Capítulo 39

Pov. Edward

− Ela dormiu? – Sofia me perguntou preocupada assim que me viu sair do quarto que eu dividia com Bella e eu suspirei, assentindo.

Tinha sido uma longa noite desde que Bella e eu encontramos James na saída do hospital. Depois de agredi-lo por ele ter tentando machucar minha esposa, fomos todos levados à delegacia e eu só não ficara preso graças ao talento dialético de Emmett, que convencera o delegado de que minha reação violenta fora em legítima defesa, já que James agredira Bella primeiro.

Bella ficara muito abalada com tudo o que acontecera, se culpando pela volta do namorado e pela confusão armada em frente ao hospital. Minha esposa ameaçou pegar a filha e sumir da minha vida com a desculpa de proteger a mim e aos meus filhos do seu passado conturbado e quando eu vi que sua mente absurda estava mesmo planejando àquilo, pedi um calmante para a Dra. Suzana, que nos acompanhara à delegacia a fim de prestar depoimento a meu favor. Foi preciso muito esforço para convencer Bella a aceitar os medicamentos. Ela resistiu o quanto pode e quando finalmente chegamos em casa, já no meio da madrugada, eu dei-lhe um banho e permaneci ao seu lado até ter a certeza de que ela estava mesmo adormecida. Minha esposa precisava descansar para esquecer a noite de merda que tivemos.

Sofia ficara de plantão durante toda noite à espera da mãe e quando eu chegara com Bella, ela montara plantão na porta do nosso quarto. No começo, Tommy estava acompanhando-a, mas eu imagino que meu filho tenha cansado, já que não estava à vista quando eu finalmente saí do quarto.

− Sim. Finalmente. Mas, foi preciso praticamente obrigá-la a tomar àqueles tranquilizantes que a Dra. Cooper prescreveu. Sua mãe estava muito agitada. – Eu respondi e ela fungou, me encarando com os olhos claros rasos d’água.

− Será que nós duas nunca seremos completamente felizes? – Sofia me perguntou com a voz embargada e eu respirei fundo, puxando-a para os meus braços.

− Claro que vão, meu anjo. Agora, eu estou ao lado de vocês para garantir que a felicidade jamais nos deixe. Eu sei que você e sua mãe passaram por muita coisa durante o tempo em que viveram sozinhas. Eu acompanhei todo o drama da volta do seu pai e as confusões consequentes da relação ruim que vocês tinham com sua avó. Quase enlouquecemos quando você levou àquele tiro, mas graças a Deus acabou tudo bem. Depois, sua mãe e eu nos casamos e eu acreditei que tudo fosse ser perfeito a partir dali. Entretanto, a vida real não é perfeita, amor. A realidade tem problemas, decepções, desentendimentos... E isso é absolutamente normal. James ter aparecido nas nossas vidas não é nada. Eu ter batido nele e parado na delegacia não é nada. Eu ser processado por agressão não é nada. Faria de novo se àquele cara se aproximasse de você ou da sua mãe outra vez. Mas, o que realmente importa é o amor que nos une. Esse amor que cresce e se fortalece mais a cada dia que passa e que nos faz tão bem. – Eu falei e Sofia fungou, levantando o rosto para me encarar.

− Você foi a melhor coisa que nos aconteceu, Edward. Ter insistido para minha mãe criar um perfil no Tinder e praticamente a arrastado para o restaurante no primeiro encontro de vocês foram as melhores decisões da minha vida, pois nos trouxeram você, Tommy, Mia e todos os Cullen. Obrigada por nos amar e por cuidar de nós. E obrigada por tirar James das nossas vidas. – Ela falou e eu sorri, beijando sua testa.

− De nada, meu anjo. Como eu disse, faria tudo outra vez. Mas, está tarde. Já passa das três da manhã. O que você acha de tomar um banho e dormir um pouco? Eu até deixo que você e Tommy dividam a cama hoje. – Eu ofereci e ela sorriu, ficando na ponta dos pés para poder beijar o meu rosto.

− Proposta aceita. Quando minha mãe acordar você me avisa?

− Claro. Eu peço pra ela ir dar uma olhadinha em você. – Eu falei e ela sorriu, afastando-se de mim e indo para o seu quarto, que fora um presente de Rosalie e Emmett para o seu aniversário de dezesseis anos.

