com um sorriso traveso.
–Oque..?- me perguntou confuso.
Não respondi,apenas corri. Corri como se fosse livre. livre como nunca fui..
Passei algumas quadras desviando das pessoas a minha volta. eu provavelmente estou parecendo uma fugitiva da policia,mas eu não me importo. tenho certeza que se atingir a velocidade certa conseguirei voltar para a Espanha. para tudo. tudo que eu tive que me despedir, tudo que era meu.
–EI MORENA! você não corre tão rápido assim!-ouvi uma voz familiar.
Olhei para trás e encontrei lucas correndo atras de mim com um sorriso enorme no rosto. sorri instantaneamente acelerando o passo e desviando de um rapaz que era arrastado por vários cachorros presos por coleiras a sua frente. o ruivo assassino e eu corríamos como duas crianças desenfreadas,ou como gato e rato, melhor, como um touro e seu toureiro.
Faltando duas quadras para chegarmos ao nosso prédio lucas acabou atropelando uma mulher que estava saindo de um mercado e acabou parando para ajuda-la a recolher as compras que caíram no chão.sempre atropelando as pessoas..
Joguei um beijo para ele com uma das mãos em sinal de deboche -oque só fez ele sorrir mais- enquanto continuava e entrava na recepção do prédio.
O touro ganhou.
Passei pela recepção um pouco sem folego,balbuciando apenas um ''Boa tarde'' para o porteiro ao passar. apertei o botão do elevador costumeiramente umas sete vezes quando apareceu uma garotinha com uma fantasia de pirata ao meu lado. ela deve ter uns quatro ou cinco anos.
–Olha moça,meu dente caiu -a garotinha falou abrindo a mão a minha frente para que eu pudesse ver o dente ainda com um pouco de sangue.
–Que legal,você vai colocar ele no seu bau de pirata? -perguntei sorrindo enquanto entrava no elevador seguida pela garotinha.
–Claro que não,primeiro eu tenho que colocar ele debaixo do travesseiro, ai quando a fada do dente trazer meu dinheiro e coloco no bau -disse como se isso fosse obvio.
Quando as portas do elevador iam se fechar uma mulher apareceu adentrando as portas em um só movimento.
–Júlia! eu falei para você me esperar! -a mulher repreendeu a garotinha pirata,um pouco sem folego.
–Desculpa mamãe, eu mostrei meu dente que escapou para a moça que fala estranho -a menina disse indo para o colo da mãe e apontando para mim.
–Moça que fala estranho..? jujuba, já falei para você não falar assim das pessoas -a mulher falou dando um sorriso envergonhado para mim -desculpa pelo incomodo -ela disse arrumando a menina em seu colo.
–Tudo bem,talvez eu realmente fale estranho. mas,não é todo dia que se encontra uma pirata sem dente por ai. -brinquei,oque fez a mulher e a garotinha rirem.
Quando as portas do elevador se abriram e eu me dirigi para o meu apartamento a mulher do elevador me chamou.
–Você é a uma das enteadas do George que vieram da Espanha? — ela perguntou percebendo a coincidência sobre o meu sotaque,ou talvez porque eu tenha a chave do apartamento,aposto que foi pelo sotaque.
–Sim. — confirmei entendendo a minha mão -Cristina.
–Bem-vinda, George falou muito de vocês.. -ela disse entendendo uma das mãos para mim e segurando a menina com a outra -Eu sou a Letícia e essa pirata desdentada é a Júlia -se apresentou fazendo cocegas na menina ao falar seu nome.
–Tudo bem,eu vou indo..-disse destrancando a porta -prazer em conhece-las
Dona Letícia acenou para mim com a cabeça concordando e entrou em seu apartamento com a pequena Júlia em seu colo. antes de entrar em casa vi que elas entraram no mesmo apartamento em que entrei quando lucas fez meu curativo; fechei a porta atras de mim com um dos pés,um pouco perplexa.
