Laços de amor

53 Extras - Parte 2 - SEPARAÇÃO


Notas iniciais
PARA QUEM QUERIA SABER SOBRE O TÉRMINO DE TOMMY E SOFIA AÍ ESTÁ. BOA LEITURA!

Extra 9

Pov. Tommy

Hoje em dia...

Ouvi o som irritante do alarme do celular e gemi, tateando sobre a mesa de cabeceira para encontrá-lo e desligar aquele barulho dos infernos. Tudo o que eu queria e precisava era voltar a dormir.

Mas, Sofia foi mais rápida que eu.

─ Nem pense nisso, Cullen. Temos que levantar. Somos adultos responsáveis agora e o trabalho nos espera. ─ Ela retirou o celular das minhas mãos e eu gemi.

Odiava essa parte de ser adulto e responsável.

─ Eu quero continuar dormindo. E quero deixar claro que odeio sua energia matinal. ─ Eu resmunguei e ela riu, sentando-se à beirada da cama para poder beijar o meu rosto.

─ Eu tenho que estar no hospital antes das sete. Preciso estar alerta, pois hoje vou passar o dia todo na emergência.

─ Amor, vamos abandonar tudo e fugir para as Maldivas. ─ Eu falei e Sofia riu, passando a mão carinhosamente sobre meus cabelos bagunçados.

─ É uma ideia tentadora, ainda mais quando lembro que tenho que encarar um plantão de mais de quarenta horas. Mas, coragem! Somos adultos e precisamos enfrentar nossa realidade. Vamos deixar as Maldivas para nossa lua de mel.

─ Você vai se casar comigo, então? ─ Eu perguntei totalmente desperto e ela sorriu.

─ Depois da residência, pois agora, eu tenho que trabalhar. Passe nos hospital para me ver.

─ Depois da residência, Sofia? Vai demorar muito ainda. ─ Eu reclamei e ela revirou os olhos.

─ Já vivemos juntos, Tommy. Casamento é só um detalhe. Então, pode demorar, pois eu sou sua. Sempre fui, mesmo quando não era você que me beijava ou me tocava. ─ Fiz uma careta para suas palavras, o que a fez sorrir tristemente. ─ Agora eu tenho mesmo que ir. Te vejo mais tarde. Te amo! ─ Sofia falou e depois de me beijar, saiu apressada do quarto, me deixando sozinho com meus pensamentos.

Já fazia alguns meses que Sofia e eu havíamos voltado de Boston para Los Angeles e estava tudo correndo bem. Eu trabalhava com meu pai no escritório de advocacia da família e Sofia estava no internato médico no mesmo hospital da nossa mãe.

Nossa rotina era complicada, mas estávamos nos adaptando bem. Los Angeles fazia bem a nós dois. A única coisa que ainda me incomodava e sempre incomodaria era a grande besteira que havíamos feito durante a faculdade. Sofia e eu nos afastamos e por conta da minha idiotice extrema, acabei terminando com ela para poder curtir a “liberdade”. Eu almejei novas experiências amorosas e machuquei a pessoa mais importante do meu mundo, mesmo tendo prometido a ela e aos nossos pais que eu jamais faria isso.

Suspirei.

Eu fui um cafajeste, embora jamais a tenha traído.

Minha frieza a magoou e decidimos juntos que o melhor era dar um tempo para que não nos odiássemos.

Aliás, ela decidiu. Minha namorada me chutou da sua vida quando eu a fiz sofrer continuamente e eu não podia culpá-la.

Sofia sempre dizia que Melissa havia sido a responsável pelo nosso término, mas não era verdade. Admito que fui influenciado pelas ideias e provocações da minha colega de sala, mas eu era o único responsável pelos meus atos e decisões.

Eu conheci Melissa no primeiro ano de faculdade e nós nos tornamos amigos rapidamente. É óbvio que eu percebi o interesse dela por mim, mas nunca dei importância, pois eu era muito apaixonado por Sofia e nenhuma outra garota me interessava.

Mas, com o tempo, as ideias malucas da minha colega de classe começaram a invadir minha mente e eu acabei magoando e aceitando terminar com Sofia para curtir a vida.

E eu jamais deixaria de me arrepender dessa decisão. Jamais.

***********

Na faculdade...

­─ Sofia Swan Cullen. Espera. Você namora sua irmã? ─ Melissa me perguntou surpresa e eu tirei a identidade de Sofia das suas mãos, guardando o documento novamente na minha carteira.

Melissa Flammer era uma ótima companheira de estudos, mas era intrometida demais.

─ Sofia é filha da minha madrasta. Meu pai a adotou. Por isso temos o mesmo sobrenome. Mas, não somos irmãos biológicos.

─ Ela é da família mesmo assim. Isso é incesto! Você é um pecador, Antony Cullen. E sua namorada com cara de anjo também. ─ Eu bufei.

─ Já falei pra você não falar assim da Sofia, Mel. Ela é minha namorada e eu a amo. ─ Melissa revirou os olhos.

─ Claro que ama. Eu sei. Mas, eu não estou mentindo quando digo que ela tem cara de anjo. Sofia é toda educada, fala baixinho, é inteligente. Bonita também. Traduzindo: um anjo. Por isso que o fato de vocês dois estarem cometendo incesto é assustador.

─ Pela última vez: Não é incesto. Sofia não é minha irmã e ela já era minha namorada quando foi adotada pelo meu pai. ─ Ela riu.

─ Sofia foi sua única namorada? ─ Levantei os olhos do relatório que eu lia para encará-la.

─ Por quê?

─ Curiosidade. O fato de vocês serem da mesma família me leva a acreditar que o seu anjo foi a única namorada que você teve.

─ Antes de namorá-la eu fiquei com algumas garotas. Mas, sim. Sofia foi minha única namorada. ─ Melissa riu.

─ Jura? Que bonitinho! E brega. Nem parece que você vive no século XXI, Antony. Só falta você me dizer que só transou com ela também. ─ Eu corei.

─ Melissa, eu não acho que isso seja da sua conta. ─ Ela riu com desdém.

─ Tem razão. Não é. Mas, eu fiquei curiosa de verdade. Você já transou com outras garotas, né? ─ Não respondi. Não havia problema nenhum confessar que Sofia havia sido a única com quem transei, pois eu a amava e me orgulhava deste fato. Mas, por algum motivo, minha limitada experiência sexual fez com que eu me sentisse envergonhado diante de Melissa. ─ Antony?

─ Melissa, eu não vou falar da minha vida sexual com você. Esquece.

─ Meu Deus! Você só transou com ela! Isso é... Isso é absurdo! Antony Cullen, você precisa aproveitar melhor a vida. Conhecer outras garotas, beijar, transar, beber. Você não está em idade de ser monogâmico. ─ Rolei os olhos.

─ Não é só uma questão de monogamia, Mel. Eu amo minha namorada e não sinto nenhuma necessidade de estar com outras garotas. Sofia me basta.

─ Não é assim que a banda toca, Antony. A vida é curta demais pra gente namorar e transar com apenas uma pessoa. Deixa eu te mostrar como a vida pode ser interessante. ─ Melissa falou, acariciando meu braço e eu me afastei dela rapidamente.

─ Melissa, nós dois somos amigos. Eu amo minha namorada e não vou traí-la. Portanto, pode parar com isso.

─ Não estou falando pra você traí-la. Mas, Antony, eu acho sinceramente que você deveria passar algum tempo solteiro.

─ O que? ─ Perguntei incrédulo e ela deu de ombros.

─ Fique solteiro. Termine com ela para curtir seu tempo na faculdade. ─ Eu ri. Melissa não podia estar falando sério.

─ Você enlouqueceu, Melissa? Eu não vou fazer isso. Nunca. Eu sou completamente apaixonado pela minha namorada. Não quero estar solteiro, pois não preciso de nenhuma outra garota que não seja Sofia. ─ Melissa bufou.

─ Antony, você não pode passar a vida inteira se relacionando com apenas uma pessoa. Isso é contra as leis da natureza. Já ouviu falar em variabilidade genética? ─ Rolei os olhos.

─ Variabilidade genética? Tá dizendo que eu tenho que sair fazendo filhos com diferentes mulheres por aí? ─ Perguntei de maneira irônica e ela riu.

─ Não. Não precisa chegar a tanto. Só transar já basta. ─ Eu bufei.

─ Melissa, esquece isso. Eu vou pra casa. Amanhã a gente continua essa merda de relatório. Tchau. ─ Eu falei, jogando minhas coisas na mochila de qualquer jeito e saindo do apartamento dela rapidamente, ignorando seus chamados.

Fui para casa e encontrei minha namorada dormindo sobre os seus livros na mesa da cozinha. Sorri para a cena.

─ Ei, princesa... Acorda. Por que você não vai dormir na cama? ─ Eu perguntei, beijando o topo da sua cabeça e ela abriu os olhos para me encarar.

─ Eu tenho que estudar. Mas, estou cansada. E faminta. ─ Ela reclamou e eu sorri, beijando sua testa.

─ Vou te alimentar, então. Tome um banho enquanto eu cozinho.

─ Se tomar banho eu durmo imediatamente e eu tenho mesmo que estudar. Preciso memorizar quinze ciclos bioquímicos para a prova de amanhã. ─ Fiz uma careta. Por isso que preferia o direito.

─ Não adianta forçar a mente, Sofia. Vá tomar um banho. Vamos comer, namorar e depois eu te ajudo a estudar. Prometo! ─ Ela sorriu e se levantou para me beijar.

─ Por isso que eu te amo. Adoro quando você cuida de mim.

─ Eu vou sempre cuidar de você, princesa. ─ Eu declarei e ela sorriu, me beijando outra vez antes de ir para o banheiro.

E quando Sofia já não estava mais comigo eu voltei a pensar nas palavras de Melissa.

Eu não precisava de mais ninguém além de Sofia. Eu a amava desde a adolescência e era provável que isso nunca mudasse. Mas, será que Melissa tinha razão? Será que Sofia e eu precisávamos ficar sozinhos por um tempo para termos novas experiências? Será que seriamos o bastante um para o outro pelo resto das nossas vidas?

Suspirei.

Acho que só o tempo me daria essas respostas.

*********

Alguns dias depois...

─ Dá uma olhada na bunda daquela garota... E nos peitos! Ah, os peitos! Eu mataria alguém para ver aquela gostosa nua. ─ Tyler falou, encarando uma loira na cantina do bloco de Ciências Humanas de Harvard e eu revirei os olhos, enquanto Melissa ria.

─ A gente tem um seminário para apresentar e você aí pensando em garotas nuas. Pelo amor de Deus, Tyler. ─ Melissa falou e ele riu.

