Notas iniciais
Meu nome é Ariadna e eu sofro de um grave quadro de ansiedade e depressão, mas antes que eu comece a narrar os acontecimentos futuros, eu preciso contar como tudo começou.
Era manhã e eu havia acabado de retornar de uma licença de dois meses que eu havia tirado no trabalho. A rotina na Casa da Moeda era muito estressante. Eu tinha que lidar com toda estrutura organizacional de lá e qualquer descuido que eu tivesse poderia me gerar uma dívida de milhões de euros para reparar o dano causado. Tudo isso e a pressão que os meus superiores hierárquicos faziam sobre mim foram suficientes para me fazerem entrar em um colapso. Eu já não saía mais de casa e passava quase o tempo todo chorando, mas aí eu melhorei. Melhorei até eles chegarem...
Eram oito sujeitos mascarados e com armas que dava medo só de olhar. No início, eles foram violentos ao nos forçarem ficar ali enquanto eles anunciavam o assalto e tomavam tudo, mas o pior estava por vir. O pior estava naquele homem que era o líder deles, que atendia pelo nome de Berlim. Talvez ele fosse um nazista disfarçado, e o jeito calmo de falar e o olhar sereno me despertavam muito medo, era como se ele fosse atirar em mim sem eu ao menos esperar.
Não demorou para notarem que eu e mais algumas mulheres tínhamos sérios problemas de ansiedade e outros transtornos mentais, e então eles isolaram a gente. Talvez porque o nosso choro incomodasse ou talvez para nos executar primeiro caso fosse necessário.
Mas, todos os dias ele vinha. Ele nos olhava, falava coisas desagradáveis e se divertia com o nosso desespero. Era como um monstro dos filmes de terror que se alimentam do medo de suas vítimas, e por incrível que pareça eu era a mais forte do grupo. Eu, que vivia em casa chorando e em constante sofrimento. Eu conseguia acalmá-las até que ele começou a nos tirar da sala onde estávamos, uma a uma, e quem saísse, nunca mais voltava.
Ele havia nos contado que haviam matado a Mônica, a secretária do sr. Arturo Roman, e tudo indicava que estavam matando as que estavam saindo também. Então, para evitar morrer, eu pedi para falar com aquele o monstro, o sr. Berlim.
Percebi que se eu quisesse viver, eu teria que ser forte. Me tornei amante dele para manter viva. Fingi estar me apaixonando e namorando com ele para que eu não tivesse uma bala na testa. Ele me pediu em casamento e prometeu curtir o pouco tempo de vida que lhe restava comigo, ele prometeu me dar uma vida de rainha, comprar o mundo se eu assim desejasse, e eu não posso negar que me sentia lisonjeada ao escutar o chefe daqueles assaltantes se declarar pra mim e a dizer tantas coisas lindas. Ele podia ser um ser asqueroso, mas era extremamente sedutor e um homem bonito. Ele me prometeu tantas coisas que eu decidi prometer uma coisa também: matá-lo da forma mais fria que eu pudesse quando eu tivesse a oportunidade.
Depois eu só gastaria o dinheiro dele.
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