Depois que Sofia sumiu das minhas vistas, eu fui verificar Mia, que dormia tranquilamente em sua cama.

Tommy estava no computador e sorriu para mim quando me viu entrar em seu quarto.

− E aí, velho... Quantos vilões pretende derrubar no soco amanhã? – Meu filho me perguntou divertido e eu fiz uma careta, sentando-se na beirada de sua cama e encarando a tela do computador que tinha como proteção uma linda foto de Tommy e Sofia em Boston.

− Isso não é engraçado, Antony. Eu bati em um cara, mas quero reforçar a ideia que sempre defendi de que violência não resolve nada. Nunca.

− Resolveu nesse caso. Duvido que àquele canalha se aproxime de Bella ou Sofia outra vez.

− Ele não vai fazer isso. Aliás, se depender de mim e de Emmett ele nunca mais vai agredir uma mulher outra vez. Seu tio e eu faremos de tudo para que ele seja proibido de permanecer em Los Angeles.

− É o melhor a ser feito, pai. Não estou me sentindo seguro em deixar minha namorada andar sozinha por aí sabendo que àquele psicopata está a solto na cidade.

− Ele está preso agora, filho, e será mantido assim até que eu consiga renovar o pedido de restrição para Bella e Sofia e garantir que o juiz vai mantê-lo longe de Los Angeles a partir de agora. – Eu falei e Tommy assentiu, me olhando preocupado.

− Como Bella está? – Ele perguntou e eu suspirei.

− Preocupada, abalada e culpada. Falou até em ir embora com Sofia para que o passado delas não nos afete. – Eu falei e Tommy arregalou os olhos.

− Você não vai deixar, não é? Pai, elas não podem ir embora.

− Claro que eu não vou deixar, Tommy. Bella é minha esposa e não vai sair do meu lado. Mas, o estado dela me preocupa. Ela já passou por muita coisa na vida. Tudo o que eu queria era que Bella fosse feliz incondicionalmente e pudesse viver em paz no seio de uma família que a ama, a respeita e a protege. Gostaria de poder compensá-la por todo o sofrimento que ela e Sofia passaram durante todo o tempo em que viveram sozinhas. Mas, toda a vez que eu acho que vai ser perfeito dali em diante, acontece alguma coisa para atrapalhar. – Eu lamentei e Tommy suspirou, vindo sentar-se ao meu lado.

− Pai, apesar de tudo nós nunca fomos tão felizes como somos agora. Bella e Sofia vieram para preencher nossas vidas. E eu não sei você, mas eu estou disposto a enfrentar qualquer coisa para ter Sofia para sempre ao meu lado. – Tommy afirmou e eu sorri, abraçando-o pelo ombro.

− Eu também estou, filhão. Bella e Sofia são minhas garotas e eu enfrentarei qualquer coisa para mantê-las seguras ao nosso lado. Aliás, eu dei permissão para que Sofia passe essa noite com você. Ela está nervosa por causa de Bella e acho que estar ao seu lado vai fazer bem a ela. – Eu falei e Tommy tentou disfarçar um sorriso satisfeito, o que me fez revirar os olhos. Era óbvio que ele ia adorar àquela ideia. Mia deixou escapar que eles dormiram muitas vezes juntos durante minha viagem de lua de mel. E, como os dois não eram mais crianças, eu só podia torcer para que eles estivessem sendo responsáveis.

− Vou me preparar para receber a minha princesa então. Eu a deixei sozinha um pouco, pois precisava terminar um trabalho, mas vou adorar tê-la comigo pelo resto da noite.

− Juízo vocês dois. É só o que eu peço. – Eu pedi e ele revirou os olhos, rindo em seguida. − Boa noite, Tommy.

− Boa noite, velho.

Fui para o meu quarto e, após um banho demorado, finalmente pude me deitar ao lado da minha esposa e dormir.

Acordei com Bella tentando fugir do meu abraço e, para evitar que ela escapasse, eu a puxei novamente para junto de mim.

− Bom dia, amor. Onde você pensa que vai? – Eu perguntei com a voz rouca, beijando sua nuca e ela suspirou, virando o rosto para me encarar.

− Bom dia. Eu preciso fazer xixi, marido. Será que posso?

− Claro. Mas, volte pra mim, por favor. – Eu falei, soltando-a e ela foi para o banheiro, voltando cerca de vinte minutos depois de banho tomado e se aproximando lentamente da cama.

