Laços de amor
52 Extras - Parte 1
Notas iniciais
Extra 1
Dia-a-dia
Pov. Sofia
− E se eu cair? − Eu perguntei em dúvida, olhando para o skate na minha frente e Tommy riu.
−Eu não vou deixar você cair, Sofia. Vou estar segurando sua mão o tempo todo.
− Eu sou descoordenada, Tommy. Não quero cair e me quebrar. Tenho um campeonato de vôlei para terminar e vencer.
− Não há garantias de que vocês serão as vencedoras. − Ele falou e eu o encarei mal-humorada, fazendo-o rir.
− Fico muito feliz em saber que posso sempre contar com o seu apoio e torcida, amor... − Eu falei com ironia e ele riu ainda mais, me segurando pela cintura e beijando meus lábios.
− Eu estou brincando. É óbvio que nossa escola será a campeã da liga de vôlei. Você está no time. Isso já é garantia total de sucesso.
− Sei... Bem, e como eu quero continuar no time dispenso essa sua ideia ótima de aprender a andar de skate.
− Senta. − Ele ordenou e eu o olhei confusa.
− O que?
− Senta no skate. − Ele repetiu e eu apertei os lábios em dúvida, olhando ao redor para ver se alguém na pista estava sentado sobre o skate. Óbvio que não.
− Não vou me sentar em um skate, Tommy. Ninguém aqui está fazendo isso. − Eu falei e ele revirou os olhos, tirando uma mecha de cabelo do meu rosto e beijando minha testa.
− Ignore as pessoas a nossa volta e sente-se. Vamos apenas nos divertir. − Ele falou e eu suspirei, fazendo o que ele pediu e tentando ignorar todo mundo ao nosso redor.
− Pronto, Tommy. E agora? − Eu perguntei e ele segurou meu queixo com delicadeza, erguendo meu rosto e beijando meus lábios.
− Eu te amo. Preciso que você saiba para o caso de você cair e morrer. − Ele gracejou e eu bufei.
− Você é tão engraçadinho...
− Eu sou engraçado, lindo, talentoso, cheiroso... Mas, agora me dê suas mãos. Vou puxá-la. − Ele falou e eu ri, estendendo minhas mãos a ele.
Tommy me puxou ao redor da pista e a única coisa que eu consegui fazer foi rir, sendo acompanhada por ele a cada gargalhada.
Depois de um tempo, Tommy também andou sentado comigo no skate e, é claro, que caímos no meio da pista, o que provocou uma crise de riso em nós dois. As pessoas nos olhavam como se fôssemos loucos. Mas, na verdade, só estávamos apaixonados. E felizes.
Extra 2
Dia-a-dia
Pov. Tommy
− Faz uma careta, amor. − Eu pedi, apontando a câmera para Sofia, que suspirou e bateu na minha mão para que eu abaixasse o celular. Já fazia horas que ela estava sentada naquele sofá lendo. Eu já havia assistido uns cinco filmes e não aguentava mais ficar ali sem fazer nada. Eu estava muito entediado.
− Tommy, eu estou ocupada. Vai achar outra pessoa para perturbar. − Ela falou, voltando para seu livro e eu bufei, o que fez com que ela sorrisse.
− Eu tenho absoluta certeza de que você já leu esse livro. Por que, então, você não deixa ele pra depois e dá atenção para o seu namorado carente? − Eu perguntei, fazendo um biquinho que eu sabia ser ridículo e ela riu, me encarando divertida.
− Claro que eu já li Romeu e Julieta. Todo mundo já deve ter lido. Mas, eu preciso terminar essa leitura na perspectiva que o professor pediu. Eu tenho um trabalho imenso de literatura para fazer e tenho certeza de que você não vai me ajudar.
− Se fosse de matemática eu ajudaria... − Eu resmunguei e ela revirou os olhos.
− Ainda bem que não é de matemática. Literatura é muito melhor.
− Talvez. Mas, você vai ser médica. Qual o sentido de se dedicar tanto em literatura? − Eu perguntei e ela expirou, deixando o livro de lado e se aproximando de mim.
− Vai, Tommy... Sou toda sua. O que você deseja? − Ela perguntou e eu ri, abraçando-a de lado e beijando seu rosto.
− Desejo ficar com você. Conversar, beijar, abraçar...
− Fazemos isso o tempo todo. Não posso deixar meu dever de casa para namorar. Minha mãe me mataria e mataria a você também.
− Só hoje. Amanhã vou viajar com o time para o jogo em Malibu e vamos ficar separados uma semana. − Eu disse e ela suspirou, se agarrando a mim.
− Não sei se gosto disso. Ainda mais porque as líderes de torcida vão também. − Ela resmungou e eu ri do seu ciúme bobo.
− Eu nem sei quem são as líderes de torcida esse ano, Sofia. Não presto a menor atenção nelas. − Eu declarei e ela revirou os olhos, me encarando desconfiada.
− Claro que não presta. Não seja mentiroso Tommy! Esses dias você até me corrigiu quanto a cor do uniforma delas. — Ela falou brava e eu fiz uma careta. Eu não tinha nenhuma chance contra a memória dela.
− Porque é da mesma cor do meu uniforme, Sofia. Estou sendo sincero quando digo que não presto atenção naquelas garotas. Nem eu e nem Ethan.
− Ethan morre de medo da Lara. Se ela disser pule ele pergunta quantas vezes. Já você... Não sei se tem medo o suficiente do que eu posso fazer se ao menos sonhar que você está se engraçando com alguma líder de torcida. −Ela falou brava e eu ri, deitando-a sobre o sofá e beijando seus lábios.
− Você com toda essa sua passividade pode ser bem mais perigosa que a Lara. Mas, pra falar a verdade, eu não tenho medo de você. Eu respeito e amo você. Então, fique tranquila, pois não vou me engraçar com nenhuma líder de torcida. − Eu afirmei e ela sorriu, beijando meu rosto.
−E nem se embebedar ou se juntar com a galera da maconha... − Ela pediu e eu assenti, beijando-a outra vez.
− Prometo. Eu não sou irresponsável, amor. Não curto essas coisas. Além do mais, depois do escândalo que o Lucke Flaning fez no último jogo, duvido que o treinador tire os olhos de algum de nós.
− Acho bom que ele não tire mesmo. Tenho medo do que um bando de adolescentes pode fazer quando não estão sob a supervisão de um adulto. − Sofia resmungou e eu ri, me sentando outra vez e puxando-a para meu lado.
− Vai voltar para o seu livro agora?
− Quer que eu faça àquela careta ainda? −Ela me perguntou e eu sorri, pegando o celular outra vez.
− Quero. Vou levar sua cara feia na viagem para que eu consiga dormir sem pesadelos. − Eu gracejei e Sofia me deu um tapa na cabeça, que me fez rir.
Depois disso, ela fez uma careta para minha foto e eu a acompanhei. O resultado foi bizarro, mas divertido. Até fazendo careta éramos perfeitos juntos.
− O que vocês estão fazendo? − Mia perguntou, entrando na sala enquanto nós nos divertíamos com nossas caretas e poses e Sofia e eu rimos da cara da nossa irmã.
−Tirando fotos.
− Com essas caretas feias? Vocês dois são tão estranhos! − Ela afirmou, saindo da sala e Sofia e eu rimos outra vez.
Não éramos estranhos. Éramos perfeitos, principalmente quando estávamos juntos.
Extra 3
Dia-a-dia
Pov. Bella
− Mãe. Mãe. Mãe...
− Oi, oi, oi... − Eu falei, saindo do banheiro e Mia riu, me seguindo como uma pequena sombra até o quarto.
− Nós vamos chegar atrasadas. E eu não posso me atrasar, pois sou a bailarina principal. − Ela explicou e eu sorri, retirando o roupão e começando a me vestir para o recital de balé da minha loirinha.
