Laços de amor

67 Capítulo Bônus 14: A vida de Tommy e Sofia


Laços de amor

Los Angeles

Sofia

Na terapia...

― Me fale sobre o Antony Denali Cullen. ― Minha terapeuta, Clarice, pediu e eu suspirei, tentando conter toda a dor que eu sentia quando o nome do meu... Quando o nome de Tommy era mencionado em qualquer conversa após o fiasco que foi a descoberta sobre o aborto do nosso bebê que eu sofri em Londres.

― Tommy foi meu primeiro namorado. Foi o meu primeiro em tudo, na verdade. Primeiro beijo, primeira transa, primeiro namoro. Nós estamos juntos desde a adolescência, exceto por um período de dois anos, no qual ficamos separados.

― E por que se separaram? ― Eu fiz uma careta.

― Estávamos morando em Boston. Tommy e eu fizemos faculdade lá. Nossa rotina era muito complicada e a gente quase não se via. Tínhamos amigos diferentes, o que era absolutamente normal, já que convivíamos com pessoas diferentes. Mas, aí, ele conheceu amigos babacas, que o transformaram em mais um babaca do grupo. ― Ela sorriu discretamente e me encarou por baixo dos óculos de grau.

― Babaca?

― Ele não era mais o cara por quem eu havia me apaixonado. Tommy passou a beber, frequentar festas de irmandades... E tudo bem, pois estávamos na faculdade, mas ele se transformou em outra pessoa. Ficou até um pouco agressivo.

― Mas, eu desconfio que a mudança do Tommy não era a questão central. Estou errada? ― Eu respirei fundo e a encarei.

― Não. A questão central era Melissa Flammer.

― Que era?

― A amiga babaca do meu namorado. O problema é que ela queria ser mais do que amiga dele e desde que entrou nas nossas vidas começou a me infernizar.

― De que maneira? ― Eu suspirei. Melissa Flammer nunca era um assunto fácil pra mim.

― Ela era debochada e má. Vivia me enviando mensagens sugestivas do celular do Tommy. Fotos, geralmente... Fotos que sempre davam a entender que eles tinham algo mais que uma simples amizade.

― E eles tinham?

― Não. Pelo menos não enquanto Tommy e eu estávamos juntos. O problema era que o cara que eu amava se transformava em um idiota quando estava com ela e quando eu pedi que ele se afastasse, pelo bem do nosso relacionamento, ele se recusou.

― Mas, você acha que tinha direito de pedir para que ele se afastasse dos amigos? ― Eu corei.

É claro que eu não tinha esse direito, mas, na época, foi o púnico jeito que eu encontrei de trazer o Tommy que eu conhecia e amava de volta.

― Não. Eu não tinha esse direito. Mas, eu estava desesperada, pois nosso relacionamento já não era mais o mesmo. A gente brigava sempre e por causa dela. E quando a gente terminou... Quer dizer, quando eu terminei com ele, Tommy foi imediatamente para a cama dela. Parecia que ele não via a hora de se livrar de mim para estar com ela.

― E isso te machucou? ― Ela perguntou depois de alguns minutos em silêncio e eu assenti, limpando com raiva uma lágrima solitária que desceu por meu rosto.

Sim. Isso havia me machucado e muito e o fato era que aquela ferida nunca havia sido cicatrizada. E a prova disso era que toda vez que Tommy e eu brigávamos, eu ressuscitava Melissa. E eu nem entendia porque eu fazia isso.

― Me fale sobre seu pai, Sofia. ― Clarice me pediu e eu a olhei confusa com a mudança abrupta de assunto.

― O que?

― Me fale sobre seu pai biológico. ― Ela repetiu e eu respirei fundo, iniciando minha narrativa sobre Jacob Black e nossa breve, mas desastrosa, relação.

Clarice escutava tudo atentamente, fazendo perguntas para direcionar meu relato, enquanto fazia algumas anotações em sua agenda.

― E você considera Edward Cullen seu pai? ― Ela perguntou, quando contei que o marido da minha mãe me adotou, e eu sorri largamente ao pensar no melhor pai que a vida poderia ter me dado.

― Sim. Eu o amo muito e sei que é recíproco. Ele e minha mãe são muito felizes juntos. Aliás, eu tinha muito medo que um término entre Tommy e eu interferisse na relação deles. Acho que foi por isso que cheguei a pedir que meu namorado se afastasse dos amigos babacas. Eu não queria interferir no relacionamento dos nossos pais.

Ela interrompeu suas anotações e me encarou seriamente.

― Você entende que a felicidade deles não está nas suas mãos, não é? ― Eu fiz uma careta.

― Eu entendo. Mas, não quero que eles sofram. Não por minha causa. ― Eu disse e minha terapeuta suspirou, tirando os óculos e me encarando novamente.

― Sofia, nós precisamos trabalhar dois aspectos principais: sua insegurança e sua necessidade de garantir a felicidade de todos a sua volta. Isso faz com que você não consiga viver plenamente sua vida, o que a faz sofrer. ― Eu franzi o cenho, não sabendo ao certo se concordava com aquela afirmação.

Eu vivia plenamente minha vida, mas como toda pessoa adulta, eu precisava pensar nas minhas escolhas para que estas não interferissem negativamente na vida das pessoas que eu amava.

Além disso, eu não era insegura.

― O que você quer dizer com tratar minha insegurança? Não sou insegura! ― Eu resolvi protestar e ela sorriu.

