Laços de amor
7 Capítulo 7
Capítulo 7
Pov. Sofia
− Então, vai dar namoro? Sua mãe e o gostoso do Tinder? – Lara perguntou animada quando eu a atualizei de todos os acontecimentos envolvendo Edward e minha mãe e eu revirei os olhos, voltando minha atenção para o sanduíche em minhas mãos.
− Ele tem nome, Lara. Edward Cullen. E quanto ao namoro, não tem como sabermos. Só o tempo dirá, mas eu estou torcendo para que dê certo. Ele parece ser um cara legal e, se ele pode mesmo fazer a minha mãe feliz, tudo o que eu posso querer é que ele entre em nossas vidas para ficar.
− E você tem noção de que se ele entrar em suas vidas Antony Cullen também entra, não é? – Lara perguntou de forma maliciosa, baixando o tom de voz para que as meninas que estavam sentadas ao nosso lado na mesa do refeitório não ouvissem e eu respirei fundo, contendo a vontade de sacudi-la.
− Tenho, Lara. Tenho plena consciência disto. Mas, ele vai entrar como filho do namorado da minha mãe. Nada mais. Pare de ter ideias românticas envolvendo Antony e eu, por favor. – Eu declarei e Lara revirou os olhos, me encarando mal-humorada.
− Você é muito idiota em deixar passar a oportunidade de namorar um cara gato com Antony Cullen. Coisas assim não acontecem comigo... – Ela resmungou e eu bufei.
Porque Lara era tão teimosa?
− Fique a vontade para conquistá-lo, Lara Swan. Juro que não vou me importar.
− Acontece, Sofia Swan, que ele não está interessado em mim e sim em você. Ou será que não percebeu a forma como ele te olhou ontem à noite?
− Ele estava surpreso por nos ver lá, Lara. E talvez mais surpreso ainda por saber que nossos pais estavam tendo um encontro. Só isso. Para de inventar coisas onde não existe, pelo amor de Deus.
− Tá. Não vou falar mais. Por enquanto. Porque eu sei que nós ainda vamos voltar a esse assunto, Sofia. Pode ter certeza. Agora, me deixe ir, pois tenho prova prática. Até mais! – Lara declarou, recolhendo seu material e indo em direção ao laboratório de biologia e eu suspirei, pegando minha bolsa e me dirigindo para a aula de matemática.
Nós tínhamos a mesma idade e estávamos na mesma série, mas a direção fez questão de nos deixar juntas no mínimo de aulas possíveis o que, no momento, eu agradecia.
Ela estava me deixando louca com essa história de me juntar romanticamente com Antony Cullen. Olhei discretamente para a mesa que Antony costumava estar durante o almoço e respirei aliviada quando não o vi. Ele não estava na escola hoje e eu me perguntei se sua ausência tinha a ver com os acontecimentos da noite passada.
Esperava que não, pois não queria, de forma alguma, que o fato de ele me conhecer atrapalhasse o envolvimento dos nossos pais.
No fim da aula, liguei para minha mãe a fim de avisá-la que passaria o resto do dia na casa da tia Alice e estranhei sua agitação ao telefone.
− Tá tudo bem, mãe?
− Está, meu amor. Eu só tenho muito trabalho para fazer hoje. Tive que sair para um atendimento a domicílio e me enrolei toda aqui no hospital. Vou chegar bem tarde hoje.
− Mas, você não tem outro encontro com Edward Cullen hoje?
− Nós transferimos. A propósito, não marque nada para amanhã, pois vamos almoçar todos juntos.— Minha mãe falou e eu engoli em seco quando uma desconfiança invadiu minha mente.
− Todos quem?
− Nós, Edward e os filhos dele. Quando chegar em casa eu te conto tudo. Por hora, basta você saber que vamos nos ver amanhã. Certo? Agora, preciso desligar, amor, pois vou entrar em cirurgia daqui a alguns minutos. – Ela falou, se despedindo e eu fiquei olhando para o telefone, torcendo para que uma força mágica me engolisse da face da Terra.
Minha mãe não podia querer que eu fosse a um almoço com Antony Cullen amanhã. Ela e Edward tinham que se conhecer melhor antes de nos envolverem nessa relação.
Ai meu Deus do céu!
− Viu um fantasma, Sofia? Tá branca igual a um lençol, parada aí e olhando para lugar nenhum. – Lara comentou, aparecendo do nada e eu respirei fundo, jogando minhas preocupações para o fundo da mente.
