La Doña del Rio
14 Capítulo 14
De todos eles, seu melhor amigo é Juan.
Na verdade, Juan é mais seu amigo do que qualquer outra coisa. Sim, as vezes eles dormem juntos, mas isso não significa nada.
Juan é comerciante, como ela, mas diferente de Bárbara, ele trabalha com coisas mais... bem, ilícitas. Bárbara não pergunta o que, exatamente, ele contrabandeia, mas isso é um fato.
Ele é alegre e largado e há algo de absolutamente selvagem em Juan. Ele anda por aí com uma faca em seu quadril, sua camisa meio aberta e seus cabelos compridos bagunçados, fazendo a imagem perfeita de um pirata. Bárbara ri sempre que fala isso para ele, Juan dá um sorriso enigmático as vezes.
Ela passa mais tempo sem vê-lo do que qualquer um dos outros, até mesmo Alex. Juan está sempre viajando em seu Luzbel e, diferente dela, ele não se contenta com o rio, muitas vezes estando em mar aberto. Algumas vezes, ele fica preso em alguma cidade ou outra, o que atrasa ainda mais seus encontros.
Quando ele vai preso, Juan sempre a encontra com um sorriso aberto, quase beirando em uma risada. Ela ri, porque sabe o que aconteceu. Bárbara pergunta se ele nunca vai parar, pode entrar em uma situação séria qualquer dia desses. Nunca, ele garante.
Juan não anda com ela de mãos dadas, não a leva para jantar, eles não passam tempo no barco um do outro (muito menos em terra firme). Quando eles saem, é para beber e com os companheiros de barco de Juan (ela gosta de Segundo). Quando eles vão para o quarto um do outro, é selvagem e direto ao assunto. Não há tempo para carinhos e delicadezas, não há necessidade. Eles não são namorados, são apenas amigos com alguns ótimos benefícios.
Ele não tem pudores e constantemente a está convidando para pularem nus no rio. Ela aceita metade das vezes.
Juan é selvagem e tem um mau gênio, ele briga rápido e é facilmente irritado, mas ele respeita as mulheres e as estima. Ele repreende seus amigos se um deles falta com respeito com alguma das moças nos bares e quase sempre acerta um soco no imbecil que ousa falar errado com Paulina. Ou com ela.
Ele não a trata como uma mulherzinha, ele sabe perfeitamente do que ela capaz e que ela não precisa de sua proteção. Juan a vê como igual.
E eles são iguais de muitas maneiras.
Talvez por isso se deem tão bem.
Bárbara as vezes torce para encontrar com Juan, para que seu barco apareça no rio. Ela gosta de sair para beber com ele, gosta de sua companhia e suas histórias. Quando eles se encontram, ele sempre traz um presente para ela, normalmente bonito, brilhante e provavelmente roubado. Ele sempre traz algo para Paulina também e isso influencia bastante o entusiasmo da menina quando o vê após meses.
Bárbara gosta de sua companhia porque Juan é tão melancólico quanto ela. Eles saem e bebem e brincam, mas ambos carregam um peso nas costas que eles não dividem com ninguém, nem mesmo um com o outro. No fundo, Juan ainda é o menino bastardo que perdeu a mãe muito cedo e não teve lugar na família de seu pai, o menino que viveu na pobreza a maior parte da vida, sem receber amor.
Ele tem seus demônios, assim como Bárbara, apesar de que ela é melhor em esconder os seus. Ele diz não ter sobrenome e todos o conhecem como Juan Del Diablo.
— Juan Del Diablo e Doña Bárbara. – Ele diz, sorrindo com olhos melancólicos. – Somos uma boa dupla.
Bárbara sorri, tocando seu copo contra o dele, seus olhos provavelmente tão melancólicos quanto de seu companheiro.
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