Laços de amor
54 Capítulo Bônus 1 - A vida de Tommy e Sofia
Notas iniciais
Laços de amor
Los Angeles
Sofia
Desabei sobre a maca e fechei os olhos, me permitindo descansar meu corpo dolorido e exausto por pelo menos alguns minutos, ou eu simplesmente não conseguiria mais ficar em pé na emergência. Nunca mais.
Se eu soubesse que ser residente da cirurgia era tão difícil teria mesmo me formado em literatura.
— Deitar não vale, Dra. Swan. Seu plantão ainda não acabou. — Ouvi a voz da minha mãe e me virei para a porta do depósito, de onde ela me encarava com um sorriso debochado nos lábios.
— Eu vou morrer de tanto trabalhar e a culpa é toda sua, mãe. — Eu resmunguei e ela riu, se aproximando da maca e sentando-se na ponta, para que assim eu pudesse deitar minha cabeça em seu colo.
— A residência é pauleira mesmo. Mas, você está se saindo bem, meu anjo. Suzana e os outros Staffs estão impressionados com suas habilidades cirúrgicas. — Eu revirei os olhos para o seu tom orgulhoso.
— Mãe, eu não tomo banho há 48 horas e já faz três dias que eu não como direito. Meu cabelo está nojento, eu não sinto os meus pés e meu namorado já é quase um desconhecido, uma vez que eu não o vejo há um tempão. Minhas habilidades cirúrgicas são o que menos importam agora. — Ela riu e beijou minha testa.
— Eu já passei por isso, meu amor e quando chegava em casa ainda tinha uma filha linda para cuidar e mimar. E se eu venci, você também pode. Quanto a Tommy, ele entende que você está na residência, até porque ele também está em um momento delicado da carreira e quase não tem tempo para nada além daqueles casos escabrosos que o seu pai está deixando pra ele. — Eu ri.
— O papai quer transformar o filho em um grande advogado, mas se esqueceu que Tommy tem que sobreviver para isso. — Eu falei divertida e minha mãe riu.
— Pois é... Edward está realmente pegando pesado, mas Tommy dá conta. E você também. Eu tenho absoluta certeza disso. — Fiz uma careta.
— Um dia toda essa exaustão passa? — Ela riu.
— Passa sim, meu anjo. A residência não vai durar para sempre.
— Assim espero. — Eu resmunguei e ela sorriu, me dando um beijo suave na testa.
— Agora, vamos sair desse depósito e voltar para a emergência, pois temos trabalho a fazer. Muito trabalho, aliás. — Minha mãe falou e eu gemi desalentada, me levantando da velha maca e a seguindo até a emergência que, é claro, estava a todo vapor.
Descolei mais duas cirurgias naquele dia e quando finalmente pude ir para casa estava tão exausta que quase não consegui trocar de roupas.
— Eu preciso de um banho. Já é questão de vida ou morte, pois eu estou fedendo. — Nicolly falou e eu ri.
Nicolly e eu havíamos nos tornado amigas desde o primeiro dia de residência. Ela era uma belíssima ruiva francesa muito divertida e atrapalhada, mas que arrasava em toda e qualquer cirurgia. Sempre estudávamos juntas e quando tínhamos alguma oportunidade saíamos para beber. Nick, como ela gostava de ser chamada, havia se tornado minha melhor amiga no hospital.
— Estamos todas fedendo, Nicky. Já faz mais de 48 horas que não saímos desse hospital para nada. Eu não sei o que é tomar banho ou comer. E transar? Eu nem consigo me lembrar a última vez que tive um orgasmo. — Anny, a estonteante residente loira da nossa turma, falou, enquanto trocava seu uniforme sujo de sangue e eu fiz uma careta para suas palavras.
Transar realmente havia saído do nosso vocabulário. Completamente.
Não tínhamos tempo e quando raramente arranjávamos um estávamos tão cansadas que transar era a última coisa que queríamos.
Mas, eu pelo menos vivia na mesma casa que o meu namorado. Nick e Anny nem isso.
— Vamos sair pra beber? Eu pago! Bebida relaxa. — Nick propôs e eu neguei com um gesto de cabeça.
— Nada de beber. Vou para casa. Preciso de um banho. — Eu declarei e ela me olhou divertida.
— Você vai transar, não é? — Eu corei, mas assenti, o que a fez rir. — Safada.