─ Eu estou sempre pensando em garotas nuas. Existe coisa melhor que isso? Estar na faculdade e não transar com todas as gostosas disponíveis é um crime.

─ Diga isso a Antony. Durante toda sua vida ele só transou com a namorada-anjo dele. ─ Melissa falou e Tyler gargalhou, me encarando divertido. Eu corei, enquanto bufava de ódio pela língua grande de Melissa.

─ Ela não tá falando sério, né? Sua namorada é gostosa e tal, mas não é possível que você passe a vida toda tendo ela como sua única parceira sexual.

─ Isso não é da sua conta, Tyler. E não diga que Sofia é gostosa. Minha namorada não é um pedaço de carne ─ Eu resmunguei e ele riu.

─ Ah, qual é? É só modo de falar, Cullen. Ela é gostosa sim, mas com todo respeito. Agora, falando da sua experiência nula no quesito mulher... Somos homens. Predadores sexuais por natureza. Portanto, você precisa ter outras experiências sexuais além da sua namoradinha. Vou ajudar você.

─ Vai se oferecer como parceiro? ─ Perguntei puto e ele riu.

─ Não. Essa não é a minha praia. Mas, eu tenho certeza que Melissa seria a primeira a se oferecer para o posto. Não é, Mel?

─ Se ele quisesse... ─ Mel falou de maneira insinuante e eu bufei, o que a fez rir.

─ A Mel é uma gata, cara. E quente. Tenho certeza que pode te levar a loucura na cama. ─ Tyler falou em um tom de conspiração e eu corei, sabendo que Melissa podia ouvir o que aquele imbecil estava dizendo.

─ Não estou interessado. Minha namorada dá conta de todos os meus desejos.

─ Pois eu duvido... Sofia é inocente demais para satisfazer um cara como você. Além disso, com essa história de medicina vocês dois nem se veem. Quantas vezes vocês transaram esse mês? Uma? Nenhuma? ─ Melissa me perguntou e eu bufei, me recusando a falar sobre minha vida sexual com ela e Tyler. Mas, Mel tinha razão. Sofia e eu quase não transávamos. Nossos horários malucos não permitiam que passássemos muito tempo juntos para tanto.

─ Mel tem razão. Sofia é gata, mas não deve saber nada sobre sexo. E se vocês quase não se encontram, a situação é mais grave ainda. Escuta, cara... Nós homens precisamos viver algumas experiências sexuais que vão além de uma relação monogâmica. Se você acha estranho transar com Melissa por ela ser sua amiga, eu te arranjo outras garotas. Nem vai ser difícil, já que você tem uma legião de fãs no campus. ─ Tyler falou animado e eu bufei mais uma vez, me levantando e jogando minha mochila nos ombros.

─ Minha vida sexual não é da conta de ninguém. Portanto, só me deixem em paz. ─ Eu falei puto e saí da cantina rapidamente, ignorando o chamado daqueles dois idiotas.

Andei pelo Campus a fim de esfriar a cabeça, mas não fiquei nada feliz quando vi Sofia conversando e rindo com um idiota qualquer. Minha namorada jamais havia me dado qualquer motivo para desconfiar dela, mas aquela conversa na cantina mexeu com a minha cabeça mais do que eu gostaria de admitir. Assim, controlado por toda raiva e confusão que eu estava sentindo naquele momento, marchei até Sofia na tentativa de tirá-la de perto daquele idiota. Será que ele também estava tentando convencê-la a ter experiências sexuais com outros caras?

─ Sofia? ─ Eu a chamei de forma seca e ela me olhou surpresa, sorrindo pra mim em seguida.

─ Oi, amor. Você não devia estar na aula?

─ O professor está doente. Quem é esse? ─ Eu perguntei rudemente a ela que me lançou um olhar confuso.

─ Adam. Ele é monitor do laboratório de Anatomia. Estamos escrevendo um projeto juntos. Eu te disse... Tá tudo bem? ─ Ela me perguntou preocupada, enquanto eu continuava fulminando o tal Adam com o olhar e eu bufei.

─ Não. ─ Eu respondi rudemente e me arrependi na mesma hora quando ela me encarou magoada. ─ Olha, eu tenho que ir. Te vejo em casa. ─ Eu falei apressadamente e saí pelo campus antes que fizesse ou dissesse coisas das quais eu pudesse me arrepender.

Eu não devia estar me sentindo tão confuso assim, já que não havia dúvida no que eu sentia por Sofia. Eu a amava. Não precisava de nenhuma outra garota.

Mas, se fosse pensar bem, as palavras de Melissa e Tyler faziam sentido. Sofia e eu nunca conheceríamos outras pessoas. Nunca teríamos outras experiências amorosas. Como ter a certeza de que nos amávamos mesmo? Como saber se seríamos o bastante um para o outro?

Suspirei.

Acho que eu jamais teria essas respostas.

Entrei em um bar qualquer e pedi uma cerveja. Eu devia ir para casa e estudar, mas eu ainda não queria encarar minha namorada, com quem eu havia sido um ogro idiota.

Procrastinei minha volta para casa o máximo que consegui e quando cheguei me arrependi amargamente por ter sido um idiota com Sofia.

Ela estava em nosso quarto e desviou o olhar dos seus livros de medicina para me encarar. Minha princesa parecia triste e preocupada e eu quis me chutar por ter sido um imbecil com ela.

─ Oi... ─ Eu murmurei e ela permaneceu em silêncio. ─ Me desculpa por hoje mais cedo. Eu não quis ser rude.

─ E por que foi rude, então? ─ Eu suspirei.

─ Não sei. Acho que estou nervoso com as coisas da faculdade e acabei descontando em você.

─ Sei. Já se acalmou? ─ Ela perguntou desconfiada e eu assenti. ─ Que bom. Mas, da próxima vez se controle. Não sou seu saco de pancadas. ─ Sofia falou seca e eu assenti, seguindo para o banheiro.

Quando voltei para o quarto, Sofia já dormia. Eu me deitei ao seu lado e permaneci imóvel, até que ela se virou para me encarar. Notei que seus olhos verdes estavam molhados de lágrimas.

─ Tommy, o que de fato aconteceu hoje? Antes de ser sua namorada eu sou sua amiga e gostaria que você não me escondesse nada. ─ Eu expirei.

Talvez o melhor fosse ser sincero com ela, pois eu nunca seria capaz de me perdoar se a traísse de qualquer forma.

─ Você já pensou em estar com outras pessoas, Sofia? ─ Eu perguntei e a confusão tomou conta da sua expressão.

─ Defina estar.

─ Ah... Namorar, beijar, transar. Ter experiências amorosas diferentes. Afinal, eu fui seu único namorado.

─ E isso é ruim? ─ Ela me perguntou confusa e eu sorri tristemente, acariciando seu rosto lindo com delicadeza.

─ Não sei. Você que tem que me dizer. Nunca pensou em ficar com outras pessoas?

─ Não. Eu amo você. Gosto de beijá-lo, de fazer amor com você e de ser sua. Nunca pensei em estar com outros caras. Você já pensou em estar com outras garotas? ─ Eu desviei o olhar e fiquei em silêncio por alguns segundos. Era muito difícil falar sobre isso com Sofia.

─ Não. Eu te amo e te desejo e nunca senti a necessidade de estar com outras garotas. Mas, aí eu tive uma conversa com... ─ Parei de falar e Sofia bufou, sentando-se na cama e acendendo o abajur. Sua expressão não era nada boa.

─ Com Melissa? Você conversou com ela e ficou em dúvida se queria passar o resto da vida ao meu lado? ─ Sofia me perguntou puta e eu suspirei, me sentando também.

─ Não foi bem assim. Mas, ela me fez refletir sobre isso. ─ Ela revirou os olhos e me encarou irritada.

─ Claro que fez. Tommy, aquela garota quer você pra ela. Lara me alertou sobre isso e agora eu vejo que ela tinha razão. ─ Eu bufei. Lara não tinha o direito de fazer a cabeça de Sofia contra minhas amigas, mesmo que tivesse razão sobre o fato de Melissa querer algo comigo.

─ Esquece isso, Sofia. Não vai acontecer. Eu te amo e não vou ficar com nenhuma outra garota. Fique tranquila. ─ Ela riu amargamente.

─ Ficar tranquila? Como você me pede isso depois de me dizer que está pensando em ter experiências amorosas diferentes? ─ Ela me perguntou magoada e eu suspirei.

─ Sofia, eu não...

─ Você e eu não estamos presos um ao outro, Tommy. Caso você queira, podemos terminar numa boa. Eu só quero você comigo se for por amor e se você quiser realmente estar ao meu lado.

─ Eu te amo. Eu quero estar com você, Sofia. Não duvide disso, por favor. ─ Ela respirou fundo e fechou os olhos. Era evidente que minha namorada estava tentando não chorar outra vez e eu quis me chutar por magoá-la.

─ Eu não duvido do seu amor, Tommy. Eu também te amo. Mas, se você quiser realmente ter outras experiências... Se você acha que eu não sou o bastante pra você... Só não me traia. A gente termina quando você quiser, mas eu não seria capaz de perdoar uma traição.

─ Eu jamais a trairia. ─ Eu falei baixo e ela sorriu tristemente.

─ Fico aliviada em saber disso. Muito aliviada, pois eu não seria capaz de te encarar novamente caso você me traísse depois de tudo o que vivemos juntos... Boa noite. ─ Sofia falou suavemente e se deitou de costas pra mim.

Eu quis abraçá-la. Sabia que ela precisava disso. Mas, eu acabei me afastando. Estava confuso demais para confortá-la. O melhor era dar espaço a Sofia.

Ambos precisávamos pensar.

**********

Alguns dias depois...

─ Você vai ficar estranho comigo até quando? ─ Ouvi a voz de Melissa e ergui os olhos do livro de direito penal que eu lia para encará-la.

Depois daquela conversa estranha na cantina eu tentei me manter afastado dela e de Tyler, mas aparentemente seria impossível. Melissa Flammer sempre daria um jeito de me encontrar.

─ Não estou estranho com ninguém. Só estou sem tempo para socializar. ─ Ela bufou com a minha resposta e se sentou a minha frente.

─ Você vai socializar comigo mesmo não querendo, Antony. Esquece aquele papo sobre transar e ter novas experiências. Não precisamos mais falar sobre isso se você não quiser.

─ Ótimo. Então não vamos falar mais sobre isso. Eu amo e respeito minha namorada. Ponto final. ─ Ela revirou os olhos, mas não fez nenhum comentário debochado como era de costume.

─ Bem, então se você me perdoou de verdade pela minha tentativa de te satisfazer sexualmente, levanta a bunda daí e vamos para o bar. Tyler está lá e pediu que eu viesse te buscar.

─ Eu tenho prova na sexta, Mel. Tenho que estudar.

