Laços de amor

64 Capítulo Bônus 11: A vida de Tommy e Sofia


Laços de amor

Londres

Sofia

Alguns anos atrás...

Acordei desorientada, escutando o barulho insistente de um bip e sentindo cheiro de hospital. Notei que estava com soro preso em minhas mãos e assim que eu me mexi, Adam se materializou ao meu lado.

― Oi. Como você está se sentindo? ― Ele me perguntou suavemente, enquanto acariciava meus cabelos e eu respirei fundo, tentando me lembrar como e porque eu estava em um hospital.

― O que aconteceu? ― Eu perguntei com a voz fraca e Adam respirou fundo, se inclinando e me dando um beijo na testa.

― Você não se lembra? ― Ele me e eu neguei com um gesto de cabeça.

Tudo estava muito confuso em minha mente.

Eu me lembrava apenas que nós passamos metade do dia no laboratório, trabalhando em nosso projeto, e depois saímos para correr e aproveitar o pouco de sol que o inverno de Londres permitia.

Mas, espera... Que dia era hoje?

― Não me lembro de muita coisa. Nós saímos para correr e...

― Desde manhã você estava reclamando de cólicas. Aí, enquanto corríamos, você teve uma hemorragia.

Eu me lembrava da cólica. Na verdade, eu estava com dor desde a madrugada, mas achei que era devido à menstruação.

― Hemorragia? Por que eu tive uma hemorragia? ― Adam suspirou e desviou o olhar do meu rosto.

― Eu vou chamar o médico para falar com você. ― Ele disse e eu fiquei ali, confusa e com medo de estar com alguma doença grave, pois só isso explicava o fato de eu precisar de um médico para me explicar essa misteriosa hemorragia.

Alguns minutos se passaram até que um médico idoso entrasse no quarto, acompanhado por uma enfermeira.

― Boa noite, senhorita Swan. Como está se sentindo?

― Confusa. ― Eu murmurei e ele sorriu.

― Eu imagino que você deva estar confusa mesmo. Mas, eu me refiro às condições físicas. Você sente alguma dor? ― Eu franzi o cenho e tratei de prestar atenção no meu corpo, enquanto a enfermeira aferia minha pressão, tirava minha temperatura e auscultava meu coração.

― Eu me sinto fraca e cansada. E estou com um pequeno desconforto na região pélvica. ― Respondi depois de alguns minutos e ele assentiu, enquanto anotava algo em sua prancheta, onde provavelmente estava o meu prontuário.

― Região pélvica, é? Você estuda medicina, não é mesmo?

O que? Eu estava internada depois de uma misteriosa hemorragia e o médico queria saber o que eu estudava?

Ai que saudade da Dra. Cooper!

― Na verdade, eu ainda não entrei na escola de medicina. Mas, pretendo ser médica sim.

― Certo. É uma bela profissão. Seu namorado me disse que você é muito talentosa. ― Eu me mexi na cama incomodada.

Adam não era exatamente meu namorado, mas eu não iria discutir meus relacionamentos com o médico.

― É o que dizem... ― Eu respondi simplesmente e ele sorriu, me encarando por cima dos óculos.

― Então, você está sentindo um desconforto na região pélvica...

― O que eu tenho? ― Eu o interrompi e ele suspirou, se aproximando e segurando minha mão livre do soro.

― Você sofreu um aborto, senhorita Swan. ― Ele falou suavemente e eu paralisei, enquanto tentava me lembrar como se respirava.

Aborto?

Como assim um aborto?

Mulheres grávidas abortavam e eu não estava grávida. Era impossível.

Pra começar, eu tomava pílula regularmente desde os meus dezesseis anos e quando o assunto era contracepção, eu era até um pouco neurótica, de modo que nunca havia me esquecido do remédio nenhum dia sequer.

Além disso, eu não havia deixado de menstruar. Meu ciclo era extremamente regulado e minha menstruação não havia nem sequer atrasado. Estava tudo funcionando normalmente.

Portanto, uma gravidez era simplesmente impossível.

― Isso é impossível. ― Eu falei por fim e o médico suspirou, me encarando por cima dos óculos.

― Não é. Você estava grávida e perdeu o bebê.

― Não! Eu não podia estar grávida. Eu tomo pílula. ― O médico sorriu.