― Você tem medo de ser abandonada, Sofia. Precisa se sentir amada a todo custo, o que faz com que você não consiga ficar sozinha. ― Eu franzi o cenho.

― E isso é ruim?

― De certa forma sim. Tem horas que precisamos de espaço para tentarmos ser felizes sozinhos. Inclusive, pode ser isso que você precisa agora. Estar só. Se reencontrar. ― Eu suspirei.

Como eu poderia ficar sozinha justamente no momento em que Tommy e eu iríamos morar juntos outra vez?

Naquela semana, eu voltei ao consultório da minha terapeuta outras vezes. Tommy e eu estávamos distantes e não conversamos sobre o que aconteceu. A impressão que dava era que ele não havia se importado ao saber que eu perdi um bebê que fizemos juntos e isso me machucava.

Machucava porque eu havia me importado e porque me lembrar do que aconteceu em Londres ainda doía.

Conversei com Clarice outra vez sobre ficar sozinha. Ela achava que era o melhor a se fazer e, sinceramente, eu começava a achar também.

Tentei conversar com minha mãe a respeito, mas acabamos discutindo. Isabella Swan não entendia e não queria entender os meus motivos para esconder o aborto de todos e nem porque eu precisava ficar sozinha agora.

― Você está sendo infantil e egoísta, Sofia e sabe disso. ― Ela gritou, quando comuniquei minha decisão de dar um tempo na minha relação com Tommy e eu a encarei com raiva.

Discutir com a minha mãe era algo que também me machucava, mas, no momento, era um mal necessário.

― Você é minha mãe e eu te amo. Mas, ser minha mãe não te dá o direito de tomar decisões por mim e nem de questionar todas as minhas escolhas. Você não pode e não vai mais interferir na minha vida. ― Eu gritei e ela me olhou surpresa e magoada.

Eu nunca havia gritado com ela. Nunca. Mas, estava cansada de ser a menina perfeita que tentava agradar a todos. Eu precisava pensar em mais mim.

E, por pensar mais em mim, naquela semana eu briguei com a minha mãe, com Lara e até com a Mia. O único que parecia disposto a entender meus motivos era Edward e quando eu disse a ele que precisava de um tempo, tudo o que ele fez foi assentir e me abraçar, dizendo que tudo voltaria a ficar bem e que eu devia tomar a melhor decisão para mim.

E foi depois de receber o apoio do meu pai que eu comunicar a Tommy minha decisão. Ele e eu precisávamos amadurecer antes de embarcar em um compromisso sério como o casamento.

Foi difícil. Ver Tommy sair do nosso apartamento foi como perder um pedaço vital de mim mesma, pois eu o amava. Mas, estava fazendo aquilo por nós dois e por um possível futuro, que eu ansiava para que existisse.

Eu disse coisas horríveis a ele, mas era o que eu estava sentindo naquele momento e a sinceridade era sempre o melhor caminho. Aprendi aquilo da pior maneira.

Assim, mesmo sofrendo, dei um jeito de levar minha vida da melhor forma possível, me dedicando ao máximo à residência e a me conhecer melhor.

Estava funcionando. Aos poucos, eu sentia minhas feridas mais profundas sendo cicatrizadas e, talvez, daqui um tempo eu conseguiria fazer planos para o futuro outra vez.

**********

Nos dias atuais...

― Tequila, agora, em frente à praia... ― Nicky “determinou” ao fim do nosso plantão e eu fiz uma careta, pois não estava com a menor vontade de me embebedar hoje.

Aliás, desde meu último porre, no qual eu havia sido levada para casa, desacordada, por meu ex-namorado, eu havia prometido que nunca mais ficaria bêbada na vida.

Portanto, depois de dezoito horas em pé em uma Laparotomia Exploratória e mais doze horas na emergência correndo de um lado para o outro, tudo que eu queria era a solidão do meu apartamento para poder dormir como se o amanhã não fosse existir.

Mas, não seria fácil me esquivar de Nicolly Simon.

― Não podemos deixar para amanhã? ― Ela me encarou irritada.

― Você disse isso ontem. E anteontem. ― Eu ri.

― É que eu estou cansada. ― Ela bufou.

― Você também disse isso ontem. E anteontem. ― Eu suspirei derrotada.

― Ok, você venceu. Mas, nada de tequila. No máximo um Chopp, pois eu não pretendo ficar bêbada.

― Como não? Sofia, me diga qual a graça de estar solteira se você não bebe e não transa? ― Eu revirei os olhos.

― Eu não estou oficialmente solteira, Nicky. Tommy e eu estamos só dando um tempo. ― Eu falei pela décima vez, segurando meu anel de noivado que eu mantinha pendurando em uma correntinha de ouro no meu pescoço e ela ergueu uma sobrancelha em minha direção.

― Sofia Swan, você não faz nenhum sentido. ― Fiz uma careta e a segui até o banheiro. É, realmente eu não fazia sentido nenhum.

Mandar Tommy embora do apartamento que reformamos juntos, foi uma das coisas mais difíceis que eu fiz na vida. Mas, aquela era uma dor necessária. Eu não estava pronta para dividir uma vida com Tommy e eu sabia que ele também não.

Eu disse que ele era imaturo e inseguro, mas a verdade era que compartilhávamos essas características e não seria certo começarmos uma vida nova em meio a tantos problemas.

