Laços de amor
8 Capítulo 8
Pov. Antony
Eu queria fazer picadinhos da minha irmã. Por mais que eu tenha quase implorado pra ela esquecer aquela história de eu gostar “de uma tal Sofia”, a primeira coisa que ela fizera ao conhecer a linda filha da futura namorada do papai fora me delatar.
Isso porque eu tinha lhe prometido o mundo se ela ficasse com a boquinha fechada.
Crianças!
Elas simplesmente não sabiam reconhecer quando poderiam ter um escravo a sua disposição.
Revirei os olhos em pensamento, mas por fora eu estava morto de vergonha. Rubro como uma pimenta e louco de vontade de enfiar minha cabeça em um buraco bem fundo. Sofia também não parecia muito à vontade com a situação e olhava para qualquer lugar do restaurante, menos em minha direção.
“Gostar” dela fora algo que eu mantivera em segredo até que o destino conspirara para unir nossos pais em um encontro amoroso promovido pelo Tinder.
Eu me lembrava perfeitamente bem do primeiro dia em que a vira. Eu estava a caminho do vestiário após meu treino de futebol quando a vi entrando no ginásio para o primeiro jogo de vôlei da liga feminina.
Ela estava sorridente e linda e eu me vi tão encantado pela menina de cabelo cor de mogno e olhos verdes brilhantes que desistira da minha chuveirada apenas para vê-la jogar. E eu tinha que confessar que ela era incrível em quadra. A melhor do time.
Depois disso, eu fazia questão de estar presente em todos os jogos e treinos das meninas. Tão presente que Mary Jane Volturi colocou na cabeça que eu estava indo aos treinos e jogos do time de vôlei porque eu ainda estava interessado nela. E, a partir deste dia, ela não me deixara mais em paz, mesmo eu dizendo que não tinha nada a ver.
O problema era que eu não podia dizer que estava indo aos jogos interessado na Sofia, porque Mary Jane era doida e certamente faria da vida da garota um verdadeiro inferno.
Eu caíra na besteira de ficar com Mary Jane em um dos bailes de primavera da escola. Ela era irmã de Alec, um dos caras do meu time de futebol, e, como ele incentivara nosso interlúdio romântico naquela noite, dizendo que a irmã estava louca por mim, eu achara que não teria nenhum problema.
Mas, depois daquela maldita festa, ela espalhara para o colégio inteiro que estávamos namorando e ameaçava as meninas que se aproximavam de mim, pois, segundo sua mente insana, eu era propriedade dela.
Portanto, não dava para confessar a ninguém meu interesse em Sofia, pois eu não queria que Mary Jane e toda sua loucura a prejudicassem de alguma forma. O único que sabia dos meus sonhos românticos era Ethan, meu primo e amigo. E fora no dia que eu contara tudo a ele sobre Sofia que Mia ouvira e começara a dizer para todo mundo que eu gostava de uma menina. Inclusive para a própria menina. E para a mãe dela.
Eu estava muito ferrado!
Ferrado porque Sofia não parecia interessada. E ferrado porque qualquer coisa que desse errado nessa história poderia interferir no namoro do meu pai e da Bella e eu não queria, de forma alguma, que isso acontecesse.
Depois de anos, meu pai finalmente conhecera uma mulher legal, bonita e gentil e eu não podia atrapalhá-lo. Edward Cullen, mais do que ninguém, merecia ser muito feliz.
− Antony? Seu peixe chegou. Não vai comer? – Sofia perguntou, me olhando atentamente e eu chacoalhei a cabeça, sorrindo de leve.
− Vou sim. Estava distraído. – Eu respondi, olhando para o seu rosto lindo e ela sorriu de leve, desviando o olhar e concentrando-se em sua comida.
Fora a primeira vez que ela sorrira para mim e, de repente, o meu dia se tornara mais bonito.
O Almoço transcorreu sem maiores incidentes.