− Temos tempo, amor. O recital será as sete. São apenas cinco e meia. Acalme-se. − Eu falei e ela revirou os olhos, sentando-se sobre a minha cama e balançando as perninhas, enquanto esperava impacientemente eu me arrumar para nosso compromisso.
− Eu tenho prova de figurino antes. Vai que alguma coisa dá errada? Tipo um rasgo? Ou uma mancha? Não posso aparecer desarrumada na apresentação.
− Claro que não, amor. Mas, vai dar tudo certo. − Eu afirmei, me sentando ao seu lado para vestir as meias e ela ficou encarando minha barriga por longos minutos. Eu já estava com seis meses de gravidez e a protuberância no meu abdômen estava chamando a atenção da minha caçula há dias. − Algum problema?
− Você está muito gorda. − Ela falou de forma espontânea e eu explodi em uma gargalhada devido a sua sinceridade.
− E isso é ruim?
− Não. Só é estranho. Você sempre foi magrinha.
− Amor, eu estou grávida. É normal que meu corpo mude.
− Eu vou ficar assim quando for adulta?
− Se você engravidar um dia, sim. Seu corpo terá que se transformar para abrigar o bebê. − Eu expliquei e ela assentiu, saltando da cama e indo até espelho, onde ergueu a blusa e encarou a própria barriga.
− Como a barriga estica tanto e não arrebenta?
−Temos pele de sobra. O útero, onde o bebê está, vai crescendo e a barriga acompanha.
− Eu tenho útero?
− Tem sim. É um órgão feminino. Quase todos os mamíferos fêmeas possuem útero.
− Hum... − Ela murmurou e inflou a barriga para parecer uma grávida, o que me fez rir. − E não dói quando a barriga estica? − Mia me perguntou, voltando a me encarar e eu sorri, ficando de frente pra ela.
− Não. Bem no fim da gravidez as mamães sentem dores nas costas e nas pernas, mas é por causa do peso extra. A pele não dói. − Eu falei e ela fez uma careta, encarando minha barriga outra vez, enquanto ajeitava sua blusa.
− Como o bebê entrou aí? − Ela me perguntou e eu corei. Sabia que teria que responder àquela questão em algum momento. Mas, tinha que ser hoje?
− O papai o colocou aqui.
− E para isso vocês tiveram que namorar pelados, não é? − Ela me perguntou e eu assenti, ainda sentindo meu rosto quente de vergonha. Por que falar de sexo com os filhos era sempre tão constrangedor?
− É... Papais e mamães namoram pelados e fazem bebês.
− O Tommy e a Sofia já namoram pelados. A Lara que me contou. Eles vão ter um bebê também? − Mia questionou e eu fiz uma careta. Teria que conversar com Lara sobre o tipo de conversa que ela estava tendo com a minha filha.
− Eu espero que não.
− Por que não?
− Porque Tommy e Sofia não têm idade para se tornarem pais. Só por isso.
− Hum... Mas, um dia eles terão bebês?
− Acho que sim.
− Então, as pessoas não namoram pelados apenas para produzir bebê, não é? − Ela perguntou e eu suspirei, desejando que Mia não fosse tão precoce e curiosa.
− Não, Mia. As pessoas namoram peladas porque se amam e se desejam. Ou porque querem. Mas, isso não é coisa de criança. Você só poderá fazer isso quando for mais velha.
− E se eu não quiser ter um bebê, posso namorar pelada mesmo assim?
− Pode, Mia. Mas, você não vai querer um bebê?
− Esse barrigão aí não me atrai nem um pouco. − Ela respondeu, apontando para minha barriga e eu ri, beijando o topo da sua cabeça.
− Certo. Vamos ver se você muda de ideia quando for adulta. Agora, vá verificar se seus irmãos estão prontos. Estamos saindo em vinte minutos. − Eu falei e ela assentiu, correndo para fora do quarto enquanto gritava o nome dos irmãos.
Àquela garota me deixaria de cabelos brancos antes da hora, mas, eu não me importava de fato.
Eu a amava e me divertia com ela.
Para os cabelos brancos eu compraria tinta.
Extra 4
Dia-a-dia
Pov. Bella
− Ela fez o que? −Edward me perguntou por telefone e eu bufei, enquanto andava apressadamente pelo pátio da escola de Mia.
− Ela tirou sangue do nariz de uma garota. Com um soco. − Eu expliquei e Edward bufou.
− O que há de errado com as garotas da nossa família? O que Sofia e Mia têm contra o nariz das colegas da escola? − Edward me perguntou e eu ri ao me lembrar de que não fazia muito tempo que eu tivera que resolver uma situação parecida envolvendo Sofia, boladas e nariz quebrado.
− Não sei. Mas, Mia não é violenta. Se ela agrediu é porque foi provocada.
− Nessa família não respondemos provocações com violência. Pelo menos não mais. − Edward falou e eu revirei os olhos.
− Falou o papai que foi parar em uma delegacia por agredir o ex-namorado da esposa.
− E falou a mamãe que agrediu o progenitor da filha quando ele tentou sequestrá-la. − Ele rebateu e eu fiz uma careta.
− Somos dois hipócritas. Mas, temos que tentar tirar nossa pequena da encrenca que ela se meteu. Pensaremos em um castigo depois. Agora, eu tenho que ir. A diretora está me esperando. Eu te amo.
− Eu também te amo, princesa. Boa sorte. E procure não se estressar. − Ele pediu e eu suspirei, sabendo que seria impossível atender ao seu último pedido.
− Sra. Cullen, que bom que veio. Entre e sente-se. −A diretora falou e eu suspirei, olhando para Mia que estava sentada na sala da diretora. Seu uniforme estava sujo e sua trança desfeita.
− O que houve? − Eu perguntei, querendo que Mia me encarasse, mas ela mantinha a cabeça baixa.
− Mia agrediu uma coleguinha. Rolou com ela no chão da classe. O soco que ela desferiu na pequena Louisy provocou uma hemorragia. − A diretora falou e eu me contive para não revirar os olhos. Até parece que um soco de uma criança do tamanho de Mia causaria hemorragia em alguém.
− Mas, o que de fato aconteceu?
− Sua filha bateu em uma coleguinha. − A diretora respondeu e eu bufei.
− Certo. Mas, por quê? Deve haver um motivo. Minha filha não costuma sair por aí agredindo as pessoas por nada.
− Ela não diz. Portanto, não tem como a gente saber. − A diretora falou e eu suspirei.
− Mia? Amor, porque você bateu em uma coleguinha? − Eu perguntei a minha loirinha que deu de ombros, ainda sem erguer o olhar para me encarar.
− Eu terei que suspendê-la.
− Não sem antes sabermos o que de fato aconteceu.
− Ela não diz...
−Pra mim ela vai dizer. Peço que nos dê licença por um minuto. − Eu falei e a diretora suspirou, mas fez o que eu pedi.
− Mia? O que aconteceu? Por que você bateu em uma coleguinha?
− Porque ela disse que eu não sou sua filha. − Ela falou e eu a encarei surpresa.
− Por que ela disse isso?
− Porque eu nasci da sua barriga. Ela disse que eu sou filha de uma morta. E que por isso, você vai amar mais o novo bebê do que eu. − Mia explicou e eu senti meus olhos marejados. Crianças não deviam ser más assim.
− Amor, isso não é verdade e você sabe. Eu sou sua mãe. Você não nasceu de mim, mas isso não significa que eu não te ame da mesma forma que amo Sofia e ao novo bebê. Você e Tommy são meus filhos e eu jamais vou amar mais um que o outro. E sobre ser filha de uma morta... Bem, isso soa horrível, eu sei. Mas, não podemos responder à ofensas com violência. Não se resolve nada assim.