Tommy e eu merecíamos ser felizes e era inteligente da nossa parte reconhecer que essa distância faria bem a nós dois e ao nosso relacionamento.

Assim, manter meu anel de noivado próximo a mim era uma garantia de que nem tudo estava perdido. A gente ia se entender, porque ainda havia amor. Assim, precisávamos apenas de um tempo para que nos encontrássemos em nós mesmos outra vez.

Minha terapeuta concordava comigo.

Aliás, fazer terapia foi uma das melhores decisões que tomei nos últimos tempos. Descobri coisas interessantes ao meu respeito e conhecer minha essência me ajudaria a ser feliz no meu relacionamento outra vez. Pelo menos era o que eu esperava.

― Está pronta? ― Nicky me perguntou, assim que voltou do banheiro e eu assenti, terminando de me maquilar.

Como vivíamos no hospital, eu sempre deixava no meu armário uma bolsa com artigos de higiene, maquiagens e roupas.

Assim, não foi difícil conseguir uma calça jeans, blusinha, terninho e saltos. Afinal, não dava para ir a um Happy Hour em Santa Mônica parecendo uma múmia.

― Como você consegue ser linda desse jeito mesmo depois de um plantão de trinta horas? ― Nicky perguntou, me olhando de cima a baixo e eu revirei os olhos para o seu claro exagero, encarando-a através do espelho.

― Isso foi uma cantada? ― Ela gargalhou.

― Não. Foi um elogio. Ao não ser que você queira ter um caso comigo. Aí, podemos classificar sim como uma cantada. ― Eu ri.

― Bem, obrigada pelo elogio. Você também é uma mulher lindíssima. E não, eu não estou interessada em ter um caso com você. Gosto de homens. Aliás, de um homem, para ser mais específica.

― Você é que perde, Dra. Swan... Sou um furacão na cama. Mas, vamos de uma vez. Quando estivermos bêbadas eu tento te convencer a ter um caso comigo. ― Eu ri e a segui para fora do hospital.

Fomos no meu carro e, é óbvio, que Nicolly ligou o som na maior altura. Ela sabia que eu não gostava, mas fazia para irritar. Como não estava a fim de brigar hoje, deixei e quando a voz da Beyonce tomou o carro, sem perceber, eu comecei a cantar Halo, fazendo com que ela me encarasse admirada.

― Para alguém tão rabugenta sobre a altura das músicas, até que você canta bem. ― Eu ri.

― Gosto de música, Nicky. Só não sou surda. ― Ela bufou e ergueu ainda mais o volume. Eu continuei cantando e, graças aos céus e ao trânsito tranquilo, chegamos ao bar rapidamente.

Nicky pediu uma mesa externa e quando eu senti a brisa do mar em meu rosto, quase agradeci a minha parceira de residência por ter me convencido a vir para o bar depois de um plantão. Afinal, eu estava mesmo precisando me distrair.

Conversamos sobre amenidades enquanto tomávamos Chopp e eu não conseguia parar de rir das histórias dos casos inusitados que ela viveu na França e durante a faculdade.

― Você prefere mulheres, então? ― Eu perguntei, enquanto me deliciava com uma generosa porção de bata frita com bacon e Nicky assentiu.

― Mulheres não são cafajestes desalmadas. Eu já sofri tanto na mão de homens que não quero mais me envolver com nenhum. Quer dizer, se for um envolvimento sexual rápido e gostoso, eu posso abrir uma exceção. ― Ela piscou para mim e eu ri, aceitando mais uma caneca de Chopp que o garçom me ofereceu.

― Quando vocês iam me convidar para esse Happy Hour? ― Ouvi a voz de Anny e me virei para olhá-la, contendo uma careta.

Não é que eu não gostasse dela, mas o fato de Anny estar namorando Adam Jones fazia com que, nesse momento, eu quisesse distância dela.

― Não íamos convidar, Anny. Era para ser um programa apenas meu e da Sofia. Mas, já que está aqui, sente-se e beba com a gente. ― Nicolly falou e Anny bufou, enquanto sentava-se a nossa mesa.

― Essa sua implicância com Adam tem que passar, Sofia, pois ela está prejudicando minha vida social. ― Anny falou e eu bufei.

― Não é apenas uma implicância e não vai passar. ― Eu resmunguei e Nicky me encarou curiosa.

― O que o doutor Adam G.O.S.T.O.S.O Jones te fez? ― Eu suspirei.

― Eu não quero falar sobre isso agora. Era para ser divertido, lembra? ― Eu disse azeda e Nicky deu de ombros, entornando sua caneca e fazendo sinal para que o garçom a servisse outra vez.

― Desde que você me conte outro dia... ― Ela falou sorridente e eu expirei.

Não gostava de falar sobre meu aborto. Mas, segundo minha terapeuta, era uma ferida aberta que precisava ser tratada e, para isso, eu precisava falar sobre o que aconteceu em Londres. Nicky era minha melhor amiga no momento e, conversar com ela, seria muito bom.

Mas, não hoje, pois eu realmente estava precisando apenas relaxar.

― Você e o Adam estão firmes, né? Pensei que não duraria nem um mês. ― Nicky falou para Anny que riu, enquanto virava sua primeira caneca de Chopp.

― Adam e eu estamos namorando. Podemos chamar assim, já que estamos juntos há vários meses. Então, pode parar de agourar meu relacionamento. Adam e seu talento incrível de me enlouquecer na cama são apenas meus. ― Fiz uma careta para as palavras dela e Nicky riu.