─ São só algumas horas, Antony. Depois a gente estuda juntos. Você precisa relaxar um pouco, ou vai acabar enlouquecendo. ─ Eu suspirei. Ela tinha razão sobre relaxar. Eu realmente estava precisando mesmo desligar um pouco. A faculdade estava acabando comigo.

─ Tudo bem. Mas, só vou tomar uma cerveja. Sofia e eu combinamos de ir ao cinema hoje. ─ Melissa sorriu. Foi um sorriso debochado, mas eu resolvi deixar pra lá. Não estava a fim de brigar com ninguém hoje.

─ Uma cerveja, então. Vamos lá. ─ Ela falou animada e eu a acompanhei.

Mas, é óbvio que não fiquei só em uma cerveja e quando dei por mim já estava meio bêbado e atrasado para o meu compromisso com Sofia.

─ Eu tenho que ir. ─ Falei depois de verificar a hora no meu celular e Melissa riu, tomando o aparelho das minhas mãos.

─ Você já está atrasado, baby. Nada de cinema para você e sua namoradinha hoje. Então, fica mais um pouco. ─ Eu bufei.

─ Me devolve meu celular, Mel. Eu tenho que enviar uma mensagem pra Sofia ou ela vai arrancar minhas bolas.

─ Deixa que eu envio, bonitão. Você não está sóbrio para isso. ─ Eu estalei os lábios.

─ Sofia não gosta de você, Mel. Se você enviar uma mensagem pra ela, eu estarei ainda mais ferrado.

─ Vou enviar do seu celular. Fique tranquilo.

─ Então, tá. ─ Eu falei e segui para a mesa de bilhar, para jogar mais uma partida com Tyler.

Perto das onze da noite Mel se ofereceu para me deixar em casa e eu aceitei, pois não tinha a menor condição de dirigir. Eu estava muito bêbado.

─ Sofia respondeu a mensagem? ─ Eu perguntei, mantendo meus olhos fechados e a cabeça encostada no banco do carro.

─ Sim. Disse que estava tudo bem. Sua namoradinha é muito compreensiva.

─ Não a chame de namoradinha. ─ Eu resmunguei e Melissa riu.

─ É o que ela é... Um anjinho inocente. Uma namoradinha. Aposto que ela nem faz oral em você. Vocês já se viram nus em algum ambiente iluminado? ─ Eu corei.

─ Odeio quando você se refere a minha vida sexual. Esse assunto não é da sua conta.

─ Claro que é. Eu sou uma mulher sensual, linda e atrevida o suficiente para te levar à loucura na cama. Mas, você não quer.

─ Não. Eu gosto da minha namorada. Sofia também sabe me levar à loucura. Ela não é um anjinho e muito menos inocente quando estamos nus em uma cama. ─ Eu declarei e Melissa riu debochada.

Paramos em frente ao meu prédio e antes que eu pudesse descer, ela me segurou pelo braço, me virando de frente para ela.

Quando Melissa tentou me beijar eu a afastei bruscamente. Eu estava bêbado, mas sabia perfeitamente o que estava fazendo e jamais iria desrespeitar Sofia daquela forma.

─ Não!

─ Qual é, Antony! Se você tem tanta certeza de que ama sua namorada, qual o problema de ter outras experiências? Aquele verso lindo não diz que sempre voltamos para quem amamos?

─ Eu não quero outras experiências, Mel. Eu jamais vou trair minha namorada. Portanto, se quiser continuar sendo minha amiga, me deixe em paz. ─ Eu falei e saí do carro, seguindo rapidamente para meu prédio, louco para estar com Sofia.

Mas, quando eu entrei em casa desejei que ela já estivesse dormindo, pois era evidente que minha namorada estava uma fera comigo.

─ Onde você estava, Antony Denali Cullen?

─ Você sabe onde eu estava, Sofia. Eu te enviei uma mensagem.

─ Não. Sua amiguinha me enviou uma mensagem, acompanhada de uma foto bem sugestiva. Vocês estavam bebendo juntos. O que mais vocês fizeram juntos, Tommy? Se beijaram? Transaram? Finalmente você conseguiu ter as novas experiências que tanto almeja? ─ Eu revirei os olhos para suas perguntas idiotas.

─ Não diga bobagens, Sofia!

─ Não são bobagens! Você estava com aquela vadia e está com o cheiro dela impregnado em você. E está bêbado!

─ Eu precisava relaxar um pouco. As últimas semanas têm sido tensas na faculdade. Eu saí com amigos. Isso é crime, por acaso?

─ Ah, não! Crime nenhum. Mas, você combinou de ir ao cinema comigo, lembra? Ethan e Lara foram sem nós porque você não soube honrar a droga de um compromisso, mesmo sabendo que eu esperei pela estreia desse filme por mais de um ano. ─ Eu revirei os olhos.

─ O cinema não vai sair do lugar. Podemos ir amanhã ou qualquer outro dia. ─ Sofia me encarou furiosa e eu me encolhi diante do seu olhar.

─ Eu não quero ir a lugar nenhum com você, Tommy. Nunca mais. Saia com seus amigos. Saia com Melissa. Tenha novas experiências. Pra mim já deu! Você não é mais o garoto por quem eu me apaixonei. Você não é o mesmo que furou uma barreira policial para me salvar no dia do tiroteio ou o cara romântico que nos preparou uma noite especial no feriado de natal para nossa primeira vez. Eu não te reconheço mais. ─ Eu bufei.

─ Você também não é mais a mesma, Sofia Swan. Sua vida agora é a medicina. Eu nem te vejo mais! Quanto tempo faz que a gente não transa? Meses! E você nem se importa. Só sabe reclamar e reclamar, principalmente depois que cismou com Melissa.

─ Eu não cismei. Aquela garota quer entrar nas suas calças. Ela faz de tudo para me provocar. E não me diga que ela não dá em cima de você, pois eu sei que é mentira.

─ É, você tem razão! Ela me quer. Muitas me querem. Mas, eu te amo e te respeito. Então, pare de encher meu saco com essa história ou eu vou mesmo repensar as ofertas sexuais que recebo. ─ Eu gritei e quando ela me encarou magoada é que eu registrei a merda que tinha acabado de dizer. Mas, aí já era tarde. O estrago já estava feito.

─ Vai para o inferno, Antony! Ou melhor, aceite todas as propostas que recebe e suma. Eu não me importo. Não mais. Aliás, eu odeio você! ─ Sofia gritou e eu suspirei, desabando sobre o sofá enquanto ela seguia furiosa para o quarto.

Eu ainda estava tonto por causa da cerveja e não queria falar ou fazer mais nenhuma bobagem.

Fiquei ali até ouvir um barulho no corredor. Ethan e Lara estavam chegando e eu não queria brigar com mais ninguém naquela noite. Não tinha psicológico para mais nenhuma discussão.

Sofia já estava deitada quando entrei em nosso quarto, mas eu sabia que ela não estava dormindo. Eu queria me desculpar, pois sabia que havia sido um ogro com ela. Mas, eu tinha certeza de que se tentasse falar alguma coisa naquela noite acabaríamos brigando outra vez.

Por isso, após um banho gelado para espantar completamente o efeito da bebida, eu simplesmente me deitei ao seu lado e permaneci em silêncio até o amanhecer. Eu a ouvi chorar durante a noite, mas não disse ou fiz nada.

Na manhã seguinte, ela acordou bem cedo como de costume. Sofia fazia estágio em um hospital na periferia e precisava pegar o metrô para estar lá antes das sete da manhã. Discutimos várias vezes por conta desse trabalho voluntário, mas como a experiência era importante para seu ingresso na escola de medicina, eu acabei apoiando-a.

Aproveitei o tempo em que ela estava no banheiro, e me levantei para preparar o café da manhã. Quando ela entrou na cozinha, eu já a esperava com ovos mexidos e uma caneca de café fumegante.

─ Pensei em me redimir com comida. Eu sei que pizza surtiria um efeito melhor, mas ninguém em Boston faz entrega de massas a essa hora da manhã. Portanto, você terá que se contentar com ovos. ─ Sofia me encarou por longos segundos, e virou-se para sair, mas eu corri até ela. ─ Sofia, amor... Eu... Por favor, me desculpe.

─ Eu tenho que ir. Estou atrasada. ─ Ela falou baixo, me encarando magoada e eu suspirei.

─ Eu fui um completo idiota ontem. Fiz e falei coisas horríveis. Mas, a verdade é que eu te amo e odeio brigar com você. Por favor, diz que me perdoa. ─ Eu implorei quis me socar quando uma lágrima solitária escorreu por seu rosto.

Ultimamente eu a fazia chorar sempre.

─ Eu já te disse uma vez, mas para o caso de não ter ficado claro, eu vou repetir: não sou seu saco de pancadas. E eu falei sério ontem quando disse que te odeio. Eu te odeio por me fazer sofrer, Antony. Eu te odeio pelas coisas que me disse ontem e pelo fato de você não ser mais o garoto doce, gentil e amoroso por quem eu me apaixonei aos quinze anos. Então, se você puder se mantar afastado, eu agradeço. Muito. Agora, eu preciso ir. ─ Ela falou e saiu em seguida, me deixando sozinho e me sentindo miseravelmente culpado.

Mais tarde naquele dia eu liguei para o meu pai. Precisava falar com ele sobre Sofia. Claro que não contei tudo o que tinha acontecido, pois presava muito minha vida. Mas, eu precisava de palavras amigas. Precisava do meu velho para saber o que fazer.

Vocês e Sofia brigaram? ─ Ele me perguntou depois de ouvir minha história gaguejada e eu suspirei.

─ Sim. Eu fui um idiota e quero me redimir, mas não sei como fazer isso.

Filho, você a ama? Ama do mesmo jeito que amava quando entrou em uma escola invadida por um atirador para salvá-la?

─ Sim, pai. Eu a amo do mesmo jeito, ou até mais. Mas, nós estamos distantes. ─ Ouvi meu pai suspirar.

A faculdade é complicada, Tommy. E era exatamente esse tipo de coisa que eu temia quando vocês resolveram viver juntos em Boston. Você e Sofia são muito jovens, filho, e ainda não tem maturidade para encarar um casamento.

─ Não somos casados... ─ Eu resmunguei e meu pai bufou.

Mas, vivem como se fossem. Escuta, filho... Venham para casa no feriado de Ação de Graças. Acho que Los Angeles vai fazer bem a vocês. Vou comprar as passagens.

Foi difícil convencer Sofia a viajar comigo. Ela levou a sério aquilo de me mantar distante. Mas, depois de uma ligação da mãe ela acabou aceitando.

E como meu pai disse, estar em casa fez bem a nós dois e ao nosso namoro.