Não ia dizer sobre o almoço para Lara. Ela nunca mais me deixaria em paz.
− Não é nada. Só estou com fome. Já avisei minha mãe que vou ficar na sua casa. Vamos? – Perguntei e ela assentiu, começando a tagarelar sobre seu projeto de biologia.
Eu ouvia tudo, sorria, assentia e até dava algumas respostas curtas para suas perguntas que eram, em sua grande maioria, retóricas, mas minha mente só conseguia se concentrar no fato de que amanhã eu teria que almoçar com Antony Cullen e sua família.
Puta merda!
**********
Minha mãe demorou uma vida para chegar e quando apareceu na casa da tia Alice estava com uma carinha de cansada que me deu muita pena.
Isabella Swan trabalhava demais.
− Oi, família. Oi, meu amor... Nossa, estou morrendo de fome. – Ela falou, vindo sentar-se ao meu lado no sofá e eu não demorei a me enroscar em seus braços.
Adorava seu cheiro de mãe.
− Isso são horas, Bella? Você tem que falar com sua chefa sobre limite de horários. – Tio Jasper resmungou sem erguer os olhos do jornal que lia e minha mãe suspirou, revirando os olhos teatralmente.
− Jasper, eu estou em um renomado programa de especialização da Califórnia e tenho como colega de trabalho uma das melhores cirurgiãs pediátricas do país. Não posso desperdiçar a chance de aprender com ela e fazer um excelente trabalho para impressioná-la. A faculdade e o conforto da minha filha dependem disso. – Minha mãe explicou e tio Jasper fez uma careta, mas preferiu ficar em silêncio.
Raramente tinha algum sentido discutir com a minha mãe sobre sua profissão ou sobre o quanto ela trabalhava.
− Até hoje eu não consigo entender porque você quis se tornar médica, Bella. É uma vida muito sofrida. – Tia Alice comentou petulante e minha mãe bufou, o que me fez rir.
− Parem de criticar a escolha da minha profissão e me alimentem. Eu sou médica, amo o que faço e isso jamais vai mudar. Ponto final. – Minha mãe falou e tanto tio Jasper quanto tia Alice bufaram, o que fez com que Lara e eu ríssemos.
Esses três nunca iriam mudar!
− Sofia fez um prato pra você. Está no microondas. Mas, que eu me lembre, hoje você deveria ter ido jantar com o gostosão do Tinder. O que aconteceu?
− Adiamos para amanhã. Foi isso que aconteceu. – Minha mãe respondeu, indo para cozinha e nós a seguimos.
Era sempre assim. Enquanto ela jantava nós tomávamos um lanche e, só depois de muita conversa, é que íamos para casa.
Ainda bem que amanhã não teria escola.
− Não gosto desta história de encontros às cegas. O que aconteceu com o bom e velho flerte, com a conquista, com a troca de olhares? – Tio Jasper perguntou e minha mãe deu de ombros.
− Eles ainda existem, mas são aplicados em épocas diferentes. Primeiro, trocamos mensagens, depois, vem o flerte, a conquista, a troca de olhares, os beijos... Enfim. Só inverti a ordem das coisas.
− E isso é seguro? Sair para um encontro às cegas com um completo desconhecido?
− Ah, Jasper, não seja chato. Sua irmã precisa de um namorado e nós encontramos um. Pronto. Além do mais, o gostoso do Tinder só era desconhecido no primeiro encontro. Agora, sua irmã já o conhece. Sem paranoia, então. – Tia Alice falou, enquanto preparava sanduíche para nós, minha mãe riu e tio Jasper bufou.
A dinâmica deles sempre seria interessante pra mim.
− E porque minha irmã, tão linda, inteligente, doce e talentosa, precisa da ajuda de um aplicativo para conseguir um namorado? Porque ela não pode fazer isso do jeito convencional?
− Porque do jeito convencional não funcionou muito bem em nenhuma das vezes que eu tentei. Só por isso.
− E o que te garante que vai dar certo agora?
− Nada, Jasper. Nenhum relacionamento tem garantias que vai dar certo. Mas, eu conheci o cara e gostei dele. Vamos sair de novo e pretendemos tentar. Ele é pai, viúvo e parece ser um cara sensato e responsável. Diferente dos caras com os quais eu namorei. Então, pode ser que dessa vez dê mesmo certo. E pode ser que não. Só o tempo dirá. – Minha mãe respondeu e tio Jasper suspirou, se aproximando e beijando seus cabelos.