― Não estou agourando seu relacionamento, Anny Forbes. Mas, se você quiser uma aventura sexual a três, estou mais do que disponível. Principalmente agora que sei que Adam Jones é uma máquina na cama. Adoraria experimentar. ― Ela falou descarada e eu ri, acompanhada de Anny que, assim como eu, já estava acostumada com o lado ninfomaníaco de Nicolly Simon.

Quando minha cabeça já estava rodando por conta do Chopp, percebi que Tommy estava sentado a algumas mesas de nós, me encarando e, vê-lo ali, tão perto, bebendo com Ethan, fez meu coração se apertar de saudade.

― Olha só... Seu príncipe está ali. ― Nicolly falou e eu suspirei, desviando meu olhar de onde Tommy estava.

― Todos nós precisamos de uma visa social. ― Eu murmurei e Nicky sorriu.

― Realmente. E já que, coincidentemente, vocês vieram parar no mesmo bar, porque você não aproveita a oportunidade e vai lá cumprimenta-lo? ― Eu respirei fundo e encarei minha amiga, incerta sobre o que fazer.

Eu e Tommy já havíamos nos encontrado desde nossa conversa definitiva. Claro, uma vez que dividíamos a mesma família, mas era sempre tão estranho que, nas últimas semanas, eu passei a evitar a casa dos meus pais.

Eu sabia que ele estava chateado comigo e tinha razão, mesmo eu tendo a certeza de que essa separação temporária era a melhor coisa que fizemos por nós dois em muito tempo.

― Vai de uma vez, Sofia. Tenho certeza de que ele está esperando por isso. ― Nicky falou e eu respirei fundo outra vez, tomando coragem e me levantando.

Andei lentamente até a mesa na qual Tommy e Ethan estava, pois temia que meu nervosismo me fizesse tropeçar e cair de nariz no chão.

― Oi, meninos... ― Eu falei alegre e ganhei a atenção dos dois. Ethan esboçou um sorriso de boas-vindas. Tommy, por outro lado, apenas me olhou friamente por alguns segundos, voltando sua atenção para o celular logo em seguida.

― Oi, Sofia. Veio espairecer também? ― Ethan perguntou, me cumprimentando com um abraço e eu assenti.

― Eu estava quase me sentindo parte dos móveis do hospital. Aí, Nicolly teve a brilhante ideia de me arrastar para cá.

― É um bar legal. Abriu há pouco tempo. E como Tommy também está quase fazendo parte dos móveis do escritório, eu insisti para que viéssemos. ― Eu olhei para Tommy que bebia sua cerveja em silêncio.

― Tudo bem, Tommy? ― Ele respirou fundo antes de me encarar, como se o simples fato de me dirigir a palavra fosse um grande sacrifício.

― Tudo bem sim. Espairecer vai fazer bem ao trabalho.

― Realmente. Nós precisamos de vida social também. ― Eu comentei e, como ele não disse mais nada, tratei de me despedir rapidamente, pedindo que Ethan mandasse um beijo para Lara, e voltei para minha mesa.

Nicolly e Anny me encararam divertidas quando eu virei de uma vez minha caneca de Chopp.

― Foi ruim assim? ― Nicky me perguntou e eu assenti.

― Tommy não está muito a fim de conversar comigo.

― Você deu um pé na bunda dele, Sofia. Estava esperando o que? Flores e chocolate? ― Anny falou e eu suspirei.

― Não. Claro que não. Mas, a frieza dele me machuca.

― Terminar não foi ideia sua?

― Foi. Tommy é imaturo e sua insegurança eterna me fazia sofrer. Além disso, desde que ele trouxe aquela maldita garota para nossa vida, eu não consigo me sentir totalmente segura em nossa relação. E, sinceramente, lidar com a minha insegurança e com a dele não é algo que eu deseje no momento. Eu sou uma residente cirúrgica e preciso me concentrar nisso.

― Ele sabe que essa separação é temporária, né? ― Nicky me perguntou e eu fiz uma careta.

― Espero que sim... ― Murmurei, segurando meu anel de noivado com força e torcendo para que Tommy não desistisse definitivamente de nós. Não foi essa a intenção quando eu o expulsei do meu apartamento.

Eu só queria dar um tempo a nós dois, pois eu sabia que era necessário para o nosso amadurecimento. Tommy me magoou muito com sua reação fria ao saber do meu aborto. Ele me magoava também quando desconfiava da minha proximidade com Adam. E eu sabia que o feria todas as vezes que mencionava nossa separação em Boston e àquela maldita garota que fizera da minha vida um inferno. Além disso, tinha toda a pressão que ele e minha família fizeram para que eu aceitasse ir morar com ele e me casar em uma grande festa.

Então, no momento, para o bem do nosso amor, o melhor era que ficássemos longe um do outro.

Só esperava que ele amadurecesse o suficiente para entender minhas razões, ou eu temia nunca mais poder retomar nosso relacionamento.

**********

Alguns dias depois...

Olhei para os resultados dos exames de um paciente que acabam de chegar em meu Tablet e fiz uma careta. Não estavam nada bons. LDL altíssimo, HDL baixo, glicose alterada, hiperinsulinemia... Como a pessoa ainda estava vida era algo que provavelmente nem a medicina poderia responder.

― Sofia? ― Ouvi a voz da minha mãe e ergui a cabeça para encará-la.