− Pelo menos ela parou de falar essas coisas. Nunca mais Louisy vai mexer comigo.
− Amor, temos que almejar a amizade, a consideração e o respeito das pessoas e não o medo.
− Ninguém pode falar sobre você e sobre a mamãe Tanya. Sofia te defendeu de Mary Jane e agora eu te defendi de Louisy. É assim que as coisas são. − Ela falou brava e eu suspirei, abraçando-a e beijando seu rosto.
− Eu acho lindo que vocês estejam sempre dispostas a me defender. Mas, não se resolve nada quebrando o nariz das pessoas sempre que elas nos irritam ou nos contrariam.
− Há controvérsias... − Ela murmurou e eu revirei os olhos. Teria que confiscar algumas leituras daquela garota.
A diretora voltou para a sala e, mais uma vez, quis suspender minha filha. Eu não permiti.
− Mia reagiu a uma provocação. Ela será castigada por mim e pelo pai, mas eu não acredito que seja necessário suspendê-la. Ao não ser que a senhora suspenda a outra garota também.
− Louisy é a vítima. − A diretora falou indignada e eu bufei. Qual era o problema daquelas educadoras com as minhas filhas? Por que insistiam em ser injustas com elas?
− Ou a senhora suspende as duas ou não suspende nenhuma. Caso contrário, irei procurar o conselho. − Eu falei decidida e a diretora bufou.
− Ok. Leve-a para casa, então. Nada de suspensão. Mas, converse com Mia sobre resolver desavenças com violência. Não vou admitir outro episódio como essa em minha escola.
Mia e eu fomos para casa e, depois de mais uma conversa, eu a deixei de castigo no quarto pelo resto do dia para que ela pensasse no que fez.
Tommy gargalhou quando soube da confusão que a irmã criara ao defender suas mamães da língua ferina da tal Louisy.
− Jura que ela fez o nariz da menina sangrar? Será que isso vai ser tradição entre as garotas Cullen? − Ele perguntou divertido e Sofia corou, olhando mal-humorada para o namorado.
− Não ria, Antony Cullen. Isso não é engraçado. Mary Jane está morta. Respeite a memória dela e do seu nariz quebrado. Por favor. − Sofia falou emburrada e até eu fui obrigada a rir.
Na hora do jantar, Mia foi liberada do castigo, mas teve que ouvir um sermão do pai sobre o uso da violência. E quando ela foi revirar os olhos para as palavras de Edward, eu a encarei com as sobrancelhas erguidas, vendo com satisfação minha pequena encrenqueira corar.
− Já entendi. Agi por impulso. Não vou fazer de novo. Mamãe já me falou tudo isso.
− Mas, é sempre bom reforçar. E a propósito, a senhorita está sem sobremesa pelo resto da semana. − Edward falou e Mia o encarou indignada.
− Tira o brócolis, papai! − Ela pediu e nós rimos. Mia odiava brócolis.
− Sobremesa. E não quero ouvir protestos. − Edward falou decidido e Mia bufou, cruzando os braços sobre o peito.
− Mamãe me livrou da diretora, mas não da ira do papai. Alguma coisa no meu pedido de mamãe não ficou claro. − Ela resmungou e eu ri.
− Você quer trocar de mamãe? − Eu perguntei a ela que bufou, me olhando zangada.
− Não. Só esse defeito não compensa uma troca. Vai que a outra mamãe não consiga me defender de diretoras e nem saiba fazer tranças... − Ela respondeu e eu sorri, beijando o topo da cabeça dela.
Àquela loirinha era encrenca, mas eu não podia negar que meus dias eram bem mais interessantes depois que ela começou a fazer parte deles.
Dia-a-dia
Pov. Sofia
− Sofiaaaaaa, me empresta seu computador um pouquinho. − Mia pediu aos gritos, invadindo meu quarto de repente e eu dei um pulo assustada, enquanto ela já se acomodava na cadeira em frente ao meu notebook.
− Cadê o seu?
− A mamãe roubou. O dela deu o último suspiro ontem a noite e ela sequestrou o meu para fazer uma pesquisa sobre alguma doença com um nome estranho. − Mia falou e eu ri, beijando o topo da sua cabeça e me sentando ao seu lado em minha escrivaninha.
− O que você vai pesquisar?
− Nomes. Estou fazendo uma lista de nomes para nosso irmão ou irmã. Amanhã saberemos o sexo do bebê e eu quero estar preparada.
− E essa lista já tem quantos nomes?
−Tirando os que o papai vetou, uns trinta. Ele veta todos os nomes das namoradas e namorados dele e da mamãe. Está ficando complicado escolher nomes bonitos já que eles namoraram umas cinquenta pessoas com nomes diferentes. − Ela comentou brava e eu ri do seu exagero.
− Posso te ajudar a escolher? Tenho muitas sugestões em mente.
− Pode. Mas, eu tenho a palavra final, pois a mamãe confiou essa missão a mim. − Ela declarou solenemente e eu apertei os lábios para não rir.
− O que você acha de Mathilda?
− Velho.
− Rose.
− Arcaico.
− Loren.
− Vadia. − Ela falou e eu a olhei espantada.
− Mia! Se a mamãe te pega falando assim ela é capaz de lavar sua boca com sabão. − Eu declarei e a loirinha corou, me lançando um olhar atravessado.
− É só você não contar a ela... Além do mais, Loren é mesmo o tipo de nome daquelas meninas assanhadas da escola. Meu irmão já beijou uma Loren. − Ela declarou e eu fiz uma careta. Nada de Loren, então.
− Grace?
− Ultrapassado. Papai já vetou esse.
−E para meninos? − Eu perguntei, enquanto Mia acrescentava mais algumas possibilidades a lista e ela apontou para os nomes masculinos que havia selecionado.
− Por que Daniel está riscado? Minha mãe nunca teve um namorado com esse nome.
− Eu gosto. Mas, mamãe me disse que todos os meninos com esse nome são pestes. Achei arriscado e risquei. − Ela declarou e eu ri.
− O que você acha de Adam?
− Velho. Sofia, você precisa se atualizar! Vamos ter que procurar livros mais atuais para que você leia. Jane Austen está te fazendo mal. − Ela falou e eu revirei os olhos para sua petulância.
− Certo. Eu gosto de Noah e Enzo.
− Argh, Enzo não! Todos os bebês do mundo se chamam Enzo. Vamos ser mais originais. −Ela declarou e eu ri.
− Certo. E Noah?
− Noah é legal. Um dos meus favoritos. Noah e George.
− George é velho, Mia. Além do mais, me lembra Grey´s Anatomy e um acidente de ônibus. Não quero um irmão com esse nome. — Eu declarei e ela bufou, mas riscou George de sua lista.
− Noah, Matthew, Joshua e Benjamin são os meus preferidos.− Eu declarei e ela sorriu, fazendo uma estrela em frente aos nomes que eu citara.
− Gosto desse também. Serão os que eu vou apresentar aos nossos pais como os escolhidos.
− Então, temos que escolher os nomes femininos agora.
− Eu gosto de Elena, Alyssa, Megan, Katherine e Maya.
− Gostei. Acrescentaria a esses Olivia e Chloe. − Eu declarei e ela sorriu, acrescentando minhas sugestões à lista.
−Eu gosto também. Elena, Alyssa, Megan, Katherine, Maya, Olívia e Chloe são os favoritos, mas vou apresentar todos aos nossos pais. Será que eles vão gostar?
− Claro que vão. São nomes lindos. −Eu garanti e ela sorriu, dobrando sua lista e dando sua pesquisa como concluída.
− Sofia... Posso te perguntar uma coisa? − Ela perguntou quando já estava prestes a sair do quarto e eu a encarei.
− Claro que pode.
− Você não vai mesmo gostar mais do bebê do que de mim, não é?