Eu finalmente consegui me redimir pelo meu comportamento estúpido dos últimos tempos e aproveitei cada segundo para estar com Sofia e fazê-la sorrir outra vez.

Fomos ao píer e a praia, a um jogo de basebol, jantamos na nossa pizzaria preferida e nos divertimos muito com nossas irmãs e nossos pais.

Após o feriado, tivemos que voltar para Boston e para nossa dura rotina em Harvard, mas estávamos bem outra vez. Sofia havia me perdoado pela minha estupidez e eu estava me esforçando para não me comportar como uma idiota outra vez.

Quase não nos víamos, pois além da faculdade e de seu estágio voluntário no hospital, seu projeto de pesquisa com o tal Adam estava a todo vapor e tomava muito do seu tempo. Mas, eu tentava ser paciente com sua ausência, pois era a sua carreira como futura cirurgiã que estava em jogo.

─ Estou exausto. Queria poder dormir por todo o fim de semana! ─ Eu falei na sexta-feira a tarde, invadindo nosso quarto e desabando sobre a cama e Sofia sorriu de leve, deixando seu livro de lado para poder me encarar.

Às sextas ela sempre chegava mais cedo e nós aproveitávamos o tempo vago para namorarmos um pouquinho para variar.

─ Dormir é sempre uma boa ideia. Mas, não é possível quando a pretensão é entrar na escola de medicina. ─ Fiz uma careta.

─ O que acha da ideia de viramos mochileiros na Europa? Assim não precisaríamos nunca mais estudar. ─ Eu fiz graça e ela riu.

─ Eu acho a ideia excelente. Mas, tenho certeza de que nossos pais não vão gostar nem um pouco se abandonarmos a faculdade para vivermos uma aventura.

─ Bella adora a Europa. ─ Eu lembrei e Sofia riu, deitando-se ao meu lado.

─ Verdade. Mas, ela gosta da Europa sem nós dois por lá vivendo uma aventura. Acho que minha mãe surtaria se eu abandonasse a faculdade e me mudasse para outro continente. ─ Eu ri. Sofia tinha razão. Bella surtaria. E nosso pai também.

─ Ela encarou Harvard numa boa. ─ Sofia fez uma careta.

─ Eu tenho que ligar para ela todos os dias.

─ Mas, isso é por você também. Tenho certeza que falar com ela é a melhor parte do seu dia. ─ Sofia sorriu.

─ É uma delas. ─ Ela murmurou e eu a encarei curioso.

─ Sério? Tem mais partes boas no meio dessa loucura que é Harvard? ─ Perguntei divertido e ela sorriu tristemente.

─ Estar com você também alegra o meu dia, Tommy. ─ Ela murmurou a última parte e eu sorri, puxando-a para os meus braços e beijando seus lábios.

─ Estar com você é sempre ótimo, princesa. Você é a melhor parte do meu dia também. Eu te amo, mesmo sendo um idiota com você às vezes. ─ Eu falei e ela fez uma careta, me beijando outra vez.

─ Eu também te amo. E justamente por te amar tanto é que eu queria te pedir uma coisa. ─ Sofia falou meio ressabiada e eu a encarei.

─ Pode pedir. O que quiser. ─ Eu falei, colocando uma mecha do seu cabelo atrás da orelha e ela respirou fundo, me lançando um olhar sério.

─ Se afaste de vez da Melissa e do Tyler. Por favor. Eles não te fazem bem. Você se transforma em um idiota quando está com eles. ─ Ela murmurou a última parte e a encarei surpreso.

Como é que é? Agora ela iria escolher os meus amigos?

─ Eles são meus amigos, Sofia. ─ Eu falei chateado e ela suspirou.

─ Eu sei. Mas, eles não são boas pessoas.

─ Adam é? ─ Ela me encarou confusa.

─ O que Adam tem a ver com essa conversa? ─ Eu revirei os olhos.

─ Se você pode exigir que eu me afaste dos meus amigos, eu também posso exigir que se afaste dos seus. ─ Sofia bufou.

─ Adam não me transforma em uma idiota. Ele não está tentando me levar para a cama e não fica te mandando mensagens e fotos sugestivas para atrapalhar nosso namoro. Já você não pode dizer o mesmo da sua preciosa Melissa. Além disso, Adam e eu estamos escrevendo um projeto juntos. Não posso me afastar dele.

─ Então, eu também não posso me afastar dos meus amigos. Melissa e eu estudamos juntos e estamos no mesmo grupo de trabalho. Pare de me encher com essa história, pois você não tem nenhum direito de me dizer com quem eu me relaciono ou não. Você é minha namorada, Sofia. Não é minha mãe ou minha dona. ─ Eu declarei e ela bufou, levantando-se da cama e me encarando com ódio.

─ Faça como quiser, Tommy. Fique com seus amigos idiotas. Só espero que você não se arrependa. ─ Sofia falou e saiu do quarto pisando duro, ignorando completamente os meus chamados.

Eu grunhi e soquei o travesseiro com raiva.

Estava tudo indo bem entre nós até Sofia inventar exigências estúpidas.

Suspirei.

Pelo jeito nosso namoro jamais voltaria a ser o mesmo.

**********

Alguns dias depois...

─ É impressão minha ou vocês brigaram outra vez? ─ Ethan me perguntou quando Sofia passou pela sala sem me cumprimentar e eu suspirei.

─ Não. Tá tudo bem. ─ Ethan ergueu a sobrancelha em minha direção.

─ Sério? Então por que eu fui chutado do meu quarto várias noites seguidas para que Sofia pudesse dormir com a minha namorada e chorar as mágoas? ─ Eu suspirei.

─ Ela pediu que eu me afastasse dos meus amigos e quando eu fiz o mesmo, exigindo que ela se afastasse de Adam, ela surtou.

─ Amigos? Melissa e Tyler?

─ É... ─ Eu resmunguei e Ethan bufou.

─ Eu concordo com Sofia nesse ponto, Tommy. A influência daqueles dois te transforma em um babaca. ─ Olhei para Ethan surpreso.

─ O que?

─ É isso mesmo. Tyler e Melissa não são boas pessoas. Foi por causa das ideias idiotas deles que você veio com aquele papo de ficar livre para curtir a vida e quase terminou seu namoro com Sofia. Tommy, você salvou a vida daquela garota e a ama desde que passou a se entender como homem. Como é possível comprar uma briga com ela por causa de amigos que você conhece há menos de cinco minutos? ─ Fiz uma careta e encarei meu primo seriamente.

─ Ethan, quando o namoro passa para a fase das cobranças e exigências, é porque já passou da hora de acabar. Eu sempre imaginei que meu amor por Sofia seria eterno, mas pelo visto eu me enganei. Foi lindo enquanto durou, mas eu acho que não dá mais. Talvez seja melhor cada um seguir o seu próprio caminho. ─ Eu declarei e Ethan suspirou.

─ É uma pena que você pense assim. O amor de vocês é realmente lindo. Além disso, um término entre vocês pode afetar toda a família. Não se esqueça que ela é filha da esposa do seu pai. Aliás, tio Edward a adotou e a ama como filha. Ele vai fritar e comer suas bolas se você a fizer sofrer. Mas, se dito tudo isso, você ainda acha que terminar é melhor para vocês, vá em frente. Termine de uma vez com o sofrimento dela, pois Sofia não merece derrubar nenhuma lágrima por você ou pelos idiotas dos seus amigos. ─ Ethan falou e saiu da sala, me deixando sozinho com meus pensamentos.

Depois de um tempo, eu fui para o quarto e encontrei Sofia arrumando as malas.

─ Vai viajar? ─ Perguntei curioso e ela me olhou por longos segundos, antes de voltar para suas roupas. Seus olhos estavam molhados e vermelhos, o que indicava que ela havia chorado há pouco tempo.

─ Vou dividir o quarto com Lara. Ethan vai se mudar pra cá. Pedi permissão para nossos pais, e as camas novas chegam amanhã. Essas que usamos vão para doação. Mas, como ainda temos que ajeitar tudo, essa noite eu vou ficar no sofá.

─ E porque isso agora? ─ Eu perguntei confuso e Sofia sorriu tristemente.

─ Porque eu estou terminando nosso namoro, Tommy. Porque eu não vou mais te cobrar ou exigir nada. Você está livre para viver quantas experiências amorosas quiser! ─ Eu gelei.

Que merda era essa agora? Sofia andava me bisbilhotando?

─ Você estava escutando atrás da porta, Sofia? ─ Ela me encarou com ódio.

─ Não. Eu ouvi por acaso. Moramos na mesma casa. Escutar conversas faz parte da nossa rotina. Mas, foi ótimo ouvir da sua boca que nosso namoro já passou o prazo de validade. Eu concordo e não vou ficar insistindo em um amor que não é mais meu. Eu valho mais do que isso. Valho mais do que sua amiguinha... ─ Eu expirei, tentando conter minha irritação e me aproximei dela.

─ Sofia... Vamos conversar.

─ Não temos nada para conversar, Tommy. Acabou. Eu estou saindo do seu quarto e da sua vida. Seremos os irmãos que sempre deveríamos ter sido pelo bem dos nossos pais e da nossa família. Mas, você está livre de qualquer compromisso comigo.

─ Você tem certeza? ─ Eu perguntei enquanto Sofia fechava a mala e ela me encarou.

─ Você não? ─ Eu não respondi e ela sorriu tristemente diante do meu silêncio. ─ Seja feliz, Tommy. ─ Sofia falou, e após beijar meu rosto delicadamente, ela saiu do quarto me deixando sozinho.

Meu namoro tinha acabado. Eu estava completamente livre agora. Livre para ter todas as experiências que eu quisesse.

Eu esperava me sentir aliviado, mas isso não aconteceu.

Eu estava triste. Queria ir atrás dela e pedir que reconsiderasse. Que ficasse comigo e me perdoasse mais uma vez por eu ser um completo idiota. Eu queria o seu sorriso e o seu jeito doce de encarar a vida. Eu queria seus beijos, seu corpo e seu carinho, mas respeitei sua vontade.

Ethan tinha razão. Eu não poderia fazê-la sofrer mais.

Em menos de três dias Ethan estava instalado no meu quarto e Sofia passou a dividir o outro com Lara. Quase não nos encontrávamos e para evitá-la, nas noites que sabia que ela estaria em casa, procurava chegar bem tarde.

Passei a frequentar mais bares e boates e Melissa adorou essa parte.

─ Você fica tão mais bonito sem aquela aliança ridícula no dedo. ─ Melissa falou, se agarrando á gola da minha camisa e eu sorri. Ela já estava bêbada e não parava de tentar me agarrar.