–Como pode essas pessoas legais morarem junto com aquele psicopata idiota? -questionei ao vento,já que não tinha ninguém em casa.
Tenho certeza que se Lúcia estivesse aqui iria retrucar em resposta falando algo sobre ela ser maravilhosa e ter que morar comigo. Caminhei até meu quarto sem uma gota de animo,eu nem consegui comprar as tintas para pinta-lo;eu também não iria saber onde comprar. tirei meus all stars azuis com os pés,enquanto jogava minha bolça na cama e ia para o banheiro. Depois de tomar banho percebi que tinha esquecido de pegar minha toalha,quando ia gritar mi madre lembrei que noa tinha ninguém em casa.
Perra que hay mierda...
Sim,eu tive que sair do banheiro nua; corri até meu quarto e vesti uma blusa de manga longa e um shorts que por acaso era o consunto de um pijama velho que a blusa não me servia mais.
Fui até a cozinha procurar algo para comer e incrivelmente não achei nada que me interessa-se,um frango congelado no freezer, uma parte do armário só de temperos, decidi pegar o ultimo Iogurte grego que tinha na geladeira,acho que era da Lúcia.mas como ela me abandonou para sair com um garoto então acho ela não vai sentir falta de um iogurte. Tomei o iogurte sentada em uma parte da pia e olhando para os meus pés.
Oque eu poderia fazer sozinha nesse apartamento?
Opção A: Mexer nas coisas da Lúcia
Opção B: Arrumar meu quarto
Opção C: Ir para a sala e mexer em algum objeto eletrônico super caro do George
Opção D: Comer mais alguma coisa
Opção E: Dormir
Apesar da opção E ser muito tentadora,pois ainda não me acostumei com o fuso horário, decidir ir para a sala e fusar em alguma coisa. Achei o controle da televisão em cima da mesinha de centro, e comecei a passar os pelos canais, até que parei em um que passava clipes de musica.
Eu não consegui me controlar.
Loca (Loca) [Louca (louca)]
No te pongas bruto [Não seja bruto (louca)]
Loca [Louca]
Me levantei do sofá em um pulo e comecei a dançar ao ritmo de Shakira.
Que te la bebe' [Senão ela te engole]
Dance or Die (Loca) [Dance ou morra (louca)]
Ra-ta-ta
Parei de dançar de forma dramática,mas logo voltei a mexer os quadris.
El está por mi [Ele está afim de mim] 2x
Y por ti borró [E de ti esqueceu]
Y eso que tú tienes to' [Isso é porque você tem tudo]
Y yo ni un Kikí [E eu nem um nada]
Comecei a cantar de forma desafinada enquanto dançava pela sala de estar.
Ella se hace la bruta pa' cotizar [Ela se faz de bruta para se vangloriar]
Cinco minutitos de su saldo del celu contigo [Cinco minutos do seu saldo contigo]
Te cotorrea el oído pa' tenerte en alta [Te sussurra no ouvido para se valorizar]
Ella muere por ti pero por mi es que matas [Ela morre por você, mas é por mim que você mata]
A porta se abriu e Lúcia apareceu me encarando como se eu tivesse esquecido de tomar alguma remédio,mas eu não me importo.
Sigo tranquila como una paloma de e'quina [Continuo tranquila como uma pomba de esquina]
Mientras ella se pasa en su BM [Enquanto ela passa em sua BMW]
Mira Yo de aquí no me voy, se que está por mí [Olha, daqui eu não saio, sei que você é meu]
Y ninguna va poder quitármelo de un tirón [E ninguém vai poder tira-lo daqui]
Ainda dançando ao melhor estilo de Andaluzia vi Lucia arrancar sua botas e se juntar a mim.