Seu olhar para mim era cauteloso como sempre, desde nossa última discussão. Aparentemente, Isabella Swan estava com medo de outro rompante.

― Oi, mãe. Tudo bem? ― Eu perguntei com um sorriso, ao qual ela retribuiu.

― Tudo bem sim. Eu queria apenas confirmar sua presença na festa de aniversário do Benjamim. Será no domingo.

Festa. Em casa. Com Tommy e toda nossa família.

Meu Deus!

― Pode confirmar. Não perderia a festa do meu irmão caçula por nada. ― Eu falei confiante e minha mãe suspirou aliviada. Acho que ela não tinha certeza da minha resposta.

― Pensei que você não fosse. Depois que você expulsou Tommy do apartamento e da nossa briga... ― Eu ergui a sobrancelha para ela.

― Por culpa de quem? ― Eu perguntei e minha mãe fez uma careta.

― Por culpa de nós duas, Sofia. Minha opinião sobre toda aquela história do aborto não mudou. Aquele não era um segredo só seu e Tommy tinha o direito de saber. Mas, já me desculpei pela forma como lidei com isso. Não foi certo, pois você é adulta e pode tomar suas próprias decisões e lidar com as consequências das mesmas. Mas, essa história envolve muita gente... Você que é minha filha, Tommy que é filho do meu marido, que por acaso também é seu pai... Enfim...

Eu suspirei.

Sabia que ela tinha razão, mas eu ainda me ressentia pela forma como minha mãe lidou com meu segredo.

― Já passou mãe. Agora, toda a família já sabe que eu perdi um bebê que também era filho do Tommy. E todos podem me julgar como acharem melhor, afinal, nada do que disserem vai mudar o que realmente aconteceu...

― Vamos deixar esse assunto pra lá. Não podemos deixar que algo que aconteceu há tanto tempo interfira da felicidade da nossa família. Tudo o que seu pai e eu sempre quisemos é ver nossos filhos bem.

― A gente vai ficar bem, mãe. E isso inclui Tommy e a mim. Quem não vai ficar nada bem é esse paciente se eu não fizer nada para melhorar o resultado desses exames antes da sua cirurgia de hérnia. ― Eu mostrei os exames para minha mãe, que franziu o cenho, me encarando surpresa.

― Esse paciente ainda está vivo? ― Eu ri.

― Está... E eu pretendo mantê-lo assim. Então, tenho que ir... ― Eu falei, beijando seu rosto com carinho e ela sorriu, retribuindo meu gesto.

Como hoje Adam era o residente responsável pela emergência, tive que procurá-lo para mostrar os resultados dos exames, antes de concluir o internamento do paciente e encaminhá-lo para a cirurgia.

Só esperava que o Dr. Jones não tentasse nenhuma reaproximação, porque eu não estava com a menor paciência para ouvir suas desculpas esfarrapadas hoje.

Mas, é óbvio que não seria tão fácil. Não quando se tratava da minha vida.

― Então, você está solteira, agora? ― Adam me perguntou, enquanto preenchíamos juntos o internamento do paciente e eu simplesmente o ignorei, o que o fez bufar irritado.

Eu não falava com Adam há semanas. Tratava com ele assuntos relacionados ao hospital e nada mais, pois havia decidido que não queria como amigo alguém que gritava MEUS segredos, que aliás, ele jurou guardar, para que todos pudessem ouvir.

Minha vida estava de ponta cabeça e a culpa também era dele.

― Você nunca mais vai falar comigo, Sofia? ― Eu o encarei, mas continuei em silêncio, torcendo para que ele não fosse tão burro a ponto de me perguntar algo que era mais do que óbvio.

Não, eu não falaria mais com ele.

Adam Jones não era um bom amigo e eu queria distância dele.

― Olha, eu sei que errei. Aliás, já te pedi desculpas uma dezena de vezes. Nós trabalhamos juntos, Dra. Swan. Portanto, você não vai poder me ignorar para sempre.

― Eu não aceito suas desculpas, Dr. Jones. E sobre o fato de trabalharmos juntos, saiba que casos médicos e cirurgias serão os únicos tópicos das nossas conversas. Então, não me pergunte nada pessoal, porque não somos amigos e nada que diz respeito a mim interessa a você. ― Eu falei, assinando os papéis do internamento e indo em direção à sala dos residentes, torcendo para que Adam me deixasse em paz.

E, graças aos céus, ele não tentou mais falar comigo naquele dia e nem nos próximos. Acho que finalmente Adam Jones entendeu que o melhor era se afastar, pois eu não estava disposta a desculpá-lo.

No sábado, depois do meu plantão, Nicky me convenceu a ir com ela a uma boate nova que havia inaugurado há pouco em Santa Mônica e não fiquei surpresa quando cheguei lá e encontrei Tommy, acompanhado dos nossos primos e do pessoal do escritório.

Mia já havia me dito que ele estava tentando retomar sua vida e eu me sentia sinceramente feliz com esse fato. Minha ideia de separação nunca incluiu Tommy deprimido e trancado em casa.

Acenei para eles e me virei, aceitando a garrafa de cerveja que Nicolly me oferecia.

― Acho que o seu príncipe resolveu voltar a curtir a vida. ― Nicolly comentou e eu suspirei, tomando um grande gole do líquido gelado.

― Eu nunca quis que Tommy se tornasse um eremita, Nicolly. Ele tem todo o direito de se divertir, assim como eu.