Mia ainda lançava olhares cortantes a Bella, mas não fez nenhum comentário mal criado.
Meu pai parecia fascinado pela mulher a seu lado e ficou a encarando com cara de bobo enquanto ela nos contava detalhes sobre a escolha da sua profissão.
− Eu era jovem, tinha uma filha para criar e estava farta das pessoas me dizerem que eu não poderia estudar medicina. Era o meu sonho desde menina e eu sabia que tinha total capacidade para realizá-lo. Eu fui perfeita no ensino médio. Minhas notas eram altíssimas e, por isso, fui aceita em várias universidades. Eu vivia em Forks, uma pequena cidade chuvosa do estado de Washington, e raramente via a luz do sol. Por isso, quando fui aceita na Universidade da Califórnia, não pensei duas vezes e vim correndo. Fui para um alojamento de estudantes com Sofia a tira colo. Não podia simplesmente deixar minha filha com meus pais. Ela era minha e iria para onde eu fosse. No início, ter uma criança pequena num alojamento estudantil me trouxe alguns problemas. Mas, com o tempo todos se apaixonaram por ela e, de repente, eu tinha muita ajuda para cuidar da minha pequena. Tudo melhorou muito quando meu irmão e minha cunhada também se mudaram para Los Angeles com sua filha, Lara. Eu fui morar na casa deles e eles me ajudavam com Sofia. Foi difícil, mas eu finalmente me formei. Fui fazer meu internato médico no California Hospital Medical Center, onde conheci Suzana Cooper. Depois veio a residência e, no momento, estou na especialização. Escolhi pediatria por vocação, acho. E porque a Dra. Cooper disse que tinha que ser assim. Mas, estou gostando muito. – Isabella falou e eu a olhei admirado por longos segundos.
Era uma história e tanto. Uma mulher, mãe e solteira, que viera para a faculdade e trouxera a filha com ela. Minha admiração e simpatia por Isabella cresceram naquele momento.
− Nem imagino tudo o que você passou com uma criança na faculdade. Não deve ter sido fácil. – Meu pai comentou e Bella sorriu, olhando para Sofia com carinho.
Era mais do que evidente o quanto ela era apaixonada pela filha.
− Foi complicado. Crianças choram, fazem barulho, bagunça... Mas, eu tive sorte de sempre encontrar pessoas boas dispostas a me ajudarem. No período mais crítico, que foi o internato médico, eu tive a ajuda de Jasper e Alice. Isso foi maravilhoso. Eu trabalhava demais. Fazia plantão de até oitenta horas. Contudo, gosto apenas de me lembrar das partes boas. Eu consegui. Realizei meu sonho e hoje sou uma médica.
− Uma médica linda, diga-se de passagem. – Meu pai gracejou e Bella corou, apertando as mãos dele sobre a mesa.
Sofia e eu trocamos um olhar e eu senti meu estômago se revirar quando ela, mais uma vez, sorriu para mim.
Aquele sorriso seria minha morte.
Depois do almoço, fomos caminhar na orla da praia. Meu pai e Bella foram à frente, de mãos dadas.
Sofia, Mia e eu ficamos para trás e minha irmã parecia ter se encantado com Sofia assim como eu.
− Seus olhos são lindos. Qual é a cor deles? – Minha irmã perguntou e Sofia sorriu ternamente.
− Verdes. São da mesma cor dos olhos da minha avó.
− São muito bonitos. Os olhos da minha mãe também são verdes. Quer dizer, eram. – Mia murmurou e eu troquei um olhar triste com Sofia. Era difícil me lembrar da minha mãe. Mas, eu pelo menos tinha lembranças. Mia, nem isso. – E você não tem um papai? – Minha irmã perguntou depois de alguns segundos de silêncio e Sofia suspirou, me fazendo olhá-la com curiosidade a espera de sua resposta.
Eu também gostaria de saber onde estava o pai dela que não fora mencionado nenhuma vez na conversa durante nosso almoço.