― Sabe quantos partos de “bebês pílulas” eu faço por mês? Dezenas! Nenhum método contraceptivo é totalmente eficaz, senhorita Swan. Mulheres podem engravidar, e engravidam, mesmo tomando pílula ou usando outros métodos contraceptivos, combinados ou não. ― Eu bufei.

― Minha menstruação veio normalmente nos últimos meses. ― Eu insisti e ele respirou fundo, me encarando da mesma forma que se encarava uma criança birrenta.

― Senhorita Swan, gravidez e menstruação são fenômenos incompatíveis. Se você teve sangramento durante esses primeiros meses, pode significar que sua gravidez não ia bem, como também pode ser que você tenha confundido uma discreta perda sanguínea que surge quando o embrião se implanta na parede do endométrio com seu período menstrual regular. Esse sangramento, apesar de ter um aspecto bem diferente da menstruação, é frequentemente confundido com o período, pois ele costuma ocorrer ao redor da 4ª semana do ciclo menstrual, época em que a mulher está à espera da sua menstruação. ― Ele explicou pacientemente e eu engoli em seco, sentindo minha cabeça girar.

Eu havia perdido um bebê. Um bebê que eu nem sabia que existia.

Meu Deus, eu estava oficialmente passando mal!

Isso não podia estar acontecendo. Não quando eu estava em outro continente, longe dos meus pais e de toda minha família e amigos.

Como diabos eu tinha ficado grávida, se sempre tomei todos os cuidados necessários, combinando a pílula com a camisinha em todas as transas?

E... Puta que pariu!

Quem era o pai desse bebê?

― Eu estava grávida de quantas semanas? ― Eu perguntei em um fio de voz, temendo a resposta, e o médico voltou sua atenção para o meu prontuário.

Nesse momento, Adam entrou no quarto e eu o encarei, querendo mais do que nunca que ele se aproximasse e me abraçasse, pois eu estava muito assustada. Assustada por ter estado grávida sem saber. Assustada por ter perdido um bebê do qual eu nem sabia da existência. Assustada porque eu não sabia quem poderia ser o pai do meu bebê. E ainda mais assustada porque eu nunca, nem eu meus piores pesadelos, imaginei passar por algo assim.

― Você estava grávida de aproximadamente doze semanas.

Doze semanas?

Há doze semanas eu havia deixado os Estados Unidos e vindo para Londres. Há doze semanas eu havia transado com Tommy pela última vez. Há doze semanas eu carregava um bebê, fruto de um amor que já não existia, sem saber. Há doze semanas eu havia me tornado uma mãe... A mãe do bebê de Tommy, que agora era só uma dolorosa lembrança.

― Eu sei que é triste, principalmente porque você nem teve tempo de se acostumar com a ideia de que teria um bebê e já o perdeu. Mas, a boa notícia é que você é jovem e saudável e poderá ter quantos filhos quiser depois que se recuperar desse trauma. ― O médico falou e eu fechei os olhos, enquanto uma lágrima solitária descia por meu rosto.

Era fácil falar em recuperação e em seguir em frente sem ter passado por um trauma como esse. Quando a dor era na própria pele, seguir em frente não era uma tarefa tão simples.

― Vocês sabem a causa do aborto? ― Adam perguntou e eu encarei o médico ansiosa por saber o que poderia ter feito meu corpo rejeitar meu próprio bebê.

― Não. As causas exatas do abortamento são muito difíceis de determinar. O que se sabe é que o aborto espontâneo pode envolver alterações relacionadas com o sistema imunológico, idade, infecções causadas por vírus ou bactérias, estresse, uso de cigarro e outras drogas. O índice é de até 80% nas primeiras dozes semanas. Então, não fique preocupada. Coisas assim são mais comuns do que vocês imaginam. ― O médico explicou e Adam assentiu, se aproximando de mim e segurando minha mão.

― Obrigada, doutor. Sofia vai ficar até quando internada?

― Amanhã ela já terá alta. Quero apenas deixa-la em observação, pois a hemorragia foi intensa. Mas, deu tudo certo no procedimento médico que realizamos e como ela é jovem e saudável, não vai precisar ficar muito tempo por aqui.

Eu não via a hora de sair daquele hospital e esquecer o que aconteceu, mas passar a noite ali não iria me matar. Só esperava que Adam ficasse comigo.