─ Beija a Melissa logo, Antony. Agora você é um homem livre e pode fazer a alegria da mulherada. ─ Tyler falou, batendo no meu ombro e eu respirei fundo, agarrando Melissa e a beijando finalmente. Transamos naquela noite e a partir dali, passamos a ficar sempre.

Melissa em geral era divertida, atrevida e sensual, mas por vezes eu me via sentindo falta da doçura e quase inocência de Sofia.

Mas, agora era tarde. Sofia estava se esforçando para me esquecer e seria justo eu lhe dar espaço, uma vez que a brilhante ideia de terminar nosso namoro havia partido de mim.

─ Está sozinho? ─ Perguntei a Ethan quando cheguei em casa e ele desviou os olhos do videogame para me encarar.

─ Lara e Sofia foram a uma festa. Eu estava cansado e preferi ficar em casa. Adam foi com elas. ─ Revirei os olhos.

─ Está amiguinho dele agora? ─ Perguntei com raiva, enquanto abria uma cerveja e Ethan riu.

─ Ele é um cara legal. Está sendo um bom amigo para Sofia.

─ Claro que está. Principalmente agora que ela está sozinha. ─ Eu falei puto e Ethan me encarou com curiosidade.

─ Está com ciúmes, Tommy?

─ Não é ciúmes. Mas, Sofia exigiu que eu me afastasse de Melissa e quando eu fiz o mesmo com Ethan ela se ofendeu. Agora, depois do nosso término, ela está toda amiguinha dele. Tá na cara que os dois estão ficando. ─ Ethan riu. ─ Tá rindo do que?

─ Adam e Sofia são só amigos. Na verdade, Sofia está ficando com Matt Scott. ─ Arregalei os olhos.

─ Matt Scott, o jogador? Esse Matt Scott?

─ Sim. Ele a conheceu no hospital onde ela faz estágio e pelo visto se encantou. Quando soube que ela havia terminado o namoro a convidou para sair e Sofia aceitou. Lara está empolgada. ─ Revirei os olhos.

─ Claro que está. Sua namorada me odeia. ─ Ethan riu.

─ Ela apenas está do lado da prima e contra Melissa. ─ Eu bufei.

─ Melissa e eu estamos apenas curtindo. Não é nada sério.

─ Não é o que ela diz por aí. Em toda oportunidade que tem, Melissa adora jogar na cara de Sofia o fato de estar com você. Transando, beijando, curtindo... Eu sei que você não gosta de falar sobre isso, mas você fez uma péssima troca, Tommy. ─ Eu suspirei.

Estava começando a me dar conta disso.

**********

Algumas semanas depois...

─ Você está muito mal humorado hoje, Antony. Algum problema? ─ Melissa me perguntou, quando eu recusei a quinta garrafa de cerveja que ela me oferecia e eu suspirei.

─ Só estou cansado. Só isso. Não estou em clima de festa.

─ Ah, mas sua ex-namorada está. ─ Melissa falou divertida, olhando na direção da pista de dança da boate e eu segui o seu olhar, me deparando com Sofia beijando Matt Scott.

Aquela cena me atingiu como um soco, e eu fiquei encarando os dois sem saber como reagir, me dando conta naquele momento de que minha liberdade significava que Sofia também estava livre para ter novas experiências. Ela poderia ser de outros caras e esse fato me incomodou mais do que eu gostaria de admitir.

Eu já sabia que ela estava saindo com Matt Scott, mas vê-la com ele, beijando-o, dançando e trocando olhares, me fez perceber que eu a havia perdido. Eu a havia perdido de vez e me dar conta daquele fato me feriu profundamente.

Quer merda eu havia feito?

**********

Nossos pais descobriram sobre o término do nosso namoro no feriado de Natal, quando eu não fui para Los Angeles e resolvi viajar para New York com Melissa.

Meu pai ficou furioso e gritou comigo duas horas seguidas, dizendo o quanto eu estava sendo irresponsável e cretino. Mas, eu me dei o direito de ignorar seu sermão e curtir minha vida como eu julgava ser melhor. Sofia já estava tendo novas experiências, o que significava que ela não estava sofrendo tanto assim com o fim do nosso namoro.

O tempo passou e Sofia e eu continuamos distantes. A gente não se odiava, mas tampouco éramos amigos. Falávamos apenas o necessário e evitávamos ao máximo estarmos juntos no mesmo local.

Depois dos feriados de fim de ano, eu finalmente ingressei na faculdade de direito e quase não estava tendo tempo para nada. Mel e Tyler também estavam bem ocupados e por isso quase não nos víamos. Nossas noitadas tinham chegado ao fim.

Ethan também estava cursando direito e sempre que podíamos estudávamos juntos.

Após o meu término com Sofia, Lara passou a me detestar e como ela também pretendia seguir pelo caminho do direito, Ethan sempre se oferecia para ajudá-la a estudar e eu era gentilmente convidado a me retirar dessas sessões. E eu até preferia. Era muito melhor estudar sozinho do que ter que aguentar os olhares acusatórios de Lara Swan.

Certa noite, depois de mais uma noitada com Tyler e Melissa, eu cheguei em casa e encontrei Sofia passando mal no banheiro social. Ela estava de vestido e salto, o que indicava que tinha saído naquela noite também. Segurei seus cabelos enquanto ela vomitava, mas assim que percebeu que era eu quem a ajudava, ela se afastou bruscamente.

─ Você está bem? ─ Eu perguntei e ela me lançou um olhar irritado.

─ Eu pareço bem? ─ Ela perguntou, enquanto lavava a boca e o rosto na pia, e eu suspirei.

─ Preciso te levar a um hospital? ─ Perguntei realmente preocupado e ela riu, me encarando irritada.

─ Não, Tommy. Eu apenas bebi um pouquinho mais do que devia. Mas, foi só vomitar para que eu me sentisse melhor. ─ Sofia falou e eu prendi a respiração, encarando-a surpreso.

─ E desde quando você bebe?

─ E desde quando minha vida é da sua conta? ─ Ela rebateu, se recostando na pia com os braços cruzados e eu bufei.

Mas, não deixei de notar o quanto ela estava linda. O vestido que ela usava deixava seu colo a mostra, assim como parte das suas coxas. A pele alva era tão convidativa que por um momento eu me esqueci sobre o que conversávamos e fiquei admirando-a.

─ Eu me preocupo com você, Sofia. ─ Eu falei depois de longos segundos e ela riu.

─ Eu dispenso sua preocupação, Antony. Sou adulta e sei me cuidar.

─ Não parece que sabe se cuidar se bebe até passar mal. ─ Eu falei bravo e ela revirou os olhos, se afastando de mim.

─ Eu misturei algumas bebidas. Só isso. Matt estava comigo e me trouxe para casa. Ponto final. Agora, pare de me encher, pois eu não te devo satisfações. Não mais. Então, me faça um favor: me deixe em paz. ─ Ela falou e foi para o quarto e eu suspirei, me jogando sobre o sofá da sala.

Sofia nunca foi de beber. Quando namorávamos, tentamos iniciá-la no mundo da bebida, mas ela era fraca demais e preferia ficar na base do suco e do refrigerante.

E agora estava bebendo até passar mal.

Passei as mãos pelos cabelos, me sentindo miseravelmente culpado e frustrado.

Se algo de ruim acontecesse com Sofia por conta da sua nova vida baladeira eu jamais iria me perdoar.

**********

Alguns meses depois...

Estávamos em abril e a temperatura em Boston finalmente começou a subir. Cheguei em casa depois de um dia exaustivo na faculdade e me deparei com meus companheiros de apartamento em uma espécie de comemoração da qual eu fui claramente deixado de fora.

Sofia, Ethan, Lara e Adam estavam com taças de champanhe nas mãos, rindo a toa, mas ficaram em silêncio quando me viram entrar.

─ Continuem a comemoração. Finjam que eu não moro aqui. ─ Eu falei debochado e eles se entreolharam, o que me irritou.

─ Na verdade, Tommy, se quiser, pode participar da comemoração com a gente. Sofia e Adam receberam uma excelente notícia hoje. ─ Lara anunciou e eu encarei minha ex-namorada que parecia sem graça diante das palavras da prima.

─ Ah, é? Que notícia? ─ Eu perguntei, tentando não formular nenhuma teoria maluca na minha cabeça, e Lara sorriu.

─ O projeto deles foi premiado e os dois vão passar seis meses em Oxford dando continuidade a pesquisa. ─ Lara me respondeu e eu arregalei os olhos.

─ Oxford? No Reino Unido?

─ Da última vez que verificamos ainda estava lá. ─ Ethan debochou e eu o encarei mal humorado.

Sofia iria para o Reino Unido? Com Adam?

Meu Deus, eu estava oficialmente passando mal.

─ Será uma experiência magnífica e vai garantir a entrada da Sofia com honras na escola de medicina. ─ Adam falou animado e eu me contive para não revirar os olhos e mandá-lo à merda.

─ Claro que ela vai entrar com honras, Adam. Sofia é um gênio e já é a queridinha dos professores. Imagine depois dessa experiência maravilhosa em Oxford?

─ Você vai embora? ─ Perguntei diretamente para Sofia que deu de ombros, sorrindo em seguida.

─ Apenas por seis meses. Depois disso, volto para cursar medicina.

Eu assenti e depois de parabenizá-los fui para o meu quarto sofrer e chorar pela garota maravilhosa que eu havia perdido.

Nos próximos meses, a vida de Sofia girou em torno dos preparativos para sua viagem ao Reino Unido. Eu percebia que ela estava animada com a viagem e me senti péssimo por não estar ao seu lado para dividir aquela conquista incrível com ela.

Um dia antes da sua partida, nos reunimos na casa dos nossos avós e eu tentei ignorar a dor que eu estava sentindo por saber que ficaria longe dela por seis meses. Já havíamos ficado separados antes, mas agora era diferente, pois ela iria embora me odiando.

Bem... Não me odiando. Mas, ela iria para Londres livre de mim e poderia muito bem se apaixonar por algum britânico idiota e esquecer tudo o que vivemos juntos. Para sempre.

─ Está levando muitas opções de casacos? Londres costuma ser mais fria que Boston. ─ Eu perguntei, entrando no quarto em que Sofia estava conferindo pela última vez suas malas, e ela me encarou surpresa.

Não havíamos trocados muitas palavras durante os meses que ficamos separados.

─ Minha mãe já despachou uma mala só de blusas de frio, cachecóis e meias para Londres. Fique tranquilo, pois frio eu não vou passar. ─ Eu sorri.

Era óbvio que Bella faria algo assim. Seus cuidados maternos com Sofia não tinham limite.

─ Matt deve estar orgulhoso. ─ Sofia fez uma careta e voltou a prestar atenção em sua mala.