− Não. Eu não tenho um papai. Ele foi embora antes de eu nascer e nunca o conheci. Mas, minha mãe nunca deixou que eu sentisse falta dele. Ela foi a mãe mais incrível que eu poderia sonhar em ter e nunca deixou que faltasse nada a mim. Nem mesmo o amor de um pai. O amor dela por mim supriu tudo.
− Ela parece ser uma boa pessoa. Mas, eu não quero que o meu pai namore. Eu não quero que ele se esqueça da minha mãe. – Mia murmurou e Sofia interrompeu nossa caminhada se ajoelhando a frente da minha irmã.
− Mia, seu pai jamais vai se esquecer da sua mãe. Isso é impossível, pois você e seu irmão estarão sempre aqui para lembrá-lo da mulher que ele amou um dia. Mas, o seu pai é viúvo e está há muito tempo sozinho. Ele merece encontrar alguém que o faça feliz. Assim como minha mãe. E eu posso te garantir que ela é a pessoa mais incrível que você vai conhecer na vida. Dê uma oportunidade à Dra. Swan. Tenho certeza absoluta de que você não vai se arrepender. – Sofia falou suavemente e, para minha total surpresa, Mia sorriu.
Isabella poderia até demorar a conquistar minha irmã, mas Sofia já tinha a pequena totalmente enrolada em seu dedo mindinho.
− Eu vou pensar. Mas, sua mãe ainda vai ter que me provar que ela é boa o bastante para o meu papai. – Minha falou com seu jeitinho petulante e Sofia e eu rimos.
− Tenho certeza de que ela é boa o bastante. Fique tranquila. Agora, o que acha de um sorvete? – Sofia ofereceu e os olhos da minha irmã brilharam.
− De chocolate?
− Do que você quiser, gatinha... Vamos?
Sofia saiu puxando minha irmã pelo calçadão e eu as segui, rindo da cena.
Compramos sorvetes e nos sentamos na grama, observando nossos pais que estavam um pouco mais a frente, conversando e trocando olhares apaixonados.
− Sua mãe é boa o bastante, Sofia. Eu sei disso. E meu pai também. Ele está encantado.
− Minha mãe também está encantada. Acho que finalmente ela encontrou alguém capaz de fazê-la feliz. Talvez seja cedo, afinal esse é o segundo encontro deles, mas eu sinto que a relação deles tem tudo para dar certo.
− Tem sim. E sobre aquilo que a minha irmã disse sobre você ser a... Bem, você ser a Sofia. Àquela Sofia... Eu...
− Esquece isso, Antony. É obvio que a Sofia em questão não sou eu. Caras como você, tão popular e ex-namorado de uma menina como Mary Jane, não dão bola para garotas como eu, tímidas, nerds e anônimas. Mia deve ter se enganado. – Sofia falou, me interrompendo apressadamente e eu fiquei encarando-a por longos segundos, aproveitando o fato de Mia estar distraída com o movimento da praia.
− Eu nunca namorei Mary Jane.
− Não?
− Não. Eu fiquei com ela em uma festa. Só isso. Esse namoro foi uma invenção maluca da mente doentia de Mary Jane Volturi.
− Nossa... Isso é uma surpresa, porque ela não se cansa de ameaçar as meninas da escola para ficarem longe do namorado dela. E vocês sempre ficaram tão grudados.
− Ela grudou em mim, Sofia. Mas, acredite. Nós nunca namoramos.
− Certo...
− E, eu não sou tão popular quanto você pensa. Sou um cara tímido que gosta de futebol e que ficou conhecido por jogar no time da escola. Nada mais. Acho até que sou tão nerd quanto você. – Eu declarei e ela corou, me olhando de esguelha.
− Você gosta de ler?
− Adoro. J.k Rowling, Charlotte Brontë, Emily Brontë, Thomas Hardy, Jane Austen, J. R. R. Tolkien e uma lista infinita de autores. Posso, inclusive, te mostrar o meu acervo. – Eu declarei animado e Sofia me olhou divertida.
