La Doña del Rio
13 Capítulo 13
A primeira amiga que ela faz é Maria, da missão indígena. Ela é sua amiga mais antiga e mais verdadeira e Bárbara volta à missão mais por causa de Maria do que pelos indiozinhos. A primeira vez que ela voltou, Maria quase não acreditou. Ela chorou quando viu os remédios e roupas e comidas que Bárbara havia trazido (sua amiga missioneira chora por qualquer coisa). Ela é seu oposto e é a mais querida de seu coração.
Mas existem outros amigos espalhados pelo rio.
Nas semanas que passou na Araúca, cercada pelo Sapo de todas as maneiras, Bárbara percebera que estava demasiadamente só. Não queria se encontrar tão solitária em um momento de necessidade de novo, então tratou de cativar as pessoas. Não foi fácil, no início; Bárbara não tinha muito tato. Ela não sabia como fazer amigos. Mas com o tempo, suas habilidades sociais afloraram e ela percebeu que a menina Barbarita não estava tão esquecida quanto ela havia acreditado.
Na cidade de Pedro, há o seu Melquior, seu maior comprador e dono do bar onde Pedro trabalha. Ele é rabugento e desconfiado, mas sempre lhe dá uma bebida de graça (mas só um copo). De alguma maneira, ele a lembra de seu pai e isso deveria faze-la odiá-lo, mas apenas faz com que ela sinta carinho por ele. Bárbara nunca conseguiu odiar seu pai, verdade seja dita, mesmo quando ele tentou vende-la; mesmo anos depois quando ela percebeu que ele a teria vendido muito antes, se alguém tivesse oferecido o suficiente.
Paulina, é claro, é uma grande amiga. Ela é temperamental e atrevida e tem idade para ser sua filha, mas é a amiga constante de Bárbara. Sua companheira. Ela a lembra Marisela, em sua juventude e espontaneidade, e Bárbara sente um carinho enorme por ela por isso. Ela também gosta de Paulina porque ela é solitária e teve que crescer rápido demais, como Bárbara. Ela quer dar uma vida de verdade para Paulina, sem preocupações que ela não deveria ter. Ela é boa o suficiente, mas não muito. Bárbara não foi feita para ser mãe.
A maioria das cidades em que ela para, há rostos conhecidos, e mão que se estendem para cumprimenta-la, onde antes haveria cabeças abaixadas em respeito e medo. Alguns ela sabe apenas por nome, outros ela já foi as suas casas, já conversou, conheceu suas histórias (ela pegou algumas manias de Alex, apesar de não escrever essas histórias que ela ouve).
Ela não se abre com todos, entretanto. Apenas sua amiga missioneira, Paulina e seus homens tiveram a oportunidade de conhecer Bárbara Guaimarán, mesmo que apenas em partes. Para a maioria de seus amigos e conhecidos, ela é apenas Bárbara Guaimarán, a Dona do rio.
E está tudo bem. É quase como se ela fosse outra pessoa. E Bárbara gosta dessa nova pessoa.
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