— Eu não vejo meu namorado há dias. Hoje só quero curtir um momento com ele. Podemos sair para beber outro dia, mas hoje eu só quero um banho, pizza e sexo. — Anny gargalhou.
— Se eu tivesse um namorado gato como o seu a minha disposição para sexo também estaria a mil. — Ela falou descarada e eu revirei os olhos, enquanto nos encaminhávamos para a recepção.
Elas eram fascinadas por Tommy, mas como ele realmente era um cara lindo, eu não me importava com os elogios exagerados que minhas amigas faziam a ele. Até porque, elas tinham toda a razão.
Minha mãe me esperava na recepção e sorriu ao me ver.
— Vamos para casa? Nossos garotos nos esperam.
— Swan, não se atrase amanhã. Preciso de você aqui para recebermos o novo residente. — Dra. Cooper falou, aparecendo do nada, como de costume, e eu franzi o cenho.
— Novo residente? No meio do ano? — Eu perguntei e Suzana sorriu.
— Tivemos uma desistência no terceiro ano e eu abri uma vaga. Fiz algumas entrevistas e amanhã estaremos recebendo o novo membro da nossa equipe cirúrgica. Ele se formou em Boston também.
— Será que eu conheço? — Eu perguntei curiosa e minha chefe sorriu.
— Amanhã vamos descobrir. Até mais, garotas. — Suzana falou, seguindo em direção a emergência depois de verificar o bipe do celular e minhas amigas, minha mãe e eu nos dirigimos ao estacionamento.
— A Dra. Cooper nunca vai embora. Como ela consegue ficar tanto tempo trancada nesse hospital? Se fosse por mim não voltaria aqui tão cedo. — Nick falou e minha mãe sorriu.
— Essa vontade de sumir é resultado da residência, Dra. Simon. Depois, o hospital e a sala de cirurgia tornam-se os melhores lugares do mundo para nós. — Minha mãe declarou e Nick fez uma careta.
― Não pretendo fazer da medicina minha vida. Cirurgia é só uma profissão. Eu ainda quero ter um namorado, beber, transar e viajar.
― Eu também... ― Eu murmurei e minha mãe suspirou.
― Podemos ter tudo isso, meninas. Mas, nossa profissão exige um pouco mais que outras. Lembrem-se sempre disso. Agora, aproveitem as horas de folga e estejam aqui renovadas para mais cirurgias. Sofia e eu vamos para casa. Até mais. ― Minha mãe falou e eu me despedi das meninas com um aceno, entrando no carro e me recostando no banco do carona.
Eu nem acreditava que aquele dia finalmente tinha acabado.
― Cansada? ― Minha mãe perguntou enquanto manobrava o carro para fora do estacionamento e eu fiz uma careta, mantendo os olhos fechados.
― Não cabe mais cansaço em mim, mãe. ― Eu resmunguei e ela riu.
― Já disse que isso passa, amor. Curta suas horas de folga hoje e quando retornar ao hospital estará mais animada.
Eu suspirei.
Só esperava que ela tivesse razão.
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Escutei o barulho irritante do despertador e gemi desalentada.
A impressão que eu tinha era que eu havia dormido apenas por minutos.
― Ei, princesa, acorde. ― Ouvi a voz de Tommy ao pé do ouvido e me virei em seus braços para encará-lo.
― Oi, estranho. ― Eu murmurei e ele sorriu, acariciando e beijando meu rosto.
― Me desculpe por ontem. Eu queria ter chegado mais cedo, mas tinha que terminar uns relatórios.
― Tudo bem, Tommy. Eu estava tão cansada que não conseguiria mesmo te dar nenhuma atenção. Tudo o que eu queria era tomar banho e dormir. Nem a pizza que a mamãe pediu eu consegui comer. Entrei em coma depois do banho. ― Ele riu.
― Será que vamos conseguir sobreviver a esse período onde nossos pais nos exploram até a exaustão?
― Eu espero que sim. Não estudei tanto para morrer antes de terminar essa maldita residência. ― Ele fez uma careta e, antes que eu pudesse prever, me puxou para cima do seu corpo, o que me fez soltar um grito de susto.
― Temos uma hora antes do início do nosso expediente. O que acha de um banho a dois? ― Tommy ofereceu, balançando as sobrancelhas e eu sorri, sentindo meu rosto corar, mas me inclinado para beijá-lo.