− Só espero que você não sofra dessa vez, maninha. – Ele murmurou e minha mãe sorriu, abraçando-o pela cintura e beijando seu rosto.
− Isso não vai acontecer. Fique tranquilo.
Minha mãe terminou o jantar e fomos pra casa logo em seguida. Ela parecia exausta e, por isso, eu não quis falar nada a respeito do almoço de amanhã.
Depois que tomamos banho eu fui até o quarto dela e me esparramei na cama, esperando que ela terminasse uma ligação, que eu só esperava não ser do hospital.
Ela estava muito cansada para atender qualquer chamado a essa hora da noite.
− Um beijo pra você também. Até amanhã. – Ela falou, encerrando a chamada e eu franzi o cenho. Será que ela estava falando com Edward?
− Quem era ao telefone? – Perguntei, não contendo minha curiosidade e ela sorriu, deitando-se ao meu lado.
− Edward. Eu liguei para saber da filha dele. Ela estava com febre hoje de manhã quando a consultei e precisava saber se ela já tinha melhorado.
− Você consultou a filha do Edward hoje? Como assim?
− Pois é. Hoje, eu conheci a casa do Edward, os filhos dele e a irmã. Foi uma tremenda coincidência, pois Suzana Cooper é pediatra da menina. Ela estava em cirurgia e pediu que eu fosse atendê-la. Eu quase morri do coração quando ele atendeu a porta. – Minha mãe explicou, mas eu ainda estava presa ao fato de que ela tinha conhecido Antony.
− Antony não estava na escola hoje. Será que é porque a irmã estava doente? – Eu perguntei e minha mãe me encarou com um sorriso cheio de significados nos lábios.
− Para quem não quer nada com Antony você repara muito nele, não é Sofia Swan? – Ela provocou e eu corei.
− Não é nada disso, mãe. Acontece que Antony é um garoto popular. Fica fácil notar sua ausência.
− Antony é um garoto popular e lindo. Muito parecido com o pai e, pelo visto, muito atencioso. Ele estava no quarto da irmã quando eu cheguei e parecia preocupado com seu estado febril.
− O que a menina tinha?
− Mia estava um pouco resfriada, mas a febre era devido ao seu estado emocional. Parece que ela não lida muito bem com o fato de o pai ter uma namorada. Aí, quando ele saiu para um encontro ontem, ela ficou abalada, o que provavelmente provocou a febre e os delírios.
− Resumindo a história, a causa da febre da menina era você. – Eu falei e minha mãe fez uma careta, me encarando com o cenho franzido.
− Aparentemente sim. E, foi daí que surgiu a ideia de um almoço em família amanhã. Mia precisa entender que eu não sou uma ameaça para o relacionamento dela com o pai.
− Mãe, mas você não acha que é muito cedo para um encontro assim? Você e Edward se viram apenas uma vez. – Eu falei e minha mãe suspirou, me encarando com um olhar triste.
− Eu o beijei hoje. – Minha mãe confessou baixinho e eu a olhei incrédula.
− Você o que?
− Eu o beijei. Ele estava fofo, todo preocupado com a avalanche de coisas que a irmã dele disse ao meu respeito e eu não resisti. Foi algo terno e muito suave, mas foi especial, Sofia e me fez compreender que ele pode ser o cara que vai finalmente me fazer feliz. – Minha mãe falou toda sonhadora e eu não pude deixar de me sentir feliz por ela.
− Bem, se já rolou até beijo... Mas, eu ainda acho que é cedo para juntar nós cinco em uma mesma equação.
− Nós fazemos parte de um todo, Sofia. Você é sempre será a coisa mais importante da minha vida e tenho certeza de que Edward se sente da mesma forma com relação aos filhos dele. Não dá para ter um relacionamento sem incluí-los na relação e, quanto antes fizermos isso, melhor. Ele e eu só nos vimos ontem, mas já conversamos a um tempão por mensagens. Eu gosto dele e quero que dê certo e, se para isso, eu já tenha que enfrentar sua filha, muito bem. Vou enfrentar. E quero que vá junto comigo, pois eu preciso de você. – Ela falou e eu sorri ternamente, sentindo meus olhos marejados de lágrimas.