― E você não vai lá falar com eles? Lara não para de olhar pra cá. ― Fiz uma careta.

― Não estou muito a fim de lidar com os dramas da minha vida agora. Já vou ter que enfrentar toda minha família amanhã no aniversário do meu irmão. Portanto, hoje eu só quero me divertir.

― Certo. Então, desfaz essa cara de enterro e vamos cair na pista. Dois pacientes meus morreram hoje. Estou precisando afogar as mágoas. ― Ela falou, me puxando pela mão e eu me deixei levar, tentando me divertir, o que não foi difícil, já que Nicolly Simon era uma excelente companhia.

Mas, era uma péssima influência quando o assunto era bebida. Assim, antes da meia noite, eu já me sentia levemente bêbada. Por isso, peguei uma garrafa de água e me sentei em um sofá circular que ficava em um dos cantos escuros da boate a fim de descansar os meus pés.

Mas, não demorou muito até que um idiota viesse me importunar.

― Dra. Swan... Quem te vê naquele hospital, toda certinha e eficiente, não imagina que você seja adepta à noitadas. ― Henry Walsh falou mais próximo a mim do que era fisicamente aceitável e eu fiz uma careta, me afastando um pouco dele, que era um odioso residente sênior que trabalhava no mesmo hospital que eu e assediava toda e qualquer pessoa que tivesse uma vagina.

― Fora do hospital eu me permito ser humana, Dr. Walsh. ― Ele sorriu e imagino que estava tentando ser sedutor. Mas, a única coisa que despertava em mim era nojo.

― E você não quer ser humana nos meus braços, lindinha? Eu sempre quis chegar em você, mas aquele anel de compromisso horrível que você usava me impediu. Fiquei sabendo que você está solteira, agora e estou aqui para te oferecer meus serviços. ― Eu revirei os olhos e o encarei.

― Não estou interessada nos seus serviços, Dr. Walsh. Nem agora e nem nunca. Aliás, eu não ficaria com você nem se todos os homens da Terra fossem dizimados e restasse apenas você. ― Ele fechou a cara e segurou meu braço com força.

― Por que tanto orgulho e desdém? Eu não sou bom o bastante pra você, Dra. Swan?

― Me solta agora. ― Eu pedi e ele apertou ainda mais.

― Solta ela, babaca. ― Ouvi a voz furiosa do Tommy e me senti imediatamente aliviada em tê-lo por perto.

― E quem é você para mandar em mim? ― Henry perguntou ainda segurando me braço e Tommy se aproximou, segurando minha mão e me puxando para si.

― Eu sou o namorado e exijo que você a solte. E mesmo que eu não fosse nada dela, é preciso que você entenda que nós homens só podemos tocar em uma mulher se ela desejar ser tocada. O que não é o caso. Então, se você não quer que eu chame a segurança, sugiro que você desapareça. ― Tommy falou friamente e Henry bufou, mas acabou se afastando.

― Obrigada. ― Eu falei a Tommy que assentiu, me soltando em seguida.

― Boates são antros para babacas que adoram importunar mulheres desacompanhadas. Ainda mais quando se trata de uma mulher linda como você. ― Ele falou e eu corei.

― Você ainda me acha bonita?

― A mais bonita de todas. ― Ele falou e eu senti meu coração falhar uma batida.

Eu estava com muitas saudades dele e mesmo sabendo que estava cometendo uma imprudência, me aproximei e beijei seus lábios com carinho.

― Você também é o cara mais bonito de todos. E obrigada por me ajudar hoje. ― Ele sorriu tristemente e beijou o topo da minha cabeça.

― Eu vou estar sempre aqui por você, Sofia Swan Cullen. ― Ele falou baixinho e se afastou em seguida, me deixado ali, confusa e extremamente saudosa da nossa proximidade.

Tão saudosa que, por pouco, não o chamei de volta.

Mas, saber que ele não me odiava já era o suficiente por hoje.

Assim, fui atrás da minha amiga para tentar convencê-la a irmos para casa e descobri que ela havia saído com uma garota da boate e me deixado ali sozinha.

Maldita seja Nicolly Simon!

Eu tinha vindo de carro com ela e agora estava a pé.

Ai que raiva!

Caminhei para a entrada da boate, enquanto tentava ligar para Nicolly a fim de maldizer até sua décima geração.

― Algum problema, Swan? ― Ouvi a voz da Lara bem atrás de mim e me virei para encará-la, desistindo de ligar para Nicolly. Uma hora dessas, aquela maldita devia estar na cama com a tal garota e não iria me atender nem que eu morresse de ligar.

― Nicolly foi embora com uma garota e me deixou aqui sozinha. Vou tentar conseguir um carro. ― Lara riu.

― Suas novas amigas não são de confiança, não é? ― Eu a encarei irritada.

― Mais julgamentos, Lara Swan? ― Ela suspirou.

― Não. Prometi a mim mesma que não vou mais brigar com você. Eu te amo e quero recuperar a relação que tivemos um dia.

― Ótimo. Pode me dar uma carona, então? ― Ela sorriu.

― Nós viemos de carona, também. Ethan e eu pretendíamos encher a cara. Mas, Tommy está de carro. Vou pedir pra ele te levar. Ethan e eu vamos com a Rebeca. ― Fiz uma careta.

― Vocês são amiguinhas agora?