Depois que o médico saiu, Adam e eu ficamos em completo silêncio, até que ele sentou-se de frente pra mim e me encarou.

― Eu sinto muito. ― Ele murmurou e meus olhos se encheram de lágrimas.

― Como alguém pode estar grávida e não saber?

― Muita coisa aconteceu, Sofia. Nossa vinda para Londres, uma nova rotina, nosso projeto, nosso relacionamento...

― Eu sei... Mas, eu não entendo... Eu sempre me cuidei. Como eu posso ter engravidado?

― O único método contraceptivo cem por cento seguro é a abstinência. Todas as mulheres que tem uma vida sexual ativa, mesmo tomando pílula, usando camisinha, diafragma ou DIU podem engravidar. Mulheres laqueadas engravida, Sofia...

― Eu sei. Me lembro bem dessas aulas na escola e na faculdade. Mas, a gente nunca acha que vai passar por isso. ― Ele sorriu.

― Eu teria gostado de ter um bebê com você. ― Eu engoli em seco.

― Adam, esse bebê não era seu. ― Ele suspirou e beijou minha mão com carinho.

― Eu sei. Mas, eu gostaria que fosse. Não me importaria de ter um filho com você, mesmo não sendo esse o momento ideal. ― Eu sorri tristemente e apertei sua mão.

― Você é um cara legal, Adam Jones. Acho que eu também gostaria de ter um filho com você. Um dia. Não agora. ― Ele sorriu e, mesmo em silêncio, eu sabia que ele estava louco para me perguntar quem era o pai do bebê que eu havia perdido. Por isso, antes que ele precisasse perguntar, eu resolvi lhe dizer. ― O bebê era do Tommy. ― Eu declarei e ele me encarou surpreso.

― Achei que fosse do Matt. ― Eu fiz uma careta.

― Eu nunca transei com o Matt. A gente só ficava.

― Você e Tommy não haviam terminado? ― Eu corei.

― A gente transou na noite antes de eu viajar para Londres. Considero como uma despedida. ― Eu confessei e Adam fez uma careta. Acho que ele não gostava muito do Tommy.

― E aí você engravidou. ― Ele comentou e eu dei de ombros.

― Parece que sim. Mas, já não tem importância, pois o bebê não existe mais. ― Eu murmurei e Adam estalou os lábios, se aproximando e me abraçando com cuidado.

― Você é jovem e saudável, Sofia, e poderá ter quantos filhos quiser. Eu imagino que o aborto seja um trauma muito violento para a mulher, mas você vai superar. Tenho certeza, até porque você tem o meu apoio incondicional e também terá o apoio da sua família. ― Eu o encarei seriamente.

― Não vou contar pra minha família. ― Eu declarei decidida e Adam arregalou os olhos.

― Como não? Sofia, você sofreu um aborto. Você estava grávida do filho do seu pai adotivo, que é marido da sua mãe. Eles têm que saber. É um direito deles como família. É um direito do Tommy como pai. Não é juto com eles e nem com você.

― Contar pra que? Adam, o bebê não existe mais. Minha mãe tem criança em casa e um trabalho bastante puxado no hospital. Não tem como ela parar a vida e vir para Londres porque eu sofri um aborto. E quanto ao Tommy... Ele está no primeiro ano da escola de direito. Não posso atrapalhá-lo por algo que nem existe mais. Eu estava grávida de um filho dele, mas não estou mais. Pronto. Se ninguém souber, ninguém sofre.

― E você vai sofrer sozinha? ― Adam perguntou indignado e eu engoli o nó que se formou em minha garganta.

― É melhor assim. Para todos. Além disso, eu tenho você. Não é como se eu tivesse que passar por tudo sozinha. ― Ele suspirou.

― Eu quero deixar claro que não concordo com sua decisão. Mas, é o seu corpo e, portanto, temos que seguir suas regras. ― Eu sorri minimamente para suas palavras.

― Obrigada por estar comigo e por apoiar minhas decisões, mesmo não concordando com elas. Eu só não quero que minha família sofra por um bebê que eles nunca irão conhecer. ― Adam suspirou e beijou o topo da minha cabeça.