− Eu tenho que me arrumar, Edward. Ontem à noite não vi Sofia, Mia e Tommy. Sou a mãe deles. Preciso saber se minhas crias estão bem.

− Eles estão ótimos. Eu preciso conversar com você sobre ontem. – Eu declarei e ela bufou, desviando o olhar.

− E falar o que? Que vai se afastar de mim por causa do meu passado complicado? – Bella falou ríspida e eu revirei os olhos, me sentando na cama e puxando-a para perto de mim.

− Não diga bobagens, Bella. Eu não quero e não vou me afastar de você.

− Pois devia. Eu já fiz muita bobagem na vida, Edward. Namorei completos canalhas e os trouxe para perto da minha filha. Sofia sofreu com as minhas péssimas escolhas e eu não quero que os seus filhos e você sofram também. – Ela falou e eu bufei.

− Chega de drama, Bella. Seu passado existe e não pode ser mudado. Você fez escolhas erradas? E daí? Todos nós já fizemos um dia. Isso é viver. Arriscar-se, amar, se arrepender, odiar, desprezar, desculpar... São todos atos humanos e fazem parte de momentos da vida. Não podemos sofrer por nossas escolhas erradas para sempre. James foi um erro. Sabemos disso. Mas, acabou. Ele não vai voltar a perturbá-las.

− E se ele voltar?

− Enfrentaremos juntos. Na alegria e na tristeza, lembra? – Eu falei, referindo-se aos nossos votos de casamento e ela suspirou, se aproximando de mim e vindo para o meu colo.

− Eu fiquei apavorada quando você foi levado para a delegacia, ontem. Eu quis morrer dez vezes por ter te colocado naquela situação. Você é um homem de bem, Edward. Bom filho, bom pai e bom profissional. Se envolver em uma briga de rua é ruim para sua imagem. Seus pais devem estar me odiando agora. – Bella declarou e eu ri ao pensar nos meus pais e no quanto eles me xingaram por telefone.

− Claro que não, Bella. Não seja absurda. Meu pai já bateu em um ex-namorado da minha mãe. Rosalie e eu éramos crianças. O idiota começou a persegui-la e meu pai deu-lhe uma lição. Eles jamais iriam me julgar ou odiá-la pelo que aconteceu com James. Claro que eu vou ter que ouvir mais uma vez o tradicional discurso de que violência não resolve nada, mas eles jamais te odiariam. Isso é impossível, aliás. – Eu falei, beijando o topo da sua cabeça e ela suspirou.

− Eu não mereço você... – Bella murmurou e eu revirei os olhos.

− Claro que merece. Merece e me tem. Sou completamente seu. Hoje e sempre. – Eu declarei e ela ergueu o rosto para me encarar, se aproximando mais e beijando meus lábios de leve.

− Obrigada por ser meu e cuidar tão bem de mim. Eu te amo.

− Eu também te amo, Bella. Muito. – Eu declarei, beijando-a delicadamente e ela sorriu de leve. − Agora que já esclarecemos os acontecimentos de ontem e que já tirei da sua cabeça a ideia estúpida de deixar a mim e aos meus filhos, nós podemos descer para preparar o café da manhã, mesmo que não os mandemos para a escola. Eles foram dormir muito tarde ontem.

− Certo. Vou acordar nossos filhos... – Ela declarou, levantando-se e seguindo para fora do quarto e eu achei por bem alertá-la sofre o fato de nossos filhos estarem dormindo juntos. Era melhor do que ela descobrir de repente, sem nenhum aviso e surtar.

− Sofia está no quarto de Tommy. – Eu falei rapidamente, enquanto me levantava e Bella virou já da porta para me olhar. Seu olhar fuzilante fez com que eu me encolhesse um pouquinho.

− Como?

− Sofia dormiu com Tommy. Ela estava muito nervosa ontem e meu filho sabe acalmá-la. Achei que seria um bom arranjo. – Eu expliquei e Bella bufou, revirando os olhos.

− Eu não sei quem tem menos juízo, Cullen... Você ou eles. – Ela reclamou, marchando para fora do nosso quarto e eu ri. Bella rabugenta sobre nossos filhos significava que o episódio com James estava quase superado e isso era mais do que maravilhoso.

**********

Algumas semanas depois...