− Claro que não, Mia. Eu vou amar você e o bebê do mesmo jeito.
− Mas, você ama o Tommy mais que a gente, não ama? − A loirinha perguntou e eu sorri, me aproximando dela e segurando-a pelos ombros para que ela me encarasse.
−Eu amo Tommy como meu namorado. É diferente do amor que eu sinto por você e pelo bebê. Mas, não significa que eu o ame mais.
− Mas, ele também é seu irmão.
− Na teoria, sim. Mas, na prática, nossa relação é outra. Eu e Tommy nos amamos como homem e mulher e não como irmãos.
− Por isso que vocês podem namorar pelados? −Ela me perguntou e eu corei, fazendo uma careta. De onde àquela garota tirava coisas assim?
− É, Sofia... Por isso. Somos namorados e não irmãos. Nossa relação é diferente da que você tem com ele, comigo ou que terá com o bebê que está a caminho.
− Entendi. Isso é meio complicado, sabia? − Ela perguntou divertida e eu sorri, beijando o topo da sua cabeça e a abraçando de lado.
−Complicado não. Diferente. Mas, ser diferente é normal. Absolutamente normal. − Eu declarei e ela sorriu, retribuindo meu abraço.
Como eu amava àquela loirinha!
Mesmo Mia sendo inconveniente, encrenqueira e afiada como ela era.
Tê-la em minha vida seria sempre algo maravilhoso.
Extra 6
Pov. Sofia
Quando eu tinha dez anos...
Eu odiava quando minha mãe estava de plantão no hospital. Era muito ruim ficar longe dela, mesmo tendo Lara para brincar comigo o tempo todo. Não era completo sem Isabella Swan perto de mim.
− Sofia, vamos brincar! Você já está sentada aí olhando para o nada há horas. − Lara reclamou quando me viu outra vez sentada no sofá olhando para a janela e eu suspirei, encarando-a mal-humorada.
− Estou com saudades da minha mãe. − Eu murmurei e ela bufou, vindo sentar-se ao meu lado.
− Você a viu ontem. Não é possível que já esteja sentindo falta dela. − Lara falou e eu bufei, odiando que ela duvidasse da minha saudade. Minha prima nunca iria entender o quanto eu gostava de estar perto da minha mãe.
− Você vê sua mãe todos os dias, Lara. Por isso não entende a minha saudade. — Eu resmunguei e ela revirou os olhos.
− Mães brigam, implicam, castigam e nos obrigam a tomar banho todos os dias, a fazer os deveres e a comer brócolis e cenouras. Não iria reclamar se Dona Alice resolvesse passar um tempo na faculdade. − Lara afirmou e eu ri, balançado a cabeça para suas bobeiras.
− Minha mãe é perfeita. Eu não me importo que ela me castigue ou me obrigue a tomar banho e a comer vegetais. São coisas que ela faz para o meu bem. — Eu afirmei e Lara me olhou indignada.
−Sofia, você é criança e deveria jogar no time das crianças. Não apoie a tirania das mães.
− Você é que deveria implicar menos com a tia Alice. Ela é uma mamãe super legal e está o tempo todo com você. Isso é algo que uma criança deve valorizar.
− Se a tua mãe ficasse o tempo todo no seu pé, duvido que você iria valorizar algo assim. − Lara resmungou e eu bufei, mas não quis prolongar a conversa.
Acabei voltando a brincar com ela e no fim do dia me conformei com o fato de que dormiria sem ver a minha mãe outra vez.
Ela me telefonou a noite para me perguntar sobre o meu dia e me desejar boa noite, mas não era a mesma coisa. Eu queria o abraço, o cheiro e o aconchego dela. Mas, a residência médica estava me tirando tudo isso.
Na manhã seguinte, acordei sentindo o cheiro do perfume minha mãe e quando abri os olhos sorri feliz, pois ela estava realmente ali, me encarando com um sorriso lindo nos lábios.
− Bom dia, minha princesa linda. − Ela falou, beijando meu rosto e eu a abracei pelo pescoço, trazendo-a para mais perto de mim.
− Eu estava com muitas saudades, mamãe. − Eu falei baixinho e ela suspirou, beijando o topo da minha cabeça.
− Eu também estava, amor. Sinto muito por estar longe e ter que fazer tantos plantões. Mas, é isso ou eu não consigo comprar tudo o que você precisa.
− Mamãe, eu preciso de você. Não gosto de não poder te ver todos os dias. Eu não quero que você compre nada pra mim. Já tenho tudo de que preciso. − Eu afirmei e ela sorriu, deitando-se ao meu lado e me puxando para os seus braços.
− Amor, eu tenho contas a pagar. Não posso me dar ao luxo de não trabalhar, por mais que ficar em casa com você seja tentador. Compramos um apartamento e temos que pagar por ele. Além disso, tenho que pensar em seu futuro. Você já tem dez anos. Daqui uns dias estará na faculdade e preciso estar prevenida para os gastos.
− Eu não preciso fazer faculdade. Nem sabemos se eu vou vencer a matemática. − Eu resmunguei e ela riu, beijando meu rosto.
− Claro que você vai. Venceremos a matemática juntas. − Ela afirmou e eu fiz uma careta. Odiava matemática desde que aprendera a contar. − E hoje, já que é sexta-feira, e para compensar o fato de ter ficado longe de você por muitas horas, vamos passar o dia juntas. Não vamos nos separar em nenhum momento. − Ela falou e eu sorri largamente para sua proposta.
− Sem escola? Jura?
− Só hoje, hein! Mas, sim, sem escola. Vamos passar o dia no píer.
− E esse dia vai ser recheado de algodão doce, sorvete, batata frita e refrigerante? − Eu perguntei animada e minha mãe fez uma careta.
− Vamos negociar a quantidade de açúcar. Mas, teremos algumas regalias. − Ela prometeu e eu comemorei, me jogando em cima dela.
− Você é a melhor mãe do mundo. − Eu falei e ela riu, beijando meu rosto.
−E você é a melhor e mais linda filha do universo. Eu te amo, Sofia. Te amo até o infinito...
− E além... − Eu completei e ela riu, me abraçando com força.
**********
O dia foi maravilhoso. Ficar com a minha mãe era sempre ótimo.
Ela era linda e divertida e eu percebia que muitos homens a olhavam estranho quando passávamos por eles. Tia Alice dizia que eram olhares de desejo. Esses homens desejavam namorar a mamãe. Mas, eu não queria que ela namorasse. Eu já tinha que dividi-la com o hospital e não gostaria de dividi-la com mais ninguém.
Minha mãe gostava de namorar, mas não tinha nenhuma sorte com homens. Portanto, era melhor que fôssemos apenas nós duas até que seu verdadeiro príncipe aparecesse.
Lara dizia que príncipes não existiam, mas eu sabia que tinha alguém especial preparado para minha mãe. Alguém que a faria muito feliz, pois ela merecia.
− Que tal àquela batata frita agora? − Ela me ofereceu quando saíamos da roda gigante e eu sorri animada.
−Eu quero! Com Milk Shake?
− Certo. Mas, amanhã passaremos o dia comendo brócolis, cenoura e frutas. Essa é a condição. − Ela propôs e eu fiz uma careta. Odiava brócolis.
− Tudo bem! − Eu aceitei e ela riu, agarrando minha mão e me levando para a lanchonete mais próxima.
Comemos, rimos e depois de mais uma volta na praia, voltamos para casa e terminamos a noite enroladas em uma manta assistindo desenhos na TV a cabo.
− Mamãe, amanhã você tem plantão outra vez? −Eu perguntei em um murmuro e minha mãe suspirou, me encarando tristemente.