─ Matt não é meu namorado, Tommy. Ficamos algumas vezes, mas não temos nada sério. Acho que ele nem deve entender bem o que vou fazer em Oxford. Ele faz mais o estilo atleta burro. Lindo, mas burro. ─ Eu ri.

─ Jura? A maioria das meninas morre por ele.

─ Como eu disse, Matt é lindo. Ele é um cara bem legal, mas eu não quero nada sério com ninguém. Não por enquanto.

─ Nem com Adam? Tá na cara que ele é afim de você.

─ Ele é. Eu sei. Mas, combinamos de deixar acontecer. ─ Eu fechei minhas mãos em punho.

Por que era tão difícil saber que Sofia estava seguindo em frente?

─ Eu espero que você curta muito essa viagem. Europa sempre esteve nos seus planos, não é? ─ Eu declarei e ela me encarou, terminando de fechar a mala.

─ Estava nos nossos planos, Tommy. Uma pena que você tenha trocado tudo para ficar com sua preciosa Melissa.

─ Eu não troquei nada para ficar com Melissa. Aliás, foi você quem terminou nosso namoro. ─ Ela sorriu tristemente.

─ Verdade. Eu terminei. Mas, espero que você esteja curtindo muito sua liberdade. Era isso que você queria, não era?

─ Era. Mas...

─ Mas... ─ Sofia falou e eu respirei fundo, encarando-a.

─ Eu sinto sua falta. ─ Ela prendeu a respiração.

─ Sente?

─ Muito. Queria poder... ─ Antes que eu terminasse, Sofia se aproximou de mim e me beijou.

E eu me agarrei ao seu corpo, não querendo que ela fosse embora nunca mais.

Nós transamos naquela noite. Fugimos para o mesmo chalé onde nossa primeira vez aconteceu e tivemos uma noite incrível. Mas, ela não me deixou falar nada sobre nós dois.

Foi perfeito, mas casual e, no dia seguinte, ela viajou para Londres sem olhar para trás.

Seis meses se passaram sem que ela voltasse para os Estados Unidos nem uma vez. Nossos pais e Mia foram até ela, mas eu não fui convidado para a viagem.

Fiquei sabendo por Lara que Adam e Sofia estavam juntos em Londres e eu quis morrer ao imaginá-la vivendo com ele da mesma forma que viveu comigo em Boston.

Será que os dois estavam transando?

Será que ela havia se apaixonado por ele?

Eu por outro lado não estava com ninguém. Melissa se cansou de tentar me fazer pedi-la em namoro e resolveu assumir uma relação semiaberta com Tyler.

Eu estive com outras garotas, mas nenhuma interessante o suficiente para me prender.

A única que tinha esse poder era Sofia.

Quando ela voltou de Londres eu fiz questão de esperá-la no aeroporto ao lado da nossa família. Eu estava com muitas saudades de Sofia para continuar fingindo que eu não me importava.

Ela estava linda. Ainda mais linda do que eu me lembrava e, quando ela me abraçou, eu me senti completo outra vez.

─ Eu estava com saudades, princesa. ─ Eu falei em seu ouvido e ela sorriu. Sorriu de verdade e eu me senti verdadeiramente feliz pela primeira vez em meses.

Eu tentei me aproximar dela aos poucos, mas sua relação com Adam se tornou um grande empecilho.

Não era oficialmente um namoro, mas o cara não desgrudava e eu sentia vontade de matá-lo todas as vezes que eu os via juntos.

Certa noite cheguei em casa tarde depois de uma aula e a encontrei dormindo em cima dos seus livros com o cabelo molhado.

Sorri para a cena e fui atrás do seu secador. Sofia já tinha se resfriado por fazer esse tipo de coisa, mas ultimamente a faculdade de medicina parecia ser sua única preocupação.

Ela acordou quando eu comecei a mexer nos seus cabelos.

─ O que tá fazendo? ─ Ela me perguntou sonolenta e eu sorri, lhe mostrando o secador.

─ Secando o seu cabelo pra você não morrer de gripe. ─ Ela fez uma careta.

─ Obrigada! Eu ia secar, mas como tinha que estudar, resolvi deixar pra depois e acabei dormindo.

─ Tudo bem. Pode deixar que eu seco. Afinal, já fiz isso antes. ─ Eu declarei e ela sorriu.

─ É... Fez sim.

Depois dessa noite voltamos a nos aproximar.

Mas, o fato de estar bem com ela me fazia querer morrer sempre que eu a via com Adam, principalmente quando percebia que eles riam muito juntos.

─ Adam, me devolve! Você tem um celular. Por que tem que ficar mexendo no meu? ─ Sofia perguntou ao idiota, enquanto ele ria e se desviava das mãos dela para continuar fuçando no seu celular.

─ Suas fotos são bem melhores que as minhas. Olha essa... Sem foco nenhum. Amor, acho que vou ter pagar um curso de selfs. Você não sabe tirar fotos. ─ Adam falou e Sofia beliscou sua barriga, fazendo-o rir.

Eu por outro lado estava fulminando de ódio.

Amor? Que porra era aquela de amor?

─ Pelo menos minha cara é bonita. Não podemos dizer o mesmo da sua. ─ Sofia provocou e ele a encarou indignado, fazendo-a rir.

─ Retire o que disse, Sofia Swan. ─ Ele falou, fazendo cócegas nela, que ria ainda mais e se contorcia nos braços daquele imbecil.

Fui para o meu quarto para fugir daquela cena ridícula e fiquei por lá pelo resto da noite.

Naquele mesmo fim de semana fomos juntos a uma festa em uma boate e quando Adam tirou Lara para dançar, enquanto Ethan tentava nos conseguir bebidas, eu tive um momento a sós com Sofia.

─ Você está linda essa noite. ─ Eu falei, observando-a em seu vestido curto e rodado e saltos altos, e ela levantou os olhos da tela do celular para me encarar.

─ Obrigada, Tommy. Você também está muito bonito. Tem uma loira ali que não para de te encarar. ─ Ela apontou para algum ponto atrás de mim, mas eu não desviei o olhar do seu rosto.

─ Não gosto de loiras. Elas me lembram sua prima. ─ Eu resmunguei e ela riu.

─ Lara não te odeia mais. Fique tranquilo.

─ E você? Me odeia? ─ Ela me encarou por longos segundos e depois sorriu.

─ Não, Tommy. Eu te odiei por um tempo. Quis desistir de Harvard quando terminamos só para não ter que te ver todos os dias ao lado de Melissa Flammer. Mas, depois eu percebi que terminar foi o melhor para nós dois. Você foi o meu primeiro amor e eu não queria manchar nossas lembranças com brigas e cobranças. Por isso, guardei tudo de bom que vivemos em um canto especial da minha mente e segui em frente. ─ Eu respirei fundo e engoli minha vontade de chorar.

Ela seguiu em frente? Isso significava que eu já havia sido superado? Que ela não iria me querer nunca mais como seu namorado?

─ Seguiu? Quer dizer que não existe a menor chance de reatarmos? ─ Eu perguntei, mas entes que ela pudesse me dizer qualquer coisa, Adam apareceu e se interpôs entre nós.

─ Vamos dançar, princesa. Você precisa relaxar e não existe forma melhor de fazer isso do que dançando. ─ Ele falou e a puxou para a pista de dança, me deixando ali morrendo aos poucos de puro ódio por ouvi-lo chamá-la de princesa.

Era assim que eu a chamava, porra!

─ Imbecil! ─ Eu murmurei com ódio, vendo os dois se divertindo na pista de dança, enquanto tentava a todo custo conter o ímpeto de ir até lá e tirar Sofia dos braços daquele idiota.

Naquela noite eu não consegui mais nenhum momento a sós com Sofia, o que me irritou. Adam não desgrudava dela nem por um minuto. Até parece que ele sabia o que estávamos conversando antes de ele nos interromper.

E tudo ficou ainda pior quando Melissa se materializou na minha frente.

─ Oi, Antony. Está sozinho aqui? ─ Ela falou, sentando-se praticamente no meu colo e eu bufei, tentando afastá-la.

─ Não, Mel. Eu vim com os meus amigos. Onde está Tyler?

─ Se engolindo com alguém por aí. Sabe como é... Nosso relacionamento é aberto. ─ Revirei os olhos. ─ E por falar nisso, poderíamos transar hoje. Estou com saudades. ─ Ela falou, se pendurando no meu pescoço e me beijando bem no momento que Sofia voltou para nossa mesa.

Ela nos encarou com nojo e mágoa e, depois de pegar sua bolsa que estava sob meus cuidados, se afastou rapidamente. Eu queria ir atrás dela, mas antes precisava me livrar de Melissa.

─ Olha, Mel... ─ Antes que eu pudesse mandá-la me esquecer, ouvi um tiro, que me fez abaixar imediatamente, e levá-la ao chão comigo. Procurei Sofia com o olhar, mas as pessoas gritando e correndo histéricas ao nosso redor me impediram de encontrá-la.

As cenas do dia do tiroteio na escola voltaram a minha mente e eu senti um medo gelado me tomar. Nós não podíamos passar por tudo aquilo outra vez. Portanto, eu precisava encontrar Sofia para garantir que ela não estava ferida e nem correndo risco de vida.

─ Eu não quero morrer... ─ Melissa falou ao meu lado, chorando assustada e eu suspirei, segurando sua mão e a puxando para saída. Encontrei com Tyler no caminho e pedi que ele a levasse para fora.

─ Você não vem? ─ Ele me perguntou em pânico quando fiz menção de correr de volta para o interior da boate e eu neguei com um gesto de cabeça.

─ Tenho que encontrar Sofia. Só saio daqui junto com ela. ─ Eu afirmei e ele assentiu, agarrando Melissa e tentando tirá-la da boate.

Ouvi o barulho de mais tiros e, ignorando o pânico que ameaçava me tomar, andei pela boate em busca de Sofia. Respirei aliviado quando e encontrei encolhida em um canto. Aparentemente ela não estava ferida.

─ Sofia? Você bem? ─ Eu perguntei, tocando-a por todos os lugares e ela me encarou com os olhos rasos d’água. Seu corpo pequeno tremia sem parar.

─ São tiros... ─ Ela sussurrou e eu estalei os lábios, abraçando-a com força.

─ São. Mas, respire fundo e se acalme. Não é como aquele dia. Você não está ferida dessa vez. ─ Eu falei e ela chorou, agarrando-se a mim com força.

─ Só me tire daqui, por favor... ─ Ela pediu e eu assenti, pegando-a em meu colo e saindo da boate o mais rápido que consegui.

Quando já estávamos do lado de fora, eu pude ouvir sirenes e respirei aliviado ao ver os carros da polícia se aproximando. Afastei Sofia do meu corpo e, mais uma vez, a examinei com cuidado sob a iluminação da rua, querendo me certificar de que ela realmente não estava ferida.