― Eles têm o direito de saber e sofrer também, Sofia. Mas, eu vou te apoiar e cuidar de você, enquanto torço para que algum juízo caia do céu e te faça mudar de ideia. ― Eu revirei os olhos.

Não ia acontecer. Minha decisão estava tomada e ninguém além de Adam e eu saberia desse aborto. Nunca.

*********

Los Angeles

Dias atuais...

Respirei fundo e balancei a cabeça de leve, tentando me livrar daquelas lembranças.

Eu havia perdido um bebê. Um bebê que era um pedacinho de Tommy também e, na época, era a única coisa que tinha restado do meu sonho adolescente de amor verdadeiro.

Aquela perda doeu no fundo da minha alma, mas, com a ajuda de Adam, eu consegui superar.

Eu sempre quis contar para minha mãe o que tinha acontecido em Londres. Afinal, Isabella Swan era e sempre seria minha melhor amiga. Mas, ela também era a esposa de Edward e, para todos os efeitos, mãe de Tommy também e, portanto, mesmo que eu implorasse, ela não guardaria o meu segredo.

Então, eu não disse nada, nem para ela, mesmo me sentindo culpada por não dividir esse momento ruim da minha vida com a mulher que sempre fez tudo por mim.

E agora eu estava ali, tendo que lidar com uma paciente numa situação muito parecida com a que eu vivi há anos atrás e não sabendo o que fazer com as lembranças e com a culpa por saber que eu escondia uma parte da minha vida das pessoas que eu amava e do homem com quem eu pretendia passar o resto dos meus dias.

― Ela já acordou? ― Ouvi a voz de Anny e me virei para encará-la.

― Ainda não. A Dra. Cooper me deu a dura missão de contar a ela sobre o aborto. Estou aqui estudando a melhor forma de contar isso a uma mulher sem causar um trauma psicológico definitivo. ― Anny fez uma careta e sentou-se na cadeira ao meu lado.

― Foi espontâneo?

― Aparentemente sim. Pelo menos os exames não acusaram o uso de nenhuma substância abortiva. Ela estava grávida de poucas semanas e o abortamento espontâneo nesse estágio é mais comum do que a gente pensa.

― Não era hoje que você ia dormir pela primeira vez no apartamento novo? ― Anny perguntou, certamente tentando mudar de assunto, e estalei os lábios, expirando em seguida.

Eu devia estar animada, mas depois do dia de hoje, tudo o que eu queria era o colo da minha mãe, na casa dela, com toda nossa família maluca.

― Era hoje. Mas, agora não sei que horas vou sair do hospital.

― Eu espero que Tommy saiba onde está se metendo ao se casar com uma residente de cirurgia. ― Eu ri.

― Ele sabe. Tommy está costumado com minha rotina maluca desde a época da faculdade. ― Eu respondi e Anny sorriu, desviando o olhar do meu rosto para onde a paciente estava.

― Acho que ela está acordando. Vou sair para dar privacidade a vocês. ― Anny falou e eu assenti, respirando fundo e me aproximando da paciente.

― Boa noite. Como você está se sentindo? ― Eu perguntei suavemente e a moça me encarou confusa, pousando as duas mãos sobre a barriga.

― O que aconteceu? Meu bebê? ― Ela perguntou baixinho e eu me aproximei um pouco mais.

― Você sofreu um aborto. ― Eu respondi e, para o meu desespero, a paciente começou a chorar.

― Não! Eu queria tanto esse bebê.

― Eu sinto muito. Mas, você é uma mulher jovem e saudável e poderá ter outros bebês.

Era horrível ter que dizer isso para alguém que acabou de passar por um trauma como o aborto, mas esse era o protocolo. Era um protocolo dolorido para o paciente e, no momento, também para a médica, mas tinha que ser seguido com o objetivo de consolar alguém que já não tinha mais o seu bebê no ventre.

― Esse bebê é a única coisa que restou de uma relação malsucedida. Eu o queria mais do que tudo, porque seria um laço eterno com o homem que eu mais amei na vida e que já não é mais meu. E agora ele não existe mais... ― Ela falou chorando e eu senti meu coração afundar no peito.

Eu conhecia bem aquela sensação, porque foi a mesma coisa que eu senti quando perdi o bebê de Tommy.