− Tenho. Residência é assim mesmo, minha vida. Mas, um dia essa rotina vai terminar, amor. Eu prometo. E quando terminar, faremos uma viagem bem longa, só nós duas. − Ela prometeu e eu sorri, me aconchegando em seu abraço.
−Para o México?
− Para onde você quiser, princesa. − Ela sussurrou, acariciando meus cabelos e eu bocejei. Eu estava cansada, mas não queria dormir. Eu precisava aproveitar o máximo de tempo com a minha mãe. Mas, o sono me venceu e eu acabei dormindo.
Sonhei com ela. Com a melhor mãe do mundo, que era e sempre seria minha melhor amiga.
HAPPY VALENTINE'S DAY
Pov. Tommy
− Pai, me empresta o carro? − Eu perguntei ao meu pai, entrando em seu escritório depois de passar pela guardiã da sua secretária e ele ergueu os olhos do processo que lia para me encarar.
− Pra que?
− Eu vou levar Sofia para jantar e não dá para fazer isso de bicicleta. − Eu respondi e meu pai bufou.
− Não vejo problema em andar de bicicleta com a namorada. Vocês podem até queimar as calorias do jantar. − Meu pai falou mal humorado e eu revirei os olhos.
− Pai, hoje é dia dos namorados e minha namorada, que é fantástica, merece mais do que uma volta de bicicleta. Por favor. Você sabe que eu dirijo muito bem e nunca nem arranhei o seu carro. Aliás, quando eu vou ter o meu próprio carro?
− Quando você for aceito em Harvard. Já conversamos sobre isso. E sobre o empréstimo do carro, não sei não. Preciso levar Bella para jantar também.
− Vocês podem ir no carro dela. Por favor, papai!
− Vocês vão transar? − Ele me perguntou e eu enrubesci.
−O plano é esse... − Eu murmurei envergonhado e meu pai bufou.
− Então, de jeito nenhum. Nunca mais vou conseguir dirigir meu carro se souber que meus filhos transaram nele.
− Não vamos transar no carro, pai. É para ser romântico. Não queremos terminar nosso primeiro dia dos namorados em uma delegacia por sermos pegos nus no carro do nosso pai.
− Argh, Tommy! Chega desse assunto. Só de imaginar você e Sofia nus eu tenho vontade de gritar. Portanto, nada de carro pra vocês. Além disso, Bella e eu precisamos de babás para Mia. − Meu pai falou e eu bufei.
− Pai, isso não é justo. Mia é sua filha. Não minha e nem da Sofia. É a primeira vez que posso comemora o dia de São Valentim com a garota que eu amo. Por favor, colabore comigo. Além disso, Bella está grávida. Que tipo de comemoração vocês podem ter?
−O que quer dizer com isso, Tommy?
− Que... Bem, ela está grávida. O máximo que vocês vão fazer é jantar. Portanto, isso pode acontecer lá em casa, com a Mia. − Eu declarei e meu pai riu, revirando os olhos.
− Filho, sua mãe e eu vamos fazer nesse dia dos namorados o mesmo que Sofia e você. Bella está grávida, mas ainda é uma mulher. E nós fazemos sexo. Como antes.
− Argh, pai! Por favor! Isso é nojento. −Eu reclamei e ele riu.
− Viu? Não é agradável saber que a mãe ou a filha transam.
− Tá, pai! Você vai me emprestar o carro ou não? − Eu perguntei exasperado e ele suspirou, pegando a chave em seu bolso e jogando-a para mim.
− Ok, Tommy. Você venceu. Se meu carro voltar com algum arranhão, eu te coloco de castigo até o cinquenta anos. E se você e Sofia transarem no meu carro, eu juro por Deus que coloco os dois de castigo até os cem anos. Separados em lados opostos do mundo.
−Tá, pai. Não vou arranhar seu carro e nem transar com Sofia nele. Ah... E eu preciso de dinheiro. −Eu falei e meu pai me olhou zangado.
− E sua mesada, Tommy?
− Pai, fiz reserva em um restaurante caro. Minha mesada daria, no máximo, para pagar uma pizza. Além disso, eu usei todas as minha economias para a compra do presente.
− Sofia adora pizza. − Meu pai concluiu e eu revirei os olhos.
Sim, ela adorava pizza. Era uma das coisas que ela mais gostava na vida. Mas, pizza não era romântico.
− Pai, porque você gosta de tornar a minha vida tão difícil? − Eu perguntei e ele riu, pegando a carteira e me dando 300 dólares.
− É o suficiente?
− Sim. Não é possível que um jantar custe mais que isso.
− Se custar, nos próximos anos comam pizza. Mais alguma coisa?
− Não... Só isso. Acha que devo usar terno?
− Terno não. Use um esporte fino. Já é suficiente. Divirtam-se e usem camisinha. − Ele falou e eu corei, assentindo.
− Tchau, pai! Você vai pra casa de táxi?
− Vou pedir para Emmett me levar. Juízo, hein!
−Pode deixar! Te amo, pai! − Eu falei, correndo para fora do escritório sem ouvir sua resposta.
Mas, eu sabia que ele me amava também.
Só o amor permitia que um homem desse a chave do seu carro para outro.
Extra 7 — Parte 2
HAPPY VALENTINE'S DAY
Pov. Sofia
— E esse? Ficou melhor que o outro? — Eu perguntei a minha mãe que suspirou, tirando seus óculos de leitura e me encarando.
— O outro ficou melhor. Mas, eu já disse isso das últimas dez vezes que me perguntou. Todos os vestidos ficaram lindos em você.
— Mães não são imparciais. Por isso não posso confiar em sua opinião. — Eu concluí e ela riu.
— Por que eu estou aqui assistindo seu desfile de moda, então?
— Porque eu estou nervosa sobre esse jantar e quando eu estou nervosa preciso ficar perto de você.
— Por que você está nervosa? Já saiu com Tommy antes.
— Mas, nunca para um jantar dos dias dos namorados.
— É só o jantar que está te deixando nervosa? — Minha mãe perguntou e eu suspirei, indo me sentar na cama ao seu lado.
— Tommy e eu não transamos mais depois da nossa primeira vez. E hoje é possível que aconteça de novo. Estou morrendo de medo. — Eu confessei e minha mãe sorriu, me puxando para seus braços.
— Foi bom da primeira vez? — Ela perguntou e eu corei, assentindo. Foi constrangedor, mas muito bom. — Então, vai ser ainda melhor hoje. Ajudei Tommy a escolher o restaurante e consegui pra vocês a chave do apartamento de um amigo. Vocês terão uma noite linda e especial. Portanto, não precisa ficar nervosa.
— Você ajudou Tommy a conseguir um apartamento pra gente transar? Mãe! — Eu falei chocada e ela revirou os olhos.
— Qual o problema? Vocês namoram e eu estou bem com isso. Sei que não transaram mais por respeitar nossa casa e quis dar a vocês a chance de fazerem isso sem culpa. Sexo é muito bom, amor. Acho justo que vocês o façam sempre que puderem.
— Você não existe, mamãe. — Eu falei divertida e ela riu, me apertando em seus braços e beijando o topo da minha cabeça.
— Existo sim e estou aqui pra você e por você. — Ela falou e eu sorri.
—Você e Edward também vão comemorar o dia dos namorados?
— Claro que vamos. Fiz reservas em um restaurante, pois tenho certeza de que ele se esqueceu. Vamos ao mesmo restaurante onde nos encontramos pela primeira vez. Como Jasper a trabalho está em São Francisco, Alice vai ficar com Mia.
— Que legal, mãe! Aquele jantar mudou nossas vidas. Vai ser muito bom voltar lá com o papai agora que vocês estão casados e esperando um bebê.
— Vai ser legal, sim. E como meu marido e eu vamos ter a casa só pra gente para variar, eu quero transar em casa superfície livre dessa casa.