─ Você não se feriu mesmo, não é? Fala comigo? ─ Eu pedi, e ela negou com um gesto de cabeça, se jogando em meus braços outra vez.

─ Eu estou bem. Mas, estou com muito medo. Tiros me lembram...

─ Não. Esquece isso. Você não foi baleada. Não é como aquele dia. ─ Eu falei e beijei seus cabelos, enquanto ela se aconchegava em mim, me apertando com força.

Adam, Lara e Ethan nos encontraram um tempo depois e o "namoradinho" me fuzilou com os olhos ao ver Sofia agarrada a mim, mas eu não fiz nenhum movimento para soltá-la. Naquele momento, a minha princesa precisava de mim. Ele que fosse para o inferno.

Tivemos que esperar um tempo até podermos ir para casa. Como todos nós saímos na intenção de beber, viemos para a boate de táxi e por conta da confusão, os veículos estavam impedidos de vir até nós.

Durante todo o caminho até nosso apartamento, Sofia ficou ao meu lado, agarrada a mim, e se não fossem as circunstâncias bizarras, eu estaria berrando de felicidade.

─ Princesa, quer que eu passe a noite com você? Podemos ir para o meu apartamento. ─ Adam sugeriu assim que chegamos em casa e eu mordi a língua para não mandá-lo a merda.

Sofia o encarou muda por longos segundos e eu fiquei tenso esperando por sua resposta e torcendo para que ela declinasse o convite.

─ Eu... Não... Eu quero a minha mãe. ─ Ela sussurrou e Adam continuou encarando-a, sem saber como reagir. Eu, por outro lado, que a conhecia bem demais, já tinha pedido a Ethan que ligasse para os meus pais e contasse a eles o que tinha acontecido. Eu sabia que Sofia iria querer Bella ao seu lado nesse momento. Ela precisava da mãe.

─ Sofia, Ethan já ligou pra eles. Amanhã Bella estará em Boston. Mas, agora, o que você acha de um banho? Você precisa descansar um pouco. Tenho certeza de que depois de um banho, um copo de leite e uma boa noite de sono você vai se sentir bem melhor. ─ Sugeri, me aproximando dela e tocando seu braço de leve, e ela assentiu.

Pedi que Lara a ajudasse e fiquei na sala sozinho com Adam, que me encarava de um modo nada amigável.

─ Acho que você já pode ir. Sofia não vai para o seu apartamento hoje. ─ Eu falei debochado e Adam sorriu.

─ Nem voltar pra você, Antony. Sofia o despreza. Você a feriu profundamente quando resolveu trocá-la por Melissa e por sua liberdade. Ela e eu estamos apaixonados e eu te garanto que posso fazê-la mais feliz do que você a fez, pois eu nunca a trocaria por nada e nem por ninguém.

─ Ela pode até estar apaixonada por você, Adam, mas sou eu o cara que ela ama. Eu tenho plena convicção do quanto a machuquei, mas isso não vai mais se repetir. Sofia e eu temos uma história juntos e ninguém pode mudar isso. ─ Ele sorriu ironicamente.

─ História que você jogou no lixo quando resolveu ser um cretino com ela. ─ Adam falou, antes de ir embora e eu senti como se ele tivesse me dado um soco no estômago.

E o pior de tudo é que ele tinha razão.

Eu realmente havia sido um cretino com ela e agora só me restava torcer para que um dia ela pudesse me perdoar e voltar pra mim.

Adam foi embora quando Sofia saiu do banho e garantiu a ele que estava melhor.

Preparei um leite com chocolate pra ela e depois fiquei ao seu lado na cama até que ela adormecesse. Beijei seu rosto e saí do quarto, dando de cara com Lara no corredor.

─ Ela já dormiu. Caso ela tenha pesadelos, pode me chamar. Eu aprendi lidar com eles quando ela levou aquele tiro.

─ Pode deixar que eu mesma irei velar o sono da minha prima. Quero você bem longe dela, Tommy, pois Sofia sofreu demais por sua causa e não queremos de forma alguma que isso se repita. ─ Lara falou e eu bufei, vendo-a fechar a porta na minha cara.

Na manhã seguinte, encontrei Sofia na cozinha com uma xícara de café fumegante à sua frente. Ela sorriu fracamente ao me ver.

─ Bom dia, princesa. ─ Eu falei, beijando o topo da sua cabeça e ela suspirou.

─ Poderia estar melhor se não fosse o que aconteceu ontem. Eu... Eu senti tanto medo. Na hora que eu ouvi o primeiro tiro, tudo o que vivemos na escola no dia do atentado voltou a minha mente.

─ Eu sinto muito. Mas, o importante é que dessa vez acabou tudo bem. Você não se feriu.

─ Obrigada por ter me encontrado e me tirado de lá ontem. Sei que isso acabou com sua noite. ─ Sofia murmurou e eu suspirei, me sentando ao seu lado e tomando suas mãos nas minhas.

─ O que acabou com minha noite foi ver o seu medo, Sofia. Eu não gosto de te ver sofrer.

─ Melissa estava lá e eu achei que vocês... ─ Eu coloquei um dedo sobre seus lábios a interrompendo.

─ Não existe mais Melissa e eu, Sofia. Na verdade, eu estive envolvido com ela por pouco tempo.

─ Não é o que ela falava... ─ Sofia falou magoada e eu suspirei.

─ Sei bem que ela tornou sua vida impossível e eu sinto muito por isso. Sinto muito por ter te magoado e por ter deixado que nosso namoro terminasse. Sinto muito por não ter te amado na intensidade que você merecia e por ter te feito chorar. Sei que eu não mereço o seu perdão, mas estou aqui de coração aberto para te pedir que volte pra mim. Eu ainda te amo. Na verdade, eu nunca deixei de te amar. Eu me dei conta da bobagem que tinha feito no momento em que você arrumou as malas e se mudou para o quarto da Lara, mas eu era orgulhoso demais. Aí você começou a se envolver com outros caras e eu quis morrer um pouco a cada dia por saber que você não era mais somente minha. Você passou seis meses fora e eu sofri o tempo todo sentindo sua falta. ─ Uma lágrima escorreu dos seus olhos e eu a sequei com todo cuidado, acariciando o seu rosto lindo que eu tanto adorava. ─ Ontem quando eu ouvi o primeiro tiro a única coisa que eu pensava era que precisava te encontrar. Eu precisava garantir que você estava segura e que ninguém a havia ferido. Minha noite não foi arruinada, pois eu te encontrei bem. E eu te trouxe pra casa em segurança, sã e salva. Isso é tudo o que realmente importa...

─ Tommy, eu...

─ Não. Não precisa dizer nada agora. O que aconteceu ontem foi demais pra você. Além disso, você tem todo o direito de se sentir confusa ou de não me querer mais. Mas, eu precisava te dizer que eu ainda te amo e quero que você saiba que se você ainda me quiser eu serei todo seu. Para sempre dessa vez. ─ Eu falei e beijei o topo da sua cabeça, saindo da cozinha e deixando-a sozinha.

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Sofia precisava de espaço para pensar em tudo o que eu havia dito. Só esperava que ela ainda pudesse me perdoar, pois eu tinha a impressão que jamais seria feliz sem ela ao meu lado.

Na tarde daquele dia nossos pais desembarcaram em Boston e Sofia ficou radiante em tê-los por perto.

Adam também apareceu para visitá-la e eu quis socar sua cara feia quando ele cumprimentou a minha princesa com um beijo nos lábios.

Sofia me olhou seriamente quando isso aconteceu e eu respirei fundo, tentando conter minha ira. Se ela estava com esse babaca agora a culpa era toda minha.

Nossos pais ficaram com a gente por três dias e durante esse tempo eu aproveitei a companhia de Sofia o máximo que consegui. Adam ficou com a gente em alguns momentos e quando os via juntos, sorrindo e se divertindo, eu ficava me pergunto se Sofia iria terminar com ele para voltar pra mim.

Eu esperava sinceramente que sim.

Depois que nossos pais voltaram para Los Angeles, nossa rotina voltou ao normal e Sofia e eu nos encontrávamos muito pouco. Todavia, depois do incidente da boate, a gente voltou a conversar civilizadamente e até a nos divertir juntos. Os jogos de vídeo game eram os nossos momentos preferidos.

─ Trapacear não vale, Antony Cullen. ─ Ela falou, quando me flagrou tentando inserir um código no aparelho e eu ri.

─ Códigos são estratégias, Sofia. Eu não trapaceio. ─ Ela revirou os olhos.

─ Sem códigos, mocinho. Pense em outras estratégias ou o jogo será cancelado.

─ Sim, senhora. ─ Eu bati incontinência e ela riu, sentando-se ao meu lado e dividindo comigo a barra de chocolate que trazia nas mãos.

─ Eu vou acabar com você, Tommy. Se prepare. ─ Ela ameaçou e eu ri, mas foi o que realmente acabou acontecendo. Ninguém era capaz de vencer Sofia Cullen naquele jogo.

E era exatamente por isso que eu tentei inserir o código. Não queria perder pra ela, pois Sofia ficava insuportável quando se tornava a campeã de um campeonato de vídeo game.

─ Eu sou um máximo! Quero o meu prêmio, Cullen, pois sou uma campeã invicta. ─ Eu revirei os olhos para ela, mas acabei rindo.

─ Que tipo de prêmio você tem em mente?

─ Um colar de diamantes? ─ Ela brincou e eu ri.

─ Diamantes não estão ao meu alcance no momento, princesa. Sou apenas um estudante de direito. Não pode ser um beijo? ─ Eu ofereci e ela parou de sorrir na hora, me olhando seriamente,

─ Tommy... ─ Ela murmurou o meu nome e eu me aproximei dela, tocando seu rosto com carinho.

─ É só um beijo, Sofia... Como prêmio pelo seu desempenho invicto.

─ Pode ser que não fique só no beijo... ─ Eu sorri para sua resposta.

─ Ótimo... ─ Eu respondi e capturei os seus lábios com suavidade, antes de aprofundar o beijo.

E como ela dissera, dentro de poucos segundos estávamos nos agarrando como se nossa vida dependesse disso.

Eu queria mais que um beijo, mas quando comecei a abrir sua blusa, ela me impediu, dizendo que não faria nada comigo antes de falar com Adam.

─ Você vai terminar com ele? ─ Eu perguntei mais contente do que devia e ela respirou fundo.

─ Eu gosto dele, Tommy. Adam foi um ótimo amigo e é um excelente... ─ Fiz uma careta para suas palavras. Não queria ouvir a palavra namorado saindo da boca dela. Não quando o namorado em questão não era eu. ─ Bem, não somos exatamente namorados, mas ele me faz muito bem. Não posso traí-lo e ainda não sei se voltar pra você é uma boa ideia.