− Pronto, chefe. James está proibido de se aproximar de Bella ou Sofia pelo resto da vida. O Juiz o aconselhou a ficar bem longe de Los Angeles. Soou mais como uma ameaça e, portanto, eu acho que nunca mais ele vai querer vir para L.A. – Emmett me informou, entrando no meu escritório de repente e eu respirei fundo, pegando o relatório sobre o caso de James de suas mãos para conferir tudo.

− E sobre meu processo por agressão? Tudo certo mesmo?

− Claro. O juiz entendeu que foi em legítima defesa. Portanto, o único culpado dessa confusão toda é James. – Emmett falou e eu me senti aliviado.

Graças a Deus e à eficiência de Emmett o pesadelo “James” acabara.

− Ainda bem que esse pesadelo acabou. Bella chegou a cogitar sair da minha vida por causa do seu passado conturbado. Não estou, de forma alguma, preparado para ouvir que minha esposa, por quem eu sou loucamente apaixonado, irá me deixar. – Eu declarei e Emmett riu, sentando-se na cadeira à minha frente.

− Rosalie esteve com ela ontem e me informou que Bella está mais calma e que não pretende mais ir embora. Mas, essa reação exagerada dela à volta de James é compreensível. Muita coisa aconteceu na vida da sua esposa nos últimos tempos. O namoro de vocês, a volta do pai da Sofia, o desentendimento e o entendimento com os pais, a experiência de quase morte de Sofia, a promoção no hospital, o casamento de vocês, nova casa, nova família, novos filhos, nova rotina... Acredito que o reaparecimento do ex-namorado psicopata foi o estopim para que Bella surtasse.

− É assim que eu vejo toda essa situação também. Minha esposa esteve sob muita pressão nos últimos tempos e é compreensível que uma comporta de sentimentos tenha se abrido com o reaparecimento de um cara que fez tão mal a ela e a Sofia. Eu não a julgo. De forma alguma. Fiz questão de apoiá-la e mostrar a ela que estou ao seu lado para o que der e vier. Mas, a história de ir embora me deixou seriamente preocupado. – Eu declarei e Emmett riu.

− Eu imagino. Se Rosalie ameaçasse me deixar, acho que eu seria capaz de prendê-la no banheiro. – Emmett concluiu e foi minha vez de rir.

− Bem... Eu estou aliviado por termos colocado um ponto final nessa história do retorno maldito do ex-namorado psicopata. Tudo o que eu quero e preciso agora é me preocupar com a felicidade da minha família e com a ida de Tommy para Harvard. Ele e Ethan começaram a preencher os formulários de admissão ontem. – Eu falei e Emmett fez uma careta.

− Nem me lembre, Edward. Rosalie está chorando desde já. Sua irmã vai me enlouquecer até o fim desse processo de admissão. – Emmett reclamou e eu ri.

− Bella, Mia e Sofia estão sofrendo por antecipação também. Seremos dois a enlouquecer.

− Por falar nisso, como vai ficar o namoro da Sofia e do Tommy com ele à milhas de distância de L.A?

− O namoro continua. Sofia está sofrendo pela separação iminente, mas pretende ir para Harvard no ano seguinte. Aí, é minha esposa que passa a sofrer pela separação. Ela sempre imaginou que a filha iria estudar em Los Angeles e ficar com ela o tempo todo. Agora, Sofia tem planos de ir para Harvard como Tommy e Bella está pirando. Mia está chateada também, pois se deu conta de que em menos de dois anos vai deixar de morar com os irmãos amados. O drama lá em casa é imenso.

− É... Seus problemas são, definitivamente, maiores que os meus. Rosalie é muito coruja e acredita que Ethan pode sucumbir de fome, frio ou sede longe dela. Chegou a argumentar que ele pode ficar doente e morrer se nós não estivermos por perto para cuidar e mimar. Sua mãe tem me ajudado bastante na tarefa de manter minha esposa sã até a mudança do nosso filho, mas Rosalie vai ser sempre Rosalie. Candyce, por outro lado, está comemorando a possível mudança do irmão, já que, segundo ela, sempre sonhou em ser filha única. Portanto, a única surtada com a qual eu tenho que lidar é minha esposa.

− Será mesmo que nossos filhos serão aceitos em Harvard?