— Ai meu Deus, mãe! Não fala essas coisas.
— Por que? Só a senhorita pode transar? -Ela perguntou divertida e eu bufei.
— Não vamos falar mais sobre sexo, mãe. Eu transo com o seu filho e você transa com o meu pai. Falar sobre isso é muito bizarro. É estranho até para nós duas. — Eu concluí e ela gargalhou.
— Pensando assim, é realmente bizarro. Então, vou fazer um último comentário para encerrarmos de vez esse assunto.
— Tenho até medo do tal comentário.
— Só quero que você aproveite sua noite. Cada momento dela. E use camisinha.
— Eu prometo. Pode ficar tranquila.
— Certo. E, pelo amor de Deus, não transem no carro de Edward. Tommy vai emprestá-lo, mas se algo assim acontecer, Edward surta. — Ela falou e eu corei, me virando para poder encará-la.
— Não vamos fazer isso. Eu garanto. Sexo no carro não está em meus planos. Principalmente se o dono do carro é o meu pai.
— Ótimo. Seu pai agradece. E eu também. Agora, escolha esse vestido de uma vez e vá se arrumar. Uma linda noite romântica te espera. -Ela falou e eu sorri, pulando da cama e voltando para minhas roupas.
Minha mãe me ajudou, é claro. Minha mãe sempre me ajudava em tudo. E esse era só um dos motivos pelas quais eu a amava incondicionalmente e para sempre.
Isabella Swan era a melhor!
Extra 7 — Parte 3
HAPPY VALENTINE'S DAY
Pov. Sofia
− Gostou do jantar? − Tommy me perguntou pela milésima vez naquela noite e eu assenti, encarando-o divertida.
− Já disse que sim, Tommy. Adorei cada detalhe. O restaurante, a comida, a música, o presente... −Eu falei, encarando minha aliança de compromisso e foi a vez dele sorrir, enquanto segurava minha mão e beijava meu anelar direito.
− Agora todo mundo naquela escola vai saber que você é oficialmente minha e mesmo quando eu for para Harvard e você ficar sozinha aqui, ninguém vai tentar se engraçar com você. − Tommy declarou e eu revirei os olhos.
− O mesmo vale para o senhor, Antony Cullen. Nada de se engraçar com nenhuma garota em Harvard ou em qualquer outro lugar. Você é meu e eu não aceito dividi-lo. Espero, então, que essa aliança as afugente. − Eu declarei emburrada, mexendo em sua aliança e ele riu.
− Eu vou afugentá-las. Ninguém além de você me interessa, princesa. − Ele gracejou e eu sorri, apertando suas mãos sobre a mesa.
Depois da segunda rodada de sobremesa e de acertarmos a conta astronômica do restaurante, demos uma volta na orla da praia e seguimos para o apartamento do amigo da minha mãe. Até agora eu não acreditava que ela fora capaz de planejar uma noite de sexo para nós. Isso não parecia algo que uma mãe normal faria.
Mas, Isabella Swan nunca fora normal. E talvez fosse por isso que ela era uma mãe tão fantástica.
− De quem foi a ideia desse apartamento? − Eu perguntei, enquanto Tommy dirigia cuidadosamente pelas ruas iluminadas de Los Angeles e ele me olhou de esguelha.
− Minha. Na verdade, eu pedi para mamãe nos reservar um quarto de hotel. Mas, nós dois somos menores de idade e ela achou mais seguro que fôssemos para o apartamento desse amigo, que a propósito, é o mesmo em que vocês moravam.
− Como? Você está me levando pra minha casa? − Eu perguntei chocada e ele riu.
− Não. Sua casa agora é comigo, com nosso pai e com Mia. Eu estou te levando para o apartamento que vocês alugaram para esse amigo da sua mãe. Ele está fazendo uma especialização fora da cidade e eu não viu problema em nos deixar usar a casa dele para nosso interlúdio romântico.
− Eu até agora não acredito que minha mãe está te ajudando nisso.
− Qual o problema? Bella é super liberal e moderna e eu adoro isso nela. Ela sabe que sexo é algo absolutamente normal entre namorados e quis nos ajudar nessa data especial. Claro que fez mil e uma recomendações, mas eu ouvi todas elas e pretendo segui-las a risca para compensar a sogra maravilhosa com a qual eu fui presenteado. −Ele falou e eu revirei os olhos.
− Se o papai sonhar que vocês planejaram isso juntos ele morre. − Eu declarei e Tommy riu.
− Morre mesmo. Foi uma luta conseguir o carro dele esta noite. Tudo porque ele morre de medo de você e eu transarmos aqui dentro. − Tommy contou e eu enrubesci, desviando meu olhar para a janela ao meu lado.
− Eu jamais faria isso. Não no carro dele, pelo menos. −Eu murmurei e Tommy ficou em silêncio por longos segundos.
− Você quer transar no carro?
− Ah... Parece divertido. Acho que eu fui concebida em um carro. Seria legal viver essa experiência. − Eu confessei e Tommy suspirou, o que me fez encará-lo. − O que foi? Algum problema?
− Não... Só que... Agora, mais do que nunca, eu preciso de um carro. −Ele declarou e eu revirei os olhos, mas acabei rindo.
Quando chegamos ao apartamento, eu mandei uma mensagem para minha mãe avisando que estava tudo bem com a gente. Mas, a verdade era que eu estava morrendo de medo do que ia acontecer.
− O cara não mudou nada por aqui, não é? Parece tudo tão igual.
− Foi uma condição para a locação. Os novos moradores não deveriam mexer na cor das paredes e nem se desfazer dos móveis e objetos.
− Hum... Bem, o que importa é que ele parece estar cuidando bem de tudo por aqui.
− Sim... − Eu murmurei, querendo desesperadamente prolongar nossa conversa, mas não sabendo como.
− Você parece nervosa. Pensei que já tivéssemos superado isso. − Tommy falou, se aproximando de mim e me abraçando por trás e eu expirei.
− Nós fizemos isso há um tempão. Não é fácil pra mim estar com você intimamente, Tommy. Eu tenho vergonha.
− Do que?
− Como do que? De tudo! De ficar nua na sua frente, de deixar você me tocar assim, de ter que te encarar depois... − Eu confessei e ele sorriu, me virando de frente pra ele e beijando minha testa.
− Não precisa se envergonhar, princesa. De nada. Pra começar, você tem um corpo lindo. Não há nada de errado em estar nua na minha frente. Em segundo lugar, nós dois estamos apaixonados e sexo é algo absolutamente normal entre duas pessoas que se amam, se respeitam e se desejam. E, para terminar, não há nada de errado em me encarar depois. Ter intimidade com você é o que eu mais quero. Hoje e sempre.
− Você é sempre tão fofo. Mas, ainda sim ter esse tipo de intimidade com você me deixa constrangida. − Eu falei e ele revirou os olhos, me sentando no sofá ao seu lado.
− Não foi bom da primeira vez?
− Foi...
− Então. Vai ser ainda melhor agora. Confie em mim.
− Se eu não confiasse, não estaria aqui, Tommy. − Eu resmunguei e ele sorriu, me deitando sobre o sofá e beijando meus lábios.
− Dormimos juntos pela primeira vez bem aqui nesse sofá. Acho justo que nossa noite se inicie aqui. − Ele declarou e eu corei, o que o fez rir.
− Eu sabia que desde àquela época você queria se aproveitar de mim.
− Você que veio para minha cama, senhorita. Na verdade, você é que se aproveitou de mim.
− E vou me aproveitar mais ainda. Começando agora. − Eu falei e ele riu outra vez, beijando meus lábios.
− Sou todo seu, princesa. Hoje e para sempre.
