Laís Lilás
13 Surpresa dupla.
Notas iniciais
Dia 23/05.
Laís acordara sentindo muita dor.
Mas tinha que ajudar na festa da irmã, então tentou se manter de pé. Pela manhã, correu tudo normal. Todos da casa fingiram não lembrar do aniversário de Alice. Umas cinco e pouco da tarde, segurando a região abdominal com um braço, Laís foi deixada com Alice no supermercado. Dali a uma hora Bruno voltaria pra buscá-las. Tinham ido levar uma a outra pra disfarçar o que aconteceria em casa, e ambas tinham ido meio arrumadas, pois sabiam (parte) do que aconteceria.
A má comunicação entre elas era tamanha que nem sequer desconfiaram.
Uma fingia que não sentiria saudades, outra que não lembrava do aniversário.
– Qual é a marca de arroz pra comprar, Laís?
– Rrmmm… Acho que é essa aqui. — Disse, esticando o braço livre e pegando dois pacotes da mesma.
As duas foram pegando o que tinha na lista — e algumas besteiras extras, como biscoitos, leite condensado…
– Ei, vamos pegar um sorvete? — pediu Alice
– Tá. De quê?
As duas, ao mesmo tempo:
– Côco? — respondeu-se Laís, com uma pergunta
– Abacaxi! — disse Alice
Se embananaram:
– Ok, abacaxi — concluiu Laís
– Não, não, pode ser de côco — falou Alice
Abriram a geladeira de sorvetes:
– Ah, tem um dos dois, olha!
– Ok, pega esse, então!
Sorriam uma pra outra. Os momentos em que concordavam eram raros.
Já se passara uma hora e meia quando foram pagar as compras. Bruno chegou no momento de levar tudo pro carro. Estava atrasado, mas, de certa forma, na hora exata.
Estavam no carro, voltando pra casa. Bruno ia a 40 por hora, pra dar tempo de mais gente chegar. As duas estavam ansiosas, mas não comentaram nada.
Laís até estava sem dor nessa altura da história.
Quando portão se abriu, todos já tinham chegado. Já eram sete horas.
Laís e Alice desceram do carro.
Quando abriram a porta de casa, os amigos de uma e da outra esperavam na sala, e começaram a cantar parabéns a Alice. Haviam duas faixas nas pareces: “Parabéns, Alice!" e “Laís, sentiremos saudade!".
Depois do susto que tomaram, foram ficar com seus amigos, conversar e jogar banco imobiliário. Laís ficou muito feliz de ver seus ex-colegas, até Micael, que também estava lá. De vez em quando saíra com eles, mas desde que descobrira sobre o câncer não os via. Lá pra meia noite, o pessoal foi embora.
Bárbara estava feliz como não se via há muito tempo, e até Júlio socializara com um grupinho de leitores seus.
Laís pegou o livro que tinha comprado pra Alice e foi entregar.
– Parabéns. Muitos, muitos, muitos anos de vida pra você.
Alice a abraçou. Há muito tempo não fazia isso. Quase não lembrava de como a irmã tinha uma pele macia, e de como o cheiro de seu cabelo era bom...
– Obrigada pelo livro. De verdade… Vou sentir muito a sua falta.
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