Minha posição dava a ele uma visão privilegiada dos meus seios, mas eu não fiz menção de me cobrir.
Tommy podia ver meu corpo porque eu pertencia a ele.
― Eu acho ótimo! ― Eu respondi a sua pergunta e rapidamente ele pulou da cama e me levou para o banheiro. Falamos muito pouco depois disso.
***********
Quando descemos para o café, a família toda estava reunida e minha mãe me lançou um olhar sério.
― Está atrasada, doutora Swan. ― Fiz uma careta enquanto me servia de café.
― Eu sei, mãe. Dormi demais. ― Eu respondi enquanto me servia de café e Mia deu uma tossidela, disfarçando um sorriso de deboche.
É claro que ela sabia o que Tommy e eu havíamos feito essa manhã, por mais discreto que tenhamos sido.
Acho que todos sabiam, aliás. Exceto, talvez, por Elena e Benjamin.
Mas, eu simplesmente ignorei minha irmã indiscreta e continuei tomando meu café. Afinal, minha vida sexual não era da conta de ninguém.
― Não exija demais da menina, amor. Sofia precisa descansar ou não vai chegar viva até o fim da residência. ― Meu pai falou, me dando um beijo no rosto e eu sorri agradecida.
Edward Cullen sempre seria o cara que me mimava e me protegia da rigidez médica da minha mãe.
― Falou o cara que não explora o nosso filho no trabalho. ― Minha mãe resmungou e Edward fez uma careta.
― Isso aí, mãe. Me defenda das mãos de aço do patrão implacável que vive no papai. ― Tommy pediu, enquanto roubava minha comida descaradamente, ganhando um olhar feio meu.
Eu não sabia porque meu namorado simplesmente não pegava um prato e uma xícara para ele.
― Ainda bem que eu não serei vítima do Workaholic de vocês. Escolher uma carreira diferente foi a melhor decisão que eu já tomei na vida. ― Mia declarou e eu ri, enquanto meu pai e minha mãe a olhavam indignados.
Ela tinha optado por publicidade e, portanto, estava mesmo livre de ter um dos nossos pais como chefe. Sorte dela.
― Não somos viciados em trabalho, Mia. E eu nem sou um patrão tão exigente assim. Quero apenas que Tommy seja um bom profissional na área do direito e para isso ele tem que se dedicar.
― Pai, você faz mais do que exigir a dedicação do Tommy. Você explora o coitado. E a mamãe explora a Sofia. Não me admiraria se os dois fugissem juntos para bem longe de vocês. ― Mia afirmou e minha mãe revirou os olhos, enquanto tirava o tablete de Benjamin e empurrava a tigela de cereal para que ele voltasse a comer.
― Vocês vão fugir? Me leva? ― Elena perguntou animada e eu ri, revirando os olhos, enquanto espetava a mão de Tommy que tentava, mais uma vez, roubar minha comida.
Eu amava as manhãs malucas que passava ao lado da minha família e esse era um dos motivos para que eu não pensasse em me mudar, apesar de eu realmente achar que Tommy e eu precisávamos de uma casa só para nós dois.
Ficar anos longe de casa fez com que eu desenvolvesse uma carência dos meus pais e irmãos e eu simplesmente não conseguia me imaginar fora de casa por enquanto.
― Mãe, eu vou dormir na casa do Noah hoje. ― Mia anunciou e meu pai e Tommy se engasgaram com a comida.
― Você tem casa, Mia. ― Meu pai resmungou e eu disfarcei um sorriso.
Edward Cullen seria sempre o pai ciumento.
― Deixa a menina, Edward.
― Bella, você tem que ficar do nosso lado. ― Tommy reclamou e minha mãe revirou os olhos.
― Você dorme com a minha filha todos os dias, Tommy. Vocês moraram juntos em Boston e eu sei muito bem o que aconteceu naquele banheiro hoje de manhã. Então, menos hipocrisia. Mia pode ter uma vida amorosa também. ― Minha mãe falou e Mia piscou para ela, enquanto meu pai e Tommy bufavam.
Algumas coisas jamais iriam mudar.
Depois de toda a confusão do café da manhã, minha mãe e meu pai foram deixar Elena e Benjamin na escola, Mia foi com Noah para a faculdade e Tommy e eu seguimos para o trabalho.