Extra 7 — Parte 4
HAPPY VALENTINE'S DAY
Pov. Bella
− Esse restaurante vai ser sempre especial para nós. Não sei porque não voltamos aqui antes. − Eu comentei, enquanto comia o último pedaço da minha sobremesa e Edward sorriu, bebericando seu vinho.
− Tanta coisa aconteceu desde o nosso primeiro encontro. Detalhes como o restaurante onde nos conhecemos acabaram ficando de lado. − Edward falou e eu fiz uma careta.
−Detalhes assim jamais deveriam ser esquecidos. São parte de todo o romantismo que jamais deveria morrer em uma relação. Aliás, eu não quero nunca que nos esqueçamos dessas pequenas coisas que fazem do nosso amor algo tão lindo.
− Eu sou muito bons com detalhes, Bella. Se eu fechar os olhos posso me lembrar exatamente da roupa que você vestia naquela noite. Lembro-me da conversa, do seu lindo sorriso e do seu perfume, que aliás, você não usa faz um tempo. − Edward declarou e eu ri.
− O bebê não gosta daquele perfume. Por isso parei de usar. E, só para constar, eu também me lembro de cada detalhe do nosso primeiro. É inevitável, afinal, naquela noite, eu conheci o grande amor da minha vida. −Eu declarei e ele sorriu, beijando com carinho meu dedo anelar onde estava minha aliança de casamento.
− Eu vim para aquele encontro morrendo de medo de estar entrando em uma fria. Mas, aí você chegou e eu me apaixonei no instante em que coloquei os olhos sobre você. E olha só como estamos hoje? Casados, felizes e enlouquecendo com nossos filhos e com a nossa rotina que, sinceramente, eu amo. − Ele falou e eu sorri assentindo.
− Sabe, eu achava que o amor não era para mim até conhecê-lo. Você não só me fez acreditar outra vez no amor como aceitou a minha filha como um verdadeiro pai. Sofia ama e confia em você e isso significa tanto pra mim que eu nem sei expressar em palavras. Além disso, nossa relação me deu Mia e Tommy de presente e eu sou tão feliz e realizada por isso. Eu sou tão feliz por amar você... − Eu declarei com a voz embargada e Edward sorriu, beijando minha mão outra vez.
− Somos bons juntos, Bella. Somos perfeitos, na verdade. E eu te amo tanto que nem sei como expressar.
− Eu conheço uma ótima maneira de você expressar esse amor. − Eu falei, piscando em sua direção e ele riu.
− Ah, é? E de que maneira eu posso expressar meu amor?
− Na cama. Com sexo. E de preferência me fazendo gritar. −Eu gracejei e ele sorriu, fazendo um sinal para o garçom trazer a conta.
− Se você não estivesse grávida eu te levaria para o banheiro do restaurante nesse exato segundo e faria sexo com você sobre a pia. − Edward falou como se estivesse conversando sobre o tempo e eu arfei, me engasgando com a água que eu tomava.
− Desde quando você ficou tão ousado assim, Edward Cullen?
− Desde que transamos pela primeira vez. Você desperta meu lado selvagem e ninfomaníaco. − Ele falou e eu ri, contendo qualquer comentário quando o garçom se aproximou para nos trazer a conta.
No caminho para casa Sofia me ligou para avisar que ela e Tommy estavam bem e Edward bufou ao ouvir nossa conversa.
− Eu não posso acreditar que você, minha esposa e mãe daqueles dois adolescentes inconsequentes, ajudou eles a conseguirem um apartamento para transar. Isso não é papel de mãe, Bella. − Edward resmungou e eu revirei os olhos para o seu mau humor.
− Edward, eles não são inconsequentes. São muito maduros para a idade. Eu criei a Sofia para saber o que quer, quando quer e como quer. Se ela tomou a decisão de transar com o namorado é porque era a hora certa. Mas, eles vivem na mesma casa, com os pais e a irmã. Transar não é algo que possam fazer sempre que querem. Então, eu resolvi dar uma forcinha. E é claro que isso é algo que uma mãe faz. Eu sou moderna e desapegada de qualquer tabu envolvendo sexo. Não vejo problema nenhum em conseguir um lugar pra eles transarem.
− Você é uma mãe moderna demais para o meu gosto. Aqueles dois transando ainda vão me enlouquecer. − Edward falou entredentes e eu ri.
− De quem você tem ciúme? Do Tommy ou da Sofia? − Eu perguntei divertida e meu marido bufou.
− Não é ciúme. Pelo menos eu acho que não. É cuidado. Eu sei o que é sexo. Sei o que acontece quando se está sozinho e nu ao lado de uma mulher também nua. E saber que eles fazem isso... Bem, nossos filhos são tão jovens. Por que não esperaram mais para iniciar uma vida sexual?
− Com quantos anos você iniciou a sua vida sexual? − Eu perguntei no momento em que Edward estacionava o carro na nossa garagem e ele enrubesceu, o que me fez rir.
− Isso não está em questão. − Ele resmungou e eu revirei os olhos.
− Claro que não! Bem, eu tinha quinze. Sofia tem dezesseis e é muito mais ajuizada do que eu era. Estou bem com isso. Agora me diz... Quantos anos você tinha?
− Quatorze. Emmett e eu pagamos por garotas de programa. − Ele murmurou e eu ri, descendo do carro.
−Você é tão hipócrita, Edward Antony Cullen!
− Não sou hipócrita. Sou pai. Um pai preocupado com as possíveis más decisões dos filhos. Agora, vamos parar de falar desse assunto. Caso contrário, vou perder toda e qualquer vontade de te fazer gritar. − Ele falou e eu ri, agarrando o seu pescoço assim que trancamos a porta de entrada.
− Nem pense nisso. Hoje é o dia dos namorados e nós temos que comemorar o nosso amor. E não há melhor maneira de fazer isso do que fazer sexo até amanhecer. − Eu falei e ele sorriu, beijando meus lábios.
− Você é a mais linda, a mais gostosa e eu te amo, Dra. Swan.
− Eu te amo mais, Edward Cullen. Eu te amo mesmo que você seja hipócrita quando o assunto é a vida sexual dos nossos filhos. Eu te amo apesar de você ser reclamão, desastrado e mel humorado. Eu te amo por você amar minha filha, por me permitir ser a mãe dos seus filhos e por esse bebê. Eu te amo por me aceitar com todas as minhas falhas e imperfeições e com meu passado atribulado. Eu te amo por me dar uma família e por me fazer tão feliz. − Eu declarei emocionada e ele sorriu, enxugando minha lágrima solitária com um beijo.
− Eu te amo apesar de você ajudar nossos filhos a transar, mesmo sabendo que isso me enlouquece. Eu te amo por você ser essa mãe incrível que transformou a vida da Mia e que criou uma menina tão incrível como a Sofia. Eu te amo por você aceitar ser minha mulher e dividir sua vida comigo. Eu te amo por esse bebê que você carrega. Eu te amo pela filha linda que eu ganhei e a quem eu amo tanto. Eu te amo por me fazer amar novamente. Eu te amo... Simplesmente te amo. − Ele declarou e eu sorri, beijando-o outra vez.
E como eu dissera a Sofia, Edward e eu fizemos amor em todas as superfícies disponíveis daquela casa. Foi uma noite maravilhosa. O melhor dia dos namorados da minha vida.
E com sorte não seria o último, pois eu seria a namorada de Edward Cullen para sempre.
EXTRA 8
Em Harvard...
Pov. Sofia
Cheguei da faculdade tarde da noite e desabei sobre o sofá. Eu estava exausta. Harvard estava acabando comigo.
− Ei... Tudo bem aí? − Tommy me perguntou, aparecendo da cozinha e eu fiz uma careta, fazendo-o rir.