― Ela é legal. Não sabe escolher bem as amizades, mas é gente boa. Além disso, trabalhamos juntas e, pelo o bem do escritório, é melhor que a gente não se odeie. Aliás, sobre isso... Estou tentando me reaproximar do Tommy outra vez. Ele costumava ser meu amigo e eu quero resgatar isso. Até porque, o término de vocês em Boston não era da minha conta, mesmo que ver você sofrendo naquela época tenha inflamado meu mais profundo ódio. ― Eu sorri.

― Tenho certeza que ele vai gostar de se aproximar de você. Tommy sempre lamentou o abalo da amizade de vocês. Éramos um grupo e era triste ver os dois implicando um com o outro. ― Lara fez uma careta.

― Eu sou infantil, às vezes. E petulante. É difícil me conter. Mas, Ethan tem me ajudado.

― Fico feliz. Vai ser bom ter a velha Lara Brandon Swan de volta. ― Ela sorriu, enquanto me encarava atentamente.

― Será que um dia teremos a velha Sofia Swan de volta? ― Eu suspirei.

― Eu estou trabalhando nisso. A terapia tem me ajudado muito. Não sei se serei como antes, mas espero pelo menos curar minhas feridas mais profundas.

― Curar as feridas é legal. E, se quer um conselho, deixar as mágoas para trás é libertador.

― Sei que é... ― Eu respondi e ela sorriu, se afastando quando sua carona apareceu e me pedindo que esperasse um instante.

Eu poderia ir de táxi, pois meu apartamento não estava longe, mas por algum motivo ganhar uma carona de Tommy me parecia um jeito interessante de terminar aquela noite.

― Ele vai te deixar em casa, Sofia. E a gente se vê amanhã, na festa do Benjamin. ― Lara se despediu de mim com um beijo no rosto e eu sorri, me dirigindo para o carro de Tommy, que me esperava do outro lado da rua.

Eu entrei e imediatamente ele ligou o motor, colocando o carro em movimento antes que eu pudesse afivelar o cinto de segurança.

― Com pressa para se livrar de mim? ― Eu perguntei, tentando conter a ironia, mas falhando miseravelmente e Tommy sorriu.

― Eu estou cansado. Fui arrastado para essa boate contra minha vontade. Lara quer se reaproximar de mim e teve a brilhante ideia de reunir o pessoal essa noite. Imagino que ela queria um ambiente neutro, já que sempre acabamos discutindo. Mas, a semana foi pesada e eu não vejo a hora de cair na cama.

― Eu estou um caco também. Fiz muitos plantões extras essa semana. Mas, quando Nicolly quer curtir a noite, ela não me deixa em paz até que eu concorde em acompanha-la. Não importa o quão cansada eu esteja.

Tommy não disse nada e fizemos o resto do caminho até o meu apartamento em silêncio, apenas curtindo o som da música que tocava no rádio. Como a noite estava agradável, eu abri o vidro e deixei que a brisa vinda do mar acariciasse meu rosto. Acho que adormeci, pois quando acordei já estávamos em frente ao meu prédio.

― Está entregue. ― Tommy falou e eu sorri, tentando abrir o fecho do meu cinto e sendo ajudada por ele, já que meu estado letárgico me impedia a realização dessa simples tarefa.

Mas, assim que suas mãos me tocaram, eu senti como se uma corrente elétrica fosse descarregada em meu corpo, me fazendo estremecer.

E acho que Tommy sentiu o mesmo, já que afastou as mãos do meu corpo rapidamente.

― Obrigada pela carona. E desculpe por ter roubado um pouco do seu descanso.

― Não foi nenhum sacrifício. Eu gosto de estar com você. ― Eu o encarei.

― Eu também gosto de estar com você. Mas, nossa separação era necessária. A gente ainda tem muita coisa do passado pra resolver antes de podermos seguir em frente.

― E você quer seguir em frente comigo? ― Tommy me perguntou incerto e a dor que vi em seus olhos me machucou muito.

Eu nunca quis que ele sofresse.

― É claro que eu quero. Tommy, eu amo você, mas nós estávamos fazendo mal um ao outro. Havia muita insegurança e mágoa. E para que um relacionamento dê certo, a gente precisa estar bem... Olha, eu sou uma garota muito insegura. Nunca percebi isso, mas é a verdade. O fato de eu ter sido abandonada pelo meu pai biológico e toda a rejeição que sofri da minha avó deixaram marcas profundas em mim. Eu sempre acreditei que o amor da minha mãe tinha sido o suficiente, mas aparentemente eu estava enganada. Eu tenho a necessidade de me anular para agradar as pessoas, porque tenho medo de ser abandonada ou rejeitada. Mas, isso me faz mal. Então, esse afastamento é necessário para que eu possa superar toda essa insegurança e aprender a dizer não quando necessário. Eu preciso me encontrar e para isso, tive que me afastar de todos.

Ele suspirou.

― Eu entendo. De verdade. Mas, sinto tanto a sua falta. ― Ele falou, tocando meu rosto com carinho e eu me aproximei do seu corpo, sem conseguir me conter.

― Eu também sinto sua falta e... Ai, Deus! Me beija! ― Eu pedi desesperada, deixando de ser racional e Tommy me agarrou, atendendo meu pedido imediatamente.

E estar nos seus braços outra vez era maravilhoso. Tommy era o único homem que me fazia vibrar com apenas um toque e, por isso, ates que eu soubesse como, fui parar em seu colo, me entregando completamente aos seus lábios e as suas mãos, que percorriam meu corpo com ares de dono.