― A gente precisa se mudar. ― Tommy falou de repente e eu suspirei, enquanto passava alguma maquiagem no rosto a fim de não assustar os pacientes com minhas olheiras profundas.
― Tommy, já conversamos sobre isso. Eu gostaria de esperar a residência terminar. ― Ele bufou.
― Por que?
― Primeiramente porque nosso salário é uma merda.
― Sofia, nós temos investimentos ótimos que rendem muito mais que nosso salário baixo. Dinheiro não seria um problema e você sabe.
― Nossa rotina é complicada, Tommy. Por que acrescentar mais responsabilidade? Comida, roupa, limpeza, compras...
― Poderíamos contratar ajuda. Tenho certeza de que Emma nos indicaria alguém. ― Eu suspirei e ele me encarou seriamente quando estacionou o carro em frente ao hospital. ― Seja sincera comigo, por favor.
― Eu sempre sou sincera.
― Você não quer morar comigo?
― Eu quero me casar com você e passar o resto dos meus dias ao seu lado. Quero ter filhos seus. Um menino e uma menina. Podemos ter um cachorro também. E até um gato. Um dia. Só não acho que esse seja o momento certo para gente sair da casa dos nossos pais.
― Você não quer ficar longe da sua mãe?
― Não. E nem do papai ou dos nossos irmãos. ― Tommy suspirou.
Ele sabia que não ia me convencer. Pelo menos não até a residência terminar. Mas, todas as vezes que nossa vida sexual era mencionada por nossos pais ou irmã sua vontade de sair de casa aflorava outra vez.
― Seu prazo é até o fim da residência, Sofia. Depois disso, nós iremos nos casar e moraremos sozinhos. E eu vou transar com você em cada superfície plana da nossa nova casa sem precisar me conter. ― Eu corei e dei um tapa em seu braço.
― É só por causa disso que você quer sair da casa dos nossos pais, não é? ― Eu resmunguei e ele riu, me puxando para perto e me beijando.
― É um bom motivo. Você não acha? Nossa vida sexual foi drasticamente prejudicada desde que voltamos para a casa dos nossos pais. ― Eu ri e o beijei.
― Nossa vida sexual foi drasticamente prejudicada por causa da nossa rotina exaustiva, Tommy Claro que não estarmos completamente sozinhos contribui, mas sempre podemos contar com a ajuda da TV ou do chuveiro. ― Eu pisquei para ele, que riu, me beijando outra vez.
― Eu te amo. ― Tommy falou e eu sorri, beijando-o outra vez.
― Eu também te amo. Agora, eu preciso ir. A emergência ou, seja lá qual for a sessão de tortura que a Suzana vai me colocar hoje, me esperam. ― Ele riu.
― Vai lá. Não deixe que ela acabe com você.
― Não vou deixar. Até mais tarde.
Corri para o vestiário depois de um último beijo e já estava quase terminando de me trocar quando Nicky apareceu.
― G.O.S.T.O.S.O. Muito gostoso. Gostoso demais.
― Quem? ― Eu perguntei distraída, enquanto checava meu Pager e meu estetoscópio e Nicolly me segurou pelos ombros, me fazendo encará-la.
― O novo residente. Ele é a coisa mais gostosa que eu já vi na vida. Quase tão bom quanto o seu namorado. ― Revirei os olhos.
― Ninguém chega perto do meu namorado. ― Me gabei e ela riu.
― Antony Cullen é mesmo lindo. Mas, acredite: o residente novo também é. E eu vou leva-lo para minha cama. ― Eu ri.
― Boa sorte.
― Eu não preciso de sorte, Swan. Sou gata, talentosa e transo muito bem. Aquele residente vai estar na minha cama em breve. Isso já é um fato comprovado.
Eu apenas sorri e a segui até a emergência.
Nicolly era mesmo gata e eu tinha certeza de que, se ela realmente quisesse, o novo residente estaria na sua cama antes até de se dar conta do fato.
Eu já estava no segundo paciente quando Suzana finalmente apareceu na emergência acompanhada do novo residente.
Confesso que eu estava curiosa para conhecê-lo e comprovar se ele era mesmo tão bonito quanto Nicolly havia dito.
E ele era.
Adam Jones era mesmo lindo.
E era também o meu monitor de Anatomia.
E meu ex-namorado.
Puta que pariu!
O que diabos ele estava fazendo em Los Angeles?
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