− Eu estou exausta. Minha cabeça dói de tanto pensar. E hoje, para ajudar, o professor nos manteve na aula até as dez da noite. E adivinhe para fazer o que? Cálculos! Cálculos, Tommy! Eu achei que nunca mais teria que lidar com a matemática e no primeiro semestre eu já sou torturada com aulas intermináveis de cálculo. Eu quero morrer!
Tommy riu e me puxou para o seu colo.
− Não seja exagerada, amor. Você está se saindo bem nas aulas de cálculo até agora.
− Eu odeio matemática, Tommy. Odeio com todas as forças do meu ser. Não importa se eu estou indo bem, pois eu continuo odiando matemática. Para sempre. − Ele riu e beijou meu rosto, o que me fez bufar.
− Certo. E pizza? O que você acha de pizza? Assei uma para nós dois.
− Nós dois? E Ethan? Não vai jantar com a gente?
− Ethan saiu. Não disse para onde ia e nem que horas voltaria. − Eu franzi o cenho e encarei Tommy por alguns segundos.
− Seu primo está traindo minha prima? − Tommy deu de ombros.
− Não faço a menor ideia. Ele anda muito misterioso ultimamente. Mas, eu acho que não, pois ele morre de medo da Lara. Além disso, ele gosta de verdade dela e sofreu muito com a separação forçada dos dois.
− Eu nunca vou entender o que se passa na cabeça dos meus tios para proibir Lara de vir para Harvard e conviver com o namorado. Minha mãe falou que os dois continuam irredutíveis sobre isso e que ainda criticam nós dois por estarmos vivendo juntos aqui.
− Somos pecadores, anarquistas e transgressores. Mas, sinceramente? Adoro isso! E adoro muito sua mãe por ser tão mente aberta e convencer meu pai a nos deixar viver assim.
−Em pecado? − Eu perguntei beijando-o e ele riu, me deitando no sofá e enterrando o rosto no meu pescoço.
−Sim. Adoro ter você na minha cama todas as noites.
− É?
− Você sabe que sim.
− A gente nem transa, Tommy. Estamos sempre tão exaustos que sexo é a última coisa que passa pela nossa cabeça. − Eu declarei e ele riu, me encarando divertido.
− É claro que a gente transa. Toda mês pelo menos. − Eu gargalhei.
− Se meus tios soubessem como é nossa vida aqui aposto que eles deixariam Lara vir para Harvard. Aqui não temos tempo nem mesmo para sermos pecadores.
− Pois é... Mas, o que você acha de comermos nossa pizza e sermos pecadores essa noite? Amanhã nenhum de nós temos prova. Podemos ir dormir mais tarde. − Eu ri e tirei ele de cima de mim.
− Que romântico você, Antony Cullen! − Eu ironizei e ele riu.
− Sou prático. − Revirei os olhos e o segui até a cozinha.
Comemos nossa pizza e após falar com nossos pais pelo telefone fomos para nosso quarto. Tomamos banho (separados) e eu já tava quase dormindo quando alguém pulou em cima de mim.
Eu me preparei para xingar até a décima geração do meu namorado, mas ao registrar o cheiro de um perfume familiar, que não era de Tommy, eu abri os olhos e me deparei com Lara me encarando.
− Lara?!?
− Surpresa!
− Mas... O que...
− Lara? − Tommy apareceu vestindo apenas a calça do pijama e parecia tão surpreso quanto eu ao ver Lara espalhada em nossa cama.
− Vocês dividem o quarto? Seus pervertidos!
− O que você está fazendo aqui, loira? − Tommy perguntou e Lara suspirou, sentando-se na cama.
−Eu fugi de casa.
− O que? − Tommy e eu perguntamos ao mesmo tempo e Lara sorriu, dando de ombros.
−Eu fugi. Aceitei a vaga em Harvard, vim para a entrevista, passei e fugi. Sou maior de dezoito e posso perfeitamente bem decidir onde vou me formar.
Tommy e eu trocamos um olhar e depois encaramos Lara outra vez.
− Você não está falando sério, né? − Eu perguntei e Lara sorriu.
− Estou. Ethan me ajudou.
Olhamos para Ethan parado na porta do nosso quarto e ele deu de ombros.
− Você tem noção da revolução que você vai causar, não é? Além disso, como você pretende se manter em Boston sem a ajuda financeira dos seus pais? − Tommy perguntou e Lara suspirou.
−A vovó Renée está me ajudando. Ela achou injusta a decisão dos meus pais em me manter em Los Angeles contra minha vontade.
Eu estava chocada. Simplesmente chocada. Não sabia o que dizer.
− Ah... E a tia Bella também ajudou. Foi ela quem comprou minha passagem, agendou minha entrevista e avisou Ethan da minha chegada.
− Minha mãe? Minha mãe te ajudou a fugir de casa? − Eu perguntei atônita e Lara assentiu.
−Cada dia que passa eu sou mais fã de Isabella Cullen. − Tommy falou divertido e eu bufei. Minha mãe não conhecia limites.
− Mas, e agora?
− Agora eu vou estudar em Harvard e dividir o quarto com você. − Lara declarou e Tommy a olhou indignado.
− Nem pensar. Você fica com Ethan. Sofia dorme comigo. − Lara revirou os olhos.
− Vocês nem transam, Tommy. Qual a diferença de ela dividir o quarto comigo ou com você? − Minha prima perguntou e Tommy me olhou mal humorado, me fazendo corar.
Eu dei de ombros e ele bufou. Lara era minha melhor amiga e eu confidenciava tudo a ela. Inclusive a falta de atividade sexual que Harvard nos proporcionava.
− Sofia fica comigo. Você e Ethan que se entendam na bagunça dele. − Tommy concluiu e Lara bufou, mas desistiu de discutir com ele.
E e eu ainda estava chocada demais para participar daquela disputa sobre com quem eu iria dormir.
Por fim, Lara foi para o quarto de Ethan e eu fiquei com Tommy.
Liguei para minha mãe e ela me disse que daria um jeito na ira dos meus tios.
− Você é louca, mãe! − Eu falei e ela riu.
− Sou justa. Lara pediu minha ajuda e eu e sua avó resolvemos ajudá-la. Mas, fique tranquila que eu vou dar um jeito nos seus tios. Curta sua prima, pois ela vai ficar com você durante toda a faculdade.
Depois de falar com a minha mãe, deixei Tommy no quarto e fui para a cozinha, onde Lara comia o resto da nossa pizza.
− Vai mesmo me trocar pelo seu namorado? Pensei que quando eu chegasse você iria querer dividir o quarto comigo. − Lara reclamou e eu revirei os olhos, me sentando ao seu lado.
− Tommy morreria se eu decidisse mudar de quarto. Além disso, se é para ser uma rebelde sem causa, faça direito. Já que você fugiu de casa, divida o quarto com o namorado e viva em pecado. Apesar do sexo escasso, estar com o namorado todas as noites tem suas vantagens. − Eu declarei e Lara riu, terminando de comer e me encarando.
− Los Angeles ficou horrível sem você. Nada tinha graça. Além disso, a falta de Ethan estava acabando comigo. Eu precisava vir para Boston e viver isso. Ainda bem que tenho uma avó e uma tia maravilhosas.
− Você, a vovó e minha mãe são loucas, mas eu estou feliz em te ter aqui. Senti muito sua falta também. − Eu confessei e ela ela sorriu, unindo nossas mãos.
− Juntas para sempre, lembra?. Você é a irmã que eu nunca tive. Não consigo ficar sem você, Sofia.
− Nem eu sem você, Lara. Harvard vai ficar bem melhor agora. − Eu afirmei e ela riu, me abraçando.
Lara estava comigo.
E isso era maravilhoso.
Para ficar melhor, só faltava meus pais e minhas irmãs.
Mas, eu sabia que nenhum deles iria fugir de casa para ficar comigo.
Pelo menos eu esperava que não.
De maluca bastava minha prima.
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