− Você lê Brontë, Hardy e Jane Austen? – Ela perguntou, parecendo incrédula e eu ri, assentindo. – Fala sério, Antony!
− É verdade. Eu gosto muito dos clássicos. Não sou um atleta burro, Sofia. E, se você me desse uma oportunidade, poderia comprovar isso. Em primeira mão. – Eu declarei, colocando uma mecha do seu longo cabelo atrás da orelha e ela corou, desviando o olhar.
− Antony...
− Me chame de Tommy. É o apelido que minha irmã colocou em mim quando ela era pequena. Todo mundo lá em casa me chama assim. E agora, você é de casa né... – Eu falei, apontando para os nossos pais que se beijavam neste momento e Sofia sorriu, me olhando por longos segundos.
− É... Parece que sim, Tommy. – Ela murmurou e eu sorri largamente.
O dia tinha sido ótimo, afinal.
**********
Pov. Edward
− Mia sempre foi assim com suas namoradas? Arredia? – Bella me perguntou, enquanto caminhávamos pela orla da praia de mãos dadas e eu sorri.
− Sempre. Não que eu tenha tido muitas namoradas. Ser pai em tempo integral e ter que dividir meu tempo com o escritório nunca me deixou muito tempo para namorar. Além do mais, eu nunca encontrei uma mulher que valesse realmente a pena. Até agora! – Eu declarei e ela sorriu, apertando minha mão de leve.
− Será que ela vai me aceitar um dia?
− Claro que vai. Sofia já a conquistou, pelo visto. Com o tempo, Mia vai perceber que você é maravilhosa e toda essa rebeldia e desconfiança vai cair por terra. Confie em mim.
Notei que nossos filhos estavam comprando sorvete e puxei Bella para nos sentarmos sob a sombra de uma árvore.
− Sofia não tem restrições com você. E, depois da minha última experiência com namorados, a aprovação dela é tudo o que eu preciso para investir em um relacionamento. – Bella falou e eu franzi o cenho encarando-a.
− O que teve de tão ruim em sua última experiência amorosa?
− Um cretino namorou comigo interessado em minha filha. Aliás, ele queria as duas e tentou... Bem, ele tentou...
− Abusar da Sofia? – Eu perguntei baixinho e ela assentiu, baixando a cabeça para esconder o que eu sabia serem lágrimas. − Esquece isso, Bella. Já passou e nada de ruim aconteceu. Sofia não me parece ser uma menina cheia de traumas, então fique tranquila.
− Eu sei. Só que é difícil lembrar e admitir que eu coloquei na minha vida um homem asqueroso que tentou colocar as mãos na minha filha. Eu sinto uma imensa vergonha disso. – Bella falou triste e eu suspirei, abraçando-a de lado e fazendo com que ela deitasse a cabeça em meu ombro.
− Você não tem que sentir vergonha de nada, linda. Ele é que tem. Foi ele que tentou fazer mal a Sofia. Não você. Ele é o culpado, Bella. Sofia e você são as vítimas dessa maldade. Não ele. – Eu falei, sentindo raiva de um cara que eu nem conhecia por fazer mal a pessoas tão maravilhosas como Bella e sua filha.
− Você é maravilhoso, sabia? Bendita seja a hora que eu deixei Sofia e Lara me convencerem a criar um perfil no Tinder. Essa loucura toda me trouxe você. – Ela murmurou, me olhando ternamente e eu não resisti. Abaixei minha cabeça e beijei seus lábios suavemente.
Ela era tão doce e linda que minha vontade era beijá-la o dia todo.
− Eu queria poder te beijar o dia todo, Edward Cullen. – Ela murmurou quando nossos lábios se separaram e eu sorri, beijando-a mais uma vez.
− Então, acho que combinamos, Dra. Swan. Combinamos muito.
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