Quando nosso beijo já estava quase virando agressão, ele me afastou, me fazendo quase gemer em desalento.

― Boa noite, Sofia. ― Ele falou suavemente, beijando minha testa e eu o encarei ofegante.

― Está me dispensando?

― Estou. Eu quero você de volta, Sofia e se para isso precisamos ficar um tempo afastados, vamos fazê-lo do jeito certo.

― Sexo me parece um jeito ótimo de retomar qualquer relação. ― Eu resmunguei e ele sorriu.

― Eu concordo. Aliás, sexo com você sempre foi uma delícia. Mas... ― Tommy suspirou e me encarou. ― Sofia, quando você voltou de Londres, eu insisti muito pra que a gente reatasse. Implorei para que você terminasse sua relação com Adam e voltasse para mim e não sosseguei até conseguir. Hoje, percebo que não devia tê-la pressionado. Não devia tê-la pressionado com a ideia do casamento também. Aliás, tenho a impressão de que nunca devia ter insistido tanto para que você fosse estudar em Harvard. Aquele lugar não fez bem a nós dois. Talvez, se você tivesse ficado na Califórnia, como era sua ideia original, Melissa e Adam não teriam acontecido e nós estaríamos juntos agora. Se Boston não tivesse acontecido, você não teria perdido um bebê e eu não teria a oportunidade de agir como um completo babaca quando soube do que aconteceu.

― Tommy, eu... ― Ele colocou um dedo sobre meus lábios, me impedindo de dizer qualquer coisa.

― Eu poderia facilmente transar com você aqui. É o que eu quero e sei que você também quer. Mas, eu amo você e quero que nossa história, que é tão linda, dê certo outra vez. Mas, para isso, precisamos ir com calma. Há poucas semanas você me mandou embora desse prédio e não vai ser uma noite de sexo que vai consertar tudo o que foi dito naquela noite. Precisamos ser maduros dessa vez, Sofia. Só assim teremos, de fato, outra chance. ― Eu suspirei e saí do seu colo, aceitando a verdade em suas palavras.

Eu queria transar com ele e só Deus sabia o quanto estava me segurando para não me jogar em cima dele outra vez e mandar tudo para o inferno. Mas, eu sabia que se fizesse isso, todo o sofrimento da nossa separação seria em vão, porque eu ainda não estava bem e Tommy também não. O melhor era irmos com calma.

Mas, às vezes, ter que fazer o melhor era uma droga.

― Eu não convidá-lo para subir, então. ― Eu resmunguei e ele sorriu tristemente. ― A gente se vê amanhã?

― Sim. Nossos pais estão receosos. Acham que a gente vai discutir na frente dos convidados. Mas, estamos amadurecendo, você não acha? No começo da semana a gente nem se falava e hoje quase transamos. ― Eu corei e ele riu, o que me fez bufar e abrir a porta do carro.

― Até amanhã, Cullen. ― Eu falei seca e saltei do carro.

― Até amanhã, Sofia. ― Ele falou divertido e eu sorri, me contendo para não me virar e acenar feito uma idiota apaixonada (que eu era).

Tommy e eu éramos adultos e eu sabia, depois de hoje, que ainda podíamos nos entender, pois enquanto houvesse laços de amor, haveria a esperança de um futuro em comum.

Notas finais
Olá, pessoal! Espero que vocês estejam bem, apesar do período conturbado que estamos passando. Gostaria de esclarecer algumas coisas sobre esses bônus que eu estou postando sobre a vida do Tommy e da Sofia. Quando ainda em Laços de amor eu resolvi separar os dois e inserir esses personagens (Melissa e Adam), a ideia era dar uma deixa para que a fanfic pudesse continuar. Eu amo esses personagens e gostaria de um dia poder voltar a escrever sobre eles. Foi o que fiz. Além disso, outras pessoas, términos, brigas, mortes e sofrimentos são coisas que acontecem na vida real e, apesar de a gente ler para fugir da realidade, eu gosto de deixar minhas histórias mais perto da vida cotidiana. Ainda sim, penso que elas são uma fuga legal. Eu poderia manter esses capítulos apenas para mim, porque a fanfic já tinha acabado. Mas, eu sou tão apaixonada por essa família, que decidi compartilhar com vocês. Recebi muitas críticas sobre as atitudes do Tommy e as entendo. Outras leitoras criticaram as decisões da Sofia e eu também as entendo. Mas, vou conduzir a história da forma como EU quiser, pois eles são os meus personagens. Escrever sobre eles faz bem a mim e me deixa feliz. Por isso, vou continuar postando. Quem acha que a história estava bem finalizada com o fim de Laços de amor, ótimo. Não leiam os bônus. Vocês não são obrigadas a nada. Mas, peço um pouco mais de respeito nos comentários, tanto com os personagens, que representam pessoas humanas, que carregam traumas e inseguranças como todos nós, quanto comigo, que escrevo na tentativa de alegrar a mim e a vocês. Espero que vocês tenham gostado do capítulo. Espero que vocês continuem aqui comigo. Mas, caso decidam abandonar, desejo do fundo do coração que vocês encontrem nas leituras futuras os personagens perfeitos que vocês buscam. Porque aqui, vocês vão encontrar meus personagens humanos, que erram, se enganam, tomam péssimas decisões, se arrependem, mas, acima de tudo, se amam. Beijos e até o próximo!