─ Eu mudei, princesa... Posse te garantir que sou o mesmo garoto por quem você se apaixonou em Los Angeles.

─ E Melissa, Tommy? Como que sua grande amiga fica nessa história? ─ Pude sentir a ironia em sua voz ao se referir a Melissa.

─ Melissa está com Tyler, agora. Além disso, ela e eu estivemos juntos por bem pouco tempo. Melissa não foi minha namorada, nem nada disso. Tivemos algo passageiro, mas que já acabou. Como eu te disse, eu me arrependi por ter terminado com você no momento em que te vi saindo do nosso quarto com suas malas. Não curti completamente nenhuma garota, pois você nunca abandonou minha mente.

─ Você acha que podemos funcionar juntos novamente? Depois de tudo? ─ Eu sorri para sua pergunta e lhe dei um beijo no rosto.

─ Acho. Aliás, eu tenho certeza... E sabe por quê? Porque a gente ainda se ama. Não é?

─ Talvez. ─ Ela falou, tentando disfarçar um sorriso e eu beijei seus lábios outra vez.

─ Converse com Adam. Ainda podemos ser felizes juntos, Sofia. Basta que você nos dê uma chance.

Depois desse dia, eu quase não a vi e, portanto, não tive oportunidade de perguntar a ela sobre sua conversar com Adam. Se é que a conversa realmente aconteceu.

Depois de quase duas semanas da nossa conversa, Sofia apareceu um dia no meu quarto, aproveitando o fato de estarmos sozinhos, já que Ethan e Lara haviam ido para uma festa juntos.

─ Pode falar? ─ Ela me perguntou, apontando para o código penal que estava aberto sobre minha escrivaninha e eu assenti, fechando o livro imediatamente.

─ Claro. Eu sempre estou disponível pra você. ─ Eu respondi e ela revirou os olhos, me encarando divertida.

─ Eu conversei com Adam. ─ Senti meu coração falhar uma batida.

─ E? ─ Perguntei ansioso, me aproximando dela e Sofia respirou fundo.

─ Nós terminamos. ─ Eu sorri largamente.

─ Isso significa que...

─ Que eu quero te dar outra chance. Significa que eu ainda te amo e que acho que podemos ser felizes juntos outra vez.

─ Eu tenho certeza disso. ─ Eu falei me aproximando e ela me parou com um gesto de mão.

─ Quando terminei com você, disse a mim mesma que era o melhor a se fazer. Você estava distante e não se parecia em nada com o garoto pelo qual eu havia me apaixonado um dia. Conversei com minha mãe sobre nós dois, e ela me disse que o melhor era deixá-lo livre, como era sua vontade. Se você fosse de fato meu, voltaria para mim. Mais cedo ou mais tarde... Isabella Swan sempre foi uma romântica incorrigível e por isso eu considerei suas palavras uma bobagem. Eu tentei te esquecer... Eu me envolvi com outros garotos na tentativa de tirar você da minha cabeça, mas todas as vezes que te via com Melissa eu sentia que morria um pouco. Eu fui para Londres e me senti muito mal por não poder dividir uma das minhas maiores conquistas com você. Adam esteve comigo nos piores momentos e eu acho que até posso ter me apaixonado um pouco por ele. Mas, na noite do tiroteio na boate eu só pensava em estar com você. Quando escutei o som do primeiro tiro tudo o que eu pensava era que queria você comigo, para me proteger e me confortar. Para me amar.

─ E eu vou te amar, princesa... Aliás, eu nunca deixei de te amar. Nem por um minuto. ─ Eu falei emocionado e ela sorriu, se aproximando de mim e tocando meu rosto.

─ Nós não vamos mais viver uma vida de casados, Tommy. Seremos namorados. Cada um no seu quarto.

─ Mas... ─ Ela não me deixou protestar.

─ Fazemos cursos universitários complicados e precisamos de espaço para estudar. Somos muito jovens e imaturos para vivermos como marido e mulher.

─ Ok... ─ Eu concordei, fazendo um bico que eu sabia ser ridículo e ela riu.

─ Você vai se afastar totalmente de Melissa Flammer e Tyler Schimdt. Mas, eu não vou me afastar de Adam, pois nosso projeto de pesquisa ainda está em andamento e um rompimento profissional agora afetaria a nós dois. Além disso, ele compreende perfeitamente o fato de eu reatar com você e não vai ser um problema para o nosso relacionamento. ─ Eu bufei para suas palavras.

─ Sofia, eu não vejo nenhum problema em me afastar de Melissa e Tyler. Mas, sobre Adam...

─ É pegar ou largar, Tommy. ─ Ela falou séria e eu suspirei.

─ Eu pego... ─ Resmunguei e ela sorriu.

─ E você vai ter que ter muita paciência com a Lara, pois quando minha prima souber que estamos juntos novamente, ela vai surtar, ficar com raiva e gritar com nós dois. Mas, você não vai revidar. ─ Eu revirei os olhos. Enfrentar Lara seria pior do que saber que minha namorada trabalharia ao lado do ex-namorado, por quem ela foi quase apaixonada, todos os dias.

─ Mais alguma exigência, Sofia? ─ Eu perguntei com ironia e ela sorriu.

─ Nenhuma. Só quero que você me beije. ─ Ela respondeu e eu sorri, tomando-a nos braços e beijando-a com vontade.

─ Eu nunca mais vou te fazer sofrer, meu anjo. Mas, também quero te pedir uma coisa.

─ O que?

─ Melissa, Tyler, Matt, Adam e todos os outros com quem nos envolvemos nesse tempo em que ficamos separados devem ficar no passado. Não vamos falar sobre isso e nos esforçaremos ao máximo para não pensarmos também. Essas lembranças só vão machucar a nós dois.

─ Feito. Não vamos mais falar sobre isso. Será como se esses quase dois anos não tivessem existido. ─ Eu sorri.

─ Bem vinda de volta, meu amor. ─ Eu falei beijando-a e ela sorriu, me abraçando e deitando a cabeça sobre meu peito.

─ É bom voltar, Tommy...

E esse dia, o dia em que eu tive Sofia de volta, foi sem dúvida um dos melhores da minha vida.

Nossa readaptação foi conturbada, principalmente porque meu pai e Lara não paravam de me ameaçar, mas nós conseguimos vencer juntos todas as adversidades que surgiram depois que reatamos o nosso namoro.

Melissa tentou se reaproximar, mas eu cumpri minha promessa a Sofia e a mantive longe, assim como Tyler e todas as garotas com quem saí.

Sofia continuou seu projeto com Adam e apesar de eu odiá-lo por saber que ele namorou minha namorada, não podia negar que ele era, de fato, um cara legal e um bom amigo. Adam fazia bem a Sofia e não seria justo separá-la dele. Não ainda.

Já fazia um ano que Sofia e eu estávamos juntos outra vez quando ela quase me matou de susto.

Cheguei em casa numa sexta-feira a noite e a encontrei deitada em seu quarto, chorando. Quando eu me aproximei da sua cama, ela me olhou assustada e chorou ainda mais.

─ O que aconteceu, princesa?

─ Eu acho que estou grávida. ─ Ela falou de repente e eu paralisei.

Grávida?

PUTA.QUE.PARIU!

─ O que? ─ Eu murmurei e ela fungou, me olhando desesperada.

─ Eu acho que estou grávida. Grávida, Tommy. Eu estou no segundo ano de faculdade. Não tem como eu concluir um curso de medicina estando grávida. Nossos pais vão nos matar.

É. Eles realmente iam nos matar.

Senti um calafrio ao pensar no quanto meu pai ficaria irritado quando soubesse que eu engravidei sua princesinha antes de estar devidamente casado com ela.

─ Calma, Sofia... Primeiro vamos ter certeza. Depois a gente pensa no que dizer para os nossos pais. ─ Eu sugeri e ela assentiu. Comecei a rezar naquele instante para que ela estivesse errada em sua desconfiança.

E graças a deus fui prontamente atendido.

Sofia fez um exame de sangue no dia seguinte que graças aos céus deu negativo. O médico disse que sua falta de menstruação e os enjoos eram devido ao estresse e nós dois respiramos aliviados por isso. Estar estressada era ruim, mas era mil vezes melhor do que estar grávida aos vinte e três anos de idade.

Mantemos esse pequeno incidente em segredo e passamos a usar camisinha em todas as transas. Sem nenhuma exceção. Nunca, mesmo que ela tomasse pílula. Quantos mais métodos contraceptivos fossem usados mais protegidos de uma gravidez surpresa nós estaríamos.

Quando eu me formei, meu pai quis que eu voltasse para Los Angeles a fim de trabalhar com ele, mas como Sofia ainda não havia terminado a faculdade, eu me recusei a sair do seu lado. Adam ainda estava rondando a minha namorada e nem morto eu a deixaria sozinha com ele.

Ele era um cara legal, mas era um cara legal que já tinha transado com a minha namorada. Então, quanto mais longe eu o mantivesse de Sofia, mais seguro seria. Para todo mundo.

Assim, Ethan voltou para a Califórnia e eu fiquei a cargo de manter nossas garotas seguras. Lara ainda fazia questão de tornar minha vida difícil, mas depois de dois anos de namoro sem que eu magoasse Sofia outra vez ela acabou me aceitando de volta na vida de da prima. Claro que sob sérias ameaças de morte para o caso de eu fazer mal a minha namorada sofrer outra vez.

Mas, eu jamais faria isso. A gente brigava e se desentendia, mas no fim tudo sempre acaba bem. Isso porque Sofia e eu nos amávamos e sempre seria assim.

Voltamos para Los Angeles após a formatura de Sofia e mesmo que viver na casa dos nossos pais não fosse o ideal de independência, era exatamente disso que precisávamos para nos restabelecer completamente. Edward e Bella nos faziam bem e Sofia e eu ainda não estávamos prontos para sair do ninho outra vez.

Sofia e eu éramos felizes e era isso que importava.

A menina por quem eu me apaixonei aos dezesseis anos estava ao meu lado e, apesar dos nossos erros e desencontros, o nosso amor venceu.

E algo me dizia que venceria sempre.

Um dia, não muito distante, nos casaríamos e teríamos uma família tão linda quanto a dos nossos pais. Eu seria um advogado de sucesso e Sofia se tornaria uma cirurgiã incrível. Ela já era, aliás. Só precisava se aperfeiçoar ainda mais.

O tempo que ficamos separados não passaria de uma lembrança ruim, afinal de contas, os laços que nos uniam eram muito mais poderosos, pois eram e sempre seriam laços de amor.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Não deixem de comentar. Até mais!