Yo soy loca con mi tigre [Eu sou louca com meu tigre]
Loca, loca, loca [Louca, louca, louca]
Soy loca con mi tigre [Sou louca com o meu tigre]
Loca, loca, loca [Louca, louca, louca]
Soy loca con mi tigre [Sou louca com o meu tigre]
(Loca, loca, loca) [(Louca, louca, louca)]
Soy loca con mi tigre [Sou louca com o meu tigre]
(Loca, loca, loca) [(Louca, louca, louca)]
Agora juntas subimos no sofá e voltamos a dançar, cantando de forma desafinada e rindo.
El está por mi [Ele está afim de mim] 2x
Y por ti borró [E de ti esqueceu]
Y eso que tú tienes to' [Isso é porque você tem tudo]
Y yo ni un Kikí [E eu nem um nada]
Damos as mãos uma para a outra e pulamos no sofá como crianças ao ritmo da musica,pulamos até que ouvi um barulho,mas antes que pudesse falar para Lúcia que era melhor pararmos , o sofá despencou fazendo nos cairmos quase uma sobre a outra.
–Santa madre de los cielos! -ouvi Lúcia grunhir,com um dos pés na minha cara.
–Dance ou morra..- citei, tentando me levantar.
–estamos mortas.- ela disse olhando para o sofá.
Quando levantei minha cabeça para ver o estrago vi minha vida passar diante dos meus olhos,madre iria dançar flamenco em cima da nossa pele,quando visse isso. o sofá estava sem duas das suas pernas traseiras,oque fazia ele ficar tombado para traz.
–Como a gente vai consertar isso? -Lúcia perguntou se levantando, um pouco desesperada.
–Não sei,vou procurar os pés que faltam -disse me levantando e começando a procura-los -tenta achar alguma ferramenta, acho que é só colocar o parafuso no lugar e...
Batidas na porta me interromperam.
–Dios mio! eles chegaram! -minha clone exclamou ,andando de um lado para outro.
–Se eles tivesse chegado teriam aberto a porta com a chave não batido,né. -disse ainda a procura das pernas do sofá -vai abrir a porta! -falei fazendo a volta para a vida.
Ela se recompôs e foi abrir uma fresta da porta,como se nada tivesse acontecido.
–Vocês então bem? eu ouvi um baru..-Alguém disse,mas foi interrompido pela minha irmã maluca.
–Gustavo! você tem que ajudar a gente. -Lúcia disse o puxando para dentro do apartamento e fechando a porta logo em seguida.
–Oque aconteceu aqui? -ele perguntou franzindo o censo.
–Nada de mais,o sofá caiu. pode nos ajudar ou não? -perguntei achando uma das pernas.
–Claro,vou pegar umas ferramentas,já volto. -disse já saindo.
–Ah..ele não é um fofo?-Lúcia suspirou de forma exagerada.
–Hã? se você ta falando... -disse sem muito interesse — agora vem me ajudar a procurar a outra perna,ou não vai sobrar nada de você pra ficar com ele.
–tá,tá. para de ser tão mandona...-Lúcia resmungou.
Quando ia responde-la Gustavo voltou com as ferramentas e o ruivo psicopata.
–Não ia só pegar as ferramentas? tinha que trazer ele também?! -questionei mal-humorada,apontando para a cara de lucas.
–As ferramentas não minhas. e...-Lucas argumentou, mas o interrompi.
–Tanto faz...agora vem me ajudar a arrumar isso. -disse achando a outra perna e apontando para o móvel quebrado.
Gustavo e lucas viraram o sofá de forma que pudéssemos colocar as pernas de volta, o psicopata as colocou de volta com uma chave de fenda e voltaram o sofá para a posição original; até que ele foi útil..
–Conseguimos...-ouvi Gustavo balbuciar.
Ouvimos algumas vozes e o barulho da maçaneta.
Nos sentamos no sofá rapidamente como se nada tivesse acontecido e Lúcia pegou o controle da televisão.
–Oque vocês estão aprontando? -ouvi a voz da minha madre perguntar.
–Nada..-dissemos em uníssono.
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