Na época, nós não estávamos juntos e eu não acreditava que voltaríamos a namorar. Assim, aquele bebê seria um vínculo eterno com o garoto que eu amava desde a adolescência e que já não era mais meu. E eu o perdi. Simplesmente o perdi, sem ao menos ter tempo de amá-lo.

― Olha... Presta atenção em mim. ― Eu pedi e ela me encarou. ― Dói. Eu sei que dói. Você não o conhecia, não teve tempo nem sequer de amá-lo, mas o desejava. Vai doer. Por muito tempo. Sempre que você se lembrar, vai doer. Mas, com o tempo, a gente supera e percebe que podemos amar de novo. Que podemos sim querer outros bebês, ter outros amores...

― Você já passou por isso? ― Ela me perguntou depois de alguns segundos e eu respirei fundo, assentindo em seguida.

― Sim. Foi há alguns anos. Meu bebê também era a única ligação que eu tinha com o garoto que eu mais amei na vida. Mas, sabe... Eu consegui superar. E até consegui meu amor de volta. Vamos nos casar e poderemos ter outros filhos. O aborto é um trauma terrível, mas somos fortes. A gente supera. ― Eu falei e ela sorriu.

― A perda do bebê não dói mais? ― Ela perguntou e eu sorri tristemente, segurando sua mão.

― Dói. Como eu disse, vai sempre doer. Quando eu soube que você estava tendo um aborto, tudo o que aconteceu comigo voltou a minha mente. Toda a dor, a confusão e o sofrimento por estar perdendo um bebê do qual eu só tomei consciência quando o perdi. Mas, eu estou aqui, fazendo meu trabalho e dando a minha paciente a esperança de que a vida vai continuar, mesmo depois desse trauma que ela sofreu.

― Que bom que você é minha médica... ― Ela murmurou por fim e eu sorri.

― Bom, vou falar agora dos aspectos clínicos do aborto que você sofreu e de tudo o que fizemos após o trauma. Você está pronta? ― Eu perguntei e ela respirou fundo, assentindo em seguida.

― Vamos lá...

Passei a próxima hora explicando tudo o que havia acontecido, falando sobre o procedimento que realizamos e como seria seu tratamento e recuperação daqui para a frente.

A paciente, que eu descobri que se chamava Rose Weber, estava mais calma e eu fiquei feliz que aquela experiência horrível pela qual eu passei um dia tinha servido para ajudar alguém.

― Sofia... Aliás, Dra. Swan, a outra Dra. Swan pediu para te ver. Ela está te esperando na sala dos residentes. ― Adam falou, enquanto eu atualizava meus prontuários e eu franzi o cenho, olhando para meu relógio.

― Minha mãe está aqui até essa hora? E você nunca me chamou de Dra. Swan antes...

― Vou chamar a partir de agora, já que sua vida, suas decisões e seus segredos não me dizem respeito. ― Ele falou e eu revirei os olhos para sua birra ridícula.

― Adam, eu não gosto de falar do que aconteceu em Londres. Você sabe. Ainda dói. ― Ele bufou e passou a mão pelos cabelos.

― E você ainda não contou pra ninguém. Isso é ridículo! Você vai se casar com o cara e não lhe contou que perdeu um filho dele.

― Cala a boca! ― Eu gritei e, todo mundo que estava na mesma ala que nós, nos encarou.

― Desculpa. ― Adam murmurou e olhou para alguém além de mim, arregalando os olhos e eu não precisei me virar para saber quem estava ali.

― Dra. Swan, posso falar com você? ― Minha mãe perguntou com uma voz controladamente calma e eu fechei os olhos, respirando fundo e me virando para encará-la.

― Mãe, eu...

― Dra. Swan, venha comigo, por favor. ― Ela falou friamente e eu suspirei, seguindo-a.

Isabella Swan Cullen havia me chamado de Dra. Swan. Não de filha, não de Sofia e não de meu amor.

Ela sabia sobre o aborto. Ela sabia que eu havia escondido aquele segredo dela. Ela devia estar muito decepcionada comigo.

Deus, eu estava muito ferrada.

Notas finais
Olha só quem voltou... Eu! Tenho tempo? Não! Tenho muitas coisas pra fazer? Tenho! Devia estar escrevendo fanfic? Não! Me arrependo? Não. E espero que vocês tenham gostado. Não esqueçam de comentar. Boa leitura!