− Eu não tenho dúvidas. Ethan e Tommy são excelentes alunos, ótimos jogadores e participaram de muitos projetos e eventos na escola. Portanto, são ótimos candidatos para uma vaga em Harvard. – Meu cunhado falou e eu sorri orgulhoso.

− É... Você tem razão. Então, o melhor mesmo é começar os preparativos para a partida deles.

− Sim. Mas, antes temos que começar a nos preparar para o Natal. O que vocês têm em mente? Boston? – Emmett perguntou e eu assenti.

− Sim. Mamãe já está preparando tudo. Alice, Jasper e Lara irão também. E acho que até meus sogros. Só espero que eles não resolvam dar nenhuma lição de moral em Bella, ou eu serei obrigado à tirá-los das nossas vidas de uma vez por todas. – Eu declarei e Emmett assentiu.

− Isso aí. Nada de permitir que mais alguém arranque qualquer lágrima de tristeza de Bella. Àquela mulher já sofreu demais. – Meu cunhado falou e eu assenti em concordância.

Ninguém mais iria machucar minha esposa. Caso contrário, eu seria obrigado a fazer o mesmo que fiz com James. Claro que eu não socaria ninguém (pelo menos tentaria não fazê-lo). Mas, obrigaria quem quer que fosse a permanecer longe das nossas apenas para manter minha esposa segura e feliz.

*********

Algumas semanas depois...

− E aí, loirinha... Cadê todo mundo? – Perguntei a Mia, que estava esparramada no sofá da sala lendo Orgulho e Preconceito e ela sorriu para mim.

− Tommy e Sofia estão assistindo um filme meloso no quarto enquanto se engolem e mamãe foi tomar banho e se arrumar para o jantar de vocês. – Ela respondeu e eu fiz uma careta para a descrição da atividade de Tommy e Sofia. Era preciso manter a vigilância constante sobre àquela dupla.

− Já está terminando a leitura do seu livro favorito? – Eu perguntei e ela sorriu largamente.

− Eu já terminei, na verdade. Estou lendo pela segunda vez. – Ela confessou e eu ri, revirando os olhos, enquanto dava um beijo no topo de sua cabeça.

− Certo. Bem, senhorita fã de Jane Austen, vou para o segundo andar me arrumar para o jantar com a mamãe. Vocês ficarão na doce companhia da tia Rosalie. Espero que se comportem.

− Eu sempre me comporto, papai. Sou uma dama. – Ela falou e eu ri, deixando minha pasta no escritório e seguindo para o meu quarto, ao encontro da minha esposa linda, com quem eu teria um jantar romântico nessa noite para celebrar o nosso amor.

Eu estava passando em frente ao quarto de Sofia quando um diálogo estranho entre ela e Tommy me fez interromper os passos e prestar atenção à conversa.

− Mas, você tem certeza? O que diz as instruções? ­– Tommy perguntou e Sofia bufou.

− Claro que eu não tenho certeza. Eu nunca fiz um teste de gravidez antes. – Sofia respondeu e eu senti meu coração falhar uma batida.

Teste de gravidez? Pra que? Ou melhor, pra quem?

Sofia estava grávida? Mas, desde quando eles estavam transando? O que àqueles dois tinham feito?

− Eu sei, amor. E é por isso que devemos seguir todas as instruções da caixinha. O que diz aí?

− Duas fitas rosa significam gravidez.

− E de que cor as fitas estão? – Tommy perguntou e fez-se silêncio no quarto. Sofia devia estar mostrando o teste pra ele. – Bem, então já sabemos a resposta.

− Gravidez... – Sofia sussurrou e eu engoli em seco. Eu seria avô? Isso nem era tão ruim. Mas, eles eram tão jovens. E Harvard?

Meu Deus!

Bella os mataria. Eu estava com vontade de matá-los, aliás.

Entrei no quarto sem bater e quando os dois notaram a minha presença, me encararam assustados, escondendo os testes de gravidez atrás do corpo.

Eu senti ainda mais vontade de esganá-los.

− Gravidez? Aos dezesseis e dezessete anos? Vocês ficaram malucos? E desde quando estão transando? E porque não usaram a porra da camisinha? – Eu soltei uma enxurrada de perguntas aos gritos e os dois engoliram em seco, trocando olhares amedrontados.

Era bom mesmo que estivessem com medo, pois eu iria matá-los por essa burrada.

Ah, se ia!