Eu não podia negar nada a minha mãe, pois ela sacrificara tudo por mim. E, se para fazê-la feliz, eu precisava enfrentar um almoço na companhia de Antony Cullen, eu faria isso quantas vezes fosse preciso.
− É claro que eu vou com você, mãe. Pra onde você quiser. – Eu falei baixinho e ela sorriu, me abraçando e cobrindo a nós duas.
− Que ótimo, amor. Fico feliz em saber disso. E, para recompensá-la, você vai dormir com a mamãe hoje. – Ela falou e eu ri, me aconchegando em seu abraço.
− Boa noite, mamãe.
− Boa noite, meu amor. – Ela falou, beijando meus cabelos e eu adormeci quase imediatamente, embalada pelo seu cheiro gostoso.
**********
Eu estava nervosa.
Muito nervosa.
Combinamos de nos encontrar com Edward e seus filhos em um restaurante localizado em Santa Monica. Era o preferido da minha mãe.
Ela estava linda e radiante em seu vestido florido, com os cabelos soltos e o rosto corado e não parava de olhar para o relógio, enquanto eu me consumia em nervosismo por saber que em breve Antony estaria aqui.
Eu nunca havia visto ele fora da escola, exceto àquela noite no restaurante e eu estava me consumindo de tanta ansiedade.
− Para de morder esse lábio, porque daqui a pouco você vai ficar sem ele. – Minha mãe sussurrou no meu ouvido e eu dei um pulo assustada. – Eles chegaram. – Ela anunciou e eu prendi a respiração, olhando para a porta do restaurante, onde os três, Edward, Antony e Mia, surgiram.
Antony cravou os olhos em mim e eu desviei o olhar corando.
Este almoço, pelo visto, seria muito longo.
− Desculpe-nos pela demora. O trânsito estava horrível até aqui. Acho que hoje todo mundo resolveu vir para praia. – Edward falou quando se aproximou de nós e, para minha surpresa, beijou os lábios da minha mãe.
Olhei automaticamente para a menina loirinha que estava agarrada a mão de Antony e ela encarava a cena com uma expressão fechada.
− Oi, Sofia. Como você está, querida? – Edward perguntou, beijando meu rosto e eu sorri sem graça, optando por continuar em silêncio. – Bem, Antony você já conhece da escola. E essa pequena aqui é minha filha Mia. Mia, esta é Sofia, filha da Bella.
− Oi. Ela me falou que tinha uma filha. Só se esqueceu de me contar que era a nova namorada do meu papai. – Mia falou emburrada e minha mãe trocou um olhar com Edward, indo se ajoelhar em frente à menina.
− Ontem, na sua casa, eu era apenas sua médica. Hoje, nós vamos conversar e nos conhecer melhor e, se você gostar de mim e quiser, posso me tornar a namorada do seu papai. Certo? – Minha mãe perguntou suavemente e Mia estreitou os olhos em sua direção, mas não respondeu nada.
Algo me dizia que ela seria uma pessoinha bem difícil de conquistar.
Minha mãe nos conduziu até a mesa reservada e eu tive que me sentar ao lado de Antony, que não parava de me encarar.
− Como vai, Sofia? – Ele perguntou, enquanto nossos pais pediam nossas bebidas e eu respirei fundo, antes de respondê-lo.
− Bem. E você? – Murmurei e ele sorriu.
− Bem também. Melhor agora, na verdade. – Ele falou e eu corei, não querendo, definitivamente, decifrar as mensagens ocultas da sua resposta estranha.
Mia também não parava de me encarar, mas para ela eu lancei um sorriso simpático.
− Você tem certeza que é filha dela? Parece mais irmã. – A pequena comentou e todos riram, inclusive eu.
− Tenho sim, Sofia. Somos parecidas apenas. Mas, ela é minha mãe. Uma ótima mãe, diga-se de passagem. – Eu comentei, piscando para minha mãe que sorriu pra mim.
− Seu nome é Sofia, né? Meu irmão gosta de uma menina chamada Sofia. Ele me pediu para não dizer isso. Mas, eu acho que é você, então, se ele é covarde e não consegue te dizer, eu ajudo. Sou uma menina muito corajosa. – Mia declarou e Antony engasgou com sua água, me olhando assustado.
Ai minha nossa!
Esse almoço prometia.
Fale com o autor